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sadismo - Ver Sadomasoquismo.

sadomasoquismo (F65.5) - Transtorno da preferência sexual (parafilía) no qual a atividade sexual preferida envolve a inflição de dor, humilhação ou servidão. Se o indivíduo prefere ser o objeto de tal estimulação, i.é. chamado masoquismo; se é o executor, sadismo. Freqüentemente o indivíduo obtém excitação sexual de ambas as atividades, sádicas e masoquistas.

salada de palavras - Mistura de palavras e frases que não apresenta um sentido compreensível ou coerência lógica, geralmente vista nos estado de esquizofrenia.

satiríase - Impulso sexual excessivo no homem.

saúde mental - Estado relativo em vez de absoluto. Os melhores indicadores de saúde mental são o sucesso simultâneo no trabalho, amor e criatividade, com uma capacidade para resolução madura e flexível dos conflitos entre instintos, consciência, outras pessoas importantes e a realidade.

secundário, ganho - Ganho externo derivado de qualquer doença, tal como atenção e atendimento pessoal, vantagens financeiras, benefícios por incapacitação e dispensa de responsabilidades desagradáveis.

sedativo - Qualquer substância que diminua a atividade de um órgão ou função; mais especificamente, a classe de substâncias farmacológicas que moderam a exitação e induzem um estado de calma pela sua ação depressora sobre o sistema nervoso central. Em altas dosagens pode induzir sono e anestesia geral. Ver Hipnótico; Sedativo/Hipnótico; Transtorno por uso de Substância Psicoativa.

sedativo/hipnótico - Qualquer depressor do sistema nervoso central com a capacidade de aliviar a ansiedade e induzir tranqüilidade e sono. Várias dessas drogas também induzem amnésia e relaxamento muscular e/ou têm propriedades anticonvulsivantes. Os principais sedativos/hipnóticos incluem os benzodiazepínicos e os barbitúricos. Também estão incluídos o álcool, a buspirona, o hidrato de cloral, o acetilcarbromal, a glutetimida, a metiprilona, o etclorvinol, o etinamato, o meprobamato e a metaqualona. Algumas autoridades usam o termo sedativo/hipnótico apenas para uma subclasse dessas drogas usada para acalmar pessoas com ansiedade aguda ou para induzir o sono; neste sentido, distinguem-nas dos tranqüilizantes (menores) usados para o tratamento da ansiedade crônica.

Os barbitúricos têm uma estreita margem de segurança entre doses terapêuticas e doses tóxicas e são letais em doses excessivas. O risco de abuso é alto; a dependência física, incluindo a tolerância, desenvolve-se rapidamente. O hidrato de cloral, o acetilcarbromal, a glutetimida, a metiprilona, o etclorvinol, e o etinamato também possuem alto risco de dependência física e abuso, além de serem altamente letais em doses excessivas. Devido a estes riscos, nenhum sedativo/hipnótico deveria ser usado de forma crônica para o tratamento da insônia.

Todos os sedativos/hipnóticos podem prejudicar a concentração, a memória e a coordenação; outros efeitos freqüentes são ressaca, fala ininteligível, falta de coordenação, marcha instável, sonolência, boca seca, diminuição da motilidade gastrintestinal, labilidade de humor. Uma reação paradoxal de excitação ou raiva pode ocorrer, ocasionalmente. O tempo que antecede o início do sono é reduzido, mas há supressão de sono REM. A supressão da droga pode produzir um rebote de sono REM e deterioração dos padrões de sono. Em conseqüência, pacientes tratados por um longo período podem tornar-se dependentes psicológicos e físicos da droga, mesmo que nunca tenham excedido a dose prescrita. As reações de abstinência podem ser graves e ocorrer após umas poucas semanas de uso moderado de um sedativo/hipnótico ou de uma droga ansiolítica. Os sintomas de abstinência incluem ansiedade, irritabilidade, insônia (freqüentemente com pesadelos), náusea ou vômito, taquicardia, sudorese, hipotensão ortostática, alucinações, cãibras musculares, tremores e mioclonias, hiper-reflexia e convulsões generalizadas que podem evoluir para um estado de mal epiléptico fatal.

senium - Período da idade avançada no ciclo da vida.

seqüela de ferimento intracraniano - Vasta gama de disfunções neurológicas, cognitivas, afetivas e comportamentais atribuídas a traumatismo na cabeça, mas significativamente influenciadas, na sua expressão, pela personalidade anterior e por uma série de fatores sociais. Uma vez que estes são os problemas que mais freqüentemente dão origem a pedidos de indenização e a outros litígios, a avaliação de cada caso individual requer uma capacidade clínica considerável. Ver Síndrome Pós-Concussional.

sensação - Em seu significado preciso, a sensação é um fenômeno psíquico elementar que resulta da ação de estímulos externos sobre os nossos órgãos dos sentidos. Entre o estado psicológico atual e o estímulo exterior há um fator causal e determinante ao qual designamos sensação, portanto, deve haver uma concordância entre as sensações e os estímulos que as produzem. As sensações podem ser classificadas em três grupos principais: externas, internas e especiais.

As Sensações Externas são aquelas que refletem as propriedades e aspectos de tudo, humanamente perceptível, que se encontra no mundo exterior. Para tal nos valemos dos órgãos dos sentidos; sensações visuais, auditivas, gustativas, olfativas e táteis. A resposta específica (sensação) de cada órgão dos sentidos aos estímulos que agem sobre eles é conseqüência da adaptação desse órgão a esse tipo determinado de estímulo.

As Sensações Internas refletem os movimentos de partes isoladas do nosso corpo e o estado dos órgãos internos. Ao conjunto dessas sensações se denomina sensibilidade geral. Discretos receptores sensitivos, captam estímulos proprioceptivos, que indicam a posição do corpo e de suas partes, enquanto outros, que recebem estímulos denominados cinestésicos, são responsáveis pela monitorização dos movimentos, auxiliando-nos a realizar outras atividades cinéticas, segura e coordenadamente. Os receptores dessas sensações se acham localizados nos músculos, nos tendões e na superfície dos diferentes órgãos internos. Portanto, esse grupo engloba três tipos de sensações: motoras, de equilíbrio e orgânicas.

A Sensação Especial se manifesta sob a forma de sensibilidade para a fome, sede, fadiga, de mal-estar ou bem-estar. Essas sensações internas vagas e indiferenciadas que nos dão a sensibilidade de bem-estar, mal-estar, etc., têm o nome de cenestesia. No processo do conhecimento e do auto-conhecimento objetivo as sensações ocupam o primeiro grau. São as sensações que nos relacionam com nosso próprio organismo, com o mundo exterior e com as coisas que nos rodeiam. O conhecimento do mundo exterior resulta das sensações dele captadas e quanto mais desenvolvidos forem os órgãos dos sentidos e o sistema nervoso do animal, mais delicadas e mais variadas serão as suas sensações.

senescência e senilidade - Senescência é uma fase normal da vida de um indivíduo sadio; geralmente inicia-se depois dos 65 anos e não é manifestação doentia; na senescência não ocorrem distúrbios de condutas, amnésias, perda do controle de si mesmo; em outras palavras, é o velho sadio. Senilidade é doença, também conhecida como demência, onde o idoso (às vezes acomete adultos jovens) perde a capacidade de memorizar, prestar atenção, não consegue mais se orientar, fala sem nexo, vai limitando sua vida ao leito, e chega a perder o controle de urinar e defecar. Só 5% dos velhos padecem de senilidade.

sensório – Sinônimo de consciência. Inclui os poderes de percepção sensorial e sua correlação central e integração no cérebro. Um sensório claro transmite a presença de uma memória razoavelmente aguçada juntamente com a orientação para tempo, lugar e pessoa.

separação - individuação - Consciência psicológica da própria individualidade, descrita por Margaret Mahler como uma fase no relacionamento mãe-filho que se segue ao estágio simbólico. No estágio de separação individuação, a criança começa a perceber a si mesmo como distinta da mãe e desenvolve um senso de identidade individual e uma imagem do self como objeto.

serotonina  - A Serotonina é uma substância chamada de neurotransmissor, existe naturalmente em nosso cérebro e, como tal, serve para conduzir a transmissão de uma célula nervosa (neurônio) para outra.

Atualmente a Serotonina está intimamente relacionada aos transtornos do humor, ou transtornos afetivos e a maioria dos medicamentos chamados antidepressivos agem produzindo um aumento da disponibilidade dessa substância (tornam ela mais disponível) no espaço entre um neurônio e outro.

Para se ter uma noção da influência bioquímica sobre o estado afetivo das pessoas, basta lembrar dos efeitos da cocaína, por exemplo. Trata-se de um produto químico atuando sobre o cérebro e capaz de produzir grande sensação de alegria, ou seja, proporciona um estado emocional através de uma alteração química. Outros produtos químicos, ou a falta deles, também podem proporcionar alterações emocionais.

Pensando nisso, em meados desse século a medicina começou a suspeitar ser muito provável a existência de substâncias químicas atuando no metabolismo cerebral capazes de proporcionar o estado depressivo. Isso resultou, nos conhecimentos atuais dos neurotransmissores e neuroreceptores, muitíssimo relacionados à atividade cerebral. Alguns desses neurotransmissores, notadamente a serotonina, noradrenalina e dopamina, estão muito associados ao estado afetivo das pessoas. Assim sendo, hoje em dia é mais correto acreditar que o deprimido não é apenas uma pessoa triste, aliás, alguns deprimidos nem tristes ficam. É mais acertado acreditar nos deprimidos como pessoas que apresenta um transtorno da afetividade, concomitante ou proporcionado por uma alteração nos neurotransmissores e neuroreceptores.

sexo, identidade do – Senso íntimo de masculinidade ou feminilidade que identifica a pessoa sendo masculina, feminina ou ambivalente. Deve ser diferenciado de identidade sexual que é biologicamente determinada.

sexo, papel do - Imagem que uma pessoa apresenta aos outros e a si mesma, que a identifica como menino ou menina, homem ou mulher. O papel do sexo é a declaração pública da identidade do sexo, mas os dois não coincidem, necessariamente.

sexualidade - Este é um termo complexo que denota os seguintes aspectos de modo interativo: a) a escolha do parceiro sexual quanto ao seu sexo; b) a identificação psicológica da pessoa com o sexo feminino ou masculino, independente de seu sexo biológico; c) modo de atividade utilizado para obter satisfação sexual.

Segundo Laplanche e Pontalis, o termo sexualidade não designa apenas atividades e o prazer que dependem do funcionamento genital, mas toda uma série de excitações e atividades presentes desde a infância, cujo prazer é irredutível à satisfação de uma necessidade fisiológica básica. O que é sexual é da ordem do desejo, da libido.

"A questão da sexualidade começa na infância. Ao alimentar o bebê, a mãe (ou a substituta) não está apenas saciando a fome, mas há, aí, uma experiência de PRAZER: prazer da mãe que alimente, o contato corporal, a mãe que conversa e acaricia seu bebê, criando, assim, um gozo na fusão e completude entre mãe e filho. Nesta fase da vida, é impossível para o bebê distinguir a satisfação do saciamento da fome da satisfação sexual, elas coexistem. Podemos pensar a sexualidade como instâncias de satisfações físicas somadas às experiências psíquicas".

shinkei shitsu - Literalmente “traços nervosos” em japonês, uma síndrome que consiste em obsessões, perfeccionismo compulsivo, retraimento social, múltiplas queixas somáticas, sensibilidade extrema e neurastenia. Já foi descrito também entre coreanos e americanos da costa oeste. Mantém alguma semelhança com os diagnósticos de transtorno de personalidade, transtorno de ansiedade (por evitação) e fobia social da C1D-10.

sífilis congênita - Infecção do feto in útero provocada pelo Treponema pallidum, o agente causal da sífilis. As manifestações clínicas são variadas na sua forma e podem surgir a qualquer momento entre o início da infância e o começo da idade adulta.

simbiose - Relacionamento mutuamente reforçado entre duas pessoas dependentes uma da outra. Uma característica normal do relacionamento entre uma figura maternal e um bebê.

simbolizarão - Mecanismo de defesa mental, operando inconscientemente, no qual uma possua forma uma representação abstrata de um determinado objeto, idéia ou constelação. O símbolo carrega, de forma mais ou menos disfarçada, os sentimentos emocionais impostos sobre o objeto ou idéias iniciais.

simulação - Manifestação voluntária e deliberada de doença ou incapacidade para conseguir benefícios pessoais ou para evadir-se de suas obrigações. Compare com transtorno factício.

simulador - Aquele que simula doença ou incapacidade para conseguir benefícios pessoais ou para evadir-se de suas obrigações.

sinal - Uma manifestação objetiva de uma condição patológica. Os sinais são observados pelo examinador, ao Invés de relatados pelo indivíduo afetado

sinais neurológicos de lesão focal - Ver Sinais Neurológicos Focais.

sinais neurológicos focais - Fenômenos ou respostas corporais observáveis, indicativos da localização de lesões relativamente circunscritas do sistema nervoso.

sinais neurológicos sutis - Grupo mal definido de achados físicos descritos em associação com a hipotética entidade de disfunção cerebral mínima e que presumivelmente refletem imaturidade ou lesão subclínica do sistema nervoso central. Usualmente estão incluídos fenômenos, tais como falta de jeito generalizada, má acuidade visual, defeito da fala, movimentos coreiformes ou movimentos em espelho (sincinéticos), reflexos tendinosos profundos hiperativos e confusão entre esquerda e direita. Em contraste com os sinais neurológicos óbvios, não têm um significado clínico claro nem valor de localização. Ver Transtorno por Déficit de Atenção.

síncope psicogênica (F48.8) - Desmaio em que se verifica, p.ex., uma perda súbita de consciência causada por hiperventilação deliberada, massagem do seio carotídeo ou simulação. Para que urna síncope psicogênica seja diagnosticada é necessário que não existam causas orgânicas, tais como hipotensão postural, arritmia e débito cardíaco reduzido.

sincretismo
- Combinação de tradições nativas com a tradição de grupos novos ou da vizinhança, criando inovações que são distintas de ambos os grupos. Um exemplo é a mescla de práticas e símbolos animistas e monoteístas (o Espiritismo, a Umbanda, a Igreja Americana Nativa, a árvore de Natal, a quaresma, a Páscoa dos judeus, etc.). E um termo também usado em Psicologia Genética com referência ao pensamento infantil. Ver Difusão Cultural.

síndrome - Um agrupamento de sinais e sintomas com base em sua freqüente co-ocorrência, que pode sugerir uma patogênese básica, curso, padrão familial ou tratamento comuns.

síndrome amnésica induzida por álcool ou droga (F1x.6) - Perturbação crônica e proeminente da memória recente e remota, associada ao uso de álcool ou droga. A recordação imediata está usualmente preservada e a memória remota está menos perturbada do que a memória recente. Perturbações da noção de tempo e do ordenamento de eventos estão evidentes, assim como perturbações de habilidade de aprendizagem de material novo. A confabulação pode ser marcante, mas não está invariavelmente presente. Outras funções cognitivas estão relativamente bem preservadas e as alterações amnésicas estão fora de proporção com as outras perturbações. Ainda que a CID-10 use o termo “induzida”, outros fatores podem estar envolvidos na etiologia desta síndrome. A psicose (ou síndrome) de Korsakov induzida pelo álcool é um exemplo de síndrome amnésica e está freqüentemente associada à encefalopatia de Wernicke. Esta combinação é freqüentemente referida como síndrome de Wernicke-Korsakov.

síndrome amnésica orgânica (F04) - Notável perturbação da memória recente e remota, com preservação da memória imediata e redução da capacidade de aprendizagem de material inédito e desorientação temporal. A confabulação pode ser uma característica acentuada, mas a percepção e outras funções cognitivas, incluindo as intelectuais, estão intactas, em geral.

síndrome astênica pós-infecciosa - Estado transitório — que varia de leve a moderado — de depressão, fadiga, irritabilidade e sensibilidade a estímulos ambientais, após a recuperação de uma doença infecciosa, habitualmente viral. A astenia pós-gripal é o exemplo mais comumente descrito da síndrome, que pode ter uma base metabólica específica, contudo ainda não inteiramente compreendida. Sinonímia: Encefalomielite Miálgica; Fadiga Pós-Viral. Ver Neurastenia.

síndrome cerebral alcoólica - Termo genérico para uma variedade de transtornos devido ao efeito do álcool sobre o cérebro — intoxicação aguda, intoxicação patológica, síndrome de abstinência, delirium tremens, alucinoses, síndrome amnésica, demência, transtorno psicótico. Deve-se dar preferência a termos mais específicos.

síndrome da criança desajeitada - Ver Transtorno Específico do Desenvolvimento da Função Motora.

síndrome da personalidade com dor crônica - Ver Alterações Permanentes da Personalidade.

síndrome das pernas inquietas - Parestesias profundas das pernas que são principalmente vivenciadas durante períodos prolongados de repouso muscular, estados de sonolência e do período de indução do sono. Os sintomas são aliviados através de movimento das pernas e de caminhadas. A condição pode ser usual e é freqüentemente associada à mioclonia noturna. Sinonímia: síndrome de ekbon; taquiatetose.

síndrome da tortura - Termo médico impreciso, cunhado originalmente na Dinamarca, que se refere à desconfiança, hipervigilância, doenças relacionadas com estresse, esquiva das equipes médicas e sociais, baixo amor-próprio e lesão cerebral em pessoas que foram vítimas de tortura.

síndrome de abstinência (F1x.3) - Conjunto de sintomas de configuração e gravidade variáveis que ocorrem após a cessação ou redução do uso de uma substância psicoativa que vinha sendo usada repetidamente e geralmente após um longo período e/ou em altas doses. O início e o curso são limitados no tempo e são relacionados com o tipo de substância e com a dose que vinha sendo usada imediatamente antes da interrupção ou da redução do uso. A síndrome pode ser acompanhada por sinais de alterações fisiológicas.

A síndrome de abstinência é um dos indicadores da síndrome de dependência. Também é uma característica que define o significado mais estrito do termo dependência.

Tipicamente, as características da síndrome são opostas às da intoxicação aguda.

A síndrome de abstinência do álcool é caracterizada por tremores, sudorese, ansiedade, agitação, depressão, náusea e mal-estar. Ela ocorre entre 6-48 horas após a cessação do consumo de álcool e, quando não complicada, termina após 2-5 dias. Ela pode ser complicada por convulsões tipo grande mal e pode progredir para delirium (conhecido como deliriam tremens).

As síndromes de abstinência de sedativos têm várias características comuns com a abstinência do álcool, mas podem também incluir dores musculares e espasmos, distorções perceptivas e distorções da imagem corporal.

A abstinência de opióides é acompanhada de rinorréia (secreção nasal), lacrimejamento (excesso de formação de lágrimas), dores musculares, calafrios, arrepios e, após 24-48 horas, cãibras abdominais e musculares. O comportamento de busca da droga é proeminente e continua após a diminuição dos sintomas físicos.

A abstinência de estimulantes (crash) não é tão bem definida quanto as síndromes de abstinência às substâncias depressoras do sistema nervoso central; a depressão é proeminente e é acompanhada por mal-estar, inércia e instabilidade. Ver Transtorno por Abuso de Substância Psicoativa.

síndrome de abstinência com delirium (F1x.4) delirium tremens - Ver Síndrome de Abstinência.

síndrome de asperger (F84.5) - Transtorno de validade nosológica incerta que surge na infância e é caracterizado pelo mesmo tipo de anormalidade qualitativa da interação social recíproca que caracteriza o autismo, junto com um repertório restrito, estereotipado e repetitivo de interesses e atividades. Difere primariamente do autismo pelo fato de que não existe um retardo geral na linguagem ou no desenvolvimento cognitivo. O transtorno é associado com uma falta de jeito marcante. Existe uma forte tendência para as anormalidades persistirem na adolescência e idade adulta. Podem ocorrer episódios psicóticos no início da vida adulta. Sinonímia: Psicopatia Autística; Transtorno Esquizóide da Infância.

síndrome de binswanger - Forma rara de demência pré-senil associada a hipertensão e lesões isquêmicas profundas da substância branca dos hemisférios cerebrais, na presença de um córtex intacto e de um aspecto de translucidez da substância branca à tomografia computadorizada. Esta condição foi descrita por Binswanger em 1894. Sinonímia: Leucoencefalopatia Subcortical Crônica; Encefalopatia Arteriosclerótica Subcortical. Ver Doença de Alzheimer.

síndrome de da costa (F45.3) - Descrito em 1871 por Da Costa durante a Guerra Civil Americana como um transtorno cardíaco funcional. Os sintomas são dor pré-cordial, palpitações, dificuldade de respirar, sudorese excessiva, vertigens, cefaléias e transtornos do sono, todas manifestações de um estado ansioso. Ver Astenia Neurocirculatória.

síndrome de deficiência de tiamina (E51) - A síndrome clássica de deficiência de tiamina é chamada beribéri e é raramente vista, exceto quando o arroz branco polido é a base dietética. Na maioria das sociedades, no entanto, a deficiência de tiamina está amplamente associada com o uso excessivo de álcool, predominando então as manifestações do sistema nervoso. Uma manifestação da mesma é a encefalopatia de Wernicke (E51.2), outra é a neuropatia periférica. As duas podem ocorrer conjuntamente.

síndrome de dependência (F1x.2) - Grupo de fenômenos comportamentais, cognitivos, e fisiológicos que podem desenvolver-se após uso repetido de uma substância. Esses fenômenos incluem tipicamente um forte desejo de ingerir a droga, controle prejudicado sobre o seu uso, uso persistente a despeito das conseqüências danosas, prioridade ao uso da droga sobre outras atividades e obrigações, aumento da tolerância e reação física de privação quando o uso da droga é interrompido. Na CID-10, o diagnóstico da síndrome de dependência é feito se três ou mais dos seis critérios especificados ocorrerem no prazo de um ano. A síndrome de dependência pode referir-se a uma substância específica (p.ex., tabaco, álcool ou diazepam), a uma classe de substâncias (p.ex., opióides), ou a um espectro mais amplo de substâncias farmacologicamente diferentes. Ver Alcoolismo; Dependência; Transtornos por uso de Substância Psicoativa.

síndrome de dependência do álcool - Ver Síndrome de Dependência.

síndrome de despersonalização/desrealização (F48.1) - Transtorno raro no qual o indivíduo queixa-se espontaneamente que sua própria atividade mental, seu corpo e seu ambiente mudaram de qualidade, de modo a parecerem irreais, remotos ou automatizados. Entre os vários fenômenos dessa síndrome, os pacientes queixam-se mais freqüentemente de perda das emoções e sentimentos, de estranheza ou desligamento de seu pensamento, de seu corpo ou do mundo real. Apesar da natureza dramática da experiência, o paciente está consciente da irrealidade da mudança. O sensório é normal e a capacidade de expressar emoções permanece intacta. Sintomas de despersonalização/desrealização podem ocorrer como parte diagnosticável de um transtorno esquizofrênico, depressivo, fóbico ou obsessivo-compulsivo.

síndrome de dor - Ver alterações permanentes de personalidade.

síndrome de Down - forma comum de retardo mental causada por uma anormalidade cromossômica; anteriormente chamada de mongolismo.

síndrome de estocolmo - Identificação com o agressor, por parte de suas vítimas, observada particularmente em indivíduos seqüestrados. As mesmas identificações foram relatadas entre os sobreviventes dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial na Europa.

síndrome de exaustão (ing.: burnout syndrome) - Estado caracterizado por exaustão física e/ou emocional em resposta ao estresse decorrente de exigências persistentes de um determinado nível de desempenho ocupacional do indivíduo. Suas características são: diminuição do desempenho profissional, fadiga, insônia19, depressão, abuso de álcool ou outras drogas para alívio temporário e, às vezes, suicídio. O termo é controvertido e algumas autoridades afirmam que a maioria dos casos de síndrome de exaustão não passa de depressões clínicas.

síndrome de ganser - Condição vista em pessoas acusadas ou encarceradas, que se manifesta por sintomas de confusão e dissociação. O exame do estado mental freqüentemente evidencia respostas apenas aproximadas à questões referentes a orientação, memória ou função cognitiva. É mais freqüente em sociedades industrializadas.

síndrome de gerstmann (F81.2) - Agnosia digital, desorientação esquerda-direita, acalculia e agrafia, às vezes acompanhadas de apraxia de construção, dislexia e hemianopsia ipsolateral resultante de lesão do lobo parietal dominante. A validade da síndrome, enquanto conjunto autônomo de sintomas, tem sido contestada.

síndrome de gilles de la tourette - Ver Transtorno de Tiques Vocais e Motores Múltiplos.

síndrome de heller (F84.3) - Transtorno psicótico raro da infância, com início usualmente depois de 3 ou 4 anos de desenvolvimento normal. E caracterizado por regressão profunda e desintegração comportamental no decorrer de poucos meses, com deterioração da fala e da linguagem, comprometimento das habilidades sociais e do relacionamento interpessoal, estereotipias e maneirismos, porém com conservação de uma expressão facial inteligente. O prognóstico é pobre e em alguns casos há uma certa evidência de doença cerebral orgânica.

síndrome de kanner - Ver Autismo Infantil.

síndrome de kleine-levin - Síndrome rara que ocorre, na maior parte dos casos, nos jovens do sexo masculino, caracterizado por ataques periódicos de hiperfagia, hipersonia, bem como transtornos psicológicos e comportamentais. O transtorno tem a tendência de ser autolimitante e poderá responder à administração de aminas simpaticomiméticas.

síndrome de korsakov - Ver Síndrome Amnésica Orgânica.

síndrome de landau-kleffner (F80.3) - Transtorno no qual a criança, que já tinha previamente tido um desenvolvimento normal da linguagem, perde tanto as habilidades de recepção como de expressão verbais, mas mantém a inteligência intacta; o início do transtorno é acompanhado por alterações paroxísticas do EEG e, na maioria dos casos, também por convulsões. Usualmente começa entre os 3 e 7 anos, com a perda das habilidades ocorrendo numa questão de dias ou semanas. A associação temporal entre o estabelecimento da perda da linguagem e os ataques epilépticos é variável, com um precedendo o outro (em qualquer ordem) de poucos meses até dois anos. As características clínicas sugerem o envolvimento de um processo inflamatório do cérebro, como etiologia. Cerca de dois terços dos pacientes permanecem com um déficit receptivo da linguagem mais ou menos grave.

síndrome de lesch-nyhan - Um transtorno neuromuscular grave com movimentos coreoatetóides involuntários, vômitos periódicos, deficiência mental de leve a grave, automutilação (mordedura dos lábios e pontas dos dedos) e uma artrite gotosa grave associada a níveis elevados de ácido úrico. O metabolismo anormal da purina deve-se a uma deficiência genética da enzima hipoxantinaguaninafosforribosiltransferase, transmitida como um transtorno recessivo ligado ao cromossomo X.

síndrome de linfoadenopatia generalizada - Ver complexo associado à aids/sida.

síndrome de má-absorção - Conjunto de sintomas e sinais causados por uma absorção inadequada de vitaminas lipossolúveis, carboidratos, proteínas, água e minerais, levando a excreção fecal anormal de gorduras (esteatorréia). Entre as causas mais freqüentes estão as falhas da digestão normal (como na gastrectomia), cirrose, insuficiência pancreática, anorexia nervosa ou bulimia nervosa, anomalias bioquímicas (p.ex., doença celíaca e deficiências enzimáticas hereditárias) e uma inadequada superfície de absorção (como nas ressecções massivas do intestino delgado). Os sinais e sintomas incluem perda de peso, redução da massa muscular, estatura baixa, edema, deformidade do esqueleto, deposições abundantes e hipocólicas, bem como neuropatia, encefalopatia e demência secundária a deficiências vitamínicas múltiplas.

síndrome de maus-tratos - Efeitos na vítima de abuso físico ou psicológico.

síndrome de munchhausen - Ver Transtorno Factício.

síndrome de retração genital - Síndrome, originalmente descrita no Japão, caracterizada pelo receio ou crença que os órgãos sexuais (p.ex., pênis, testículos, seios, mamilos) se retraem e desaparecem para dentro do corpo, o que é seguido da morte da pessoa. Ocorre tanto de maneira isolada como epidêmica8. Sinonímia: KORO.

síndrome de rett (F84.2) - Uma condição até então relatada somente em meninas, na qual o desenvolvimento inicial, aparentemente normal, é seguido por perda parcial ou total da fala e das habilidades de locomoção e do uso das mãos, junto de uma desaceleração do crescimento do crânio, usualmente com início entre os 7 e os 24 meses de idade. São características: perda dos movimentos propositais das mãos, estereotipias de aperto de mãos e hiperventilação. O desenvolvimento social e lúdico é interrompido, porém o interesse social tende a ser mantido. Ataxia e apraxia do tronco começam a se desenvolver na idade de 4 anos e são seguidos freqüentemente por movimentos coreoatetóides. A deficiência mental grave é o resultado invariável.

síndrome de tensão pré- menstrual - Grupo de sintomas físicos e psíquicos múltiplos que, em combinações variáveis, ocorrem caracteristicamente em mulheres na segunda fase do ciclo menstrual (fase luteal) e declina durante os primeiros 11-12 dias do ciclo. Os sintomas mais comuns são: tensão, irritabilidade, depressão, dor nos seios, retenção de líquidos e lombalgias. A relação entre a perturbação mental e alterações hormonais nessa síndrome permanece obscura. Sinonímia: tensão pré-menstrual; TPM. Ver Dismenorréia.

síndrome de tourette - Ver Transtorno de Tiques Vocais e Motores Múltiplos.

síndrome de wernicke- korsakov - Ver Psicose de Korsakov.

síndrome diencefálica - Anormalidades das funções endócrinas, autonômicas e mentais devido à interrupção das conexões entre o hipotálamo e a hipófise. O estupor diencefálico, também chamado de estupor de Cairns, consiste de rigidez, catatonia postural e ausência de emoção e movimentação espontâneas.

síndrome do homem retesado - Condição de etiologia desconhecida, que afeta principalmente jovens do sexo masculino, caracterizada inicialmente por espasmos dolorosos intermitentes e graves dos músculos axiais, progredindo para um contínuo aumento do tônus muscular estriado, com espasmos superpostos que podem ser desencadeados pela movimentação.

síndrome do intestino irritável - Hiperirritabilidade e alteração da mobilidade e da secreção do aparelho gastrintestinal, muitas vezes acompanhadas de outros sintomas variáveis, tais como náuseas e vômitos, anorexia, flatulência, hiperacidez e prisão de ventre ou diarréia, na ausência de uma doença orgânica dos intestinos. A síndrome ocorre normalmente em personalidades ansiosas ou após estresse ou tensão da vida.

síndrome do lobo frontal (F07.0) - Mudanças de comportamento subseqüentes à lesão das áreas cerebrais frontais ou à interferência sobre as conexões a elas correspondentes. Verifica- se, em geral, diminuição do autocontrole, da antecipação, da criatividade e da espontaneidade, que se pode manifestar como irritabilidade aumentada, egoísmo e falta de consideração pelos outros. O nível de consciência e a concentração da atenção estão, com freqüência, diminuídos, sem que necessariamente se verifique deterioração mensurável do intelecto ou da memória. O quadro global é, muitas vezes, de embotamento emocional, falta de iniciativa e lentificação. Especialmente em indivíduos de personalidade anterior enérgica, inquieta ou agressiva, pode haver mudanças tendendo à impulsividade, à arrogância, a explosões emocionais, a brincadeiras tolas e de mau gosto, bem como o desenvolvimento de ambições pouco realistas; a direção da mudança depende, em geral, dos traços prévios de personalidade. Pode ocorrer considerável grau de recuperação, sustentável durante vários anos. E uma das conseqüências freqüentes da lobotomia.

síndrome do ninho vazio - Condição observada em certas culturas marcada pelas reações emocionais dos pais à saída de casa do filho mais jovem ou do último filho.

síndrome do x frágil - Defeito hereditário que pode ocorrer no cromossomo X humano (Xq 27-28), cuja expressão é um segmento não corado durante a metáfase, tornando o cromossomo muito suscetível à ruptura. O defeito figura entre as causas freqüentes de oligofrenia de moderada à profunda, apresentando-se em cerca de um terço das famílias com deficiência mental ligada ao cromossomo X. São também encontrados, no sexo masculino: macrorquídia, orelhas de abano, fácies característica, convulsões e autismo. Estudos citogenéticos e moleculares permitem o diagnóstico no homem afetado e na mulher portadora.

síndrome extrapiramidal - Variedade de sinais e sintomas, incluindo rigidez muscular, tremores, baba, marcha oscilante (parkinsonismo); inquietação (acatisia); posturas involuntárias peculiares (distonia); inércia motora (acinesia) e muitas outras perturbações neurológicas. Resulta de disfunção do sistema extrapiramidal. Pode ocorrer como um efeito colateral de certas drogas psicotrópicas, particularmente fenotiazina.

síndrome fetal alcoólica (sfa) (Q86.0) - Padrão de retardo do crescimento e do desenvolvimento, tanto mental como físico, com defeitos de crânio, face, membros e cardiovasculares, encontrados em alguns filhos de mães cujo consumo de álcool durante a gravidez é elevado. As anormalidades mais comuns são: deficiência de crescimento pré e pós-natal, microcefalia, atraso no desenvolvimento ou deficiência mental, fendas palpebrais pequenas, nariz curto e arrebitado com a ponte nasal afundada e um lábio superior fino, pregas palmares anormais e malformações cardíacas (especialmente septais). Muitas outras anomalias mais sutis também têm sido atribuídas aos efeitos do álcool no feto (efeitos alcoólicos fetais, EAF), mas há controvérsias quanto ao nível de consumo materno que produz tais efeitos.

síndrome nolitiva - Constelação de características tidas como associadas ao uso de substâncias psicoativas, que inclui apatia, perda de afetividade, capacidade diminuída para encarregar-se de planos complexos ou de longa duração, baixa tolerância à frustração, concentração prejudicada e dificuldade em seguir rotinas. A existência desta condição é controversa. Ela tem sido relatada principalmente em conexão com o uso de cannabis e pode simplesmente refletir intoxicação crônica por esta droga. Os sintomas também podem refletir a personalidade, atitudes ou estágio de desenvolvimento do usuário. Na literatura de língua inglesa, esta síndrome é conhecida como amotivational.

síndrome pós-concussional - Ocorre depois de um traumatismo encefálico e inclui uma variedade de sintomas, tais como: dores de cabeça, vertigens, cansaço, irritabilidade, redução da capacidade de concentração e de elaboração de raciocínios, alterações da memória, insônia, tolerância reduzida para o estresse e excitação, desencadeada por emoções ou pelo uso de álcool. Avaliações laboratoriais podem fornecer evidências objetivas que justificam os sintomas, mas freqüentemente negativas. Embora alguns indivíduos possam adotar um papel de doente permanente, suas queixas não são necessariamente associadas a pedidos de indenizações (i.é., seguros, aposentadorias, etc.). Ver Neurose de Compensação.

síndrome pós-encefalítica - Apresenta-se como mudança inespecífica do comportamento sob formas variadas. É um resíduo de uma disfunção neurológica, que se inicia após melhora dos sintomas de encefalite virai ou bacteriológica. Esta síndrome pode ser reversível.

síndrome relacionada à cultura (ing.: culture-related syndrome) - Complexo de sintomas que ocorre em certos tipos de cultura com freqüência maior do que a esperada. Estas síndromes são geralmente consideradas como particularmente moldadas, influenciadas ou eliciadas pelo ambiente cultural. Exemplos incluem condições originalmente descritas em uma região, mas que são amplamente observadas em outras sociedades. Estas síndromes tendem a focalizar a psicopatologia descritiva em vez de sua gênese.

síndrome vinculada à cultura (ing.: culture-bound syndrome) - Uma condição clínica tradicionalmente considerada de ocorrência predominante em uma dada sociedade. Embora alguns estudiosos da psiquiatria cultural sugiram que “síndrome vinculada à cultura” seja uma categoria válida, uma entidade nosológica independente, outros afirmam que, através da tradução dos elementos semânticos de uma dada síndrome, pode-se estabelecer sua correspondência com padrões diagnósticos ocidentais. Sinonímia: síndrome específica à cultura.

sinestesia - Uma condição na qual uma experiência sensorial associada com uma modalidade ocorre quando outra modalidade é estimulada. por exemplo, um som produz a sensação de determinada cor.

sintoma - Uma manifestação subjetiva de uma condição patológica. Os sintomas são relatados pelo indivíduo afetado, ao invés de observados pelo examinador.

sintoma conversivo - Uma perda ou alteração do funcionamento motor ou sensorial voluntário, sugerindo uma condição neurológica ou médica geral. Fatores psicológicos presumivelmente estão associados com o desenvolvimento do sintoma, e este não é plenamente explicado por uma condição neurológica ou médica geral ou pelos efeitos diretos de uma substancia. O sintoma não é intencionalmente produzido nem é culturalmente sancionado.  

sintoma patognomônico - Manifestação clínica que se supõe ser um indicador altamente específico e confiável do diagnóstico de uma doença particular, p.ex., as manchas de Koplik no sarampo. Nos transtornos psiquiátricos a especificidade diagnostica absoluta dos fenômenos clínicos é praticamente inexistente e mesmo exemplos comumente citados (como a pupila de Argyll Robertson na neurossífilis) não satisfazem o requisito.

sintomas endogenomórficos - Sintomas incluídos nos critérios de pesquisa para o diagnóstico da esquizofrenia e síndromes afetivas axiais propostos por psiquiatras vienenses nos anos 1970. O adjetivo "endogenomórfico" tem a intenção de enfatizar, por um lado, suas relações com o conceito de psicose endógena e, por outro lado, suas funções puramente descritivas livres de pressupostos etiológicos. Por causa desta conotação teórica redundante, o termo não é recomendado para uso geral. Ver Endógeno.

sintomas negativos - Manifestações psicopatológicas ou neurológicas de diminuição ou perda de uma função normal resultantes de uma lesão no sistema nervoso central. O conceito origina-se da teoria da dissolução de Hughlings Jackson (1835-1911), que postula um efeito duplo decorrente das lesões cerebrais: (i) deficiências diretamente ligadas à lesão e (ii) o fenômeno positivo que surge secundariamente à medida que níveis ontogeneticamente inferiores são liberados do controle de centros superiores. Essa visão tem tido repercussão na psiquiatria, principalmente na psicopatologia descritiva da esquizofrenia. Geralmente os sintomas ditos negativos incluem pobreza do discurso, limitação da atenção, embotamento afetivo, apatia e isolamento social. Entretanto, não há um consenso sobre a natureza e a avaliação dos sintomas negativos e pouco se sabe sobre sua base fisiopatológica na esquizofrenia. Ver Sintomas Positivos.

sintomas positivos - Manifestação clínica do psiquismo representada por uma imagem especular dos sintomas negativos. Resulta da liberação ou excitação de centros e funções até então inibidos por uma estrutura cerebral superior, uma vez que esta tenha sido afetada por uma lesão. Exemplos freqüentes de sintomas positivos são delírios e alucinações, perturbações do humor, alterações catatônicas e perturbações formais do pensamento. Ver Sintomas Negativos.

socialização - Processo do desenvolvimento de qualidades e de aquisição de aptidões sociais requeridas para o funcionamento efetivo numa cultura particular, que começa no início da infância. Ainda que alguém possa aculturar-se durante a idade adulta em uma cultura estrangeira, a socialização numa cultura estrangeira nesta idade é extremamente difícil, se não impossível. Ver Enculturação.

solventes - Ver Droga Psicoativa.

soma - Corpo; compleição física de um ser humano, distinto da psique.

somatiforme, ou somatomorfo, ou de somatização - A característica comum dos Transtornos Somatoformes é a presença de sintomas físicos que sugerem uma condição médica geral (daí,o termo somatoforme), porém não são completamente explicados por uma condição médica geral, pelos efeitos diretos de uma substância ou por um outro transtorno mental (por ex., Transtorno de Pânico). Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes. Em comparação com os Transtornos Factícios e a Simulação, os sintomas físicos não são intencionais (isto é, não estão sob o controle voluntário). Os Transtornos Somatoformes diferem dos Fatores Psicológicos que Afetam a Condição Médica, na medida em que não existe uma condição médica geral diagnosticável que explique plenamente os sintomas físicos. O agrupamento desses transtornos em uma única seção fundamenta-se mais na utilidade clínica (isto é, a necessidade de excluir condições médicas gerais ocultas ou etiologias induzidas por substâncias para os sintomas físicos) do que em premissas envolvendo uma etiologia ou mecanismo em comum. Esses transtornos são encontrados com freqüência nos contextos médicos gerais.

O Transtorno de Somatização (historicamente chamado de histeria ou síndrome de Briquet) é um transtorno polissintomático que inicia antes dos 30 anos, estende-se por um período de anos e é caracterizado por uma combinação de dor, sintomas gastrintestinais, sexuais e pseudoneurológicos.

O Transtorno Somatoforme Indiferenciado caracteriza-se por queixas físicas inexplicáveis, com duração mínima de 6 meses, abaixo do limiar para um diagnóstico de Transtorno de Somatização.

O Transtorno Conversivo envolve sintomas ou déficits inexplicáveis que afetam a função motora ou sensorial voluntária, sugerindo uma condição neurológica ou outra condição médica geral. Presume-se uma associação de fatores psicológicos com os sintomas e déficits.

O Transtorno Doloroso caracteriza-se por dor como foco predominante de atenção clínica. Além disso, presume-se que fatores psicológicos têm um importante papel em seu início, gravidade, exacerbação ou manutenção.
Hipocondria é preocupação com o medo ou a idéia de ter uma doença grave, com base em uma interpretação errônea de sintomas ou funções corporais.

O Transtorno Dismórfico Corporal é a preocupação com um defeito imaginado ou exagerado na aparência física.

O Transtorno de Somatização Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de transtornos com sintomas somatoformes que não satisfazem os critérios para qualquer um dos Transtornos Somatoformes.



somatotropina -
Ver Hormônio do Crescimento.

sonambulismo (F51.3) -
Estado de consciência alterada no qual se combinam fenômenos do sono e da vigília. Durante um episódio, o sonâmbulo levanta-se da cama, usualmente durante a primeira terça parte do sono noturno, e caminha com baixos níveis de consciência, reatividade e capacidades motoras. Usualmente não há lembrança do evento depois de acordar.

sonho -
Seqüência de imagens que ocorre durante a fase de movimentos oculares rápidos (REM) do sono que podem ser relembradas após o despertar. Os sonhos possuem diferentes significações simbólicas e religiosas ou supernaturais em várias sociedades. Em muitas sociedades tribais ou camponesas, os sonhos são considerados eventos reais que ocorrem em outro tempo ou lugar (p.ex., “tempo do sonho”, “mundo dos espíritos”). Em muitas sociedades ocidentais, os sonhos têm significado pessoal ou psicológico, mas não são vistos como eventos reais.

sono, Insônia outros distúrbios -
O sono é um estado em que nossa consciência diminui espontaneamente, quando então passamos a reagir menos aos estímulos externos. É o inverso do estado de vigília, sendo um período de descanso para o corpo. Durante o sono o cérebro apresenta importante e muito característica atividade elétrica.

O sono é fundamental para as funções biológicas. É noturno e seu tempo de duração varia de pessoa para pessoa, sendo de maior duração na infância, diminuindo com a idade. Freqüentemente a diminuição do tempo de sono que ocorre normalmente na terceira idade é confundida com insônia ou qualquer outro distúrbio de sono. O critério de sono satisfatório é a sensação de noite bem dormida, independente do tempo dormido. A falta de sono leva à fadiga, irritabilidade, e a problemas de memória.

Há vários distúrbios do sono, como a sonolência excessiva, o sonambulismo, o terror noturno, a insônia, etc. A sonolência excessiva é uma alteração incomum e pode estar relacionada a alterações metabólicas como a desidratação ou o descontrole de moléstia como o diabetes. O ronco e a apnéia são fatores que podem prejudicar o sono, e em geral estão relacionados à obesidade. No ronco excessivo a pessoa acorda com o barulho do ronco tornando o sono interrompido. A apnéia é um problema respiratório que leva a curtas pausas na respiração durante o sono, prejudicando a qualidade do mesmo. 

Nestas duas situações são fundamentais a perda de peso alem de se evitar dormir de barriga para cima. Em situações mais graves pode haver necessidade de se utilizar uma placa dentária especial ou mesmo a realização de cirurgia para aumentar o espaço das vias aéreas. O sonambulismo e o terror noturno são distúrbios do sono, mais freqüentes na infância, e na maioria das vezes estão relacionados a emoção, mas podem estar relacionados a uso de certos medicamentos. O sono é estudado, em laboratório, através do polissonograma. Este exame obriga a pessoa a dormir no local do exame e proporciona estudo detalhado do sono.

Alguns cuidados são muito importantes para se ter um bom sono: horários constantes para dormir e acordar; evitar dormir mais que o necessário; estar relaxado e tranqüilo ao ir dormir e se possível tomar um banho quente antes; procurar dormir sempre no mesmo lugar; evitar bebida estimulante (café e álcool, por ex) e fumo antes de dormir; evitar refeições pesadas antes de dormir. A melhor posição para se dormir é de lado, com os joelhos flexionados, sobre um colchão resistente mas não duro e travesseiro da altura dos ombros. Deve se evitar a utilização de colchão muito macio, como o de molas.

A insônia é uma situação muito freqüente, e o seu diagnóstico correto é fundamental na escolha da terapia. Caracteriza-se pela dificuldade para dormir, tanto no que diz respeito ao inicio do sono como também à sua duração, propiciando uma sensação de noite mal dormida com cansaço ao acordar. Na terceira idade a duração do sono tende a diminuir e também a tornar-se mais interrompido, sem que seja caracterizada a insônia. O principal critério de avaliação do sono é a sensação de noite bem dormida ao se acordar, o que nunca ocorre na insônia.

A insônia pode se manifestar de três formas: a demora para se iniciar o sono, o acordar durante a noite ou o despertar muito cedo. A insônia persistente pode levar a problemas de humor e de comportamento, como a depressão, e sempre produz sensação de noite mal dormida. A pessoa que não dorme bem está mais sujeita a sofrer acidentes de automóvel, ao aumento na consumo de álcool e sonolência durante o dia. 

A insônia, entretanto, pode ocorrer de maneira transitória, durante um período de maior preocupação ou "stress" ou após viajem muito longa ("jet lag"), por ex.
A insônia que persiste por mais de três semanas é denominada crônica e sempre deve ser muito bem investigada. Não é uma doença e sim um sintoma de distúrbios orgânicos e/ou psíquicos. Pode ser devida a determinados hábitos: horário irregular para dormir, uso abusivo de café, tabagismo, alcoolismo, etc. Problemas ambientais como barulho, luz excessiva, frio ou calor, incompatibilidade com parceiro(a) etc., também são importantes. Algumas doenças, como a demência e o Parkinson podem ser acompanhada de insônia. O estado febril e a dor produzem insônia. Doenças que levam ao desconforto respiratório (enfisema e insuficiência cardíaca, por ex) são causas de alterações no ritmo do sono. Grandes altitudes podem levar à insônia durante os dias de adaptação.

Na grande maioria dos casos, entretanto, a insônia está relacionada a distúrbios psíquicos como a depressão, ansiedade, angustia, ou stress. Alguns estudos demonstram ser a insônia mais freqüente entre pessoas divorciadas e viúvas.
É sempre fundamental a identificação de uma ou de diversas causas da insônia.

No tratamento da insônia a higiene do sono é fundamental, isto é, a eliminação daqueles fatores ambientais importantes. O hábito de praticar exercícios regulares, de comer coisas leves antes de dormir, e manter horários fixos para dormir ajudam a evitar a insônia. O excesso de alimentos e de bebidas (café, refrigerantes ou bebidas alcoólicas ) é um hábito que deve ser evitado no período que antecede o sono. A "soneca" durante o dia deve ser evitada. O estado psíquico da pessoa deve ser sempre bem avaliado e conseqüentemente orientado.

O controle da insônia com medicamentos deve ser feito com muito cuidado. Os medicamentos ditos soníferos ou reguladores do sono nada mais são que psicotrópicos (derivados dos benzodiazepínicos) que devido a sua ação depressiva sobre o sistema nervoso central induzem ao sono. São drogas úteis para a indução rápida do sono em situações especiais, como nos momentos que antecedem a uma cirurgia (pré-operatório) ou em viajem longa, por ex. O uso regular destas drogas deve ser evitado, pois levam a dependência, distúrbios da coordenação motora e de comportamento, diminuição da memória e produzem depressão, e no fim, pioram a insônia.

As estatísticas mostram que os soníferos estão entre as drogas mais consumidas na idade adulta. A sua utilização deve ser feita levando-se em conta que o seu uso prolongado leva ao acúmulo da droga no organismo, alem de produzir aumento de seus efeitos colaterais.

Alguns cuidados devem nortear a utilização de substâncias psicotrópicas no controle do sono: usar doses pequenas (mínima dose eficiente) e de maneira intermitente (2 a 3 vezes por semana), por curto espaço de tempo (no máximo quatro semanas) e ser retirada gradualmente. Os psicotrópicos melhores são aqueles de mais rápida eliminação: triazolam ("Halcion"), zolpidem ("Stilnox") e midazolan ( "Dormonid"). No idoso a dose deve ser sempre menor que aquela utilizada para o adulto jovem,

A utilização de antidepressivos, principalmente aqueles relacionados à serotonina (trazodone, nefazodone, paroxetine), melhoram a qualidade do sono e estão sendo cada vez mais utilizadas com bons resultados. Algumas substâncias antialérgicas (antihistamínicos) podem ser utilizadas para induzir o sono. A melatonina pode ser eficiente, principalmente em idosos.

A utilização de substâncias pouco agressivas ao organismo, como chás, especialmente o de valeriana (derivado da planta Valeriana officinalis) pode ser útil no tratamento, com a vantagem de ser inócuo.

sono paradoxal - Períodos de sono, com duração média de cinco minutos, que ocorrem em adultos, mais ou menos a cada noventa minutos e durante o qual os movimentos oculares rápidos (REM) podem ser registrados através de eletrooculografia. Períodos de sono REM (ou paradoxal) são quase totalmente ocupados por sonhos vívidos e acompanhados por uma variedade de mudanças fisiológicas na freqüência cardíaca, na freqüência respiratória, no tônus muscular e no fluxo sanguíneo cerebral.

sono rem - Ver Sono Paradoxal.

speed - Ver Anfetaminas.

speedball - Combinação de um estimulante e um opióide, p.ex., cocaína e heroína, anfetamina e heroína.

status - Uma dada posição num sistema de relações sociais culturalmente estruturadas.

status atribuído - Refere-se aos sistemas sociais nos quais o status social do indivíduo depende mais da classe, casta ou subcultura nas quais a pessoa nasceu, do que de seu próprio esforço. É característico de sociedades tradicionais com pequena ou nenhuma mobilidade socioeconômica6, nas quais a afiliação serve como base para ocupação, emprego, residência, casamento, riqueza e outros aspectos importantes da vida. As sociedades rurais não industrializadas tendem a atribuir status baseando-se mais na tradição do que em realizações. As sociedades com status atribuído podem ser estressantes para indivíduos em ascensão ou ambiciosos, mas podem ser adequadas para indivíduos que se contentam com seu lugar na sociedade. As pessoas com transtornos psiquiátricos crônicos4 incapacitantes podem não sofrer nenhum declínio de classe social em sociedades com status atribuído.

status conquistado - Refere-se a sistemas sociais nos quais o status social do indivíduo depende de seu próprio esforço e não da classe, casta ou subcultura na qual a pessoa nasceu. E característico de sociedades nas quais o status é o resultado da capacidade, do conhecimento, dos esforços e das realizações. As sociedades altamente industrializadas (bem como as sociedades de subsistência tribal mais simples) tendem a atribuir status baseando-se mais em realizações do que em tradição. As sociedades com status adquirido podem produzir estressores para o indivíduo, particularmente relacionadas com desempenho escolar, competição entre pares (ao invés de cooperação) e necessidade de sucesso constante. As pessoas com transtornos psiquiátricos crônicos4 incapacitantes podem sofrer um declínio em seu status social em tais sociedades.

status inconsistente - Ocorre quando o status passado ou habitual no indivíduo não é consistente com o status presente. É visto entre refugiados que anteriormente pertenceram à classes de elite, pessoas que perderam seus empregos, pessoas aposentadas ou pessoas deslocadas pelas mudanças socioeconômicas6 ou políticas na sociedade.

subconsciente -
O Subconsciente deve ser estudado juntamente com o estudo da Atenção. Subconsciente é diferente do inconsciente. O aspecto para o qual se dirige a Atenção é chamado de alvo (ou foco), por isso e apropriadamente, podemos fazer uma analogia didática do focalizar da consciência com um alvo de tiro. O elemento que, em dado momento, constitui o objeto de nossa Atenção, ocupa sempre o ponto central do campo da consciência. O centro desse alvo perceptual corresponde ao grau máximo de consciência e é denominado foco da Atenção.

Tudo o que é focalizado (no foco) pela consciência é percebido com Atenção mas, em seu redor, porém, existem outros objetos ou fenômenos psíquicos, os quais, sem ter abandonado o campo da consciência, deixam de ser objeto de Atenção. Os círculos concêntricos mais próximos exprimem, esquematicamente, a área Subconsciente e o círculo mais afastado o inconsciente.

O elemento que, em dado momento, constitui o objeto de nossa Atenção, ocupa sempre o ponto central do campo da consciência, portanto, nossa capacidade para concentrar a atividade da consciência em uma só coisa acaba, forçosamente, excluindo total ou parcialmente as demais. Entre as partes deste conjunto composto pela consciência, subconsciente e inconsciente não é possível estabelecer limites de nítidos.

subcultural - Atributos comportamentais e ideológicos de subgrupos dentro de uma cultura (p.ex.; seitas religiosas, minorias étnicas ou tribais, sociedades secretas, pessoas dependentes de drogas) os quais lhes são específicos e não são compartilhados pela comunidade em geral.

sublimação -
A energia associada a impulsos e instintos socialmente e pessoalmente constrangedores é, na impossibilidade de realização destes, canalizada para atividades socialmente meritosas e reconhecidas. A frustração de um relacionamento afetivo e sexual mal resolvido, por exemplo, é sublimado na paixão pela leitura ou pela arte.

substância - Ver Substância Psicoativa.

substâncias, abuso de - Uso patológico de agentes que modificam o humor, comportamento e cognição, criando um prejuízo no funcionamento social ou ocupacional.

substância psicoativa - Substância que quando ingerida afeta os processos mentais, p.ex., cognição ou humor. Este termo e seu equivalente, droga psicoativa, são os termos mais descritivos e neutros para toda a classe de substâncias, lícitas e ilícitas que interessam à política sobre drogas. “Psicoativa” não implica necessariamente produção de dependência, e, no linguajar comum, é freqüentemente omitido como em “uso de drogas” ou “abuso de substâncias”. (Verdroga.) Nas décadas de 1960 e 1970, houve, em muitos países europeus e de língua inglesa, um amplo debate político-cultural sobre se termos descritivos gerais eram positivos ou negativos em relação às experiências de alterações mentais obtidas com a LSD e drogas similares. Os termos “psicomimético" e “alucinógeno” (que se tornou o nome aceito para esta classe de drogas) tinham uma conotação desfavorável, enquanto "psicodélico" e “psicolítico" transmitiam uma conotação mais favorável. "Psicodélico", em particular, era também usado com o mesmo amplo alcance de "psicoativo". (O periódico Journal of psychedelic drugs acabou substituindo psychedelic de seu título para psychoactive em 1981.) Ver Psicotrópico.

substâncias controladas - Substâncias psicoativas e seus precursores cuja distribuição é proibida por lei ou limitada aos canais médicos e farmacêuticos. As substâncias que estão sujeitas a esse controle diferem de país para país. O termo é freqüentemente usado para se referir às drogas psicoativas e seus precursores incluídos nas convenções internacionais sobre drogas (a convenção Única de Drogas Narcóticas de 1961, emendada pelo Protocolo de 1972; a Convenção de Substâncias Psicotrópicas de 1971; a Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas de 1988). Tanto internacional como nacionalmente (como no Ato de 1970 sobre Substâncias Controladas, dos EUA), as drogas controladas são normalmente classificadas de acordo com uma relação hierárquica que reflete os diferentes graus de restrição ou disponibilidade.

substâncias voláteis - Substâncias que se vaporizam à temperatura ambiente. As substâncias voláteis inaladas pelos seus efeitos psicoativos (também chamadas inalantes) incluem os solventes orgânicos presentes em muitos produtos domésticos e industriais (tais como colas, aerossóis, tintas, solventes industriais, lacas, gasolina e fluidos de limpeza) e os nitritos alifáticos, tais como o nitrito de amila . Algumas substâncias são diretamente tóxicas para o fígado, rins ou coração, e algumas produzem neuropatia periférica ou degeneração cerebral progressiva. Os usuários mais freqüentes destas substâncias são adolescentes jovens e crianças de rua.

O usuário tipicamente molha um pano com o inalante e coloca sobre a boca e nariz, ou coloca o inalante num saco de papel ou plástico que é então posto sobre a face (induzindo anoxia além da intoxicação). Os sinais de intoxicação incluem beligerância, agressividade, letargia, alteração psicomotora, euforia, alteração de juízo crítico, tonturas, nistagmo, visão embaciada ou diplopia, fala pastosa, tremores, marcha instável, hiper-reflexia, fraqueza muscular e estupor ou coma.

substituição – Mecanismo mental, operando inconscientemente, através do qual um objetivo, emoção ou objeto inatingível ou inaceitável é substituído por outra que esteja ao seu alcance.

substituição dos sons da fala - Substituição fonêmica ou fonética; o uso de determinado fonema no lugar do correto, tal como “vrido” ao invés de "vidro" ou “franela" ao invés de “flanela". Dentre os transtornos do desenvolvimento da articulação da fala, este é o tipo mais comum de má articulação. Este fenômeno pode ser condicionado pelo idioma e sua ocorrência é favorecida pela exposição a mais de um idioma.

sugestão – Processo de influência um cliente para que aceite uma idéia, crença ou atitude sugerida pelo terapeuta.

sugestionabilidade - Propensão para uma aceitação não crítica de idéias, de crenças e de padrões de comportamento expressados ou apresentados por outras pessoas. A Sugestionabilidade pode acentuar-se devido a condições do meio ambiente, efeito de drogas e hipnose e pode constituir um traço proeminente em pessoas com transtorno histriônico48 dapersonalidade. O termo "sugestionabilidade negativa" é aplicado, por vezes, a um comportamento negativista.

suicídio - "O termo suicídio define um comportamento  ou ato que visa a antecipação da própria morte. Essencialmente ele resulta de um processo em que a dor psicológica intensa conseqüência de acontecimentos que tornam a vida dolorosa e/ou insuportável, em que deixam de existir quaisquer soluções que permitam escapar a um processo de introspecção, que deixa como única solução, a morte do próprio individuo. Este processo desenvolve-se regra geral, gradualmente num sentido negativo provocando um estado dicotômico em que passam a existir apenas duas soluções possíveis para um problema ou situação (tudo ou nada; viver ou morrer). Refira-se que uma das palavras mais relevante e perigosa em suicidologia é a palavra “apenas”, que denuncia exatamente o estado de constrição da mente evidenciando o estreitamento do focos de atenção.

Concorrem para este comportamento fatores psicológicos diversos de entre os quais se destacam a depressão, abuso de drogas ou álcool, doenças do foro psiquiátrico tais como esquizofrenia, depressão bipolar, distúrbio de stress pos-traumático, distúrbio de personalidade borderline entre outros fatores.

suicídio anômico - Auto-eliminação resultante de isolamento social acompanhado de falta de sentido e de objetivos na vida. Ver desculturação.

suicídio associado ao vih - A infecção por VIH e a AIDS/SIDA estão associadas a um alto risco de suicídio, particularmente no período subseqüente ao conhecimento da seropositividade. Algumas síndromes psiquiátricas, particularmente depressão e deliriam, podem aumentar o risco de suicídio.

superabrangência (ing.: overinclusiveness) - Característica do pensamento observada em pacientes com esquizofrenia e estados semelhantes à esquizofrenia, que se manifesta como uma deficiência na manutenção dos limites conceituais e uma resultante intrusão de associações irrelevantes ou distantes, que tornam o pensamento impreciso. É também observada como um transtorno da fala.

superdose (ing.: overdose) - Uso de qualquer droga em quantidade suficiente para provocar agudamente efeitos físicos e mentais indesejáveis. A superdose deliberada é um meio comum de suicídio ou de tentativa de suicídio. Em números absolutos, as superdoses de drogas lícitas são geralmente mais comuns do que as de drogas ilícitas. A superdose pode provocar efeitos transitórios, duradouros ou morte; entretanto, a dose letal de uma droga em particular varia com o indivíduo e com as circunstâncias do uso. Ver Intoxicação; Envenenamento por Álcool ou Droga.

super-ego - Sistema de forças restritivas e inibidoras dos impulsos básicos tais como: sexo, agressividade, fome etc. Ele é construído junto com as experiências de socialização da criança. Pois ela, ao exprimir instintos básicos, o sujeito corre o risco de se opor aos valores de sua comunidade. A medida que estes valores sociais são apresentados à criança, através de um sistema de reforçamento básico de recompensas e punições para as suas ações, ela constrói a idéia do que é ou não permitido. 

Fortalecendo-se com o tempo, o superego, devidamente estabelecido, torna-se uma "consciência moral" e o controle automático e inconsciente dos impulsos do ID. O termo "superego" é psicanalítico. Na teoria freudiana, a parte da mente que conscientemente identifica-se com pessoas importantes e estimuladas do início da vida, particularmente com os pais; os desejos supostos ou reais dessas pessoas significativas são assumidos como parte dos próprios critérios pessoais para ajudar a formar a "consciência".

superproteção - Característica de alguns relacionamentos entre o provedor e a criança, na qual o provedor, em geral a mãe, protege a criança e interfere em qualquer tentativa por parte da criança de executar ações independentes.

supressor do apetite - Agente utilizado no tratamento da obesidade para reduzir a fome e diminuir a ingestão de alimentos. A maioria destas drogas é constituída por aminas simpaticomiméticas, cuja eficácia é limitada pela insônia associada, pelo fenômeno da dependência e por outros efeitos adversos. As anfetaminas já estiveram anteriormente em amplo uso médico por seus efeitos supressores do apetite. Sinonímia: anorexígenos. Ver Transtorno por uso de Substância Psicoativa.

surdez verbal (F80.2) - Incapacidade para perceber a linguagem falada, geralmente atribuível a dano cerebral na área auditiva receptiva do primeiro giro temporal do hemisfério dominante. Esta condição é rara, em sua forma pura.

susto - Originalmente identificado na América Latina, é a presumida perda da própria alma devido à saída da mesma para fora do corpo. Diminuição do apetite e do sono, retraimento do meio social, tristeza e medo de morte iminente são os principais sintomas. Outros termos para susto na América Latina incluem: espanto, pasmo, tripa ida, perda da alma e chibi. Rituais curativos têm por objetivo trazer de volta a alma para o corpo. Lanti é uma "doença do medo” similar ao susto, nas Filipinas. A mesma influência da colonização espanhola na América Latina e nas Filipinas pode ser responsável pela existência destas duas condições em lugares diferentes e tão distantes. Ver Difusão Cultural.