TERAPIA
OCUPACIONAL
"Não
é a riqueza nem a pompa,
mas a tranqüilidade e o trabalho
que nos dão felicidade".
Thomas Jefferson
Pessoas
que apresentam problemas que dificultam o desenvolvimento
de suas atividades diárias e, conseqüentemente,
estão incapacitadas de atingir seus objetivos
de vida, cumprir seus papéis sociais e participar
inteiramente da vida podem se beneficiar dos serviços
da terapia ocupacional.
Terapia
ocupacional é a arte e a ciência de ajudar
pessoas a realizar as atividades diárias que
são importantes para elas, apesar da debilidade,
incapacidade ou deficiências. "Ocupação"
em terapia ocupacional não se refere simplesmente
a profissões ou a treinamentos profissionais,
refere-se também a todas as atividades que ocupam
o tempo das pessoas e dão sentido a suas vidas.
Na terminologia da terapia ocupacional, essas atividades
são denominadas áreas de performance
ocupacional que podem ser divididas em Atividades
Diárias, Atividades Laborativas e Atividades
de Lazer e Diversão (AOTA,1994).
Os
termos debilidade, incapacidade e deficiência
vêm da Organização Mundial de Saúde
(OMS, 1980). Debilidade refere-se à perda ou
anormalidade de estrutura ou funções físicas
ou psicológicas. Quando uma debilidade é
severa e limita a habilidade de uma pessoa em executar
atividades diárias, trabalho ou atividades produtivas,
ou atividades de lazer e diversão, então,
essa pessoa tem uma incapacidade. Uma pessoa com uma
fratura de quadril e debilidade da extremidade distal
esquerda, por exemplo, será incapaz de fletir
e alcançar o pé esquerdo, logo, necessitará
de ajuda para colocar uma calça, meia ou sapato
no pé esquerdo e, portanto, terá uma incapacidade.
Segundo a OMS - Organização
Mundial de Saúde (1980), quando uma debilidade
ou uma incapacidade interfere na habilidade de uma pessoa
em completar as atividades que fazem parte das responsabilidades
e deveres sociais, ela é deficiente.
Desta
forma, o terapeuta ocupacional ajuda as pessoas na realização
das atividades diárias que são importantes
para o paciente, apesar da debilidade, incapacidade
ou deficiência, através de técnicas
especiais, da visualização e adaptações
de ambientes físicos e de orientações
específicas para cada caso.
O terapeuta
ocupacional atua também, colaborando com outros
profissionais nos locais onde ocorre o tratamento. A
habilidade de comunicar e trabalhar com outros profissionais
é essencial para a qualidade do serviço
oferecido. Uma parcela significativa de um dia de um
terapeuta é gasta com a comunicação
com outros profissionais. Os pacientes se beneficiam
das perspectivas e serviços oferecidos por múltiplos
profissionais.
PAPEL
CLÍNICO
O papel
clínico do terapeuta ocupacional inclui avaliação
e tratamento, comunicação profissional,
encontros, documentação e a manutenção
de credenciais profissionais. É justamente neste
papel que os terapeutas entram na esfera da ação.
Terapeutas que trabalham em estabelecimentos clínicos,
às vezes, podem desenvolver uma avançada
competência em sua área prática,
por exemplo, especialização como um terapeuta
de mão ou pediátrico.
Avaliação
e Tratamento
Os serviços de terapia ocupacional incluem avaliação
e tratamento. A avaliação em terapia ocupacional
é o processo de determinação de
como os problemas físicos ou psicológicos
dos pacientes estão interferindo na sua competência
nas áreas de desempenho ocupacional. A avaliação
da terapia ocupacional também fornece uma idéia
dos componentes de desempenho afetados pelo diagnóstico
clínico ou psiquiátrico do paciente. Terapeutas
ocupacionais usam uma variedade de métodos e
instrumentos durante uma avaliação.
Fundamentalmente,
o tratamento na terapia ocupacional tem como objetivo
melhorar as habilidades dos pacientes no desempenho
das atividades de performance ocupacional importantes
para eles. Terapeutas podem fazer uma diversidade de
coisas no tratamento, desde o desenho e desenvolvimento
de uma tala até a coordenação de
um grupo de controle de estresse.
VISÃO
GERAL DO TRATAMENTO
O objetivo
do tratamento de terapia ocupacional é auxiliar
pacientes a aprender ou reaprender as atividades da
vida diária (AVD), a profissão e as rotinas
de lazer que necessitam viver da forma mais independente
possível — rotinas que foram interrompidas
pela doença ou incapacidade. Por exemplo, um
adulto jovem portador de esquizofrenia, que jamais teve
um emprego em tempo integral, devido aos problemas de
saúde mental, que nunca desenvolveu uma rotina
de trabalho, precisará aprender os comportamentos
profissionais como: comparecer pontualmente, prestar
atenção nas tarefas funcionais, seguir
tarefas de muitas etapas, interagir com colegas de profissão,
atender à supervisão, além de vestir-se
e arrumar-se adequadamente, a fim de conquistar um modo
de vida. Em contrapartida, um adulto, com uma lesão
nas costas, que tenha trabalhado em tempo integral em
um armazém durante 15 anos, conhece bem esses
comportamentos profissionais, porém terá
de reaprender a parte física de seu trabalho,
a fim de evitar uma nova lesão. Ou seja, essa
pessoa terá de reaprender a executar suas tarefas
utilizando as melhores técnicas para levantar
e alcançar objetos.
O tratamento
de terapia ocupacional que auxilia os pacientes na aprendizagem
ou reaprendizagem dos comportamentos ocupacionais prioritários
melhora a qualidade de vida e diminui as despesas com
tratamento de saúde.
O objetivo
do tratamento de terapia ocupacional depende das prioridades
do paciente e dos problemas identificados na avaliação
inicial feita pelo terapeuta ocupacional.
Tradicionalmente,
o tratamento de terapia ocupacional tem sido voltado
para o desempenho ocupacional ou para os componentes
de desempenho. Recentemente, os profissionais de terapia
ocupacional começaram a considerar os contextos
de desempenho dos pacientes, físico e social,
igualmente importantes no processo de tratamento.
TRATAMENTO
PARA OS COMPONENTES PSICOSSOCIAIS:
INTERVENÇÃO PARA SAÚDE MENTAL
Para
conseguir a saúde mental, devemos desenvolver
uma identidade que se baseie no funcionamento saudável.
A saúde mental é um atributo de todos
que precisam atuar efetivamente na sociedade. As pessoas
mentalmente saudáveis (1) possuem uma sensação
de bem-estar; (2) fazem uma elaboração
psicológica para realizar seus objetivos; (3)
pensam, sentem e agem dentro das limitações
sociais; e (4) alcançam objetivos que são
valiosos no contexto social da pessoa. Os terapeutas
precisam abordar as necessidades de saúde mental
de todos os pacientes, independentemente do diagnóstico.
As
pessoas que experimentam comprometimento, incapacidade
ou deficiência são confrontadas com a necessidade
de modificar sua auto-imagem pré-mórbida.
Ao fazerem isto, elas podem recriar a compreensão
de quem são, incorporando as forças e
limitações impostas pela incapacidade.
Uma mulher jovem com um distúrbio alimentar deve
confrontar-se com os aspectos físicos e emocionais
de sua doença. Ao mesmo tempo em que ela se obriga
a receber a nutrição e a limitar o exercício
para sua saúde física, ela deve mudar
sua auto-imagem. Ela deve ficar familiarizada consigo
mesma em um corpo saudável; fazer coisas que
a protejam e a estimulem.
O conceito
de si próprio é um tema freqüente
na literatura de terapia ocupacional. A Terminologia
Uniforme da American Occupational Therapy Association
lista o autoconceito, a auto-expressão e o autocontrole
como áreas principais que abordamos durante a
ocupação. Estes são aspectos importantes
de saúde mental e nos fornecem um meio para começar
a olhar mais de perto a pessoa, como um ser integral,
nas intervenções terapêuticas.
CONTRIBUIÇÃO
DA TERAPIA OCUPACIONAL PARA FACILITAR A SAÚDE
MENTAL
Quando
nosso objetivo é facilitar a adaptação
e a acomodação, devemos ajudar as pessoas
a quem servimos a aprender como realizar as ocupações
de diferentes maneiras. Durante o processo de mudança
de suas rotinas ocupacionais usuais, os pacientes podem
descobrir coisas novas sobre si mesmos. O terapeuta
habilidoso ajuda os pacientes a integrar este novo autoconhecimento
dentro da nova identidade. Esta nova versão da
pessoa apresenta um repertório de estratégias
de adaptação para ajustar-se às
perdas funcionais associadas à doença.
Onde
a pessoa com uma incapacidade começa a construir
um novo conceito que a ajudará a navegar pela
vida com diferentes habilidades funcionais? Muitos começam
por aprender como realizar as tarefas familiares. Ao
estruturar experiências importantes que constroem
os componentes do desempenho, no ambiente terapêutico,
os terapeutas fornecem a oportunidade para que as pessoas
aprendam como viver com uma incapacidade e como relacionar
as suas funções pregressas e futuras.
A função
de trabalhador pode ser uma parte importante da identidade
de uma pessoa. Compreender como as atividades produtivas
se encaixam dentro dos valores do indivíduo é,
com freqüência, a primeira etapa para compreender
a intervenção ocupacional. Quais funções
a pessoa tem nas atividades vocacionais? Observar e
conversar sobre como a incapacidade neurobiológica
afetou o desempenho do trabalho proporcionam importantes
informações sobre intervenções
significativas e apropriadas. Uma pessoa com um distúrbio
bipolar pode experimentar dificuldades em vestir-se,
arrumar-se e dormir, o que acaba por influenciar o desempenho
bem-sucedido das atividades produtivas. Como um terapeuta
ocupacional, você pode fornecer as informações
sobre códigos para se vestir para o trabalho,
que este paciente possa querer, e ajudar esta pessoa
a satisfazer estes códigos de vestir, para assegurar
o sucesso em uma entrevista de trabalho.
Controlar
uma casa e cuidar dos outros pode fazer parte da função
de um trabalhador. A alimentação apropriada
é um fator primordial na manutenção
da saúde mental, e é apoiada por fazer
compras, preparar e limpar os alimentos, e limpar a
casa. Uma pessoa que se torna incapaz de realizar estas
atividades por causa de crises recorrentes de pânico,
agorafobia ou tendências suicidas pode começar
por focalizar a orientação, o seqüenciamento
e as estratégias de adequação específicas
para os sintomas, durante a terapia ocupacional. Estas
habilidades poderiam, então, ser utilizadas para
organizar o espaço de trabalho da cozinha para
a preparação segura e eficiente da refeição.
Os
terapeutas ocupacionais ajudam o indivíduo a
selecionar, e em seguida a se engajar em atividade que
seja significativa para sua vida. Focalizamos a identidade,
o ser humano — o eu — de uma pessoa, durante
as intervenções terapêuticas colaborativas.
A adesão ao tratamento é o ponto de partida.
O envolvimento na ocupação é central.
Aprender através da ocupação é
o que possibilita a mudança. As capacidades funcionais
novas ou diferentes devem ser integradas ao autoconceito
da pessoa.
OBJETIVOS
DA INTERVENÇÃO
A avaliação
precede o planejamento do tratamento. A síntese
dos dados de avaliação fornece informações
sobre as atividades valorizadas, motivação
e déficits funcionais dos pacientes, que ajudam
ou comprometem seus desempenhos funcionais. Com base
nesta informação, os terapeutas precisam
colaborar com os pacientes para estabelecer objetivos
para o ótimo funcionamento nas áreas de
desempenho de importância para os pacientes. Os
objetivos do tratamento devem ligar os componentes e
áreas de desempenho. Com freqüência,
um grupo de subabilidades é objetivado, como
a iniciação da atividade, conduta social
e auto-expressão.
Se
a intervenção de terapia ocupacional está
voltada para os componentes do desempenho ou identidade,
a comunicação sobre os objetivos terapêuticos
é crucial. Os terapeutas reforçam a relação
terapêutica do reconhecimento total das forças
da pessoa, confirmando as dificuldades impostas pela
perda da função e respeitando a disciplina
e o compromisso de empreender as alterações
básicas no estilo de vida.
A terapia
ocupacional envolve fomentar a alteração
dentro do contexto das interações dinâmicas
entre a ocupação, os meios de relação
negociados pelo paciente e pelo terapeuta e o ambiente
em que ocorre o engajamento na ocupação.
Este padrão de tarefa-relação-ambiente
é um processo complexo que exige atenção
para muitos fatores que podem influenciar a capacidade
da pessoa para aprender a fazer, incluindo as percepções
do comportamento não-verbal. Estruturar os eventos
de uma seção é a ligação
entre o objetivo do tratamento e o potencial para aprender
através da experiência. Organizar as partes
da tarefa abre oportunidades para experimentar a acomodação
da incapacidade.
É
a interação única da tarefa, relacionamento
e ambiente que ajuda os indivíduos envolvidos
no processo de mudança a se enxergar de maneira
diferente, experimentar os possíveis auto-atributos,
em seguida selecionar aqueles que serão incorporados
no autoconceito. O processo de autodesenvolvimento deve
ser feito com uma combinação na interação
com os outros e da autoconsciência e reflexão.
O eu se desenvolve para proteger o indivíduo,
garantir o mínimo de sobrevida e, de maneira
ideal, para expandir a qualidade de vida. A finalidade
do relacionamento ativo com a ocupação
significativa é ajudar a pessoa que sobreviveu
à doença e à incapacidade a se
redescobrir.
INTERVENÇÃO
PARA FOMENTAR O AUTOCONTROLE
A função subjetiva do próprio eu
é regular o comportamento, manter a saúde
mental e maximizar a contribuição produtiva
de cada pessoa nas funções valorizadas
na sociedade. Seria provável que os terapeutas
ocupacionais usassem várias estratégias
para ajudar o paciente a se adequar, visando compreender
os estressores nas diversas situações.
A seguir, estão listadas partes daquelas estratégias.
O terapeuta ajudará o paciente a:
1. Definir os processos sensório-motor,
cognitivo e psicossocial que rompem a função
adaptativa e a estabilidade.
2. Estabelecer os limites para o comportamento
e reconhecer quando estabelecer os limites.
3. Procurar a retroalimentação
que desenvolva a autoconsciência.
4. Integrar os aspectos dos valores
psicológicos, interesses e autoconceito que são
demonstrados através do envolvimento nas ocupações.
5. Organizar as estratégias
para responder aos sintomas negativos.
6. Solucionar os problemas por meio
do estabelecimento de objetivos, monitoração
do progresso e resolução de impedimentos
para o funcionamento saudável.
7. Lidar ao se comprometer com o controle
do desempenho para a saúde mental.
8. Separar a doença da personalidade
e trabalhar para mudar os comportamentos negativos de
auto-expressão oriundos da personalidade e temperamento.
9. Manter a saúde através
da adesão ao medicamento, monitoração
dos efeitos colaterais e procura da orientação
quando necessário.
10. Equilibrar exercício, nutrição
e ocupação significativa em um horário
semanal.
11. Aprender a analisar a atividade
e a ler os indícios ambientais para controlar
o tempo e as ocupações.
12. Gerar os diferentes meios para
reagir aos estressores e iniciá-los em situações
de estresse.
13. Desenvolver os sistemas de suporte
para auxiliar no autocontrole.
INTERVENÇÃO
PARA FOMENTAR O AUTOCONCEITO SAUDÁVEL
O autocontrole é a nossa definição
dos objetivos, valores e crenças que "fornecem
a direção e o significado da vida".
Saber quem somos unifica nossas ações
organiza as várias partes de nós mesmos
em um todo coeso. A terapia ocupacional pode ajudar
uma pessoa a desenvolver um autoconceito que suporta
a pessoa como um ser funcional. Algumas condutas possíveis
são listadas a seguir. O terapeuta ajudará
o paciente a:
1. Descrever e demonstrar as áreas
de componente de desempenho, em que foram particularmente
habilidosos, antes do acidente.
2. Descrever e demonstrar as áreas
de componente de desempenho que foram desafiadoras antes
do acidente.
3. Discutir como a capacidade limitada
para executar o seqüenciamento, as operações
espaciais e a resolução de problemas,
por exemplo, influenciará sua capacidade de alcançar
o que almeja na vida.
4. Expressar honestamente as reações
para a própria perda de função
(medo, raiva, tristeza).
5. Identificar seus interesses e valores
mais significativos.
6. Sugerir idéias para desenvolver
condutas adaptativas para as ocupações
de interesse.
7. Avaliar os possíveis meios
de se adaptar para se engajar na ocupação,
mantendo a mente aberta e determinando quais componentes
suportam melhor as áreas de desempenho.
8. Relacionar os aspectos bem-sucedidos
da atual função em um quadro de autofuncionamento
futuro para quem está saudável, apesar
da incapacidade ou deficiência.
INTERVENÇÃO
QUE CONSTRÓI A MOTIVAÇÃO
A motivação
é o que liga o desempenho ao resultado. É
o meio que as pessoas utilizam para iniciar, sustentar
e dirigir as atividades psicológicas ou físicas
para satisfazer as necessidades. A motivação
pode ser consciente ou inconsciente, biológica
ou cognitiva, extrínseca (alimento, água,
sexo, aprovação social) ou intrínseca
(que exige modificação das estruturas
cognitivas). Porém a essência da motivação
é que organiza o si mesmo para controlar o comportamento.
A terapia ocupacional pode ajudar a articular os motivadores
que levam às alterações no autofuncionamento
e avaliar a intensidade e o foco do esquema de motivação
do indivíduo. Algumas estratégias são
mostradas a seguir. O terapeuta ajudará o paciente
a:
1. Produzir a seleção
e o design das intervenções ocupacionais
no sentido da expressão dos próprios valores.
2. Usar o conhecimento das realizações
pregressas mais significativas para a estrutura e monitorar
as intervenções ocupacionais.
3. Demonstrar e avaliar as realizações
na ação pessoal que foram admiradas por
outros.
4. Descrever os impedimentos para o
desempenho e demonstrar as condutas para superar a procrastinação
ou a baixa realização.
5. Incorporar as ocupações
e relacionamentos que se tornaram mais importantes desde
o início da incapacidade.
INTERVENÇÃO PARA FOMENTAR O
AUTODESENVOLVIMENTO
A terapia ocupacional pode ajudar uma pessoa a desenvolver
um autoconceito por fornecer as oportunidades para a
exploração sensório-motora e as
interações com os outros. Algumas estratégias
para conseguir isto são mostradas a seguir. O
terapeuta ajudará o paciente a:
1. Realizar as ocupações
significativas que exigem habilidades sensório-motoras
familiares.
2. Realizar ocupações
significativas que exigem habilidades sensório-motoras
e desafiadoras.
3. Aprender como influenciar ativamente
seu ambiente.
4. Comparar e contrastar suas capacidades
com aquelas dos outros, construindo o autocontrole e
os padrões de conduta social adequados para o
autocontrole.
5. Conferir maior controle sobre as
habilidades interpessoais para fomentar as relações
típicas entre colegas.
INTERVENÇÕES RELACIONADAS COM
OS ATRIBUTOS FÍSICOS
Os
atributos físicos estão ligados ao autoconceito.
As alterações nas habilidades e aspectos
físicos que podem acompanhar a doença
podem ter um efeito profundo sobre como as pessoas se
sentem a respeito de si próprias. A intervenção
da terapia ocupacional pode abordar os atributos físicos
da doença. Seguem algumas sugestões. O
terapeuta ajudará o paciente a:
1. Auxiliar de maneira consistente
no ato de se arrumar, tomar banho, higiene, vestir-se
e na manutenção da saúde.
2. Desenvolver abordagens para a conduta
social que maximizem as habilidades de adequação.
3. Selecionar roupas para várias
situações sociais e vestir-se da maneira
apropriada.
4. Apresentar uma auto-imagem consistente
com o autoconceito nas atividades de trabalho e produtiva.
INTERVENÇÃO
FOCALIZADA
NA PERSONALIDADE E NO TEMPERAMENTO
A personalidade consiste em nosso estilo usual, um modo
típico de fazer as coisas, uma reação
emocional previsível ao que acontece ao nosso
redor. O temperamento é um "estilo comportamental
determinado constitucionalmente que é algo estável
com o passar do tempo". Os terapeutas ocupacionais
consideram a personalidade e o temperamento no tratamento.
Seguem-se algumas estratégias. O terapeuta ajudará
o paciente a:
1. Avaliar as características
da personalidade e seus efeitos sobre o autocontrole.
2. Monitorar as reações
emocionais aos eventos da vida e procurar ajudar, quando
necessário, para controlar a auto-expressão.
3. Planejar condutas saudáveis
para controlar as diferentes situações
de vida: teste-piloto destas em situações
de representação.
INTERVENÇÕES
RELACIONADAS COM A
COGNIÇÃO E OS ESTILOS DE APRENDIZADO
Alguns comprometimentos não influenciam o funcionamento
cognitivo pré-mórbido. Contudo, as doenças
que afetam as habilidades cognitivas ou psicossociais
são mais prováveis de possuir efeitos
negativos sobre o processamento e aprendizado da informação.
As estratégias de terapia ocupacional para se
adaptarem os estilos de aprendizado e cognitivo estão
listadas a seguir. O terapeuta ajudará o paciente
a:
1. Definir os estilos de aprendizado
que ajudam e impedem o aprendizado e a generalização.
2. Demonstrar o uso de várias
condutas de aprendizado e avaliar a eficácia
de cada uma delas.
3. Reconhecer as diferentes condutas
para processar a informação e iniciar
o uso da conduta adequada nas intervenções
ocupacionais.
INTERVENÇÃO PARA PROMOVER A
AUTO-ACEITAÇÃO
A auto-aceitação é "a capacidade
de gostar de si mesmo na ausência de retroalimentação".
A terapia ocupacional trabalha de forma consistente
para promover a auto-aceitação através
da função. Várias estratégias
estão listadas. O terapeuta ajudará o
paciente a:
1. Tornar-se ciente das forças
e limitações nos valores psicológicos,
interesses e autoconceito.
2. Aprender sobre si próprio,
ao avaliar o desempenho.
3. Tolerar a incapacidade de ser perfeito
em todas as ocasiões como um elemento do autocontrole.
4. Ajustar-se às ambigüidades
e inconsistências dele mesmo no esforço
para melhorar o autocontrole.
5. Aceitar as características
ou competências menos desejáveis como parte
da estratégia de adequação para
diminuir o estresse.
Vale
registrar que: não importa onde ou com quem o
profissional escolha trabalhar, o terapeuta ocupacional
tem uma oportunidade de fazer a diferença na
vida das pessoas a quem eles ajudam, e de aprender sobre
eles mesmos nesse processo.
Concepções
retiradas do livro Terapia Ocupacional de Maurren E.
Neistadt e Elizabeth Blesedell Crepeau, Edit. Willard
& Spackman, 2002.
|