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Introdução
Apesar da importante
prevalência do Transtorno do Humor Bipolar (THB)
(em torno de 1% da população e de até
3 a 6% se utilizado o conceito de “espectro bipolar”
e da grande morbi-mortalidade a ele associada, apenas
seis instrumentos voltados para a avaliação
do estado maníaco pelo clínico foram até
hoje desenvolvidos 2-7. Dentre esses instrumentos, a
maioria apresenta limitações metodológicas
que restringem sua utilidade clínica e diagnóstica8.
Por exemplo, muitas destas escalas não foram
testadas para várias qualidades psicométricas;
o construto conceitual da maioria destes instrumentos
baseia-se, em geral, apenas na clássica apresentação
de mania eufórica, e os sintomas psicóticos
são pouco valorizados. Em países de língua
portuguesa, a situação é ainda
mais problemática, na medida em que há
apenas um instrumento de avaliação da
mania validado que é a Escala de Mania de Young
– modificada para o português. A escala
de Young foi criada em 1978 e é, ainda hoje em
dia, a mais utilizada em ensaios clínicos que
avaliam novas drogas anti-maníacas. Apesar de
ser uma escala bastante fácil de ser usada, esta
escala possui uma série de limitações
metodológicas.
Dessa forma, os
autores do presente estudo, desenvolveram a versão
em português da “Clinican-Administered Rating
Scale for Mania” (CARS-M) de Altman e colaboradores,
a fim de disponibilizar em nossa Língua mais
um instrumento de avaliação do estado
maníaco, além de ser a escala de mania
mais recentemente elaborada. Ainda que esta escala tenha
sido validada para a amostra de pacientes em que se
originou, aguardam-se, a partir de agora, estudos testando
a sua validade em nosso meio. A escala em português
chamar-se-á Escala Administrada pelo Clínico
para Avaliação de Mania (EACA-M) ou “Escala
de Mania de Altman – Versão administrada
pelo clínico”. Dessa forma, os objetivos
desse artigo são: (1) descrever a metodologia
de elaboração da versão em português
da CARS-M, (2) transmitir as impressões dos profissionais
que a utilizaram e (3) disponibilizar a escala na íntegra
em língua portuguesa (Anexo 1).
Métodos
Procedimentos
para adaptação da CARS-M para ser utilizada
em nosso meio
Inicialmente,
um grupo formado por 2 psiquiatras e 3 acadêmicos
de medicina brasileiros traduziu, com permissão
do autor principal, a escala original para o português.
Em seguida, uma tradutora especializada fez a versão
dessa escala do português para o inglês
(back-translation). Essa versão em inglês
foi, então, enviada para o primeiro autor da
CARS-M ( Edward Altman) para que ele a confrontasse
com a escala original em inglês. As discrepâncias
encontradas foram discutidas entre o autor e o grupo
brasileiro com trocas de e-mails a partir do que foi
obtida a tradução definitiva para o português.
Esse procedimento, abrangendo a um só tempo o
conhecimento dos dois idiomas e do construto clínico
de mania, favoreceu a obtenção de uma
versão equivalente à original, tanto do
ponto de vista da estrutura lingüística,
quanto do ponto de vista do conteúdo semântico.
Desenvolvimento
da Versão Original em Inglês da Escala
A
escala descrita no presente artigo, intitulada “Clinician-Administered
Rating Scale for Mania” (CARS-M), foi desenvolvida
para ser aplicada na forma de uma entrevista semi-estruturada
breve conduzida pelo clínico. A CARS-M investiga
a presença versus a ausência de sintomas
maníacos, sua severidade e sua mudança
em resposta ao tratamento. Ela é derivada primariamente
da “Schedule for Affective Disorders and Schizophenia”
(SADS) e contém 15 itens cuja pontuação,
em seis graus, pode variar entre 0 (ausente) e 5 (extremo);
um dos itens da escala (insight) pode ser pontuado entre
0 a 4. Esses itens foram selecionados da SADS com base
na sua habilidade em caracterizar a apresentação
maníaca. Dentre estes, estão incluídos
todos os sintomas maiores listados na definição
de THB em fase maníaca do DSM-III-R, além
de itens que avaliam a presença de sintomas psicóticos
como alucinações e delírios. Itens
específicos para depressão e ansiedade
foram excluídos de forma proposital, pois são
provavelmente melhor avaliados por escalas específicas,
como, por exemplo, pela Escala de depressão de
Hamilton. Por fim, diferentemente de muitas escalas,
a maioria dos itens contém perguntas padronizadas
que auxiliam o clínico na coleta das informações.
A CARS-M é administrada, em geral, em 15 a 30
minutos, e sua pontuação contempla aspectos
outros que não apenas os relatados pelo paciente
ou observados pelo entrevistador (como, por exemplo,
o comportamento do paciente observado pela equipe da
Unidade de Internação, fora da entrevista).
O período de tempo para a avaliação
dos sintomas refere-se geralmente aos sete últimos
dias, ainda que possua ser mais curto se for necessário
para propósitos clínicos ou de investigação.
Propriedade
Psicométricas da Escala Original
As
informações apresentadas abaixo são
oriundas do artigo de validação da versão
original da EACA-M em inglês: CARS-M (para maiores
detalhes vide Altman et al, 1994).
A)
Avaliação da Confiabilidade
A.1) Confiabilidade
Inter-avaliadores
A confiabilidade inter-avaliadores
foi determinada a partir da pontuação
– por parte de dois psiquiatras, um psicólogo
e dois assistentes de pesquisa – de 14 entrevistas
filmadas com paciente portadores de diversos transtornos
psiquiátricos (incluindo esquizofrenia (n=3),
depressão maior (n=2), THB em fase maníaca
(n=8) e THB em fase depressiva (n=1)). Desses pacientes,
oito eram do sexo masculino, e seis do sexo feminino,
sendo que sua idade variou de 18 a 49 anos. Todos eles
haviam sido internados devido à agudização
de seu quadro clínico, tendo sido entrevistados
antes do início do tratamento.
O
Coeficiente de Correlação Intraclasse
(ICC) – que avalia a confiabilidade inter-valiadores
– dos itens da CARS-M entre os cinco pontuadores
para um dos 14 pacientes entrevistados variou de 0.54
a 0.99, com uma média de 0.81. O ICC da avaliação
dos oito pacientes maníacos variou de 0.54 a
0.97, com uma média de 0.80. Além disso,
foi investigada, entre os mesmos cinco pontuadores,
a confiabilidade de cada um dos 15 itens individuais
da CARS-M. A análise indicou uma excelente concordância
entre os pontuadores para a grande maioria dos itens
(variou de 0,66 a 0,94, com uma média de 0,83).
Por fim, a ICC para os escores totais da CARS-M foi
de 0.93. Esses resultados demonstram que a CARS-M apresenta
uma excelente confiabilidade inter-avaliadores.
A.2)
Confiabilidade Teste-Reteste
A
Confiabilidade teste-reteste foi determinada em uma
outra amostra com 36 pacientes (16 pacientes bipolares
e 20 não bipolares). Dois avaliadores pontuaram
de forma independente estes pacientes logo após
sua admissão e em dias separados (média
de dois dias entre as duas pontuações).
Após a análise,
a confiabilidade teste-reteste da CARS-M entre os pacientes
bipolares (n=16), utilizando-se coeficiente de correlação
de Pearson, foi, respectivamente, de 0.78 (p<0.01)
e 0.95 (p<0.01) para o fator 1 (sintomas maníacos)
e para o fator 2 (sintomas psicóticos) (ver adiante).
B)
Avaliação da Validade
B.1) Validade de
Conteúdo
A
validade de conteúdo da CARS-M justifica-se por
ela derivada da SADS (Schedule for Affective Disorders
and Schizophrenia).
B.2)
Validade Concorrente de Construto
A
validade concorrente foi medida através do coeficiente
de correlação de Pearson entre os escores
totais da CARS-M e os da Young Mania Rating Scale (YMRS)
em uma terceira amostra de 96 pacientes (sendo 24 com
esquizofrenia, 26 com depressão maior, 27 com
THB em fase maníaca, 5 com THB em episódio
misto e 14 com transtorno esquizoafetivo). A correlação
entre os escores foi de 0.94, indicando que a CARS-M
apresenta excelente validade concorrente.
B.3)
Análise dos Componentes Principais
A
análise dos componentes principais, na amostra
dos 96 pacientes anteriormente citados, revelou a presença
de dois fatores proeminentes na CARS-M que foram responsáveis
por 49% da variância total. O primeiro deles,
identificado como fator “mania”,consiste
dos itens 1 a 10 e avalia sintomas classicamente maníacos.
O segundo fator, identificado como “psicose”,
consiste dos itens 11 a 15 e avalia sintomas predominantemente
psicóticos.
Diferente
de todas as outras escalas de mania, a análise
estatística da CARS-M possibilitou gerar os seguintes
pontos de corte para os escores do Fator 1 (“mania”):
0-7, mania questionável ou ausente; 8-15, mania
leve; 16-25, mania moderada; e 26 ou mais sintomas maníacos
severos. Isto permite ao clínico uma aproximação
mais objetiva no sentido de quantificar a apresentação
sintomatológica de determinado paciente.
Cabe
ressaltar que os dois fatores obtêm pontuações
diferenciadas: uma pontuação para mania
(Fator1) e outra para psicose (Fator 2). Estas pontuações
são independentes e, ainda que se possa somá-las
para se obter um fator geral de mania, não é
aconselhado realizar esta soma, tanto do ponto de vista
psicométrico, quanto do clínico.
B.4) Consistência
Interna
Os
coeficientes a de Cronbach dos dois fatores da CARS-M
foram, respectivamente 0.88 (fator 1) e 0.63 (fator
2), indicando excelente confiabilidade para o fator
“mania” e confiabilidade regular para o
fator “psicose”.
Impressão
dos profissionais que utilizaram a EACA-M
A
versão em português da Escala Administrada
pelo Clínico para Avaliação de
Mania (EACA-M) mostrou ser este um instrumento bastante
fácil e objetivo de ser utilizado. As “âncoras”
explicativas que existem em cada item proporcionam uma
segurança maior ao entrevistador, o que não
ocorre na grande maioria de escalas existentes em psiquiatria.
Estas explicações aparecem tanto como
definições conceituais ao lado do título
de cada item, como também aparecem na forma de
exemplos em cada um dos níveis de severidade.
Isto facilita enormemente a tarefa de pontuação.
Ao final de cada item, há perguntas ou orientações
que, além de serem extremamente úteis,
tornam mais objetiva a entrevista com o paciente e permitem
uma maior homogeinização na inquisição
e aferição dos sintomas. Ainda, a divisão
da avaliação em sintomas mais caracteristicamente
maníacos distintos dos ditos sintomas psicóticos,
possibilita uma visão psicopatológica
mais rica e definida da apresentação de
uma síndrome maníaca. Finalmente, soma
dos escores totais do Fator 1 em mania questionável,
leve, moderada e severa permite ao avaliador confrontar
a sua impressão clínica com uma medida
mais objetiva. Por tudo isso, os profissionais que utilizamos
a EACA-M neste primeiro momento percebemos esta escala
como sendo um instrumento com muito bom potencial, de
fácil manejo e que possibilita uma ampla avaliação
de um quadro maníaco. Resultados objetivos das
qualidades psicométricas da versão em
português da EACA-M serão objeto de futuras
publicações.
Adaptação
da CARS-M para outras línguas
Existe
apenas um único estudo de adaptação
da escala para outra língua que não a
língua inglesa original. Foi realizado um estudo
na Espanha, de adaptação da CARS-M para
o espanhol, no qual foram utilizados 24 pacientes (9
homens e 15 mulheres), sendo 19 internados e 13 ambulatoriais,
em um total de 81 entrevistas. Neste estudo, a consistência
interna da subescala de mania (Fator 1), medida pelo
coeficiente a de Cronbach, foi bastante alta, de 0,91
(variando entre os diferentes itens entre 0,49 a 0,78).
Já a confiabilidade inter-avaliadores avaliada
pelo Coeficiente de Correlação Intra-Classe
(ICC) desta subescala de mania, foi de 0,94 (variando
entre os diferentes itens entre 0,77 a 0,93) e de 0,90
(variando entre 0,55 e 0,95) para a subescala de psicose
(Fator2). Estes resultados são considerados bastante
satisfatórios e praticamente os mesmos do artigo
original. Este artigo em espanhol, entretanto, não
realiza uma análise dos componentes principais
e baseia toda a sua avaliação psicométrica
no resultado da análise dos componentes principais
do artigo original (que encontrou o Fator 1 de “mania”
e o Fator 2 de “psicose”), comparando resultados
nestas duas prováveis subescalas. Apesar de os
colegas espanhóis produzirem um artigo consistente,
é temerário analisar os dados simplesmente
replicando uma possível estrutura (mas não
comprovada por mais estudos) desta escala, a partir
da análise original dos componentes principais,
na qual ele possuiría as duas subescalas de mania
e de psicose. De qualquer forma, é interessante
observar os bons resultados que a versão em espanhol
apresenta.
Discussão
A
escala de mania de Altman e colaboradores (CARS-M) representa
um avanço em relação às
demais escalas que avaliam o estado maníaco.
Isto se dá não apenas por ela ser a escala
mais recentemente elaborada mas, e principalmente, pela
forma como foi concebida e avaliada. Desta forma, a
CARS-M é considerada como sendo o instrumento
de avaliação do estado maníaco
com as melhores propriedades psicométricas citadas
até os dias de hoje. Diferentemente da escala
de Young, que é hoje considerada a escala “padrão”
em estudos com pacientes bipolares (em especial, em
estudos que envolvam comparação entre
drogas), a CARS-M preencheu desde sua elaboração
uma série de pré-requisitos que hoje são
exigidos quando da criação de uma nova
escala. A começar pela sua validação
de conteúdo, que se deriva de um instrumento
já reconhecido pela comunidade científica:
o SADS. O conteúdo que originou a escala de Young
derivou de revisão da literatura e da experiência
clínica dos autores no ano de 1978. Em função
disso, está última escala apresenta falhas
na avaliação de sintomas tão importantes
em apresentações maníacas, como
os sintomas psicóticos, por exemplo, que são
pontuados em apenas um dos 11 itens da escala. Além
disso, a escala de Young faz uma escolha absolutamente
arbitrária de três itens que recebem pontuação
maior do que os oito restantes. Em relação
à confiabilidade inter-avaliadores, a CARS-M
apresenta resultados bem consistentes, utilizando-se
do Coeficiente de Correlação Intraclasse
(ICC), que é hoje considerado o melhor padrão
de mensuração desta qualidade psicométrica.
Já a escala de Young, na sua versão original,
avaliou esta confiabilidade através de outros
parâmetros não mais aceitos como tão
adequados hoje em dia. Por outro lado, foi realizado
em nosso meio um estudo de validação desta
escala muito bem conduzido por Vilela e Loureiro. Este
estudo brasileiro empregou o ICC para avaliar este aspecto
e demonstrou excelente confiabilidade inter-avaliadores.
Em relação à avaliação
de sua validade, a CARS-M apresenta excelentes resultados
quando são avaliadas a sua consistência
interna e validação concorrente, assim
como apresenta uma análise dos componentes principais
bastante interessante com dois fatores diversos. É
a primeira escala de avaliação de mania
que, a partir da análise dos componentes principais,
apresenta dois fatores distintos clinicamente importantes:
o fator de sintomas classicamente maníacos e
o fator com sintomas psicóticos. Isto é
particularmente importante quando se valoriza cada vez
mais a complexidade das diversas apresentações
no THB, assim como também é importante
na distinção entre os efeitos antimaníacos
e/ou antipsicótico de novas drogas que vêm
sendo testadas no THB (como, por exemplo, os antipsicóticos).
O trabalho original da escala de Young não realizou
uma análise dos componentes principais, tarefa
esta que foi realizada por nossos colegas brasileiros
quando da validação deste instrumento
em nosso meio. Entretanto, alguns trabalhos de análise
dos componentes principais com a escala de Young, realizados
nos últimos anos, têm divergido em seus
resultados.
Entretanto,
apesar do avanço que a CARS-M representa em relação
às escalas anteriormente criadas e dos cuidados
na sua elaboração, alguns pontos merecem
críticas. Primeiro, dos 14 pacientes no estudo
inicial da confiabilidade inter-avaliadores, apenas
8 eram efetivamente maníacos. Segundo, dos 36
pacientes descritos nos segundo estudo de confiabilidade
teste-reteste, apenas 16 eram bipolares. Terceiro, na
amostra de 96 pacientes a partir da qual foram realizadas
a validade concorrente a análise dos componentes
principais e a consistência interna, apenas 27
eram pacientes bipolares em fase maníaca. Estudos
com amostras maiores são esperados. Apesar destas
críticas (em especial no que diz respeito à
pouco representação relativa de pacientes
maníacos nas amostras estudadas), a concepção
da escala e a avaliação criteriosa de
sua qualidades psicométricas tornam esta escala
– do ponto de vista teórico - a escala
de mania melhor elaborada até agora. Quando ela
foi comparada à escala de Young, no artigo que
a originou, a mesma apresentou resultados bastante semelhantes
na avaliação de pacientes maníacos.
Mais estudos, portanto, comparando a CARS-M a outras
escalas de mania são aguardados para confirmar
ou não, em diferentes amostras, as suas qualidades
psicométricas.
Em
relação a sua versão em português
– a EACA-M – todos os cuidados foram tomados
para que a mesma mantivesse em outro língua as
suas características originais, tanto do ponto
de vista da estrutura lingüística, quanto
do ponto de vista do conteúdo semântico.
Para tanto, os autores do presente artigo preocupam-se
em realizar todas as etapas necessárias para
este fim, a saber: a) painel bilíngüe de
tradução e discussão de todos os
itens; b) retrotradução por pessoa habilitada
e com larga experiência em versões de escalas
em nosso meio; c) envio ao próprio autor da escala
da nova versão em inglês originada a partir
da sua tradução para o português;
d) discussão com o autor dos pontos pendentes
bem como nova discussão entre os participantes
do grupo de pesquisadores brasileiros até se
chegar a um consenso.
A
utilização da EACA-M foi considerada bastante
fácil pelos avaliadores brasileiros. As “âncoras
explicativas” permitem definir claramente o que
a escala pretende avaliar em cada item, tornando, com
isso, o trabalho de avaliação mais criterioso.
Por fim, os pontos de corte apresentados pela escala
(sem mania, mania leve, moderada e severa) auxiliam
o investigador a comparar a sua impressão clínica
com uma medida mais objetiva. Com isso, entende-se que
a versão que agora está sendo disponibilizada
à comunidade científica de língua
portuguesa é a mais próxima possível
da escala original.
Conclusões
Sendo
o THB um transtorno prevalente, urge a elaboração
e a disponibilização de instrumentos que
possam melhor avaliar a apresentação maníaca,
da mesma forma como já existem alguns instrumentos
para avaliação da depressão. Em
nosso meio, temos apenas a versão já validada
em português da escala de Young modificada (EAM-m).
Ainda que esta seja a escala mais amplamente utilizada
em ensaios clínicos, algumas críticas
sobre ela vêm gradativamente ocorrendo na comunidade
científica, em especial sobre a validade de seu
conteúdo em relação à complexidade
das apresentações de uma avaliando as
suas propriedades psicométricas. Neste sentido,
o surgimento de novas escalas para avaliação
do estado maníaco, em especial com maior rigor
metodológico – tanto na sua elaboração,
quanto na avaliação de seus parâmetros
psicométricos – é sempre bem-vindo.
A CARS-M preenche muitos destes critérios. A
sua versão em português – denominada
de EACA-M – vem, portanto, preencher este espaço
na comunidade científica de língua portuguesa
a partir de uma versão bem cuidada e com a anuência
do próprio autor da escala original. Desta forma,
os autores do presente trabalho esperam estar disponibilizando
uma nova escala de mania em português, que apresenta
robustez nas suas qualidades psicométricas em
sua versão original em inglês. Aguardam-se
estudos em nosso meio testando se estas qualidades psicométricas
confirma-se-ão ou não em português.
Finalmente, os autores do presente artigo esperam que
a mesma possa ser utilizada em nosso meio, tanto na
comunidade acadêmica para fins de pesquisa, quanto
na clínica psiquiátrica, servindo como
mais um instrumento a melhor guiar a prática
diária do clínico que lida no cotidiano
com pacientes maníacos.
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