Introdução
Distúrbios
psiquiátricos são deficiências funcionais
resultantes de alteração de um ou mais dos
seguintes fatores interrelacionados: (1) função
biológica; (2) inadaptação psicodinâmica;
(3) comportamento aprendido; e (4) condições
sociais e ambientais. Embora o estado clínico
num dado momento determine qual a área de
disfunção será enfatizada, o tratamento apropriado
do paciente exige uma abordagem que avalie
adequadamente todos os fatores.
Função
Biológica
Os
distúrbios psiquiátricos de origem biológica
podem estar subordinados a doenças físicas
identificáveis ou ser causados por distúrbios
bioquímicos do cérebro. Uma ampla variedade
de distúrbios psiquiátricos (p.ex.: psicose,
depressão, delírio, ansiedade), bem como sintomas
inespecíficos, são causados por doença orgânica
do cérebro ou por desarranjo do metabolismo
cerebral resultante de doenças, aberrações
bioquímicas (geralmente disfunção neurotransmissora),
deficiências nutricionais ou agentes tóxicos.
As
funções neurotransmissoras foram correlacionadas
com os principais distúrbios psiquiátricos.
A deficiência colinérgica está presente em
algumas demências e o desequilíbrio adrenérgico
é importante em algumas psicoses. Os mecanismos
serotonérgicos estão significativamente envolvidos
nos distúrbios afetivos, agressividade, autismo
e problemas de ansiedade, especialmente nos
distúrbios obsessivo-compulsivos.
Inadaptação
Psicodinâmica
A
inadaptação psicodinâmica envolve aberrações
intrapsíquicas e costuma ser tratada com uma
abordagem psicoterapêutica. Há muitas formas
de psicoterapia: de apoio, interpretativa,
cognitiva, persuasiva, educativa ou combinações
desses métodos. A profundidade, duração, intensidade
e freqüência das sessões podem variar.
Comportamento
Aprendido
O
comportamento aprendido faz parte do mecanismo
patogenético de todos os distúrbios psiquiátricos.
Por exemplo, no distúrbio de somatização,
o paciente pode ter aprendido que estar doente
é a única maneira de obter atenção. Alterar
esse reforço positivo seria crítico para produzir
uma mudança de comportamento. Os distúrbios
de personalidade são exemplos de fracasso
em aprender a incorporar padrões de comportamento
aceitáveis nos ambientes sociais.
Condições
Sociais e Ambientais
Os
fatores sociais e ambientais sempre foram
considerados de importância vital para o equilíbrio
mental do indivíduo. Sem embate com o ambiente,
não pode haver doença socialmente reconhecida.
As exigências da vida cotidiana contribuem
tanto para o desenvolvimento de uma personalidade
estável quanto para os desvios da norma. Há
uma influência étnica, em constante mutação,
que determina quais tipos de comportamento
serão tolerados e quais serão considerados
desvios. As atitudes e medos culturais desempenham
papéis-chave na percepção da doença e na aceitação
do tratamento. As mudanças nos padrões de
trabalho dos pais e nos padrões de estudo
e trabalho dos jovens adultos são complexas
e geralmente prolongam o período de dependência
e aumentam as tensões na unidade familiar.
Gabbard
GO: Mind and brain in psychiatric treatment.
In: Synopsis of Treatment of Psychiatric Disorders,
2nd ed. Gabbard SD Atkinson SD (editors).
American Psychiatric Press, 1996.
Olfson
M. et al: Mental disorders and disability
among patients in a primary care group practice.
Am J Psychiatry 1997; 154:1734. [NLM Cit ID:
98059087] (Mental disorders in a population
of primary care patients are significantly
associated with a decline in work, family,
and social functioning.)
Pincus
HÁ et al: Prescribing trends in psychotropic
medications: Primary care, psychiatry and
other medical specialties. JAMA 1998; 279:526.
[NLM Cit ID : 98140732] (Primary care physicians’
tend to lag behind specialties in prescribing
new psycho tropics.)