| Rogéria
Cristina Castilho- Fisioterapeuta
Fonte:
Livro - Fisioterapia no Brasil
José
Rubens Rebelatto e Silvio Paulo Botomé
Ed.
Monole Ltda
Na
Antiguidade (mais ou menos entre 4000 a. C. e 395 d.C.)
havia um preocupação em eliminar as doenças através
da utilização de agentes físicos (sol, luz,calor,água
e eletricidade), massagens e exercícios físicos. Segundo
Shestack (1979), "Os médicos na Antiguidade conheciam
os agentes físicos e os empregavam em terapia. Já utilizavam
a eletroterapia, sob a forma de choques com um peixe
elétrico, no tratamento de certas doenças".
Ainda
nessa época, a China registra obras de cinesioterapia
em 2698 a.C. Na mesma época na Índia usa-se de exercícios
respiratórios para evitar a constipação.
A
Idade Média, caracterizada por uma ordem social estabelecida
no plano divino, foi uma época de lacuna em termos de
evolução nos estudos e na atuação na área da saúde.
A alta valorização da alma neste período e o interesse
pelo desenvolvimento da capacidade física pelas camadas
mais privilegiadas parecem ter sido responsáveis por
essa lacuna. Desenvolveu-se portanto nesta época uma
fisioterapia destinada a outros fins que não o curativo
e sim o de incremento da potência física.
Após
esse período de estagnação dos estudos, surge o Renascimento
(período entre os séculos XV e XVI ), descrito como
um momento de crescimento científico e literário. Há
então,uma retomada dos estudos onde o interesse não
destina-se apenas a concepção curativa, mas também a
manutenção do estado normal existente em indivíduos
sãos.
Entre
os séculos XVIII e XIX ocorre a industrialização, momento
caracterizado por um avanço na utilização de máquinas
e uma transformação social determinada pelo produção
em larga escala. Houve o desenvolvimento das cidades,
bem como surgiram condições sanitárias precárias, jornadas
de trabalho estafantes, e condições alimentares insatisfatórias
que provocaram a proliferação de novas doenças. O surgimento
de novas patologias e epidemias exigiram da medicina
um desenvolvimento nos estudos. Nessa época parece que
todos os estudos na área de saúde concentraram sua atenção
ao "tratamento"das doenças e seqüelas e deixaram
de lado as outras vertentes iniciadas na época renascentista,
a "manutenção" de uma condição satisfatória
e a "prevenção" de doenças. A atenção ao "tratamento"
faz surgir a idéia de atendimento hospitalar. Mais tarde,
ainda no século XIX, surgem as especializações médicas
. A Fisioterapia parece ter seguido a mesma direção
dividindo-se em diferentes especialidades. No decorrer
da história percebemos que a fisioterapia sofreu todas
essas oscilações, passando pela atuação curativa na
antiguidade, pela estagnação na Idade Média, pela atenção
preventiva concomitante a curativa durante o Renascimento
e novamente pelo direcionamento puramente curativo durante
a industrialização.
No
Brasil, a fisioterapia surgiu como uma forma de solução
para os altos índices de acidentes de trabalho.
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Fisioterapia
- Definição |
| É
uma ciência da Saúde que estuda, previne e
trata os distúrbios cinéticos funcionais,
intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo
humano, gerados por alterações genéticas,
por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta
suas ações em mecanismos terapêuticos próprios,
sistematizados pelos estudos da Biologia,
das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas,
das patologias, da bioquímica, da biofísica,
da biomecânica, da cinesia e da sinergia funcional
de órgãos e de sistemas do corpo humano.
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O PROFISSIONAL FISIOTERAPEUTA |
|
Profissional de Saúde, com formação acadêmica
Superior, habilitado a construção do diagnóstico
dos distúrbios cinéticos funcionais (Diagnóstico
Cinesiológico Funcional), a prescrição das
condutas fisioterapêuticas, sua ordenação
e indução no paciente bem como, o acompanhamento
da evolução do quadro funcional e a sua alta
do serviço. |
FISIOTERAPIA
NO HOSPITAL SÃO JOÃO
DE
PRESIDENTE PRUDENTE
A
Organização Mundial de Saúde qualifica as deficiências
em: física, mental, visual, auditiva e múltipla.
A
deficiência mental é definida como uma expressiva dificuldade
na aprendizagem e desempenho de certas atividades de
vida diária. A manifestação se dá antes dos 18 anos
e é geralmente diagnosticada após a entrada do indivíduo
na escola, sendo caracterizado por um funcionamento
intelectual significativamente abaixo da média.
As
deficiências podem ter origem pré natal, também chamadas
de deficiências congênitas, ocorrendo principalmente
nos três primeiros meses de gestação por má-formação
do feto. Podendo ter origem peri-natal ou pós-natal,
as quais chamamos de deficiências adquiridas. Ocorrem
por seqüelas de doenças infecciosas ou não, por acidentes
de parto, de trânsito, de trabalho e outros.
De
acordo com a OMS: 16,6% das causas das deficiências
são por transtornos congênitos e perinatais; 16,8% são
devido às doenças transmissíveis, como, poliomielite,
tracoma, hanseníase e outras; 21% são por doenças crônicas
não transmissíveis; 6,6% por perturbações psiquiátricas
funcionais; 10% pôr abuso crônico do álcool e de drogas;
18% devido a traumas e 11% divididos entre desnutrição
e outras causas.
Nos
países menos desenvolvidos a maioria da população vive
em condições mais precárias de vida, estando mais suscetível
às doenças. Ou seja, a deficiência pode alcançar diferentes
populações, mas as classes menos favorecidas são mais
atingidas. No mundo, segundo estimativas da OMS, um
percentual de 10% da população de qualquer país possui
algum tipo de deficiência, podendo alcançar 15 a 20
% nos países de Terceiro Mundo.
Dentro
do contexto da deficiência a prevenção é definida como
o conjunto de medidas e ações destinadas a impedir que
se instalem deficiências ou impedir que as deficiências
quando já instaladas tenham conseqüências físicas, psicológicas
e sociais negativas.
Os
níveis de aplicação das ações de saúde compreende a
promoção de saúde, proteção específica, diagnóstico
e tratamento precoce, limitação do dano e a reabilitação.
Os níveis de prevenção são primária, secundária e terciária.
Primeiramente
é necessário prevenir que ocorra a deficiência, instalado
a deficiência é preciso impedi-la de causar limitações
funcionais permanentes, ou controlar, tanto quanto possível
suas conseqüências limitantes e por último temos que
impedir que a sociedade condene o indivíduo com deficiência
a uma vida estigmatizada, segregada e isolada.
Em
sua obra Figueira (1996) traz duas abordagens distintas
no que se trata a segregação e integração do indivíduo
com deficiência. A integração é a condição natural e
a segregação é o resultado de decisões sociais e políticas
que tem como objetivo separar os indivíduos com deficiência
dos sem deficiência, gerando a estigmatização, limitando-os
de levarem uma vida normal.
Para
minimizar os efeitos da deficiência, foram desenvolvidas
ao longo dos tempos algumas técnicas de reabilitação,
visando intervir nas limitações impostas pela deficiência.
De
acordo com o Ministério da Saúde (1995), o objetivo
da reabilitação é capacitar o indivíduo com deficiência
a se adequar ao seu ambiente, restaurando a funcionalidade,
alcançando padrões ocupacionais normais ou fase de desenvolvimento
esperada, desenvolvendo comportamentos adaptativos ou
desempenho social adequado. (É o que estamos realizando
no Hospital São João).
Todavia,
o objetivo maior da reabilitação é a (re) integração
social do portador de deficiência. A proximidade com
indivíduos sem deficiência contribui para minimizar
o preconceito, uma vez que estes são em muito favorecidos
pela estranheza e pelo desconhecimento. Realizar atividades
comuns, mesmo havendo a necessidade de estratégias e
equipamentos diferentes reduz a distância funcional.
Para
Amaral (1995), a integração social consiste na comunicação,
na redução do sentimento de isolamento por parte do
indivíduo com deficiência, em igualdade de oportunidade,
bem como numa vontade política, desenvolvendo sistemas
de apoio da comunidade, isto é possibilitar o acesso
aos recursos sociais, dando condições ao indivíduo com
deficiência, modificar sua situação e desempenhar um
papel produtivo. (Mais uma proposta do nosso trabalho
no Hospital São João de Presidente Prudente).
Após
a união de várias ciências, com a participação de diversos
profissionais da área do conhecimento, alcançou-se um
programa de atividades indispensáveis ao desenvolvimento
destes indivíduos. Na reabilitação não deve existir
simplesmente um tratamento físico, ou um ajustamento
psicossocial, o tratamento deve ser sempre global e
interativo. Grande parte das diferenças dos indivíduos
com deficiências podem ser reduzidas, senão suprimidas,
mediante uma ação apropriada sobre o meio físico, psicológico,
educativo e social.
Para
Lopes (1993) o trabalho prático, firme e competente
de uma equipe de profissional é a única chave que pode
abrir para o indivíduo com deficiência, a porta estreita
para ele entrar em outro mundo e procurar participar
novamente de uma sociedade que, infelizmente e com raras
exceções, até inconscientemente discrimina o indivíduo
com deficiência, principalmente no que se refere ao
convívio social e ao trabalho profissional. ( E o programa
de trabalho da equipe dos profissionais do Hospital
São João ).
Protocolo
do programa de reabilitação global
1)
Exercícios físicos, incluindo alongamento, aquecimento,
trabalho de membros superiores, membros inferiores
e exercício aeróbico, resfriamento e relaxamento. A
intensidade do exercício é limitada por sinais e sintomas.
O objetivo principal é exercitar o paciente em nível
que varia de
75 a 85% de sua freqüência cardíaca máxima. Os exercícios
serão suspensos
se a freqüência cardíaca exceder
os limites acima apresentados, se houver arritmia
cardíaca, pressão arterial acima de 180/110mmHg, dor
torácica, visão borrada, palidez, sudorese fria, dessaturação
abaixo de 85% em paciente que já estiver com oxigênio suplementar, e deterioração da coordenação motora
e do nível de consciência.
2)
Uma sessão de acompanhamento psicológico individual
semanal, realizada por psicóloga.
3)
Uma sessão de educação semanal grupal para discutir
tópicos importantes sobre a DPOC.
4)
Exercícios fisioterapêuticos para trabalhar a reeducação
respiratória.
5)
Teste de caminhada
de seis minutos (Tcam6') para avaliar a evolução
na capacidade física dos pacientes.
Referências
Http://www.elden.hpg.ig.com.br
Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia . I Consenso
Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica ( DPOC
). J Pneumol 2000; 26: S-S52.
Arq.Neuro-Psiquiatr.
Vol.56 n.4 São Paulo Dec. 1998.
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