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Os ritmos circadianos não ocorrem apenas ao nível
basal, mas também na capacidade de o organismo
reagir frente a estímulos ambientais. Essa resposta
diferencial a um estímulo idêntico foi
demonstrada para vários agentes, como, por exemplo,
fármacos, toxinas, radiações e
ruídos. Abrangentes, as áreas de pesquisa
enfocam desde os efeitos dos fármacos como função
do ritmo biológico e sobre as parâmetros
da bioperiodicidade endógena até os perfis
ritmos na administração programa do fármaco
com finalidade de otimizar a sua eficácia clínica.
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A somatória dos conhecimentos sobre a variação
rítmica do efeito do medicamento e da evolução
da doença levou a uma nova linha de pesquisa,
a cronoterapêutica. A partir daí, nós
passamos a contar com medicamentos mais eficazes, com
horário de administração programado
e menos efeitos colaterais.
Além
de determinar os níveis ideais de medicamento
no sangue, a cronoterapêutica define o momento
exato para a liberação da droga no organismo.
Exemplificando,
o Prof. DeLucia cita os resultados positivos dos cronoterápicos
no tratamento da hipertensão, no tratamento oncológico,
dos distúrbios respiratórios, entre tantas
outras patologias.
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A maior predisposição aos problemas cardíacos
coincide com a ocorrência do aumento da pressão
arterial e a alteração da coagulação
sangüínea, que geralmente ocorrem no período
entre seis e sete horas da manhã.
O
uso dos cronoterápicos, que liberam o medicamento
o organismo no início da manhã, tem se
mostrado mais eficiente à terapêutica tradicional,
com a administração de anti-hipertensivos
no período noturno, compara o professor.
Quanto
aos antineoplásicos, ele cita o limiar tênue
entre o efeito terapêutico e tóxico dos
remédios oncológicos, que provocam efeitos
adversos em células sadias. E assegura:
- O médico pode ajustar a dose terapêutica
administrando a medicação em determinados
horários (início da manhã), intensificando
o efeito antineoplásico e evitando os efeitos
colaterais. Em casos de asma, cuja incidência
de crises é maior durante a madrugada, é
recomendada a programação da administração
dos broncodilatadores no período noturno, numa
ação preventiva, com doses menores, de
ajuste durante o dia.
O Prof. DeLucia ressalta que as drogas cronoterápicas
não diferem dos medicamentos convencionais quanto
ao princípio ativo. “Apenas a formulação
farmacêutica é modificada para liberação
do medicamento num determinado horário, em condições
ideais de absorção pelo organismo. Levando
em consideração a variação
rítmica que determina a maior eficiência
da droga.”
Nos
países onde os cronofármacos já
estão difundidos, é comum a prática
de um sistema terapêutico programado, quando o
paciente recebe a medicação de acordo
com as suas necessidades individuais.