- D
-
dano
cerebral relacionado com o uso de
álcool - Termo
genérico que engloba a deterioração
da memória e das funções
mentais superiores relacionadas
com o lobo frontal e o sistema límbico.
Assim, compreende tanto a síndrome
amnésica induzida pelo álcool
(F10.6) como a síndrome do
lobo frontal (incluído em
F10.7). No entanto, o termo é
com freqüência usado
quando somente um destes transtornos
está presente.
A
perda de memória na síndrome
amnésica afeta caracteristicamente
a memória recente. O dano
do lobo frontal manifesta-se por
deficiências relativas ao
pensamento abstrato, a conceitos
e ao planejamento e processamento
de informação complexa.
Outras funções cognitivas
estão relativamente bem conservadas
e a consciência não
está perturbada. Deve-se
distinguir entre dano cerebral relacionado
com o álcool e demência
alcoólica. Nesta última
situação, há
um maior dano global das funções
cognitivas e, geralmente, a presença
de evidência de outras etiologias,
tais como repetidos traumatismos
cranianos. Ver
Demência Alcoólica.
defeito
- Deterioração
irreversível de qualquer
função psicológica
particular (p.ex., defeito cognitivo)
do desenvolvimento geral das capacidades
mentais, ou dos padrões característicos
do pensamento, afeto e comportamento
que constituem a personalidade do
indivíduo. Um defeito em
qualquer uma destas áreas
pode ser inato ou adquirido. Um
estado característico de
defeito da personalidade, incluindo
em suas manifestações
desde perda do vigor emocional e
intelectual, leves excentricidades
comportamentais até autismo
e embotamento afetivo, foi descrito
por Kraepelin (1856-1926) e Eugen
Bleuler (1857-1939) como sendo uma
característica da evolução
da doença esquizofrênica,
em contraste com a psicose maníaco-depressiva.Ver
Alterações Permanentes
da Personalidade; Deterioração
Esquizofrênica.
defeitos congênitos
relacionados com o álcool
- Ver Síndrome Fetal Alcoólica.
deficiência
- Falta ou redução.
No contexto psiquiátrico
(Ing.: impairment), é qualquer
perda ou anormalidade de uma estrutura
ou função psicológica,
fisiológica ou anatômica.
Ver Desvantagem; Incapacidade.
deficiência de niacina
(E52) - Níveis inadequados
de ácido nicotínico
(ou niacina) produzem o quadro clínico
da pelagra, caracterizado por uma
dermatite simétrica nas partes
do corpo expostas ao sol, sintomas
gastrintestinais (náuseas,
vômitos, distensão
abdominal, diarréia) e encefalopatia.
Esta última pode simular
qualquer tipo de transtorno mental,
mas a depressão é
provavelmente a manifestação
psiquiátrica mais comum.
Desorientação alucinações
e delirium também podem surgir
e alguns pacientes podem evoluir
para a demência. A pelagra
é endêmica nas classes
menos favorecidas nos países
onde a dieta é inadequada
e onde o milho não processado
é a dieta principal. Em outros
países, ela aparece principalmente
entre os alcoolistas.
deficiência de vitamina
B12 - Carência de
vitamina B12, geralmente uma deficiência
nutricional secundária à
absorção insuficiente
de vitamina pelo íleo, em
indivíduos com doenças
gastrintestinais crônicas.
Uma conseqüência freqüente
é a degeneração
subaguda da medula, do nervo óptico,
da substância branca cerebral
e dos nervos periféricos.
O envolvimento da medula se manifesta
como uma doença sistemática,
caracterizada por parestesias progressivas
simétricas dos pés
ou mãos (dormência,
formigamento, queimação,
etc.) seguida de falta de firmeza
ao andar e, finalmente, espasticidade,
ataxia e paraplegia. Os sintomas
psicológicos incluem apatia,
irritabilidade, desconfiança
e, com a progressão, confusão
e demência.
deficiência de vitamina
C - Ver Escorbuto.
deficiência mental
(F70-F79) - Condição
de desenvolvimento interrompido
ou incompleto da mente, caracterizado
particularmente pela redução
das capacidades que contribuem para
o nível global da inteligência,
i.é., habilidades cognitivas,
lingüísticas, motoras
e sociais manifestada durante o
período de desenvolvimento.
A deficiência pode ocorrer
com ou sem qualquer outra condição
física ou mental. Os graus
de deficiência são
convencionalmente estimados por:
a) Testes padronizados de inteligência
cujo resultado (Quociente Intelectual
ou QI) médio é 100
com desvio padrão de 15 pontos.
b) Escalas de medida de adaptação
social num dado meio. Nenhuma destas
medidas pode dar mais que uma indicação
aproximada do grau de deficiência
mental. O funcionamento intelectual
e a adaptação social
podem mudar no decorrer do tempo
e podem melhorar em função
da maturação e da
resposta à reabilitação
e ao treinamento. Sinonímia:
Subnormalidade Mental; Oligofrenia.
leve (F70). Suscetível
de experimentar uma certa dificuldade
na escola; muitos adultos serão
capazes de trabalhar, ter e manter
boas relações sociais
e contribuir para a sociedade. Alguns
aspectos da aprendizagem podem ser
mais lentos e podem, requerer treino
mais sistemático. O intervalo
aproximado do QI é de 50-69
(adultos com idade mental de 9 a
12 anos).
moderada (F71). Marcado
atraso de desenvolvimento na infância,
mas muitos aprendem a desenvolver
um certo grau de independência
em cuidar de si e adquirir uma adequada
escolaridade e capacidade de comunicação.
Quando adultos, necessitarão,
em grau variado, de ajuda para viver
e trabalhar na comunidade. O intervalo
aproximado de QI é de 35-49
(adultos com idade mental de 6 a
9 anos).
grave (F72). Pode responder
a programas adequados de reabilitação,
apesar das limitações
físicas e orgânicas,
mas o indivíduo provavelmente
permanecerá dependente e
com necessidade de ajuda permanente.
O intervalo aproximado de QI é
de 20-34 (adultos com idade mental
de 3 a 6 anos).
profunda
(F73). Limitação grave
da capacidade de cuidar de si próprio,
de continência, comunicação
e mobilidade, mas o indivíduo
pode ser capaz de ter alguma resposta
a programas de reabilitação.
O QI situa abaixo de 20 (adultos
com idade mental de 3 anos, no máximo).
degeneração
- Alteração patológica
em um tecido ou organismo, que consiste
em uma descontinuidade de sua estrutura
original. Na psiquiatria do século
XIX, o termo foi associado à
desacreditada teoria de Morel (1809-1873),
que postulava a transmissão
de características hereditárias
adversas de geração
em geração.
degeneração
cerebromacular - Ver Doença
de Tay-Sachs.
delinqüência
grupal - Ver Transtorno
de Conduta Socializado.
delirante, cognição - Sob
a designação de Cognição Delirante
incluem-se certas convicções intuitivas
que surgem inesperadamente, sobretudo
no início de surtos psicóticos agudos,
vivências que, não raro, se mantêm,
arraigadas e firmes, durante largo
tempo. O característico dessas vivências
é que, em contraste com as anteriores,
elas dispensam por completo de conexões
significativas com quaisquer dados
perceptivos ou representativos concretos,
ocorrendo à guisa de intuições puras
atuais.
É o que pode se evidenciar no seguinte
relato do tipo: "Súbito,
eu me dei conta de que a situação
significava qualquer coisa de mau,
mas eu não sabia o que".
O mesmo se verifica, neste outro
exemplo, em que a paciente se revela
repentinamente tomada da tranqüila
convicção de sua alta linhagem:
"sabia que era filha do
Presidente da República",
certeza que se instala sob a forma
de uma evidência interna imediata,
isto é, que não lhe vem de qualquer
interpretação, suposição ou reflexão
crítica ou lógica, referente a acontecimentos
vividos.
Caracteriza-se igualmente como Cognição
Delirante, por exemplo, a vivência
experimentada por um paciente que,
acometido de súbita alteração, sai
para a rua, dizendo: "Eu
sou o filho da estrela d'Alva".
Algumas vezes, contudo, essas cognições
aparecem em estreita consonância
com a temática delirante, ligando-se
então, incidentalmente, a acontecimentos
implicados no delírio. Esse tipo
de Cognição Delirante ligada à temática
do próprio delírio se observa, por
exemplo, em pacientes obcecados
com a Bíblia. Jaspers cita o caso
de certa jovem que, ao ler o episódio
da Ressurreição de Lázaro, sente-se,
de repente, ela própria, encarnada
na pessoa de Maria. Daí em diante
assume o delírio onde sua irmã é
Marta, Lázaro é um primo seu e passa
a viver, com grande intensidade,
o acontecimento narrado na Bíblia.
delírio
- Convicção ou juízo
falso, incorrigível, fora
dos padrões da realidade
e incompatível com as crenças
sociais da cultura e do meio do
indivíduo. Os delírios
primários são essencialmente
incompreensíveis em termos
de história de vida e de
personalidade do indivíduo;
os delírios secundários
são psicologicamente compreensíveis
e estão associados a outras
perturbações mentais,
como, p.ex., transtorno afetivo
ou de desconfiança.
Uma distinção foi
feita por Birnbaum em 1908 e Jaspers
em 1913 entre delírio propriamente
dito e idéias delirantes;
estas últimas são
meramente um juízo equivocado
mantido com excessiva tenacidade.
Em avaliações psiquiátricas,
uma crença cultural pode
ser confundida com um delírio
se o clínico não souber
que esta crença particular
é uma crença prescrita
culturalmente e “normal”,
independentemente de sua validez
empírica. O brusco questionamento
das crenças culturais sem
a sua adequada substituição
por outros conceitos ou crenças
pode resultar em anomia ou crise
de identidade.
delírio de controle
- Ver Delírio de Influência.
delírio de grandeza
- Crença mórbida na
própria importância,
grandiosidade ou superioridade (como,
p.ex., no delírio de missão
messiânica), freqüentemente
acompanhada por outras idéias
delirantes. Pode ser sintoma de
paranóia, esquizofrenia (com
freqüência, mas não
invariavelmente do tipo paranóide),
mania e síndromes orgânicas
cerebrais, particularmente paralisia
geral.
delírio de influência
- Convicção delirante
que algo de si está sendo
substituído ou está
sendo submetido à influência
e controle de alguma força
estranha. As descrições
originais deste fenômeno delirante
o associavam a pseudo-alucinações
(Kandisnki, 1849-1889) e a alterações
da consciência (Clérambault,
1872-1934).
delírio de perseguição
- Crença patológica
de vitimização de
um ou mais indivíduos ou
grupos. Ocorre nos transtornos paranóides,
mais comumente na esquizofrenia,
mas também em alguns estados
orgânicos ou depressivos.
Certos transtornos da personalidade
aumentam a predisposição
para tais delírios.
delírio polimórfico
- Quadro composto por delírios
(p.ex., idéias delirantes,
juízos delirantes) com numerosos
conteúdos inconsistentes
e contraditórios. Caracteriza-se
pela inconstância dos temas
e mudança de forma em breves
unidades de tempo; é um fenômeno
que se contrapõe ao delírio
sistematizado.
delírio sensitivo
de auto-referência (F22.0)
(Al.: Sensitiver Beziehungswahn)
- Forma específica de psicose
paranóide não esquizofrênica
com idéias mórbidas
de auto-referência surgindo
da base de uma estrutura de personalidade
introvertida sensitiva, com uma
capacidade pobre de desenvolver
a liberação de afeto
e tensão. A psicose normalmente
se segue a uma experiência
significante envolvendo humilhação
e amor-próprio ferido. A
personalidade é caracteristicamente
bem preservada e o prognóstico,
favorável. O conceito foi
introduzido por Kretschmer (1888-1964).
delirium (F05) - Síndrome
orgânica cerebral aguda, de
etiologia inespecífica, caracterizada
por perturbações da
consciência, atenção,
percepção, orientação,
pensamento, memória, comportamento
psicomotor, emoções
e ciclo sono-vigília. O estado
de delirium é transitório
e de intensidade flutuante. A duração
é variável, de poucas
horas a poucas semanas e a gravidade
varia de leve até muito grave.
A maior parte dos casos remite dentro
de 4 semanas ou menos; contudo,
não são incomuns casos
de delirium que duram mais do que
6 meses. A síndrome de abstinência
induzida pela retirada do álcool
com delirium é conhecida
como delirium tremens. Sinonímia:
Estado Confusional Orgânico
Agudo. Ver Síndrome de Abstinência;
Síndrome de Abstinência
com Delirium.
delirium associado ao VIH
- O delirium pode estar sobreposto
a déficits cognitivos da
demência associada ao VIH
e pode agravar o seu curso. O delirium
pode também ocorrer na altura
da seroconversão em associação
com meningite asséptica.
Mais freqüentemente, o delirium
em doentes com AIDS/SIDA pode estar
relacionado com hipóxia (p.ex.,
pneumonia por Pneumocystis carinii),
meningite por criptococos, infecções
sistemáticas (p.ex., bacteremia
por estafilococos), lesões
expansivas cerebrais (p.ex., linfoma
do SNC ou abscesso cerebral devido
à toxoplasmose), alterações
metabólicas (alterações
do equilíbrio hidroeletrolítico
e ácido-básico) e
uso de drogas psicotrópicas
(especialmente antidepressivos tricíclicos,
cuja ação anticolinérgica
parece ser mais pronunciada nestes
doentes).
delirium tremens (F10.4)
- Síndrome de abstinência
com delirium; um estado psicótico
agudo que ocorre durante a fase
de abstinência em indivíduos
dependentes de álcool e caracterizado
por confusão, desorientação,
ideação paranóide,
delírios, ilusões,
alucinações (tipicamente
visuais ou táteis, menos
comumente auditivas, olfatórias
ou vestibulares), inquietação,
distração, tremores
(algumas vezes grosseiros), sudorese,
taquicardia e hipertensão.
É usualmente precedida por
sinais de síndrome de abstinência
simples. O início do delirium
tremens ocorre usualmente 48h ou
mais após a retirada ou a
redução do consumo
de álcool, mas pode apresentar-se
até 1 semana após
este período. Deve ser distinguido
da alucinose alcoólica, que
nem sempre é um fenômeno
da abstinência. A condição
é conhecida coloquialmente
como "DT".
deliróide, idéia
delírios
secundários
delírio humor-congruentes
A
distinção fundamental entre Idéias
Delirantes (que é o Delírio) e Idéias
Deliróides, é que nas Idéias Deliróides
a imagem do mundo exterior é falsificada
de acordo com as demandas afetivas
e instintivas fragilizadas.
O sistema deliróide constrói a realidade
da qual a pessoa necessita emocionalmente,
portanto, é uma construção da realidade
secundária às exigências
emocionais e não, como no Delírio,
uma ocorrência primária.
O raciocínio que caracteriza a idéia
deliróide é bastante similar àquele
que todos nós utilizamos, embora
de grau muito diferente (patológico).
Seria uma fantasia ou devaneio patologicamente
mais sólido que aqueles aos quais
todos nós estamos sujeitos nos momentos
de angústia. Na penúria nos imaginamos
ganhando na loteria, o deliróide
tem certeza de que ganhou...
Por isso a idéia deliróide é compreensível
para as pessoas normais na maioria
das vezes. Nossas crenças tendem
a ser subjetivamente coloridas e,
sem dúvida, todos recorremos a certas
ficções por insegurança. O emprego
da Racionalização e da Projeção
com propósitos defensivos, por exemplo,
têm o mesmo objetivo psicológico
da utilização patológica desses
Mecanismos de Defesa como acontece
nas Idéias Deliróides.
As Idéias Deliróides, notadamente
aquelas organizadas e sistematizadas,
constituem tentativas de manipular
os problemas e as tensões da vida
através de fantasias elaboradas
para fornecer aquilo que a vida
real nega, entretanto, devido ao
seu aspecto mórbido, tais fantasias
não são construídas numa estrutura
compatível com uma adaptação social
normal.
Verificamos, com freqüência, que
o conteúdo das Idéias Deliróides
revela aspectos significativos dos
problemas pessoais do paciente.
As fontes desses problemas podem
ser freqüentemente encontradas em
inclinações e impulsos contrariados,
esperanças frustradas, sentimentos
de inferioridade, inadequações biológicas,
qualidades rejeitadas, desejos importunantes,
sentimentos de culpa e outras situações
que exigem uma defesa contra a angústia.
Uma profunda necessidade de consolo
pode ser satisfeita por idéias auto-elogiosas,
portanto, uma falsa Idéia Deliróide
de grandeza, por exemplo, pode refletir
uma defesa contra sentimentos de
inferioridade.
Na Depressão Grave com Sintomas
Psicóticos, como sabemos e bem
atestou Kurt Schneider, embora a
tristeza vital seja considerada
primária, no sentido de ser também
incompreensível e psicologicamente
irredutível, dela deriva e se vincula
toda a gama de Idéias Deliróides
depressivas. Essas Idéias Deliróides
são pseudo-delírios ou Delírios
Secundários, como os denomina
Jaspers, por tomá-los psicologicamente
compreensíveis e dentro do quadro
clínico geral em que se formam.
Atualmente fala-se também em Delírio
Humor-Congruentes.
delirium
tremens relacionado ao álcool
- Ver Síndrome de Abstinência
com Delirium.
demência
- Síndrome, geralmente crônica
e progressiva, devido a uma patologia
encefálica na qual se verificam
diversas deficiências das
funções corticais
superiores, que incluem memória,
pensamento, orientação,
compreensão, cálculo,
capacidade de aprender, linguagem
e julgamento; a consciência
não é afetada; as
deficiências cognitivas são
acompanhadas (e ocasionalmente precedidas)
por deterioração do
controle emocional, da conduta social
ou da motivação.
demência alcoólica
(F10.7) - Termo de significado
variável, que comumente designa
um transtorno crônico ou progressivo
resultante de um beber arriscado,
caracterizado pelo comprometimento
das múltiplas funções
corticais superiores, que incluem
memória, raciocínio,
orientação, compreensão,
cálculo, capacidade de aprendizagem,
linguagem e julgamento. A consciência
é preservada. As perturbações
cognitivas são comumente
acompanhadas de deterioração
do controle emocional, do comportamento
social ou da motivação.
A existência da demência
alcoólica como uma síndrome
específica é posta
em dúvida por alguns que
atribuem a demência a outras
causas. Ver demência; transtorno
psicótico residual ou de
início tardio induzido por
álcool ou drogas.
demência associada
ao VIH (F02.0) - Demência
de tipo subcortical, caracterizada
por lentificação psicomotora,
incapacidade de manter a atenção
e transtornos da volição.
Os indivíduos com demência
associada ao VIH tipicamente referem
perda de memória, lentificação,
dificuldade de concentração
e dificuldade na resolução
de problemas e de leitura. Podem
apresentar-se apáticos e
com reduzida espontaneidade e dificuldade
de socialização. O
exame do estado mental demonstra
dificuldades na atenção,
lentificação psicomotora,
perturbações mnésicas
e dificuldade de raciocínio.
O exame físico freqüentemente
revela tremor, dificuldades em movimentos
rápidos repetitivos, perda
de equilíbrio, ataxia, hipertonia,
hiper-reflexia generalizada, sinais
de liberação do lobo
frontal e perturbação
dos movimentos de acompanhamento
e sacádicos dos olhos. Os
testes neuropsicológicos
caracteristicamente revelam anomalias
em várias áreas, particularmente
na atenção, capacidade
de resolução rápida
de problemas seqüenciais e
do desempenho motor. A demência
associada ao VIH geralmente evolui
rapidamente para uma deterioração
grave e morte.
Ao exame anatomopatológico,
a condição é
geralmente caracterizada por encefalite
de células multinucleadas
e macrófagos em resposta
à infecção
pelo VIH, monócitos e células
multinucleadas resultantes da fusão
desses dois tipos de células.
Contudo, de um terço a metade
dos doentes evidenciam apenas astrogliose
central e palidez da mielina. Em
cerca de um terço dos doentes
o antígeno p24 pode ser detectado
no LCR. As imagens de tomografia
computadorizada e da ressonância
magnética geralmente demonstram
atrofia cerebral com alargamento
dos sulcos e ventrículos
cerebrais. Ver Complexo Relacionado
à Aids/Sida (Cds); Demência.
demência
da aids/Sida - Ver Demência
Associada ao VIH.
demência hidrocefálica: é
uma forma muito rara de demência,
e ocorre uma hidrocefalia com pressão
cerebral normal. Está relacionada
a doenças cerebrais ocorridas no
passado, como hemorragia cerebral,
meningite e/ou encefalite ou traumatismo
de crânio, e que levam à interrupção
do fluxo de líquido céfalo-raquidiano
dentro do cérebro. Freqüentemente,
entretanto, não se encontra uma
causa. Exames como tomografia cerebral
ou ressonância nuclear magnética
cerebral mostram-se alteradas, indicando
o aumento de tamanho dos ventrículos
cerebrais. A pressão intracraniana
fica pouco elevada ou normal. Clinicamente
se apresenta com três sintomas característicos:
demência, dificuldade para andar
e incontinência urinária. O tratamento
é cirúrgico e consiste na instalação
de um sistema de derivação do líquido
céfalo-raquidiano com a interposição
de uma válvula.
demência na doença
de Creutzfeldt-Jakob (F02.1) -
Demência progressiva com extensas
manifestações neurológicas,
devido a alterações
neuropatológicas específicas
que são provavelmente determinadas
por um agente transmissível.
Inicia-se geralmente na meia-idade
ou na velhice, mas pode ocorrer
no período adulto. O curso
é subagudo levando à
morte em um ou dois anos.
demência na doença
de huntington (F02.2) -
Demência que ocorre como parte
de um processo degenerativo difuso
do cérebro, como manifestação
de uma patologia hereditária
rara descrita por Huntington (1850-1916).
demência na doença
de parkinson (F02.3) - Ocorrência
simultânea de demência
e de doença idiopática
de Parkinson, geralmente em seus
estágios mais avançados
e graves. A freqüência
atual desta associação
pode exceder a prevalência
esperada tanto da doença
de Alzheimer como da doença
vascular em pacientes com doença
de Parkinson, mas não foram
encontradas características
específicas que permitem
diferenciar esta condição
dos transtornos demenciais comuns.
A demência na doença
de Parkinson deve ser diferenciada
da acinesia psíquica, da
lentificação do processamento
cognitivo e da depressão
encontradas comumente em pacientes
com doença de Parkinson.
Sinonímia: Demência
na Paralisys Agitans; Demência
em Parkinsonismo; Síndrome
Parkinsoniano-Demencial. Ver Doença
de Parkinson.
demência na doença
de pick (F02.0) - Demência
de evolução progressiva,
iniciada na meia-idade, caracterizada
por lenta e precoce alteração
do caráter, deterioração
do desempenho social, destacando-se
inicialmente uma deterioração
intelectual, da memória e
da linguagem; mais tarde, aparecem
apatia, euforia e, ocasionalmente,
fenômenos extrapiramidais.
O quadro neuropatológico
evidencia atrofia seletiva dos lobos
frontal e temporal.
demência na infecção
pelo vírus da imunodeficiência
humana - Ver Demência
Associada ao VIH.
demência paralítica
- Ver paralisia geral (progressiva).
demência por múltiplos
infartos - Ver Demência
Vascular por Infartos Múltiplos.
demêntia praecox - Termo
obsoleto para a esquizofrenia.
demência precoce
- Grupo de doenças de início
precoce que, de acordo com Kraepelin
(1856-1926) — que empregou
um termo criado por Morel (1809-1873)
— invariavelmente resultava
em defeito, ao contrário
da psicose maníaco-depressiva,
na qual era possível remissão
completa ou cura. A formulação
original de Kraepelin para a demência
precoce (1896) incluía formas
leves, graves e hebefrenia. A catatonia
e a demência paranóide
eram tidas como entidades distintas
até 1899, quando foram reunidas
sob o conceito de demência
precoce. Em 1909, Eugen Bleuler
(1857-1939) propôs rebatizar
este conjunto de transtornos sob
a designação de “grupo
das esquizofrenias”; o termo,
atualmente, está obsoleto.
demência pré-senil
- Demência que tem seu início
antes dos 65 anos de idade. Ver
Demência na Doença
de Creutzfeldt-Jakob; Demência
na Doença de Hüntington;
Demência na Doença
de Parkinson; Demência na
Doença de Pick; Doença
de Alzheimer.
demência pugilística
- Alteração da memória
e da atenção e mudanças
da personalidade atribuíveis
a contusões cerebrais repetidas,
como, p.ex., as sofridas por boxeadores.
Podem-se manifestar afecções
indicativas de lesão cerebelar,
piramidal e extrapiramidal com alterações
neuropatológicas da região
septal, da substância cinzenta
mediotemporal, das vias cerebelares
e da substância nigra.
demência senil -
Demência que tem seu início
após os 65 anos de idade.
Ver Demência na Doença
de Creutzfeldt-Jakob; Demência
na DOENÇA de Hüntington;
Demência na Doença
de Parkinson; Demência na
Doença de Pick; Doença
de Alzheimer.
demência vascular
(F01) - Demência
resultante de infarto cerebral devido
à doença vascular,
inclusive a doença hipertensiva
vascular cerebral. A demência
pode suceder-se a crises isquêmicas
passageiras, a uma sucessão
de acidentes vasculares cerebrais
agudos ou, menos comumente, a um
único e grave ataque apoplético.
demência vascular
de início agudo (F01.0)
- Demência vascular que se
instala rapidamente depois de uma
sucessão de crises popléticas
ou após uma única
e maciça hemorragia.
demência vascular
mista cortical e subcortical (F01.3)
- Demência cujo quadro clínico
ou cujos resultados de investigação
laboratorial (inclusive necropsia)
— ou ambos — mostra
a presença de componentes
indicativos de lesão cortical
e subcortical concomitantes.
demência vascular
por múltiplos infartos (F01.1)
- Demência resultante
predominantemente de lesão
cortical, com início gradual,
seguindo-se a diversos episódios
isquêmicos passageiros que
produzem acumulação
de infartos no parênquima
cerebral.
demência vascular
subcortical (F01.2) - Demência
que segue um processo hipertensivo
e é caracterizada pela destruição
isquêmica da substância
branca profunda em ambos os hemisférios.
O quadro clínico pode ser
muito parecido com o da doença
de Alzheimer, mas o córtex
cerebral deve estar preservado.
Ver Síndrome de Binswanger.
dependência (F1X.2)
- Como um termo geral, o estado
de necessidade ou dependência
de alguma coisa ou alguém
para apoio, funcionamento ou sobrevivência.
Quando aplicado ao álcool
e outras drogas, o termo implica
a necessidade de repetidas doses
da droga para sentir-se bem ou para
evitar sensações ruins.
No DSM-IIIR, a dependência
é definida como um grupo
de sintomas cognitivos, comportamentais
e psicológicos que indicam
que uma pessoa tem o controle do
uso da substância psicoativa
prejudicado e continua esse uso
a despeito de conseqüências
adversas. É aproximadamente
equivalente à síndrome
de dependência da CID-10.
No contexto da CID-10, o termo dependência
refere-se geralmente a qualquer
dos elementos da síndrome.
O termo é freqüentemente
usado como equivalente de alcoolismo.
Em 1964, uma Comissão de
Peritos da OMS introduziu "dependência"
em substituição a
adicção e habituação.
O termo pode geralmente ser usado
com referência a todas as
drogas psicoativas (p.ex., dependência
de drogas, dependência química,
dependência do uso de substância),
ou referindo-se especificamente
a uma droga em particular ou a uma
classe de drogas (p.ex, dependência
de álcool, dependência
de opióide). Embora a CID-10
descreva dependência em termos
de classes de drogas, há
diferenças entre os sintomas
característicos de diferentes
drogas.
De forma não qualificada,
dependência refere-se a ambos
os elementos físicos e psicológicos.
Dependência psicológica
ou psíquica refere-se à
experiência de controle prejudicado
sobre o beber ou o uso da droga
(Ver cravwg, compulsão),
enquanto dependência fisiológica
ou física refere-se à
tolerância e sintomas de abstinência
(Ver neuroadaptação).
Em discussões de orientação
biológica, dependência
é freqüentemente usada
para referir-se somente à
dependência física.
Dependência (ou dependência
física) é também
usado no contexto psicofarmacológico
num sentido limitado, referindo-se
somente ao desenvolvimento de sintomas
de abstinência que seguem
uma parada do uso de droga. Neste
sentido restrito, dependência
cruzada é vista como complementar
à tolerância cruzada,
com ambas definições
referindo-se somente à sintomatologia
física (neuroadaptação).
dependência cruzada
- Termo farmacológico
usado para denotar a capacidade
de uma substância (ou classe
de substâncias) de suprimir
as manifestações da
síndrome de abstinência
de outra substância ou classe
e assim manter o estado de dependência
física. Note que dependência
é normalmente usado num sentido
psicofarmacológico mais estrito,
associado à supressão
dos sintomas da síndrome
de abstinência.
Uma conseqüência do fenômeno
da dependência cruzada é
que a dependência a uma substância
é mais provavelmente desenvolvida
se o indivíduo já
está dependente de uma substância
relacionada. Por exemplo, a dependência
de um benzodiazepínico desenvolve-se
mais rapidamente em indivíduos
já dependentes de uma outra
droga deste tipo ou de outras substâncias
com efeitos sedativos, tais como
álcool e barbitúricos.
Ver Desintoxicação;
Tolerância Cruzada.
dependência de álcool
- Ver Dependência.
depressão
- Em linguagem leiga, um estado
de acabrunhamento, desânimo
ou tristeza que pode indicar má
saúde. Em um contexto médico,
o termo se refere a um estado mental
dominado por uma diminuição
do humor e freqüentemente acompanhado
por um conjunto de sintomas variados,
particularmente ansiedade, agitação,
sentimentos de desvalia, idéias
suicidas, hipobulia, lentificação
psicomotora e vários sintomas
somáticos, disfunções
fisiológicas (p.ex., insônia)
e queixas diversas. Como síndrome,
a depressão é um elemento
importante em várias categorias
de doenças. O termo é
amplamente utilizado — por
vezes, de modo impreciso —
para designar um transtorno, uma
síndrome ou um estado de
doença. Ver Melancolia.
depressão anaclítica - A
Depressão Anaclítica é uma depressão
infantil precoce que representa
um severo prejuízo no desenvolvimento
físico e psíquico das crianças vítimas
de abandono e/ou negligência. Esse
tipo de depressão infantil e precoce
foi descrita pela primeira vez por
Spitz, que a via como um quadro
de perda gradual de interesse pelo
meio, perda ponderal (de peso),
comportamentos estereotipados (tais
como balanceios) e, eventualmente,
até a morte.
É devido a esses trabalhos sobre
abandono e negligência que Winnicott
chega a dizer que "Sem ter
alguém dedicado especificamente
às suas necessidades, o bebê não
consegue estabelecer uma relação
eficiente com o mundo externo. Sem
alguém para dar-lhe gratificações
instintivas e satisfatórias, o bebê
não consegue descobrir seu próprio
corpo nem desenvolver uma personalidade
integrada".
depressão anômica
- Estado crônico de disforia
que ocorre num contexto de confusão
cultural e privação
social. É caracterizada por
desânimo, sentimento de fracasso
pessoal, pouco amor-próprio
e desorientação moral.
A depressão anômica
ocorre em associação
com desculturação
em grupos que passam por rápidas
mudanças tecnológicas
e socioculturais. Ver Desculturação.
depressão endógena
- Termo consagrado pelo tempo, porém
controverso, que se refere a estados
depressivos supostamente originários
em uma base puramente constitucional
e para qual nenhuma etiologia orgânica
e nenhuma conexão causal
com um desconforto psicológico
grave pode ser demonstrado. O termo
é também usado descritivamente
para indicar uma variedade de síndrome
depressiva caracterizada por humor
depressivo e que não responde
a estímulos externos, com
flutuações diurnas,
lentificação, alterações
do sono com despertar precoce típico,
anergia e sinais de depressão
vital e, em vários casos,
agitação, delírios
depressivos e alucinações.
depressão mascarada
- Forma de depressão com
sintomatologia única ou múltipla
de natureza somática e variada
e sem a manifestação
conspícua de transtorno de
humor. Todavia, alterações
de humor sutis, anedonia, indecisão,
alterações do sono,
ansiedade e obsessões leves
estão em geral presentes
e podem prover a base para o diagnóstico.
depressão mascarada
-
Forma de depressão com sintomatologia
única ou múltipla
de natureza somática e variada
e sem a manifestação
conspícua de transtorno de
humor. Todavia, alterações
de humor sutis, anedonia, indecisão,
alterações do sono,
ansiedade e obsessões leves
estão em geral presentes
e podem prover a base para o diagnóstico.
depressão
pós-natal - Ver
Depressão Puerperal.
depressão pós-parto
- Ver Depressão Puerperal.
depressão puerperal
(F53.0) - Perturbação
afetiva, usualmente transitória,
que se segue a um parto, e que tem
início no período
puerperal (aproximadamente até
45 dias após o parto). As
características clínicas
variam de um breve rebaixamento
do humor até uma depressão
grave com ansiedade e apreensão,
sentimentos de indiferença
ou hostilidade para com a criança
e o pai desta e alterações
do sono.
depressão vital -
Mudança mórbida
característica no sentimento
vital que, de acordo com Schneider
(1887-1967), é uma "melancolia
quase física, em geral agudamente
localizada, aliada a outros desconfortos
corporais".
depressor - Qualquer
agente que suprime, inibe ou diminui
alguns aspectos da atividade do
SNC. As principais classes de depressores
do SNC são os sedativos/hipnóticos,
opióides e neurolépticos.
Álcool, barbitúricos,
anestésicos, benzodiazepinas,
opiáceos e seus análogos
sintéticos são exemplos
de drogas depressoras. Os anticonvulsivantes
são incluídos algumas
vezes no grupo dos depressores,
por causa de suas ações
inibitórias da atividade
neuronal anormal.
Os transtornos relacionados ao uso
de depressores são classificadas
na CID-10 como transtornos por uso
de substâncias psicoativas,
nas categorias F10 (para álcool),
F11 (para opióides) e F13
(para sedativos ou hipnóticos).
Ver Álcool; Benzodiazepina;
Neuroléptico; Opióide;
Sedativo/ Hipnótico.
dereísta - Descreve
atividade mental que não está de
acordo com a realidade, com a lógica.
desatenção seletiva
- Termo referente a uma operação
de segurança identificada por Sullivan,
na qual os aspectos produtores de
ansiedade de uma situação não têm
acesso permitido à consciência.
descarga
autonômica - Atividade
do sistema nervoso vegetativo (autonômico)
resultante da ativação
de neurônios em quaisquer
das estruturas envolvidas na regulação
ou expressão autonômica:
córtex cerebral, substância
cinzenta subcortical como amígdala,
septo, diencéfalo, porções
da substância reticular do
tronco cerebral e fibras nervosas
periféricas simpáticas
ou parassimpáticas. A menos
que especificado, descarga autonômica
geralmente se refere à ativação
da porção simpática
do sistema, manifestada por uma
das seguintes características:
constrição dos vasos
sanguíneos na pele e vísceras,
piloereção, relaxamento
das paredes musculares de vísceras
ocas, taquicardia, aumento da pressão
sanguínea, dilatação
pupilar, aumento da freqüência
e da amplitude da respiração
e da excitabilidade motora. Algumas
vezes referida como resposta de
"luta ou fuga", a descarga
autonômica é característica
de estados de ansiedade e pânico,
reações de estresse
e terror noturno.
descargas epilépticas
no EEG - Quando um traçado
EEG pode ser realizado durante um
ataque epiléptico, os sinais
característicos incluem pontas
(ondas com forma de ponta, de 20-70
ms de duração) e ondas
lentas aparecendo focalmente ou
de forma generalizada. No traçado
EEG intercrítico, as indicações
diagnósticas de epilepsia
são os paroxismos de pontas
e de ondas, de pontas generalizadas,
de pontas focais ou ondas rápidas
(de duração de 70-200
ms) ou de complexos localizados
de ondas rápidas e lentas.
Um traçado EEG intercrítico
normal não exclui a epilepsia;
técnicas de indução,
tais como hiperventilação
e estimulação luminosa
podem ser usadas se houver suspeitas
clínicas de um transtorno
epiléptico.
descarrilamento
("afrouxamento de associações").
Um padrão de discurso no qual as
idéias da pessoa mudam de um assunto
para outro sem qualquer relação
ou apenas obliquamente relacionado.
Ao mover-se de uma frase ou oração
para outra, a pessoa muda de assunto,
idiossincraticamente, de um quadro
de referência para outro,
podendo dizer coisas em justaposição,
sem que tenham um relacionamento
significativo. Esta perturbação
ocorre entre as frases, em contraste
com a incoerência na qual a perturbação
se dá dentro das frases. Uma mudança
ocasional de assunto sem aviso ou
conexão obvia não constitui um descarrilamento.
descompensação
- Deterioração das defesas existentes,
levando a uma exacerbação do comportamento
patológico.
descriminalização
- Anulação de leis
ou regulamentações
que definem como criminoso um comportamento,
produto ou condição.
O termo é usado tanto em
conexão com drogas ilícitas
como com delitos de embriaguez em
via pública (Ver embriagado).
Algumas vezes é também
aplicado à redução
na gravidade de um crime ou de penalidades
criminais, como quando a posse de
cannabis é reduzida de crime
que leva à prisão
para infração que
pode ser penalizada com uma advertência
ou multa. Assim, a descriminalização
é freqüentemente distinguida
da legalização, o
que envolve a completa anulação
de qualquer definição
de um crime, freqüentemente
acompanhado com um esforço
governamental para controlar ou
influenciar o mercado do comportamento
ou produto afetado. Ver Controle
do Álcool; Controle de Drogas.
desculturação
- Processo pelo qual pessoas ou
povos perdem sua cultura tradicional
(ou pelo menos parte dela) à
medida que assumem certos aspectos
de uma cultura estrangeira (p.ex.,
vestuário, hábitos
de higiene, linguagem, música).
O termo, inicialmente utilizado
na África, foi aplicado a
sociedades em desenvolvimento que
adaptam comportamentos, valores
e cultura material superficiais
de sociedades industrializadas,
enquanto abandonam aspectos centrais
de suas próprias culturas.
Ver Anomia.
desejo sexual excessivo
(F52.7) - Ninfomania na
mulher, satiríase no homem.
desfalecimento
- Colapso súbito no qual
a pessoa afetada pode ouvir, mas
não pode se movimentar; isto
pode ocorrer de maneira isolada,
recorrente ou epidêmica. Enquanto
síndrome relacionada à
cultura, tem sido observada no Caribe
e na América do Norte em
pessoas de ascendência africana.
desinibição
- Estado de liberação
das funções inibitórias
em geral exercidas pelo córtex
cerebral. A desinibição
pode resultar tanto de lesões
orgânicas cerebrais como da
administração de uma
droga psicoativa.
A crença de que uma droga
psicoativa, especialmente o álcool,
induz farmacologicamente o comportamento
desinibido, é encontrada
desde o século XIX na formulação
fisiológica do desligamento
das inibições localizadas
“nos centros superiores da
mente”. Quase qualquer adjetivo,
desde “maligno” a “expressivo”,
pode ser usado para descrever o
comportamento atribuído ao
efeito desinibitório. A expressão
“teoria da desinibição"
é usada para distinguir esta
crença de uma perspectiva
mais recente que afirma que os efeitos
farmacológicos são
fortemente mediados por expectativas
culturais, pessoais e pelo contexto.
Desinibição é
também usado por neurofisiologistas
e neurofarmacologistas para referir-se
à retirada de uma influência
inibitória em um neurônio
ou circuito neuronal em contraste
com a estimulação
direta do neurônio ou circuito
neuronal. Por exemplo, as drogas
opióides deprimem a atividade
de neurônios dopaminérgicos
que normalmente exercem um efeito
inibitório na secreção
de prolactina pelas células
da hipófise. Assim, os opióides
“desinibem” a secreção
de prolactina e indiretamente causam
uma elevação do nível
de prolactina no plasma.
desinstitucionalização
- Mudança no foco do atendimento
à saúde mental, das formações tradicionais
institucionais para os serviços
baseados na comunidade.
desintoxicação
- Processo pelo qual um indivíduo
é afastado dos efeitos de
uma substância psicoativa.
Como um procedimento clínico,
o processo de privação
ocorre de maneira segura e efetiva,
de modo que os sintomas da abstinência
são minimizados. O local
no qual esse processo se dá
é denominado de unidade ou
centro de desintoxicação.
No início de desintoxicação,
em geral o indivíduo está
clinicamente intoxicado ou já
em abstinência. A desintoxicação
pode ou não envolver o uso
de medicamentos. Quando usada, a
medicação dada é
usualmente uma droga que apresenta
tolerância cruzada e dependência
cruzada com a(s) substância(s)
usada(s) pelo paciente. A dose é
calculada para aliviar a síndrome
de abstinência sem induzir
intoxicação e é
gradualmente diminuída à
medida que o paciente se recupera.
A desintoxicação como
um procedimento clínico implica
que o indivíduo seja supervisionado
até recuperar-se completamente
da intoxicação ou
da síndrome de abstin&