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A
maioria dos portadores de transtornos psiquiátricos
não padece de psicoses ou graves alterações
cognitivas. Entretanto, a própria Declaração
Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948) discrimina
contra tais pessoas afirmar, em seu Artigo 1º,
que:
“Todas
as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
São dotadas de razão e consciência
e devem agir em relação umas às
outras com espírito de fraternidade.” De
fato, durante séculos, a Psiquiatria ocupou-se
essencialmente das alterações da razão
e da consciência.
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Entre
os Direitos dos nossos pacientes, merece atenção
especial o Direito à Informação.
Isto tem sido enfatizado em leis e projetos de lei,
mas apenas quanto ao acesso ao prontuário e às
condutas médicas. Entretanto, informação
fidedigna quanto ao que se sabe, ao que se faz e ao
que se poderia e deveria fazer para bem atender às
necessidades dos pacientes e suas famílias é
o que menos se encontra nos documentos oficiais deste
país. De fato, há algumas décadas,
mais precisamente desde os idos de 1980, pacientes,
familiares, profissionais de saúde, legisladores
e até ministros e governantes, somos todos sistematicamente
desinformados sobre aspectos essenciais da moderna assistência
psiquiátrica e sobre as conseqüências,
custos financeiros e sociais do que se tem feito no
Brasil desde que o auto-denominado “Movimento
da Luta Anti-manicomial ” assumiu importantes
setores da saúde pública, notadamente
a Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério
da Saúde. Temos, todos, o direito de saber que
esse “Movimento” (cópia mal feita
do movimento de La Lotta Antimanicomiale, da Itália)
é, sim, contrário à aplicação
dos recursos terapêuticos mais eficazes da psiquiatria,
inclusive a eletroconvulsoterapia, não porque
sejam desumanos ou ineficazes, mas porque contrariam
a ideologia dos seus proponentes e militantes. Essa
ideologia nega a psiquiatria, usando livros como “A
Instituição Negada” e “Libertando
Identidades” como referência na “formação”
de milhares de profissionais de “saúde
mental” às custas do Ministério
da Saúde. Afirma-se que o Brasil é signatário
de documentos extra-oficiais, como a “Declaração
de Caracas”; diz-se que o fechamento de leitos
seria feito de forma programada e gradual, na medida
em que fossem criados serviços alternativos,
quando na verdade foram fechadas 80 mil leitos (nem
todos de má qualidade) e os leitos psiquiátricos
em hospitais gerais estão congelados na marca
dos 2 mil há mais de 10 anos; contratam-se 22
mil pessoas para trabalhar nas CAPS, sem demonstrar
a eficiência desse “modelo”, reduz-se
em 50% a participação da saúde
mental nos recursos SUS e diz-se que nunca se investiu
tanto nessa área.
Sabemos
que pessoas acometidas de gravíssimos problemas
psiquiátricos (não apenas psicoses) estão
desassistidas. Não me refiro só aos milhares
d “moradores” de rua e presidiários
doentes mentais desospitalizados pela “Luta Antimanicomial”.
Nem aqui, nem na Itália, sabemos quantos são
ou para onde eles foram. A maioria, nesses locais, provavelmente,
são casos novos que, não recebendo os
cuidados médicos que deveriam ter direito, ficam
tão gravemente doentes que acabam vítimas
dessa grande vergonha nacional que fere, de fato, os
mais básicos Direitos Humanos: à razão
e à saúde.
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