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racionalização - Racionalização é um Mecanismo de Defesa que se caracteriza por um procedimento de achar motivos lógicos e racionais aceitáveis para pensamentos e ações inaceitáveis. É o processo através do qual uma pessoa apresenta uma explicação que é logicamente consistente ou eticamente aceitável para uma atitude, ação, idéia ou sentimento que causa angústia. Usa-se a Racionalização para justificar comportamentos quando, na realidade, as razões para esses atos não são recomendáveis.

A afirmação cotidiana de que "eu só estou fazendo isto para seu próprio bem" pode ser a Racionalização do sentimento ou pensamento de que "eu quero fazer isto para você, eu não quero que me façam isto ou até mesmo, eu quero que você sofra um pouco". Também pode ser Racionalização a afirmação de que "eu acho que estou apaixonado por você". Na realidade poderia estar sentido que "estou ligado no teu corpo, quero que você se ligue no meu".

Racionalização é um modo de aceitar a pressão do Superego, de disfarçar verdadeiros motivos, de tornar o inaceitável mais aceitável. Enquanto obstáculo ao crescimento, a Racionalização impede a pessoa de aceitar e de trabalhar com as forças motivadoras genuínas, apesar de menos recomendáveis.

radicais livres - Os radicais livres são moléculas que surgem durante o processo vital da respiração das células, provenientes diretamente do oxigênio ou do processo de oxidação. Os radicais livres constituem uma ameaça para as células, pois quando atingem determinadas quantidades podem alterar as estruturas das proteínas e/ou das gorduras, favorecendo doenças como a aterosclerose, a catarata e o enfisema pulmonar por ex., acelerando o processo de envelhecimento. Hoje está bem conhecido, também, que o aumento na concentração de radicais livres compromete seriamente nosso sistema imunológico, responsável por nossas defesas e relacionado a vários tipos de câncer. Em determinadas situações como as isquemias, ou a falta de irrigação sangüínea, ocorre um aumento de radicais livres, como também nos processos inflamatórios, em doenças hepáticas e renais, etc..

O organismo tem formas adequadas de combater os radicais livres através de substâncias denominadas antioxidantes produzidas pelas próprias células, mas que algumas vezes são insuficientes. Sabe-se que vitaminas do tipo C e E são auxiliares no processo de combate aos radicais livres.  

rapport - Relacionamento confidencial entre o cliente e o profissional que visa auxiliá-lo.

reabilitação - Aplicada à incapacidade, é o uso combinado e coordenado de medidas médicas, sociais, educacionais e vocacionais para treinamento ou reaprendizagem do indivíduo, a fim de que este possa alcançar o mais alto nível possível de desempenho funcional. No campo das toxicomanias, é o processo pelo qual um indivíduo com transtorno por uso de substância consegue um ótimo estado de saúde e de funcionamento psicológico e bem-estar social. A reabilitação segue a fase inicial do tratamento (que pode envolver desintoxicação e tratamento médico e psicológico). Ela compreende várias abordagens, que incluem terapia de grupo, terapias comportamentais específicas para impedir recaídas, participação em grupos de ajuda mútua, residência em comunidade terapêutica ou em pensões protegidas, treinamento vocacional e experiência de trabalho. A reintegração social na comunidade é o objetivo último da reabilitação.

reabilitação vocacional
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Ofertas de serviços vocacionais, como p. ex., acompanhamento vocacional, treinamento vocacional e colaboração seletiva, planejados  para habilitar uma pessoa incapacitada a obter e manter um emprego adequado.

reação adversa a drogas - Na medicina geral e no campo farmacológico, designa uma reação física tóxica ou (menos comumente) psicológica a um agente terapêutico. A reação pode ser alérgica (previsível) ou idiossincrática (imprevisível). No contexto do uso de substâncias, a expressão inclui as reações físicas e psicológicas desagradáveis ao uso da droga. Ver má-viagem.

reação aguda ao estresse (f43.0) - Transtorno transitório que se desenvolve em um indivíduo sem qualquer outro transtorno mental aparente em resposta a estresse físico e/ou mental excepcional e que costuma ceder dentro de horas ou dias. A vulnerabilidade individual e a capacidade de ação influenciam tanto a ocorrência quanto a gravidade das reações ao estresse agudo. Os sintomas revelam um quadro tipicamente misto e variável e incluem um estado inicial de entorpecimento, com uma certa redução do campo de consciência e estreitamento da atenção, incapacidade de compreender estímulos e desorientação. O estado pode ser seguido, quer por distanciamento da situação ambiental (até o grau de um estupor dissociativo), quer por agitação e hiperatividade (reação de fuga). Sinais autonômicos de ansiedade do tipo pânico (taquicardia, sudorese, rubor) estão amiúde presentes. Os sintomas costumam aparecer minutos após o impacto do estímulo ou do evento estressante e desaparecer dentro de dois a três dias (freqüentemente dentro de horas). Pode estar presente uma amnésia, parcial ou total para o episódio.

reação aguda ao estresse associada ao vih - Expressões de desespero, raiva, culpa, retraimento e medo e o desenvolvimento de sintomas somáticos que o indivíduo considera como sinal de evidência de deterioração física devido à infecção por VIH ou AIDS/SIDA. Estas reações são particularmente freqüentes imediatamente após a tomada de conhecimento da seropositividade e simultaneamente com as alterações do estado clínico do doente.

reação "antabus" - Ver dissulfiram.

reação ao dissulfiram - Ver Dissulfiram.

reação catastrófica - Resposta a um estresse físico ou mental excepcionalmente grave caracterizada por uma ruptura do comportamento de adaptação, ansiedade intensa e choque. O termo reação catastrófica tem sido aplicado também para o estado de agitação e de desesperança apresentados por lesionados cerebral confrontados com tarefas além de sua capacidade. (Goldstein, 1878-1965). Ver Reação Aguda ao Estresse.

reação conversiva - Ver Transtorno Dissociativo.

reação de alarme - A Reação de Alarme é a primeira fase da seqüência fisiológica do estresse ou síndrome de adaptação e subdivide-se em dois estados, a fase de choque e a fase de contra-choque. As alterações fisiológicas na fase de choque, momento onde o indivíduo experimenta a ameaça ou estímulo adverso (estressor), são muito exuberantes.

Durante a Reação de Alarme, participa ativamente do conjunto das alterações fisiológicas o chamado Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Trata-se, este SNA, de um complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio interno do organismo, através da ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e glândulas.

Durante a Fase de Choque predomina a atuação de uma parte deste SNA chamado de Sistema Simpático, o qual proporciona descargas de adrenalina da medula da glândula supra-renal e de noradrenalina das fibras pós-ganglionares para a corrente sanguínea. Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva, quando dirigida para fora, estava associada mais à secreção de noradrenalina. Entretanto, na depressão e a na ansiedade, onde os sentimentos estão dirigidos mais para si próprio, a secreção de adrenalina predomina.

Ainda durante o momento em que está havendo estimulação estressante aguda (Fase de Choque da Reação de Alarme), uma parte do Sistema Nervoso Central denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua vez, estimula a hipófise (glândula vizinha ao Hipotálamo) a liberar um outro hormônio, o ACTH, este ganhando a corrente sanguínea e estimulando as glândulas Supra-renais para a secreção de corticóides.

Como percebemos, toda a seqüência de acontecimentos tem origem no cérebro, e o Hipotálamo é que acaba disparando a sucessão de eventos. Ao mesmo tempo em que esse Hipotálamo está providenciando a estimulação da Hipófise para secreção do ACTH, também proporciona a secreção outros neuro-hormônios (hormônios produzidos no cérebro), tais como os chamados peptídeos cerebrais, como é o caso das endorfinas (que modificam o limiar para dor), STH (que acelera o metabolismo), prolactina e outros.

Desaparecendo os agentes estressores, todas essas alterações tendem a se interromper e regredir. Se, no entanto, por alguma razão o organismo continuadamente submetido à estimulação estressante, portanto, é obrigado a manter seu esforço de adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-se da Fase de Resistência. Veja mais em estresse.

reação de crise (F43.0) - Resposta a exigências imprevistas ou incomuns que excedem a capacidade de funcionamento, tais como ameaças ao corpo ou a vida do indivíduo, mudanças no status ou organização familiar, mudanças no papel do indivíduo na comunidade ou ameaças para sua cultura ou nação. O estressor ou desafio excede a capacidade de enfrentamento do indivíduo e a reação imediata é uma diminuição da atenção, confusão e um sentimento de descontinuidade entre passado, presente e futuro. Rapidamente o indivíduo se isola ou desenvolve pânico, comportamento desorganizado e dependência excessiva de outras pessoas. A evolução varia de resolução rápida e espontânea com retorno ao nível de funcionamento pré-mórbido ou desenvolvimento da personalidade e melhora na capacidade de resolver problemas, até incapacitação crônica ou doença como a reação protraída ao estresse. Ver Reação Aguda ao Estresse.

reação de fuga - Resposta de luta ou de fuga, que consiste em descarga do sistema nervoso simpático, mediada pela liberação de catecolaminas pela glândula supra-renal. Sinonímia: Reflexo de Fuga; Reação Simpática. Ver Fuga Dissociativa.

reação de luto (F43.2) - Resposta da pessoa enlutada à perda; progride, classicamente, de uma fase inicial de choque e perplexidade, passando por uma preocupação excessiva com a pessoa falecida, até um período de resolução gradual. São comuns desvios desta seqüência, e padrões mórbidos de luto podem constituir uma doença depressiva manifesta.

reação de rubor pelo álcool - Rubor da face, pescoço e ombros logo após a ingestão de álcool, freqüentemente acompanhado por náusea, tontura e palpitações. A reação de rubor pelo álcool é observada em cerca de 50% das pessoas que pertencem geneticamente a alguns grupos asiáticos e é causada pela deficiência hereditária da enzima aldeidodesidrogenase que cataliza a metabolização do acetaldeído. Esta reação também ocorre em pessoas em tratamento com drogas que sensibilizam ao álcool tal como o dissulfiram (Antabuse), o qual inibe a enzima aldeidodesidrogenase.

reação idiossincrática - Resposta individual, imprevisível e não dependente da dose a qualquer substância psicoativa: sonolência ou euforia, rubor facial, espasmos carpopedais (pseudotétano), apnéia, etc.

reação paranóide do estrangeiro - Manifestação de sintomas paranóides (p.ex., desconfiança, idéias de referência, delírios, alucinações) observada com uma freqüência maior do que seria de se esperar em trabalhadores ou estudantes estrangeiros, refugiados e outros migrantes, em uma grande variedade de condições psiquiátricas. Ver Choque Cultural.

reação protraída ao estresse (F43.1) (ing.: post-traumatic stress disorder) - Resposta tardia ou protraída a um evento ou situação estressante (de curta ou longa duração), de intensa ameaça ou de catástrofe, a qual pode causar um desconforto generalizado de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica em quase qualquer pessoa. Fatores predisponentes, tais como características da personalidade (p.ex., compulsiva, astênica) ou história prévia de doença neurótica podem diminuir o limiar para o desenvolvimento da síndrome ou agravar o seu curso, mas estes fatores não são nem necessários nem suficientes para explicar a ocorrência da doença. As características típicas deste transtorno incluem: episódios de recordações recorrentes do trauma com lembranças indesejadas (flashbacks), sonhos ou pesadelos que ocorrem num contexto de bloqueio emocional persistente, afastamento de outras pessoas, falta de resposta ao ambiente circundante, anedonia e esquiva de atividades e situações que recordem o trauma. Há em geral um estado de hiperexcitabilidade autonômica com hipervigilância e o indivíduo permanece assustado e insone. Ansiedade e depressão estão comumente associadas a esses sinais e sintomas e as idéias suicidas não são raras. O início da crise aparece após um período de latência variável (de semanas até meses). O curso da doença é variável, porém a maioria dos casos melhora. Em uma pequena proporção de indivíduos, este quadro pode cronificar-se, evoluindo para um transtorno persistente de personalidade. Ver Reação Aguda ao Estresse; Reação de Crise.

reação rem (movimento ocular rápido) - Aumento do percentual total do tempo ocupado pelo sono REM que ocorre em conseqüência de supressão anterior do sono REM por agentes farmacológicos ou privação de sono.

reação simpática - Ver reação de fuga.

reação vasovagal - Síncope resultando de diminuição dos batimentos cardíacos, que geralmente ocorre em indivíduos jovens ansiosos, ocasionada por alterações emocionais. As características clínicas incluem náusea, desconforto precordial, dificuldades respiratórias e medo de morrer (angor animi). A condição foi descrita primeiramente por Gowers (1845-1915).

recaída - Retorno ao uso de bebida ou de outra droga após um período de abstinência, freqüentemente acompanhado pela reinstalação de sintomas de dependência. Alguns autores fazem distinção entre recaída e deslize, este último denotando uma ocasião isolada do uso de álcool ou droga.

reciprocidade no intercâmbio dialogado - Aspecto de reciprocidade social geral que consiste na participação apropriada em um diálogo ou conversa: comunicando idéias para os outros participante(s) em uma forma compreensível, aderindo ao assunto da conversa ou respondendo de forma adequada tanto ao conteúdo como ao sentido afetivo daquilo que os outros falam.

reciprocidade social - Participação em atividades de grupo de um modo apropriado, com o respeito, por parte de cada indivíduo, das necessidades e desejos dos outros, enquanto contribui com as suas próprias idéias e capacidades para o esforço do grupo. O termo implica uma capacidade para comunicar-se efetivamente com outras pessoas, entender as suas comunicações e responder adequadamente quer em nível intelectual quer em nível afetivo.

reconhecimento das palavras na leitura
- Capacidade para identificar as palavras que estão sendo lidas mesmo quando aparecem em um contexto desconhecido.

recuperação
- Manutenção de qualquer forma de abstinência de álcool e/ou de drogas. O termo é particularmente associado com os grupos de ajuda mútua; entre os Alcoólicos Anônimos (AA) e outros grupos dos doze passos refere-se ao processo de atingir e manter a sobriedade. Dado que a recuperação é vista como um processo que dura toda a vida, um membro do AA é sempre visto internamente como um alcoólico “em recuperação”, embora o termo alcoólico “recuperado” possa ser usado para uma descrição externa.

redes neurofibrilares - Lesões histopatológicas comumente encontradas nos cérebro de pessoas com a doença de Alzheimer. Microscopicamente, apresentam-se como alças enoveladas no citoplasma de neurônios, constituídas por feixes de filamentos, cada um com um diâmetro de 10 a 13 nanomicra, enrolados helicoidalmente uns nos outros a intervalos regulares. São compostos de fibrilas protéicas, mas a natureza das alterações bioquímicas que os produzem não está plenamente esclarecida. As redes neurofibrilares não são específicas da doença de Alzheimer; ocorrem também em outras demências, na síndrome de Down, no parkinsonismo e, em número reduzido, no cérebro idoso normal. Sinonímia: Alterações Neurofíbrilares de Alzheimer.

rede social - Conceito originário da sociologia analítica que se refere mais às características das ligações sociais entre pessoas, como meio de entendimento do seu comportamento, do que aos atributos dos indivíduos. O conceito foi usado pela primeira vez por Barnes, em 1954, para estudar o comportamento social da comunidade de uma ilha Norueguesa, através da análise dos padrões de ligação entre os seus membros.

redução da memória recente
- Diminuição do número de elementos ou itens desconexos cognitivamente (normalmente de 6 a 10) que pode ser reproduzido corretamente depois de apresentações sucessivas numa ocasião única. A memória recente é uma medida de capacidade perceptiva a curto prazo.

redução da oferta - Termo geral utilizado para se referir a políticas ou programas que visam interditar a produção e a distribuição de drogas e, mais particularmente, estratégias para imposição de leis para reduzir o suprimento de drogas ilícitas. Sinonímia: redução do suprimento. Ver Redução da Procura; Redução de Dano.

redução da procura - Termo geral usado para descrever políticas ou programas destinados a reduzir a demanda do consumo de drogas psicoativas. E aplicado primariamente para drogas ilícitas particularmente com referência a estratégias educacionais de tratamento e reabilitação, em contraposição a estratégias legais que objetivam interditar a produção e distribuição de drogas (redução da oferta ou do suprimento). Sinonímia: redução da demanda. Compare com redução de dano.

redução das modalidades de beber (ou do consumo de droga) - Tendência do consumo de uma substância se tornar progressivamente estereotipado em torno de uma rotina de costumes e rituais auto-imposta, caracterizada por uma menor variabilidade da dose e do tipo de substância consumida e do tempo, lugar e modo de auto-administração. Este termo é incluído em algumas descrições da síndrome de dependência, mas não é um critério diagnóstico da CID-10.

redução de dano - No contexto de álcool ou outras drogas, refere-se a políticas ou programas que enfocam diretamente a redução do dano resultante do uso de álcool ou drogas. O termo é usado particularmente em políticas ou programas que buscam reduzir o dano sem necessariamente afetar o uso de droga subjacente; exemplos incluem a troca de agulhas/seringas para combater o partilhar de agulhas entre usuários de heroína e a inclusão de bolsas de ar auto-infláveis em automóveis para reduzir o dano em acidentes (especialmente como resultado de dirigir alcoolizado). As estratégias de redução de dano abrangem um espectro mais amplo do que a dicotomia redução da oferta/redução da procura. Sinonímia: Minimização de Dano.

redução de suprimento - Ver Redução da Oferta.

regressão  - Perda de habilidades previamente adquiridas; retorno em um nível anterior de funcionamento; adoção de comportamento característico de faixa etária anterior.

reinstalação - Retorno em um nível preexistente de uso de substância e de dependência em um indivíduo, após um período de abstinência; o indivíduo não apenas retorna ao padrão anterior de uso regular ou intensivo da substância, mas há também uma rápida reinstalação de outros elementos da dependência, tais como controle prejudicado, tolerância e sintomas de abstinência. O termo é usado principalmente na expressão “reinstalação rápida", característica de algumas descrições da síndrome de dependência do álcool, mas não incluída como um critério na CID-10.

relativismo cultural - Visão de que diferentes culturas e suas várias manifestações são igualmente válidas em sua determinação de padrões de comportamento, e que qualquer item cultural só adquire sentido pleno quando considerado no seu respectivo contexto. No que se refere aos indivíduos, esta visão implica que os valores, normas e comportamentos de cada pessoa devem ser vistos dentro do contexto de sua própria cultura e não pelo confronto com um padrão absoluto de avaliação. Uma posição extrema de relativismo cultural torna impossível a comparação entre culturas diferentes, enquanto que, por outro lado, a suposta existência de categorias culturais universais depende da análise semântica dos níveis de significado que se busca entender. Alguns cientistas sociais afirmam que certas práticas e atitudes culturais podem ser superiores a outras, do ponto de vista das implicações ou conseqüências para a saúde mental dos seus membros. Ver Etnocentrismo.

relevância (do comportamento de buscar uma substância) - Grau de proeminência da busca ou do uso de uma substância, no pensamento ou nas ações do usuário (p.ex., dar prioridade a obter e usar substâncias sobre qualquer outra atividade). O conceito está incluído nos critérios de dependência na CID-10 e no DSM-III-R, embora sem o uso do termo "relevância".

relógio biológico - Mecanismo fisiológico que controla mudanças periódicas ou ritmos em várias funções físicas e de comportamento, p.ex., temperatura corporal ou pressão sanguínea. Ver Osciladorcircadiano.

remissão espontânea - Desaparecimento das manifestações clínicas de qualquer enfermidade sem que o enfermo tenha sido tratado. No campo das farmacodependências, a cessação do abuso do álcool ou de droga, de dependência ou de problemas sem o benefício de terapia ou grupo de ajuda mútua; também chamada de remissão natural. Dados epidemiológicos sugerem que muitas remissões ocorrem sem terapia ou associação a um grupo de ajuda mútua. Alguns preferem o termo "recuperação natural" para evitar a conotação de doença da palavra remissão.

repressão  - A essência da Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (no inconsciente). A repressão afasta da consciência um evento, idéia ou percepção potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer "manipulação" possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.

Segundo Freud, a repressão nunca é realizada de uma vez por todas e definitivamente, mas exige um continuado consumo de energia para se manter o material reprimido. Para ele os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.

reserpina - Alcalóide cristalino derivado principalmente da planta Ramwlfia serpentina com propriedades hipotensoras e sedativas que pode ser associado à depleção do armazenamento de catecolamina e indolamina em diversos órgãos, inclusive o cérebro. Um dos efeitos indesejáveis da reserpina é a precipitação de um estado depressivo.

resguardo - Puerpério. Em certas sociedades, a adoção, culturalmente sancionada, do papel de doente assumido por maridos de gestantes ou puérperas. A síndrome de recolhimento, que ocorre episodicamente em culturas sem tradição de recolhimento, consiste em sintomas de parto ou pós-parto observados em maridos de gestantes ou de puérperas. Ver Crise; Transições de Ciclos Vitais.

ressaca (ing.: hangover) - Expressão popular que designa o estado pós-intoxicação que compreende os efeitos imediatos posteriores à ingestão de bebidas alcoólicas em excesso; certos componentes não etílicos de bebidas podem estar envolvidos na etiologia. Os aspectos físicos podem incluir fadiga, cefaléia, sede, vertigem, transtorno gástrico, náusea, vômitos, insônia, tremores finos das mãos e pressão sanguínea elevada ou diminuída. Os sintomas psicológicos incluem ansiedade aguda, culpa, depressão, irritabilidade e sensibilidade aumentada. A quantidade de álcool necessária para produzir ressaca varia com a condição mental e física do indivíduo, embora geralmente quanto mais alto o teor alcoólico no sangue durante o período de intoxicação, mais intensos são os sintomas subseqüentes. Os sintomas também variam com a atitude social. Usualmente, a ressaca não dura mais que 36 horas depois que todos os traços da bebida deixaram o organismo. Alguns dos sintomas da ressaca são similares aos da síndrome de abstinência do álcool, mas o termo ressaca é reservado usualmente aos efeitos posteriores a um episódio único de beber e não implica, necessariamente, nenhum outro transtorno por uso de álcool.

retardo mental - Ver Deficiência Mental.

resistência - Na psiquiatria, defesa psicológica maciça do indivíduo contra trazer pensamentos ou impulsos recalcados (inconscientes) para a consciência, evitando, assim, a ansiedade.

ressonância magnética - A ressonância nuclear magnética é exame muito útil no diagnóstico de doenças do sistema nervoso, sendo baseada na emissão de ondas magnéticas. Atinge alta precisão sendo superior à tomografia computadorizada em inúmeras situações. Não se utiliza de raios-X o que o torna um exame pouco agressivo ao organismo. Por outro lado sofre a interferência de substâncias metálicas que prejudicam sua qualidade técnica, como próteses implantadas no corpo utilizadas em diversos tratamentos. Atualmente é um exame fundamental para o estudo de todo o Sistema Nervoso, destacando-se o tronco cerebral, o cerebelo e a medula espinhal aonde supera a tomografia computadorizada. Na análise de órgãos do sistema digestivo tem importância para aqueles que são fixos como o fígado, vias biliares e o pâncreas, apresentando defeitos de imagem na análise dos intestinos.

retardo mental - Funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, existindo concomitantemente com déficits no comportamento adaptativo.

retardo psicomotor - Lentidão generalizada nas reações físicas e emocionais. Especificamente, lentidão dos movimentos, tais como piscar de olhos. Freqüentemente visto na depressão.

retraimento - Afastamento patológico das pessoas ou do mundo da realidade, freqüentemente visto na esquizofrenia.

reverberação - Tipo de pensamento no qual o som de uma palavra, em vez de seu significado, dá a direção para associações subseqüentes; trocadilhos e rimas podem substituir a lógica da linguagem, tornando-se essa cada vez mais uma compulsão, sem sentido, de fazer associações e cada vez menos um veículo para a comunicação.

revisão de vida - Processo de pensar sobre o significado da própria vida, certamente uma ocorrência universal em todas as pessoas idosas, à medida que enfrentam a perspectiva de morte iminente.

revivência (F1x.70) (ing.: flashback)
- Recorrência espontânea de distorções visuais, sintomas físicos, perda dos limites do ego ou emoções intensas que ocorreram quando o indivíduo consumiu alucinógenos anteriormente. Revivências (flashbacks) são episódios de curta duração (segundos ou horas) que podem reproduzir exatamente os sintomas de episódios alucinógenos prévios. Algumas vezes são precipitados por fadiga, ingestão de álcool ou intoxicação por cannabis. As revivências são relativamente comuns e podem ocorrer em 25% ou mais dos consumidores de alucinógenos. Mais recentemente também tem sido relatadas por fumadores de pasta de coca.

Ver Transtorno Psicótico Residual e de Início Tardio Induzido por Álcool ou Droga.

risco de abuso - Propensão de uma dada substância psicoativa a ser suscetível de abuso, definida em termos da relativa probabilidade de que o uso dessa substância resulte em problemas sociais, psicológicos ou físicos para um indivíduo ou para a sociedade. De acordo com os tratados internacionais sobre controle de drogas (Ver convenções internacionais sobre drogas), a OMS é responsável pela determinação do risco de abuso e do potencial de dependência, diferenciando-os da utilidade terapêutica das substâncias controladas. Ver Abuso; Potencial de Dependência; Uso Nocivo.

rito - Conjunto de regras e práticas consagradas pela tradição ou pelo uso que devem ser observadas em determinadas ocasiões. Utilizado principalmente num contexto religioso (p.ex., a missa católica) ou político (p.ex., a coroação de um rei ou a posse de um presidente), designa ainda certos comportamentos estereotipados encontrados no transtorno obsessivo-compulsivo.

ritos de passagem - Ritos formais que celebram a transição social no ciclo da vida e marcam alterações quanto a papéis sociais e responsabilidades. Exemplos incluem nascimento, puberdade, menarca, formatura, casamento, êxitos ocupacionais ou comportamentais importantes, aposentadoria e morte. As culturas diferem na extensão em que elas provêm rituais de suporte para marcar e facilitar estas transições. Com as alterações culturais rápidas observadas nas sociedades urbanas e industrializadas, os ritos tradicionais de passagem podem ser abandonados (p.ex., ritos de iniciação de adolescentes) e novas experiências de transição podem não ser reconhecidas por novas ritualizações, deixando um vácuo social quanto ao reconhecimento da mudança (p.ex., divórcio, aumento salarial, remanejamento no trabalho, aprender a dirigir carro). Ver Crises, Transições de Ciclos Vitais.

ritual - Ver rito.

ritual obsessivo compulsivo - Pensamentos obsessivos ou atos compulsivos recorrentes. Idéias, imagens e impulsos que se repetem na mente do indivíduo de forma estereotipada, quase sempre angustiantes. São reconhecidos como pensamentos do próprio indivíduo, ainda que involuntários e freqüentes. Os distúrbios obsessivo-compulsivos são, segundo a teoria Psicanalítica, relacionados a incidentes ou conduta parental inadequada e/ou rigorosa na fase anal, onde se dá o treinamento para o controle dos esfíncteres, através de um sistema de reforçamento técnico composto de recompensas e punições.

O transtorno obsessivo-compulsivo é igualmente comum em homens e mulheres, adultos, adolescentes e em crianças à partir dos 5 anos (idade aproximada ).

A maioria dos atos compulsivos diz respeito à limpeza (lavagem de mãos), verificação repetida de procedimentos, organização. São procedimentos compensatórios. Subjacente ao comportamento manifesto, está o medo do perigo e o ato ritual é uma tentativa simbólica de afastar o perigo.rivalidade entre irmãos - Competição entre irmãos pelo amor de um dos pais ou por algum outro reconhecimento ou ganho.

rorschach, teste de - Teste psicológico desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rors-cliach (1884-1922) que busca revelar traços da personalidade e conflitos emocionais conscientes e inconscientes, através da obtenção das associações que a pessoa faz para um conjunto padronizado de manchas de tinta.

roubo do pensamento - Fenômeno pelo qual o indivíduo tem a vivência que os próprios pensamentos são "roubados" ou apropriados por um agente exterior a ele. A convicção da origem externa da interferência não é o resultado de uma racionalização secundária, mas surge com forte sensação de autenticidade, simultânea à experiência de remoção de pensamentos. Sinonímia: remoção do pensamento; subtração do pensamento.

roubo patológico (cleptomania) - A característica essencial do Roubo Patológico ou Cleptomania é o fracasso recorrente em resistir a impulsos de furtar objetos, embora esses não sejam necessários para o uso pessoal ou por seu valor monetário. O indivíduo vivencia um sentimento subjetivo de crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação ou alívio ao cometer o furto. O furto não é cometido para expressar raiva ou vingança, não é realizado em resposta a um delírio ou alucinação, nem é explicado por um Transtorno da Conduta, um Episódio Maníaco ou um Transtorno da Personalidade Anti-Social. Os objetos são furtados apesar de tipicamente terem pouco valor para o indivíduo, que teria condições de comprá-los e freqüentemente os dá de presente ou joga-os fora. Às vezes, o indivíduo pode colecionar os objetos furtados ou devolvê-los disfarçadamente. Embora os indivíduos com este transtorno em geral evitem furtar quando uma detenção imediata é provável (por ex., na proximidade de um policial), eles não costumam planejar seus furtos de antemão nem levam plenamente em conta as chances de serem presos. O furto é cometido sem auxílio ou colaboração de outros.

rubéola congênita - Infecção no útero pelo vírus da rubéola em conseqüência de uma infecção materna durante o primeiro trimestre de gravidez. As anormalidades na criança afetada incluem deficiência mental, microcefalia, surdez, catarata, microftalmia e doença cardíaca congênita. Quanto mais novo for o feto, maior o risco de dano.

ruminações obsessivas (F42.0) - Idéias, imagens mentais ou impulsos para agir intrusivos, quase sempre angustiantes para o indivíduo. Algumas vezes as idéias são de indecisão, com considerações infindáveis de alternativas, associada com uma incapacidade para tomar decisões triviais, mas indispensáveis na vida diária. A relação entre ruminações obsessivas e depressão é particularmente próxima. Ver Pensamentos Obsessivos.

rush - O efeito agradável imediato e intenso que segue à injeção intravenosa de certas drogas (p.ex., heroína, morfina, anfetamina, cocaína, propoxifeno).