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O
transtorno do pânico: as conseqüências do diagnóstico
tardio.
Sakabe,
Gustavo. O
transtorno do pânico: as conseqüências do diagnóstico
tardio. Presidente Prudente: UNOESTE, 2002.
(Monografia
de Graduação)
Orientador(es): Dr. Giovanni
Lopes de Farias
MSc
Afife Salim Sarquis Fazzano
RESUMO
Este trabalho foi realizado sobre o transtorno do
pânico (TP) e suas conseqüências, com o objetivo
de enfatizar as perdas pessoais e sociais do paciente
e do sistema de saúde. O transtorno do pânico (TP)
é uma doença caracterizada por ataques súbitos de
ansiedade intensa, acompanhada de sintomas físicos
e psicofisiológicos recorrentes. Atinge aproximadamente
3% da população geral ao longo da vida. Acomete
duas vezes mais mulheres do que homens. Quando não
tratada adequadamente evolui com grande sofrimento,
incapacitação e custos elevados ao sistema de saúde
e ao doente. Isso ocorre devidos esses pacientes
serem atendidos primeiramente em emergências, por
médicos generalistas e clínicos gerais não preparados
para diagnosticar um ataque do pânico. Desta forma,
solicitam exames subsidiários, encarecendo o sistema
de saúde. Com a evolução da patologia, o paciente
pode apresentar doenças comórbidas como: agorafobia,
hipocondria, depressão e uso de substâncias, podendo
levar ao suicídio. Em face da boa resposta aos fármacos,
antidepressivos e benzodiazepínicos, a doença deveria
ser melhor diagnosticada. No entanto, a maioria
dos casos novos não é reconhecida, ou é tratada
inapropriadamente. Além do sofrimento individual
este transtorno representa um alto custo social.
Sakabe,
Gustavo. The panic disorder: the consequences
of a late diagnosis. Presidente Prudente:
UNOESTE, 2002.
(Graduation
Monography)
Adviser:
Dr. Giovanni Lopes de Farias
MSc Afife Salim Sarquis Fazzano
ABSTRACT
This
work was carried out about the panic disorder (PD)
and its consequences, with the objective to emphasize
the personal and social losses of the patient and
the health system. The panic disorder (PD) is disease
characterized for sudden attacks of intense anxiety
with recurrent physical and psychophysiological
symptoms. It approximately affect 3% of the general
population to the long of the life. Attacks two
times more women than men. When not adequately treated
it evolves with great suffering, disabilities and
high costs to the sick person and the system of
health. This occurs due to these patients to be
taken care of first of all in emergencies, by generalists
doctors and general clinic not prepared for the
diagnosis of panic attack. Thus, they request subsidiaries
examinations making too much expensive the health
system. With the evolution of the pathology the
patient can present comorbidity diseases as: agoraphobia,
hypochondria, depression and use of substances,
being able to lead to suicide. In face of the good
reply to the drugs, antidepressants and benzodiazepines,
the disease would be better diagnosed. However,
the majority of the new cases is not recognized,
or is treated inappropriately. Beyond the individual
suffering this disorder represents high social cost.
ÍNDICE
1
INTRODUÇÃO
A
descrição dos transtornos da ansiedade na literatura
médica é antiga. São as doenças mais freqüentes
na Psiquiatria e acometem uma população mais jovem,
levando a um maior tempo de morbidade e cronificação.
Dos
distúrbios da ansiedade, o transtorno do pânico,
que foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais (DSM III), a partir de 1980,
tem sido um dos mais estudados. Isso ocorreu devido
aos grandes avanços no seu tratamento farmacológico
e às conseqüências do seu diagnóstico tardio. É
uma doença crônica e comum que afeta parte da população
em geral. É caracterizada por ataques súbitos e
recorrentes de intensa ansiedade, acompanhados de
sintomas psicofisiológicos. Tem como conseqüência,
quando não tratado, a cronificação da patologia
com o surgimento de comorbidades (agorafobia, depressão,
uso de substâncias de abuso), levando ao uso excessivo
do sistema de saúde e à incapacitação do indivíduo
para atividades sociais (trabalho, lazer, compras).
Um
dos motivos que dificulta seu diagnóstico e tratamento
adequado é que a maioria desses pacientes é avaliada
em serviços de Pronto-Socorro, por médicos-generalistas,
não preparados para a hipótese de ataque do pânico.
Apresentam sintomas somáticos semelhantes às doenças
cardíacas comuns (IAM), levando à solicitação de
exames subsidiários, na maioria das vezes, desnecessários
(ECG, Tomografia, Ecocardiograma), podendo ser repetido
inúmeras vezes até que se chegue ao diagnóstico
de Transtorno do Pânico.
Para
realização deste trabalho foram pesquisados livros
da área de psiquiatria, trabalhos publicados e revistas
médicas.
Concluiu-se
que o atraso no diagnóstico de ataque do pânico
repercute em toda a vida do
paciente,
comprometendo intensamente a sua qualidade de vida.
índice
2
TRANSTORNO DE ANSIEDADE
A
ansiedade é uma emoção normal em situações de ameaça;
é considerada parte da reação “Luta e fuga” da sobrevivência
na evolução. (Stahl, 2002, p. 290).
São
inúmeras as situações onde ela está presente. Quando
se faz uma prova, ou se está prestes a ser atacado
por um animal feroz, ela existe em maior ou menor
intensidade, duração ou freqüência; no entanto,
há momentos em que sua presença é uma reação mal
adaptada e constitui um transtorno psiquiátrico.
De
acordo com seus subtipos existem tratamentos e prognósticos
distintos (Stahl, 2002, p.290). O Manual Diagnóstico
e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV) (1995,
p.375) classifica os transtornos de ansiedade das
seguintes formas:
1)
Ataque de pânico;
2)
Transtorno do Pânico;
3)
Agorafobia;
4)
Transtorno do Pânico com agorafobia;
5)
Fobia específica;
6)
Fobia social;
7)
Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
8)
Transtorno de estresse pós-traumático;
9)
Transtorno de estresse agudo;
10)
Transtorno de ansiedade generalizada;
11)
Transtornos de ansiedade devido a uma condição médica
geral;
12)
Transtornos de ansiedade induzido por substâncias,
e,
13)
Transtornos de ansiedade sem outra especificação
A
ansiedade patológica é determinada por quem avalia
o contexto, bem como os possíveis fatores desencadeantes
e as características individuais do sujeito. Existe
em diversas condições e costuma estar presente em
situações estressantes como doenças médicas, na
abstinência de depressores do Sistema Nervoso Central
(SNC) e também em outros transtornos psiquiátricos
além dos distúrbios de ansiedade. (Gentil, 1997,
p.31)
A
ansiedade pode ser sentida de diversas formas:
- sensação
de desgraça iminente (preocupação com saúde, casamento,
negócios, filhos etc.
- medo
irracional de determinadas situações (certas atividades
em grupo, certos animais ou lugares, etc), (KAPLAN
e SADOCK, 1999, p.1300).
No
Transtorno do Pânico ocorrem crises de ansiedade
recorrentes com ataques súbitos de pavor, sensação
de morte acompanhado de sintomas físicos como taquicardia,
sudorese, tremores, dispnéia, dor torácica, que
alcançam seu pico em aproximadamente 10 minutos,
e cessam logo em seguida. Não são sempre previsíveis,
ocorrendo ataques inesperados. (KAPLAN e SADOCK,
1999, p.1300).
Esta
síndrome vem sendo descrita na literatura há mais
de um século. Durante a guerra civil (1860) americana
foi constatado um transtorno funcional do coração
entre os soldados em um hospital militar. Foi chamado
de “coração irritável”; o paciente apresentava dor
torácica intensa, palpitações violentas e outros
sinais cardíacos (dispnéia, taquicardia) sem identificação
de qualquer alteração na estrutura do coração. Este
diagnóstico foi freqüentemente utilizado durante
as guerras franco-prussianas e dos boêres, na segunda
metade do século passado. (KAPLAN e SADOCK, 1999,
p.1301)
Em
1895, Freud (apud, KAPLAN e SADOCK, 1999, p.1301),
criou o termo “neurose de ansiedade” e descreveu
um quadro de irritabilidade, expectativa ansiosa,
parestesia, espasmos cardíacos, sudorese e dispnéia,
podendo ser crônica ou manifestar-se com ataques
distintos.
Na
primeira guerra mundial, a síndrome foi diagnosticada
como “distúrbio da atividade cardíaca” pelo exército
britânico. Em 1918, foi proposto o termo “Síndrome
do esforço” para refletir a resposta forçada do
indivíduo a esforços moderados, por Sir Thomas Lewis.
Na
segunda guerra mundial os soldados que apresentavam
estes sinais e sintomas eram encaminhados à psiquiatria
quando o diagnóstico de reação de ansiedade era
considerado (KAPLAN e SADOCK, 1999, p.1302). Até
1980, o quadro foi agrupado sob título de “neurose
de ansiedade” e atualmente este mesmo grupo foi
subdividido em Doença do Pânico e Transtorno de
Ansiedade Aguda ou Generalizada.
O
transtorno do pânico teve sua caracterização como
entidade nosológica autônoma somente a partir do
DSM III, adquirindo papel central entre os transtornos
ansiosos e sendo objeto de muitas pesquisas específicas.
índice
3
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
3.1
Definição
Para
Gentil, Lotufo-Neto e Bernik (1997, p.30,103), o
Transtorno do Pânico é caracterizado pela recorrência
de ataques de pânico: crises espontâneas, súbitos
de mal-estar, sensação de perigo ou morte iminente,
com múltiplos sintomas e sinais de alerta e hiperatividade
autonômica (taquicardia, taquipnéia, aumento do
peristaltismo, sudorese, etc), e sintomas psíquicos
(tensão, mal-estar, insegurança, dificuldade de
concentração, sensação de desrealização e despersonalização,
etc), atingindo seu pico máximo em cerca de 10 minutos.
Pode ocorrer em qualquer contexto, local ou hora,
inclusive durante o sono. Leva a um comportamento
desadaptativo com busca desesperada de escape (fuga)
ou ajuda (pronto-socorro), que é denominada “Pânico”.
Kesser
(1994, apud CORDIOLI, 2000, p.279), descreve esta
síndrome como doença crônica que afeta 3,5% da população
ao longo da vida, duas vezes mais em mulheres do
que em homens, mais comum entre a segunda e a terceira
década de vida.
índice
3.2
Aspectos Epidemiológicos
O
Transtorno do Pânico ainda é pouco diagnosticado.
Estudos internacionais observados (STOPPE e CORDAS,
2001, p.476), demonstram taxa de prevalência anual
de Transtorno do Pânico de 0,5% a 2% ao longo da
vida, ocorrendo 0,5% a 3,9% em mulheres e, 0,2%
a 1,9%, em homens. É duas vezes mais freqüente em
mulheres, podendo surgir em qualquer idade desde
a infância até a terceira idade.
Em
geral, o início dos sintomas ocorre entre 15 e 19
anos e raramente após os 30 anos (Von Korlf e cols,
1985 apud Bernik, Lotufo-Neto
e Andrade, 1997, p.56).
índice
3.3
Aspectos Etiológicos
Stoppe
Júnior e Cordas (2001, p.476-477), em seus estudos,
relatam que 35% dos parentes de primeiro grau de
pacientes com esta síndrome sofrem do mesmo problema,
sendo de quatro a dez vezes mais freqüente
em membros de uma mesma família do que na
população geral. Entretanto, estudos sugerem que
não existe um gene específico para Transtorno do
Pânico, mas sim, a transmissão de uma maior susceptibilidade
para desenvolver transtornos ansiosos.
Os
ataques do pânico são respostas biológicas de
luta e fuga sem uma ameaça externa. Apesar
de extensos estudos a neurofisiologia dos ataques
ainda não está bem estabelecida. Drogas ou situações
que desencadeiam as crises sugerem que exista um
padrão no qual sistemas serotoninérgicos, noradrenérgicos,
gabaérgicos e respiratórios estão envolvidos. As
vias serotoninérgicas têm ganho destaque devido
à eficácia no tratamento dos transtornos de ansiedade
com drogas específicas.
Para
a Psicanálise, os ataques raramente são espontâneos,
ocorrendo “gatilhos” psicológicos que disparam a
crise. Freud (apud KAPLAN e SADOCK, 1999, p.1304),
após muitas observações sugeriu duas situações de
ansiedade: -ansiedade traumática, em resposta a
uma situação traumática, esmagadora, e, -perigo
real presente e ansiedade-sinal, que ocorrem em
resposta a processos cognitivos, como a percepção
inconsciente de indicadores de possível perigo e
a recordação de experiências prévias de traumas
psíquicos.
Do
ponto de vista psicodinâmico (STOPPE JÚNIOR e CORDAS,
2001, p.477) a dificuldade de tolerar raiva, separações
físicas ou emocionais de pessoas importantes, tanto
na infância quanto na idade adulta, o aumento na
responsabilidade do trabalho, pais autoritários,
críticos ou controladores e abuso sexual estariam
relacionados ao ataque e à manutenção da patologia.
O
modelo comportamental entende a ansiedade como resposta
natural a situações de perigo. Após os primeiros
ataques, devido às alterações neuroquímicas, os
mesmos são associados a situações em que ocorreram,
levando ao comportamento de esquiva e agorafobia,
tornando-se cada vez mais extensa e incapacitante.
índice
3.4
Evolução
De
acordo com Verciani e Nardi (1995, p.99), o primeiro
ataque impressiona tanto o paciente que ele se lembra
dos mínimos detalhes mesmo depois de anos do ocorrido.
Relata:
“No dia 11 de novembro de 1983, uma segunda-feira, eu estava saindo
do túnel, indo para o trabalho quando o coração
disparou, fui acometido por uma sensação terrível
de medo, certeza de que ia morrer, tremia, suava,
parei o carro, desesperado, fui socorrido...”
Após
algumas crises os pacientes iniciam uma procura
para solução do problema. Devido os sintomas cardíacos
estarem presentes ocorre a procura de especialistas
da área e solicitação de exames para diagnósticos.
Quando nada é diagnosticado, o paciente é encaminhado
a outros especialistas: neurologistas, otorrinolaringologistas,
clínicos gerais, etc. São submetidos a inúmeros
exames complementares e o resultado é: “o senhor
não tem nada, está estressado, tire umas férias”
ou “o senhor está com problemas emocionais, deve
se submeter a uma psicoterapia”.
Segundo
Nunes, Bueno e Nardi (2001, p.134), os pacientes
podem ter após o primeiro ataque, períodos de crises
freqüentes, alternando com períodos assintomáticos,
levando à dificuldade de adesão ao tratamento.
Cerca
de 50% dos pacientes recupera-se espontaneamente
após 20 ou 30 anos, mas, a qualidade de vida, nestes
casos, estará comprometida. As complicações são:
agorafobia (75%), hipocondria (60%), e também desavenças
conjugais, dificuldades financeiras, abuso de álcool
e outras drogas e o suicídio.
Stahl
(2002, p.349), traduz agorafobia como “medo de espaço
aberto”, ou seja, ansiedade de estar em qualquer
situação onde escapar possa ser difícil ou onde
possa não haver disponibilidade de ajuda no caso
de ocorrer ataque de pânico. Este quadro leva à
esquiva fóbica e com freqüência, aprisionando o
paciente em sua casa.
Os
pacientes com Transtorno do Pânico com agorafobia
parecem ter evolução mais grave e complicada do
que pacientes que apresentam apenas Transtorno do
Pânico puro.
Segundo
Del Porto (2000, p.121), a depressão pode estar
associada ao transtorno em 40 a 80% dos casos, algumas
vezes precedendo à crise de pânico. Sentimentos
de autodesvalorização, desamparo, insegurança geralmente
decorrem das limitações que as crises de pânico
impõem ao paciente. Esses sintomas podem desencadear
um transtorno depressivo.
Torres
e Crepaldi (2002, p.146) destacam a alta freqüência
de sintomas hipocondríacos na patologia e explicam
três mecanismos para seu aparecimento: 1º) distorção
cognitiva na avaliação da sua saúde; 2º) maior estado
de alerta nos próprios processos fisiológicos e,
3º) ativação do sistema nervoso autônomo (SNA) (taquicardia,
taquipnéia, sudorese, etc).
As
preocupações hipocondríacas podem acometer de 50
a 70% dos pacientes, entretanto, com tratamento
eficaz, as crenças hipocondríacas cedem com a recuperação.
O diagnóstico de transtorno hipocondríaco
só deve ser adicionado se os sintomas não forem
secundários ao Transtorno do Pânico (TP).
Nunes,
Bueno e Nardi (2001, p.135), relatam a “síndrome
da desmoralização”, onde o adulto em fase produtiva
pode desenvolver agorafobia e hipocondria, e deixa
de ter uma vida normal, perde emprego e família,
apresentando dificuldades financeiras e de relacionamento
social, bem como de sintomas depressivos que podem
levar ao suicídio e ao uso e abuso de drogas.
índice
3.5
Comorbidades
Somente
20 a 30% dos pacientes distinto do pânico têm a
doença pura ou não complicada. É freqüente a comorbidade
com outras doenças psiquiátricas, como por exemplo:
agorafobia, depressão, etc... Ainda segundo Haggströn,
Lima e Fenterseifer (1993, p.55), 15% dos pacientes
abusa de álcool e drogas (dependência química) e
20% apresenta outros transtornos de ansiedade (fobia
social, fobia específica).
Del
Porto (2000, p.121), relata que 40 a 80 % dos pacientes
apresenta transtornos depressivos associados.
Já de acordo com Torres e Crepaldi (2002,
p.147), 50 a 70% dos pacientes com Transtorno do
Pânico (TP) tem sintomas hipocondríacos.
A
agorafobia é a doença de maior ocorrência associada
ao Transtorno do Pânico, podendo acometer até 75%
dos pacientes (Nunes, Bueno e Nardi, 2001, p.134).
índice
4
CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICOS
4.1
Critérios de Diagnósticos para Ataque de Pânico
Para
diagnóstico do ataque de pânico é necessário que
quatro (4) dos treze (13) sintomas citados abaixo
se desenvolvam abruptamente e alcancem um pico em
10 minutos.
-
Palpitação ou taquicardia;
-
Sudorese;
-
Tremores ou abalos musculares;
-
Sensação de sufocação ou falta de ar;
-
Sensação de asfixia;
-
Dor ou desconforto torácico;
-
Náuseas ou desconforto abdominal;
-
Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou
desmaio;
- Sensação
de desrealização (sensação de irrealidade), ou despersonalização
(distanciamento de si mesmo);
-
Sensação de morte iminente;
-
Medo de “ficar louco” ou perder o autocontrole;
-
Parestesias;
-
Ondas de calor ou calafrios.
Fonte:
(DSM IV, 1995, p.377)
índice
4.2
Critérios de Diagnósticos para Transtorno do Pânico
sem Agorafobia
Quadro
1 – Critérios
Diagnósticos para Transtorno do Pânico sem Agorafobia
| A.
(1) e (2).
(1)
Ataques de pânico recorrentes e inesperados.
(2)
Pelo menos um dos ataques foi seguido por
um (01) mês (com uma ou mais) das seguintes
características:
-preocupação persistente acerca de
ter ataques adicionais;
(b)
-preocupação acerca das implicações
do ataque ou suas conseqüências (por ex.,
perder o controle, ter um ataque cardíaco,
“ficar louco”);
-uma alteração comportamental significativa
relacionada aos ataques.
B.
Ausência de agorafobia.
C.
Os ataques de pânico não se devem aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância (por
ex., droga de abuso, medicamento), ou de
uma condição médica geral (por ex., hipertireoidismo).
D.
Os ataques de pânico não são mais bem explicados
por outro transtorno mental, como fobia
social (por ex., ocorrendo quando da exposição
a situações sociais temidas); fobia específica
(por ex., ocorrendo quando da exposição
a uma situação fóbica específica: transtorno
obsessivo-compulsivo (por ex., quando da
exposição à sujeira, em alguém com obsessão
de contaminação); transtorno de estresse
pós-traumático (por ex., em resposta a estímulos
associados a um estressor severo), ou transtorno
de ansiedade de separação (por ex., em resposta
ao estar afastado do lar ou de parentes
queridos). |
Fonte:
DSM-IV
- Diagnostics and Statistical Manual of Mental Disorders
(1995, p.383,384).
índice
4.3
Agorafobia
Segundo
Kaplan e Sadok (1999., p.1306), a agorafobia pode
ser uma complicação ao Transtorno do Pânico ou ocorrer
isoladamente. No Transtorno do Pânico com agorafobia,
o paciente evita ou enfrenta com intensa ansiedade,
lugares ou situações onde a fuga ou socorro não
estejam disponíveis;
no caso de ocorrer um ataque do pânico o
paciente pode exigir acompanhante para enfrentar
certas situações, levando a limitações e incapacitação.
índice
4.3.1
Critérios para agorafobia
Quadro
2 –
Critérios para Agorafobia
| Nota:
Agorafobia não é um transtorno
codificável. Codificar o transtorno
específico no qual ocorre a agorafobia
(por ex., 300, 21, Transtorno do Pânico
com Agorafobia ou 300.22, Agorafobia
sem História de Transtorno do Pânico).
A.
Ansiedade acerca de estar em locais
ou situações de onde possa ser difícil
(ou embaraçoso) escapar ou onde o
auxílio pode não estar disponível,
na eventualidade de ter um ataque
de pânico inesperado ou predisposto
pela situação, ou sintomas tipo pânico.
Os temores agorafóbicos tipicamente
envolvem agrupamentos característicos
de situações que incluem: -estar fora
de casa desacompanhado; -estar em
meio a uma multidão ou permanecer
em uma fila; -estar em uma ponte;
-viajar de ônibus, trem ou automóvel.
Nota:
Considerar o diagnóstico de fobia
específica, se a esquiva se limita
apenas a uma ou algumas situações
específicas, ou de fobia social se
a esquiva se limita a situações sociais.
B.
As situações são evitadas (por ex.,
viagens são restringidas) ou suportadas
com acentuado sofrimento ou com ansiedade
acerca de se ter um ataque de pânico
ou sintomas tipo pânico, ou exigem
companhia.
C.
A ansiedade ou esquiva agorafóbica
não é mais bem explicada por um outro
transtorno mental, como fobia social
(por ex., a esquiva se limita a situações
sociais pelo medo do embaraço); fobia
específica (por ex., a esquiva se
limita a uma única situação, como
elevadores); transtorno obsessivo-compulsivo
(por ex., esquiva à sujeira, em alguém
com uma obsessão de contaminação);
transtorno de estresse pós-traumático
(por ex., esquiva de estímulos associados
com um estressor severo) ou transtorno
de ansiedade de separação (por ex.,
esquiva a afastar-se do lar ou de
parentes). |
|
Fonte:
Tabela extraída do DSM-IV. Diagnostic
and Statistical Manual of Mental Disorders, ed.4.
Copyright American Psychiatric Association,
Washington, 1995, p.378.
índice
4.4
Critérios Diagnósticos para Transtorno do Pânico
com Agorafobia
Quadro
3 – Critérios Diagnósticos para Transtorno do
Pânico com Agorafobia
| A.
(1) e (2)
(1)
Ataques de pânico recorrentes
e inesperados.
(2)
Pelo menos um dos ataques foi
seguido por um (01) mês (ou mais)
de uma (ou mais) das seguintes características:
(a)
preocupação persistente acerca de
ter ataques adicionais;
(b)
preocupação acerca das implicações
do ataque ou suas conseqüências (por
ex., perder o controle, ter um ataque
cardíaco, “ficar louco”);
(c)
uma alteração comportamental significativa
relacionada aos ataques.
B.
Presença de agorafobia.
C.
Os ataques de pânico não se devem
aos efeitos fisiológicos diretos de
uma substância (por ex., droga de
abuso, medicamento) ou de uma condição
médica geral (por ex., hipertireoidismo).
D.
Os ataques de pânico não são mais
bem explicados por outro transtorno
mental, como fobia social (por ex.,
ocorrendo quando a exposição a situações
sociais temidas); fobia específica
(por ex., quando da exposição à sujeira,
em alguém com uma obsessão de contaminação);
transtorno de estresse pós-traumático
(por ex., em resposta a estímulos
associados a um estressor severo)
ou transtorno de ansiedade de separação
(por ex., em resposta ao estar afastado
do lar ou de parentes queridos).
|
|
Fonte:
DSM-IV
– Diagnostics and Statistical Manual of Mental Disorders
(1995, p.384).
índice
5
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Quadro
4 – Diagnóstico Diferencial para Transtorno
do Pânico com Agorafobia
| O Transtorno do Pânico com Agorafobia deve ser diferenciado de...
|
Contrastando com o Transtorno do Pânico com Agorafobia, a outra condição...
|
| Transtorno
de Ansiedade devido a uma condição
médica geral |
Requer
a presença de uma condição médica
geral como fator etiológico. O diagnóstico
de Transtorno do Pânico não é feito
se os Ataques de Pânico são todos
devidos aos efeitos fisiológicos diretos
de uma condição médica geral.
|
| Transtorno
de Ansiedade induzido por substância
|
Deve-se aos
efeitos fisiológicos diretos de uma
substância. O diagnóstico de Transtorno
do Pânico deve-se aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (incluindo
medicamentos). |
| Ataques
de Pânico ocorrendo como parte de
outro Transtorno de ansiedade (p ex.,
Fobia Social, Fobia Específica, Transtorno
Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de
Estresse Pós-traumático
|
Caracteriza-se
por Ataques de Pânico, que são ou
ligados a uma situação, ou predispostos
por uma situação (em oposição aos
Ataques de Pânico inesperados, exigidos
no Transtorno do Pânico).
|
| Transtorno
de Ansiedade de Separação
|
Deve ter iniciado
na infância e caracteriza-se por ansiedade
e esquiva concentradas em preocupações
relativas à separação.
|
| Esquiva
no Transtorno Delirante
|
Resulta de
preocupações delirantes
|
|
índice
6
TRATAMENTO
De
acordo com Kaplan e Sadock (1999, p.1310), os pacientes
com Transtorno do Pânico podem ser tratados de três
(03) formas: -farmacoterapia; -terapia cognitiva-comportamental,
e, -a combinação das duas modalidades.
É
importante uma boa relação médico-paciente, para
se explicar sobre o tratamento e o que esperar que
aconteça (piora inicial, recorrência e/ou redução
da ansiedade); tranqüilizar o paciente sobre a segurança
da medicação, seus efeitos (bloqueio das crises);
orientar quanto à disponibilidade e responsabilidade
do médico caso ocorra ataques de pânico, e que de
oito a dez semanas obtém-se resposta ao tratamento
na maioria das vezes.
Os
pacientes freqüentemente sentem-se desmoralizados
por esforços repetitivos e frustrados em busca de
auxílio. Apresentam baixa auto-estima e com a redução
dos sintomas, quando tratados, devem ser encorajados
a enfrentar as situações que lhe causam ansiedade.
índice
6.1
Tratamento na Fase Aguda
As
características clínicas do ataque de pânico assemelham-se
a sintomas de outras patologias (IAM, tireiodeopatias).
O paciente ao dar entrada no Pronto-Socorro, apresenta
dor ou desconforto torácico, palpitação, taquicardia,
náusea, tontura, parestesia, sudorese, etc. Esse
quadro desencadeia um grau de ansiedade no médico,
que deve estar preparado para a situação e para
realizar uma anamnese completa com o objetivo de
se descartar possíveis causas orgânicas, bem como
o uso de psicoestimulantes e a presença de outros
transtornos associados. Se necessário devem ser
solicitados exames subsidiários. Pode ocorrer também
a redução dos sintomas ansiosos quando o paciente
chega ao hospital (pós-crise).
Estabelecido
o diagnóstico de ataque do pânico, o paciente deve
ser tratado com benzodiazepínicos de alta potência
(Alprazolan, Clonazepan), via oral a cada quatro
(04) horas se necessário. Posteriormente, deve ser
encaminhado ao psiquiatra com experiência em transtornos
de ansiedade.
índice
6.2
Tratamento
na Fase de Manutenção
Atualmente,
os antidepressivos são as medicações mais eficazes
para o tratamento de manutenção. Podem ser associadas
(essas medicações) a fármacos benzodiazepínicos,
no caso de ansiedade antecipatória ou fobias.
Kaplan e Sadock (1999, p.1310), relatam que
de oito a dez semanas de tratamento obtém-se uma
boa redução dos sintomas de ansiedade.
Segundo
Tess (2001, p.29), o abandono precoce da medicação
é o principal fator para a reagudização da doença.
Enfatiza a qualidade na relação médico-paciente,
onde o profissional esclarece dúvidas sobre a doença;
os efeitos das medicações e do tratamento. Para
os autores, a farmacoterapia deverá ser mantida
por um período de doze a dezoito meses, após melhora
total ou significativa dos sintomas. Cordioli (2000,
p.282), relata o uso de 50% da dose do tratamento
agudo nesta fase.
índice
6.2.1
Psicofármacos
Existem
vários fármacos utilizados no tratamento da patologia.
Os antidepressivos e os benzodiazepínicos mostram
grande eficácia e os estudos demonstram que há boa
resposta ao tratamento para a grande maioria dos
pacientes. (Kaplan e Sadock, 1999, p.1310)
índice
6.2.1.1
Antidepressivos
6.2.1.1.1
Antidepressivos tricíclico
A
Imipramine foi a primeira medicação usada no tratamento
de pânico, por Klein em 1962, apresentando boa eficácia
no tratamento deste transtorno. Desde então, inúmeros
estudos têm demonstrado melhora significativa dos
sintomas com o uso desses antidepressivos (RAMOS,
2000, p.16). Por ser uma doença crônica exige-se
tratamento a longo prazo. Exemplos: Imipramina,
Amtriptilina, Clomipramina.
6.2.1.1.2
Antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de
serotonina (ISRS).
Em
relação aos antidepressivos tricíclicos, os ISRS
possuem algumas vantagens, tais como, maior tolerabilidade
a efeitos colaterais, menor número de ingestões,
segurança na utilização e baixo risco de intoxicação.
Na
prática clínica os ISRS são os fármacos de primeira
escolha, pois além das qualidades citadas, combinam
um espectro eficaz para condições co-mórbidas (depressão,
fobia social e TOC), ex: Fluoxetina, Sertralina,
Citalopran. (Cordioli e cols, 2000, p.280).
6.2.1.1.3
Inibidor da monoaminoxidase (IMAO)
Estes
fármacos também apresentam eficácia e parecem induzir
menos desconforto no início do tratamento. No entanto,
efeitos colaterais como crises hipertensivas, limitações
dietéticas (tiramina do queijo) e medicamentosas,
e ganho de peso não permitem incluí-lo como medicação
de primeira escolha. São usados em pacientes que
não toleram outras alternativas farmacológicas.
Ex. Nardil.
(Versiani, 1995, p.100).
6.2.1.2
Benzodiazepínicos
Estas
drogas apresentam boa resposta no Ataque do Pânico.
Têm ação na fase aguda de doença e também na da
ansiedade antecipatória.
Devido ao seu uso crônico podem ocorrer dependência,
alterações cognitivas, etc..., devendo ser levados
em consideração. (STOPPE
JÚNIOR. 2001, p.478).
Demonstram
sua eficácia quando:
1)
usado em associação com antidepressivos para alívio
mais rápido dos ataques e sintomas do pânico;
2)
no aguardo do início de ação do antidepressivo;
3)
na troca ou descontinuação de antidepressivos. Ex.
Alprazolam, Clonazepan, e,
4)
na ansiedade antecipatória.
índice
6.2.2
Psicoterapia
As
terapias cognitiva e comportamental são atualmente
as mais utilizadas no tratamento. A terapia cognitiva
enfoca a identificação de distorções cognitivas
e sua modificação com técnicas de relaxamento aplicado
(muscular e imaginativo) e a comportamental tenta
modificar as reações do paciente mediante situações
associadas ao ataque de pânico.
No entanto, parece não ser eficaz no tratamento
agudo (Stahl, 2002, p.345).
Cordioli (2000, p.282) indica para sintomas
residuais e em situações que impossibilitam o uso
de medicamentos (gestação, amamentação).
índice
6.2.3
Associação de Psicoterapia e Farmacoterapia
Alguns
médicos consideram certos pacientes incapazes de
se submeterem à psicoterapia devido à ansiedade
excessiva, portanto, seriam excluídos desse tratamento
até que a medicação faça o seu efeito. Por outro
lado, certos terapeutas acreditam que as medicações
interferem na sua terapia, pois é necessário um
certo grau de ansiedade para sua eficácia.
Não
existe nenhuma contra-indicação nesta associação,
contudo deve ser individualizada para que possa
ocorrer benefício adicional (Stahl, 2002, p.347).
Ainda
segundo Stahl (2002, p.345), os pacientes que completaram
o período de tratamento, a melhora é, provavelmente,
mantida por mais tempo após a interrupção do uso
dos fármacos.
índice
7
CONSEQÜÊNCIAS DO ATRASO NO DIAGNÓSTICO E
TRATAMENTO ADEQUADO DO TRANSTORNO DO PÂNICO PARA
O PACIENTE
No
curso do Transtorno do Pânico (TP) as crises de
ansiedade variam com o número de sintomas, intensidade
e freqüência. Os pacientes podem ter um ataque ou
vários na mesma semana. Desenvolvem restrições importantes
e severas ou apresentam impedimentos leves em suas
rotinas. Há mudanças da qualidade de vida dos pacientes
com tendências a recaídas e à cronicidade da doença.
Estudos de “follow-up” mostram que 30 a 50%
dos pacientes segue com sintomas moderados e 50%
apresenta recuperação a longo prazo. (HAGGSTRÄM,
LIMA e FENSTERSEIFER, 1993, p.57).
A
comorbidade psiquiátrica piora o prognóstico do
Transtorno do Pânico (TP).
A procura do tratamento logo após o início
dos sintomas e a ausência de agorafobia melhoram
o prognóstico. À medida que os ataques de pânico
se repetem, aumenta a severidade dos mesmos e os
pacientes vão desenvolvendo sintomas hipocondríacos,
fóbicos, ansiedade basal, ansieda | | | |