- O
-
obediência
automática - Resposta estrita
e aparentemente involuntária a um
comando, ordem ou pedido como se
o indivíduo fosse uma autômato.
Embora seja um sintoma cardinal
da síndrome catatônica, pode também
ser observada de estados de
hipersugestionabilidade (p. ex.,
como resultado da hipnose), fadiga
extrema, privação sensorial e certas
intoxicações.
obnubilação
- A Obnubilação da Consciência
é uma alteração da consciência e
se caracteriza pela diminuição da
sensopercepção, lentidão da compreensão
e da elaboração das impressões sensoriais.
Há ainda lentificação no ritmo e
alteração no curso do pensamento,
prejuízo da fixação e da evocação
da memória, algum grau de desorientação
e sonolência mais ou menos acentuada.
Devido ao prejuizo na fixação da
memória, possivelmente devido também
à alteração da atenção, a qual,
embora possa ser despertada por
estímulos sensoriais não representa
um ponto inicial de alguma progressão
psíquica, o paciente obnubilado
não se lembra de quase nada do que
se passa ou se passou consigo. Na
consciência obnubilada nada de novo
pode ser acrescentado.
Na Obnubilação da Consciência há
também deterioração do pensamento
conceptual, que se torna incoerente
e fragmentário. Com freqüência surgem
formas alucinatórias, pseudo-alucinatórias
ou delirantes. Embora o paciente
não tenha condições de apresentar
qualquer queixa somática, é possível
verificar, pela expressão fisionômica,
algum sentimento de sofrimento,
inquietação, ansiedade, depressão,
habilidade emocional ou irritabilidade.
A Obnubilação da Consciência pode
se apresentar em graus variados,
desde leve torpor até à vizinhança
do coma. Em muitos casos, a obnubilação
da consciência pode representar
o primeiro grau da confusão mental
ou pode constituir a fase inicial
da instalação do coma.
obsessão
- Idéia, emoção
ou impulso indesejado que se intromete,
de forma repetitiva e insistente,
na consciência, a despeito
de esforços em contrário,
por parte da pessoa que os vivência.
Ver compulsão; pensamentos
obsessivos; transtorno obsessivo-
compulsivo.
oligofrenia - Ver
deficiência mental.
omissões
- No transtorno da linguagem verbal,
parte das palavras ou frases truncadas
quando o indivíduo fala,
lê ou escreve. P. ex., "prato"
pode ser expresso como "pato",
"banana" como "nana".
oniróide,
delírio ou alucinação - Oniróide
ou Onírico diz respeito ao sono,
ao dormir. O Delírio Oniróide
pode ser observado em pacientes
toxi-infecciosos, com outras intoxicações
crônicas e com enfermidades cerebrais
orgânicas, principalmente arteriosclerose
cerebral. Suas principais características
são: obnubilação da consciência,
desorientação e alucinações.
Algumas vezes pode-se observar sinais
precursores do Delírio Oniróide,
quando então o paciente apresenta
mal-estar, sono agitado, intranqüilidade,
cefaléia e hiperestesias. Pode haver
ainda agitação psicomotora. Em alguns
casos, o quadro é o de uma leve
excitação eufórica, com elevação
do estado de ânimo, excitabilidade
fácil e tendência incessante à movimentação.
No Delírio Oniróide, ao contrário
do que se observa na Obnubilação
da Consciência, as reações afetivas
são vivas e adequadas ao conteúdo
da consciência, notando-se angústia,
ansiedade, medo ou, por outro lado,
satisfação, alegria desmedida e
euforia. É com essa afetividade
que o enfermo participa ativamente
das cenas produzidas por sua imaginação.
A intensidade do Delírio Oniróide
é variável. Algumas vezes o Delírio
Oniróide aumenta no período
vespertino e esmaece durante o dia,
assemelhando-se o quadro ao da obnubilação.
Passado o Delírio Oniróide, que
pode durar horas ou dias, invariavelmente
há algum grau amnésia acerca do
episódio.
opiáceo
- Um dos grupos de alcalóides
derivados da papoula (Papaver somniferum)
que produz analgesia, euforia e,
em doses mais altas, estupor, coma
e depressão respiratória.
O termo opiáceo não
abrange os opióides sintéticos.
Ver opióide.
opióide
- Termo genérico aplicado
a alcalóides da papoula (Papaver
somniferum), seus análogos
sintéticos e compostos sintetizados
pelo organismo que interagem com
os mesmos receptores específicos
no cérebro. Tem a capacidade
de aliviar a dor e de produzir uma
sensação de bem-estar
(euforia). Em altas doses, os alcalóides
do ópio e seus análogos
sintéticos também
causam estupor, coma e depressão
respiratória.
Os alcalóides do ópio
e seus derivados semi-sintéticos
incluem a morfina, a diacetilmorfina
(diamorfina, heroína), a
hidromorfina, a codeína e
a oxicodona. Os opióides
sintéticos incluem o levorfanol,
o propoxifeno, o fentanil, a metadona,
a petidina (meperidina) e o agonista-antagonista
pentazocina. Os compostos endógenos
com ações opióides
abrangem as endorfinas e as encefalinas
(ver opióides endógenos).
Os opióides utilizados mais
comumente (como morfina, heroína,
hidromorfina, metadona e petidina)
ligam-se preferencialmente aos receptores
u; eles produzem analgesia, alterações
de humor (como euforia, que pode
evoluir para apatia ou disforia),
depressão respiratória,
entorpecimento, lentificação
psicomotora, fala arrastada, perturbações
da concentração ou
da memória, bem como do juízo
crítico.
Com a persistência do uso,
a morfina e seus análogos
induzem tolerância e alterações
neuroadaptativas responsáveis
pela hiperexcitabilidade de rebote
quando a droga é retirada.
A síndrome de abstinência
caracteriza-se por uma necessidade
imperiosa (craving), ansiedade,
disforia, bocejos, sudorese, piloereção
(ondas de arrepio), lacrimejamento,
rinorréia, insônia,
náuseas ou vômitos,
diarréia, cãibras,
dores musculares e febre. Com drogas
de ação curta como
a morfina e a heroína, os
sintomas de abstinência aparecem
dentro de 8-12 horas após
a última dose, atingem o
pico em 48-72 horas e desaparecem
depois de 7-10 dias. Com drogas
de ação mais prolongada
como a metadona, o início
dos sintomas de abstinência
pode ocorrer apenas após
1-3 dias da última dose e
o pico se dá entre o terceiro
e o oitavo dia. Os sintomas podem
persistir por várias semanas,
mas geralmente são mais leves
do que os que acompanham a abstinência
de morfina ou heroína em
doses equivalentes.
Há várias seqüelas
físicas decorrentes do uso
de opióides, principalmente
como resultado do método
de administração usual,
o endovenoso. Estas incluem: hepatite
B, hepatite C, infecção
pelo HIV, septicemia, endocardite,
abscessos pulmonares e pneumonia,
tromboflebite e rabdomiólise.
São comuns também
perturbações psicológicas
e sociais, freqüentemente resultantes
da natureza ilícita da utilização
não médica destas
drogas.
opióide endógeno
- Qualquer dos neuropeptídeos
que ocorrem naturalmente no cérebro
classificados em dois grupos principais:
as encefalinas e as endorfinas.
Ambos interagem com receptores de
ligação de opiáceos
e podem, portanto, modular a percepção
da dor. Além disso, as endorfinas
parecem modular o humor e as respostas
a estímulos estressantes.
Ver opióide.
organização
familiar - As famílias
são organizadas em formas
prescritas pela cultura. A família
nuclear (que consiste de um homem,
uma mulher e seus filhos e filhas)
tem uma distribuição
universal, mas, em muitas sociedades
esta unidade é parte de uma
família ampliada (que abarca
três gerações
e inclui irmãos, irmãs
e seus cônjuges). A compreensão
da autoridade, da estrutura e da
função da família
pode ser crítica na avaliação
psiquiátrica e no planejamento
terapêutico. Um sistema familiar
matriarcal é definido pela
atribuição de autoridade,
responsabilidade e status a uma
mulher mais velha da família.
Em tais culturas, o parentesco geralmente
inclui somente os pais da mãe.
Um sistema familiar patriarcal implica
o investimento da autoridade e da
responsabilidade da família
sobre um homem mais velho da família.
Nos sistemas familiares bilaterais
nem a esposa nem o esposo assumem
totalmente ou a maior porção
da autoridade e do poder dentro
da família. Em algumas áreas,
a autoridade pode ser partilhada,
mas em outros lugares a autoridade
se concentra nas mãos de
um dos cônjuges (p.ex., manutenção
da casa ou da subsistência).
orientação
(da consciência) - Orientação
é um estado psíquico funcional em
virtude do qual temos consciência
plena, em cada momento de nossa
vida, da situação real em que nos
encontramos. É indubitável que a
orientação depende, antes de mais
nada, da integridade psíquica e
do estado de consciência e, uma
vez perturbada esta consciência,
altera-se concomitantemente a orientação.
A orientação mobiliza, em sua execução,
fatores que muito cooperam em sua
eficácia funcional e que envolvem
o exercício de certas operações
mentais, bem mais complexas do que
se conhece.
De regra, verifica-se a orientação
autopsíquica e a orientação alopsíquica,
através da entrevista com o paciente.
Pode-se dizer que o paciente está
bem orientado quanto a noção do
eu, quando fornece ele próprio dados
de sua identificação pessoal, revelando
saber quem é, como se chama, que
idade tem, qual sua nacionalidade,
profissão, estado civil, etc. Este
atributo da consciência lúcida chama-se
Orientação Autopsíquica.
Chama-se de Orientação Alopsíquica
a orientação da pessoa em relação
ao tempo e ao espaço. A orientação
no tempo e no espaço depende estritamente
da percepção, da memória e da contínuo
processamento psíquico dos acontecimentos.
orientação
sexual egodistônica (F66.1)
- Neste transtorno não há
dúvida sobre a identidade
de gênero ou sobre a preferência,
tendência ou inclinação
sexual (heterossexual, homossexual,
bissexual ou pré-pubertária),
mas o indivíduo deseja que
ela seja diferente devido a perturbações
psicológicas ou comportamentais
associadas e pode procurar tratamento
para mudá-la. Ver transexualismo.
oscilação
do humor - Ver labilidade
afetiva.
oscilador circadiano
- Marcapasso interno responsável
por um ritmo circadiano particular,
p.ex., uma flutuação
diária inata de funções
fisiológicas e comportamentais
com uma periodicidade de cerca de
24 horas. Há quem defenda
a existência de múltiplos
osciladores responsáveis
pela geração dos distintos
ritmos circadianos.
overdose - Ver
superdose.