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dano cerebral relacionado com o uso de álcool - Termo genérico que engloba a deterioração da memória e das funções mentais superiores relacionadas com o lobo frontal e o sistema límbico. Assim, compreende tanto a síndrome amnésica induzida pelo álcool (F10.6) como a síndrome do lobo frontal (incluído em F10.7). No entanto, o termo é com freqüência usado quando somente um destes transtornos está presente.

A perda de memória na síndrome amnésica afeta caracteristicamente a memória recente. O dano do lobo frontal manifesta-se por deficiências relativas ao pensamento abstrato, a conceitos e ao planejamento e processamento de informação complexa. Outras funções cognitivas estão relativamente bem conservadas e a consciência não está perturbada. Deve-se distinguir entre dano cerebral relacionado com o álcool e demência alcoólica. Nesta última situação, há um maior dano global das funções cognitivas e, geralmente, a presença de evidência de outras etiologias, tais como repetidos traumatismos cranianos. Ver Demência Alcoólica.

defeito - Deterioração irreversível de qualquer função psicológica particular (p.ex., defeito cognitivo) do desenvolvimento geral das capacidades mentais, ou dos padrões característicos do pensamento, afeto e comportamento que constituem a personalidade do indivíduo. Um defeito em qualquer uma destas áreas pode ser inato ou adquirido. Um estado característico de defeito da personalidade, incluindo em suas manifestações desde perda do vigor emocional e intelectual, leves excentricidades comportamentais até autismo e embotamento afetivo, foi descrito por Kraepelin (1856-1926) e Eugen Bleuler (1857-1939) como sendo uma característica da evolução da doença esquizofrênica, em contraste com a psicose maníaco-depressiva.Ver Alterações Permanentes da Personalidade; Deterioração Esquizofrênica.

defeitos congênitos relacionados com o álcool - Ver Síndrome Fetal Alcoólica.

deficiência - Falta ou redução. No contexto psiquiátrico (Ing.: impairment), é qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Ver Desvantagem; Incapacidade.

deficiência de niacina (E52) - Níveis inadequados de ácido nicotínico (ou niacina) produzem o quadro clínico da pelagra, caracterizado por uma dermatite simétrica nas partes do corpo expostas ao sol, sintomas gastrintestinais (náuseas, vômitos, distensão abdominal, diarréia) e encefalopatia. Esta última pode simular qualquer tipo de transtorno mental, mas a depressão é provavelmente a manifestação psiquiátrica mais comum. Desorientação alucinações e delirium também podem surgir e alguns pacientes podem evoluir para a demência. A pelagra é endêmica nas classes menos favorecidas nos países onde a dieta é inadequada e onde o milho não processado é a dieta principal. Em outros países, ela aparece principalmente entre os alcoolistas.

deficiência de vitamina B12 - Carência de vitamina B12, geralmente uma deficiência nutricional secundária à absorção insuficiente de vitamina pelo íleo, em indivíduos com doenças gastrintestinais crônicas. Uma conseqüência freqüente é a degeneração subaguda da medula, do nervo óptico, da substância branca cerebral e dos nervos periféricos. O envolvimento da medula se manifesta como uma doença sistemática, caracterizada por parestesias progressivas simétricas dos pés ou mãos (dormência, formigamento, queimação, etc.) seguida de falta de firmeza ao andar e, finalmente, espasticidade, ataxia e paraplegia. Os sintomas psicológicos incluem apatia, irritabilidade, desconfiança e, com a progressão, confusão e demência.

deficiência de vitamina C - Ver Escorbuto.

deficiência mental (F70-F79) - Condição de desenvolvimento interrompido ou incompleto da mente, caracterizado particularmente pela redução das capacidades que contribuem para o nível global da inteligência, i.é., habilidades cognitivas, lingüísticas, motoras e sociais manifestada durante o período de desenvolvimento. A deficiência pode ocorrer com ou sem qualquer outra condição física ou mental. Os graus de deficiência são convencionalmente estimados por:

a) Testes padronizados de inteligência cujo resultado (Quociente Intelectual ou QI) médio é 100 com desvio padrão de 15 pontos.

b) Escalas de medida de adaptação social num dado meio. Nenhuma destas medidas pode dar mais que uma indicação aproximada do grau de deficiência mental. O funcionamento intelectual e a adaptação social podem mudar no decorrer do tempo e podem melhorar em função da maturação e da resposta à reabilitação e ao treinamento. Sinonímia: Subnormalidade Mental; Oligofrenia.

leve (F70). Suscetível de experimentar uma certa dificuldade na escola; muitos adultos serão capazes de trabalhar, ter e manter boas relações sociais e contribuir para a sociedade. Alguns aspectos da aprendizagem podem ser mais lentos e podem, requerer treino mais sistemático. O intervalo aproximado do QI é de 50-69 (adultos com idade mental de 9 a 12 anos).

moderada (F71). Marcado atraso de desenvolvimento na infância, mas muitos aprendem a desenvolver um certo grau de independência em cuidar de si e adquirir uma adequada escolaridade e capacidade de comunicação. Quando adultos, necessitarão, em grau variado, de ajuda para viver e trabalhar na comunidade. O intervalo aproximado de QI é de 35-49 (adultos com idade mental de 6 a 9 anos).

grave (F72). Pode responder a programas adequados de reabilitação, apesar das limitações físicas e orgânicas, mas o indivíduo provavelmente permanecerá dependente e com necessidade de ajuda permanente. O intervalo aproximado de QI é de 20-34 (adultos com idade mental de 3 a 6 anos).

profunda (F73). Limitação grave da capacidade de cuidar de si próprio, de continência, comunicação e mobilidade, mas o indivíduo pode ser capaz de ter alguma resposta a programas de reabilitação. O QI situa abaixo de 20 (adultos com idade mental de 3 anos, no máximo).

degeneração - Alteração patológica em um tecido ou organismo, que consiste em uma descontinuidade de sua estrutura original. Na psiquiatria do século XIX, o termo foi associado à desacreditada teoria de Morel (1809-1873), que postulava a transmissão de características hereditárias adversas de geração em geração.

degeneração cerebromacular - Ver Doença de Tay-Sachs.

delinqüência grupal - Ver Transtorno de Conduta Socializado.

delirante, cognição - Sob a designação de Cognição Delirante incluem-se certas convicções intuitivas que surgem inesperadamente, sobretudo no início de surtos psicóticos agudos, vivências que, não raro, se mantêm, arraigadas e firmes, durante largo tempo. O característico dessas vivências é que, em contraste com as anteriores, elas dispensam por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos concretos, ocorrendo à guisa de intuições puras atuais. 

É o que pode se evidenciar no seguinte relato do tipo: "Súbito, eu me dei conta de que a situação significava qualquer coisa de mau, mas eu não sabia o que".

O mesmo se verifica, neste outro exemplo, em que a paciente se revela repentinamente tomada da tranqüila convicção de sua alta linhagem: "sabia que era filha do Presidente da República", certeza que se instala sob a forma de uma evidência interna imediata, isto é, que não lhe vem de qualquer interpretação, suposição ou reflexão crítica ou lógica, referente a acontecimentos vividos.

Caracteriza-se igualmente como Cognição Delirante, por exemplo, a vivência experimentada por um paciente que, acometido de súbita alteração, sai para a rua, dizendo: "Eu sou o filho da estrela d'Alva". Algumas vezes, contudo, essas cognições aparecem em estreita consonância com a temática delirante, ligando-se então, incidentalmente, a acontecimentos implicados no delírio. Esse tipo de Cognição Delirante ligada à temática do próprio delírio se observa, por exemplo, em pacientes obcecados com a Bíblia. Jaspers cita o caso de certa jovem que, ao ler o episódio da Ressurreição de Lázaro, sente-se, de repente, ela própria, encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante assume o delírio onde sua irmã é Marta, Lázaro é um primo seu e passa a viver, com grande intensidade, o acontecimento narrado na Bíblia.

delírio - Convicção ou juízo falso, incorrigível, fora dos padrões da realidade e incompatível com as crenças sociais da cultura e do meio do indivíduo. Os delírios primários são essencialmente incompreensíveis em termos de história de vida e de personalidade do indivíduo; os delírios secundários são psicologicamente compreensíveis e estão associados a outras perturbações mentais, como, p.ex., transtorno afetivo ou de desconfiança.

Uma distinção foi feita por Birnbaum em 1908 e Jaspers em 1913 entre delírio propriamente dito e idéias delirantes; estas últimas são meramente um juízo equivocado mantido com excessiva tenacidade. Em avaliações psiquiátricas, uma crença cultural pode ser confundida com um delírio se o clínico não souber que esta crença particular é uma crença prescrita culturalmente e “normal”, independentemente de sua validez empírica. O brusco questionamento das crenças culturais sem a sua adequada substituição por outros conceitos ou crenças pode resultar em anomia ou crise de identidade.

delírio de controle - Ver Delírio de Influência.

delírio de grandeza - Crença mórbida na própria importância, grandiosidade ou superioridade (como, p.ex., no delírio de missão messiânica), freqüentemente acompanhada por outras idéias delirantes. Pode ser sintoma de paranóia, esquizofrenia (com freqüência, mas não invariavelmente do tipo paranóide), mania e síndromes orgânicas cerebrais, particularmente paralisia geral.

delírio de influência - Convicção delirante que algo de si está sendo substituído ou está sendo submetido à influência e controle de alguma força estranha. As descrições originais deste fenômeno delirante o associavam a pseudo-alucinações (Kandisnki, 1849-1889) e a alterações da consciência (Clérambault, 1872-1934).

delírio de perseguição - Crença patológica de vitimização de um ou mais indivíduos ou grupos. Ocorre nos transtornos paranóides, mais comumente na esquizofrenia, mas também em alguns estados orgânicos ou depressivos. Certos transtornos da personalidade aumentam a predisposição para tais delírios.

delírio polimórfico - Quadro composto por delírios (p.ex., idéias delirantes, juízos delirantes) com numerosos conteúdos inconsistentes e contraditórios. Caracteriza-se pela inconstância dos temas e mudança de forma em breves unidades de tempo; é um fenômeno que se contrapõe ao delírio sistematizado.

delírio sensitivo de auto-referência (F22.0) (Al.: Sensitiver Beziehungswahn) - Forma específica de psicose paranóide não esquizofrênica com idéias mórbidas de auto-referência surgindo da base de uma estrutura de personalidade introvertida sensitiva, com uma capacidade pobre de desenvolver a liberação de afeto e tensão. A psicose normalmente se segue a uma experiência significante envolvendo humilhação e amor-próprio ferido. A personalidade é caracteristicamente bem preservada e o prognóstico, favorável. O conceito foi introduzido por Kretschmer (1888-1964).

delirium (F05) - Síndrome orgânica cerebral aguda, de etiologia inespecífica, caracterizada por perturbações da consciência, atenção, percepção, orientação, pensamento, memória, comportamento psicomotor, emoções e ciclo sono-vigília. O estado de delirium é transitório e de intensidade flutuante. A duração é variável, de poucas horas a poucas semanas e a gravidade varia de leve até muito grave. A maior parte dos casos remite dentro de 4 semanas ou menos; contudo, não são incomuns casos de delirium que duram mais do que 6 meses. A síndrome de abstinência induzida pela retirada do álcool com delirium é conhecida como delirium tremens. Sinonímia: Estado Confusional Orgânico Agudo. Ver Síndrome de Abstinência; Síndrome de Abstinência com Delirium.

delirium associado ao VIH - O delirium pode estar sobreposto a déficits cognitivos da demência associada ao VIH e pode agravar o seu curso. O delirium pode também ocorrer na altura da seroconversão em associação com meningite asséptica. Mais freqüentemente, o delirium em doentes com AIDS/SIDA pode estar relacionado com hipóxia (p.ex., pneumonia por Pneumocystis carinii), meningite por criptococos, infecções sistemáticas (p.ex., bacteremia por estafilococos), lesões expansivas cerebrais (p.ex., linfoma do SNC ou abscesso cerebral devido à toxoplasmose), alterações metabólicas (alterações do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico) e uso de drogas psicotrópicas (especialmente antidepressivos tricíclicos, cuja ação anticolinérgica parece ser mais pronunciada nestes doentes).

delirium tremens (F10.4) - Síndrome de abstinência com delirium; um estado psicótico agudo que ocorre durante a fase de abstinência em indivíduos dependentes de álcool e caracterizado por confusão, desorientação, ideação paranóide, delírios, ilusões, alucinações (tipicamente visuais ou táteis, menos comumente auditivas, olfatórias ou vestibulares), inquietação, distração, tremores (algumas vezes grosseiros), sudorese, taquicardia e hipertensão. É usualmente precedida por sinais de síndrome de abstinência simples. O início do delirium tremens ocorre usualmente 48h ou mais após a retirada ou a redução do consumo de álcool, mas pode apresentar-se até 1 semana após este período. Deve ser distinguido da alucinose alcoólica, que nem sempre é um fenômeno da abstinência. A condição é conhecida coloquialmente como "DT".

deliróide, idéia

delírios secundários
delírio humor-congruentes

A distinção fundamental entre Idéias Delirantes (que é o Delírio) e Idéias Deliróides, é que nas Idéias Deliróides a imagem do mundo exterior é falsificada de acordo com as demandas afetivas e instintivas fragilizadas. O sistema deliróide constrói a realidade da qual a pessoa necessita emocionalmente, portanto, é uma construção da realidade secundária às exigências emocionais e não, como no Delírio, uma ocorrência primária.

O raciocínio que caracteriza a idéia deliróide é bastante similar àquele que todos nós utilizamos, embora de grau muito diferente (patológico). Seria uma fantasia ou devaneio patologicamente mais sólido que aqueles aos quais todos nós estamos sujeitos nos momentos de angústia. Na penúria nos imaginamos ganhando na loteria, o deliróide tem certeza de que ganhou...

Por isso a idéia deliróide é compreensível para as pessoas normais na maioria das vezes. Nossas crenças tendem a ser subjetivamente coloridas e, sem dúvida, todos recorremos a certas ficções por insegurança. O emprego da Racionalização e da Projeção com propósitos defensivos, por exemplo, têm o mesmo objetivo psicológico da utilização patológica desses Mecanismos de Defesa como acontece nas Idéias Deliróides.

As Idéias Deliróides, notadamente aquelas organizadas e sistematizadas, constituem tentativas de manipular os problemas e as tensões da vida através de fantasias elaboradas para fornecer aquilo que a vida real nega, entretanto, devido ao seu aspecto mórbido, tais fantasias não são construídas numa estrutura compatível com uma adaptação social normal.

Verificamos, com freqüência, que o conteúdo das Idéias Deliróides revela aspectos significativos dos problemas pessoais do paciente. As fontes desses problemas podem ser freqüentemente encontradas em inclinações e impulsos contrariados, esperanças frustradas, sentimentos de inferioridade, inadequações biológicas, qualidades rejeitadas, desejos importunantes, sentimentos de culpa e outras situações que exigem uma defesa contra a angústia. Uma profunda necessidade de consolo pode ser satisfeita por idéias auto-elogiosas, portanto, uma falsa Idéia Deliróide de grandeza, por exemplo, pode refletir uma defesa contra sentimentos de inferioridade.

Na Depressão Grave com Sintomas Psicóticos, como sabemos e bem atestou Kurt Schneider, embora a tristeza vital seja considerada primária, no sentido de ser também incompreensível e psicologicamente irredutível, dela deriva e se vincula toda a gama de Idéias Deliróides depressivas. Essas Idéias Deliróides são pseudo-delírios ou Delírios Secundários, como os denomina Jaspers, por tomá-los psicologicamente compreensíveis e dentro do quadro clínico geral em que se formam. Atualmente fala-se também em Delírio Humor-Congruentes.

delirium tremens relacionado ao álcool - Ver Síndrome de Abstinência com Delirium.

demência - Síndrome, geralmente crônica e progressiva, devido a uma patologia encefálica na qual se verificam diversas deficiências das funções corticais superiores, que incluem memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprender, linguagem e julgamento; a consciência não é afetada; as deficiências cognitivas são acompanhadas (e ocasionalmente precedidas) por deterioração do controle emocional, da conduta social ou da motivação.

demência alcoólica (F10.7) - Termo de significado variável, que comumente designa um transtorno crônico ou progressivo resultante de um beber arriscado, caracterizado pelo comprometimento das múltiplas funções corticais superiores, que incluem memória, raciocínio, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento. A consciência é preservada. As perturbações cognitivas são comumente acompanhadas de deterioração do controle emocional, do comportamento social ou da motivação. A existência da demência alcoólica como uma síndrome específica é posta em dúvida por alguns que atribuem a demência a outras causas. Ver demência; transtorno psicótico residual ou de início tardio induzido por álcool ou drogas.

demência associada ao VIH (F02.0) - Demência de tipo subcortical, caracterizada por lentificação psicomotora, incapacidade de manter a atenção e transtornos da volição. Os indivíduos com demência associada ao VIH tipicamente referem perda de memória, lentificação, dificuldade de concentração e dificuldade na resolução de problemas e de leitura. Podem apresentar-se apáticos e com reduzida espontaneidade e dificuldade de socialização. O exame do estado mental demonstra dificuldades na atenção, lentificação psicomotora, perturbações mnésicas e dificuldade de raciocínio. O exame físico freqüentemente revela tremor, dificuldades em movimentos rápidos repetitivos, perda de equilíbrio, ataxia, hipertonia, hiper-reflexia generalizada, sinais de liberação do lobo frontal e perturbação dos movimentos de acompanhamento e sacádicos dos olhos. Os testes neuropsicológicos caracteristicamente revelam anomalias em várias áreas, particularmente na atenção, capacidade de resolução rápida de problemas seqüenciais e do desempenho motor. A demência associada ao VIH geralmente evolui rapidamente para uma deterioração grave e morte.

Ao exame anatomopatológico, a condição é geralmente caracterizada por encefalite de células multinucleadas e macrófagos em resposta à infecção pelo VIH, monócitos e células multinucleadas resultantes da fusão desses dois tipos de células. Contudo, de um terço a metade dos doentes evidenciam apenas astrogliose central e palidez da mielina. Em cerca de um terço dos doentes o antígeno p24 pode ser detectado no LCR. As imagens de tomografia computadorizada e da ressonância magnética geralmente demonstram atrofia cerebral com alargamento dos sulcos e ventrículos cerebrais. Ver Complexo Relacionado à Aids/Sida (Cds); Demência.

demência da aids/Sida - Ver Demência Associada ao VIH.

demência hidrocefálica: é uma forma muito rara de demência, e ocorre uma hidrocefalia com pressão cerebral normal. Está relacionada a doenças cerebrais ocorridas no passado, como hemorragia cerebral, meningite e/ou encefalite ou traumatismo de crânio, e que levam à interrupção do fluxo de líquido céfalo-raquidiano dentro do cérebro. Freqüentemente, entretanto, não se encontra uma causa. Exames como tomografia cerebral ou ressonância nuclear magnética cerebral mostram-se alteradas, indicando o aumento de tamanho dos ventrículos cerebrais. A pressão intracraniana fica pouco elevada ou normal. Clinicamente se apresenta com três sintomas característicos: demência, dificuldade para andar e incontinência urinária. O tratamento é cirúrgico e consiste na instalação de um sistema de derivação do líquido céfalo-raquidiano com a interposição de uma válvula.

demência na doença de Creutzfeldt-Jakob (F02.1) - Demência progressiva com extensas manifestações neurológicas, devido a alterações neuropatológicas específicas que são provavelmente determinadas por um agente transmissível. Inicia-se geralmente na meia-idade ou na velhice, mas pode ocorrer no período adulto. O curso é subagudo levando à morte em um ou dois anos.

demência na doença de huntington (F02.2) - Demência que ocorre como parte de um processo degenerativo difuso do cérebro, como manifestação de uma patologia hereditária rara descrita por Huntington (1850-1916).

demência na doença de parkinson (F02.3) - Ocorrência simultânea de demência e de doença idiopática de Parkinson, geralmente em seus estágios mais avançados e graves. A freqüência atual desta associação pode exceder a prevalência esperada tanto da doença de Alzheimer como da doença vascular em pacientes com doença de Parkinson, mas não foram encontradas características específicas que permitem diferenciar esta condição dos transtornos demenciais comuns. A demência na doença de Parkinson deve ser diferenciada da acinesia psíquica, da lentificação do processamento cognitivo e da depressão encontradas comumente em pacientes com doença de Parkinson. Sinonímia: Demência na Paralisys Agitans; Demência em Parkinsonismo; Síndrome Parkinsoniano-Demencial. Ver Doença de Parkinson.

demência na doença de pick (F02.0) - Demência de evolução progressiva, iniciada na meia-idade, caracterizada por lenta e precoce alteração do caráter, deterioração do desempenho social, destacando-se inicialmente uma deterioração intelectual, da memória e da linguagem; mais tarde, aparecem apatia, euforia e, ocasionalmente, fenômenos extrapiramidais. O quadro neuropatológico evidencia atrofia seletiva dos lobos frontal e temporal.

demência na infecção pelo vírus da imunodeficiência humana - Ver Demência Associada ao VIH.

demência paralítica - Ver paralisia geral (progressiva).

demência por múltiplos infartos - Ver Demência Vascular por Infartos Múltiplos.

demêntia praecox - Termo obsoleto para a esquizofrenia.

demência precoce - Grupo de doenças de início precoce que, de acordo com Kraepelin (1856-1926) — que empregou um termo criado por Morel (1809-1873) — invariavelmente resultava em defeito, ao contrário da psicose maníaco-depressiva, na qual era possível remissão completa ou cura. A formulação original de Kraepelin para a demência precoce (1896) incluía formas leves, graves e hebefrenia. A catatonia e a demência paranóide eram tidas como entidades distintas até 1899, quando foram reunidas sob o conceito de demência precoce. Em 1909, Eugen Bleuler (1857-1939) propôs rebatizar este conjunto de transtornos sob a designação de “grupo das esquizofrenias”; o termo, atualmente, está obsoleto.

demência pré-senil - Demência que tem seu início antes dos 65 anos de idade. Ver Demência na Doença de Creutzfeldt-Jakob; Demência na Doença de Hüntington; Demência na Doença de Parkinson; Demência na Doença de Pick; Doença de Alzheimer.

demência pugilística - Alteração da memória e da atenção e mudanças da personalidade atribuíveis a contusões cerebrais repetidas, como, p.ex., as sofridas por boxeadores. Podem-se manifestar afecções indicativas de lesão cerebelar, piramidal e extrapiramidal com alterações neuropatológicas da região septal, da substância cinzenta mediotemporal, das vias cerebelares e da substância nigra.

demência senil - Demência que tem seu início após os 65 anos de idade. Ver Demência na Doença de Creutzfeldt-Jakob; Demência na DOENÇA de Hüntington; Demência na Doença de Parkinson; Demência na Doença de Pick; Doença de Alzheimer.

demência vascular (F01) - Demência resultante de infarto cerebral devido à doença vascular, inclusive a doença hipertensiva vascular cerebral. A demência pode suceder-se a crises isquêmicas passageiras, a uma sucessão de acidentes vasculares cerebrais agudos ou, menos comumente, a um único e grave ataque apoplético.

demência vascular de início agudo (F01.0) - Demência vascular que se instala rapidamente depois de uma sucessão de crises popléticas ou após uma única e maciça hemorragia.

demência vascular mista cortical e subcortical (F01.3) - Demência cujo quadro clínico ou cujos resultados de investigação laboratorial (inclusive necropsia) — ou ambos — mostra a presença de componentes indicativos de lesão cortical e subcortical concomitantes.

demência vascular por múltiplos infartos (F01.1) - Demência resultante predominantemente de lesão cortical, com início gradual, seguindo-se a diversos episódios isquêmicos passageiros que produzem acumulação de infartos no parênquima cerebral.

demência vascular subcortical (F01.2) - Demência que segue um processo hipertensivo e é caracterizada pela destruição isquêmica da substância branca profunda em ambos os hemisférios. O quadro clínico pode ser muito parecido com o da doença de Alzheimer, mas o córtex cerebral deve estar preservado. Ver Síndrome de Binswanger.

dependência (F1X.2) - Como um termo geral, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência.

Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como um grupo de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e continua esse uso a despeito de conseqüências adversas. É aproximadamente equivalente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se geralmente a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de alcoolismo.

Em 1964, uma Comissão de Peritos da OMS introduziu "dependência" em substituição a adicção e habituação. O termo pode geralmente ser usado com referência a todas as drogas psicoativas (p.ex., dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referindo-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex, dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos de classes de drogas, há diferenças entre os sintomas
característicos de diferentes drogas.

De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. Dependência psicológica ou psíquica refere-se à experiência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (Ver cravwg, compulsão), enquanto dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e sintomas de abstinência (Ver neuroadaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada para referir-se somente à dependência física.

Dependência (ou dependência física) é também usado no contexto psicofarmacológico num sentido limitado, referindo-se somente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma parada do uso de droga. Neste sentido restrito, dependência cruzada é vista como complementar à tolerância cruzada, com ambas definições referindo-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação).

dependência cruzada - Termo farmacológico usado para denotar a capacidade de uma substância (ou classe de substâncias) de suprimir as manifestações da síndrome de abstinência de outra substância ou classe e assim manter o estado de dependência física. Note que dependência é normalmente usado num sentido psicofarmacológico mais estrito, associado à supressão dos sintomas da síndrome de abstinência.

Uma conseqüência do fenômeno da dependência cruzada é que a dependência a uma substância é mais provavelmente desenvolvida se o indivíduo já está dependente de uma substância relacionada. Por exemplo, a dependência de um benzodiazepínico desenvolve-se mais rapidamente em indivíduos já dependentes de uma outra droga deste tipo ou de outras substâncias com efeitos sedativos, tais como álcool e barbitúricos. Ver Desintoxicação; Tolerância Cruzada.

dependência de álcool - Ver Dependência.

depressão - Em linguagem leiga, um estado de acabrunhamento, desânimo ou tristeza que pode indicar má saúde. Em um contexto médico, o termo se refere a um estado mental dominado por uma diminuição do humor e freqüentemente acompanhado por um conjunto de sintomas variados, particularmente ansiedade, agitação, sentimentos de desvalia, idéias suicidas, hipobulia, lentificação psicomotora e vários sintomas somáticos, disfunções fisiológicas (p.ex., insônia) e queixas diversas. Como síndrome, a depressão é um elemento importante em várias categorias de doenças. O termo é amplamente utilizado — por vezes, de modo impreciso — para designar um transtorno, uma síndrome ou um estado de doença. Ver Melancolia.

depressão anaclítica - A Depressão Anaclítica é uma depressão infantil precoce que representa um severo prejuízo no desenvolvimento físico e psíquico das crianças vítimas de abandono e/ou negligência. Esse tipo de depressão infantil e precoce foi descrita pela primeira vez por Spitz, que a via como um quadro de perda gradual de interesse pelo meio, perda ponderal (de peso), comportamentos estereotipados (tais como balanceios) e, eventualmente, até a morte.

É devido a esses trabalhos sobre abandono e negligência que Winnicott chega a dizer que "Sem ter alguém dedicado especificamente às suas necessidades, o bebê não consegue estabelecer uma relação eficiente com o mundo externo. Sem alguém para dar-lhe gratificações instintivas e satisfatórias, o bebê não consegue descobrir seu próprio corpo nem desenvolver uma personalidade integrada".

depressão anômica - Estado crônico de disforia que ocorre num contexto de confusão cultural e privação social. É caracterizada por desânimo, sentimento de fracasso pessoal, pouco amor-próprio e desorientação moral. A depressão anômica ocorre em associação com desculturação em grupos que passam por rápidas mudanças tecnológicas e socioculturais. Ver Desculturação.

depressão endógena - Termo consagrado pelo tempo, porém controverso, que se refere a estados depressivos supostamente originários em uma base puramente constitucional e para qual nenhuma etiologia orgânica e nenhuma conexão causal com um desconforto psicológico grave pode ser demonstrado. O termo é também usado descritivamente para indicar uma variedade de síndrome depressiva caracterizada por humor depressivo e que não responde a estímulos externos, com flutuações diurnas, lentificação, alterações do sono com despertar precoce típico, anergia e sinais de depressão vital e, em vários casos, agitação, delírios depressivos e alucinações.

depressão mascarada - Forma de depressão com sintomatologia única ou múltipla de natureza somática e variada e sem a manifestação conspícua de transtorno de humor. Todavia, alterações de humor sutis, anedonia, indecisão, alterações do sono, ansiedade e obsessões leves estão em geral presentes e podem prover a base para o diagnóstico.

depressão mascarada -
Forma de depressão com sintomatologia única ou múltipla de natureza somática e variada e sem a manifestação conspícua de transtorno de humor. Todavia, alterações de humor sutis, anedonia, indecisão, alterações do sono, ansiedade e obsessões leves estão em geral presentes e podem prover a base para o diagnóstico.

depressão pós-natal - Ver Depressão Puerperal.

depressão pós-parto - Ver Depressão Puerperal.

depressão puerperal (F53.0) - Perturbação afetiva, usualmente transitória, que se segue a um parto, e que tem início no período puerperal (aproximadamente até 45 dias após o parto). As características clínicas variam de um breve rebaixamento do humor até uma depressão grave com ansiedade e apreensão, sentimentos de indiferença ou hostilidade para com a criança e o pai desta e alterações do sono.

depressão vital - Mudança mórbida característica no sentimento vital que, de acordo com Schneider (1887-1967), é uma "melancolia quase física, em geral agudamente localizada, aliada a outros desconfortos corporais".

depressor - Qualquer agente que suprime, inibe ou diminui alguns aspectos da atividade do SNC. As principais classes de depressores do SNC são os sedativos/hipnóticos, opióides e neurolépticos. Álcool, barbitúricos, anestésicos, benzodiazepinas, opiáceos e seus análogos sintéticos são exemplos de drogas depressoras. Os anticonvulsivantes são incluídos algumas vezes no grupo dos depressores, por causa de suas ações inibitórias da atividade neuronal anormal.

Os transtornos relacionados ao uso de depressores são classificadas na CID-10 como transtornos por uso de substâncias psicoativas, nas categorias F10 (para álcool), F11 (para opióides) e F13 (para sedativos ou hipnóticos). Ver Álcool; Benzodiazepina; Neuroléptico; Opióide; Sedativo/ Hipnótico.

dereísta - Descreve atividade mental que não está de acordo com a realidade, com a lógica.

desatenção seletiva - Termo referente a uma operação de segurança identificada por Sullivan, na qual os aspectos produtores de ansiedade de uma situação não têm acesso permitido à consciência.

descarga autonômica - Atividade do sistema nervoso vegetativo (autonômico) resultante da ativação de neurônios em quaisquer das estruturas envolvidas na regulação ou expressão autonômica: córtex cerebral, substância cinzenta subcortical como amígdala, septo, diencéfalo, porções da substância reticular do tronco cerebral e fibras nervosas periféricas simpáticas ou parassimpáticas. A menos que especificado, descarga autonômica geralmente se refere à ativação da porção simpática do sistema, manifestada por uma das seguintes características: constrição dos vasos sanguíneos na pele e vísceras, piloereção, relaxamento das paredes musculares de vísceras ocas, taquicardia, aumento da pressão sanguínea, dilatação pupilar, aumento da freqüência e da amplitude da respiração e da excitabilidade motora. Algumas vezes referida como resposta de "luta ou fuga", a descarga autonômica é característica de estados de ansiedade e pânico, reações de estresse e terror noturno.

descargas epilépticas no EEG - Quando um traçado EEG pode ser realizado durante um ataque epiléptico, os sinais característicos incluem pontas (ondas com forma de ponta, de 20-70 ms de duração) e ondas lentas aparecendo focalmente ou de forma generalizada. No traçado EEG intercrítico, as indicações diagnósticas de epilepsia são os paroxismos de pontas e de ondas, de pontas generalizadas, de pontas focais ou ondas rápidas (de duração de 70-200 ms) ou de complexos localizados de ondas rápidas e lentas. Um traçado EEG intercrítico normal não exclui a epilepsia; técnicas de indução, tais como hiperventilação e estimulação luminosa podem ser usadas se houver suspeitas clínicas de um transtorno epiléptico.

descarrilamento ("afrouxamento de associações"). Um padrão de discurso no qual as idéias da pessoa mudam de um assunto para outro sem qualquer relação ou apenas obliquamente relacionado. Ao mover-se de uma frase ou oração para outra, a pessoa muda de assunto, idiossincraticamente, de um quadro de referência para outro, podendo dizer coisas em justaposição, sem que tenham um relacionamento significativo. Esta perturbação ocorre entre as frases, em contraste com a incoerência na qual a perturbação se dá dentro das frases. Uma mudança ocasional de assunto sem aviso ou conexão obvia não constitui um descarrilamento.

descompensação - Deterioração das defesas existentes, levando a uma exacerbação do comportamento patológico.

descriminalização - Anulação de leis ou regulamentações que definem como criminoso um comportamento, produto ou condição. O termo é usado tanto em conexão com drogas ilícitas como com delitos de embriaguez em via pública (Ver embriagado). Algumas vezes é também aplicado à redução na gravidade de um crime ou de penalidades criminais, como quando a posse de cannabis é reduzida de crime que leva à prisão para infração que pode ser penalizada com uma advertência ou multa. Assim, a descriminalização é freqüentemente distinguida da legalização, o que envolve a completa anulação de qualquer definição de um crime, freqüentemente acompanhado com um esforço governamental para controlar ou influenciar o mercado do comportamento ou produto afetado. Ver Controle do Álcool; Controle de Drogas.

desculturação - Processo pelo qual pessoas ou povos perdem sua cultura tradicional (ou pelo menos parte dela) à medida que assumem certos aspectos de uma cultura estrangeira (p.ex., vestuário, hábitos de higiene, linguagem, música). O termo, inicialmente utilizado na África, foi aplicado a sociedades em desenvolvimento que adaptam comportamentos, valores e cultura material superficiais de sociedades industrializadas, enquanto abandonam aspectos centrais de suas próprias culturas. Ver Anomia.

desejo sexual excessivo (F52.7) - Ninfomania na mulher, satiríase no homem.

desfalecimento - Colapso súbito no qual a pessoa afetada pode ouvir, mas não pode se movimentar; isto pode ocorrer de maneira isolada, recorrente ou epidêmica. Enquanto síndrome relacionada à cultura, tem sido observada no Caribe e na América do Norte em pessoas de ascendência africana.

desinibição - Estado de liberação das funções inibitórias em geral exercidas pelo córtex cerebral. A desinibição pode resultar tanto de lesões orgânicas cerebrais como da administração de uma droga psicoativa.

A crença de que uma droga psicoativa, especialmente o álcool, induz farmacologicamente o comportamento desinibido, é encontrada desde o século XIX na formulação fisiológica do desligamento das inibições localizadas “nos centros superiores da mente”. Quase qualquer adjetivo, desde “maligno” a “expressivo”, pode ser usado para descrever o comportamento atribuído ao efeito desinibitório. A expressão “teoria da desinibição" é usada para distinguir esta crença de uma perspectiva mais recente que afirma que os efeitos farmacológicos são fortemente mediados por expectativas culturais, pessoais e pelo contexto.

Desinibição é também usado por neurofisiologistas e neurofarmacologistas para referir-se à retirada de uma influência inibitória em um neurônio ou circuito neuronal em contraste com a estimulação direta do neurônio ou circuito neuronal. Por exemplo, as drogas opióides deprimem a atividade de neurônios dopaminérgicos que normalmente exercem um efeito inibitório na secreção de prolactina pelas células da hipófise. Assim, os opióides “desinibem” a secreção de prolactina e indiretamente causam uma elevação do nível de prolactina no plasma.

desinstitucionalização - Mudança no foco do atendimento à saúde mental, das formações tradicionais institucionais para os serviços baseados na comunidade.

desintoxicação - Processo pelo qual um indivíduo é afastado dos efeitos de uma substância psicoativa. Como um procedimento clínico, o processo de privação ocorre de maneira segura e efetiva, de modo que os sintomas da abstinência são minimizados. O local no qual esse processo se dá é denominado de unidade ou centro de desintoxicação.

No início de desintoxicação, em geral o indivíduo está clinicamente intoxicado ou já em abstinência. A desintoxicação pode ou não envolver o uso de medicamentos. Quando usada, a medicação dada é usualmente uma droga que apresenta tolerância cruzada e dependência cruzada com a(s) substância(s) usada(s) pelo paciente. A dose é calculada para aliviar a síndrome de abstinência sem induzir intoxicação e é gradualmente diminuída à medida que o paciente se recupera.

A desintoxicação como um procedimento clínico implica que o indivíduo seja supervisionado até recuperar-se completamente da intoxicação ou da síndrome de abstin&