A
dor abdominal é a principal manifestação
de pancreatite aguda, presente em 95% dos pacientes.
Geralmente caracteriza-se por ser no epigastro, em faixa,
com irradiação para as costas. Os sintomas
associados incluem náuseas, vômitos e distensão
abdominal. No exame físico, a dor abdominal é
importante com defesa e descompressão brusca
dolorosa em casos severos. Dependendo da gravidade da
doença, pacientes podem apresentar febre, taquicardia,
taquipnéia e hipotensão.
Causas
-
Litíase biliar.
- Álcool.
- Drogas
(azatioprina, 6 –mercaptopurina, DDI, pentamidina,
sulfonamida, salicilato, ácido valpróico,
furosemida, metildopa).
- Infecção
(Ascaris, Coxsackie, citomegalovírus, tuberculose,
Micobacterium avium).
- Trauma.
- Colangiopancreatografia
endoscópica retrógrada.
- Hipertrigliceridemia.
Laboratório
-
Amilase: aumenta em 2 a 12 h após início
dos sintomas e permanece elevada por 3 a 5 dias. Apresenta
sensibilidade de 80 a 90% e especificidade de 70%. Não
tem correlação com severidade ou complicações.
- Lipase:
tem sensibilidade de 90% e especificidade de 70%. Permanece
por mais tempo elevada.
- Leucocitose
(> 25.000): presente em 80% dos pacientes.
- Hemoconcentração
(aumento do hematócrito).
- Hipocalcemia:
pela hipoalbuminemia (Ca ionizado normal) ou por necrose
pancreática (quelação do cálcio).
Critérios
de Gravidade de Ranson
São
parâmetros colhidos na entrada e após 48
h que se correlacionam com a severidade do quadro de
pancreatite aguda. Pacientes com menos de 2 critérios
apresentam mortalidade inferior a 1 %; enquanto pacientes
com 5 a 6 critérios apresentam mortalidade em
torno de 40% e pacientes com mais de 7 critérios
a mortalidade chega a 100%.
CRITÉRIOS DE RANSON
Causa
litíase
Entrada
- Idade > 70 anos
- Glicose > 220 mg/dL
- AST (TGO) > 250 U/L
- Leucócitos > 18.000/mcL
- LDH > 400 U/L
48 horas
- Queda do hematócrito
> 10%
- Aumento BUN > 2 mg/dL
- Cálcio < 8 mg/dL
- Déficit base > 5
mEq/L
- Déficit líquido
> 4 L |
Causa
não-litíase
Entrada
- Idade > 55 anos
- Glicose > 200 mg/dL
- AST (TGO) > 250 U/L
- Leucócitos > 16.000/mcL
- LDH > 350 U/L
48 horas
- Queda do hematócrito
> 10%
- Aumento BUN > 5 mg/dL
- Cálcio < 8 mg/dL
- PO2
arterial < 60 mmHg
- Déficit base > 4
mEq/L
- Déficit líquido
> 6 L |
Imagens
RX
abdome: íleo localizado (alça
sentinela), espasmo do cólon transverso.
Excluir:
pneumoperitônio, enfarto intestinal.
RX
tórax: derrame pleural bilateral + atelectasia;
SARA.
USG
abdome: colelitíase, colecistite aguda.
TC
abdome: indicado para pacientes com mais de
3 critérios de Ranson, todos os pacientes graves
ou presença de deterioração clínica.
Melhor para ver complicações, extensão
da inflamação peripancreática,
envolvimento de órgãos adjacentes, trombose
venosa, coleção de líquidos e necrose
pancreática.
ÍNDICE
DE SEVERIDADE DA PANCREATITE AGUDA — ASPECTOS
TOMOGRÁFICOS
Grau
de pancreatite aguda
0
- Pâncreas normal
1
- Aumento de pâncreas
2
- Inflamação do pâncreas e gordura
peripancreática
3
- Coleção líquida peripancreática
4
- Presença de 2 ou mais coleções
líquidas
Grau
de necrose pancreãtica
0
- Sem necrose
2
- Necrose de 1/3 do pâncreas
4
- Necrose de 1/2 do pâncreas
6
- Necrose de mais de 1/2 do pâncreas
Risco de pancreatite prolongada ou complicação
grave: 1-2 nulo; 3-6 baixo e 7-10 alto (mortalidade
de 92%).
Tratamento
-
Jejum oral, repouso e sucção nasogástrica
nos pacientes com íleo e vômitos.
- Analgesia
e, se necessário, meperidina.
- Hidratação
endovenosa vigorosa com reposição de eletrólitos.
Monitoração hemodinâmica e controle
do débito urinário.
- 85
a 90% dos casos são autolimitados e regridem
espontaneamente com estas medidas em 3 a 7 dias.
-
Antibioticoterapia só se mostrou eficaz quando
há necrose pancreática extensa. Nesse
caso, o antibiótico de escolha é o imipenem.
Cirurgia
para coledocolitíase melhora se realizada em
36 a 72 h.
A
reintrodução da dieta deve ser progressiva,
após melhora do quadro agudo (dor, vômitos,
íleo), aceitação do paciente e
queda dos níveis de amilase.
Complicações
Sistêmicas
Choque,
insuficiência renal aguda, síndrome do
desconforto respiratório, sepse, coagulação
intravascular disseminada, hiperglicemia, hipocalcemia.
Locais
Litíase impactada: colangite
ascendente (febre e aumento de bilirrubinas). Tratamento:
antibioticoterapia com ampicilina, gentamicina e metronidazol.
Necrose
pancreática: 2ª a 3ª semana,
o prognóstico depende se houver infecção.
Avaliar necessidade de abordagem cirúrgica. Antibióticos
com boa penetração no tecido pancreático
são: fluoroquinolona, imipenem e metronidazol.
Pseudocisto
pancreático: surgimento em torno do
1 5 dia. Se assintomático ou presença
de sintomas leves, deve ser acompanhado por ultra-sonografia
ou tomografia por 6 semanas. A maioria
se resolve ou diminui de tamanho. Em pseudocistos maiores
que 6 cm e persistentes, deve-se considerar tratamento
específico. |