Exercícios Fisioterápicos 

 Prevenção e Reabilitação

 

Rogéria Cristina Castilho- Fisioterapeuta

 

Se aprendi alguma coisa em meus anos de estudos foi que a "fonte da juventude", que Ponce de Leon buscava em vão, estava dentro de seu corpo. O exercício é o meio para uma vida alerta, rigorosa e longa. A inatividade pode matá-lo. (Lorda, Sanches, Délia, 1995 p.10).

Faria Júnior (1995), observa que se deve lembrar que a independência física engloba os aspectos cardiorrespiratórios a conservação da capacidade de marcha, da forma muscular, do equilíbrio, da flexibilidade e do tempo de reação.

Para Meirelles (1997) a atividade física pode levar ao bem estar físico e mental e auto-confiança por meio do domínio do corpo, aumento da prontidão para atividade (maior disposição), maior mobilidade articular, intensificação da circulação sanguínea sobretudo nas extremidades, capacidade de coordenação e reação, combate a depressão, medo, decepções, aborrecimentos, tédio e solidão.

 Segundo Kraus (1976), a atividade física não só favorece as funções cardiovascular e respiratória como também as preserva. Nesse aspecto tem-se aproveitado como um verdadeiro seguro de vida em todas as idades.

Para França, Pascoal e Pinto (1996), a prática da atividade física é recomendada para manter e ou melhorar a densidade óssea e prevenir a perda da massa óssea, entretanto não deve ser considerado substituto da terapia de reposição hormonal.

A associação entre tratamento medicamentoso e atividade física é uma excelente maneira de se prevenir fraturas.

A atividade física regular melhora a força, a massa muscular e a flexibilidade articular, notadamente em indivíduos acima de 50 anos. A treinabilidade do idoso (a capacidade de adaptação fisiológica ao exercício) não difere de indivíduos mais jovens.

A atividade física se constitui excelente instrumento de saúde em qualquer faixa etária, em especial no idoso, induzindo várias adaptações fisiológicas e psicológicas, tais como:

  • Benefícios circulatórios periféricos;

  • Melhora do trofismo muscular - aumento da massa muscular;

  • Melhora da função pulmonar;

  • Melhor controle da glicemia - melhora do perfil lipídico

  • Redução do peso corporal;

  • Melhora do equilíbrio e da marcha;

  • Menor dependência para realização de atividades diárias;

  • Melhora da auto-estima e auto-confiança;

  • Melhora nos sintomas de depressão e aspectos da função cognitiva.

Se em repouso a freqüência cardíaca (FC) é pouco influenciada pelo processo de envelhecimento, no esforço físico sua elevação é menos acentuada do que aquela observada entre jovens (Nobrega et/al. 2000)

A função sistólica do ventrículo esquerdo, avaliada através da fração de ejeção, não é alterada pelo envelhecimento, mas pode ser melhorado através do treinamento físico graças ao maior aumento no volume ventricular.

Durante o exercício físico, o volume diastólico final aumenta nos homens, mas não se altera nas mulheres idosas. Nos jovens, esse aumento é observado em ambos os sexos.

A atividade física regular diminui a incidência de quedas, risco de fraturas e mortalidade em portadores da doença de Parkinson. Para maior benefício a atividade física nesses pacientes deve incluir exercícios com cargas para desenvolvimento de forças.

A atividade física tem sido preconizada também para outras doenças neurológicas como esclerose múltipla e doença de Alzheimer.

A melhora da capacidade de trabalho, que resulta da atividade física pode diminuir a incapacidade, a dependência e a necessidade de cuidados de longa duração  muito dispendiosos.

Pode prolongar a qualidade e a duração de uma vida ativa, determinar melhora da coordenação motora e neuromuscular, estabilidade, força e tônus muscular que muitas vezes deterioram-se com a idade. Pode retardar também a desmineralização óssea, além de ser um adjuvante no tratamento e prevenção da insuficiência coronariana. Determina melhor controle de peso, bem estar, relaxamento mental, melhora da auto imagem, autoconfiança, redução da ansiedade e depressão, dando ao paciente um estilo de vida ativa propiciando-lhe uma posição de destaque na comunidade e sociedade.

O exercício pode aumentar a absorção de nutrientes e corrigir a constipação, talvez por aumentar a motilidade intestinal. 

O treinamento moderado tem impacto na função imunológica aumentando atividade dos linfócitos T havendo também, evidências de que um indivíduo alvo tem menor incidência de câncer de cólon e mama.

Foi observada que atletas idosos, quando comparada com jovens sedentários de 30 anos, tem capacidade física igual ou maior, sugerindo que qualquer limitação cardiovascular, imposta pelo processo de envelhecimento para ser de pouca importância, quando indivíduos envelhecem de forma ativa. Fatores músculoesqueléticos pulmonares e psicológicos devem ser mais importantes nestes pacientes (Savioli Neto, Ghorajeb, Camargo, et al., 1984).

 

 

CAPACIDADE AERÓBICA

Há mudanças significativas nas funções circulatórias e respiratória das pessoas, quando estas participam de programas de exercícios aeróbicos.

Aumento nos parâmetros que medem a capacidade aeróbica, tais como: V02 masc, FC, ao lado de aumento da ventilação máxima, da densidade da rede capilar da musculatura e da atividade enzimática aeróbica dos músculos (Gosindasamy e Peterson, 1994).

No indivíduo da terceira idade, o exercício aeróbico resulta em diminuição da resistência à nivel da rede vascular em aumento das lipoproteínas de alta densidade e em diminuição dos níveis sanguíneos de lípides. Ele contribui ainda para manter ou aumentar a densidade da substância óssea, além de melhorar a tolerância à glicose, reduzir os depósitos de gordura e aumentar a massa corporal.

 

 


Referências

CASTILHO, Rogéria , LAGE, Kate Cilene da Costa.  Reabilitação cardiovascular de pacientes da terceira idade do Asilo Lar São Rafael. P. Prudente-Unoeste, 2001, 58p. 

Mc ANDLE, Willian, KACTH, Frank D., KACTH, Victor, L. Fisiologia do Exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 4 ed. R. de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. C83.P.

KRAUS, Hans S. Professor associado da medicina física e reabilitação da Universidade de Nova York. São Paulo: Sesc. Cadernos da 3ª idade 1979. 279 p. 

NOBREGA, Antônio C. L. de, FREITAS, Elizabete V. de, OLIVEIRA, Marcos a. B. de et al. Posicionamento oficial da sociedade brasileira de medicina do esporte e da sociedade brasileira de geriatria e gerontologia: atividade física e saúde no idoso. Revista Brasileira de Medicina, V.4, n.1/2, p.28-30. jan/fev 2000.