Glossario de Térmos Técnicos

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-
  A  -

aa - Alcoólicos Anônimos. Ver grupo dos 12 passos.

abreação -
Ver catarse.

abstêmio -
Ver Abstinência.

abrigo transitório
- Residência especializada para indivíduos que não necessitam de hospitalização plena, mas que precisam de um grau intermediário de atendimento, antes de voltar a convivência normal dentro da comunidade.

abstinência - Abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente (que não está, atualmente, bebendo; que não está, atualmente, usando drogas). A expressão "atualmente abstinente", freqüentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio. O termo "abstinência" não deve ser confundido com "síndrome de abstinência". Ver Temperança; Síndrome de Abstinência.

abstinência condicionada - Síndrome com sinais e sintomas semelhantes à abstinência, geralmente vivenciados por indivíduos dependentes de álcool ou opiáceos, que são expostos a estímulos previamente associados com ouso de álcool ou outras drogas. De acordo com a teoria clássica do condicionamento, estímulos ambientais não condicionados, temporariamente associados a reações de abstinência, tornam-se estímulos condicionados capazes de eliciar os mesmos sintomas de abstinência. Em outra versão da teoria do condicionamento, uma resposta inata compensatória aos efeitos de uma substância (tolerância aguda) torna-se condicionada e associada aos estímulos relacionados ao uso da substância. Se os estímulos são apresentados sem a efetiva administração da substância, a resposta condicionada é eliciada como uma reação compensatória do tipo da abstinência.

abstinência protraída - Ocorrência de sintomas da síndrome de abstinência, geralmente leves, mas desconfortáveis, por várias semanas ou meses após a síndrome de abstinência física aguda ter passado. Esta é uma condição encontrada em dependentes do álcool, dependentes de sedativos, e dependentes de opióides. Os sintomas psíquicos tais como ansiedade, agitação, irritabilidade e depressão são mais proeminentes que os sintomas físicos. Os sintomas podem ser precipitados ou exacerbados pela visão do álcool ou da droga de dependência, ou pelo retorno ao ambiente previamente associado ao uso de álcool ou de outra droga.
Ver Abstinência Condicionada.


abstinência, sintomas de - Efeitos físicos e mentais da retirada de substâncias aditivas dos clientes que se tornaram dependentes delas.

abulia e hipobulia - Por Hipobulia e Abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo. Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em conseqüência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia).

  
A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, onde surge junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão.

abuso - Tudo que vai além do uso habitual ou sancionado. No campo da saúde mental é utilizado com duas acepções principais: 1. Maus-tratos, ameaças ou lesões infligidos a outrem, de natureza física, psicológica ou moral (dos quais o abuso sexual, particularmente de menores, é uma variedade particular). Ver Privação; Síndrome de Maus-Tratos; Vitimologia. 2. Uso excessivo ou inadequado de substâncias, p.ex., álcool ou outras drogas, que pode resultar em dano à saúde ou em um aumento de risco a tal dano. Ver abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas); Abuso de Substâncias que não Produzem Dependência; Transtorno por uso de Cafeína; Transtorno por uso de Substância Psicoativa; uso Nocivo.

abuso de drogas - No DSM.IV e na CID.10, fala-se em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí, qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por conseqüências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância.

Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses.

À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substância) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência.

Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as conseqüências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.

O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a "ressacas" recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo).

Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de conseqüências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais).

abuso de substâncias que não produzem dependência (F55) - Definido na CID-10 como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de "abuso de substâncias não psicoativas" (Cottpare com U50 INDEVIDO DE ÁLCOOL OU DROGA). Na CID-10, este diagnóstico está incluído na secção "Síndromes comportamentais associadas a perturbações fisiológicas e fatores físicos" (F50-F59).

Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:

a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e teurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de "hábito laxativo");
c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acefilsalicílico) e paracetamol (acetaminofeno);
d) esteróides e outros hormônios;
e) vitaminas; 
f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso freqüentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica.

abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas) - Grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. No DSM-IIIR, "abuso de substância psicoativa" é definido como "padrão de uso desajustado indicado pela continuação desse uso, apesar do indivíduo reconhecer que tem um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, recorrente ou persistente, que é causado ou exacerbado pelo uso, recorrente ou não [da substância em questão] em situações nas quais ele é fisicamente perigoso". E uma categoria residual, sendo que o diagnóstico de dependência a precede, quando ambos coexistirem. O termo "abuso" é algumas vezes utilizado de forma desaprovadora ao se referir a qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na CID-10 (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência — ver abaixo); uso nocivo e uso arriscado são termos equivalentes a abuso na terminologia da OMS, embora eles geralmente se relacionem somente aos efeitos sobre a saúde e não às conseqüências sociais. "Abuso" também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como "abuso de substâncias" permaneçam em amplo uso na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.

Em outros contextos, abuso já indicou padrões de uso não-médico ou desaprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em 1969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi "uso excessivo" de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável" (Ver Uso indevido de Álcool ou Droga).

abuso de analgésicos - Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de antiácidos - Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de antidepressivos -
Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de barbitúricos -
Ver transtorno por uso de substância psicoativa.

abuso de drogas -
Ver Abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas); Transtorno Por Uso De Substância Psicoativa; Uso De, Múltiplas Drogas.

abuso de esteróides - Ver Abuso de Substâncias que não produzem dependência.

abuso de hormônios - Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de medicamentos populares - Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de plantas medicinais -
Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso de substância - Ver abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas).

abuso de substâncias psicoativas -
Ver Abuso (de droga, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas); uso nocivo; transtorno por uso de substâncias.

abuso de substâncias que não produzem dependência (F55) - Definido na CID-10 como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de "abuso de substâncias não psicoativas" (Compare com uso indevido de álcool ou droga). Na CID-10, este diagnóstico está incluído na secção "Síndromes comportamentais associadas a perturbações fisiológicas e fatores físicos" (F50-F59).
Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:
a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os antidepressivos e neurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de "hábito laxativo");
c) analgésicos que podem ser comprados sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acetilsalicílico) e paracetamol (acetaminofeno);
d) esteróides e outros hormônios;
e) vitaminas; e
f) antiácidos.

Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso freqüentemente encontram resistência. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substância, não há o desenvolvimento de síndrome de dependência nem de síndrome de abstinência. Estas substâncias não têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas são capazes de induzir dependência psicológica.

abuso de vitaminas - Ver abuso de substâncias que não produzem dependência.

abuso físico de menores - Ver abuso infantil.

abuso infantil - Maus tratos de uma criança, seja por negligência, por exploração intencional ou por lesão. O abuso infantil pode assumir várias formas; na prática, combinações de diferentes formas são mais a regra do que a exceção.

Negligência consiste na falha dos pais ou de quem cuida da criança em fornecer cuidados e orientação adequados.

Abuso físico pode envolver violência física, envenenamento sistemático ou outras lesões não acidentais; é, às vezes,referido como síndrome da criança espancada.

Abuso sexual usualmente envolve contato genital cuja gravidade pode variar de carícias íntimas ao estupro com lesões físicas. A pornografia infantil e a prostituição forçada de menores são incluídas nesta categoria.

Abuso psicológico refere-se à submissão deliberada e repetitiva de uma criança a medo, rejeição, humilhação, solidão e outros estados psicológicos dolorosos.

abuso sexual na infância
- Ver abuso infantil.

abuso sexual intrafamiliar - Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consangüinidade com a criança. Mas também é agressor intrafamiliar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos. O abuso sexual intrafamiliar também pode ser chamado de relação de incesto.

acalculia do desenvolvimento - Ver transtorno específico de habilidades aritméticas.

acatisia
- Acatisia é uma condição psicomotora onde o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel.

A Acatisia como efeito colateral dos neurolépticos, notadamente os incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol) ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. Há um movimento constante e continuado de mexer as pernas como se o paciente estivesse marchando sem sair do lugar.

A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento com o antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com freqüência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.


acetaldeído - O principal metabólito do etanol. O acetaldeído é formado pela oxidação do etanol, reação esta que é catalisada principalmente pela enzima alcooldesidrogenase. Ele é transformado (oxidado) em acetato pela enzima aldeidodesidrogenase. O acetaldeído é uma substância tóxica, envolvida na reação de rubor pelo álcool e em certas seqüelas físicas do consumo de álcool.
Ver droga sensibilizadora ao álcool; dissulfiram.

acidente vascular cerebral - Perturbação súbita da função cerebral atribuível a uma doença vascular, principalmente trombose, hemorragia ou embolia. Sinonímia: derrame cerebral.

ácido nicotínico, niacina ou vit.B3
- Refere-se a dois compostos: ácido nicotínico e nicotinamida. É um tipo de vitamina B que não possui grande capacidade de se armazenar no organismo, daí sua deficiência isolada ser mais fácil de ocorrer. Tem função no processo respiratório das células. Ocorre em inúmeros alimentos, principalmente carne, leite e ovos. Dieta à base de milho favorece a deficiência de niacina, mas o alcoolismo é a sua principal causa. Sua deficiência gera a pelagra, doença caracterizada por manifestações cutâneas (manchas escuras em áreas expostas à luz), diarréia, emagrecimento e irritabilidade. Ocorre lesões nos cantos da boca e na língua. Nas formas graves ocorre quadro de demência, podendo surgir crises convulsivas e alucinações. A maioria dos produtos vitamínicos comerciais só contém a nicotinamida. 

Em doses elevadas contribui no tratamento do aumento de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol). Durante algum tempo a niacina foi tentada no tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas sem resultados positivos. Altas doses da niacina podem provocar vasodilatação e dores abdominais.


acinesia -
Abolição de toda motricidade, inclusive a neuromotricidade, como acontece no parkinsonismo; o estado de dificuldade para iniciar movimentos ou trocar de um padrão motor para outro associado à doença de Parkinson.

aconselhamento genético -
Aplicação dos princípios e dados específicos da genética médica à estimativa de riscos de ocorrência ou recorrência de transtornos transmissíveis por herança e o provimento, a famílias e indivíduos, de informação e orientação pertinentes à prevenção, diagnóstico, prognóstico e controle desses transtornos.

aconselhamento sexual -
Orientação, apoio ou educação de um indivíduo que se apresenta com problemas ou questões relativas ao relacionamento sexual — com pessoas do sexo oposto (aconselhamento heterossexual), do mesmo sexo (aconselhamento sobre homossexualidade), ou de ambos os sexos (aconselhamento sobre bissexualidade). Os problemas não são estritamente classificáveis como perturbações psiquiátricas; são mais dificuldades encontradas na tentativa de relacionamento efetivo com o/a parceiro/a sexual. O aconselhamento conjugal é uma forma de aconselhamento de heterossexualidade que aborda mais outros aspectos do funcionamento do casal do que a sexualidade.

aconselhamento sobre bissexualidade -
Ver aconselhamento sexual.

aconselhamento sobre homossexualidade - Ver aconselhamento sexual.

acontecimento estressante da vida - Qualquer ocorrência ambiental que exige mudança no ajustamento futuro da vida, tal como mudanças de habitat, ingresso na escola ou graduação, mudanças ou fracassos no emprego, separações importantes, nascimentos e falecimentos na família. Tais eventos podem ser causas necessárias, porém não suficientes de doença e podem ser responsáveis, em parte, pela duração da enfermidade.

acrofobia - Um medo mórbido de alturas.

acting out - Expressão de conflitos ou sentimentos emocionais inconscientes através de ações, em vez de palavras. A pessoa não tem consciência do significado desses atos. O acting out pode ser nocivo ou, em situações controladas, terapêutico.

aculturação - Processo de mudança de cultura e seus efeitos, quer em um indivíduo quer em um grupo, como resultado de contato contínuo entre membros de grupos culturalmente distintos. Grupos em contato um com o outro freqüentemente compartilham aspectos de sua cultura com a de outros, mas o menor ou o mais fraco destes grupos adota mais aspectos da cultura dominante do que a cultura dominante dos grupos mais fracos e menores.

adição - Forte dependência emocional e fisiológica de uma substância química que progrediu além do controle voluntário.

adaptação -
Processo no qual indivíduos ou populações procedem a ajustamentos biológicos, comportamentais ou psicológicos para sobreviver em um ambiente, uma cultura ou uma sociedade particular. Um indivíduo pode adaptar-se ou competir com sucesso em um ambiente altamente estressante através de processos fisiológicos (p.ex., adrenalina e outros hormônios) ou através de mecanismos psicossociais (p.ex., meditação, repouso, isolamento). A falha em adaptar-se a circunstâncias socioculturais coloca o indivíduo em risco de desenvolver diversos tipos de transtornos psiquiátricos.

adicção à droga ou ao álcool - Neologismo inadequado (maltraduzido do Ingl. ou do Cast.) e fortemente desaconselhado que designa o uso repetido de substância(s) psicoativa(s), de forma que o usuário (chamado adicto) fica periódica ou cronicamente intoxicado, demonstra uma compulsão para tomar a(s) substância(s) preferida(s), tem grande dificuldade em interromper ou modificar voluntariamente o uso da substância e mostra determinação para obter a substância de qualquer maneira.

Addictionem (Lat. tendência, inclinação ou predisposição a) gerou os termos equivalentes addiction (Ingl.) e adicción (Cast.), entretanto não gerou nenhuma palavra em Port. e não se encontra consignado nem mesmo nos mais recentes dicionários da língua portuguesa. Apesar de não ser um termo diagnóstico na CID-10, continua a ser amplamente utilizado por profissionais e principalmente pelo público em geral, mas seu uso é desaconselhado, mesmo na língua inglesa.

afasia - Uma perda completa da função simbólica da fala relacionada à compreensão e à expressão do significado por meio de palavras. As várias formas de afasia dependem do local da lesão cerebral e são geralmente subdivididas em categorias motora e sensorial, envolvendo a produção e compreensão da fala respectivamente. Na forma de afasia de desenvolvimento, é possível que não se encontre lesão cerebral.

afasia adquirida com epilepsia - Ver síndrome de Landau-Kleffner.

afasia de broca - é uma Afasia na qual o paciente, embora sabendo o que deseja falar ou expressar, vê-se impossibilitado de fazê-lo devido à lesão dos centros neurológicos necessários à coordenação dos movimentos responsáveis pela emissão daqueles sons adequados para esta comunicação.

afasia de expressão do desenvolvimento - Ver Transtorno Da Expressão Verbal.

afasia de wernicke - Uma incapacidade de compreender a linguagem falada ou escrita e, em especial, para entender ou comunicar-se através de linguagem falada e nomear objetos ou qualidades. A leitura e a escrita estão secundariamente prejudicadas. A lesão, na maioria das vezes vascular, dá-se geralmente no córtex associativo da primeira circunvolução temporal do hemisfério dominante. Em crianças, esta perturbação pode ocorrer como um transtorno específico do desenvolvimento (F80.2). Ver Jargonofasia.

afasia receptiva - Ver afasia de wernicke.

afeto -  Um padrão de comportamento observáveis que expressa de um estado emocional subjetivamente vivenciado. Exemplos comuns de afeto são tristeza, euforia e raiva. Contrastando com humor, que se refere a um “clima” emocional mais abrangente e constante, afeto refere-se a alterações mais flutuantes no “clima” emocional. O que é considerado a faixa normal de expressão do afeto varia consideravelmente, tanto dentro quanto entre as diferentes culturas. As perturbações do afeto incluem:

embotado. Redução significativa da intensidade da expressão emocional.

inadequado. Discordância entre a expressão afetiva e o conteúdo do discurso ou da ideação.

instável. Variabilidade anormal do afeto com mudanças repetidas, rápidas e abruptas na expressão afetiva.

plano. Ausência ou quase ausência de quaisquer sinais de expressão afetiva.

restrito ou constrito. Leve redução na faixa e intensidade da expressão emocional.


afonia -
A incapacidade de produzir sons vocais, resultante de um transtorno orgânico ou emocional.

agitação - Inquietação marcante e atividade motora excessiva, acompanhadas de ansiedade.

agnosia - Uma perda ou diminuição da capacidade de reconhecer objetos, resultante de um transtorno perceptivo que afeta a interpretação de estímulos sensoriais.

agonista - Uma substância que age no receptor neuronal e produz efeitos semelhantes aos de uma substância de referência; por exemplo, a metadona é um agonista semelhante à morfina nos receptores de opióides.

agorafobia (F40.0) - Um grupo de fobias bem definido que inclui, entre outras: medo de sair de casa, de entrar em lojas, de multidões e lugares públicos, de viajar sozinho em trens, ônibus e aviões. Ataques de pânico são manifestações freqüentes. Sintomas depressivos e obsessivos e fobias sociais estão também presentes como aspectos subsidiários. A esquiva de situações fobígenas é bem acentuada e alguns agorafóbicos demonstram pouca ansiedade, devido à sua capacidade de evitar situações que lhes causam fobias. Esta condição foi descrita por Westphal, em 1872, como um medo mórbido de grandes lugares abertos. Ver Transtorno De Pânico.

agrafia - Em sua forma completa, uma inabilidade para expressar idéias por escrito, que não está relacionada a uma disfunção da capacidade motora, da fala ou da compreensão; encontra-se associada com uma lesão na parte posterior do giro frontal médio do hemisfério cerebral dominante. A agrafia é comumente associada com alexia, como um sintoma de assimbolia visual.

agressão - Hostilidade, ameaças verbais e/ou ataque comportamental de uma pessoa contra a outra. Os valores e costumes referentes à agressão, à maneira de expressá-la ou controlá-la, e à prevalência da mortalidade ou morbidade resultantes de agressão difere bastante entre culturas. A agressão pode ser proibida dentro de um grupo, mas aprovada se dirigida para fora do mesmo.

agitação (agitação psicomotora) -  Atividade motora excessiva. Associada com um sentimento de tensão interna. A atividade geralmente é improdutiva e repetitiva e consistem de comportamento tais como caminhar a esmo. Remexer-se, retorcer as mãos, puxar as roupas e incapacidade de ficar sentado quieto. 

AIDS/SIDA - A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Ingl: Acquired Immunodeficiency Syndrome) é uma doença infecciosa causada por um retrovírus, o vírus da imunodeficiência humana (VIH).

O vírus se propaga pelo contato com fluidos corporais (p.ex., sangue, sêmen) de uma pessoa infectada. O VIH infecta e elimina os linfócitos do tipo T4 (células auxiliares-indutoras). Muitos dos transtornos neuropsiquiátricos associados ao VIH podem ser devidos a uma ação neurotrópica direta do vírus. A AIDS/SIDA se manifesta através de uma ou mais doenças indicadoras, tais como sarcoma de Kaposi, linfoma primário do SNC, leucoencefalopatia progressiva multifocal e infecções oportunistas, às quais o indivíduo é anormalmente vulnerável devido ao comprometimento de seu sistema imunológico. Ver Complexo Relacionado À Aids/ Sida (CRA).

al-anon - Ver Grupo de Ajuda Mútua; Grupo dos 12 Passos.

alateen - Organização de adolescentes, filhos de pais alcoólicos, operando em algumas comunidades sob a estrutura filosófica e organizacional dos Alcoólicos Anônimos. Apresenta uma configuração na qual os filhos podem receber apoio do grupo, adquirindo um melhor entendimento sobre os problemas de seus pais e sobre os melhores métodos de lidar com eles.

Álcool, dependência de (alcoolismo) - Dependência física do álcool, caracterizada por tolerância ao agente ou desenvolvimento de fenômenos de abstinência, quando da cessação ou redução da ingesta. Outros aspectos da síndrome são a dependência psicológica e prejuízo no funcionamento social ou profissional.

álcool - Na terminologia química, os álcoois são um grupo numeroso de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contêm um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C;HgOH) é um dos membros dessa classe de compostos, o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo "álcool" também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.

O etanol resulta da fermentação de açúcar. Em condições habituais, as bebidas produzidas por fermentação tem uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de bebidas por destilação, uma mistura fermentada é fervida e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é usado como combustível, como solvente e na manufatura química (Ver Álcool Impróprio para o Consumo).

O álcool absoluto (etanol anidro) refere-se ao etanol contendo não mais do que 1% por massa de água. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.

O metanol (CHOH), também conhecido como álcool metílico e álcool de amido (ou de madeira), é, do ponto de vista químico, o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterante para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para beber (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir embaçamento da visão, cegueira, coma e morte.

Outros álcoois impróprios para beber, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).

O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação por álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.

Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).

Ver Dano Cerebral relacionado com o uso de álcool; Síndrome Amnésica; Cardiomiopatia; Cirrose; Delirium; Fígado Gorduroso Alcoólico; Síndrome Fetal Alcoólica; Gastrite; Hepatite; Miopatia; Neuropatia Periférica; Pelagra; Pancreatite; Pseudo-Síndrome de Cushing; Escorbuto; Síndrome de Deficiência de Tiamina; Encefalopatia de Wernicke.

álcool absoluto - Etanol contendo não mais do que 1% de massa de água. Ver álcool.

álcool de Madeira - Metanol. Ver álcool.

álcool impróprio para o consumo - Termo genérico para produtos contendo etanol, mas não destinado à ingestão humana. Muitos produtos industriais (como álcool desnaturado e álcool para desinfecção) contêm etanol e são algumas vezes consumidos como substitutos de bebidas alcoólicas (Ver ÁLCOOL). Um termo mais abrangente para produtos consumidos no lugar de bebidas alcoólicas é "substituto de álcool", o qual inclui também desodorantes, desinfetantes e produtos não etílicos, tais como o etilenoglicol (anticongelante).

alcoólatra - Ver alcoolista.

alcoólico - Ver alcoolista. Note que alcoólico pode ser usado tanto como substantivo (para designar uma pessoa) quanto como um adjetivo (em geral na expressão "bebida alcoólica").

alcoólicos anônimos - Ver Grupo de ajuda Mútua, Grupo dos 12 Passos.

alcoolismo - Um termo há muito usado e com significado variável, geralmente refere-se a um modo de beber crônico e continuado ou mesmo ao consumo periódico de álcool, o qual é caracterizado pelo comprometimento do controle sobre o beber, freqüentes episódios de intoxicação e preocupação com o álcool e seu uso, apesar das conseqüências adversas.

O termo alcoolismo foi originalmente empregado por Magnus Huss em 1849. Até os anos de 1940, referia-se principalmente às conseqüências físicas do beber grandes quantidades, por longo tempo (alcoolismo Beta na tipologia de Jellinek). Um conceito mais restrito é o de alcoolismo como uma doença (Ver Doença Alcoólica), caracterizado pela perda do autocontrole sobre o beber, causado por uma anormalidade biológica preexistente e tendo um curso progressivo previsível. Mais tarde o termo foi usado por Jellinek e outros para indicar o consumo de álcool conduzindo a qualquer tipo de dano (físico, psicológico ou social, individual ou grupal). Jellinek subdividiu o alcoolismo assim definido em uma série de "tipos" designados por letras gregas (Ver Tipolocia De Jellinek).

A inexatidão do termo levou uma Comissão de Peritos da OMS, em 1979, a desaprová-lo, preferindo estreitar a formulação para síndrome de dependência do álcool como um dos problemas relacionados com o álcool. O alcoolismo não está incluído como uma entidade diagnóstica na CID-10 (Ver Síndrome De Dependência).

Apesar de seu significado ambíguo, alcoolismo é ainda amplamente usado como termo diagnóstico e descritivo. Por exemplo, em 1990, a Sociedade Americana das Dependências definiu alcoolismo como "uma importante doença crônica4 primária com fatores genéticos, psicossociais e ambientais influenciando seu desenvolvimento e manifestações. A doença é com freqüência progressiva e fatal. Está caracterizada por contínua ou periódica perturbação do controle de ingestão, preocupação com a substância do álcool; uso de álcool apesar de suas conseqüências adversas e distorções de pensamento, notadamente, negação". Outras formulações têm dividido o alcoolismo em diversos tipos, alguns vistos como doença e outros não (Ver Tipologia De Jellinek). Distinguem-se: (i) alcoolismo essencial de alcoolismo reativo, onde "essencial" indica que o alcoolismo não é secundário nem provocado por alguma outra condição; (ii) alcoolismo primário de secundário, para indicar a ordem de início, em casos de duplo diagnóstico e (iii) alcoolismo do tipo I e do tipo II, tendo o último um componente genético fortemente ligado ao sexo masculino. Em uso mais antigo, a dipsomania (beber episódico) e adicção ao álcool referiam-se à perda do controle de beber; embriaguez também tinha uma mais ampla relação com a intoxicação habitual e seus efeitos prejudiciais. Ver Transtorno Por Uso De Substância Psicoativa.

alcoolista - Indivíduo afetado pelo alcoolismo.

alcoolização - Ingestão freqüente de quantias substanciais de bebidas alcoólicas de forma a manter um elevado teor de álcool no sangue. “Alcoolização” também designa o processo de aumentar a freqüência do consumo de álcool. O termo pode ser aplicado ao bebedor individual ou à sociedade como um todo. O termo “alcoolização” foi originalmente usado no contexto de modelos franceses de beber e implica que o beber é mais normatizado pelas condições socioculturais que reflexo de uma psicopatologia individual. Sinonímia: bebedor inveterado. Ver Tipologia De Jellinek (Alcoolismo Delta).

alcoologia - Ramo do conhecimento científico relacionado ao álcool. Termo usado predominantemente no idioma francês.

alexia - Em sua forma completa, uma inabilidade para reconhecer ou entender palavras, ideogramas, letras (manuscritas ou em letra de forma) ou cores devido a uma incapacidade para reconhecer o significado lingüístico de padrões visuais; é associada a uma lesão do giro occipitotemporal medial do hemisfério cerebral dominante. O envolvimento da radiação óptica causa uma hemianopsia homônima. A alexia se encontra comumente combinada com a agrafia, como um sintoma de assimbolia visual.

alexitimia - Incapacidade de reconhecer ou de verbalizar as próprias emoções. Inicialmente descrito como um sinal/sintoma psicopatológico, é, atualmente, também considerado como um estilo cognitivo-emocional observado com mais freqüência em certos grupos (p.ex., mais freqüente em homens que em mulheres, mais freqüente em africanos que em europeus).

alienação - Condição caracterizada pela perda de relacionamentos significativos com outros, com sua sociedade ou sua cultura. Este termo, também usado num sentido socioeconômico, passou a substituir o antigo conceito de loucura. A falha da sociedade em aculturar e socializar o desenvolvimento individual pode, por sua vez, produzir ou exacerbar perturbações psicopatológicas, tais como despersonalização, comportamento dissociativo e desavenças com outros indivíduos.

alienação da adolescência - Desenvolvimento de antipatia ou até mesmo hostilidade frente sua própria sociedade ou cultura, durante a adolescência. Este fenômeno pode estar associado a alterações psicopatológicas, mas pode também acompanhar mudanças sociais que implicam a substituição: (i) de famílias extensas por famílias nucleares, (ii) de status atribuído por status conquistado, (iii) de uma vida centrada na família por uma vida centrada nos pares, (iv) de valores religiosos por seculares, (v) do comunalismo pelo individualismo, (vi) da estabilidade social por mudanças sociais e (vii) da moral tradicional pela moderna. A alienação durante a adolescência, se generalizada, pode resultar em problemas psicossociais epidêmicos8, como, p.ex., abuso de álcool e drogas, delinqüência, depressão, conflitos familiares, gravidez fora do casamento, abandono escolar, vandalismo e suicídio.

alogia - Um empobrecimento do pensamento, inferido pela observação da fala e do comportamento relativo à linguagem. As respostas a perguntas podem ser breves e concretas e a quantidade de fala espontânea pode ser restrita (pobreza da fala). Ocasionalmente, a fala é adequada em quantidade, mas transmite poucas informações por ser excessivamente concreta, abstrata, repetitiva ou estereotipada (pobreza do conteúdo).

alteração do humor - Uma mudança mórbida do afeto que ultrapassa as variações normais, e que leva a vários estados que incluem: depressão, exaltação, ansiedade, irritabilidade e raiva.

alterações neurofibrilares de alzheimer - Ver Redes Neurofibrilares.

alterações permanentes da personalidade (F62) - Um transtorno da personalidade e do comportamento adulto que se desenvolve após estresse catastrófico ou excessivamente prolongado, ou após várias doenças psiquiátricas graves num indivíduo sem transtorno de personalidade prévia. Há uma mudança definitiva e permanente no padrão individual de perceber, relacionar-se com ou pensar sobre o meio ambiente e o self. A mudança de personalidade é associada com comportamento inflexível e mal-adaptativo que não estava presente antes da experiência patogênica e não é uma manifestação de outro transtorno mental nem um sintoma residual de qualquer transtorno mental precedente. A síndrome de personalidade com dor crônica4 se enquadra nesta categoria.

alterações permanentes da personalidade após experiência catastrófica (F62.0) - Caracterizam-se por uma atitude hostil ou desconfiada em relação ao mundo, isolamento social, sentimento de inutilidade (vazio) ou desesperança e um sentimento crônico de estar “no limite”, como se estivesse constantemente ameaçado. As alterações estão presentes por pelo menos dois anos e o estresse é tão extremo que é desnecessário considerar a vulnerabilidade pessoal para explicar seu profundo efeito sobre a personalidade. Os estressores típicos incluem experiências em campos de concentração, desastres, cativeiro prolongado com iminente possibilidade de ser morto e exposição prolongada a situações de risco de vida tal como ser vítima de terrorismo e de tortura.

alterações permanentes da personalidade depois de doença psiquiátrica (F62.1) - Caracterizam-se por uma dependência excessiva e uma atitude exigente em relação aos outros, e uma convicção de ter sido transformado ou estigmatizado pela doença precedente, que levam a: a) uma incapacidade para estabelecer e manter relações pessoais próximas e confiantes e a isolamento social; b) passividade; c) redução de interesses e diminuição do envolvimento em atividades anteriormente prazerosas e apreciadas; d) queixas persistentes de estar doente que podem ser associadas com queixas hipocondríacas e comportamento de ficar doente; e) humor disfórico ou lábil não devido à presença de uma doença mental atual nem a transtorno mental anterior com sintomas afetivos residuais e f) problemas importantes no funcionamento social e ocupacional. As alterações persistem por pelo menos dois anos e não podem ser explicadas nem por um transtorno da personalidade prévio nem como uma recuperação incompleta, ou residual de um transtorno mental antecedente.

alucinação - Sensopercepção, de qualquer natureza, que se dá na ausência de estímulo externo apropriado. As alucinações podem subdividir-se de acordo com: a modalidade sensorial afetada; a intensidade; a complexidade; a clareza de percepção; e o grau subjetivo de sua projeção ao exterior. Em indivíduos normais, podem ocorrer alucinações nos estados de transição vigília-sono (hipnagógicas) e sono-vigília (hipnopômpicas). Enquanto fenômeno mórbido, as alucinações podem ser sintomáticas de patologia orgânica cerebral, de psicoses funcionais e de intoxicação por drogas, com aspectos característicos para cada qual.

Dependendo da cultura, algumas alucinações podem ou não ser socialmente sancionadas como eventos reais (p.ex., comunicação com os mortos ou espíritos, mensagens de Deus). Alucinações do cativeiro são imagens visuais ou auditivas induzidas pelo isolamento e pelo estresse decorrente de situações de ameaça à vida, na ausência de disfunções psiquiátricas graves.

alucinogênio - Ver Alucinógeno.

alucinógeno - Substância psicoativa, natural ou sintética, capaz de ocasionar estados alterados de consciência caracterizados por: percepção intensificada, imagens vívidas que podem evoluir para ilusões e alucinações, alterações do humor e vivências de despersonalização/desrealização. Esses estados podem assemelhar-se a uma psicose aguda e conduzir a graves transtornos de comportamento, sem a produção de disfunção grosseira da memória e orientação características das síndromes orgânicas. Figuram entre os alucinógenos: (i) indolaminas, como a dietilamida do ácido lisérgico (lisergida, LSD), a N,N-dimetiltriptamina (DMT), a psilocibina e a harmina, (ii) feniletilaminas metoxiladas, como a mescalina; tetrahidrocanabinois, encontrados na maconha e no haxixe e (iii) várias outras drogas, como a metanfetamina metilenodioxianfetamina, MDA), 3,4-metilenodioximetan-fetamina (MDMA ou ecstasy), a fenciclidina (PCP), a muscarina e a miristicina. Apesar de intensamente investigado, o modo de ação preciso dos alucinógenos é malcompreendido.

A maioria dos alucinógenos é tomada por via oral; o DMT, no entanto, é cheirado ou fumado. O uso é tipicamente episódico; o uso crônico e freqüente é extremamente raro. Os efeitos são notados dentro de 20-30 minutos da ingestão e consistem de dilatação pupilar, elevação da pressão sanguínea, taquicardia, tremor, hiper-reflexia e a fase psicodélica (que consiste de euforia ou alterações de humor, ilusões visuais e percepções alteradas, um embotamento dos limites entre o eu e o não-eu, e freqüentemente um sentimento de unidade com o cosmos); são comuns flutuações rápidas entre euforia e disforia. Após 4-5 horas, este quadro pode ser substituído por idéias de auto-referência, sentimentos de consciência aumentada do eu interior, e uma sensação de controle mágico.

Além da alucinose, que é produzida regularmente, são freqüentes outros efeitos adversos de alucinógenos que incluem:

a) más-viagens;
b) transtorno de percepção pós-alucinógeno ou flashbacks;
c) transtorno delirante, que geralmente segue-se à má-viagem; as mudanças perceptuais atenuam-se, mas o indivíduo torna-se convencido de que as distorções perceptuais experimentadas correspondem à realidade; o estado delirante pode durar apenas um ou dois dias, ou pode persistir;
d) transtorno afetivo ou do humor, que consiste de ansiedade, depressão ou mania que ocorre logo após o uso de alucinógeno e persiste por mais de 24 horas; tipicamente o indivíduo sente que nunca mais poderá voltar ao normal e expressa preocupação a respeito de dano cerebral como resultado da ingestão de droga.

Os alucinógenos têm sido usados como coadjuvantes de terapia de insight, embora de forma cada vez mais restrita ou até mesmo banida pela legislação. Sinonímia: Psicodisléptico; Psicotomimético. Ver Planta Alucinógena; Transtorno Por uso de substâncias.

alucinose (F1X.52) - Termo introduzido por Wernicke (1848-1905) para indicar os estados alucinatórios agudos; designa uma imagem patológica que possui todas as características da imagem alucinatória (sobretudo uma notável nitidez), menos a convicção de realidade ou participação do eu, i.é., o paciente reconhece aquela experiência perceptiva como algo estranho a si mesmo, como um acontecimento patológico. As alucinações alcoólicas e as alucinoses pedunculares são seus exemplos mais comuns. A expressão alucinose tem sido empregada cada vez mais para designar um delirium alucinatório: imagens alucinatórias resultantes da dissolução da consciência-vigilância ou da ação de substâncias psicoativas; "alucinose alcoólica" e "alucinose infecciosa" têm este sentido. Outros a empregam com o mesmo sentido de alucinação orgânica, sintomática ou tóxica, sem confusão mental ou prejuízo intelectual, mas persistente e recorrente. Sinonímia: estado alucinatório. Ver Transtorno Psicótico Induzido Por Álcool Ou Droga.

alucinose alcoólica - Ver Alucinação; Alucinose; Transtorno Psicótico Induzido por Álcool ou Droga.

alucinose orgânica (F06.6) - Alucinose que ocorre no contexto de doença cerebral ou de uma doença sistemática. Ver Alucinose.

ambivalência - Coexistência de duas pulsões, desejos, sentimentos ou emoções opostos para com a mesma pessoa, objeto ou objetivo; pode ser consciente ou parcialmente consciente.

amilóide - Proteínas e polipeptídeos anormais que formam depósitos em locais de lesão histopatológica. Tais depósitos constituem o cerne da placa neurítica argentofílica, que é um achado típico da doença de Alzheimer.

amiotrofia - Perda de músculo esquelético de base neurogênica, diferente da perda decorrente de uma doença muscular primária.

amnésia - Perda ou perturbação da memória (completa ou parcial, permanente ou temporária), atribuível a causas orgânicas ou psicológicas. A amnésia anterógrada é a perda da memória de duração variável para eventos e experiências subseqüentes a um incidente causal. A amnésia retrógrada é a perda da memória de duração variável para eventos e experiências que precederam um incidente causal.

amnésia aguda -
Ver Apagamento; Intoxicação Patológica.

amnésia anterógrada (F41.1) - Perda de memória de duração variável para eventos e experiências subseqüente a um incidente causal, em geral, depois da recuperação da consciência.

amnésia dissociativa (F44.0) - A manifestação principal é perda de memória, geralmente de eventos recentes importantes, que não é decorrente de transtorno mental orgânico e é muito grande para ser explicada por esquecimento normal ou fadiga. A amnésia é geralmente centrada em eventos traumáticos, tais como acidentes, perdas ou lutos inesperados e é geralmente parcial e seletiva. A amnésia completa e generalizada é rara e geralmente é parte de uma fuga.

amnésia pós-ictal - Perda de memória de duração variável que segue convulsões epilépticas, geralmente acompanhada por períodos de obnubilação da consciência ou automatismo.

amnésia retrógrada - Perda de memória de duração variável para eventos e experiências que precedem um incidente causal.

amnésia seletiva - Uma forma de perda de memória restrita a associações com o precipitante psicológico da reação.

amnésico - Relativo à amnésia; que sofre de amnésia.

amnéstico - Evento, traumatismo ou substância que causa amnésia.

amok -Ataques homicidas súbitos, não provocados e indiscriminados, dirigidos contra conhecidos ou estranhos observados originalmente no sul e no sudeste da Ásia. O termo é de origem malaia, mas é usado atualmente em outras sociedades onde existe o mesmo comportamento. É também conhecido por cafard na Polinésia, mal de pelea em Porto Rico e iich’aa entre os Navajos. O episódio de amok pode seguir um planejamento prévio decorrente de um sentimento de menosprezo ou insulto, com amnésia posterior, mas isto nem sempre é observado. Ele pode ocorrer associado a numerosos quadros psiquiátricos, incluindo transtorno de personalidade anti-social, intoxicação aguda, transtorno dissociativo, transtorno delirante e outras psicoses. O termo é agora popular e comum em várias sociedades, onde é usado para descrever assaltos e suicídios fortuitos.

amotivacional - Ver Síndrome Nolitiva.

analgésico - Uma substância que reduz a dor e pode ou não ter propriedades psicoativas. Ver Opióide.

anedonia - Ausência da capacidade de experimentar prazer, associada freqüentemente com estados esquizofrênicos e depressivos. O conceito foi introduzido por Ribot (1839-1916).

anedonia sexual - Tipo de disfunção sexual na qual as respostas sexuais ocorrem normalmente e se chega ao orgasmo, mas existe uma falta de prazer satisfatório (falta de desfrutesexual). Ver Aversão Sexual.

anestesia - Perda de sensação em partes do corpo, atribuível tanto a causas físicas como psicológicas.

anestesia dissociativa (F44.6) -Deficiência da sensibilidade não decorrente de transtorno orgânico. É caracterizada por uma perda sensorial em áreas da pele cujos limites não correspondem ao conhecimento científico atual sobre inervação. Pode haver uma perda diferencial entre as modalidades sensoriais que não pode ser explicada por uma lesão neurológica. A perda sensorial pode estar acompanhada de queixas de parestesia.

anfetamina - Uma classe das aminas simpaticomiméticas com poderosa ação estimulante no sistema nervoso central. Esta classe inclui a anfetamina, a dexanfetamina e a metanfetamina. As drogas farmacologicamente relacionadas incluem o metilfenidato, a fenmetrazina e a anfepramona (dietilpropiona). Em linguagem de rua, as anfetaminas são freqüentemente referidas como “bolinhas” (Br.).

Atualmente, a prescrição de anfetaminas e de substâncias relacionadas está limitada principalmente ao tratamento da narcolepsia e do transtorno de hiperatividade por déficit de atenção. Não há consenso quanto à utilidade destes agentes como agentes anorexígenos no tratamento da obesidade. Ver Estimulante; Psicose Anfetamínica; Transtorno Psicótico Induzido Por Álcool Ou Droga.

animatismo - A mais primitiva das concepções sobrenaturais, atribui a todas as pessoas, animais e coisas que existem uma entidade sobrenatural que as anima e controla. Segundo esta teoria, o espírito de uma coisa é o determinante de suas relações e é possível não só comunicar-se com eles como agradá-los ou desagradá-los. Junto com as crenças animatistas surgiram as primeiras pessoas que se acreditava terem a capacidade de se comunicar com os espíritos e influir sobre eles: os magos, feiticeiros e, muito provavelmente, os primeiros que exerceram atribuições de curar doenças, os primeiros médicos. O termo foi introduzido por Marrei (1866-1943).

animismo - A crença que todas as coisas possuem almas que as dominam e na existência de um mundo mágico-espiritual, habitado por almas com uma representação terrena. Uma manifestação particular do pensamento mágico para explicar o mundo, situada historicamente entre o animatismo e o teísmo (ou religião). Mesmo membros de religiões monoteístas podem apresentar crenças animistas que coexistem com suas crenças monoteístas. O termo foi introduzido por Tylor (1832-1917). Ver Bruxaria; Experiências sobrenaturais.

anomia - Inexistência de normas e valores no repertório pessoal ou na realidade sociocultural. Ausência de lei e a discórdia numa sociedade devido a normas conflituosas. A anomia pode precipitar transtornos psiquiátricos caracterizados particularmente por ansiedade, isolamento e/ou desorientação pessoal e pode culminar com o suicídio. Ver Alienação; Desculturação; Identidade.

anorético - Que sofre de anorexia.

anorexia nervosa (F50.0) - Perda de peso deliberada, induzida e mantida pelo paciente, com uma psicopatologia específica na qual um receio de engordar e da flacidez do contorno corporal persistem como uma idéia intrusiva e supervalorizada. Os pacientes impõem a si próprios um limite baixo de peso, geralmente resultando em subnutrição de intensidade variável, alterações secundárias endócrinas e metabólicas, e perturbações de funções fisiológicas (p.ex., amenorréia). Os sintomas incluem uma dieta restritiva, exercícios excessivos, vômito induzido e uso de laxantes, bem como uso de supressores do apetite e diuréticos. O transtorno ocorre mais freqüentemente em meninas adolescentes e mulheres jovens, mas mulheres de mais idade, até a época da menopausa, assim como meninos adolescentes e homens jovens também podem ser afetados. Ver Índice De Massa Corporal De Quetelet, Transtornos Alimentares.

anorexia nervosa atípica (F50.1) - Transtorno que preenche alguns requisitos da anorexia nervosa, mas que, do ponto de vista do quadro clínico global, não justifica aquele diagnóstico. Ver Transtornos Alimentares.

anorexígeno - Ver Supressor do Apetite.

anorgasmia psicogênica - Ver Disfunção Orgásmica.

anormalidade nos cromossomos sexuais -Transtorno da função, da estrutura ou ausência parcial ou total do cromossomo sexual ou presença de cromossomos sexuais extras, p.ex., na síndrome de Klinefelter, ou pessoas do sexo masculino com cromossomos sexuais XYY, ou defeitos em cromossomos individuais, tais como um cromossomo Y grande ou com um X frágil.

anosmia - Perda do sentido do olfato, atribuível tanto à obstrução física como ao dano do mecanismo nervoso associado a este sentido.

ansiedade - Apreensão, tensão ou inquietação que se deriva da antecipação de perigo, cuja fonte é amplamente desconhecida ou não - reconhecida; de origem basicamente intrapsíquica, contrariamente ao medo que é a resposta emocional a uma ameaça ou perigo conscientemente reconhecido e habitualmente externo.

ansiedade de flutuação livre - Ansiedade severa, generalizada e persistente, não especificamente causada por um determinado objeto ou evento e freqüentemente precursora do pânico.

ansiedade paroxística episódica - Ver Transtorno de Pânico.

ansiolíticos - Drogas contra a ansiedade. Ver Sedativo/Hipnótico.

antagonista - Substância que neutraliza os efeitos de outro agente. Do ponto de vista farmacológico, um antagonista interage com um receptor para inibir a ação de agentes (agonistas) que produzem efeitos específicos, fisiológicos ou comportamentais mediados por aquele receptor.

anticonvulsivante - Ver Droga Antiepiléptica.

antidepressivos - O mesmo que antidepressores. Um grupo de agentes psicoativos prescritos para o tratamento de transtornos depressivos; também são usados em outras condições, tais como o transtorno do pânico. Há três classes principais: (i) antidepressivos tricíclicos, (ii) agonistas de receptores e inibidores da recaptação da serotonina e (iii) inibidores da monoaminoxidase (IMAO). Os antidepressivos tricíclicos tem um potencial de abuso relativamente baixo, mas algumas vezes são usados sem finalidade terapêutica, apenas por seus efeitos psíquicos imediatos. Desenvolve-se tolerância aos seus efeitos anticolinérgicos, mas não está estabelecido se ocorre uma síndrome de dependência ou síndrome de abstinência. Por estas razões, o uso impróprio de antidepressivos está incluído na categoria F55 da CID-10, abuso de substâncias que não produzem dependência.

anti-histamínicos - Grupo de drogas terapêuticas usadas no tratamento de transtornos alérgicos e, algumas vezes, por causa de seus efeitos sedativos, para diminuir ansiedade e induzir o sono. Farmacologicamente, os anti-histamínicos são classificados como bloqueadores de receptores H1. Estas drogas são ocasionalmente utilizadas não-terapeuticamente, particularmente por adolescentes nos quais pode causar sedação e desinibição. Um grau moderado de tolerância se desenvolve, mas não síndrome de dependência ou síndrome de abstinência. Uma segunda classe de anti-histamínicos, os bloqueadores de receptores H2, suprime a secreção ácida gástrica e é usada no tratamento da úlcera péptica e do refluxo esofágico. Eles não têm um potencial de dependência conhecido e o seu uso indevido é incluído na categoria F55 da CID-10, abuso de substâncias que não produzem dependência. Ver Doping.

antipsicótico - Termo genérico aplicado de maneira ampla a diversas classes químicas de drogas empregadas no manejo sintomático de várias condições psicóticas, especialmente a esquizofrenia e estados de excitação. As substâncias incluem fenotiazinas, butirofenonas e tioxantenos, assim como drogas mais recentes como difenilbutilpiperidinas, pimozide e fluspirileno. A maioria delas pode provocar reações adversas, das quais as síndromes extrapiramidais são as mais incômodas. Ver Droga Neuroléptica.

anti-social - Comportamento que não se conforma às normas estabelecidas e sancionadas. Ver Transtorno Anti-Social Da Personalidade.

apagamento - Termo vulgar para designar a amnésia anterógrada aguda, não associada com perda de consciência, resultante de ingestão de álcool e de outras substâncias; um período de perda de memória durante o qual há pouca ou nenhuma lembrança do que passou. Quando isto ocorre no curso da ingestão contínua de álcool, é algumas vezes chamado de “palimpsesto alcoólico”.

apego - Comportamento social relacionado primariamente à vinculação afetiva entre a criança e as pessoas que lhe proporcionam cuidados. Embora a díade mãe/criança seja freqüentemente descrita como o foco deste vínculo, a dinâmica cultural e familiar pode envolver outros membros da família como participantes importantes deste processo de vinculação (p.ex., velhas tias, pai, avó, empregados com status de parente).

apnéia do sono - Suspensão temporária da respiração durante o sono, geralmente atribuível à obstrução das vias aéreas superiores e terminando, muitas vezes, com um ronco sonoro, estremecimentos do corpo ou extensão dos braços. A apnéia do sono está associada com perturbação do sono, sonolência diurna e fadiga, bradicardia e despertar eletroencefalográfico.

apoio social - Um termo impreciso que se refere a uma variedade de interações sociais que aumentam o sentido de filiação, segurança e amor-próprio no indivíduo que delas participa.

apraxia - Uma perda da capacidade de realizar um movimento intencional de natureza familiar, na ausência de ataxia, paresia motora ou perda sensorial. Várias funções podem ser afetadas, de acordo com o local da lesão cerebral e sua patologia.

área de captação - Área geográfica pela qual um programa ou instalação para a saúde - mental é responsável.

arritmia - Qualquer irregularidade do ritmo ou padrão, mais comumente usado em referência a anormalidades do batimento cardíaco. O eletrocardiograma é usado para detectar anormalidades na propagação do impulso elétrico através do tecido cardíaco. Arritmias cardíacas podem ser causadas por vários fatores, incluindo desequilíbrio eletrolítico, agentes psicofarmacológicos e outras drogas, doença cardíaca e ansiedade.

arteriosclerose -
Um termo inexato — literalmente, endurecimento das artérias — que abrange uma gama de processos patológicos associados com espessamento e perda de elasticidade das paredes arteriais. Sinonímia: aterosclerose.

asma (Brônquica) - Um transtorno respiratório que consiste em episódios recorrentes de espasmo dos bronquíolos, em conseqüência do que o ar fica preso nos pulmões e torna difícil a expiração. Fatores emocionais e psicológicos estão presentes com freqüência no desencadeamento ou agravamento dos ataques.

assimilação - Um processo psicossocial no qual um grupo étnico ou cultural dominante absorve um outro grupo étnico ou cultural não dominante, tornando-se, em decorrência, um só grupo étnico ou cultural. A identidade étnica original é perdida em favor da identidade do grupo assimilador. Ver Aculturação; Anomia; Identidade.

associação auditiva - Um dos passos no processamento de estímulos auditivos, consistindo na ligação de um som a um traço de memória ou conceito, de modo que o som possa ser apercebido e compreendido. O processamento auditivo é freqüentemente defeituoso nos transtornos do desenvolvimento da linguagem e leitura.

associação livre - Na terapia psicanalítica, a verbalização espontânea, sem censura de qualquer conteúdo que lhe venha à mente pelo cliente. 

associal -
Um estado de ser indiferente a experiências ou costumes sociais, freqüentemente observado em certos transtornos psiquiátricos (p.ex., transtorno de personalidade esquizóide). Ver anti-social.

astenia neurocirculatória (F45.3) - Um termo introduzido por Oppenheimer e Rothschild em 1918 para descrever a síndrome constituída por fadiga, irritabilidade, falta de respiração, dor pré-cordial e tontura à mudança postural ou ao esforço. O quadro foi riginalmente observado em pacientes encaminhados para hospitais militares na Primeira Guerra Mundial, e era indistinguível das primeiras descrições da síndrome do coração do soldado (Myers, 1870) ou da síndrome de Da Costa (1871). Todos os três quadros são agora vistos como manifestações do transtorno de ansiedade generalizada.

ataque - Um acesso súbito de anormalidade transitória de natureza motora, sensorial, autonômica ou psicológica, com uma disfunção cerebral temporária.

ataque de nervos - Síndrome comum a muitas áreas da América Latina que inclui labilidade emocional, agressão verbal ou física, e uma sensação de calor que sobe do peito para a cabeça. Perdas repentinas inesperadas (morte, divórcio, separação) ou conflito familiar podem precipitar esta reação. O prognóstico geralmente é bom.

ataque de pânico - Ver Transtorno de Pânico.

ataque de perda do fôlego - Um padrão de comportamento relativamente comum em crianças jovens, caracterizado por períodos de suspensão voluntária da respiração os quais podem levar a cianose e perda de consciência. A condição é autolimitada e pode ser usada para manipular o ambiente.

aterosclerose - Ver Arteriosclerose.

atitude - Uma disposição comportamental adquirida que se presume ser responsável por variações no comportamento social sob circunstâncias aparentemente similares. Como estados latentes de predisposição para uma dada resposta, as atitudes não podem ser medidas diretamente, mas devem ser inferidas a partir do comportamento expresso ou de respostas a questionários.

atos compulsivos [rituais obsessivos] (F42.1) - Atos que se impõem a um indivíduo, apesar de seus esforços para resistir aos mesmos. Os atos compulsivos mais comumente se referem à limpeza (particularmente o ato de lavar as mãos), verificação repetida para se assegurar a eliminação de que uma situação potencialmente ou organização e arrumação. Subjacente ao comportamento manifesto está um medo, usualmente de perigo para o paciente ou causado por ele, e o ritual é uma tentativa ineficaz ou simbólica de afastar aquele perigo.

atraso cultural - A persistência de um costume ou norma além do tempo de sua contribuição funcional para uma dada sociedade ou cultura. Um exemplo é a idealização de grandes famílias ou da vida rural como normas para todos, a despeito de sua relativa infreqüência em uma sociedade urbanizada ou aglomerada; os papéis de gênero tradicionais são um outro exemplo. Esta dissonância entre práticas tradicionais e necessidades modernas pode precipitar transtornos de ajustamento ou transtornos mais graves.

atraso do desenvolvimento - Falha em atingir o nível esperado de desenvolvimento na idade na qual este é normalmente atingido. O termo implica que o nível será atingido pelo indivíduo mais tarde do que o esperado, embora haja uma grande variação entre crianças normais quanto à idade em que as etapas de desenvolvimento são atingidas.

aumento dos ventrículos cerebrais - Aumento do volume do sistema ventricular cerebral, decorrente de atrofia cortical, hidrocefalia obstrutiva ou hidrocefalia comunicante. Como a pneumoencefalografia e a ventriculografia tornaram-se amplamente suplantadas por técnicas não invasivas, várias medidas têm sido propostas para avaliar-se o aumento ventricular através da tomografia computadorizada. Ver Imagem Cerebral.

autismo atípico (F84.1) - Transtorno desintegrativo do desenvolvimento que difere do autismo infantil tanto pela idade de início quanto por não preencher todos os critérios diagnósticos. Refere-se a um desenvolvimento anormal e prejudicado que se evidencia somente depois dos 3 anos e a uma falta de anormalidades suficientemente demonstráveis em uma ou duas das três áreas de psicopatologia requeridas para o diagnóstico de autismo (a saber: (í) interações sociais recíprocas anormais, (ii) comunicação anormal e (iii) comportamento restrito, estereotipado e repetitivo), apesar de anormalidades características em outras áreas. O autismo atípico surge mais freqüentemente em indivíduos com deficiência mental profunda e em indivíduos com um grave transtorno específico do desenvolvimento da recepção da linguagem.

autismo infantil (F84.0) - Transtorno desintegrativo do desenvolvimento definido pela presença de desenvolvimento anormal ou prejudicado que se manifesta antes da idade de três anos e pela tríade característica de (i) funcionamento anormal na interação social, (ii) comunicação anormal e (iii) comportamento restrito, estereotipado e repetitivo. Além destas características diagnósticas específicas, são comuns vários outros problemas inespecíficos, tais como fobias, transtornos do sono e alimentares, ataques de irritação e agressão autodirigidas. Sinonímia: Autismo na Infância; Síndrome de Kanner.

automutilação - Dano permanente infligido por alguém a alguma parte do próprio corpo. Pode ser parte de certas alterações psiquiátricas ou de síndromes tradicionais nas quais a pessoa obtém algum alívio através de autoflagelação, sem que isso seja aceito pela cultura. Em algumas culturas, certas formas de automutilação, sob certas condições, são aceitáveis ou mesmo desejáveis (por exemplo, escarificações rituais, laceração do couro cabeludo ou amputação de parte de um dedo em caso de morte de um membro da família).

aversão sexual (F52.1) - Tipo de disfunção sexual na qual a perspectiva de interação sexual produz medo e ansiedade suficientes para que a atividade sexual seja evitada (esquiva sexual). Ver Disfunção Sexual.