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Curso
de Extensão Universitária
Introdução
à Psicoterapia
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PELO
Prof.
Dr. Aníbal Silveira («1902
V1979
)
Chefe
de Clínica Psiquiátrica do Hospital de Juqueri,
S. Paulo.
Docente-livre
de Psiquiatria, Universidade de São Paulo
Leia
mais sobre Aníbal Silveira
|
| OBS:
Esta apostila à semelhança da primeira, não
sofreu nenhum processo de correção ortográfica,
nem tampouco dos textos, pelo autor, prof,
Aníbal Silveira. |
CONDIÇÕES
DE PERSONALIDADE INDISPENSÁVEIS AO PSICOTERAPEUTA -
SITUAÇÕES INTERPESSOAIS E ENVOLVIMENTO EMOCIONAL
Usamos
o termo “personalidade” porque na realidade é o que
se usa habitualmente como definição das funções subjetivas
do indivíduo, mas também envolve uma série de elementos
como a formação técnica, as condições das disposições
subjetivas e principalmente os conhecimentos gerais
ou elementos de ordem intelectual, necessários para
quem faz psicoterapia.
Está
claro que a primeira condição para fazer psicoterapia
ou para que o psicoterapeuta possa dedicar-se a esse
tipo de trabalho é a formação técnica adequada, que
subentende aprendizado em condições habituais mais supervisão
do trabalho realizado durante esse aprendizado, para
só depois o profissional ser liberado para praticar
a psicoterapia.
Como
em geral não existe uma escola de psicoterapia entre
nós, esse trabalho é feito a custa da próxima atividade
do psicoterapeuta que vai corrigindo as técnicas que
usa, e que muitas vezes se mostram desastrosas e desagradáveis
e com o próprio tempo ele corrige essas falhas. Lembramos
que é indispensável ao psiquiatra conhecer psicoterapia,
não se pode considerar um psiquiatra como adequado para
a profissão se não conhecer psicoterapia.
Em
clínica, no consultório o que prevalece são pacientes
com distúrbios emocionais que devem ser revistos, modificados
ou pacientes que são tratados no próprio hospital quando
este é aberto.
Mas,
há condições fundamentais que não se aprendem com o
curso de psicoterapia ou com a formação psicoterápica
em si mesmo, são condições que dizem respeito a personalidade
do indivíduo, a maneira de ser do psicoterapeuta.
Se
em primeiro lugar está a idoneidade moral. É uma regra
fundamental difícil de avaliar, não havendo nenhuma
possibilidade de negar-se, digamos assim, a quem vai
fazer psicoterapia, o direito de fazê-lo uma vez que
basta estar qualificado como médico, como psiquiatra
para poder praticar livremente a psicoterapia. Sabemos
que grande parte dos clientes que vão ao psicoterapeuta,
em geral sofrem conseqüências sérias porque não procuram
um psicoterapeuta idôneo, isto é freqüente para corrigir
os desajustamentos pessoais, às vezes, não tão graves,
mas que reclamam uma reformulação, passam a ter uma
virtude inteiramente inadequada em conseqüência da psicoterapia
mal levada e quase sempre isto termina na destruição
de um lar.
Na
realidade muitos problemas são conseqüências de desvios
de personalidade de quem faz psicoterapia, se a isto
soma-se os desvios da pessoa que vai passar pela psicoterapia,
vemos se amplia extraordinariamente e torna a vida difícil
quando eram apenas problemas de desajustamento superficial
muitas vezes.
Entre
as condições, algumas são de ordem pessoal propriamente
dita, outras são em relação a problemas intelectuais
e outras são acessórias. Entre as de ordem pessoal temos:
A
estabilidade emocional, se o psicoterapeuta não tiver
suficiente estabilidade emocional só pode produzir resultados
desastrosos, podemos citar aqui, aliás lembramos, que
a questão de problemas superficiais ou de passagens,
assim digamos assim, na vida comum e que se tornam depois
problemas gravíssimos de desajustamento, decorrem quase
sempre da falta de estabilidade emocional do psicoterapeuta.
Cita-se um colega, psicoterapeuta que declarou em revistas,
que o psicoterapeuta deve ser neurótico para poder curar
os neuróticos, isto é um contra-senso, não como paradoxo,
mas ao que parece foi dito como explicação a uma situação
pessoal (numa festa, o psicoterapeuta fez uma série
de desatinos e o jornalista lhe perguntou como ele sendo
psicoterapeuta podia fazer uma cena tão desagradável,
mostrando uma instabilidade emocional tão grande, ele
então respondeu desse modo). Se o psicoterapeuta leva
esse conceito a sério e tem uma série de dificuldades
emocionais, está claro que não pode ser psicoterapeuta.
Deverá passar à psicoterapia, já que esta é a única
organização estabelecida com normas especiais de aprendizado.
Primeiro será analisado pelo menos um ano, deverá aprender
a técnica para logo fazer a supervisão, mas esta regra
não está sendo obedecida e alguns psicanalistas desde
o início da revisão tem pacientes para analisar e recebem
a taxa normal dos pacientes e pagam ao psicoterapeuta
que faz supervisão. Não é a regra estabelecida pelos
institutos de psicanálise. A duração da formulação psicanalítica
é de pelo menos 4 anos, após os quais, poderá então
trabalhar. Ao que parece, entre nós não existe isso,
pela necessidade que há de psicanalistas.
Portanto
quem quer fazer psicoterapia deve ter estabilidade emocional.
Como vamos apreciar estas condições? É necessário primeiramente
uma entrevista habitual e principalmente, o uso de provas
projetivas; a de Rorschach por exemplo é a que melhor
mostra as condições emocionais do indivíduo e do comportamento
intelectual de quem se propõe a fazer psicoterapia.
Por sua vez, esta prova exige conhecimentos para ter
validade, subentende a técnica de interpretação e a
discussão com o candidato à psicoterapia, dos problemas
que apresenta e de esclarecimento de alguns dados que
o Rorschach possa fornecer (dá as condições atuais,
as condições psicológicas e a maneira de ser do indivíduo,
inclusive se apresenta problemas mais profundos ou mais
superficiais). É indispensável esta prova prévia para
que o psicoterapeuta resolva fazer consigo próprio psicoterapia.
Caso contrário, fica à mercê das injunções da psicoterapia,
pois sabemos que não há um diálogo entre cliente e psicoterapeuta,
mas sim uma interferência direta dos problemas do examinado
sobre o psicoterapeuta.
Outra
condição é a tolerância do psicoterapeuta é freqüente
que um paciente se apresente para psicoterapia com confiança
absoluta do psicoterapeuta, às vezes ocorre o contrário,
alguém lhe sugere que passe por este tratamento e tem
certa desconfiança em relação ao psicoterapeuta. É isto
que de início define o contato inicial entre paciente
e psicoterapeuta, logo toma um rumo diferente, e passam
a mostrar que o aceitam plenamente quando antes duvidavam,
ou senão aqueles que confiavam começam a se desinteressar
e a apresentar objeções à respeito daquilo que o psicoterapeuta
lhe diz.
É
necessário, pois, a tolerância para saber avaliar adequadamente
essas situações, principalmente quando essas são de
ordem de falta de apoio ou confiança em relação ao psicoterapeuta.
Esta situação é freqüente e às vezes é como uma defesa,
uma manifestação muitas vezes, que não é consciente
do analisado. A inexistência de tolerância por parte
do psicoterapeuta origina nele próprio uma reação e
o paciente pode perceber e sentir, então desvia os resultados
da psicoterapia que podia ter condições de ser muito
bem executada.
A
franqueza é outra condição necessária. Sempre de início
o psicoterapeuta deve manifestar sua sinceridade, e
deve avaliar com o examinando as condições que ele tem
para resolver os problemas, tendo a idéia exata de quais
são, primeiro no momento atual, procurar ver as origens,
isto é, se são de origem profunda ou mais superficial
e verificar se está em condições realmente de fazer
psicoterapia.
Sabemos
que há dificuldades que o próprio psicoterapeuta pode
apresentar que, entretanto sejam toleráveis em certa
margem porque não colidem com as necessidades de apoio
do paciente. Entre nós, há muitos psicanalistas que
têm grande dificuldade no comportamento interpessoal
(por exemplo, um estrangeiro dizia que não podia vir
ao Brasil porque não suportava a viagem de avião, três
vezes que tentou passou mal), entretanto, é grande psicanalista
de fama internacional, com grandes conquistas no campo
da técnica e da teoria analítica, mas seguramente trataria
pacientes que não teriam aquelas mesmas dificuldades
que ele apresentava, isto então seria uma concessão
que o psicoterapeuta pode fazer a si mesmo quando vai
examinar o paciente. Primeiro vai se selecionar adequadamente
os pacientes que ele vai tratar, ou possa tratar.
Se
não tiver franqueza suficiente, para ver a própria situação,
sem ter conhecimento exato de como é na realidade, e
conhecer, portanto as dificuldades que se lhe vai propor
para corrigir, não pode fazer psicoterapia.
Também
na fase inicial deve ver se o indivíduo está progredindo
ou não, nesse caso deve avaliar consigo próprio qual
o andamento da psicoterapia. Se depende de condições
do paciente e que podem ser corrigidas ou se provém
de condições do próprio psicoterapeuta que deverá ter
a franqueza de fazer ver que não há indicação exata
para que ele faça psicoterapia, encaminhando-o a outro
colega que não tenha essas dificuldades que ele tem.
A
firmeza é outra condição necessária, ou seja, segurança,
se não tiver uma formação rigorosa e souber que está
agindo corretamente, que está aplicando as regras da
psicoterapia de modo adequado, ele não saberá interpretar
o andamento da psicoterapia; ou se depende de problemas
dele ou do cliente, nesse caso terá de fazer uma reavaliação
das situações, para ver se pode modificar em sentido
adequado uma terapia que está desencaminhando do rumo
habitual. Pode tentar sentir no examinando qual é a
dificuldade que existe e corrigir essa atitude interpessoal
a partir do examinando. Para isso, é necessário que
esteja seguro de que está fazendo. Deverá dar segurança
ao cliente. O que se chama de “empatia” na psicologia
comum se manifesta mais claramente na psicoterapia,
em que há uma inter-relação cada vez mais íntima entre
paciente e psicoterapeuta. A falta de segurança assim
como a falta de domínio emocional é apreendido, pelo
cliente.
Ao
que parece foi esta uma das condições que levou Freud
a manter o divã. Segundo Alexander, numa comunicação
informal e que parece publicada em alguns trabalhos,
Freud sentia muita insegurança quando enfrentava alguns
pacientes diretamente, ficando ao lado ou atrás do divã,
ele não estava sendo visto, examinado ou interrogado
pelo olhar do paciente. Por isso quando aboliu a hipnose
conservou o divã. Há, pois, psicoterapeutas que têm
dificuldades frente a frente e outros como recursos
de técnica colocam o paciente de lado, podendo assim
ir apreciando reações fisionômicas do paciente sem ser
visto.
De
qualquer maneira a segurança se manifesta na própria
maneira de levar a psicoterapia de uma sessão para outra,
há uma série de incidentes que se passam fora do consultório,
mas que vão repercutir na próxima sessão, isto exige
segurança do que se está fazendo para ser interpretado
e tomado ou como decorrência da própria psicoterapia
ou como um fator que está interferindo na mesma. Estas
são as condições básicas, que se tornam indispensáveis
para quem vai fazer psicoterapia. Além dessas condições
ligadas com o modo de ser do indivíduo, com a sua personalidade,
há outras que são de ordem intelectual e entre essas
está principalmente a flexibilidade.
O
psicoterapeuta não pode ser rígido, terá que dar as
normas iniciais ao começar o tratamento, quando combina
com a psicoterapia, deve ter uma norma traçada, segura,
deverá fazer com que o cliente faça a prova de Rorschach
e programará o tempo em que deve desenvolver esta psicoterapia
(numero de meses), raramente menos de seis meses. Terá,
portanto, a proporção do que irá fazer, mas ele não
pode seguir essa norma rigidamente, deve saber variar
as condições durante o tratamento e terá de ceder em
alguns aspectos, podendo mudar a técnica, embora já
tenha passado ao cliente o que vai fazer.
É
claro que não vai explicar ao cliente o que irá fazer,
mas sim dará noções gerais do que fará, como vai decorrer
a psicoterapia.
A
mudança de técnica pode ser feita, mas isto só é possível
sem quebra da coerência, pois a coerência é outra instância
que deverá estar presente no tratamento, coerente consigo
mesmo. Já dissemos várias vezes que na psiquiatria infantil,
uma das coisas que mais perturbam as crianças é a falta
de coerência dos pais. Na psicoterapia a situação é
muito comparável a esta, interfamiliar, e vemos então
que quando a criança apreende no pai a falta de constância,
de coerência e se julga portanto tratada com injustiça,
causa-lhe péssima repercussão. Na psicoterapia acontece
o mesmo, se o cliente percebe que o psiquiatra toma
atitudes discordantes do que tinha dito anteriormente,
se não sabe manter a segurança, apesar de mudar o rumo,
dando sinal de fraqueza neste aspecto, isto pode interferir
na psicoterapia e demorar inclusive o tempo de tratamento
ou então ocorrer sua interrupção.
Dissemos
que outras condições são acessórias, mas são fundamentais
também. Entre essas o domínio da técnica ligado com
a atividade específica do psicoterapeuta. É indispensável
que a técnica seja aplicada corretamente. Isto se obtém
quando se tem uma boa formação psicoterápica, assim
quem se propuser a fazer uma psicoterapia deve ter uma
formação completa e adequada.
Para
saber se o paciente é suscetível do tratamento pela
psicoterapia e saber qual a técnica a aplicar, é necessário
que ele conheça psicologia, psicopatologia, tem que
ter formação completa e correta em psiquiatria e naturalmente
em psicoterapia. Essas são as condições básicas e fundamentais
sem as quais o psicoterapeuta não pode ser suficiente.
Muitas falhas da psicoterapia decorrem não da técnica,
mas sim da falta de conhecimento de quem a aplica. Veremos
depois ao falar das técnicas, que são várias e é necessário
conhecê-las e que vão desde vários campos da psicologia
até a psicoterapia.
A
indicação deve ser baseada em condições pessoais ou
eventuais. Um colega muito capacitado que faz psicoterapia
de grupo lembrou num congresso que os psicoterapeutas
de grupo, especialmente de análise de grupo, são levados
a fazer grupo pelas circunstâncias do momento, é muito
mais barato e difícil para o cliente, e tem possibilidades
de receber mais clientes, na mesma hora. São levados
a fazer grupos somente por questão pessoal e não porque
a técnica deva ser de grupo, foi, pois, muito sincero.
Grande parte dos que fazer grupo, é porque não tem condições
de pagar psicoterapia individual.
Como
sabem, o analista tem um número pequeno de clientes
e o número de horas que dispõe são cobradas caras. De
início é diariamente inclusive aos domingos, depois
passa a ser sem os fins de semana e finalmente passa
a ser 4-3 vezes por semana, isto na psicoterapia clássica.
15 clientes seriam muita sobrecarga porque a psicanálise
exige muito trabalho, contínuo, tem que fazer reavaliação
constante, portanto sobrecarga demasiado ao psicanalista
e este não poderia ter ao mesmo tempo 15 analisados.
Ao passo que a psicoterapia de grupo pode se fazer uma
vez por semana, ou duas, e pode ter cada vez 5-10 clientes,
cobrando menos ao paciente, teria maior rendimento que
trabalhando individualmente na psicanálise. Realmente
essa é uma das condições nem sempre muito clara, evidente
que leva o psicanalista a fazer grupo.
Além
disso, exige a seleção, que é de ordem técnica e não
condiz necessariamente com a formação, mas sim com a
maneira de aplicar, é a seleção da psicoterapia. É necessário
conhecer todas as formas de psicoterapia, embora não
vá praticar todas elas, pois algumas são incompatíveis
entre si, e deve dedicar-se aquela modalidade da psicoterapia
que condiga mais com a própria maneira de ser do psicoterapeuta.
Por outro lado ele vai selecionar os pacientes em função
desta ser adequada ou não, o modo de ser dele para psicoterapia
proposta.
Lembramos
que existe duas formas de psicoterapia, a menor e psicoterapia
propriamente dita. Embora todas recebam o nome geral
de psicoterapia devamos qualificar aquelas que envolvem
um grupo maior como psicoterapia menor. Na realidade
nesse trabalho, em grupo de pessoas, vai se utilizar
o mesmo modo que usa para quando se faz psicoterapia
individual. Assim a terapia de casal, de família, consideramos
como psicoterapia menor, embora seja feita a psicoterapia
em sentido comum, apesar de ser uma psicoterapia, age
de um modo um pouco o diverso do que se passa na psicoterapia
individual. Se fizermos psicoterapia de casal e partimos
de um cônjuge ou de outro, isto é do ajustamento de
um ou de outro, isto é do ajustamento de um ou de outro,
e de filhos, vamos fazer uma psicoterapia mais superficial
do que se fosse comum, do contrário ela ficaria como
uma careação de pessoas, o que é simplesmente desastroso.
Por
isso é importante a condição antes citada que devem
acompanhar ao psicoterapeuta, e ainda em maior grau,
porque há de se evitar o perigo de que duas pessoas
se degladiem e se alterem, seja na sessão ou depois
dela.
Chamamos
psicoterapia menor porque envolve mais de uma pessoa,
logo não há um manejamento de fatos profundos (problemas),
embora o casal possa ser submetido à psicoterapia individualmente.
Mas a técnica de casal já é diferente.
Também
a psicoterapia de família é diferente, porque envolve
mais pessoas e mais que a do casal, pois envolve situações
dos filhos e desses para com os pais e destes para com
aqueles, portanto um conjunto de circunstâncias delicadas,
extremamente delicadas que exigem um teto muito especial,
uma maior capacidade de improvisar situações e modifica-las,
uma versatilidade muito maior do que na psicoterapia
de casal.
Da
mesma maneira e mais interessante ainda, a psicoterapia
de encontro, um rumo que tomou a psicoterapia de Rogers,
que à princípio era de grupo e depois se tornou de encontro.
Reúne vários tipos de pessoas de várias procedências
e vão discutir problemas em comum, e isto é mais sério
ainda, e se preste muito para desvios tanto de comportamento
da personalidade como da situação que estão submetidos
a esse tipo de psicoterapia.
O
mesmo se passa com a psicoterapia do grupo e com o psicodrama,
que é mais ampla do que a de grupo.
Outra
psicoterapia menor é a Hipnose. Se conhecermos bem a
hipnose, poderíamos indicá-la em alguns pacientes. É
uma técnica que está voltando a ser praticada com mais
freqüência. É uma técnica eficiente e de específica
indicação devido à rapidez com que se pode resolver
o problema. Isto depende de uma orientação especial
do hipniatra, como se diz atualmente. Já falamos na
hipnoanálise, isto é, a fusão da pipnoterapia com a
psicanálise, que pode ser praticada por um número menor
de psicoterapeutas, porque requer uma formação em hipnose
e psicoterapia. Portanto, exige conhecimento mais profundo
do que aquele que falamos na psicoterapia comum.
Outras
condições técnicas importantes são: a combinação prévia
(após os passos citados no início para realizar a psicoterapia),
seja no apressar da psicoterapia, porque neste prazo
entra uma série de fatores que veremos depois mais especificamente.
Mas a combinação prévia subentende que ele vai aceitar
a psicoterapia, usando de franqueza e sinceridade que
decorre daquela, e se está em condições de fazer a psicoterapia,
o tempo previsto de sua duração, etc. Que geralmente
é para meses, isto porque aquela técnica de Alexander
permite em menos tempo resolver os problemas que aparecem
insolúveis de outra maneira (apenas 2-3 semanas).
Como
disse antes, a técnica de Alexander, difere da de Stekel
e da de outras formas porque segue a técnica ortodoxa,
aliás, o principio ortodoxo da análise: apenas aboliu
o divã e se colocava em frente do paciente. Nesses casos
em que aplicava a psicoterapia “abreviada” que assim
a chamou depois, os problemas não eram profundos, eram
atuais. Aplicava também nas chamadas neuroses atuais,
de maneira que é uma psicoterapia que toca especificamente
os problemas mais recentes e que tenham dado margem
a reações é mais eficiente do que uma psicoterapia analítica
que procura rebuscar causas na primeira infância (2
anos) e que fica remoendo em falso, meses a fio sem
tocar no problema fundamental, portanto sem modificar
o comportamento que se pretendia faze-lo.
Outra
norma é a psicoterapia que deve ser baseada em associações
não conscientes. É importante que o psicoterapeuta penetre
nos problemas não conscientes do cliente de maneira
indireta. Está claro que a queixa é direta, que o paciente
manifesta seus problemas na sessão e tem a obrigação
de ser franco sempre como regra fundamental, dizer tudo
que lhe ocorre ainda que seja contra o psicoterapeuta
ou que atinja diretamente, mas essa é a combinação prévia,
porque é importante que seja verbalizado para mais tarde
ser discutido e ver se pode ser resolvido (e também
estudado).
Às
vezes é necessário medicar o cliente, mas não em sentido
complementar à psicoterapia ou de prolonga-la, mas noutra
orientação que não colide com esta psicoterapia e que
coincida mais com a tendência à linguagem epileptóide
que pode interferir de modo indireto na psicoterapia.
Mas esse caso deve ficar bem claro essa fase inicial
do tratamento, que não e um pano quente no problema
e sim que vai agir noutra área que não é aquela que
leva aos problemas.
Outra
condição fundamental é que o paciente diga tudo que
lhe ocorrer no momento, mas é importante que esta exposição
que ele faz não se transforme numa conversa, porque
vai desorganizar completamente o processo de psicoterapia.
A
duração de cada sessão, também é importante, e é questão
de técnica. Antigamente durava uma hora, outras como
a de EICHORN, levava horas ou o dia todo (técnica) se
tratasse de personalidades anormais nesse caso durava
o tempo integral quase. Depois passou para 50 min, porque
no final deve ser feito o comentário geral, o relatório
permanente de cada sessão, pois sem isto não teríamos
condições de corrigir os desvios que surgiram (isto
em10 ou 15 mim.) Logo mais tarde conferir se está correto,
porque muitas vezes o psicoterapeuta nessas notas introduz
muita condição pessoal e que no momento não foi verbalizado
na sessão.
A
técnica se baseia em associações não conscientes. O
sonho é o elemento mais adequado para se entrar nas
associações não conscientes, além disso, há outra condição
fundamental que é manter sigilo sobre aquilo que se
souber na psicoterapia, é, pois elemento indispensável
não só para que o cliente se sinta seguro e fale à vontade,
mas para que haja bons resultados na psicoterapia.
Não
deve comentar nada com pessoas conhecidas, assim como
não se deverá aceitar coisas ditas por outros, fora
da sessão, mesmo que se trate de parentes ou amigos.
Pode se tratar outro parente desde que o cliente sinta
que há sigilo absoluto. Não deverá haver, pois, interferência.
Às
vezes, comentários que se faz fora da sessão, à cerca
do pacienta podem chegar a seu conhecimento, e isto
é profundamente perturbador para a psicoterapia, porque
o cliente perde a confiança totalmente, já que ele estabeleceu
sigilo.
Outro
aspecto que está ligado com a segurança da psicoterapia
é não fazer interpretações, pois esta como em
qualquer terapia deve ficar com o cliente, Essa interpretação
prematura, por parte do analista, e tomada como sendo
uma interferência direta e o cliente intelectualiza
o problema que deveria ser de ordem emocional. Dizemos
que psicoterapia visa problemas emocionais, pois se
ela não modifica problemas emocionais não é psicoterapia.
O dar explicações que não são aceitas pelo cliente,
por serem prematuras, levada essa intelectualização.
Stekel,
em seus livros dá uma série de exemplos dessa ordem,
em que pacientes desde o início diziam ser isto ou aquilo,
mas que não correspondiam os problemas emocionais que
os levavam ao médico, então usava uma técnica quase
violenta, imediata e resolvia os problemas em duas ou
três sessões, porém não com a técnica de Alexander,
mas com a interpretação direta em relação ao cliente.
Mas ele mostrou que aqueles clientes tinham intelectualizado
os problemas e não resolvido emocionalmente. Portanto
a interpretação tem que ser dada no momento oportuno
e é necessário que o cliente amadureça a interpretação
para que ele mesmo reavalie sua interpretação, e se
espera que ele próprio encontre a resposta, a explicação
de certas manifestações e especialmente do conteúdo
dos sonhos.
Se
o psicoterapeuta não for formado em análise, pode utilizar
os dados segundo a técnica analítica, mas sem interpretá-los.
Aí é importante que apresente ao cliente os dados para
que ele vá amadurecendo e chegue a interpretá-los, estes
aparecem em certo momento, e geralmente aparecem quando
surge um problema emocional muito intenso. A própria
psicoterapia bem orientada mesmo que não seja analítica,
mobiliza profundamente as reações emocionais do cliente,
e nesse momento numa sessão psicotarápica, em que surgem
uma série de associações e de explicações que aparecem
de modo quase explosivo, que por ter sido por muito
tempo trabalhado a propósito de qualquer incidente menor
que verbalizou ou por um aspecto especial de um sonho
que ele relata, nesse caso aí a interpretação provirá
do cliente à partir dos dados fornecidos pelo psicoterapeuta.
Outro
aspecto embora básico, é acessório, é a chamada transferência.
O que Freud definiu como transferência não é o que hoje
se sente como tal. Transferência na linguagem comum
que empregam os psicólogos e psicanalistas e uma dependência
no sentido afetivo. Transferência no sentado estrito
é uma dinâmica não consciente, é transferir para o analista
as reações infantis ligadas com os progenitores, então
é uma situação inteiramente ignorada pelo paciente,
que surgiu na fase de formação, de moldagem da personalidade,
nas primeiras fases da vida e que no momento da psicoterapia
analítica é transferida para o psicanalista. Logo o
cliente projeta sobre psicanalista aquelas reações ligadas
com os progenitores, daí vem "transferência",
e como diz Freud, é uma verdadeira neurose, neurose
atual que decorre da análise, mas é uma reação neurótica,
então é uma neurose de transferência.
O
que se passa habitualmente nos clientes da psicoterapia
é o que se passa também na clínica comum, uma dependência
afetiva, não uma transferência, e que acontece como
conseqüência das dificuldades emocionais e da sensação
que o cliente tem de que está resolvendo em contato
com o psicoterapeuta, logo
isto reforça a atitude de dependência afetiva
para com o terapeuta, da mesma maneira que numa situação
com o clínico, como médico reforça porque sente segurança,
apoio, que não é o caso psicológico, mas o problema
somático e o médico está a resolve-lo.
O
psicoterapeuta deve reconhecer essa situação para poder
desmontar na sessão esse aspecto, do contrário vai deixar
o indivíduo com falta de autodeterminação e vai depender
a cada passo do psicoterapeuta, sendo esta outra regra
a se colocar desde o início do tratamento. Não o psicoterapeuta
que vai resolver nenhum problema do cliente, ele próprio
é que vai buscar as soluções aos problemas e deve lhe
mostrar que aquilo que ele toma como prestígio do psicoterapeuta
é porque na realidade está amadurecendo emocionalmente,
está podendo tomar as suas decisões sem depender de
ninguém; portanto é necessário desfazer esta Ilusão
logo que inicia a psicoterapia.
Se
o terapeuta não tiver franqueza e segurança suficientes
não poderá desfazer essa situação de dependência que
se manifesta desde o início. O fato de não desaparecer
esta dependência faz com que uma psicoterapia que tinha
começado bem e ia progredindo de pronto pára, estaciona,
porque faltou esta franqueza do psicoterapeuta para
explicar ou esclarecer o problema particular que se
manifesta como decorrência da dependência afetiva emocional.
Então
é necessário como condição da psicoterapia que não haja
envolvimento emocional, o envolvimento é quase uma decorrência
da psicoterapia do paciente em relação ao psicoterapeuta,
mas ela não pode tomar a direção inversa, e um pouco
deferente do que Freud chamou de contra transferência
os analistas logo de início acharam que da me mesma
forma que há transferência dos problemas do cliente
para o psicoterapeuta também exista em sentido inverso,
a dependência do analista para o cliente. Contra transferência
é um defeito técnico, e está bem claro nos postulados
de Freud "que quando o analista manifesta contra
transferência é porque não foi analisado suficientemente"
não tem segurança, estabilidade emocional para evitar
isto que se chamaria de início a sedução exercida pelo
cliente. Freud interpretava essa sedução como uma repetição
daquela sedução que a criança teria exercido em relação
aos pais, o progenitor do sexo oposto, então realmente
não é sedução que há no caso, embora algumas vezes tome
esta aparência, mas sim uma captação afetiva. Então
a captação afetiva é um defeito da técnica exatamente
igual a chamada contra transferência.
Captação
quer dizer uma subordinação afetiva, em decorrência
das situações interpessoais. Isto apareceu como termo
técnico nos meios jurídico legal, em que a relação mais
íntima de indivíduos idosos com certas pessoas estabelece
a chamada captação afetiva, isto se viu mais tarde por
ex. em testamentos que foram anulados porque neles se
via a "captação afetiva" (figura jurídica).
Na psicoterapia também acontece essa captação afetiva,
o analista se sente elogiado, etc, isto agrada ao psicoterapeuta
atingindo sua vaidade e vai sendo captado por esse aspecto
e muitas vezes se não tiver conhecimento de si próprio
vai induzido a essa situação (contra transferência).
Hoje em dia muitos analistas usam essa situação como
se fosse uma técnica ou um meio para auxiliar o cliente.
Mas é um defeito da técnica e ao que parece é mais uma
decorrência da falta de amadurecimento emocional do
analista, especialmente com o sexo oposto e é um abuso
de poder emocional, pois o cliente fica a mercê do analista
e muitas vezes senhoras ou moças que são analisadas
acabam transtornando completamente a vida familiar devido
a interferências indébitas
o até certo ponto criminosas do analista em relação
ao analisado.
Pouco
menos grave e profundo que isto é a interferência das
relações interpessoais. É uma regra que todo analista
mantinha de modo inflexível, de que nenhum analista
deve estar em contato com o analisado fora da situação
analítica. Esta regra tem sofrido muitas modificações
e muitos analistas pensam que deve haver esse contato
interpessoal, mas isto ao que parece vem sendo uma deformação
em vários níveis, em relação a psicanálise e a psicoterapia
em geral.
Na
realidade, as situações interpessoais podem ser prejudiciais,
de outra maneira que não seja somente quanto ao comportamento
sexual, mês sim na adoção do terapeuta do modo de ver
do cliente. Muitas vezes o psicoterapeuta ao ouvir ou
tomar conhecimento dos problemas do casal ou família,
começa a tomar partido do cliente, isto é um tipo de
relação interpessoal que nunca deve surgir na psicoterapia,
isto também denota falta de amadurecimento emocional
no psicoterapeuta.
Outras
manifestações que são de ordem social, devem ser evitadas
também principalmente no início da psicoterapia; entre
elas o pagamento da psicoterapia de pessoas que sejam
dependentes de colegas. Neste caso, o analista não cobra
a taxa, mas isto pode ser prejudicial para o andamento
da psicoterapia. Se o dependente tiver nessa situação
um problema conjugal como expressão ou conseqüência,
digamos assim de dependência monetária ou econômica,
se favorecemos essa dependência não cobrando do paciente,
estamos agindo de modo inadequado na psicoterapia. Portanto,
mesmo que seja um dependente de colega, é 'necessário
que faça um esforço pare custear a própria psicoterapia.
Isto pode ser discutido mais especificamente porque
não é uma regra geral. Sabemos que há clientes que progridem
muito bem e resolvem seus problemas sem pagar a psicoterapia,
mas então fica uma dependência econômica semelhante
a do lar e isto é que deve ser estudado.
Deve-se
levar em consideração o fato de que o psicoterapeuta
deve cobrar, porque se só tiver casos "gratuitos",
é insuficiente... (óbvio o comentário). Tratando-se
de colega a coisa muda um pouco, porém não deve esperar
que o mantenha muito tempo sem remuneração, pois há
até alguns que se sentiriam ofendidos se não fosse lhes
cobrar... Pelo menos uma prova psicológica, etc. pode
se fazer gratuitamente sem que o colega se sinta diminuído
por isso. Mas uma psicoterapia que envolva a reserva
um dia ou dois por semana, cria problema para o psicoterapeuta
e este não pode manter a não ser em casos excepcionais.
Nesse caso cobrar a sessão psicotarápica corresponde
a uma necessidade para o próprio cliente que pretende
faze-la.
Como
os psicólogos têm autorização para fazer psicoterapia,
acontece o mesmo, e devem resolver com o cliente a maneira
como vai se pagar.
Outro
problema a discutir é, como terminar a psicoterapia;
existe um trabalho de Freud sobre psicoterapia terminável
e não terminável, estas terminam quase sempre quando
o paciente abandona a psicoterapia ou quando alguma
coisa interpessoal interfere, então há uma ruptura das
ligações entre o terapeuta e o cliente. Mas é necessário
se estabelecer desde o início essa possibilidade e nem
sempre se chega a uma finalidade em fim, mas nesse caso
o cliente já deve estar preparado para isto previamente,
não é uma coisa que vai aparecer de repente, que não
é um abandono de posição, mas que pode ser uma decorrência
previsível inclusive no Inicio da psicoterapia.
Outras
condições mais específicas varemos no decorrer do curso.
Condições
fundamentais:
Idoneidade
moral
Pessoais:
Estabilidade
emocional
Tolerância
Franqueza
Segurança,
firmeza
Intelectuais:
Flexibilidade
(mudança de tática)
Coerência,
uniformidade
Acessórias:
Técnica
Conhecimento:
Psicopatologia
Psicologia
Psiquiatria
Psicoterapia
Seleção;
Combinação
prévia
Sigilo
Interpretação
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