Os
requisitos mínimos para o registro do EEG na
suspeita da morte encefálica foram inicialmente
estabelecidos por comitê “ad hoc”
da “American EEG Society”, refletindo o
estágio do desenvolvimento no final dos anos
60. Nessa ocasião, estudos feitos revelaram que,
de 2650 casos de coma profundo com EEG presumivelmente
“isoelétrico”, apenas três
mostraram recuperação da função
encefálica e todos estes três pacientes
haviam recebido doses muito elevadas de medicação
depressora do SNC. Muitos dos registros inicialmente
citados como isoelétricos foram, após
revisão cuidadosa, considerados apenas como registros
de baixa voltagem ou obtidos através de parâmetros
técnicos inadequados. O comitê propôs
a eliminação de termos não fisiológicos
como “isoelétrico” ou “linear”
e, da mesma forma, recomendou que palavras como “plano”
ou “chato” não fossem usadas. Foi
sugerido o nome silêncio elétrico cerebral
(SEC). Subsequentemente, inatividade elétrica
cerebral foi o termo recomendado no glossário
da Federação Internacional das Sociedades
de EEG e Neurofisiologia Clínica. Os dois termos
têm sido considerados sinônimos.
Atualmente,
o registro do EEG para auxiliar na determinação
da morte encefálica não está mais
limitado aos grandes laboratórios, pois muitos
hospitais menores possuem unidades de tratamento intensivo
e equipamentos de EEG; além disso, a instrumentação
do EEG está substancialmente melhorada e muitos
serviços possuem vários anos de experiência
nessa área. Dessa forma, impõe-se a necessidade
de divulgar as normas básicas para este procedimento,
visando inclusive uniformizar critérios.
É
importante considerar que o registro do EEG para o diagnóstico
de morte encefálica deve ser cercado de grandes
cuidados, porque sempre é consistentemente mais
difícil afirmar uma ausência do que uma
presença. Para se afirmar a presença da
atividade elétrica é suficiente encontrá-la.
Entretanto, se não for encontrada a atividade
elétrica, deve-se ter maiores cuidados para garantir
a sua ausência; um falso resultado de ausência
poderia, por exemplo, decorrer de procura: em local
errado, de modo errado ou por um tempo inadequado.
Finalmente,
deve-se ressaltar que ainda hoje a transmissão
por telefone do EEG não é recomendada
para a determinação do silêncio
elétrico cerebral, por causa do ruído
elétrico imprevisível e inerente existente
nas redes telefônicas, especialmente quando comparado
ao sinal muito baixo passível de ser encontrado
no silêncio elétrico cerebral ou próximo
a ele.
Definição
de Silêncio Elétrico Cerebral (SEC)
A
inatividade elétrica cerebral ou silêncio
elétrico cerebral (SEC) pode ser definido como
a ausência de atividade elétrica no EEG
acima de 2 µV (microvolts), quando registrada
por pares de eletrodos colocados no couro cabeludo a
distâncias de 10 ou mais centímetros e
com impedâncias intereletrodos abaixo de 5000
a 10000 ohms e acima de 100 ohms.
Nessa
definição enfatiza-se a voltagem mínima
(notar que ela é dependente do equipamento usado),
o uso de maiores distâncias entre os eletrodos
e reafirma-se a importância de colocar os eletrodos
com impedâncias adequadas.
Recomendações
para o registro do EEG na suspeita de morte encefálica
São
apresentadas 10 recomendações para o registro
de EEG em casos de suspeita de morte encefálica,
com as respectivas justificativas e comentários
pertinentes.
1.
Colocar sobre o couro cabeludo todos os eletrodos (20),
de acordo com o sistema internacional 10-20 de colocação
de eletrodos em eletrencefalografia.
Todas
as áreas cerebrais devem ser cobertas, para que
se tenha certeza de que a ausência de atividade
não representa apenas um fenômeno focal,
O uso de instrumentos com apenas um ou dois canais,
como aqueles utilizados na monitoração
pelo EEG dos níveis de anestesia, é inaceitável
para se determinar o SEC.
Há
uma recomendação antiga citando um mínimo
de oito eletrodos, cobrindo apenas as áreas frontais,
centrais, temporais e occipitais; porém, considerando
a importância da decisão de morte encefálica,
não se julga adequada a supressão de certos
eletrodos, com cobertura mínima de algumas áreas.
Além disso, como não se pode saber “a
priori” que será obtido um registro de
SEC e, visando estar preparados para qualquer situação,
será sempre aconselhável usar o conjunto
completo de eletrodos no couro cabeludo, do mesmo modo
que no exame de rotina; esse conjunto completo de eletrodos
deve incluir as posições de linha média
(Fz, Cz e Pz), além dos fronto-polares, frontais,
centrais, parietais, occipitais e temporais. Um eletrodo
de terra (referência) deve ser usado, colocado
no corpo do paciente; contudo, para registros feitos
em UTI, se já houver um fio de terra de qualquer
outro equipamento elétrico instalado no paciente,
esse eletrodo pode não ser colocado; nota: não
confundi-lo com o fio terra das instalações
elétricas.
2.
As impedâncias dos eletrodos devem estar abaixo
de 5000 a 10000 ohms, porém acima de 100 ohms.
a)
As situações caracterizadas por atividade
elétrica cerebral de baixa voltagem e instrumento
de alta sensibilidade requerem aplicação
bastante escrupulosa dos eletrodos. Desta forma, impedâncias
desbalanceadas (valores muito diferentes no par de eletrodos)
podem distorcer o EEG. Isto pode ocorrer mesmo se as
impedâncias dos dois eletrodos estiverem dentro
da faixa recomendada; se um eletrodo mostrar um valor
de impedância relativamente alto (por exemplo,
8000 ohms), quando comparado com a do segundo eletrodo
do par (por exemplo, 2000 ohms), o amplificador torna-se
desbalanceado e tende a ampliar irregularmente os sinais
externos; será facilitado o registro da interferência
de 60 Hz ou de outros artefatos.
b)
Há uma queda acentuada dos potenciais se as impedâncias
estiverem abaixo de 100 ohms e, naturalmente, nenhum
potencial com zero ohms. É essencial que um eventual
excesso de pasta condutora não se espalhe entre
dois eletrodos, criando uma ponte salina, que atenuará
o sinal registrado entre esse par de eletrodos. Esta
ocorrência poderia determinar um registro falso
de SEC. Portanto, deve-se fazer uma acurada medição
das impedâncias durante o registro para se assegurar
de que elas são da magnitude adequada.
c)
Apesar de não serem recomendados para uso de
rotina, eletrodos subdérmicos de agulha têm
sido usados com sucesso em registros de suspeita de
morte encefálica. Têm a vantagem de serem
instalados com maior rapidez. Estes eletrodos subdérmicos
devem ser colocados todos com a mesma orientação.
Embora mostrem impedâncias mais altas, os seus
valores tendem a ser similares.
3.
Deve-se testar a integridade de todo o sistema de registro.
A
calibração instrumental rotineira testa
a operação dos amplificadores e dos inscritores,
mas não exclui a possibilidade de uma ponte salina
ou de um circuito aberto nos eletrodos, na caixa de
eletrodos, no cabo ou na entrada do aparelho. Se o registro
do EEG sugerir SEC, deve-se testar a integridade do
sistema tocando-se suavemente cada eletrodo da montagem
com a ponta de um lápis ou de um cotonete, para
criar um artefato. Esse teste permite verificar que
a caixa de eletrodos está conectada ao aparelho;
registros feitos com a caixa de eletrodos inadvertidamente
desconectada poderiam às vezes assemelhar-se
ao de um EEG de baixa amplitude. O teste também
demonstra que o posicionamento do seletor combina com
o posicionamento programado dos eletrodos.
4. A distância intereletrodos deve
ser no mínimo de 10 cm (usar montagem modificada
com maiores distâncias ou com distâncias
duplas entre os eletrodos).
No
sistema internacional 10-20 a distância média
intereletrodos em adultos é, em geral, de 6-
6,5 cm. Sabe-se que a diferença de potencial
registrada entre o par de eletrodos aumenta com sua
separação, atingindo um valor máximo
por volta de 10 cm, Um registro obtido com as distâncias
habituais intereletrodos e com a sensibilidade de rotina
poderia até sugerir SEC. Contudo, para maior
segurança, o registro deverá ser feito
usando as maiores distâncias entre eletrodos,
pois haverá maior possibilidade de captar e visualizar
no traçado os potenciais cerebrais. Dessa forma,
ao se utilizarem montagens transversais ou longitudinais
bipolares, são recomendadas derivações
com distância dupla dos eletrodos, por exemplo:
F3 - P3, C3 - O1, Fp1 - T3. F7 - T5, etc.
Lembrar
que o registro com referência na orelha é
quase invariavelmente muito contaminado pelos potenciais
cardíacos (EKG); neste caso, a referência
em Cz poderia ser mais satisfatória. As regiões
posteriores e occipitais podem ser particularmente susceptíveis
aos artefatos de movimento induzidos pela respiração
artificial, o que também complicaria seu uso
como referência comum.
Obedecendo
ao princípio das maiores distâncias (distâncias
duplas) intereletrodos, podem ser recomendadas as seguintes
montagens para se usar na suspeita da morte encefálica:
1.
para 16 canais: F3-P3; C3-O1; Fp1-T3; F7-T5; F4-P4;
C4-O2; Fp2-T4; F8-T6; F7-Fz; Fz-F8; T3-Cz; Cz-T4; T5-Pz;
Pz-T6; 2 eletrodos no dorso da mão direita, para
funcionar como monitor ambiental; 2 eletrodos no precórdio,
para avaliar os potenciais cardíacos (EKG). As
derivações 1 a 8 compreendem montagem
longitudinal bipolar com distâncias duplas intereletrodos;
de 9 a 14 são utilizadas montagens transversais
(anterior, média e posterior) também com
distâncias duplas; no canal 15 coloca-se o monitor
ambiental e no 16 o registro dos potenciais cardíacos
(EKG).
2.
para 8 canais: F3-P3; C3-O1; Fp1-T3; F7-T5; F4-P4; C4-02;
Fp2-T4; F8-T6. Eventualmente podem ser sacrificados
os canais com eletrodos fronto-polares, substituindo-os
pelo monitor ambiental e pelo EKG. Naturalmente, o registro
em 16 canais permite avaliação mais completa.
Os
2 eletrodos no dorso da mão direita (onde não
há atividade elétrica cerebral) são
colocados a 6-7 cm de distância e funcionam como
monitor ambiental, permitindo conhecer as diferentes
interferências sobre o registro e avaliar sua
origem extracerebral.
5.
A sensibilidade deve ser sempre aumentada (de um valor
rotineiro de 7 µV/mm) para pelo menos 2 µV/mm
durante a maior parte do registro;fazer o registro da
calibração mostrando esse valor máximo
da sensibilidade.
a)
Este é sem dúvida um dos parâmetros
mais importantes para avaliar o SEC. Deve-se compreender
que, com a sensibilidade usada rotineiramente de 7 µV/mm
não se pode visualizar um sinal de apenas 2 µV,
porque a linha de tinta no papel tem em média
¼ mm de largura, isto é, do mesmo tamanho
do sinal que se deseja ver. Obviamente, uma voltagem
limite de 2 µV (ver definição de
SEC) moverá a pena por somente 1 mm, se a sensibilidade
for de 2 µV/mm. Este sinal de 2 µV será
portanto melhor visualizado com uma sensibilidade de
1,5 ou 1 µV/mm. Contudo, mesmo com essa sensibilidade
pode ainda ser difícil de se ver uma atividade
muito lenta que apresente uma fase ascendente da onda
muito gradual. Os equipamentos atuais permitem registros
prolongados com sensibilidade de 1,5 ou 1 µV/mm.
Esse aumento de sensibilidade, da ordem de 50 a 100%,
permite um julgamento mais confiável da presença
ou da ausência de um sinal de 2 µV.
b)
São essenciais os procedimentos apropriados e
adequados de calibração. Representa boa
prática calibrar com um sinal próximo
do valor do sinal do EEG que se pretende registrar;
assim sendo, no caso do SEC, pode ser apropriada uma
calibração de 2 ou 5 µV. Um sinal
de calibração de 50 µV com sensibilidade
de 1 ou 2 µV/mm é inútil, pois ocorre
bloqueio das penas.
c)
Há referências de que períodos de
SEC de até 20 minutos podem raramente ocorrer
em registros de baixa voltagem; consequentemente, alguns
autores sugerem que o registro deve durar pelo menos
30 minutos, para ter certeza de que não se perdeu
uma atividade cerebral intermitente de baixa voltagem.
Entretanto, esta é uma situação
bastante incomum e mais voltada ao registro do EEG de
prematuros ou de recém-nascidos patológicos.
Em adultos, se for afastado o uso de drogas depressoras
do sistema nervoso central, esse critério pode
ser bastante discutido. Os registros iniciais para diagnóstico
do SEC chegavam a durar 2 horas; ulteriormente, o tempo
foi abreviado para 1 hora e depois para 30 minutos.
Essa redução foi baseada no critério
de que, “se nos primeiros 30 minutos ocorresse
o SEC, nunca havia sido observada qualquer atividade
nos 30 minutos seguintes”. Esse raciocínio
poderia ser estendido até para os 5 minutos iniciais
ou mesmo para 1 minuto! No entanto, o registro do EEG
se baseia em amostragem e são bem conhecidos
os riscos de amostras muito reduzidas. Na verdade, não
foram realizados estudos prospectivos visando determinar
qual o tempo adequado de registro e, por enquanto, seria
sensato adotar uma atitude mais conservadora, sempre
apoiada nos dados clínicos. Recomenda-se obter
um registro contínuo por pelo menos 30 minutos.
6. Os filtros devem ser usados de forma judiciosa
na avaliação do SEC.
Para
se evitar atenuação tanto de atividade
rápida como de atividade lenta de baixa voltagem,
sempre que possível, não se deve colocar
os filtros de alta freqüência abaixo de 30Hz
e os filtros de baixa freqüência acima de
1 Hz. Sabe-se que constantes de tempo curtas (ou filtros
de baixa freqüência elevados) atenuam os
potenciais lentos e, na situação próxima
ao SEC, pode haver um predomínio de potenciais
nas faixas lentas, deIta principalmente; por essa razão,
deve-se evitar a atenuação dessas freqüências.
Recomenda-se manter os filtros entre 0,5-70 Hz pelo
menos em parte do registro; o filtro de baixa freqüência
de 0,5 Hz equivale a uma constante de tempo de 0,3 s.
Pode-se
usar sem receio o filtro de entalhe (ou de corte) de
60 Hz, que corta as freqüências na faixa
de 60 Hz; entretanto, com boas instalações
elétricas (bom fio terra na UTI), frequentemente
não há necessidade de aplicar esse filtro
especial.
7.
Técnicas adicionais de monitoração
devem ser empregadas quando necessárias.
No
registro do EEG ocorre a captação de um
somatório de ondas cerebrais verdadeiras, de
outros sinais fisiológicos e de artefatos (tanto
internos como externos ao aparelho e de origem mecânica,
eletromagnética e/ou eletrostática). Naturalmente,
quando a sensibilidade é aumentada os artefatos
são também acentuados e, consequentemente,
devem ser identificados, para que se possa avaliar adequadamente
se o EEG (atividade elétrica cerebral) está
ou não presente. Deve-se enfatizar que o mais
seguro contra muitos tipos de artefatos é um
sistema estável de eletrodos com baixa impedância.
a)
Como muito raramente se vê um registro de SEC
sem grandes quantidades de artefatos de EKG (potenciais
cardíacos), um monitor de sinais cardíacos
será importante.
b)
Se o artefato produzido pelo respirador não puder
ser eliminado, ele deverá ser documentado através
de anotação no registro (pela técnica)
ou então ser monitorizado por meio de transdutores.
Pode-se identificar com segurança este artefato
desconectando por curto período (menor de 10
segundos) o respirador.
c)
Frequentemente necessita-se de um monitor adicional
para outros artefatos originados do paciente ou induzidos
pelo meio ambiente; recomenda-se colocar um par de eletrodos
no dorso da mão direita, separados por 6 a 7
cm.
d)
Sabe-se que contaminações por potenciais
musculares podem persistir em pacientes com registro
de SEC. Se os potenciais musculares forem de tal amplitude
que impeçam a visualização do traçado,
pode ser necessário reduzi-los ou eliminá-los
com o uso de um agente bloqueador neuromuscular como
Pavulon (brometo de pancurônio) ou Quelicin (succinilcolina)
Este procedimento deve ser efetuado sob orientação
de um anestesista ou de outro médico familiarizado
com o uso da droga.
e) O ruído do aparelho e a interferência
externa podem ser convenientemente checados por um “paciente
falso”, isto é, um resistor de 10000 ohms
entre a entrada G1 e a entrada G2 de um canal.
f)
Contudo, mesmo com técnica adequada, registrar
um EEG com a sensibilidade elevada anteriormente especificada
pode às vezes deixar o eletrencefalografista
em consideráveis dificuldades. Nesse caso, deve-se
tentar determinar qual parte do registro é resultante
de sinais fisiológicos não- cerebrais
ou é resultante de artefatos não-fisiológicos,
inclusive no nível constante de ruído
do sistema completo na UTI (indicado por exemplo, pelo
registro do dorso da mão); a seguir, deve-se
fazer uma estimativa se a atividade restante (EEG) excede
ou não 2 µV em amplitude. Se isso não
puder ser feito de modo confiável, o relatório
do EEG deve indicar claramente as incertezas e o registro
não poderá ser definitivamente classificado
como demonstrando SEC.
8) Não deve haver reatividade
no EEG a estímulos sômato-sensitivos, auditivos
ou visuais, mesmo intensos.
No
estudo colaborativo norte-americano não ocorreram
situações com reatividade a estímulos
em registros de pacientes com SEC. Qualquer atividade
no EEG que pareça resultante dos estímulos
acima citados ou de quaisquer outros (lembrar que aspiração
das vias respiratórias ou outros procedimentos
de enfermagem podem representar estímulos potentes)
tem que ser cuidadosamente distinguida dos sinais fisiológicos
não-cerebrais e dos artefatos não-fisiológicos.
A
estimulação pode também auxiliar
no estabelecimento do grau de reatividade dos registros
que não forem caracterizados como SEC.
Podem
ser citados como exemplos de estímulos usados
de rotina: auditivo (chamar o nome, palmas etc.); visual
(abertura passiva dos olhos, estimulação
luminosa intermitente, etc.); sômato-sensitivo
(doloroso táctil, etc.). Durante certa época
também era recomendada de rotina a compressão
dos globos oculares, visando observar se ocorria diminuição
de freqüência cardíaca através
de reflexos vagais, a mostrar integridade de vias reflexas
no tronco cerebral. Recomenda-se que o serviço
padronize e utilize sempre os mesmos estímulos
na avaliação do SEC; por exemplo palmas
abertura / fechamento passivo dos olhos, doloroso.
Uma
outra maneira mais especializada para avaliar as respostas
do sistema nervoso a estímulos consiste em executar
os potenciais evocados visuais, auditivos e sômato-sensitivos;
notar que, qualitativa C quantitativamente o registro
dos potenciais evocados não pode ser considerado
igual à avaliação da reatividade
no EEG e, portanto os métodos não deveriam
ser excludentes.
9. Os registros devem ser feitos por pessoal técnico
qualificado
A
adequada competência é essencial ao se
registrar casos com suspeita de SEC. Os registros são
frequentemente feitos em circunstâncias difíceis
e incluem muitas possíveis fontes de artefatos.
A
eliminação da maioria dos artefatos e
a identificação de outros deve ser executada
por um técnico qualificado. É necessário
treinamento específico dirigido a esta área,
que vai nitidamente além do treinamento geral
obrigatório; o registro do EEG na suspeita do
SEC não é um registro que possa ser obtido
por pessoal técnico não qualificado.
O
técnico deve trabalhar sob a direção
de um neurofisiologista clínico com área
de atuação em eletrencefalografia. E o
médico deve estar presente na ocasião
do registro. Também é muito importante
a qualificação do especialista, pois nem
todos os médicos com atuação na
área de eletrencefalografia têm a adequada
experiência do trabalho em situações
de terapia intensiva ou de sala de urgência.
10. A repetição do EEG somente deve ser
efetuada se houver dúvidas clínicas ou
dúvidas sobre a existência de SEC.
No
estudo colaborativo norte-americano sobre a morte encefálica
não houve paciente que sobrevivesse depois que
o EEG apresentou SEC, desde que hipotermia ou superdosagem
de drogas depressoras do sistema nervoso central fossem
excluídas. Como regra geral, uma vez detectada
a morte encefálica utilizando os critérios
clínicos neurológicos e com EEG confirmatório,
ocorre falência cárdio-circulatória
em curto prazo, que vai de horas a poucos dias; sobrevindo
essa falência, logo ocorre parada cardíaca.
Entretanto, como toda regra, essa também comporta
exceções e há descrição
de sobrevivência somática prolongada (até
cerca de 2 e meio meses) após a ocorrência
de morte encefálica.
Existe
atualmente bastante experiência para se afirmar
que, em adultos e em crianças acima de 2 anos
de idade, um único EEG apresentando SEC, na vigência
do quadro neurológico compatível, pode
representar procedimento altamente confiável
na determinação da morte encefálica.
Portanto, a repetição do EEG deve somente
obedecer a critérios clínicos e o intervalo
não deve ser preestabelecido, a não ser
levando em consideração todos os dados
disponíveis. Não há necessidade
de se repetir rotineiramente o EEG para estabelecer
o diagnóstico de morte encefálica. Também
é importante enfatizar que o EEG, como exame
complementar, seguramente não pode substituir
o exame clínico neurológico.
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