| 1.
Introdução
Este
trabalho está voltado para estudo dos meios de
ação empregados pelos órgãos
públicos e instituições privadas
no tratamento do Alcoolismo, considerado esse como uso
continuado e prejudicial de bebida alcoólica.
As
repetidas internações têm permitido
o falso entendimento de que os portadores de Alcoolismo
são irrecuperáveis. Uma prova da possibilidade
de recuperação de portadores de Alcoolismo
é constituída pelo número de pessoas
que depois de muitos anos seguidos de uso prejudicial
de bebidas etílicas, um dia, até mesmo
sem ajuda externa, deve ter realizado uma nova valoração
em sua vida, decidindo não mais beber, levando
a decisão adiante e se livrando do mal.
Apesar
da possibilidade de recuperação, a política
de saúde pública em vigor não está
produzindo os resultados desejados, pois a reabilitação
da grande maioria dos portadores de Dependência
do Álcool não está se concretizando.
O
grande gasto público com as internações
de portadores de Etilismo corresponde a um trabalho
efetivamente realizado e necessário, mas que
logo perde sua utilidade, por não se acompanhar
do indispensável trabalho no sentido de oferecer
ao egresso do hospital os meios necessários para
que ele permaneça definitivamente sem beber.
A
despesa pública com o pagamento das diárias
nos três hospitais psiquiátricos de Presidente
Prudente, referentes apenas às pessoas moradoras
nesse município, em 1993 foi de cerca de trezentos
e quarenta e nove mil e setecentos e noventa e dois
dólares. Supondo o gasto no Brasil por aproximação
ao de Presidente Prudente, no ano de 1993, a despesa
pública para pagamento só das diárias
em hospitais psiquiátricos, de portadores de
Alcoolismo foi de cerca de trezentos e dez milhões,
setecentos e noventa mil e cento e noventa e dois dólares.
Para
realçar a gravidade e a amplitude do problema
Alcoolismo e a conseqüente necessidade de uma solução
para ele, transcreve-se o que segue:
Custos
Econômicos. As estimativas dos custos relacionados
ao Alcoolismo chegam a US$ 116,7 bilhões. Esses
são perda da produção no trabalho,
perda de rendimentos futuros secundários ao excesso
de mortalidade, custos em cuidados de saúde,
custos de acidentes de veículos automotores,
custos de programas de segurança nas estradas,
perdas por crimes e por fogo, atividade policial, serviços
penitenciários e custos judiciais em casos relacionados
ao álcool. O álcool contribui para o prejuízo
da função profissional na indústria,
esportes, medicina e exército. Por exemplo, com
12% das tropas militares prejudicada por Alcoolismo,
os erros humanos causados por intoxicação
ou sinais mentais de organicidade podem levar a resultados
catastróficos. Relato de navios fora de curso
e quedas de aviões ressaltam os perigos de erros
sérios na função profissional.
Nos Estados Unidos, 5.000 a 10.000 programas de assistência
ao trabalhador foram estabelecidos para auxiliar no
diagnóstico e tratamento no local de trabalho
(Departamento de Saúde e Serviço Social
dos EUA, 1984)."(07). Yudofsky, S. 1992 pg. 238
Há
um enorme gasto correspondente às pessoas que
se hospitalizam repetidamente, no Brasil por exemplo,
num grupo de 34 portadores de Etilismo internados em
frenocômios prudentinos, nos meses de janeiro
e fevereiro de 1994, a média de internações
por pessoa é de 7,38 vezes.
Entende-se
que o Alcoolismo, seja sob a forma de psicose alcoólica
ou sob a forma de intoxicação alcoólica
crônica, é doença e como tal é
objetivo das ações da medicina. Mas, e
o antes e o depois da doença propriamente dita?
O que é que se tem feito e o que é necessário
fazer-se com relação a eles, para não
reincidirem ?
O
problema que se coloca é o seguinte:
Os
propósitos da saúde pública não
estão sendo atingidos através das repetidas
internações, nem com o auxílio
dos ambulatórios de saúde mental e associações
antialcoólicas, deve-se, portanto, procurar soluções?
Quais e de que natureza?
Este
trabalho leva em conta que cada portador de Alcoolismo
é uma pessoa que está constantemente se
prejudicando, que tem risco de vida aumentado, que acarreta
estresse psicossocial significativo ao seu grupo familiar,
que tem capacidade ocupacional prejudicada, que perturba
o funcionamento social, e que gera gastos públicos
excessivos.
Considerando
o exposto, pretende-se alcançar os objetivos
seguintes:
demonstrar
que a concepção de Alcoolismo como um
problema essencialmente da esfera médico-hospitalar
consiste em desperdício de recursos aplicados
para sua execução;
demonstrar
que as organizações do tipo ambulatório
de saúde mental e associação antialcoólica
não complementam satisfatoriamente o trabalho
médico;
sugerir
uma solução fundamentada que garanta o
aproveitamento definitivo dos trabalhos e gastos no
sentido de libertar portadores de Alcoolismo.
A
partir de análise do movimento de internação
nos hospitais para doentes de Alcoolismo, dos ambulatórios
de saúde mental, de contato terapêutico
com os doentes formulou-se as seguintes hipóteses
para explicar a pouca eficácia dos meios de ação
para recuperação do doente de Alcoolismo:
H1
-Inexistência de articulação eficaz
entre a política de internação
hospitalar e a de pós internação
do doente de Alcoolismo para sua recuperação.
H2-Inexistência
de programas sociais que levem a orientação
da ocupação e lazer do doente de Alcoolismo.
Após
a alta hospitalar as pessoas voltam para o meio de onde
vieram. Lá retornam a fazer as coisas que aí
sempre fizeram, inclusive o uso de bebidas alcoólicas,
em consequência do qual novamente ficam na situação
que motivou a primeira internação e a
série de reinternamentos passa a acontecer.
A
medicina não pode, sozinha, alcançar todo
esse processo de programação de vida do
doente de Alcoolismo e modificá-lo. Tem-se acreditado
que a tarefa cabe somente a ela. A medicina lida bem
com as doenças, ela cura pneumonias, tuberculose,
apendicite, enurese noturna e depressão maior;
compensa diabéticos, hipertensos e portadores
de esquizofrenia; evita o tétano, a hidrofobia
e a paralisia infantil.
Mas,
deve ocorrer com o Alcoolismo coisa semelhante ao que
ocorre com as verminoses, isto é, tratar as helmintoses
com medicamentos e não se fazer simultaneamente
a prática de um programa de higiene pessoal e
ambiental é procedimento ineficaz do ponto de
vista da saúde coletiva. Algumas das pessoas
tratadas não mais voltarão a ficar doentes,
mas a grande maioria adoecerá de novo. Uns poucos
portadores de Alcoolismo, depois de tratados, ficam
por tempo grande ou para sempre sem beber, mas a maioria
volta a beber e a ficar doente novamente. Portanto,
só o tratamento médico e/ou hospitalar
do portador de Alcoolismo não tem levado aos
resultados desejados e necessários.
O
ambulatório de saúde mental, que tem sido
muito útil com relação a outros
distúrbios psíquicos, não está
tendo eficácia com relação ao Alcoolismo.
A
parceria com a associação antialcoólica,
feita em nome da somação de recursos,
também pode ser entendida como um reconhecimento
de que os recursos médico-hospitalares sozinhos,
aqui contidos os ambulatórios de saúde
mental, não estão sendo suficientes para
resolver o extenso e grave problema dos que bebem de
modo continuado e prejudicial.
Este
trabalho também se justifica, quando se propõe
a discutir um entendimento sobre a etiologia do Alcoolismo
e seu tratamento, sem excluir a possibilidade de influência
genética na produção desse mal,
e ainda, por sugerir procedimentos para os que estão
desejando uma ajuda suficiente para se livrarem do Alcoolismo.
Este
estudo será desenvolvido dentro do município
de Presidente Prudente, em três hospitais e abrangerá
casos de internação no período
de janeiro de 1993 a março de 1994.
A
seqüência de sua apresentação
terá as seguintes partes: Revisão de Literatura,
Metodologia, Apresentação de Resultados,
Discussão dos Resultados, Diagnóstico
Causal, Tratamento com o CLAREPA, e Referências
Bibliográficas.
2.
Revisão de Literatura
Sobre
o conceito de alcoólatra o DSM-III-R, 1989 (01)
pondera o seguinte:
“Um
engano conceitual comum é de que a classificação
dos distúrbios mentais classifica as pessoas,
quando realmente o que se está classificando,
são os distúrbios que as pessoas têm.
Por esta razão, o texto do DSM-III-R (assim como
o texto do DSM-III) evita o uso de tais expressões
como “um esquizofrênico” ou “um
alcoólatra” e, em vez disso, usa termos
mais exatos, embora reconhecidamente mais incômodos,
“uma pessoa com Esquizofrenia” ou “uma
pessoa com Dependência de Álcool”.”
Jellinek,
citado por J. R. Albuquerque Fortes, 1975 (05), definiu
Alcoolismo como “qualquer uso de bebidas alcoólicas
que ocasiona prejuízos ao indivíduo, à
sociedade ou a ambos”.
Para
a Associação Americana de Psiquiatria,
1989 (01), é portadora de Alcoolismo a pessoa
que tem respostas positivas para três ou mais
das nove perguntas que compõem o questionário
por ela elaborado.
Adiante
transcrito, segue o questionário para diagnóstico
de Dependência do Álcool, adaptado, uma
vez que o original faz referência às drogas
em sentido amplo.
1ª-Freqüentemente
tem usado bebida alcoólica em quantidades maiores
do que intencionava fazê-lo ?( ) ou:
Tem usado bebida alcoólica por um período
de tempo maior do que intencionava fazê-lo ?(
)
2ª-Tem
desejado e não tem conseguido cortar ou controlar
o uso de bebida alcoólica ?( ) ou:
Já fez um ou mais esforços mal sucedidos
de cortar ou controlar o uso de bebida alcoólica
?( )
3ª-Tem
gasto muito tempo com o uso de bebida alcoólica,
por exemplo, nos finais de dia, nos finais de semana
ou nos dias de folga ?( ) ou:
Tem gasto muito tempo para recuperar-se dos efeitos
da bebida ingerida (intoxicação) ou da
ressaca ?( )
4ª-Tem
se mostrado alcoolizado(a) quando precisa realizar obrigações
importantes no trabalho, na escola ou em casa ?( ) ou:
Tem deixado de cumprir obrigações em casa,
na escola ou no trabalho em virtude de intoxicação
ou de ressaca ?( )
5ª-Atividades
sociais, ocupacionais ou recreativas importantes têm
sido reduzidas por causa do uso de bebida alcoólica
?( )
6ª-Continua
usando bebida alcoólica mesmo sabendo que tem
problema persistente ou recorrente, social, físico
ou mental, que é causado ou exacerbado por ela
?( )
7ª-Tem
aumentado a quantidade de bebida alcoólica ingerida
ao longo do tempo ?( )
8ª-Tem
apresentado sintomas incômodos quando diminui
muito a quantidade de bebida ingerida ou quando pára
de beber ?( )
9ª-Tem
precisado usar bebida alcoólica para se aliviar
de sintomas incômodos que aparecem horas depois
da última dose usada ?( )
Em
acordo com o entendimento da Associação
Americana de Psiquiatria neste trabalho não se
usa a expressão alcoólatra e sim portador
de Alcoolismo. O conceito de Alcoolismo fica bem delimitado
operacionalmente com a aplicação do questionário,
resolvendo a dificuldade que Eugen Bleuler, 1967 (03)
referiu.
“Lo
más difícil es la delimitacion entre el
alcoholismo y el estado de salud. ... Yo, por mi parte,
comenzaria a hablar de la presencia de un alcoholismo
allí donde lo exigiessen motivos prácticos.
Todo aquel que evidentemente se perjudica a si mismo
o perjudica a su familia a causa del abuso de alcohol,
sin que sea posible hacérselo comprender o sin
que tenga ya voluntad o energia para corregirse, deberá
ser considerado como alcoholico. En esta definición
se hallan comprendidos tanto el alcoholismo como la
tendencia a él, no solamente porque se condicionan
mutuamente, sino también por constituir una unidad,
tanto prácticamente como ante la ley.”
Sôbre
a etiologia do Alcoolismo Talbott, Hales e Yudofsky,
no seu Tratado de Psiquiatria, 1992 (07) escreveram:
“Causas
do Alcoolismo. O Alcoolismo é o resultado final
de uma interação complexa entre vulnerabilidade
biológica e fatores ambientais como experiências
na infância, atitude dos pais, políticas
sociais e cultura. Uma série de estudos em gêmeos
e de crianças adotadas revelou que variáveis
genéticas influenciam significativamente a causalidade,
embora o mecanismo de transmissão genética
não seja conhecido (Goodwin, 1985). Em um estudo
prospectivo, Vaillant (1984) descobriu que pode não
haver qualquer estilo de personalidade que seja preditor
de Alcoolismo.”
Carol
Sonenreich, citado por J. R. Albuquerque Fortes, 1975
(05), em Tese apresentada à Faculdade de Medicina,
São Paulo 1971, intitulada Contribuição
Para O Estudo Da Etiologia Do Alcoolismo, “defende
categoricamente ser o alcoolismo uma doença adquirida
à revelia de quaisquer predisposições
psicossomáticas preexistentes: é decorrente
do uso continuado do próprio álcool.”
Neste
trabalho apresenta-se uma nova abordagem etiológica
do Alcoolismo, a qual além de fazer sentido,
e só por isso mesmo, fundamentará a sugestão
resolutiva a ser oferecida.
Apesar
de não se ter ainda aplicado, já em 1967
Eugen Bleuler, em seu Tratado de Psiquiatria (03) sugeriu
como se lutar contra o Alcoolismo:
“Una
de las principales finalidades prácticas de la
higiene mental es la lucha contra el alcoholismo. Esta
lucha comprende asimismo la profilaxis de las consecuencias
nocivas del medio sobre los hijos de los alcohólicos.
Entre los medios utilizables en la lucha antialcohólica
ha de incluirse el recargo en el precio de las bebidas
alcohólicas mediante impuestos y monopolios (así,
por ejemplo, en Suiza se ha hecho disminuir de um modo
considerable la frecuencia del delirium tremens y de
la alucinosis alcohólica, y viceversa). Otros
medios de lucha contra el alcoholismo son la difusión
de bebidas exentas de alcohol y confeccionadas com zumos
de fruta o leche, el fomento de sociedades y clubs antialcohólicos,
el deporte, la propaganda antialcohólica en general,
etc.”
E
o mesmo Eugen Bleuler detalha o tratamento do Alcoolismo
nas três etapas seguintes:
“Una
experiencia centenaria ha demostrado que constituye
una utopía querer enseñar a ser sobrio
a aquél que no lo es. Lo único capaz de
curar al alcohólico es la educación a
la abstinencia absoluta. El tratamiento ha de cumplir,
en primer término, tres tareas: la primera es
la de deshabituar a la llamada necesidad de alcohol.
Ello, dentro de una clinica, es más fácil
de lo que se cree. Lo único que se manifesta
entonces como síntoma clínico es un pasajero
temblor.
“Así,
pues, la primera tarea es la presentada por el inmediato
apartamiento de aquello que daña.
“Una
segunda tarea, más difícil y que lleva
más tiempo, es la de desarrollar el hábito
al modo de vida abstinente. Para el bebedor habitual,
cualquier ocasión es buena para agarrar el vaso:
el trabajo, el ocio, el encuentro con conocidos, la
soledad, etc. Para lograr una curación duradera,
resulta esencial que se desarrolle un nuevo hábito
en dirección a la anterior: tomar café
al levantarse, en lugar de una copa de aguardiente;
encaminarse directamente al lugar de trabajo; volver
de éste directamente a casa; emplear los ratos
libres en trabajos caseros y de jardineria, en paseos
y en compañia de personas abstinentes, etc.
“La
tercera misión del tratamiento, que es al mismo
tiempo la más elevada y la más difícil,
estriba en la modificación del modo de ser característico
del bebedor. Ha de librársele de sentir sobre
sí el punzante desprecio de los demás,
ha de hacérsele conseguir respeto de sí
mismo, alegría en el cumplimiento del deber,
un sano amor propio y, sobre todo, ha de ayudarse a
establecer vínculos sanos y naturales con los
demás. El tratamiento ha de ir encaminado a demostrarle
que, desde luego, se luchará contra su vício,
mas que en tanto es un hombre enfermo, se le atenderá
y se le favorecerá en cuanto se pueda. Es imprescindible
hacer sentir al bebedor que la abstinencia en la cual
se le pretende educar constituye un elevado ideal por
el que ha de estar orgulloso de combatir. Será
absolutamente incapaz de auxiliar a los alcohólicos
aquel que considere la abstinencia como un mal necesario,
como algo vergonzoso u propio solamente de hombres débiles,
entre los que no se incluye a si mismo. El alcohólico
debe volver a descubrir su capacidad para desarrollar
una labor útil y para cuidar de sus propios intereses,
sintiendo alegría al hacerlo. Para todo ello
es de suma importancia la relación del enfermo
con el psicoterapeuta. En los casos de alcoholismo no
es preciso que el psicoterapeuta sea médico.
Puede tratarse de una persona con la preparación
y las dotes necesarias para tal misión, y que
intervenga en aquello que no sea exclusivamente de competencia
médica. Através de esta relación
con el psicoterapeuta, el alcohólico vuelve a
darse cuenta de lo que supone una sana relación
con los demás. Tal vivencia es decisiva. Es importante,
además, la inclusión del paciente en grupo
de ex alcohólicos decididos a mantenerse en la
abstinencia.”
As
“sociedades y clubs antialcohólicos”
referidos por E. Bleuler como meios para “la lucha
contra el alcoholismo”, toma corpo neste trabalho
sob a forma do CLAREPA (Centro de Lazer e Apoio Reeducativo
a Ex-Portadores de Alcoolismo), o qual constituir-se-á
no centro a partir do qual serão desenvolvidas
as ações para a “modificación
del modo de ser característico del bebedor”,
que no dizer do eminente psiquiatra alemão, é
a terceira missão do tratamento, ao mesmo tempo
a mais elevada e a mais difícil.
A
respeito do resultado do tratamento do Alcoolismo, Talbott,
Hales e Yudofsky (07), 1992, resumem:
“Até
agora, a literatura sobre resultados reflete que fatores
do paciente como ter uma família estável,
menos sociopatia, menos psicopatologia e uma história
familiar negativa para Alcoolismo são preditores
mais poderosos de um bom prognóstico do que o
tipo de tratamento (Franceses et al., 1984). Estudos
que testam várias alternativas de tratamento,
tanto isoladas ou em combinação, que são
bem controlados, bem planejados, e implantados por bons
clínicos com bom acompanhamento, são caros,
difíceis de fazer e incomuns.”
Para
Wender e Klein, 1987 (09):
“Embora
o Alcoolismo e o abuso de drogas sejam tão incapacitantes
que em geral são considerados síndromes
independentes, acompanham freqüentemente outras
desordens mentais, ou determinados problemas sociais
e culturais. Infelizmente, é baixo o índice
de êxito dos tratamentos. ... Grupos de residentes,
tais como Synanon, têm tido certo êxito
com os poucos víciados que se mostraram suficientemente
motivados para obedecer ao problema rígido, mas
esses êxito só é alcançado
à custa de o víciado se tornar permanentemente
envolvido com a estrutura de organização.”
O
jornal O Imparcial, de 17 de março de 1994, numa
reportagem com o Sr. Elias Policarpo, um ex-portador
de Etilísmo, afirma que “para o Alcoolismo
o único remédio é a força
de vontade de cada um.”.
Não
é como o Sr. Elias Policarpo afirmou no local
citado. Como se demonstra neste trabalho, a vontade
do portador de Alcoolismo, especialmente em relação
ao uso de bebidas etílicas, está de uma
tal forma contaminada por influências no sentido
de beber, que se fosse depender essencialmente dela
a maioria das pessoas não se livraria desse mal.
É necessário muito mais do que a força
de vontade do doente; é preciso que a sociedade
que lhe ajudou a se formar no Alcoolismo lhe ajude a
reprogramar sua vida.
Hans
Jorg Weitbrecht, 1970, no seu Manual de Psiquiatria
(08), sobre o Alcoolismo faz as considerações
seguintes:
“Examinemos
ahora el especial problema psiquiátrico del alcoholismo.
La alcoholmanía es un problema mundial. En Europa
y América es la forma más importante de
toxicomanía. La participación porcentual
de mujeres dipsómanas se ha multiplicado, la
de los jóvenes está en continuo aumento.
El remordimiento de conciencia del público se
demuestra ya en las triviales bromas con que en los
llamados países civilizados se ridiculiza de
ordinario la tragedia del alcoholismo. Los periodistas
que informan con objetividad, corren peligro de ser
desacreditados por la poderosa industria de las bebidas.
La desesperanzada decadencia psíquico-mental
del alcohólico, la miseria social de su familia,
los funestos daños que produce el ambiente a
los niños que se crían en la familia de
un bebedor, la gran sobrecarga económica para
el gasto público (curas de desacostumbramiento,
invalidez precoz, alojamiento de los niños en
asilos, etc.), el considerable aumento de las cifras
de accidentes de circulación, no son más
que los temas más importantes que demuestran
que el alcoholismo no es ni puede ser “assunto”
privado en una estructura social ordenada.
“Acostumbramiento
alcohólico y alcoholmanía.-Cuando hoy
se habla del “enfermo alcohólico”
podemos replicar con un sí y un no. Un “sí”
por cuanto, a partir de cierto período del acostumbramiento,
el sujeto prácticamente nunca puede valerse por
sí solo ni librarse de su hábito incluso
suponiendo que su más decidida voluntad de hacerlo
no fuera sólo una declaración de labios
para afuera. Muchas veces, estos sujetos tienen ya de
antemano una personalidad tan psicopática o está
tan alterada por la habituación que ya no pueden
querer algo terminantemente. Un “no”, por
cuanto-con la denominación de “enfermo
alcohólico”-quitamos al sujeto la responsabilidad
de sus actos y se la cargamos a una “enfermedad”
en un período en que la cómoda postura
de “puesto que es evidente que estoy enfermo,
los demás me remediarán y cuidarán
de mí” significa el principio del fin.
“Ahorramos
pormenores sobre la sociología y sobre la higiene
psíquica tan importante a este respecto. En muchos
paises civilizados, el poder beber mucho es prueba de
cabal virilidad y se ejercita ritualmente en sociedad
como un factor pedagógico y formador. A los hombres
fuertes les gustan las bebidas fuertes y la botella
de whisky en la nervuda mano masculina es un requisito
inexcusable en el cine y la televisión. Ahora,
como antes, es difícil que un joven no beba en
una sociedad así organizada. Sería un
aguafiestas que no aguanta nada, reproches que pocos
toman con calma. No puede dudarse de que la mera costumbre
de beber, sin situación original de dipsomanía,
puede ser el primer período del alcoholismo.
También puede ir seguida de un consumo excesivo
crónico de alcohol, como en el dramático
cuadro de la auténtica alcoholmanía.”
Weitbrecht
deixa bem claro seu entendimento sobre o comprometimento
da vontade do portador de Alcoolismo quando afirma que
“a partir de cierto período del acostumbramiento,
el sujeto prácticamente nunca puede valerse por
sí solo ni librarse de su hábito”.
Sem o auxílio adequado e pelo tempo suficiente
de uma vontade de sua comunidade, o portador de Etílismo
não se livrará do seu mal.
O
autor deste trabalho usa o referencial teórico
da Análise Transacional (AT), criação
do genial psiquiatra canadense Eric Berne. No seu último
livro, Qué Dice Usted Después de Decir
“Hola” ? (1979), Berne define AT do modo
seguinte:
“El
análisis conciliatorio es una teoría de
la personalidad y de la acción social, y un metodo
clínico de psicoterapia, basado en la análisis
de todas las conciliaciones posibles entre dos o más
personas, sobre la base de unos estados del ego especificamente
definidos.”
E
na mesma obra, adiante, referindo-se à comunicação
interpessoal, Berne afirma que ela se faz “incluso
cuando produce poca satisfacción instintiva,
porque a la mayoria de las personas les molesta mucho
enfrentarse con un período de tiempo sin estructurar;
de ahí que, por ejemplo, encuentren que assistir
a un cóctel es menos aburrido que estar solos.
La necesidad de estructurar el tiempo se basa en tres
impulsos o apetitos. El primero es el apetito de estímulo
o de sensación. Lejos de intentar evitar las
situaciones estimulantes, como han afirmado algunos,
la mayoria de los organismos, incluidos los seres humanos,
las buscan. La necesidad de sensación es la razón
por la cual las montañas rusas dan dinero y los
prisioneros hacen lo que sea para evitar el confinamiento
solitario. El segundo impulso es el apetito de reconocimiento,
la demanda de clases especiales de sensaciones que sólo
puede suministrar otro ser humano o, en algunos casos,
otros animales. Por eso la leche no es suficiente para
las crias de mono y para los niños; necessitan
además el sonido y el olor, y el calor y el contacto
de la madre, y, si no lo tienen, se marchitan, como
hacen las personas mayores se no hay nadie que les diga
“Hola”. El tercer apetito es el apetito
de estructura, por el cual los grupos tienden a convertir-se
en organizaciones, y los estructuradores del tiempo
son los miembros más solicitados y también
mejor pagados de cualquier sociedad.”
Sobre
o Roteiro de Vida, Eric Berne, 1979 (02) escreve:
“Lo
que decide el destino de cada ser humano es lo que ocurre
dentro de su cerebro cuando se enfrenta con lo que ocurre
fuera de su cerebro. Cada persona proyecta su propia
vida. La libertad le da el poder de llevar a cabo sus
proyectos, y este poder le da la libertad de interferir
con los proyectos de otros. Aun en el caso de que el
desenlace sea decidido por hombres a los que no conocía
o por gérmenes que nunca verá, sus últimas
palabras y las palabras que figuren en su lápida
proclamarán su lucha. Si tiene la gran desgracia
de morir en la miseria y el silencio, solo los que lo
conozcan mejor entenderán su lema, y todos los
que se encuentren fuera de las cámaras privadas
de la amistad, el matrimonio y la medicina lo verán
de forma equivocada. En la mayoría de los casos,
se habrá pasado la vida engañando al mundo,
y generalmente también a si mismo. Más
adelante hablaremos mas de estas ilusiones.
"Cada
persona decide en su primera infancia cómo vivirá
y cómo morirá, y a ese plan, que lleva
en la cabeza dondequiera que vaya, lo llamamos su guión.
Su conducta trivial puede decidirla la razón,
pero sus decisiones importantes ya están tomadas:
con qué clase de persona se casará, cuantos
hijos tendrá, en qué clase de cama morirá,
y quién estará alli cuando lo haga. Puede
que no ocurra lo que él quiere, pero él
quiere que ocurra algo muy concreto.”
Stan
Woolams e Michael Brown, 1989 (10) ensinam que:
“Análise
Transacional (AT) é muitas coisas. Primeiro,
é uma filosofia um ponto de vista acerca das
pessoas. Segundo, é uma teoria do desenvolvimento
da personalidade, do funcionamento intrapsíquico
e comportamento interpessoal. Terceiro, é um
sistema de técnicas destinadas a ajudar as pessoas
a compreender e modificar seus sentimentos e comportamentos.”
A
Análise Transacional é uma teoria da personalidade
e da ação social, e um método de
psicoterapia. Ensina que na infância as pessoas
elaboram um Roteiro de Vida, através de Decisões
que visam à conciliação entre as
próprias necessidades e as normas externas, especialmente
dos pais. O Roteiro de cada pessoa dirige o seu comportamento
nos aspectos mais importantes de sua vida. A AT se baseia
no fato de que a personalidade é constituída
por três conjuntos de Estados do Eu: Pai, Adulto
e Criança, e que o relacionamento social pode
ser decomposto em unidades chamadas de Transações.
Como forma de psicoterapia ela se propõe a ajudar
a pessoa a alcançar o Controle Social do próprio
comportamento e dos seus relacionamentos com os outros.
Num nível mais aprofundado do que o de Controle
Social, a AT ajuda a pessoa a atingir a Autonomia. Num
nível de Controle Social a Análise Transacional
tem sido usada com êxito nos mais diferentes campos
da atividade humana, como lar, escola, prisões,
igrejas, hospitais, comércio e bancos, tornando
a convivência mais satisfatória, agradável
e cooperativa. Clinicamente a AT é usada para
curar sintomas específicados em contratos de
tratamento, e para o alcance da Autonomia. Neste caso
ela ajuda a pessoa a sair do seu mundo de roteiro e
passar a viver no mundo real.
A
Análise Transacional chama de Carícia
à unidade de reconhecimento interpessoal. Tal
reconhecimento ou Carícia, quando valorizador
da pessoa, funcionará como um convite para ela
se sentir bem, e neste caso é chamado de Carícia
positiva. Quando o reconhecimento manifestado é
desvalorizador, funciona como um convite para a pessoa
se sentir mal, e recebe o nome de Carícia negativa.
Um exemplo de Carícia positiva é dizer-se
a um portador de Alcoolismo que se acredita na possibilidade
de sua completa recuperação, pois ele
tem recursos que se forem convenientemente utilizados
lhe permitirão se livrar definitivamente do mal.
Pelo contrário, dizer-se a um bebedor que ele
é um degenerado, por exemplo, é enviar-lhe
uma Carícia negativa. E quando a Carícia
negativa é aceita, e ela geralmente o é,
a pessoa se sente mal, pensa mal e age mal.
A
teoria da Análise Transacional entende que As
Pessoas São OK, isto é, as pessoas são
capazes de sentir, pensar e agir, de modos adequados,
apropriados, resolutivos, cooperadores, ou de aprender
a fazer isso. Nessa crença, a qual é chamada
de Posição Existencial Eu Sou OK Você
É OK, precisará se basear todo relacionamento
interpessoal construtivo. Quando uma pessoa se relaciona
com outra a partir de uma Posição Existencial
na qual ou ela ou a outra ou as duas, Não São
OK, o relacionamento fica prejudicado em grau menor
ou maior.
Também,
baseada nos modernos estudos sobre as necessidades humanas,
a Análise Transacional sistematiza que as pessoas
têm, entre outras, as seguintes:
-fome
de reconhecimento vindo do outro, a fome de Carícia
-fome
de estruturação do tempo, a necessidade
de preencher o próprio tempo
-fome
de incidentes, agudização da fome de estruturação
do tempo
Parte
do Roteiro de Vida de cada pessoa é o seu estilo
de receber, dar, pedir e recusar Carícias, e
os seus modos de estruturar o seu tempo de vida.
Em
Wender e Klein, 1987 (09) encontra-se uma teoria biológica,
diferente das já expostas por Eric Berne, para
fundamentar o conceito transacional de Carícia:
“Nossa
hipótese é que, normalmente, o cérebro
de todo mundo produz agentes elevadores do humor para
servir como estimulantes e fontes interiores de recompensa.
Conjecturamos que esses agentes gratificantes sejam
liberados pela aprovação social e por
atividades estimulantes, quando a pessoa está
envolvida com a caça. Hipotetizamos igualmente
que a desaprovação
e o desapontamento sociais possam desencadear a súbita
interrupção destes agentes internos estimuladores
por meio de controles reguladores inatos. A utilidade
evolutiva da súbita cessação destes
agentes inatos para a elevação do humor
está na possibilidade de aprendermos, então,
por meio de experiências imediatamente dolorosas,
a evitar atividades desapontadoras, socialmente desaprovadas
e, portanto em última instância, perigosas.
Em termos comportamentais, a química cerebral
serviria como agente recompensador para atividades produtoras
de aprovação social e sua retração
agiria como punição quando estivéssemos
às voltas com atividades detonadoras de desaprovação
social. Os inibidores de monoamina oxidase poderiam
prevenir a rápida destruição dos
estimulantes cerebrais hipotetizados, de modo que, quando
a paciente é rejeitada, o humor só desce
o normal, em vez de mergulhar desastrosamente.”
3. Metodologia
Este
trabalho emprega o método hipotético-dedutivo,
observando, registrando os fatos e correlacionando-os
até chegar às conclusões e apresentar
as sugestões.
A
população estudada para o fim de levantamento
de dados foi constituída pelas pessoas que residindo
no município de Presidente Prudente, SP, no ano
de 1993 foram hospitalizadas em qualquer dos três
frenocômios da cidade com diagnóstico de
Síndrome de Dependência do Álcool
(303 CID 9) ou Psicose Alcoólica (291 CID 9).
A
população entrevistada foi constituída
por trinta e quatro pessoas que nos meses de fevereiro
e março de 1994 estavam reinternadas ou no Hospital
São João ou no Sanatório Allan
Kardec, com os diagnósticos acima referidos.
Os
dados coletados em documentos dos hospitais foram registrados
no formulário seguinte (F1):
INP |
S |
IA |
Diag |
NRH |
D1 |
D2 |
D3 |
.... |
D11 |
D12 |
onde:
D1
= diárias em janeiro; D2 = diárias em fevereiro; até
D12 = diárias em dezembro; Diag = diagnóstico (291 ou
303); IA = idade em anos; INP = iniciais do nome do
paciente; NRH = número de registro no hospital; S =
sexo
O questionário utilizado para as entrevistas
foi o que se segue:
01-Anotar
o sexo do(a) entrevistado(a)( )
02-Com
esta, quantas vezes você já foi internado(a) em hospital
psiquiátrico por doença causada pelo uso de bebida alcoólica
?( )
03-De
algum modo, sua família facilitava a sua volta ao uso
de bebidas alcoólicas?( )
04-Como
sua família tem feito isso?
_______________________________________________________________________________
05-Você
bebe mais quando está acompanhado(a)?(
)
06-Você
bebe mais fora da sua casa?( )
07-Reaproximar-se
das pessoas com as quais você bebia antes de ser internado(a),
facilitou sua volta ao uso da bebida alcoólica após
a(s) sua(s) alta(s)?( )
08-Depois
de sua(s) alta(s) hospitalar(es) você passou a freqüentar
lugares diferentes daqueles que você freqüentava antes
da(s) sua(s) internação(ões)?( )
09-Após
a(s) sua(s) alta(s) hospitalar(es) você freqüentou reuniões
e/ou comemorações que incluiam o uso de bebidas alcoólicas
?( )
10-A freqüência referida na questão anterior facilitou
sua volta ao uso de bebidas alcoólicas?
( )
11-Você
vive sozinho(a) ?( )
12-Principalmente,
você tornava a se aproximar das pessoas com as quais
você bebia antes de se internar,
-
só pela companhia delas ?( )
-
ou para o fim de beber ?( )
13-Quando
você tem tempo desocupado, como você o preenche principalmente
?
-
fazendo coisas que incluem o uso de bebidas alcoólicas
?( )
-
de que outros modos ?
_______________________________________________________________________________
14-Sair
do hospital ainda precisando usar remédio retardava
sua volta ao uso de bebida alcoólica ?(
)
15-O
pessoal do hospital lhe orientou, com ênfase, para não
mais usar bebida alcoólica em qualquer quantidade após
a(s) sua(s) alta(s) hospitalar(es) ?( )
16-Quanto
tempo você tem ficado sem beber após a(s) sua(s) alta(s)
hospitalar(es) ?
_______________________________________________________________________________
17-Você
bebia durante o seu horário de trabalho ?(
)
18-Você
costumava beber mais era,
-
(S 1) nos finais de semana ?( )
-
(S 2) nos seus dias de folga ?( )
-
(S 3) após o trabalho de cada dia ?( )
-
(S 4) todos os dias igualmente ?( )
19-Você
já freqüentou alguma associação antialcoólica ?(
)
20-Você
já freqüentou ambulatório de saúde mental para dar seguimento
ao tratamento antialcoólico realizado nos hospitais
?( )
21-De
que modo você se distrai ?
_______________________________________________________________________________
22-Por
que é que você bebia ?
_______________________________________________________________________________
23-Imagine
um centro de lazer como sendo uma área bem localizada
na cidade, de fácil acesso, com as construções necessárias,
como salão de festas, salas para reuniões, quadras esportivas,
parque infantil, com recursos como mesas e jogos de
mesa, televisão, video cassete, e som para música, uma
lanchonete com bons petíscos, que não vende bebidas
alcoólicas, mas que vende sucos e refrigerantes, um
local onde não se paga para freqüentar, que está aberto
todos os dias até cerca das 22 horas, que tem funcionários
encarregados de manter a organização, o bom funcionamento,
a limpeza e a proteção do patrimônio, que tem uma diretoria
atuante, lugar para ser freqüentado por ex-portadores
de Alcoolismo e por seus familiares, com o fim de lazer
e de reeducação para a vida.
Chamando
de CLAREPA (Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores
de Alcoolismo) ao local imaginado, pergunta-se: você
julga que um centro de lazer assim, poderá ser uma ajuda
suficiente para ex-portadores de Alcoolismo que queiram
auxílio para se manterem definitivamente sem beber ?(
)
4.
Apresentação dos Resultados
Dos
dados coletados nos hospitais com o auxílio do formulário
(F1), verificou-se que foram 741 frenocomizações no
ano de 1993, de moradores de Presidente Prudente nos
hospitais psiquiátricos desse município. Dessas internações,
685 (92,45%) foram de pessoas do sexo masculino e 56
(07,55%) foram de pessoas do sexo feminino.
| Especificação
por sexo |
Nº
de internações/pessoas |
Porcentagem |
| Homens |
685 |
92,45 |
| Mulheres |
056 |
07,55 |
| Total |
741 |
100,0 |
Das
741 internações em 1993, foi possível verificar a faixa
etária em 444 pacientes, os quais estão distribuidos
como mostra a tabela seguinte
| Faixa
de idade |
Nº
de pessoas |
Porcentagem/sub |
Porcentagem/total |
| 00
|--) 21
21
|--) 31
31
|--) 41
41
|--) 51
51
|--) 61
61
|-- ...... |
004
052
168
146
059
015 |
01,00
11,70
37,86
32,87
13,24
03,33 |
|
| Sub-Total
Desconhecida |
444
297 |
100,00 |
59,92
40,08 |
| Total |
741 |
|
100,0 |
Nas mesmas 444 internações em que a idade dos
pacientes era conhecida, verificou-se que 266 (59,91%)
deles tinham o diagnóstico de PSICOSE ALCOÓLICA (291
CID 9) e os outros 178 pacientes (40,09%) tinham o diagnóstico
de SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL (309 CID 9).
| Diagnóstico |
Nº
de pacientes |
Porcentagem |
| Psicose
alcoólica |
266 |
59,91 |
| Síndrome
de dependência do álcool |
178 |
40,09 |
| Total |
444 |
100,0 |
Foram
entrevistadas 34 pessoas, 27 delas (79,46%) sendo sexo
masculino e 07 (20,54%) do sexo feminino.
| Sexo |
Nº
de entrevistados |
Porcentagem |
| Masculino |
27 |
79,46 |
| Feminino |
07 |
20,54 |
| Total |
34 |
100,0 |
O
número de internações em frenocômio variou entre 02
e 40, e a média de internações por pessoa foi de 7,38
vezes.
Dos
entrevistados, 47,06% responderam que a respectiva família
facilitava sua volta ao uso de bebida alcoólica e 44,12%
responderam que a família não facilitava sua volta ao
uso de bebida alcoólica. Os 08,82% restantes moram sozinhos.
Os
que responderam que a família facilitava sua volta ao
uso de bebida, explicam que isso se faz dos modo seguintes:
Em casa, um irmão bebe. Em casa, o papai bebe. A mãe
e um irmão bebem. A irmã com a qual mora, bebe. A mãe
bebia e todos os irmãos bebem. Usando bebida no final
do dia, após o trabalho. Um irmão é portador de Alcoolismo.
Vezes a mãe bebe com o entrevistado. A família tem bebida
em casa. O companheiro bebe e traz bebida para casa.
O pai bebe e tem bebida em casa. Pai e irmão bebiam.
A irmã solteira bebe com o entrevistado. A família bebe.
| Influência
facilitadora para
voltar a beber após a alta hospitalar |
Nº
de entrevistados |
Porcentagem |
| Família
facilita |
16 |
47,06 |
| Família
não facilita |
15 |
44,12 |
| Moram
sozinhos |
03 |
08,82 |
| Total |
34 |
100,0 |
Verificou-se
que:
-
58,82% bebem mais quando estão acompanhados
e 41,18% bebem mais quando estão sozinhos;
-
79,41% responderam que bebem mais fora
de suas casas e 20,59% bebem mais em suas casas;
-
76,48% responderam que a companhia de
pessoas que bebem facilita a volta do uso da bebida,
14,70% responderam que não e 08,82% bebem sozinhas.
| Condições
em que bebem mais |
Porcentagem |
|
| Quando
acompanhados
Quando
não acompanhados |
58,82
41,18 |
100% |
| Quando
fora de casa
Quando
em casa |
79,41
20,59 |
100% |
| Quando
com pessoas que bebem
Quando
sozinhas
Tanto
faz |
76,48
08,82
14,70 |
100% |
-
73,54% responderam que após a alta voltam
a freqüentar os mesmos lugares que freqünetavam antes
da internação, 17,64% responderam que passaram a freqüentar
lugares diferentes, e 08,82% bebem sozinhas;
| Comportamento
após a internação |
Porcentagem |
|
| Voltam
a freqüentar os mesmos lugares onde bebiam antes
da internação |
73,54 |
|
| Não
voltam a freqüentar os mesmos lugares onde bebiam
antes da internação |
17,64 |
|
| Bebem
sozinhos |
08,82 |
100% |
-
58,83% após a alta hospitalar voltaram a freqüentar
reuniões e comemorações que incluiam o uso de bebidas
alcoólicas, 35,29% não o fizeram e 05,88% não tiveram
tempo para optar pois voltaram a se internar logo após
a alta.
| Comportamento
após a internação(continuação) |
Porcentagem |
|
| Voltam
a freqüentar reuniões e comemorações que incluem
o uso de bebidas |
58,83
|
|
| Evitam
essas reuniões |
35,29 |
|
| Não
tiveram tempo de optar |
05,88 |
100% |
-
47,06% responderam
que freqüentar reuniões e comemorações que incluiam
o uso de bebida alcoólica facilitou sua volta ao beber,
23,52% responderam que não, e 29,42% deram outras respostas
| Comportamento
após a internação(continuação) |
Porcentagem |
|
| Freqüentar
reuniões e comemorações que incluiam o uso de
bebidas alcoólicas facilitava a volta ao beber |
47,06
|
|
| Tal
freqüência não facilitou |
23,52 |
|
| Deram
outra resposta |
29,42 |
100% |
- apenas
08,82% dos entrevistados moram sozinhos, e 91,18% moram
com outras pessoas;
| Condição
de convivência com outros |
Porcentagem |
|
| Moram
com outras pessoas |
91,18 |
|
| Moram
sozinhas |
08,82 |
100% |
-
61,77% se aproximam das outras pessoas com a finalidade
de beberem com elas, 26,47% se aproximam só pela companhia
das pessoas e 11,76% após a alta não buscam as pessoas
com as quais bebiam antes
| Comportamento
no relacionameto com pessoas |
Porcentagem |
|
| Aproximam-se
das pessoas para beberem com elas |
61,77 |
|
| Aproximam-se
só pela companhia das pessoas |
26,47 |
|
| Não
buscam as pessoas com as quais bebiam antes |
11,76 |
100% |
- 64,70%
das pessoas responderam que quando desocupadas buscam
fazer alguma coisa que inclui o beber, 29,42% fazem
coisam que não incluem o beber, e 05,88% não decidiram
a resposta
| Comportamento
nas horas livres |
Porcentagem |
|
| Quando
desocupadas buscam fazer coisas que incluem
o beber
Quando
desocupadas não buscam fazer coisas que incluem
o beber
Não
sabem |
64,70
29,42
05,88 |
100% |
- 26,47%
evitam o uso de bebidas alcoólicas enquanto estão usando
remédio prescrito por ocasião da alta hospitalar, 17,64%
não fazem isso e até param com o uso do remédio para
poderem beber, 55,89% saem do hospital sem prescrição
para usar remédio;
| Comportamento
após a prescrição |
Porcentagem |
|
| Já
saem do hospital sem prescrição medicamentosa |
55,89
|
|
| Evitam
beber enquanto usando remédio |
26,47 |
|
| Não
usam os remédios e bebem |
17,64 |
100% |
- 79,42%
receberam com ênfase orientação no hospital com a finalidade
de não mais beberem e para sempre, 14,70% negam ter
recebido essa orientação, 05,88% deram outra resposta
à pergunta;
| Comportamento
após a orientação |
Porcentagem |
|
| Receberam
no hospital orientação para não mais beberem |
79,42 |
|
| Negam
ter recebido tal orientação |
14,70 |
|
| Não
sabem se a receberam |
05,88 |
100% |
- 58,83%
não bebiam durante o horário de trabalho, 35,29% bebiam,
e 05,88% deram outra resposta;
| Comportamento
no trabalho |
Porcentagem |
|
| Não
bebem durante o trabalho |
58,83 |
|
| Bebem
durante o trabalho |
35,29 |
|
| Outra
resposta |
05,88 |
100% |
-
52,95% bebiam todos os dias igualmente, 35,29% bebiam
mais nos finais de semana, 05,88% bebiam mais no final
de cada dia de trabalho, e 05,88% deram outras respostas;
| Comportamento
no dia a dia |
Porcentagem |
|
| Bebem
em todos os dias igualmente |
52,95 |
|
| Bebem
só nos fins de semana |
35,29 |
|
| Bebem
mais no fim de cada dia de trabalho |
05,88 |
|
| Outra
resposta |
05,88 |
100% |
- 52,95%
das pessoas entrevistadas já freqüentaram organização
do tipo associação antialcoólica, e 47,05% não freqüentaram;
| Frequência
a associação antialcoólica |
Porcentagem |
|
| Freqüentaram
|
52,95 |
|
| Não
freqüentaram |
47,05 |
100% |
- apenas
14,70% freqüentaram ambulatório de saúde mental após
a alta hospitalar, 85,30% não freqüentaram;
| Frequência
a ambulatório após a alta hospitalar |
Porcentagem |
|
| Freqüentaram
|
14,70 |
|
| Não
freqüentaram |
85,30 |
100% |
- 82,36%
julgam que uma organização do tipo CLAREPA poderá ser
de grande utilidade, 17,64% não opinaram;
| Avaliaçao
de organização do tipo CLAREPA |
Porcentagem |
|
| Poderá
ser muito útil |
82,36 |
|
| Não
opinaram |
17,64 |
100% |
- 05,88%
ficam nenhum dia sem beber após a alta, 47,06% ficam
de 01 a 31 dias sem beber após a alta, 29,42% ficam
de 31 a 91 dias sem beber após a alta, 14,70% ficam
entre 91 e 181 dias sem beber após a alta, e apenas
02,94% ficam mais de 181 dias sem beber após a alta.
| Nº
de dias sem beber após a alta |
Nº
de entrevistados |
Porcentagem |
| Nenhum
1 |--) 31
31
|--) 91
91
|--) 180
180 |--) 5.110 |
02
16
10
05
01 |
05,88
47,06
29,42
14,70
02,94 |
| Total |
34 |
100% |
Os
entrevistados responderam que se distraem dos modos
seguintes: Ficando em casa. Com minhas crianças em casa
mesmo. Não tenho distração. Com o trabalho. Futebol,
sinuca, baralho e malha, tudo com pinga. Não me distraio.
Encontrando-me com colegas que não bebem, e indo à igreja.
Com bebida e mulher. Procuro pessoas que bebem socialmente.
Bebendo. Lendo ou com jogos de mesa em bares. No passado,
pescando, lendo, jogando futebol. Fumando. Em bailes
com bebida. Bebendo. Baile, pescaria, futebol, tudo
com bebida. Encontrando-me com amigos e bebendo com
eles. Em bailes com bebida. Bebendo. Pescaria com bebida.
Jogos nos bares. Encontro para beber nos bares com amigos.
Pescaria. Futebol e bebida. Sinuca e bebida. Bebendo.
Não me distraio. Em baile. Futebol, baralho e bebida.
Baile e bebida. Brincando com os netos. Baile e bebida,
pescaria e bebida.
| Uso
de bebida alcoólica no lazer |
Porcentagem |
|
| Usam
|
55,88 |
|
|
Não
usam |
35,30 |
|
| Não
têm lazer |
08,82 |
100% |
À
pergunta Por que você bebe ? foram
dadas as respostas seguintes: Nem eu sei, não tenho
precisão de beber. Porque gosto. Para beber com meu
pai. Por gostar. Só nas festas. Para melhorar a depressão
que eu sinto. Porque gosto, não sei direito por que
bebo. Sempre bebi. Bebo porque minha sogra fez coisa
para eu morrer bêbada na frente de um bar. Bebo para
me distrair, me alegrar. Para descansar. Não sei, não
posso explicar. Não sei, não tenho motivo para beber.
Para esquecer a vida, para esquecer momentos bons e
momentos difíceis. Para esquecer o passado. É difícil
dizer, por senvergonhice. Pra ficar comunicativo. Não
sei; até hoje não sei por que bebo, apesar de me maltratar
demais. Porque eu gosto. Bebo porque me acostumei; comecei
a beber num trabalho noturno no qual o chefe forçava
tomar uma dose. Para me sentir mais seguro; por causa
da minha história de vida. Para tentar esquecer as burrices
que fiz, como perder minha mulher por causa do Alcoolismo.
Não posso explicar, porque não sei. Penso que bebo para
me destruir, sendo que eu não quero me destruir. Não
sei, parece que é uma coisa que me atenta, é uma vontade
incontrolável. Não sei; meus pais bebiam na minha infância
e botavam açúcar na pinga para eu beber também. Comecei
por brincadeira e depois virou coisa séria. Para ficar
alegre; porque gosto de bebida. No início para abrir
o apetite; depois para me alegrar e tirar minha timidez;
ultimamente por estar dependente do álcool. Não sei;
vezes penso que é para me esquecer mas aí me lembro
cada vez mais. Até hoje eu me pergunto; estou procurando
descobrir;
| Origem
do Alcoolismo |
Porcentagem |
| Aprenderam
com os outros
Não
sabem por que bebem
Bebem
por gostar |
55,89
32,35
11,76 |
| Total |
100% |
Somando
o gasto público com os três hospitais psiquiátricos
de Presidente Prudente, no ano de 1993, só para pagamento
das internações por Alcoolismo (Síndrome de Dependência
do Álcool e Psicoses Alcoólicas) de pessoas residentes
nesse município, chega-se ao total de 349.792 dólares.
| Internações
em cada mês de 1993 |
| Hospital |
jan |
fev |
mar |
abr |
mai |
jun |
jul |
ago |
set |
out |
nov |
dez |
| S.
João |
363 |
303 |
604 |
334 |
363 |
424 |
514 |
574 |
394 |
484 |
454 |
544 |
| Bezerra |
1043 |
1068 |
1492 |
1289 |
1127 |
1022 |
1108 |
1233 |
1115 |
999 |
542 |
408 |
| A.Kardec |
190 |
239 |
421 |
374 |
282 |
431 |
271 |
355 |
451 |
225 |
309 |
172 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Utilizando a estimativa do IBGE para 1º de julho de
1992, segundo a qual Presidente Prudente tem uma população
de 167.966 habitantes e o Brasil tem 149.236.084 habitantes,
e supondo que ocorre no país de modo semelhante ao que
acontece em Presidente Prudente, o Brasil gastou em
1993 para pagar frenocomizações de portadores de Alcoolismo
cerca de 310.790.192 dólares.
| Valor
da diária em cada mês de 1993, em dólar * |
| Hospital |
jan |
fev |
mar |
abr |
mai |
jun |
jul |
ago |
set |
out |
nov |
dez |
| S.
João |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
14 |
| Bezerra |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
| A.Kardec |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
17 |
*
Esclareço que o diretor de um dos hospitais solicitou-me
que fosse registrado o seguinte:"a diária é recebida
pelo hospital com cerca de sessenta dias de atraso,
o que, antes do Real, reduzia o
seu valor a cerca de apenas um terço do mostrado na
tabela".
5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O
gasto público de 310 milhões de dólares (reais) no ano
de 1993 foi só para o pagamento das diárias em frenocômios.
Existem as despesas nos hospitais gerais, as quais talvez
sejam até maiores do que as dos hospitais psiquiátricos.
Quando os doentes são trabalhadores, estudantes ou donas
de casa, suas atividades profissionais param, e se são
trabalhadores ainda recebem o auxílio-doença, pago pela
Previdência Social. Essa ainda é uma pequena parte da
despesa pública gerada pelos portadores do Alcoolismo.
Para se ter uma idéia mais aproximada da despesa geral,
transcreve-se a seguir um trecho do livro Tratado de
Psiquiatria, 1988, de Talbot, Halles e Yudofsky (07):
“Custos
Econômicos. As estimativas de custos relacionados ao
Alcoolismo chegam a 116,17 bilhões de dólares. Esses
são perda da produção no trabalho, perda de rendimentos
futuros secundários ao excesso de mortalidade, custos
em cuidados de saúde, custos de acidentes de veículos
automotores, custos de programas de segurança nas estradas,
perdas por crimes e por fogo, atividade policial, serviços
penitenciários e custos judiciais em casos relacionados
ao álcool. O álcool contribui para o prejuízo na indústria,
esportes, medicina e exército. Por exemplo, com 12%
das tropas prejudicadas por Alcoolismo, os erros humanos
causados por intoxicação ou sinais mentais de organicidade
podem levar a resultados catastróficos. Relatos de navios
fora de curso e quedas de aviões ressaltam os perigos
de erros sérios na função profissional. Nos Estados
Unidos, 5.000 a 10.000 programas de assistência ao trabalhador
foram estabelecidos para auxiliar no diagnóstico e tratamento
no local de trabalho. (Departamento de Saúde e Serviço
Social dos EUA, 1984).”
Considerando-se
os gastos, pergunta-se o seguinte: É justo gastar-se
por mês, só para o pagamento das diárias nos frenocômios,
por pessoa, mais de 420 dólares (reais), quando o salário
mínimo do trabalhador não chega a 65 dólares (reais)?
Do ponto de vista técnico, entende-se que a resposta
é: é justo e não é
justo.
Julga-se
um gasto justo quando se considera que ele corresponde
a um trabalho realmente realizado e necessário. Quem
teve ou tem um portador de Alcoolismo em casa sabe como
um tratamento que tire a pessoa desta condição pode
ser útil para o bebedor e para as pessoas que com ele
moram e/ou têm contato.
Julga-se
um gasto injusto quando se considera que ele não é seguido
pelo complementar e absolutamente necessário atendimento
pós hospitalização. A falta desse facilita que o egresso
do hospital, mais cedo ou mais tarde, volte a beber,
torne a ficar doente e outra vez se interne. É lógico
que quando assim acontece, a despesa realizada perde
a utilidade que teve e se torna tecnicamente injusta
para o contribuinte.
Quando
se considera que na população entrevistada a média de
internações é de 07,38 vezes por pessoa, pode se dizer
que falta ser feito algo após a alta que ajude a pessoa
a se manter sem beber fora do hospital e para sempre.
Orientação
do hospital para permanecer sem beber após a alta, foi
dada a 79,42% dos entrevistados e eles voltaram ao hospital
repetidamente. Não é procedimento eficaz.
O
ambulatório de saúde mental, que tem por finalidade,
também, dar seguimento ao trabalho iniciado no hospital,
igualmente não é eficaz, tanto que 85,29% da população
entrevistada, reinternada, não o procurou por ocasião
das altas.
As
organizações do tipo associação antialcoólica também
não são eficazes para complementar o trabalho do hospital.
Evidência disso é que na população entrevistada 52,95%
já freqüentaram a suas tradicionais reuniões e continuam
se reinternando nos frenocômios. Fica, portanto, comprovada
a primeira hipótese: H1-Inexistência de articulação
eficaz entre a politica de internação hospitalar e a
de pós internação do doente de Alcoolismo para sua recuperação.
Para
predição da segunda hipótese: H2-Inexistência de programas
sociais que levem a orientação da ocupação e lazer do
doente de Alcoolismo, entende-se ser muito conveniente
considerar as respostas das pessoas entrevistadas.
A
existência de uma mulher (20%) reinternada com Alcoolismo
para cada quatro homens em igual condição (80%) mostra
que o Etilismo predomina entre o sexo masculino mas
que também é significativo no sexo feminino. Quase 50%
das pessoas com Alcoolismo têm influência facilitadora
da própria família para voltar a beber após a alta hospitalar.
Quase 60% dos entrevistados bebem mais quando estão
acompanhados por outras pessoas. Quase 80% delas bebem
mais fora de suas casas. 76,48% dos entrevistados consideram
que a reaproximação de velhos companheiros de bebida
é uma significativa influência para a volta ao uso de
bebida. O retorno aos lugares onde bebiam antes da internação
facilita a volta à bebida em 73,54% dos entrevistados.
Em quase 50% dos entrevistados freqüentar reuniões e
comemorações que incluem o uso de bebidas alcoólicas
foi significativo motivo para voltar a beber. A solidão
não aparece entre os entrevistados como motivo importante
para o uso de bebidas alcoólicas, pois apenas 08,82%
deles moram sozinhos. Em 61,77% do grupo entrevistado,
as pessoas procuram as companhias com o propósito principal
de beberem juntas. Quando desocupadas, 64,70% das pessoas
entrevistadas procuram fazer coisas que incluem o uso
de bebidas etílicas. De cada 5 pessoas que saem do hospital
com prescrição para continuar usando remédio, três delas
não bebem enquanto tomam medicamentos. Quase 60% dos
entrevistados responderam que não bebiam durante o horário
de trabalho. 52,95% responderam que bebiam todos os
dias igualmente, e 35,29% responderam que bebiam mais
nos finais de semana.
No
grupo de portadores de Alcoolismo entrevistados, ficar
no seio da família não ajuda a ficar sem beber. 60%
dos entrevistados bebem mais quando estão com outras
pessoas. 80% bebem mais fora de suas casas. E 76,48%
a reaproximação dos velhos amigos facilita a volta ao
beber. A volta aos lugares que costumam freqüentar é
com a finalidade principal de beber com os companheiros
em mais de 60% dos entrevistados. Quando desocupadas
64,70% das pessoas entrevistadas procuram fazer alguma
coisa que inclue o beber. 52,95% bebem mais todos os
dias igualmente, e 35,29% bebem mais nos finais de semana.
Esse
quadro pode sugerir que não há solução. Em casa com
a família bebe-se. Fora de casa com os companheiros
também se bebe. Quando desocupadas 64,70% das pessoas
faz alguma coisa que inclui o uso de bebidas etílicas.
A maioria respondeu que não bebe durante o trabalho,
mas tem os finais de semana desocupados e aí pode beber
à vontade. Os dados revelaram inexistência de programas
sociais de orientação e lazer do doente de Alcoolismo,
donde ser verdadeira a segunda hipótese.
É
oportuno ressaltar aqui que, a melhor maneira de corrigir
um comportamento não é abandoná-lo; procedimento promissor
é procurar substituí-lo por outro comportamento. Há
necessidade de oferecer-se aos portadores de Alcoolismo
os meios necessários para eles substituirem a conduta
de bebedores por outras, agradáveis e salutares.
Convém
registrar-se aqui o reconhecimento de que não é apenas
através do hospital que as pessoas acometidas de Alcoolismo
são tratadas. Vários médicos já ajudaram um número de
portadores de Alcoolismo a se tornarem não bebedores,
atendendo-lhes fora de hospital, seja nos seus consultórios,
seja nos ambulatórios públicos onde têm trabalhado.
Conhece-se outro número de pessoas que sofriam de Alcoolismo
e que a partir de um determinado dia em que disseram
que não mais beberiam, de fato não mais beberam e se
livraram do mal, isso sem necessidade de qualquer ajuda
externa para fazer a mudança no seu estilo de vida,
mas a maioria não consegue atingir novas formas de condutas.
As
32,35% pessoas entrevistadas responderam que não sabem
por que bebem. Somente 11,76% responderam que bebem
por gostar. Realmente, a pergunta de por que e para
que se bebe merece análise e é nela que certamente deve
basear-se a sugestão de ajuda definitiva e eficaz para
os portadores de Alcoolismo.
6. DIAGNÓSTICO CAUSAL
Entende-se
que Alcoolismo é um problema da pessoa e um problema
da sociedade. Crê-se que a origem do Alcoolismo é um
problema educacional e que só uma reforma educatica
poderá resolvê-lo. Educação é “processo de desenvolvimento
da capacidade física, intelectual e moral da criança
e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração
individual e social” (04). O Alcoolismo é fruto
da anti-educação no meio social. A reforma educativa
que se alude ser necessária é a do meio social, pois
a escola, por mais baixa qualidade de ensino que tenha,
procura formar atitudes saudáveis no educando.
É uma reforma que deverá se apoiar na família e nos
hábitos sociais. Neste trabalho, no entanto, os propósitos
estão limitados a sugerir procedimento
para ajudar as pessoas que se livrem do Alcoolismo e
a se manterem para sempre sem beber, evitando novos
períodos de etilismo.
Ha
muitos séculos que a religião descobriu e pratica o
conhecimento de que a educação precoce dá resultados
que satisfazem os propósitos educacionais. Nas religiões
cristãs, por exemplo, é mais ou menos assim: logo pequenina
a criança é batizada e os pais e padrinhos assumem o
compromisso de educá-la na religião, segundo seus ensinamentos.
Depois vem o catecismo, curso elementar de educação
religiosa por perguntas e respostas, ensino dos dogmas
e preceitos da religião. Pela freqüência ao templo e
nas práticas domésticas, a solenidades e os rituais
fortalecem os ensinamentos religiosos. A prática dos
ensinamentos religiosos fortalece progressivamente a
religiosidade. Como com outras coisas, a religiosidade
se fortalece com o próprio exercício. E estabelecida
a programação religiosa, esta passa a dirigir as ações
da pessoa, a qual sem mais refletir, sabe que tem locais
e momentos de orar, e reza; apela para Deus nos momentos
apropriados e de modos não refletidos, automaticamente;
aprendeu o que é certo, bom e permitido, aprendeu o
que não deve ser feito ou pensado, e fica toda a vida
a agir de acordo com essas aprendizagens.
Essa
educação religiosa é um exemplo de educação extra-escolar.
Entende-se que a anti-educação que leva ao Alcoolismo,
é um processo semelhante ao da educação religiosa que
foi sumariado.
A
criança cresce num meio onde as pessoas grandes, sempre
que têm motivo para alegria, tristeza, frustração, raiva,
amor e outros sentimentos, bebem. E como a existência
pessoal a todo momento inclui algum sentimento, sempre
há motivo para beber. A criança cresce escutando e sendo
estimulada pelos meios de comunicação de massa que beber
é coisa de gente grande e feliz. E a criança se programa
para quando ficar grande passar a beber. Aprende também,
de tanto escutar os adultos dizerem e de os ver praticando
esta crença, que as bebidas alcoólicas eliminam as tensões
do dia a dia. E a programação se amplia: quando for
grande e experimentar tensões, beber aliviará. A criança
cresce aprendendo que toda festa e comemoração incluem
o uso de bebidas alcoólicas. E entre inúmeras outras
coisas, a criança aprende, de tanto ver e ouvir, que
bebida é um bom objeto para se presentear, para agradar
outra pessoa, tanto melhor quanto mais cara for a bebida,
a qual é especialmente boa quando é importada de outro
Estado ou de outro país.
E
depois que a criança se torna gente grande, quando já
tem liberdade para imitar os outros, pensando que está
fazendo o que quer, quando tem comemorações a fazer,
por exemplo pelo final exitoso do ano escolar, ou pela
aprovação no vestibular, pela boa safra agrícola ou
pelo batizado da criança, ou pela vitória do seu time
preferido de futebol e por um sem números de outras
coisas bem ou mal sucedidas, a pessoa recorre ao uso
de bebidas alcoólicas, pois está programado no seu cérebro
que é bebendo que se lida com todas essas coisas. E
do mesmo modo que a programação religiosa leva a pessoa
a chamar por Deus em determinados momentos, de uma maneira
automática, a programação relativa à bebida alcoólica
impele a pessoa a beber automáticamente, sem refletir
nem mesmo nas conseqüências das bebedeiras anteriores.
A pessoa aprendeu ao longo de toda a sua vida que é
assim que se faz e tende a ficar sempre fazendo assim.
É como respondeu aquele entrevistado: “Não sei
por que bebo; parece que tem alguma coisa que me atenta,
é uma vontade incontrolável”. É a programação
dirigindo a pessoa.
E
a medicina não pode, sozinha, alcançar todo esse processo
de programação de vida e modificá-lo. Pelo menos até
hoje não foi capaz de fazê-lo. Acredita-se que a tarefa
não cabe somente a ela.
Tem-se
feito com o Alcoolismo doença, coisa semelhante ao que
se faz com portadores de verminoses, isto é, tratam-se
os doentes com medicamentos eficazes mas não se faz
simultaneamente a prática de um programa de higiene
pessoal e ambiental. Algumas das pessoas assim tratadas
não mais ficarão doentes, mas a grande maioria tornará
a se contaminar, por se manter no mesmo ambiente e com
os mesmos hábitos, e adoecerá de novo. Uns poucos portadores
de Alcoolismo depois de tratados não voltarão a beber
e ficarão bons para sempre, mas a grande maioria volta
a beber e ficar doente novamente. Só o tratamento médico
ou médico-hospitalar do portador de Etilismo não produz,
na porcentagem querida e necessária, curas definitivas.
O
que deve ser feito com relação ao antes
é a manutenção da cultura do álcool ?
Cultura é “o complexo dos padrões de comportamento,
das crenças, das instituições e doutros valores espirituais
e materiais transmitidos coletivamente e característicos
de uma sociedade” (04). É a anti-educação a qual
está presente na cultura do álcool a que precisa ser
alvo de modificações para que o problema do Alcoolismo
possa ser resolvido satisfatóriamente e neutralizar
este tipo de cultura.
Tem-se
visto repetidamente pessoas formadas na cultura do álcool
chegarem doentes ao hospital para, depois de algum tempo
de tratamento e clínicamente boas, serem devolvidas
para o mesmo ambiente de onde vieram, aí novamente voltarem
a beber e tornarem a ficar doentes, e de novo serem
hospitalizadas. Esse círculo vicioso que progressivamente
prejudica o doente, sua família e seu grupo social,
continuará produzindo esse indesejável efeito, enquanto
algo ampla e realmente eficaz não for feito com relação
ao antes e ao depois
do Alcoolismo doença propriamente dita.
7.
TRATAMENTO COM O CLAREPA
Como
está demonstrado pelos resultados das entrevistas realizadas,
tratar o portador de Alcoolismo, no hospital ou fora
dele, e depois deixá-lo sem suporte adequado no ambiente
comum da cultura do álcool, nos mesmos lugares e com
as mesmos amigos, não produz os resultados desejados,
os quais seriam as pessoas se manterem definitivamente
abstêmias e levando uma vida satisfatória.
Trazer
a associação antialcoólica para dentro do hospital,
como já é feito, a prática já mostrou que os resultados
também estão muito longe do desejado, que é a cura em
larga escala.
Antes
de expor as características do CLAREPA (Centro de Lazer
e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores de Alcoolismo),
far-se-ão considerações necessárias para que as idéias
e a sugestão apresentadas venham a ser bem compreendidas
por todos e possam ser adequadamente avaliadas.
Até
quando uma pessoa tem Dependência do Álcool ? Existem
respostas diversas para essa pergunta. Pretende-se deixar
claro aqui uma resposta e justificá-la. Julga-se que
depois que pára de beber por um tempo significativo
a pessoa deixa de ser uma portadora de Alcoolismo, e
só não ficará assim para sempre se voltar a beber de
modo continuado e prejudicial. Era uma doente e deixou
de sê-lo. Era um problema da alçada da medicina e não
o é mais. Escolhe-se esse entendimento por se achar
que ele é positivo, auxíliador, salutar. Ser portador
de Alcoolismo e ser ex-portador de Alcoolismo faz diferença
do tipo: o portador bebe e dele se espera que beba;
o ex-portador é uma pessoa que parou de beber e dela
se espera que não beba. Esse entendimento é o comum
em relação às outras doenças.
Lembra-se
que essa concepção de ex-portador de Alcoolismo é radicalmente
diferente da adotada pelas organizações do tipo associação
antialcoólica. Para elas, mesmo depois que pára de beber
por um tempo significativo e mesmo não mais sendo bebedora,
a pessoa é considerada doente. Ela seria portadora de
uma doença “incurável, evolutiva e fatal”.
Acredita-se que essa afirmação das associações antialcoólicas
poderá induzir certas pessoas a acreditarem que têm
o destino de beber e, em conseqüencia, virem a se entregar
ao uso de bebidas etílicas. E não é necessário ser médico
para verificar que o Alcoolismo não é uma doença incurável.
Qualquer pessoa boa observadora pode conhecer algumas
outras que um dia, após um tratamento e até mesmo sem
tratamento (através de um núcleo de associação antialcoólica,
por exemplo), disseram que não mais iriam beber, levaram
em frente o propósito anunciado e não mais tiveram a
doença. Se Alcoolismo fosse uma doença incurável isso
não poderia ser feito. Não se pode curar uma doença
incurável, e especialmente não, através de apenas um
mantido ato de vontade.
Ressalta-se
aqui o seguinte: no Alcoolismo a pessoa e a sua comunidade
são ativas participantes na geração da doença. Reconhecer
isso e organizar as ações a partir desse reconhecimento
é indispensável para a definitiva cura do portador de
Alcoolismo, em nível de saúde coletiva.
Escuta-se
com certa freqüência a afirmação de que a medicina não
resolveu o problema do Alcoolismo. Entende-se o que
as pessoas estão querendo dizer, e acredita-se que elas
não estão suficientemente conscientes do que afirmam.
A parte do Alcoolismo que cabe à medicina tem sido eficazmente
manejada por médicos. As pessoas precisam é se dar conta
de que a assistência ao ex-portador de Alcoolismo, para
ser completa e definitivamente resolutiva, precisa mais
do que apenas ações médicas. É necessário que o depois
da doença seja bem trabalhado.
Terminado
o tratamento médico é necessário proceder-se a reeducação
do ex-portador de Alcoolismo. E essa reeducação, absolutamente
indispensável do ponto de vista coletivo, só poderá
ser eficaz se contar com ativa participação da comunidade.
Além de ser necessária a sua participação, a comunidade
que mantém a cultura do álcool tem o dever de corrigir
os desacertos dessa mesma cultura.
Quando
uma pessoa está com cirrose hepática alcoólica, com
pelagra ou com polineurite alcoólicas, ou quando está
com uma das psicoses alcoólicas, é claro que a solução
de tais quadros exige a ação de profissionais da medicina.
Aí as pessoas estão doentes. E terminado o trabalho
médico, o que é que se tem para fazer ? Para exemplificar,
seja o caso de um ex-portador de Alcoolismo que sai
de um frenocômio, desintoxicado, depois de mais de 60
dias internado e sem beber, sem as manifestações psicóticas
que apresentava na época da internação, já físicamente
recomposto, sabedor de que chegou àquele ponto em conseqüência
do seu beber, avisado de que se voltar a beber adoecerá
novamente, com essa pessoa o que é que se tem feito
e o que é necessário se fazer ?
O
que se tem feito é devolvê-lo ao meio de onde ele veio.
Lá ele volta a cumprir o programa de vida que aí elaborou,
inclusive usar bebida alcoólica nas situações e dos
modos aprendidos no passado, e mais tarde estará doente
de novo e outra vez voltando ao hospital. Esse processo
anula o trabalho médico realizado.
O
que é necessário fazer é envolver toda a comunidade
no sentido de ajudar a pessoa a continuar sem beber
para sempre. Isso será um processo reeducativo. Seu
bom resultado dependerá da própria pessoa e do suporte
que a comunidade lhe der. À pessoa serão necessários
meios e ações que lhe ajudem a elaborar e por em prática
um novo programa de vida. Isso é mais que um processo
psicoterápico, é também um processo socioterápico, pois
o grupo social terá influência resolutiva.
A
velha programação de vida que precisa ser modificada,
de modo resumido estabeleceu-se assim: na comunidade
onde cada um de nós cresceu, aprendemos a chamar por
Deus em horas bem determinadas. E passamos a usar essa
aprendizagem durante toda a nossa vida. Usamo-la nos
momentos “certos”, automáticamente e sem
necessidade de reflexão. Somos compelidos a chamar por
Deus em certas situações. Na mesma comunidade cada um
de nós aprendeu, também, que se a autoridade nos surpreender
no erro é perigoso. Isso fica programado em nosso cérebro.
E um exemplo de funcionamento desse programa é quando
um guarda nos surpreende com excesso de velocidade numa
rodovia: o nosso coração dispara, sentimos medo, automáticamente
diminuímos a velocidade do veículo, e começamos a imaginar
uma desculpa. Tudo isso acontecendo como quando éramos
pequenos e nossos pais nos pegavam num erro. É também
na mesma comunidade que nós aprendemos que as festas
e comemorações incluem o uso de bebida alcoólica, aprendemos
que a bebida é coisa de gente grande, aprendemos que
ela diminui a tensão emocional e a tensão física causadas
pelos problemas do dia a dia etc.. Este é um outro programa
que fica bem definido e registrado no nosso cérebro.
E tempos depois, quando já somos gente grande e vamos
comemorar a formatura no colegial, ou o noivado, ou
o bom êxito no ano escolar, o sucesso na atividade profissional,
o natal, o aniversário, o ano novo, ou o carnaval, quando
precisamos relaxar-nos das tensões do cotidiano, automáticamente
fazemos o que está programado para ser feito nessas
diversas ocasiões, bebemos. Bebemos de modo
compulsivo, não de modo essencialmente voluntário.
É esse aspecto de compulsividade que impede os portadores
de Alcoolismo continuarem sem beber após um tratamento
hospitalar bem sucedido. Um dos entrevistados respondeu
à pergunta “por que você bebe?”,
“não sei, parece que é uma coisa que me
atenta, é uma vontade incontrolável”.
A
sociedade tem o dever moral de ajudar o ex-portador
de Alcoolismo a elaborar um novo roteiro de vida que
inclua ele não mais beber ? A sociedade tem esse dever
sim. Sugere-se o CLAREPA como um meio suficiente para
a sociedade cumprir esse seu importante papel.
O
CLAREPA, Centro de Lazer e Apoio Reeducativo a Ex-Portadores
de Alcoolismo, é uma instituição a ser criada e mantida
pelo governo municipal e pela comunidade. É como um
clube social, sendo que nele não se vende nem se permite
o uso de bebidas alcoólicas, nem a permanência de pessoa
sob o efeito de álcool. Funcionará como local de lazer
e como um centro de reeducação psicoterápica e socioterápica
para ex-portadores de Alcoolismo e como local de lazer
para seus familiares. O CLAREPA terá lanchonete, quadras
esportivas, diversos jogos de mesa, parque infantil,
sistema de som, tv e vídeo, salão de festas e salas
de reunião.
O
CLAREPA terá uma Coordenação Técnica e um Coordenação
Administrativa remuneradas as quais deverão sempre se
adaptar as reais necessidades da instituição. Os funcionários
que no entender da Coordenadoria Técnica e/ou da Coodenadoria
Administrativa, e dos usuários, forem julgados necessários
serão providos pelo governo municipal ou por qualquer
segmento da comunidade que espontaneamente ou convidado
assuma o compromisso de fazê-lo.
As
atividades reeducativas, psico e socioterápicas serão
atribuições da Coordenadoria Técnica, dentro de um programa
periodicamente submetido à Assembléia Geral do CLAREPA.
O
funcionamento da instituição obedecerá a regras experimentadas,
combinadas e fixadas pelos usuários, em acordo com a
Coodenadoria Administrativa. Referidas regras, modificadas
sempre que necessário, comporão o Regimento Interno
do CLAREPA.
A
freqüência à instituição não terá
custo para o usuário. O direito de freqüência é dado
pela condição de ex-portador de Alcoolismo ou familiar
dele, e reconhecido através da apresentação da Carteirinha
Individual do CLAREPA. Para a obtenção desta o interessado,
ou o seu responsável no caso de menores ou semelhantes,
dirigirá uma solicitação escrita em formulário do CLAREPA
à sua Coodenadoria Administrativa, manifestando o desejo
de usufruir os benefícios proporcionados pela instituição,
e assumindo os deveres exigidos pelo Estatuto e Regimento
Interno do CLAREPA.
A
Análise Transacional tem como um de seus fundamentos
a crença de que As Pessoas São OK, isto é, tendo meios
que lhes dêem suporte e orientação saudável e correta,
todas as pessoas têm condição de pensar, sentir e agir
de maneiras adequadas, saudáveis, construtivas e cooperadoras.
É a chamada Posição Existencial Eu Sou OK
Você É OK, para a adoção da qual o CLAREPA
oferecerá o ambiente e os estímulos necessários.
Também
a Análise Transacional, baseada nos modernos estudos
sobre as necessidades humanas, sistematiza que as pessoas
têm, entre outras, as três seguintes:
Fome de reconhecimento vindo do outro, ou carícia
Fome de estruturação do tempo
Fome de incidentes
O
CLAREPA proporcionará aos seus freqüentadores, local
e orientação, através das atividades de lazer e reeducativas,
para que as estimulações usadas sejam predominantemente
positivas, para que a estruturação do tempo seja feita
de modos salutares, e para que a fome de incidentes
seja satisfeita com acontecimentos positivos.
Exercitando
uma existência na Posição de Vida Eu Sou
OK Você É OK, e satisfazendo as referidas
fomes de modos salutares, as pessoas se fortalecerão
cada vez mais e cada vez menos se voltarão para o uso
de bebidas alcoólicas.
8.
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