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fabulação - Transtorno de memória que ocorre sem alteração de consciência, caracterizado por falsos relatos de eventos passados ou experiências pessoais. As memórias falseadas são usualmente esquecidas e precisam ser evocadas; menos comumente, elas são espontâneas e sustentadas e, ocasionalmente, tendem à grandiosidade. A tabulação usualmente ocorre em síndromes amnésicas orgânicas (p.ex., síndrome de Korsakov). A tabulação pode também ser induzida ou influenciada iatrogenicamente. Ela não deve ser confundida com as alucinações de memória que ocorrem na esquizofrenia, nem com a pseudologia fantástica (síndrome de Delbruck). Ver síndrome amnésica orgânica.

facilitador - Pessoa ou grupo social cujas ações ou políticas facilitam, intencionalmente ou não, o contínuo uso indevido de álcool ou de outra substância psicoativa. Ver codependente.

fadiga crônica & fibromialgia - Existem duas patologias incaracterísticas, tidas até bem pouco tempo, como fingimento, preguiça, má vontade e manha mas que, atualmente foram identificados e diagnosticados como verdadeiras síndromes de causa desconhecida e quadro clínico bem definido. Trata-se da Fibromialgia, um quadro de dores generalizadas pelo corpo todo e da Síndrome de Fadiga Crônica. Ambas patologias estão associadas à estados emocionais desencadeantes ou agravantes, daí a inclusão delas no capítulo das Doenças Psicossomáticas.

A Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) é uma condição caracterizada por fadiga prolongada e debilitante, acompanhada por vários sintomas inespecíficos como dores de cabeça, repetidas inflamações de garganta, dores musculares e nas articulações e perturbações cognitivas, como por exemplo, lapsos de memória e dificuldade de concentração.

A fadiga intensa é o elemento principal da síndrome e pode aparecer repentinamente ou se instalar gradualmente. A Síndrome da Fadiga Crônica está incluída no capítulo das Doenças Psicossomáticas. O diagnóstico da Síndrome da Fadiga Crônica requer que os sintomas relatados tenham uma história de, pelo menos, seis meses de duração. De modo geral a maioria dos pacientes se queixa de padecer por anos de um quadro extremamente incapacitante e mal entendido, tanto por pessoas leigas, como também por muitos profissionais de saúde.

Está cada vez mais freqüente a queixa de pessoas que têm "cansaço " crônico quando acabam de acordar e quando voltam das férias. É a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) da qual não se sabe a causa, mas está associada a uma alteração do eixo hipotálamo-hipofisário incluindo a supra-renal, por isso há um nível baixo de cortisona no sangue.

fadiga de combate (F43.0) - Estado de exaustão emocional e física precipitado por uma experiência de combate. Ver reação aguda ao estresse.

fadiga pós-viral - Ver síndrome astênica pós-infecciosa.

fala desordenada - Ver taquifemia.

fala sem sentido - Ver jargonofasia.

fala, perturbação na - Qualquer transtorno da comunicação verbal que não é provocado por inervação defectiva dos músculos da fala ou órgãos da articulação.

fala, pressão de - Fala rápida, acelerada e excitada. Às vezes, excede a capacidade da musculatura vocal para a articulação, levando a uma fala atrapalhada e indistinta; em outros casos, excede a capacidade do ouvinte para compreender, à medida que a fala expressa uma fuga de idéias ou um jargão ininteligível.

falha do desenvolvimento - Falta de desenvolvimento fisiológico normal esperado numa criança, incluindo aquisição lentificada de marcos do desenvolvimento e ausência de ganho de peso, freqüentemente acompanhada de falta de crescimento, retardo físico e baixa estatura. Na ausência de causas orgânicas, a falha em desenvolver-se pode ocorrer como parte da síndrome de transtorno reativo de vinculação. Ver transtorno reativo de vinculação na infância.

falta ou perda do desejo sexual (F52.0) - Transtorno do impulso sexual hipoativo ou (em mulheres) frigidez. Ver disfunção sexual.

fanatismo/idéias superestimadas - Há situações onde ocorre uma predominância dos afetos sobre a reflexão consciente, com subseqüente alteração do juízo da realidade e com repercussões secundárias no comportamento social do indivíduo. As Idéias Supervalorizadas são conhecidas também como Idéias Prevalentes ou Idéias Superestimadas. É quando o pensamento se centraliza obsessivamente num tópico especialmente definido e carregado de uma enorme carga afetiva. A imagem literária através da qual se estigmatiza o possuidor das Idéias Supervalorizadas é a do indivíduo fanatizado, cuja convicção acerca de sua Idéia Superestimada desafia toda argumentação em sentido contrário, inclusive a contra-argumentação embasada em elementos lógicos e razoáveis.

Tendo em vista a grande força sentimental propulsora da convicção prevalente, tal pensamento passa a ser dirigido exclusivamente pela emoção, comumente por uma emoção doentia e com total descaso para com a lógica ou para com a razão.

fantasia - Seqüência imaginada de eventos ou imagens mentais que serve para expressar conflitos inconscientes, para gratificar desejos inconscientes ou para preparar eventos futuros previstos.

fase residual - A fase de uma doença que ocorre após a remissão dos sintomas floridos ou da síndrome completa.

fases etárias - Etapas culturalmente reconhecidas e socialmente estabelecidas no ciclo vital (p.ex., infância, adolescência, idade do casamento, meia-idade, idade da aposentadoria), que refletem mudanças biológicas e podem ajudar os indivíduos na aceitação de mudanças relacionadas à idade e na adaptação às alterações de seu status social, não obstante sua natureza estressante.

fatalismo - Visão de mundo segundo a qual os eventos desagradáveis são aceitos como inevitáveis, em vez de preveníveis ou solucionáveis.

feitiçaria - Crença que uma pessoa, usando métodos supostamente sobrenaturais (ou "mágicos”), pode trazer azar, causar dano ou doença (e mesmo a morte) a outra pessoa ou pode controlar o futuro. Este termo é usado freqüentemente como sinônimo de bruxaria.

fenciclidina (pcp) - Substância psicoativa com efeitos depressores, estimulantes, analgésicos e alucinógenos sobre o sistema nervoso central. Foi introduzida na clínica como anestésico dissociativo, mas seu uso foi abandonado devido à freqüente ocorrência de uma síndrome aguda manifestada por desorientação, agitação e delirium. Parece ser útil no tratamento de acidentes vasculares cerebrais. A PCP é relativamente barata e fácil de sintetizar, sendo utilizada como droga ilícita desde os anos 1970. Substâncias relacionadas que produzem efeitos semelhantes compreendem o dexoxadrol e a quetamina.

O uso ilícito da PCP se faz por via oral, endovenosa ou por aspiração, mas geralmente é fumada. Os efeitos começam em 5 minutos e têm seu pico em 30 minutos. Primeiro, o usuário sente euforia, calor corporal, formigamento, sensação de flutuação e o sentimento de um sereno isolamento. Podem aparecer alucinações visuais e auditivas, assim como alterações da imagem corporal, percepções distorcidas do tempo e do espaço, delírios e desorganização do pensamento. Alguns sintomas neurológicos e psicológicos acessórios estão relacionados com a dose e incluem hipertensão, nistagmo, ataxia, disartria, esgares, sudorese intensa, hiper-reflexia, diminuição da resposta à dor, rigidez muscular, hiperpirexia, hiperacusia e convulsões.

Os efeitos geralmente duram de 4 a 6 horas, embora alguns sintomas residuais possam levar vários dias para desaparecerem. Durante o período imediato de recuperação pode haver comportamento autodestrutivo ou violento. Foram observados delirium, transtorno delirante e transtorno de humor causados pelo uso de PCP. Como no caso dos alucinógenos, não se sabe se tais transtornos são efeitos específicos da droga ou manifestação de uma vulnerabilidade preexistente. Na CID-10, os transtornos relacionados à PCP estão classificados junto com os dos alucinógenos (F16).

fenilcetonúria - Condição autossômica recessiva heterogênea, caracterizada por uma incapacidade para converter fenilalanina em tirosina devida a uma mutação no locus da fenilalanina-4-hidroxilase (12q22-q24), também denominada de fenilcetonúria clássica) ou, raramente, por um defeito em qualquer etapa do metabolismo de um cofator, i.é., ausência ou deficiência da atividade da pteridina redutase ou síntese deficiente da biopterina. Nos homozigotos não tratados, o fenótipo mostra graus variados de deficiência mental, desde o mais profundo ao mais leve, e uma variedade de anormalidades físicas que incluem nanísmo, diminuição da circunferência craniana, amplo espaçamento entre os incisivos, cifose, diminuição da pigmentação, dermatite eczematosa, aumento do tônus muscular e hipercinesia. A freqüência dos defeitos de nascimento varia desde 1:12.000 até 1:50.000 em diferentes populações, com importante variação étnica. O tratamento da fenilcetonúria clássica consiste em dieta restrita em fenilalanina iniciada logo após o nascimento e mantido por toda infância e início da adolescência, podendo prevenir ou minimizar a deficiência intelectual. A dieta deve, em todo caso, ser retomada pela mulher acometida que desejar engravidar, para evitar o acúmulo de fenilalanina no cérebro do feto, mesmo não sendo este fenulcetonúrico. A doença foi descrita por Foiling em 1934.

fenômeno hipnagógico/hipnopômpico - Experiências alucinatórias e pseudo-alucinatórias que ocorrem no estado de transição entre o sono e a vigília, quer antes de adormecer (hipnagógico), quer depois de despertar (hipnopômpico). Atinge habitualmente todas as modalidades sensoriais, embora as imagens visuais sejam citadas com bastante freqüência. Alterações cognitivo-afetivas estão por vezes presentes e pode também ocorrer um sobressalto hipnagógico (um estiramento súbito do corpo). As imagens sensoriais estão correlacionadas com períodos iniciais de sono paradoxal (sono REM) e podem estar associadas à narcolepsia. Em geral, contudo, os fenômenos hipnagógicos/hipnopômpicos não são indicativos de processo ou disfunção de natureza patológica.

fenômeno hipnopômpico - Ver fenômeno hipnagógico/hipnopômpico.

feocromocitoma - Tumor originado na medula adrenal ou raramente em outras partes do sistema cromafílico que causa hipertensão persistente ou intermitente, pela liberação de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) na circulação sanguínea. Os feocromocitomas secretam noradrenalina intermitentemente causando ataques de ansiedade aguda como parte da característica da síndrome que também inclui angina, palidez e transpiração profusa, náusea e vômitos.

fetichismo (F65.0) - Transtorno da preferência sexual consistindo na dependência de alguns objetos inanimados como um estímulo para excitação e satisfação sexuais. Muitos fetiches são uma parte do corpo (p.ex., uma mecha de cabelos, os pés, extensões do corpo humano) ou artigos de vestuário e calçados. Outros exemplos comuns são caracterizados por alguma textura em particular, tais como borracha, plástico ou couro. Os objetos-fetiche variam em sua importância de indivíduo a indivíduo. Em alguns casos, eles servem simplesmente para intensificar a excitação sexual alcançada por meios comuns (p.ex., ter parceiro usando uma determinada peça de roupa). Há diferenças culturais consideráveis quanto a este conceito, na medida em que o apego erótico a um objeto em particular pode ser inteiramente aceitável em uma sociedade, mas ser moderada ou gravemente desviante em outra sociedade. A valorização erótica de uma parte do corpo ou de um objeto pode mudar no decorrer do tempo (p.ex., o fetichismo por mulheres com pés pequenos na sociedade chinesa do século passado, ou por mulheres de cintura fina na sociedade européia ou da América do Norte do século passado, ou por mulheres de seios volumosos e por homens musculosos na sociedade norte-americana contemporânea). Ver transvestismo fetichista.

fígado gorduroso alcoólico (K70.0) - Acumulação de gordura no fígado conseqüente à ingestão de níveis arriscados de álcool com o conseqüente aumento das células do fígado e algumas vezes hepatomegalia, função anormal do fígado, dor abdominal inespecífica, anorexia e — menos comumente — icterícia. O diagnóstico definitivo somente pode ser feito pelo exame histológico do fígado. O fígado gorduroso pode desenvolver-se após uns poucos dias de beber e esta situação não deve ser considerada como indicativa de uma dependência de álcool. A abstinência resulta em regressão das anormalidades histológicas. O termo preferido para esta situação é “fígado gorduroso induzido pelo álcool”, embora não seja de uso generalizado.

filho de alcoolista (fda) - Pessoa com pelo menos um dos pais que seja ou tenha sido um alcoolista. As discussões iniciais sobre os efeitos dos pais alcoolistas sobre os seus filhos focalizavam crianças e adolescentes. Nos anos 1980, ser um filho adulto de alcoolista (FAA ou FADA) passou a ser uma identificação associada a um movimento de grupo de ajuda mutua, operando seja sob os auspícios de Al-Anon seja em grupos separados e em programas de tratamento, a maioria deles organizados segundo os princípios do grupo dos doze passos. Uma crescente literatura popular caracteriza o FDA como um coalcoolista ou codependente, e apresenta uma lista abrangente de características debilitantes do FDA na vida adulta. Há agora uma tendência a se generalizar o modelo para "filhos adultos de famílias disfuncionais".

finalização (Working through) - Exploração de um problema pelo cliente e terapeuta ato que uma solução satisfatória tenha sido obtida ou até que tenha sido encontrada a fonte inconsciente de um determinado sintoma.

fixação - Um comprometimento da maturação psicossexual, em um nível imaturo; dependendo do grau, pode ser normal ou patológica.

flashbacks - Ver revivências.

flexibilidade cérea - "Cereas flexibilitas", freqüentemente presente na esquizofrenia catatônica na qual o braço ou perna do indivíduo permanece na posição em que são colocados.

fluência verbal - Presteza e facilidade do fluxo de palavras durante a fala. No transtorno da linguagem expressiva, a perturbação na fluência e produção das palavras pode manifestar-se numa fala vacilante e hesitante, com um vocabulário restrito e uso excessivo de generalizações; as frases podem ser anormalmente curtas ou telegráficas por causa da omissão de conjunções e preposições.

fobia - Medo irracional e persistente de um objeto, atividade ou situação específicos (o estímulo fóbico), ocasionando um intenso desejo de evitá-los. Isto freqüentemente leva o indivíduo a se esquivar do estímulo fóbico ou a enfrentá-lo com temor. A Fobia é um medo específico intenso o qual, na maioria das vezes, é projetado para o exterior através de manifestações próprias do organismo. Essas manifestações normalmente tocam ao sistema neurovegetativo, tais como: vertigens, pânico, palpitações, distúrbios gastrintestinais, sudorese e perda da consciência por lipotimia. As manifestações autossômicas externadas pela fobia têm lugar sempre que o paciente se depara com o objeto (ou situação) fóbico.

O pensamento fóbico é tão automático quanto o obsessivo e o paciente tem plena consciência do absurdo de seus temores ou, ao menos, sabem-no como completamente infundados na intensidade que se manifestam. Resistem, os temores, a qualquer argumentação sensata e lógica. Aliás, o medo só será fóbico quando considerado injustificável pelo próprio paciente e, concomitantemente, for capaz de produzir reações adversas comandadas pelo sistema nervoso autônomo.

fobia social (F40.1) - Medo de expor-se a outras pessoas, levando à evitação de situações sociais. Fobias sociais mais difusas são usualmente associadas com pouco amor-próprio e medo de críticas. Elas podem apresentar-se como queixas de enrubescimento, tremor nas mãos, náusea ou urgência miccional quando o indivíduo se convence de que uma dessas manifestações secundárias da ansiedade é o problema primário. Os sintomas podem progredir para transtorno de pânico.

fobias específicas (isoladas) (F40.2) - Fobia restrita a situações altamente específicas, tais como proximidade de certos animais, altura (acrofobia), tempestades, escuridão, viajar de avião, espaços fechados (claustrofobia), urinar ou defecar em banheiros públicos, comer certos alimentos, dentista ou a visão de sangue ou ferimento. Embora a situação desencadeadora seja discreta, o contato com ela pode evocar pânico como na agorafobia e na fobia social.

fóbicos, transtornos - A diferença entre a Fobia sintoma e o Transtorno Fóbico, deve ser considerada como a diferença que se faz entre o sintoma e a doença. A Fobia, como sintoma faz parte da alteração do pensamento, aparece como um medo imotivado e patológico, ilógico e especificamente orientado para um determinado objeto ou situação. Normalmente é acompanhada de intensa ansiedade e outros sintomas autossômicos. O Transtorno Fóbico-Ansioso se caracteriza, exatamente, pela prevalência da Fobia sintoma entre os demais sintomas de ansiedade, ou seja, um medo anormal, desproporcional e persistente diante de um objeto ou situação específica. Dentro dos quadros fóbicos-ansiosos destacam-se três tipos:

1 - Agorafobia;
2 - Fobia Social e;
3 - Fobia Específica.

A FOBIA ESPECÍFICA (anteriormente Fobia Simples) tem como característica essencial o medo acentuado e persistente de objetos ou situações claramente discerníveis e circunscritos. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase invariavelmente, imediata resposta de ansiedade com muitos sintomas físicos. A FOBIA SOCIAL também é um quadro fóbico-ansioso.

folha de coca - As folhas do arbusto da coca (Erythroxylon coca), tradicionalmente mascadas nas culturas andinas com uma pequena porção de cinzas alcalinas, são utilizadas como estimulante e supressor do apetite e também para aumentar a resistência nas grandes altitudes. A cocaína é extraída das folhas de coca.

folie a deux - Idéias delirantes partilhadas por pessoas com relacionamento próximo; a pessoa dominante freqüentemente manifesta o delírio em primeiro lugar, enquanto que a pessoa dependente o manifesta posteriormente. Esta condição é relacionada à cultura de duas formas: (i) pode acontecer em famílias, cultos ou outros grupos que se caracterizam pelo isolamento social; (ii) refugiados e imigrantes são grupos em risco especial de desenvolver este problema. Pode estar associado a vários outros diagnósticos psiquiátricos (p.ex., transtornos do humor, deficiência mental, transtorno de reação protraída ao estresse). Ver delírio; transtorno delirante induzido.

foniatria - Conjunto de técnicas e procedimentos comportamentais originalmente projetados para a correção de defeitos de vocalização e de articulação, tais como gagueira. Por extensão, este conceito é aplicado na reabilitação de indivíduos com afasia e na condução terapêutica dos transtornos do desenvolvimento da linguagem.

formula de jellinek - Um método de avaliar o número de alcoolistas numa população, proposto originalmente por E. M. Jeilinek, por volta de 1940, e integralmente publicado em 1951. Na versão final, a fórmula era A = (PD/K)R, na qual A é o número de alcoolistas; D é o número de mortes devido à cirrose notificadas num determinado ano; supõem-se que P, K, e R são constantes, refletindo respectivamente a proporção de mortes por cirrose devido a alcoolismo, à percentagem de alcoolistas com complicações e que morrem de cirrose num determinado ano e à relação entre a totalidade de alcoolistas e os alcoolistas com complicações. Tanto a suposição que P, K e R são constantes, bem como a própria base conceituai da fórmula foram objeto de críticas cada vez mais severas, e o próprio Jellinek recomendou, por volta de 1959, o seu abandono. Não obstante, a fórmula, por falta de alternativas, continuou a ser muito utilizada até os anos 1970.

formação reativa - Formação Reativa é um dos Mecanismos de Defesa descritos por Freud. Esse Mecanismos de Defesa substitui comportamentos e sentimentos que são diametralmente opostos ao desejo real. Trata-se de uma inversão clara e, em geral, inconsciente do verdadeiro desejo. Como outros mecanismos de defesa, as formações reativas são desenvolvidas, em primeiro lugar, na infância. As crianças, assim como incontáveis adultos, tornam-se conscientes da excitação sexual que não pode ser satisfeita, evocam conseqüentemente forças psíquicas opostas a fim de suprimirem efetivamente este desprazer. Para essa supressão elas costumam construir barreiras mentais contrárias ao verdadeiro sentimento sexual, como por exemplo, a repugnância, a vergonha e a moralidade. Não só a idéia original é reprimida, mas qualquer vergonha ou auto-reprovação que poderiam surgir ao admitir tais pensamentos em si próprios também são excluídas da consciência.

Infelizmente, os efeitos colaterais da Formação Reativa podem prejudicar os relacionamentos sociais. As principais características reveladoras de Formação Reativa são seu excesso, sua rigidez e sua extravagância. O impulso, sendo negado, tem que ser cada vez mais ocultado.

Através da Formação Reativa, alguns pais são incapazes de admitir um certo ressentimento em relação aos filhos, acabam interferindo exageradamente em suas vidas, sob o pretexto de estarem preocupados com seu bem-estar e segurança. Nesses casos a superproteção é, na verdade, uma forma de punição. O esposo pleno de raiva contra sua esposa pode manifestar sua Formação Reativa tratando-a com formalidade exagerada: "não é querida..." A Formação Reativa oculta partes da personalidade e restringe a capacidade de uma pessoa responder a eventos e, dessa forma, a personalidade pode tornar-se relativamente inflexível.

frangofilia - Dentre os impulsos dirigidos contra objetos, destacamos a chamada Frangofilia, o impulso ao estraçalhamento de roupas, vestes, travesseiros, colchões, móveis, etc., numa expressão de hostilidade ativa e incontida ao mundo material. A Frangofilia pode ocorrer nos episódios de euforia do Transtorno Afetivo Bipolar, no caso de oligofrênicos, na agitação catatônica e em estados demenciais, senis e pré-senis. Quando ocorre na excitação maníaca a Frangofilia transcorre sem obnubilação da consciência.

fricativismo (F65.8) - Excitação sexual associada ao ato de se esfregar em uma pessoa atraente, especialmente encostando-se nela particularmente no meio de uma multidão. Ver práticas sexuais; orientação sexual egodistônica.

frigidez (F52.0) - Ver disfunção sexual.

frigofobia (ch.: pa-leng) - Síndrome chinesa na qual o paciente com múltiplos sintomas somáticos tem um medo mórbido de sentir frio, associado à crença de que seus males representam um desequilíbrio na relação yin-yang relacionada ao elemento fogo. Estes pacientes podem vestir-se com roupas de frio ou cobertores, mesmo em períodos de calor. Ver yin-yang.

frontal, síndrome do lobo - As lesões no lobo frontal podem proporcionar uma alteração significativa dos modos de comportamento que eram habituais ao sujeito antes do advento da doença; as perturbações concernem em particular à expressão das emoções, das necessidades e dos impulsos. O quadro clínico pode, além disto, comportar uma alteração das funções cognitivas, do pensamento e da sexualidade. Nas classificações internacionais (CID.10 e DSM.IV) essa síndrome está relacionada ao chamado Transtorno Orgânico da Personalidade.

froterismo (fr.: frotteurisme) - Ver fricativismo.

frotteurismo - O foco parafílico do Frotteurismo envolve tocar e esfregar-se em uma pessoa sem seu consentimento. O comportamento geralmente ocorre em locais com grande concentração de pessoas, dos quais o indivíduo pode escapar mais facilmente de uma detenção (por ex., calçadas movimentadas ou veículos de transporte coletivo). 

Ele esfrega seus genitais contra as coxas e nádegas ou acaricia com as mãos a genitália ou os seios da vítima. Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento exclusivo e carinhos com a vítima. Entretanto, ele reconhece que, para evitar um possível processo legal, deve escapar à detecção após tocar sua vítima. 

Geralmente, a parafilia inicia na adolescência. A maior parte dos atos deste transtorno ocorre quando a pessoa está entre os 15 e os 25 anos de idade, após o que se observa um declínio gradual em sua freqüência.

fuga - Ver fuga dissociativa.

fuga de idéias - Perturbação formal do pensamento, comumente associada a humor exaltado e freqüentemente vivenciada como pressão do pensamento. Caracteriza-se por fala rápida e incessante; as associações verbais estão intensificadas e facilmente modificadas e desviadas por fatores aleatórios ou sem qualquer razão aparente. A instabilidade da atenção é um traço proeminente, sendo freqüentes as rimas e os jogos de palavras. O fluxo ideativo pode exceder a capacidade de expressão, resultando num tipo de incoerência verbal. Sinonímia: fuga idearum.

fuga dissociativa (F44.1) - Estado de amnésia dissociativa acompanhado de deslocamento geográfico intencional que excede os trajetos cotidianos. Apesar da amnésia simultânea à fuga, pode o indivíduo, durante esta, ostentar comportamento que, para observadores independentes, aparente completa normalidade. Sua incidência parece diferir de uma cultura para outra, bem como ao longo do tempo na mesma cultura. Ver dissociação.

fuga psicogênica (histérica ou dissociativa) - A característica essencial da Fuga Dissociativa é uma viagem súbita e inesperada para longe de casa ou do local costumeiro de atividades diárias do indivíduo, com incapacidade de recordar parte ou todo o próprio passado. Isto é acompanhado por confusão acerca da identidade pessoal ou mesmo adoção de uma nova identidade. A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno Dissociativo de Identidade nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

A viagem pode variar desde breves afastamentos durante períodos relativamente curtos (isto é, horas ou dias), até roteiros complexos, geralmente discretos, por longos períodos (por ex., semanas ou meses); há relatos de indivíduos que cruzam diversas fronteiras nacionais e viajam milhares de quilômetros. Durante uma fuga, os indivíduos em geral parecem não ter psicopatologia e não despertam atenção. Em algum momento, o indivíduo é levado à atenção clínica, geralmente por causa de amnésia para eventos recentes ou falta de consciência da identidade pessoal. Retornando ao estado pré-fuga, a pessoa pode não recordar o que ocorreu durante a fuga.

A maioria das fugas não envolve a formação de uma nova identidade. Se uma nova identidade é assumida durante a fuga, esta habitualmente é caracterizada por traços mais gregários e desinibidos do que os que caracterizavam a identidade anterior. A pessoa pode assumir um novo nome, uma nova residência e envolver-se em atividades sociais complexas e bem integradas, que não sugerem a presença de um transtorno mental.

fumante passivo - Aquele que inala involuntariamente a fumaça, geralmente de cigarro, de outra pessoa que esteja fumando. Cunhado nos anos 1970, em conexão com estudos dos efeitos de tal inalação, o termo ajudou a chamar a atenção para os efeitos prejudiciais do fumo para as pessoas situadas no ambiente do fumante.

furor - Furor é um grau extremo de cólera que se traduz por conduta extremamente agressiva e agitada, normalmente acompanhada de estreitamento da consciência. O Furor comumente pode estar associado aos Estados Crepusculares, onde passa a ser acompanhado de automatismo motor, quase sempre com atitudes sem objetivo prático e expressão facial sugestiva de medo ou agressividade. Quando o Estado Crepuscular é acompanhado de Furor, podemos falar em Furor Epiléptico, distúrbio responsável por graves danos sociais e familiares. Passado o episódio, normalmente o paciente não guarda uma lembrança nítida do ocorrido. Durante estes Estados Crepusculares podem ser cometidos delitos violentos.

furto patológico (F63.2) - Insucesso repetido em resistir a impulsos de furtar objetos, que não são adquiridos para uso pessoal ou para ganho pecuniário; ao invés disso, os objetos poderão ser descartados, doados ou colecionados. O comportamento é geralmente acompanhado por uma sensação de tensão crescente antes do ato e uma sensação de satisfação durante e imediatamente depois do mesmo. Sinonímia: cleptomania.