ALCOOLISMO
SOB O PONTO DE VISTA DA MEDICINA INTERNA
OBJETIVO
1 - Este trabalho tem como objetivo preencher uma lacuna
na prática médica que é;
Sugerir aos médicos examinar o paciente alcoólatra
numa perspectiva clínica ampla, não somente
enfatizando os aspectos gastroenterológicos (hepáticos),
nutricionais e neuropsiquiátricos do alcoolismo.
2 - Sabe-se
que os médicos tratam muito bem as complicações
do alcoolismo, mas não sabem tratar o alcoolismo.
Portanto, esperamos com estas referências, tabelas
e perguntas com respostas explicativas, obtidas nos
principais livros e textos de medicina, sensibilizar
o médico, qualquer que seja sua especialidade,
a diagnosticar e tratar os problemas relacionados ao
uso do álcool.
Paulo Fernando Leite
I.1.
Definições de Alcoolismo
- "O
alcoolismo é caracterizado pela
dependência do etanol. Do ponto de vista médico
o alcoolismo refere-se a uma doença crônica
na qual o alcoolista deseja e consome etanol sem saciedade,
torna-se cada vez mais tolerante aos seus efeitos (embriaguez)
e, quando a ingestão é interrompida, exibe
sinais e sintomas de abstinência como evidência
da dependência física do etanol".
- "Usa-se
o conceito de alcoolismo como um problema de saúde
pública em que o consumo de álcool etílico,
por qualquer tempo e em qualquer quantidade; determina
conseqüências adversas à vida de quem
bebe, ou à sua progênita, no presente e
no futuro. O alcoólatra é o indivíduo
cujo consumo crônico de álcool está
lhe trazendo mais repercussões negativas que
positivas, sejam orgânicas, psicológicas
ou sociais".
- "Alcoolismo
pode ser definido como um estado de dependência
(psicológica e/ou física) com ou sem complicações
resultantes do uso errôneo do álcool de
forma contínua ou periódica, o grau de
dependência pode ser extremamente variável.
Ele pode variar desde um grau leve (onde o indivíduo
pode relutar em privar-se de suas duas ou três
doses diárias à noite) a um grau severo
(onde tem um impulso irresistível para consumir
álcool)."
I.2. Classificação do Álcool
A.
Alcoolismo Primário
A.1.
Primário (70 a 80% dos casos)
Pessoas que desenvolvem
problemas significativos em suas vidas, orgânicos
e psicossociais, devido ao consumo crônico
de álcool.
A.2.Secundário
Paciente possui
distúrbio psiquiátrico primário
com problemas de alcoolismo associado. Assim por exemplo,
problemas graves
relacionados ao álcool podem ocorrer na vigência
de mania ou de um distúrbio anti-social da personalidade.
Tais problemas,
na verdade, representam sintomas do diagnóstico
primário, e é provável que a evolução
seja a do distúrbio primário,
e não a do alcoolismo.
B.
Alcoolismo Por Abuso e Por Dependência
B.1.
Abuso alcoólico denota dependência psicológica,
isto é, a necessidade de álcool para um
adequado "funcionamento", junto
com o eventual consumo excessivo do produto, e com a
continuação do hábito apesar da
emergência de problemas
sociais e ocupacionais.
B.2
- Dependência alcoólica, entende-se existir
um comprometimento similar, somado às evidências
de uma tolerância maior ao
etanol, ou à presença de sinais físicos,
ante a abstinência alcoólica.
I.3. Prevalência do Alcoolismo
•
Mais de noventa por cento dos adultos já usaram
álcool;
• Seu uso é aceito pela imensa maioria
das pessoas e está integrado a inúmeras
situações sociais;
• A primeira experiência com o álcool
costuma ocorrer na adolescência ou mesmo antes;
• O aumento da ingestão ocorre gradativamente,
freqüentemente entre os dezoito e vinte e cinco
anos. Nesta idade, os problemas com
o álcool já são intensos; reprovação
ou abandono da escola, perda de emprego por embriaguez
ou faltas, brigas com a mulher, etc.;
• A prevalência de alcoolismo cai a partir
da sexta década de vida. Em parte isto se deve
à menor expectativa de vida dos alcoólatras;
• Estudos populacionais realizados em diferentes
regiões do Brasil desde 1965, estimam uma prevalência
entre 5 a 10% para a dependência
do álcool em adulto.
I.4. Atitudes Médicas no Alcoolismo
•
Médicos de todas as especialidades deixam de
diagnosticar os problemas relacionados ao uso de álcool
com freqüência, principalmente
nos estágios iniciais;
• O médico, muitas vezes, falha no reconhecimento
do abuso de álcool como sendo o problema primário
ou deixa de encaminhar o tratamento
nos casos identificados;
• Dentre várias razões que contribuem
com essa situação, a falta de conhecimento
e treinamento específico parecem fundamentais;
• Poucos programas de residência médica
ou educação médica continuada incluem
treinamento formal em alcoolismo e abuso
de drogas;
• Os médicos tratam muito bem as complicações
do alcoolismo e não sabem tratar do problema
primário com o álcool;
• No entanto, conforme atestam diversos estudos,
a abordagem sistemática dos hábitos relacionado
ao uso de álcool da clientela
por qualquer profissional, atuando na área de
saúde, possibilita desde intervenções
preventivas até a identificação
e tratamento precoces para indivíduos que já
apresentam problemas relacionados ao beber;
• É importante enfatizar que o médico
desempenha um papel importante na identificação
do alcoólatra, no tratamento das síndromes
clínicas e psiquiátricas associadas ao
etilismo, na condução do processo de desintoxicação,
no encaminhamento aos programas de
reabilitação e no aconselhamento dos pacientes
quanto ao tratamento num contexto hospitalar
ou ambulatorial. É também função
do médico regular o tratamento medicamentoso
durante a reabilitação do alcoólatra.
I.5. O Processo de Instalação
da Dependência do Álcool

Aumento
da dose ou freqüência
Aumento
de número e gravidade dos problemas associados
I.6.
Bebidas de Consumo Comum e seu Conteúdo de Etanol1.
| Tipo
de bebidas |
Quantidade
correspondente a 1 drinque-padrão ou 15g
de etanol* |
| Cerveja (5% de etanol) |
340ml (1 garrafa
de cerveja = aprox. 30g de álcool) |
| Destilados ( conhaque,
brandy, uísque, vodca, rum e cachaça)
(40 a 65% etanol) |
43ml a 25ml (1 dose
= aprox. 15g de álcool) |
| Vinho de mesa (11%
de etanol) |
142ml (1 garrafa
= 5,5 drinques = aprox. 82g de álcool) |
| Vinhos fortificados
(vermute, Sherry, Porto) (18% de etanol) |
85ml (1 dose –
aprox. 7,5g de álcool) |
*Entre
parênteses, a apresentação para
o consumo social habitual.
1
O alcoólatra pode ser definido como o consumidor
regular de quatro drinques/dia (60g de álcool),
nos últimos seis meses (Skinner et all.).
I.7. Teor Alcoólico médio, drinque padrão
(dose) e quantidade aproximada de álcool absoluto
(em gramas) por medida padrão para vinho, cerveja
e destilados
| Bebida |
Teor
alcoólico médio (%) |
Medida
padrão (ml) |
Quantidade
aproximada de álcool absoluto por medida |
| Vinho |
11 |
1 taça (140) |
15g |
| Cerveja |
4 |
1
taça (350)* |
| Destilados |
45 |
1 dose (35) |
*2 latas = 1 garrafa
I.8. Farmacologia do Etanol
A.
Absorção, distribuição e
eliminação do etanol
- O etanol é absorvido rápida e completamente
através do tubo gastrintestinal e é detectado
no sangue minutos após a ingestão.
- Cerca de 25% do etanol penetra a corrente sanguínea
proveniente do estômago e 75% do intestino, mas
muitos fatores modificam a absorção
gastrintestinal, entre eles a alimentação,
a velocidade de ingestão, a concentração,
o volume e o tipo de bebida alcoólica,
além de variações na motilidade
gastrintestinal.
- O etanol atravessa rapidamente a membranas biológicas
e equilibra-se rapidamente na água corporal total.
- 90% a 98% são removidas pelo metabolismo no
fígado e o restante é excretado pelos
rins, pulmões e pele. Quando a ingesta
é interrompida os níveis sanguíneos
caem cerca de 10 a 25 mg/dl/hora. Os níveis sanguíneos
de álcool continuam a aumentar
quando um indivíduo bebe mais rápido do
que metaboliza.
B.
Metabolismo do etanol
- A oxidação
do etanol e acetaldeído pela álcool-desidrogenase
no fígado é a etapa velocidade-limitante
mais significativa clinicamente, sendo
responsável por mais de 90% do metabolismo do
etanol in vivo.
- O acetaldeído é convertido a acetato
pela aldeído-desidrogenase, numa etapa metabólica
com importantes repercussões clínicas.
- Nos tecidos periféricos, o acetato derivado
do acetaldeído é convertido em acetilcoenzima-A
e, posteriormente, em CO2, e água.
- A oxidação completa do etanol produz
7, 1 kcal/grama.
I.9.
Distúrbios Clínicos Relacionados ao Álcool
| Sistema
ou órgão afetado |
Distúrbio |
| Nutrição |
Deficiência
de:
Folato, tiamina, piridoxina, niacina e riboflavina
Magnésio, zinco, cálcio
Proteína |
| Cérebro |
Encefalopatia
hepática
Síndrome de Wernicke-Korsakoff
Atrofia cerebral
Ambliopia
Mielinólise pontina central
Doença de Marchiafava-Bignami |
| Nervos |
Neuropatia |
| Músculos |
Miopatia |
| Fígado |
Esteastose hepática
Hepatite
Cirrose
Hepatoma |
| Coração |
Hipertensão
Cardiomiopatia
Arritmia |
| Sangue |
Anemia
Leucopenia
Trombocitopenia
Macrocitose |
| Intestino |
Esofagite
e gastrite
Pancreatite |
| Metabolismo
e eletrólitos |
Hipoglicemia
Hiperlipidemia
Hiperuricemia
Cetoacidose
Hipomagnesemia
Hipofosfatemia |
| Endócrino |
Síndrome
pseudo-Cuhing
Atrofia testicular
Amenorréia |
| Osso |
Osteopenia |
I.10.
Efeitos do Abuso do Álcool nos Sistemas Orgânicos
| Sistema
Orgânico |
Efeitos
do Abuso do Álcool |
| SNC |
Amnésia por
abstinência alcoólica
Demência
Síndrome de Wernicke-Korsakoff
Alucinações
Convlusões
Neuropatia periférica |
| Gastrintestinal |
Varizes
esofágicas
Esofagite, gastrite
Deficiências vitamínicas (niacina,
B12, tiamina)
Neoplasia
Cirrose
Pancreatite crônica |
| Cardiovascular |
Arritmias
Insuficiência cardíaca congestiva
Cardiomiopatia
Hipertensão |
| Pulmonar |
Pneumonia (aspiração)
Tuberculose |
| Geniturinário |
Espermatogênese
alterada
Impotência/infertilidade
Atrofia testicular
Amenorréia |
| Músculo-esquelético |
Miopatia
Maior incidência de gota
Rabdomiólise
Osteonecrose |
| Endócrino |
Cortisol aumentado
T4 e T3 diminuídos
Hiperglicemia |
| Hematopoiético |
Função
granulocítica alterada
Trombocitopenia
Anemia por deficiência de ferro, B12 e folatos,
sideroblástica |
I.11. Complicações do Alcoolismo
TRATO
GASTRINTESTINAL
1. Doença hepática crônica (hepatite
alcoólica, cirrose).
2. Hepatomegalia (esteatose hepática, doença
hepática crônica).
3. Diarréia (aquosa, devida ao álcool
ou esteatorréia devida a pancreatite alcoólica
ou raramente doença hepática).
4. Pancreatite (embora ataques agudos ocorram, usualmente
há doença crônica subjacente).
5. Gastrite aguda (erosões).
SISTEMA
CARDIOVASCULAR
1. Hipertensão.
2. Cardiomiopatia.
3. Arritmias.
SISTEMA
NERVOSO
1. Problemas relacionados à nutrição:
Encefalopatia de Wernicke, psicose de Korsakoff (deficiência
de tiamina), pelagra (dermatite,
diarréia, demência decorrentes de deficiência
de niacina).
2. Síndromes de abstinência: Tremor, alucinações,
comportamento bizarro, delirium tremens.
3. Demência (atrofia cerebral, doença de
Marchiafava-Bignami, deficiência nutricional).
4. Degeneração cerebelar.
5. Mielinose pontina central (causando paralisia pseudobulbar,
quadraparesia espástica).
6. Neuropatia autonômica.
7. Miopatia proximal.
8. Estado de intoxicação aguda.
SISTEMA
HEMATOLÓGICO
1. Anemia megaloblástica (deficiência de
folato na dieta, raramente deficiência de B12
decorrente de pancreatite crônica com
incapacidade de separação do complexo
B12 –R proteína).
2. Anemia ferropriva por erosões sangrantes e
varizes.
3. Anemia aplástica (efeito tóxico direto
sobre a medula óssea).
4. Trombocitopenia (supressão de medula óssea,
hiperesplenismo).
ANORMALIDADES METABÓLICAS
1. Acidose (lática, cetoacidose).
2. Hipoglicemia.
3. Hipocalcemia e hipomagnesemia.
4. Hipertrigliceridemia e hiperuricemia.
I.12.
Critérios diagnósticos da CID-10 e do
DSM III-R para uso nocivo e abuso de álcool
| Critérios
para uso nocivo (CID-10) |
Critérios
par abuso de álcool (DSM-III-R) |
Clara
evidência de que o uso de álcool
é o responsável por um dano real,
físico ou psicológico, causado ao
usuário |
Um
padrão desviante de uso de álcool
indicado por um dos seguintes critérios:
1. Uso continuado, apesar do conhecimento da existência
de um problema social, ocupacional, psicológico
ou físico, persistente ou recorrente, que
seja causado ou exacerbado pelo uso do álcool.
2. Uso recorrente em situações nas
quais o uso de álcool é fisicamente
perigoso (p. ex., dirigir enquanto intoxicado).
|
I.13. Condições cuja Apresentação
Clínica Devem Sugerir o Diagnóstico de
Alcoolismo
“Hálito
alcoólico”, na consulta
Face avermelhada
Emagrecimento, inapetência, aversão a doces
Náuseas e/ou vômitos matutinos
Diarréias
Dispepsias e outras dores abdominais
Hemorragia digestiva
Alterações hepáticas aos exames
físico ou laboratorial
Pancreatite
Nervosismo, insônia
Convulsões
Dores e fraqueza muscular (pp. MMII)
Polineurite
Disfunção sexual (impotência)
Hipertensão arterial
Tuberculose
Palpitações
Escoriações, contusões e fraturas
repetidas
Pelagra
Acidentes de trânsito e de trabalho
Desemprego prolongado
Má-adaptação familiar e social
História de crianças espancadas
I.14.
Alcoolismo: Dados Essenciais para o Diagnóstico
Critérios
importantes:
• Dependência fisiológica comprovada
através da síndrome de abstinência,
quando a ingestão é interrompida.
• Testes de laboratório.
• Tolerância aos efeitos do álcool.
• Presença de doenças associadas
ao álcool como degeneração cerebelar,
e doença no fígado.
• Continuação do hábito de
beber, apesar da contra-indicação do médico
e do ambiente social e da decadência dos comportamentos.
• Prejuízo social e ocupacional.
• Depressões.
• Perda de consciência.
Outros
critérios:
• Estigmas do álcool: odor alcoólico,
fascies alcoólatra, vermelhidão no rosto,
tremores, equimoses, neuropatias periféricas.
• Beber clandestinamente.
• Ausências inexplicáveis no trabalho.
• Acidentes freqüentes, quedas, ou ferimentos
de origem duvidosa; em fumantes, queimaduras de cigarro
nas mãos e no peito.
I.15. Manifestações
Clínicas de Distúrbios Causados pelo Álcool
| Distúrbio
ou Sistema |
Manifestações |
| Alcoolismo |
Dependência,
abstinência |
| Pâncreas |
Dor abdominal, má-absorção |
| Fígado |
Compensado: hepatomegalia
Descompensado: doença parenquimatosa –
icterícia, fraqueza muscular, equimoses,
hipogonadismo, hiperstrogenismo
Hipertensão portal, esplenomegalia, ascite,
sangramento gastrintestinal, encefalopatia |
| Sistema
endócrino |
Síndrome
de pseudo-Cushing, hipogonadismo, hiperestrogenismo,
hipoglicemia |
| Sistema
muscular |
Lesão aguda:
dolorimento, fraqueza muscular
Lesão crônica: miopatia de músculos
proximais |
| Sistema
cardíaco |
Compensado: fibrilação
atrial isolada, fadiga
Descompensado: cardiomiopatia congestiva |
| Sistema
hematopoiético |
Distúrbio
da coagulação: equimoses
Distúrbio plaquetário: sangramento
Anemia: não-específica, deficiência
de folato, perda sangüínea, hemólise |
| Sistema
nervoso |
Síndrome
de Wernicke-Korsakoff, nistagmo, ataxia, oftalmoplegia
Demência
Neuropatia periférica |
| Nutrição |
Deficiência
de tiamina
Deficiência de ácido fólico |
I.16. Possíveis Indicadores para o Diagnóstico
de Alcoolismo
A. QUEIXAS
E COMPLICAÇÕES CLÍNICAS FREQUENTES
- insônias,
pesadelos, angústias, depressão e problemas
com a memória;
- náuseas e vômitos, especialmente matinais,
dispepsia, diarréia recorrente, hemorragia digestiva,
dor abdominal e diminuição
do apetite;
- palpitações, dispnéia, infecções
respiratórias recorrentes;
- acidentes e traumatismos freqüentes, mialgia;
parestesias e convulsões;
- poliúria, impotência sexual, amenorréia
e emagrecimento;
- complicações clínicas associadas:
anemia, hipertensão arterial, arritmias cardíacas,
polineuropatia, convulsões, neoplasias do
tubo digestivo, tuberculose;
- aparência descuidada, confusão mental,
irritabilidade;
- hálito alcoólico, tremores, ataxia,
fácies alcoólico (edema e eritema), cicatrizes,
aumento do volume das parótidas.
B. PROBLEMAS
PSICO-SOCIAIS E FAMILIARES
- deterioração
no relacionamento familiar, conflito conjugal;
- isolamento social, brigas e agressões, problemas
com a lei;
- faltas ou atrasos no emprego, em especial nas segundas-feiras,
após feriados, dias de pagamento e depois do
horário de almoço;
- desemprego prolongado ou demissões repetidas;
acidentes de trabalho.
I.17. Achados
no Exame Físico Sugestivos de Alcoolismo
| EXAME
FÍSICO |
***
Odor de bebida alcoólica no hálito
*** Aumento bilateral de parótidas
*** Angioma ou nervos araneiformes
***Endematoso, face macilenta (pode ser sutil);
edema inexplicado
*** Tremor, alucinose, e/ou uma das duas convulsões
** Queimaduras por cigarro nos dedos
** Hálito de mentol
** Hepatomegalia
** Ginecomastia
** Testículos pequenos
** Cortes, arranhões ou abrasões
inexplicados
|
* Arritmias inexplicadas,
especialmente taquicardia limítrofe crônica
* Extremidades finas se comparadas ao tronco
* Esplenomegalia
* Hipertensão
Diaforese, dia ou noite
Muito arrumado e limpo
Depressão
Alopecia
Arco corneal
Sensibilidade abdominal
Sinais cerebelares (por exemplo, nistagmo)
Qualquer alteração de consciência
Ansiedade |
0 a * Sugestivos
** a *** Altamente sugestivos
I.18. Anormalidades Laboratoriais e Achados
de Raio X Sugestivos ou Altamente Sugestivos de Alcoolismo
| ANORMALIDADES
LABORATORIAIS |
**** Nível
sangüíneo de álcool maior que
300mg/100mla
*** Nível sangüíneo de álcool
maior que 100mg/100ml
*** Osmolalidade sérica alta
*** Amônia sérica alta
*** Transferase asiaptato sérica alta na
internação e normal na alta hospitalar
*** Elevação da gamaglutaril transpeptidase
*** Exames negativos para hipertiroidismo
** Elevação da creatimina fosfoquinase
** Nível sangüíneo de álcool
positivo, qualquer quantidade
** Amilase alta |
**
Testes de função hepática
alterados
** Anemia, macrocítica ou megaloblástica
** Hiperlipoproteinemia tipo 4 ou 5
* Urina ou sangue positivo para drogas que alteram
o humor
* Hiperuricemia (7 a 12mg/100ml na maioria das
vezes; pode ser transiente)
* Testes de absorção do intestino
delgado anormais
* Hipofosfatemia ou hipomagnesemia
Desequilíbrio eletrolítico
Glicemia elevada ou baixa
Contagem de plaquetas ou células sangüíneas
baixa |
| ACHADOS
DE RAIO-X |
**
Calcificação pancreática
** Fraturas múltiplas de costela
** Pneumonia de aspiração |
* Hepatomegalia
* Esplenomegalia
* Vesícula não-opacificante |
0 a *
Sugestivos
** a *** Altamente Sugestivos
**** Diagnósticos
I.19.
Diagnóstico de Alcoolismo Crônico
I. Evidência
de síndrome de abstinência alcoólica
A. Tremores
B. Alucinose alcoólica
C. Convulsões
D. Delirium tremens
II. Evidência
de tolerância ao álcool
A. Ingesta de 200ml ou mais de uísque por dia
B. Ausência de evidência grosseira de intoxicação
com níveis sangüíneos de álcool
> 150mg/100ml
C. Nível de álcool no sangue ao acaso
> 300mg/100ml
D. Depuração acelerada de álcool
(> 25mg/100ml por hora)
III.
Fatores psicológicos
A. Ingesta contínua de álcool apesar de
forte contra-indicação
1. Ameaça de perder o emprego
2. Ameaça de perder o
cônjuge e/ou família
3. Contra-indicação
médica
B.Incapacidade
confessa de suspender o uso de álcool
IV. Presença
de distúrbios associados ao álcool
A. Gastrite erosiva com sangramento gastrintestinal
alto
B. Pancreatite, aguda e crônica, na ausência
de colelitíase
C. Hepatopatia alcoólica (fígado gorduroso,
hepatite alcoólica, cirrose)
D . Doenças do SNC causadas pelo álcool
1. Neuropatia periférica
2. Degeneração
cerebral
3. Síndrome de Wernicke-Korsakoff
4. Beribéri
5. Miopatia alcoólica
6. Miocardiopatia alcoólica
V. Critério
"CAGE"
A. C = Preocupado com a bebida (C = concerned)
B. A = Incomodado com perguntas sobre a bebida (A =
annoyed)
C. G = Culpado por beber (G = guilty)
D. E = Necessidade do "drink" da manhã
(E = eyed opener)
I.20. Conseqüências Clínicas
Importantes do Alcoolismo na Medicina de Urgência
•
Neurológicas e psiquiátricas
Coma, síndromes negativistas, síndrome
de Wernicke-Korsakoff, degeneração cerebelar,
encefalopatia hepática, lesões cerebrais
e hematoma subdural, depressão, ansiedade, distúrbios
do sono
• Gastrintestinais
Gastrite, esofagite, úlceras,
diarréia, pancreatite, hepatite, cirrose e suas
complicações (incluindo varizes esofágicas)
• Hematológicas
Anemias macrocíticas, trombocitopenia,
coagulopatias (devidas a função diminuída
da síntese hepática)
• Infecciosas
Risco elevado de pneumonia pneumocócica
ou por Klebsiella, tuberculose ou pneumonia por aspiração
• Cardiovasculares
Arritmias, miocardiopatia
• Metabólicas
Hipoglicemia, cetoacidose, hipomagnesiemia,
hipofosfatemia
I.21.
Algumas Indicações para Encaminhar o Alcoolista
em Abstinência no Departamento de Emergência
1. Hematêmese.
2 . Febre maior que 38, 1 °C.
3. Freqüência respiratória maior que
20, ou encurtamento da respiração.
4. Início súbito de dor torácica.
5. Freqüência cardíaca acima de 120
na ausência de tremores ou alucinações,
ou como parte de uma abstinência que não
melhora com a tranqüilização.
6. Uma convulsão que ocorra mais de uma vez ou
da qual o paciente não se recupera dentro de
15 minutos, ou uma convulsão
focal.
7. Calafrios.
8. Dor abdominal severa.
9. Vômitos prolongados.
10. Qualquer trauma que não seja pequeno.
11. Diminuição do nível de consciência,
em que o paciente não é despertável.
12. História de um recente traumatismo craniano
(dentro de três dias).
13. Alucinações recorrentes.
14. Agitação marcada que não responde
ao manejo verbal.
15. Delirium.
16. Depressão severa ou ideação
suicida.
17. Violência incontrolável.
I.22. Níveis
Séricos de Etanol e Sintomas
| Sintomas |
| Níveis
séricos de etanol (mg/dl) |
Etilistas
esporádicos |
Etilistas
crônicos |
| 50-100 |
Euforia
Sociabilidade
Descoordenação
|
Efeito mínimo
ou nenhum |
| 100-200 |
Fala arrastada
Ataxia
Humor lábil
Sonolência
Náuseas
|
Sobriedade ou descoordenação
Euforia
|
| 200-300 |
Letargia
Agressividade
Estupor
Fala incoerente
Vômitos
|
Alterações
emocionais e motoras leves |
| 300-400 |
Coma |
Sonolência |
| >500 |
Depressão
respiratória
Morte
|
Letargia
Estupor
Coma
|
I.23. Níveis Séricos do Álcool
e o Correspondente Achado Clínico
50 mg% - sensação de relaxamento
75 mg% - desinibição, euforia
100 mg% - alteração da capacidade de julgamento
125-150 mg% - indivíduo provocador e agressivo
ou deprimido
150-300 mg% - envolvimento do cerebelo e sistema límbico;
surge ataxia
Acima de 300 mg% - comprometimento bulbar com hipotermia,
hipotensão e depressão respiratória.
Há progressão do quadro, evoluindo para
estupor e coma.
I.24.
Interações Medicamentosas Significativas
com o Álcool
• Efeitos
sinérgicos depressores do sistema nervoso central
com benzodiazepínicos, barbitúricos e
outros sedativos- hipnóticos,
antipsicóticos, antidepressivos cíclicos
e opiáceos.
• Indução de enzimas hepáticas
reduzindo a eficácia da fenitoína, antidepressivos
tricíclicos, anti-coagulantes.
• Potencialização de efeitos hipoglicêmicos
de hipoglicemiantes orais e insulina.
• Produção de reação
tipo dissulfiram com metronidazol, griseofulvina e ocasionalmente
hipoglicemiantes orais.
I.25. Cetoacidose Alcoólica: Quadro Clínico
e Tratamento
A.
Quadro clínico: Ocasionalmente pacientes
alcoolistas podem apresentar-se com acidose metabólica
profunda e os sintomas resultantes desta. O diagnóstico
deve ser suspeito caso seja observada acidose com gap
aniôntico e hiperglicemia apenas modesta ou ausente
e ausência de evidência de outras ingestões
ou sepse. (Outras causas de acidose com gap aniôntico
incluem toxicidade de salicílicos; etilenoglicol,
ingestão de metanol ou paraldeído; acidose
lática, uremia e cetoacidose diabética.).
Cetonas urinárias e plasmáticas podem
estar presentes principalmente sob a forma de beta-hidroxibutirato
e, portanto, não são detectadas por exames
laboratoriais de rotina.
1. A síndrome ocorre nos casos de alcoolismo
crônico com desnutrição superposta.
2. Pode haver sintomas de abstinência superpostos.
3. Náuseas, vômitos e dores abdominais
freqüentes estão presentes. Uma amilase
deve ser checada para excluir pancreatite.
B.
Tratamento
1 . Da mesma forma que para alcoolistas desnutridos,
deve-se administra primeiramente 100mg EV de tiamina.
2. A administração EV de glicose suprimirá
a produção hepática de cetonas.
3. A correção cuidadosa da desidratação
e dos distúrbios eletrolíticos é
necessária.
4. Quando uma síndrome de abstinência estiver
superposta, ela deverá ser tratada.
I.26.
A Síndrome de Álcool-Antabuse: Quadro
Clínico e Tratamento
O dissulfiram
altera o metabolismo intermediário do álcool,
resultando em concentrações acentuadamente
elevadas de acetaldeído.
A.
Quadro clínico. Em 5-10 minutos após
a ingestão de álcool, ocorre eritema facial.
Isto é seguido por acentuada vasodilatação
sistêmica, com freqüência acompanhada
por uma cefaléia pulsante, náuseas, vômitos,
boca seca, sudorese, dor torácica, hipotensão
e até síncope. Com freqüência
há angústia respiratória, vertigem
e confusão. Mesmo nas reações leves,
as manifestações podem ter a duração
de várias horas. Nas reações graves,
pode haver arritmias, choque, convulsões e morte.
B.
Tratamento
1. Difenidramina 50 mg IM ou EV é sintomaticamente
útil.
2. A hipotensão deve ser tratada com soro EV.
Se houver presença de choque, geralmente responde
a vasopressores, como efedrina.
3. A insuficiência respiratória em geral
melhora com a administração de oxigênio.
4. As devem ser tratadas quando presentes; hipopotassemia
foi relatada e deve se corrigida.
I.27.
Intoxicação Alcoólica
•
A toxicidade do etanol está relacionada com a
dose, mas a tolerância varia muito entre os indivíduos.
• Níveis sangüíneos maiores
que 100 mg/dl definem, em termos legais, o estado de
intoxicação, com níveis de 200
mg/dl, os pacientes se encontram sonolentos
e confusos. Com níveis de 400 mg/dl há
com freqüência parada respiratória
com possibilidade de óbito.
• Os estudos laboratoriais devem incluir eletrólitos,
glicose, osnolalidade sérica e nível sangüíneo
do etanol.
• O tratamento deverá ser:
- sonda endotraqueal (se as condições
mentais dos pacientes estiverem gravemente deprimidas);
- Lavagem (o carvão não
é de utilidade);
- Hemodiálise (quando houver
ameaça à vida), e
- Administrar 50 ml de uma solução
de lextrose a 50%, EV, depois de 100 mg de tiamina (EV)
(no coma alcoólico).
I.28. Diagnóstico
Diferencial da Intoxicação Alcoólica
1. Intoxicação
por sedativos-hipnóticos.
2. Hipoglicemia.
3. Cetoacidose diabética.
4. Hematoma subdural; lesão cerebral.
5. Estados pós-ictais.
6. Encefalopatia hepática.
7. Encefalite.
8. Outras causas de ataxia (p. ex., esclerose múltipla,
distúrbio neurodegenerativo).
I.29.
Intoxicação Patológica (Idiossincrática)
Causada pelo Álcool
• Caracteriza-se
por intensas mudanças de comportamento e agressividade
após a ingestão de uma quantidade particularmente
pequena de álcool.
• O curso
é breve, com remissão em algumas horas.
Os "blackouts" são comuns.
• Lesão cerebral pré-existente,
doença debilitante crônica e idade avançada
predispõem ao quadro.
• O diagnóstico diferencial inclui intoxicação
"não-patológica" pelo álcool
e intoxicação por outras substâncias
como benzodiazepínicos ou cocaína.
• A internação é geralmente
necessária pelo risco de auto ou heteroagressividade.
• Utiliza-se benzodiazepínicos ou haloperidol
para diminuir o quadro de agitações psicomotoras.
I.30.
Diagnóstico Diferencial da Alteração
Mental em Paciente que “Cheira Álcool”
1. Traumáticas
Hemorragia intracraniana
Hipotensão secundária
à hemorragia
2. Metabólicas
Hipoglicemia
Encefalopatia hepática
Hipoxia
3.Toxicológicas
Outros álcoois
Outras toxinas
Dissulfiram
Reação dissulfiram-etanol
4. Infecciosas
Meningite, meningoencefalite
Abcesso cerebral
Sépsis
5. Neurológicas
Estado pós-ictal
Abstinência alcoólica
Síndrome de Wernicke-Korsakoff
I.31. Diagnóstico
Diferencial Entre as Diversas Intoxicações
Exógenas
| Tipo |
Estado |
Convulsão |
Pupilas |
Saliva |
Respiração |
Pulso |
PA |
Diarréia |
Pele |
Álcool |
Deprimido |
Não |
Dilatadas |
Seca |
Aumentada |
Aumentado |
Baixa |
Não |
Rubor |
Anticolinérgicos |
Excitado |
Às
vezes |
Dilatadas |
Seca |
Aumentada |
Diminuída |
Alta |
Não |
Rubor |
Colinérgicos |
Excitado |
Raro |
Contraída |
Aumentada |
Diminuída |
Diminuída |
Baixa |
Sim |
Rubor |
Tranqüilizantes
tipo barbitútico |
Deprimido |
Incomum |
Nistagmo |
S/alteração |
Muito
diminuída |
Aumentada |
Baixa |
Sim |
- |
Tranqüilizante
não-barbitúrico |
Deprimido |
Incomum |
S/alteração |
S/alteração |
Diminuída |
Aumentada |
Baixa |
Não |
- |
Fenotiazínico |
Deprimido |
Às
vezes |
Contraída |
Seca |
Diminuída |
Aumentado |
Baixa |
Não |
Rubor |
Salicilatos |
Deprimido |
Às
vezes |
S/alteração |
S/alteração |
Aumentada |
Aumentada |
Baixa |
Sim |
- |
Narcóticos |
Deprimido |
Incomum |
Contraída |
Seca |
Diminuída |
Aumentada |
Baixa |
Não |
- |
Monóxido
de Carbono |
Deprimido |
Às
vezes |
S/alteração |
S/alteração |
Aumentada |
Aumentado |
Baixa |
Não |
Avermelhada |
Agentes
Neuro-musculares |
S/alteração |
Não |
S/alteração |
S/alteração |
Muito
diminuída |
Aumentado |
Baixa |
Sim |
- |
Digitálicos |
Deprimido |
Raro |
S/alteração |
S/alteração |
S/alteração |
Diminuído |
Baixa |
Sim |
- |
Anfetaminas |
Excitado |
Não |
Dilatadas |
Seca |
Aumentada |
Aumentado |
Alta |
Não |
Rubor |
Cianeto |
Deprimido |
Comum |
S/alteração |
S/alteração |
Diminuída |
Aumentado |
Baixa |
Sim |
Cianose |
I.32.
Dano Hepático Álcool-Induzido
Embora as evidências atuais sugiram que o álcool
exerce um efeito tóxico direto no fígado,
somente 10 a 20% dos alcoolistas crônicos desenvolvem
um dano significativo nesse órgão.
Fatores adicionais (por exemplo, genéticos,
nutricionais, ambientais) podem ser importantes na
patogênese da doença alcoólica
hepática.
Fígado adiposo é a anormalidade observada
mais comumente nos alcoolistas crônicos. Os
pacientes são assintomáticos, pode detectar-se
hepatomegalia e anormalidades brandas na enzima do
fígado. Acredita-se que a enfermidade seja
reversível se houver interrupção
da ingestão de álcool.
Hepatite alcoólica pode ser subclínica
ou grave suficiente para conduzir a uma insuficiência
hepática rápida e à morte. Necessita-se
para o diagnóstico definitivo de uma biópsia
do fígado.
Cirrose alcoólica ou de Laennec e a causa mais
comum da cirrose. O diagnóstico pode ser realizado
somente através da biópsia do fígado.
I.33. Espectro da Hepatopatia Alcoólica
I.
Fígado gorduroso alcoólico
A. Vacúolos citoplasmáticos claros
B. Núcleo celular excêntrico
II.
Hepatite alcoólica
A. Infiltração polimorfonuclear
B. Hialina alcoólica
C. Necrose hialina central e esclerose de veia central
D. Gordura e/ou fibrose pode estar presente
III.
Cirrose alcoólica
A. Distorção da arquitetura lobular
B. Septo fibroso envolvendo zonas portais e centrais
IV.
Alterações secundárias
A. Colestase
B. Proliferação do ducto biliar
C. Siderose
D. Gordura
I.34. Características
e Histológicas da Hepatite Alcoólica
I.
Características clínicas
A. Considerações
gerais: espectro de achados clínicos variando
desde a ausência de sintomas até hepatopatia
descompensada, com hepatoesplenomegalia,
icterícia, ascite, azotemia e encefalopatia
B. Sintomas: anorexia, fraqueza, dor abdominal, perda
de peso, febre
C. Sinais: icterícia, estigmas periféricos
de hepatopatia crônica, hepatomegalia, esplenomegalia,
ascite, edema, sinais de encefalopatia
hepática
D. Testes laboratoriais: VCM,
leucócitos,
TGO,
edema, TGO: TGP (AST:ALT) > 3:1, bilirrubina,
leucócitos albumina, tempo
de protrombina aumentado
E. Características histológicas da hepatite
alcoólica
1. Critérios absolutos
a.
Necrose hepatonuclear
b.
Infiltração polimorfonuclear do fígado
2. Critérios geralmente
aceitos
a.
Hialina alcoólica de Mallory
3. Freqüentemente presentes,
mas não necessários para o diagnóstico
a.
Infiltração gordurosa do fígado
b.
Fibrose
c.
Cirrose
F. Diagnóstico
de hepatite alcoólica
1. História de ingesta
excessiva de álcool
2. Biópsia hepática
mostrando alterações de hepatite alcoólica
3. Laboratório: VCM,
TGO,
gama
GT, TGO:
TGP
G. Indicadores
de mau prognóstico
1. Bilirrubina sérica
> 20 mg/dl
2. Uréia > 25 mg/dl
sem causa aparente
3. Encefalopatia hepática
4. Tempo de protrombina >
6 segundos comparado com os controles
I.35.
Hepatite Alcoólica: Quadro Clínico e
Prognóstico
•
É uma seqüela grave do alcoolismo, pois
pode resultar em insuficiência hepática
ou alcoólica.
• A lesão patológica é
extremamente grave nas áreas centrais e consiste
de necrose hepatocelular e da tríade (1) hialina
alcoólica, (2) infiltração
por leucócitos polino fonucleares e (3) maior
quantidade de tecido conjuntivo intralobular no espaço
de Disse e esclerose das veias hepáticas terminais
(centrais).
• As características clínicas
da hepatite alcoólica variam desde a ausência
de sintonia até a insuficiência hepática.
Os pacientes queixam-se de anorexia,
náuseas, vômitos, dor abdominal e perda
de peso. Ascite, icterícia, febre, escplenomegalia
e encefalopatia são comuns, porém sua
presença não é invariável.
• Os principais achados laboratoriais são:
A AST está elevada com freqüência,
a ALT pode ser normal. A hiperbilirrubinemia é
comum (60 a 90%) na hepatite alcoólica e pode
ser acentuada (20 a 30 mg/dl). A fosfatase alcalina
costuma estar elevada para menor
de três vezes o valor normal. O prolongamento
do tempo de protrombina, a hipoalbuminemia e a hiperglobulinemia
devem estar presentes. Com bastante freqüência
a contagem de leocócitos está elevada
e pode ultrapassar 30000 por milímetro
cúbico.
• O prognóstico é muito pior que
para aqueles com degeneração gordurosa
do fígado. Alguns pacientes que para de beber
apresentam resolução
completa da lesão. Entretanto, na maioria dos
pacientes a hepatite alcoólica persiste, progride
para a fibrose difusa ou cirrose,
ou acaba em insuficiência hepática e
morte.
I.36. Cirrose Alcoólica: Quadro Clínico
e Prognóstico
•
É uma doença assintomática em
10 a 20% dos pacientes, ms que comumente está
presente em associação com hepatite
alcoólica e os sinais de lesão
hepática aguda, que podem dominar o quadro
clínico.
• O fígado pode ser volumoso ou pequeno
e apresenta habitualmente uma consistência dura.
• Os pacientes podem ter: ascite, angiomas aracneiformes,
eritema palmar, aumento das parótidas, atrofia
testicular, ginecomastia (homens),
irregularidades mentruais (mulheres) e desgaste muscular.
• As anormalidades laboratoriais presentes nos
pacientes com cirrose são semelhantes às
da hepatite alcoólica.
• O prognóstico depende de duas características:
presença de complicações e abuso
persistente de álcool.
I.37. Hepatopatia
Alcoólica e Reservas de Ferro
•
Os alcoólatras com hepatopatia crônica
podem apresentar aumento das reservas teciduais de
ferro.
• Um grupo dos pacientes exibe aumento discreto
a moderado do ferro hepático corável
mas com reservas de ferro corporal relativamente
normais, sem hemocromatose.
• Um segundo grupo de pacientes com hepatopatia
alcoólica apresenta aumento significativo do
ferro hepático, com deposição
maciça nos depósitos orgânicos
de ferro, bem como em geral manifestam hemocromatose
genética com ou sem hepatopatia
alcoólica superposta.
• A hemocromatose num alcoólatra inveterado
pode ser distinguida da hepatopatia alcoólica
de duas maneiras:
1. determinação da
concentração hepática de ferro;
2. estudo dos parentes, à
procura de qualquer evidência da doença.
I.38. Problemas Comuns no Paciente Cirrótico
| DISFUNÇÃO
HEPÁTICA
|
INDICATIVOS
H & P
|
EFEITOS
PERIOPERATÓRIOS
OU COMPLICAÇÕES
|
| Metabolismo de
drogas |
Não específicos |
Sensibilidade
aos narcóticos, supersedação
respiratória |
| Síntese
protéica |
Angioma aracnóide
Petéquias
Equimoses
Alterações no sensório
|
Anormalidades
na coagulação-sangramento
Redução dos fatores I, II, V, VII,
VIII, IX, X, XI, XII
Trombocitopenia
Exacerbação da encefalopatia, delirium
tremens (com abstinência de ETOH), convulsoões |
| |
Ascite
Edema
|
Retenção
de fluidos/comprometimento respiratório
Sepse intraperitonial, mudanças potenciais
no volume intravascular, anormalidades eletrolíticas
potenciais |
| Nutrição
geral |
Perda de peso
(ou ganho de peso com ascite), anemia atrofia
muscular, febre, fraqueza
Náusea, anorexia, edema
|
Deficiência
de vitaminas (A, Bs, D, K): má cicatrização
de tecidos, metabolismo pobre da glicose, síndrome
de Wernicke
Magnésio, fósforo: anormalidades
metabólicas múltiplas, arritmias
imunocompetência reduzida, infecção |
I.39.
Álcool e Sistema Endócrino
•
Pseudo-Síndrome de Cushing
A presença de fácies em
lua, obesidade de tronco e debilidade muscular proximal
são comuns em alcoólicos crônicos.
Alguns podem ter uma síndrome indistinguível
da verdadeira Síndrome de Cushing, incluindo
a presença de giba de búfalo, estrias
abdominais, equimoses fáceis, hipertensão
e osteoporose com colapso vertebral. Bioquimicamente,
esta síndrome pode ser indistinguível
da verdadeira Síndrome de Cushing. Entretanto,
em contraste com a síndrome verdadeira, a pseudo-síndrome
de Cushing desaparece dentro de dias ou semanas após
a interrupção da ingestão alcoólica.
•
Hipogonadismo
É freqüentemente encontrado
à anamnese e ao exame físico, mas constitui
raramente o emblema de apresentação
dos alcoólicos crônicos.
A perda da libido e a reduzida atividade sexual ocorrem
em alcoólicos do sexo masculino com mínimas
lesões hepáticas, assim
como aqueles com cirrose já bem desenvolvida.
A atrofia testicular tem sido relatada em alcoólicos
sem doença hepática e numa maior porcentagem
daqueles com cirrose alcoólica. Evidências
sugerem que o hipogonadismo no homem pode
ser resultante de (1) um efeito tóxico direto
do álcool com a gônada incapaz de manter
os níveis normais de testosterona
plasmática; (2) a influência do álcool
sobre o eixo hipotálamo-hipofisário,
produzindo queda nos níveis de
hormônio luteinizante e (3) alterações
no metabolismo periférico da testosterona,
provavelmente como resultado da lesão
hepática. Se o grau de hipogonadismo parece
excessivo para o grau de lesão hepática,
a hemocromatose deve ser considerada.
•
Hiperestrogenismo (Feminilização)
O hiperestrogenismo pode ser manifestado
por ginecomastia, spiders vasculares e alterações
na distribuição de pêlos e gordura
corpóreos. A ginecomastia tem sido relatada
em alcoólicos independentes de doença
hepática. Os três principais estrógenos
encontrados no plasma de homens normais – estrona,
estradiol – são derivados da secreção
direta pelos testículos e glândula
adrenal e pela conversão periférica
de testosterona e androstenediona. Estudos de clearence
metabólico sugerem que uma aumentada
produção de estrógeno tanto pelas
adrenais quanto pelos testículos em adição
a uma aumentada conversão periférica
de androstenediona e teststerona a estrógeno
ocorrem na doença hepática crônica.
As alterações no metabolismo
hormonal periférico podem relacionar-se a alterações
nos sistemas microssomais enzimáticos
em resposta à lesão hepática.
Deve ser observado que os sinais clínicos
de hipogonadismo e feminilização podem
ser vistos em homens com cirrose não alcoólica,
embora sejam estas condições mais comuns
em cirróticos alcoólicos do que não-alcoólicos.
I.40. Hipoglicemis e Abuso de Álcool
•
O abuso de álcool provavelmente provoca hipoglicemia
com mais freqüência que qualquer outra
causa.
• A ingestão de etanol pode provocar
hipoglicemia pós-prandial em pessoas normais
bem nutridas que se ocupam de beber “socialmente”.
• A hipoglicemia de jejum relacionada à
ingestão de etanol ocorre em usuários
crônicos de álcool, em especial desnutridos.
• A situação que mais provavelmente
provoca hipoglicemia é a interrupção
da ingesta alimentar e a ingesta continuada de álcool
seguindo-se por mais de 10 a 20 horas.
• O álcool só induz hipoglicemia
depois de um período de jejum suficiente para
esgotar as reservas hepáticas de glicogênio.
• Não há necessidade de grandes
quantidades de etanol para produzir hipoglicemia.
• O álcool inclui-se entre os três
agentes farmacológicos mais comuns que causam
hipoglicemia além da insulina e as sulfoniluréias.
I.41. Influência do Álcool sobre
a Nutrição Geral
O
estado nutricional do alcoólico pode virar
amplamente, desde os indivíduos bem nutridos
aos grupos sócio-econômicos elevados
até aqueles mal-nutridos abandonados nas ruas,
que vivem quase que exclusivamente do álcool,
com suas sete quilocalorias (29, 4 kJ) por grama,
como única fonte energética. Esta “pobre”
ingestão calórica não contribui
para a nutrição, mas apenas para um
suprimento energético. Nesta última
situação, outras deficiências
nutricionais, particularmente de ácido fólico
e tiamina, ocorrem rapidamente e resultam em distúrbios
como aqueles mencionados acima. Níveis circulantes
sanguíneos baixos, com ou sem manifestações
clínicas de doença, são observados
também para piridoxina, ácido nicotínico,
vitaminas A, D e E solúveis em gordura, cálcio,
fósforo inorgânico, magnésio e
zinco. Embora uma alta porcentagem de indivíduos
alcoólicos com baixos níveis vitamínicos
não apresente estigmas clínicos de deficiência,
em muitos alcoólicos a má-nutrição
concomitante pode resultar na presença de outros
distúrbios e indubitavelmente é importante
na influência extensão e capacidade para
o reparo de lesões orgânicas. Acredita-se
que exista uma variação na ingestão
alcoólica que é tolerada sem que haja
lesão hepática, desde que sob condições
nutricionais ideais. Entretanto, também é
aceito que haja um limiar de toxicidade para o álcool,
além do qual nenhuma proteção
é fornecida pela manipulação
nutricional. Além da insuficiência cardíaca
congestiva hipodinâmica (descrita anteriormente)
como resultado direto da toxicidade do álcool
ou do acetaldeído, acredita-se que a deficiência
isolada de tiamina possa produzir uma insuficiência
cardíaca hiperdinâmica. Em alguns alcoólicos
as duas condições podem coexistir. Enquanto
a deficiência de ácido fólico
nos alcoólicos resulta em uma anemia megaloblástica
e a deficiência de piridoxina em uma anemia
sideroblástica, o efeito tóxico do álcool
pode causar trombocitopenia e prejuízo na capacidade
de combate à infecção.
I.42. Alcoolismo
e Deficiências Nutricionais
•
Os vários estados deficitários envolvidos
numa dieta composta basicamente por calorias alcoólicas,
vazias do ponto de vista nutricional,
bem como as ações tóxicas diretas
do álcool propriamente têm sido implicados
na patogênese de muitas conseqüências
clínicas do alcoolismo.
• As deficiências nutricionais podem ser
conseqüências das complicações
clínicas do alcoolismo no aparelho digestivo:
gastrite, esteatose hepática,
hepatite e pancreatites.
• Alcoólatras freqüentemente apresentam
anemia por carência de vitaminas do complexo
B, ácido fólico ou ferro.
• Carência de vitaminas e os efeitos diretos
do álcool sobre o sistema nervoso causam diversos
problemas neurológicos: polineuropatia
periférica, convulsões, atrofia cortical
e cerebelar, etc.
• Os alcoólatras quase sempre apresentam
uma ingestão insuficiente de ácido fólico
da dieta e comprometimento da utilização
de folatos.
• Os alcoólatras apresentam um aumento
das reservas de ferro mas pode haver deficiência
do metal após sangramentos digestivos
prolongados.
• Pode ocorrer rabdomiólise em alcoólatras
crônicos que se tornam hipofosfatêmicos
durante a abstinência de álcool. A evidência
de lesão das células musculares tem
precedido o desenvolvimento da hipofosfatemia.
• Muitas vezes toda sintomatologia do alcoólatra
está associada a uma pobre ingesta alimentar
e na terapia do alcoolismo recomenda-se
refeições regulares e bem balanceadas.
I.43. Fatores que Contribuem para a Desnutrição
nos Alcoólatras
1.
O álcool pode substituir o alimento na dieta
de grandes e moderados alcoólatras. Para consumidores
amenos, o álcool é normalmente
uma fonte adicional de energia. Embora 20oz (1 oz
= 28,41 mL) de uma bebida grau 86 forneça 1.500Kcal,
ou cerca de 50 a 75% da necessidade
energética diária, não contém
proteínas, vitaminas ou minerais. Além
disso, apesar do álcool
fornecer 7kcal/g de energia, sua eficiência
energética não é comparável
a qualquer outro nutriente.
2. Por causar inflamação do estômago,
pâncreas e intestino, o consumo de álcool
leva à mal-absorção de nutrientes,
particularmente a tiamina,
vitamina B, ácido fólico e ácido
ascórbico. A síndrome de Wernicke-Korsakoff
da deficiência de tiamina
torna-se comum.
3. O álcool e seu produto metabólico,
o acetaldeído, exercem um efeito hepatotóxico
direto que interfere no metabolismo e na
ativação das vitaminas A, D, B6 e folato
pelas células hepáticas.
4. O metabolismo do álcool aumenta a necessidade
de certos nutrientes, em particular as vitaminas B
e magnésio. A relação
alcoolismo-desnutrição é um ciclo
vicioso, com a desnutrição inicialmente
provocada pelo álcool, potencioalizando os
efeitos hepatotóxicos do álcool.
I.44. Álcool e Lipídios
•
A ingestão de álcool tende a aumentar
a síntese hepática de hipoproteínas.
• Uma leve ingestão de álcool
aumenta os níveis de triglicerideos VLDL e
HDL. Colesterol.
• Num subgrupo, a ingestão de etanol
produz regularmente dislipidemia maciça e clinicamente
significativa, com elevações das
VLDL e das quilomicrons (tipo 5 – Classificações
de Frederickson).
• A descontinuação de ingesta
crônica de álcool pode normalizar o perfil
lipoprotéico em muitos indivíduos com
dislipidemia (secundária).
I.45. Doenças Cardíacas Relacionadas
ao Álcool
O
álcool pode causar lesão miocárdica
através de quatro mecanismos diferentes:
1 – Deficiências nutricionais associadas
• Beribéri
cardíaco
2 – Efeitos tóxicos devido aos aditivos
como o cobata (cerveja) ou contaminação
pelo chumbo (bebidas destiladas).
3 – Efeito tóxico direto
• Agudos
• Crônicos
4 – Cardiopatia hipertensiva álcool-induzida.
I.46. Álcool e Coração
•
Doença Leve Compensada
Alcoólicos podem sofrer de aguda
disfunção ventricular (como documentado
por intervalos de tempo sistólico, um índice
direto de contração ventricular)
semelhante àquela produzida pela aguda ingestão
de uma simples dose de álcool em indivíduos
normais. Evidência de cardiotoxicidade alcoólica
pode ser facilmente desconsiderada. Os indivíduos
podem apresentar um episódio isolado
de fibrilação atrial, fadiga inespecífica
ou vago desconforto torácico. Estes indivíduos
podem ter um exame físico normal,
assim como exames radiológicos e eletrocardiográfico
normais (EEG). A ecocardiografia pode
ser requerida para a demonstração de
um prejuízo da função cardíaca.
Neste estágio, a interrupção
do consumo de álcool reverte quaisquer
anormalidades.
•
Cardiomiopatia
Indivíduos que apresentam
cardiomiopatia induzida pelo álcool podem ser
inicialmente observados por um leve aumento do
coração à radiologia devido a
manifestação de insuficiência
cardíaca patente. Os achados físicos
da cardiomiopatia alcoólica
não são claramente diferentes daqueles
observados em paciente com cardiomiopatia de etiologia
indeterminada. A presença
de sinais físicos de outros distúrbios
orgânicos pode ser a única evidência
de que a cardiomiopatia é provavelmente
relacionada ao consumo de álcool.
I.47. Miocardiopatia Alcoólica (MA)
•
A miocardiopatia alcoólica constitui a principal
forma de miocardiopatia dilatada secundária
no mundo ocidental;
• Embora possa haver deficiência de tiamina
em alguns dos pacientes, a MA encontra-se associada
a um baixo débito cardíaco
e vasoconstrição sistêmica.
• Uma outra forma de apresentação
da MA consiste em taquiarritmias supreventriculares
ou ventriculares recidivantes e que
pode ocorrer na ausência de insuficiência
cardíaca franca.
• Alguns pacientes desenvolvem HVE, talvez relacionada
à hipertensão sistêmica concomitante.
• Pode detectar-se insuficiência cardíaca
diastólica com desencadeamento de sintomas
de congestão pulmonar.
• A interrupção do consumo de
álcool antes do desenvolvimento de insuficiência
cardíaca grave pode deter a progressão
ou até mesmo reverter o fluxo dessa
doença, ao contrário da variedade idiopática,
que se caracteriza por uma deterioração
progressiva.
• Os alcoólatras, com ICC avançada
possuem diagnóstico sombrio, sobretudo se continuam
a beber, menos de 25% sobrevivem por 3
anos.
• O aspecto fundamental do tratamento da miocardiopatia
alcoólica é a abstinência total
ou permanente.
I.48. Álcool e Hipertensão
Deve-se
limitar a ingesta de álcool para 2 onças/dia
(1 onça = 28,3g), em alcoolistas sociais e
tratar o alcoolismo como uma modalidade primária
de tratamento de hipertensão em alcoolistas.
Hipertensão está se tornando uma manifestação
reconhecida com maior freqüência no alcoolismo,
sendo encontrada em cerca de um terço de alcoolistas
ativos.
A eliminação do uso excessivo de álcool
pode ser a causa reversível mais comum da hipertensão.
Desde que o paciente entra em remissão após
uma semana de abstinência ele torna-se normotenso
durante este período.
É importante pesquisar história de alcoolismo
em um paciente que tinha hipertensão previamente
controlada.
Após os fins de semana os pacientes alcoolistas
que consultam podem apresentar instabilidade no controle
da pressão arterial.
I.49. Aspectos Hematológicos do Alcoolismo
- Anemias
• A anemia do
alcoólatra pode ser de causa multifatorial:
1 – supressão direta da eritropoese pelo
álcool, 2 – ingestão insuficiente
de ácido fólico, 3 – comprometimento
da utilização do folato, 4 – hemorragias
digestivas, 5 – anemia hemolítica
(rara), 6 – defeito adquirido na derivação
de hexose – monofosfato dos eritrócitos.
• Nos alcoólatras
a medula óssea quase sempre revela a presença
de vacúolos no citoplasma dos precursores eritróides
e
leucocitários. Além disso, pode-se observar
sideroblasto em anel, sobretudo em pacientes desnutridos.
• Devido à
dieta pobre, o alcoolista, com freqüência,
tem deficiência de ácido fólico.
- Distúrbios das plaquetas
• Não é
raro que alcoólatras desenvolvam trombocitopenia
moderada depois de um grande excesso alcoólico.
• O álcool
danifica a membrana das plaquetas, causando sua destruição
prematura, e inibe o aumento compensatório
em
produção plaquetária pelos megacariócitos
da medula.
• Cessada a ingestão
alcoólica, a contagem das plaquetas retorna
ao normal em quatro a cinco dias, pode haver trombocitose
passageira.
• Os alcoolistas
crônicos, com cirrose e hipertensão porta,
podem ter trombocitogenia devido a sequestração
aumentada
no baço.
I.50. Causas de Anemia em Alcoólatras
Toxicidade primária
do álcool à medula óssea
Células eritróides vacuoladas na
medula
Eritropoiese megaloblástica pela deficiência
de folato
Deficiência de ferro pela hemorragia
Anemia sideroblástica
|
Anemia hemolítica
Hiperesplenismo
Anemia com poiquilocitose
Hemólise transitória com hiperlipemia
(síndrome de Zieve)
Hipofosfatemia |
I.51. Síndromes Mentais e Sintomas Neurológicos
Causados pelo Álcool
•
Alucinose alcoólica;
• Endefalopatia metabólica;
• Delirium Tremens;
• Tremores;
• Vertigem;
• Traumatismo craniano;
As
quedas e acidentes comuns aos alcoólatras predispõem
a traumatismo craniano e complicações
como hematomas subdurais.
•
Polineuropatias periféricas;
• Convulsões;
• Enxaqueca;
• Atrofia cortical e cerebelar;
• Síndrome de Wernicke-Korsakoff;
• Demências.
I.52. Demência Associada ao Uso Crônico
de Álcool
•
Instala-se após ingestão prolongada
de grandes quantidades de álcool;
•
Não apresenta características específicas
e seu diagnóstico requer a exclusão
de outras causas de demência e não deve
ser firmado antes de três semanas de abstinência.
•
Apresenta uma tendência a maior prejuízo
de funções não verbais.
•
É importante salientar que o alcoolismo crônico
pode ocorrer no idoso.
•
É a terceira causa mais comum de distúrbio
mental no homem idoso (freqüentemente não-diagnosticado).
•
Uma estimativa diz que 70% dos alcoólatras
que bebem ativamente terão prejuízos
cognitivos, medidos nos testes psicológicos.
•
Quando um prejuízo intelectual mais generalizado
se desenvolve após anos de beber intenso, o
diagnostico de demência associada ao alcoolismo
é apropriado.
•
Todos os alcoolistas com qualquer sinal de demência
devem ser tratados com altas doses de tiamina (100
mg/dia) e multivitaminas a longo prazo.
I.53. Principais
Componentes da Síndrome de Abstinência
Alcoólica
| 1.
Hiperexcitabilidade cortical |
|
| Tremores |
Hiperpnéia |
| Insônia |
Hiperacuidade
sensorial |
| Irritabilidade |
Alucinações |
| Ansiedade |
Redução
de limiar
Convulsivógeno |
| Hiper-reflexia |
Confusão
mental |
2.
Hiperexcitabilidade adrenérgica
Hipertensão arterial ou labilidade
da PA
Taquiarritmias
Sudorese
Tremores
3.
Doenças e condições precipitantes
ou potencialmente associadas
Infecções
Sepses
Pneumonias
Artrite sépticas |
Meningites
Infecções cutânes
Peritonites bacterianas espontâneas |
Traumas:
Hematoma subdural
Fratura de costelas
Trauma abdominal fechado
Outros distúrbios do SNC:
Wernicke-Korsakoff
Demência alcoólica
Degeneração cerebelar
Mielinose pontina
Acidente vascular cerebral
Fígado e pâncreas:
Encefalopatia hepática
Pancreatite (manifestação
agudas)
I.54. Quadros Clínicos na Síndrome
de Retirada de Álcool
1.
Estado tremulante (retirada precoce de álcool)
2. Alucinose
3. Convulsões
4. Delirium tremens
I.55. Classificação,
Quadro Clínico e Abordagem da Síndrome
de Privação do Álcool
| Classificação |
Quadro
Clínico |
Abordagem |
| Leve |
Nervosismo; insônia;
tremor; sudorese; palpitações |
Observações;
contato tranqüilizador com o médico
e equipe; uso raro de tranqüilizantes menores;
estimular hidratação oral |
| Moderada |
Intensificação
dos sintomas de disfunção autonômica
(ver antes) mais náuseas; vômitos
e diarréia |
Contato tranqüilizador;
considerar internação em hospital
geral; uso de antiemético; tranqüilizantes
menores e hidratação parenteral |
Grave
Delirium tremens
|
Obnubilação;
desorientação; alucinações,
tremor e sodorese intensos; febre |
Internação
em hospital geral; considerar UTI; tranqüilizantes
menores; sulfato de magnésio, cuidados
intensivos |
| Convulsão |
Uma convulsão
isolada |
Observar ou tratar,
se necessário anticonvulsivantes não
indicados |
| |
Convulsões
repetidas |
Tratar cada episódio
com diazepam EV ou fenobarbital IM |
| |
Convulsões
com sintomas focais |
Tratar como acima
e investigar a causa - não é relacionada
à DAS |
| Alucinose |
Alucinações
auditivas abundantes; ansiedade; pânico |
Internação,
se possível, em hospital psiquiátrico;
proteção e contato tranqüilizador
com equipe; considerar antipsicóticos |
I.56. Fatores que Desencadeiam Abstinência
Alcoólica
1.
Doenças intercorrentes, principalmente gastrite
com vômitos.
2. Intervenções médicas, principalmente
internação hospitalar devido a doença
não correlata.
3. Falta de dinheiro para comprar álcool.
4. Uma tentativa consciente de reduzir ou parar a
ingestão de álcool.
I.57. Manifestações
Clínicas e Tratamento de Síndrome de
Wernicke-Korsakoff
É
causada por deficiência de tiamina. Ocorre mais
comumente em alcoolistas com deficiência nutricional,
mas em certas ocasiões também em pacientes
não alcoolistas. A fase aguda da síndrome,
que freqüentemente tem início abrupto,
é denominada encefalopatia de Wernicke.
A. Manifestações clínicas agudas.
Qualquer das seguintes pode aparecer inicialmente.
1.
Achados oculares. Uma ou mais das seguintes características
podem estar presentes:
a.
Nistagmo (horizontal e vertical)
b.
Debilidade ou paralisia dos músculos retos
externos.
c.
Debilidade ou paralisia do olhar conjugado.
2.
Ataxia da marcha
3.
Alterações do estado mental
a.O
mais comum é um estado confusional global;
sintomas precoces incluem inquietação,
desatenção, distúrbio da concentração
e a incapacidade de manter um diálogo.
b.Sonolência
é comum, mas torpor e coma são raros.
c.A
síndrome de Korsakoff de amnésia anterógrada
e retrógrada está ocasionalmente presente
como única manifestação
da síndrome de Wernicke-Korsakoff.
d.A
alguns pacientes terão uma síndrome
de abstinência alcoólica superposta.
B. A psicose de Korsakoff é caracterizada por
uma capacidade acentuada de aprender novas informações.
Além disso, há sempre
algum de amnésia retrógrada. A confabulação
está em geral, mas não invariavelmente,
presente no início e comumente
ausente na fase crônica da doença. Uma
vez ocorrida psicose de Korsakoff, o prognóstico
de recuperação é reservado,
com apenas 20% dos pacientes obtendo melhora substancial.
C. O tratamento consiste em dieta adequada com
suplementação de tiamina (100 mg diariamente)
as manifestações oculares
geralmente respondem mais prontamente, embora com
freqüência os pacientes se tornem mais
alertas e atentos. A administração
de carboidratos ( incluindo dextrose em soluções
EV) antes da reposição adequada de tiamina
provavelmente agrava o quadro
clínico. Portanto, é prudente administrar
a todos os pacientes potencialmente alcoolistas
ou com deficiência nutricional tiamina 100 mg
antes de iniciar outros tratamentos.
I .58 Sintomas da Síndrome de Wernicke –
Korsakoff
Oculares
Nistagno horizontal/vertical
Paralisia do olhar conjugado
Paralisia do músculo reto externo
|
Estado
mental alterado Síndrome
de abstinência
Confusão global( apatia, sem atenção,
fala arrastada, irracionalidade)
Psicose amnésica de Korsakoff
. Amnésia anterógrada ( dificuldade
no aprendizado de novas idéias)
. Distúrbio da memória passada
(confabulação)
|
| Ataxia
Marcha
e ortotastismo afetados
Não pode caminhar sem auxílio
|
I .59. Manifestações Clínicas
e Tratamentos do Delirium Tremens
É
um termo melhor utilizado para síndrome grave,
de início tardio, que ocorre em uma pequena
minoria de pacientes. Apesar de tratamento ideal,
o Delirium Tremens resulta em mortalidade em 5-10%
dos casos.
1.
Manifestações clínicas. Mais
freqüentemente não há evolução
regular dos sintomas iniciais mais leves até
Delirium tremens. A síndrome
pode ocorrer em 24-72 horas de abstinência.
Em 90% dos pacientes que desenvolvem Delirium Tremens,
ela tem início em sete dias. A síndrome
caracteriza-se por hiperatividade simpática
acentuada, febre, alucinose,
ansiedade intensa e agitação, confusão,
estado psíquico flutuante, inquietação
motora e agressividade.
2.
Óbito pode resultar de depleção
do volume, desequilíbrio eletrolítico,
infecção ou arritmias cardíacas.
Se não forem tomadas
precauções adequadas para conter os
pacientes, a morte pode também resultar de
suicídio ( p.ex., na fuga de uma
alucinação assustadora)
3. Tratamento
a)
Um ambiente de cuidados intensivos é preferível
devido á necessidade de monitoração
freqüente dos sinais vitais e dos eletrólitos
e vigorosa reposição hídrica.
b) Dextrose e soro EV devem ser administrados em velocidade
adequada para repor as perdas hídricas ( que
provavelmente serão
elevadas em pacientes febris agitados) e manter a
pressão arterial. Em casos de colapso circulatório,
pode haver necessidade de
vasopressores.
c) A hipertermia deve ser tratada de forma agressiva
com acetaminofen 650mg VO a cada quatro horas para
temperaturas acima de 38,3C e com
cobertores refrigerados para temperaturas superiores
a 40C.
I .60. Características das Convulsões
por Abstinência Alcoólica
. Ocorrem
12-48 horas após a interrupção
do consumo
. São convulsões motoras generalizadas.
. Respondem bem a benzodiazepínicos orais ou
endovenosos.
. É importante lembrar que doenças neurológicas
e sistêmicas, que se manifestam por convulsões,
incluindo traumatismo craniano,
meningite e anormalidades metabólicas, são
comuns em etilistas e, assim, sempre devem ser consideradas.
. Tem-se mostrado que a fenitoína numa dose
de 300mg por dia, por cinco dias, pode prevenir a
maioria das convulsões por abstinência,
embora níveis terapêuticos não
cheguem ao pico inicialmente. Este regime, portanto,
deve ser incluído na desintoxicação
ambulatorial de qualquer paciente com histórias
de crises convulsivas por abstinência leve.
I .61. Alucinose Alcoólica
. O quadro constitui-se
de alucinações vividas e persistentes
que aprecem logo após redução
ou parada de ingestão de álcool
( geralmente em 48 horas), sem alteração
do nível de consciência.
. As alucinações podem ser auditivas
( vozes ou outros sons), ou visuais.
. Eventualmente ocorrem idéias de perseguição
poucos estruturadas.
. O quadro pode durar alguns dias ou meses ou evoluir
para a forma crônica ( mais de 6 meses)
. O diagnóstico diferencial é com esquizofrenia
e abstinência de álcool.
. O tratamento para este quadro são os neurolépticos
( haleperidol em doses de 1 a 10 mg/dia).
I .62. Degeneração Cerebelar
Alcoólica
. Termo aplicado a
uma forma de ataxia cerebelar comum, estereotipada,
não familiar que ocorre em segundo plano e
uma ingestão prolongada de
álcool.
. Os sintomas ocorrem de modo subagudo e são
os mesmos da disfunção cerebelar, acometendo
predominantemente a postura e marcha.
. As alterações patológicas consistem
na degeneração de intensidade variável
de todos os elementos neurocelulares do córtex
cerebelar, sobretudo das células de Purkinge.
. Alguma melhora da marcha pode ocorrer após
se parar de beber, provavelmente por melhora da nutrição
geral e recuperação
da polineuropatia associada.
I.63. Ambliopia por Álcool e Tabaco
.
É uma forma de dificuldade visual que complica
a doença carencial do alcoólatra e é
devido a uma lesão no nervo óptico,
mais ou menos restrita a zona do feixe
papilomacular.
. Os principais sintomas são o obscurecimento
ou turvamento da visão para objetos próximos
e distantes de dificuldades da visão
e cores, que piora progressiva e insidiosamente por
vários dias ou semanas.
. O exame revela a presença de escótomas
centrais ou centrocecais, bilaterais e grosseiramente
simétricos.
. É de origem nutricional, pode ocorrer isoladamente,
porém está mais freqüentemente
combinada com outras evidências de deficiência
nutricional, como a neuropatia periférica e
a síndrome de Wenicke-Korsakoff.
I.64. Neuropatias Associadas com o alcoolismo
. Muitos
alcoólatras apresentam uma polineuropatia axonal
distal sensorimotor, que é freqüentemente
acompanhada por câimbras dolorosas,
dolorimento muscular e parestesias dolorosas mais
acentuadas, em geral, nas pernas e nos braços.
. A velocidade de condução motora e
sensorial pode estar ligeiramente reduzida, mesmo
em casos subclínicos, porém é
raro haver uma redução marcante
da condução nervosa.
. A polineuropatia nutricional é geralmente
uma doença da população de alcoólatras.
. Ela pode ocorrer como a única manifestação
de doença carencial e não difere em
nada da do beribéri.
. No paciente alcoólatra geralmente não
é possível especificar a vitamina particular
como fator etiológico.
I.65.
Resposta Sexual e Álcool
. Em
altas doses o álcool pode causar diminuição
de desejo sexual em ambos os sexos.
. Muitos indivíduos usam o álcool como
aliado na performance sexual e na conquista do parceiro
(a).
. Mas é importante lembrar que ele pode atuar
como inimigo e prejudicar a responsividade sexual,
principalmente no usuário crônico.
. Em doses pequenas pode aumentar a libido,o desejo
e o interesse sexual.
. Resumindo, em doses elevadas ou em uso crônico,
o álcool provoca ainibição sexual
e pode prejudicar a resposta sexual.
. O álcool pode ser a causa primária
de um distúrbio sexual e nestes casos a sua
eliminação pode ser a terapia básica.
I.66. Alcoolismo no Idoso
. Para
os alcoólatras idosos nos quais o problema
se iniciou depois dos 50 anos de idade, as perdas
e o isolamento que acompanham o
envelhecer são fatores muitas vezes associados
com o inicio do problema de beber.
. A abstinência de álcool é frequentemente
pouco levada em conta nos idosos como uma possível
causa de delirium.
. As quedas e os acidentes comuns aos alcoólatras
idosos, predispõe a traumatismo craniano e
complicações com hematomas
subdurais.
I.67. Álcool e Planejamento Pré-Operatório
. O
álcool afeta o metabolismo das drogas, provoca
medicações medicamentosas, síndrome
de abstinência no pós- operatório
imediato, e prejudica a função respiratória.
. O anestesiologista e o cirurgião deve ser
informado do uso recente na fase pré-operatória.
. Recomenda-se descontinuar o uso de álcool
por uma 1 ou mais semanas antes da cirurgia.
. Alcoolistas crônicos podem requerer uma dose
não usual muito maior de anestésico
devido a tolerância cruzada, mas ao mesmo
tempo poderiam ser susceptíveis á depressão
do SNC com baixas doses.
I.68.
Coma Alcoólico
O Coma
Alcoólico é um quadro gravíssimo
resultante do excessivo consumo de álcool.
. Abordagem do paciente: O paciente apresenta profunda
alteração da consciência, midríase
bilateral, respiração estertorosa
e lenta, hálito cetônico, arreflexia
hipotermia, diminuição da freqüência
respiratória e da pressão arterial,
abolição da reação
a estímulos dolorosos e retenção
ou incontinência urinária.
Deve-se observar se o coma é realmente devido
á ingestão abusiva de álcool,
por que o paciente pode estar alcoolizado e o coma
ser devido a ingestão de outras drogas ou á
doença orgânica.
A alcoolemia está acima de 400 a 500mg/dl
. Tratamento: O paciente em coma deve ser tratado
em unidade de terapia intensiva.
I.69. Síndrome Alcoólica no
Feto
. Numerosas
evidências de estudos tem associado o consumo
maciço de álcool á teratogenicidade
. Entre as características associadas á
síndrome incluem-se:
- Retardo do crescimento
- Microcefalia
- Alterações oculares
- Anormalidades faciais
- Anormalidades das articulações
esqueléticas
. Bebês nascidos de etilistas moderados podem
também apresentar características limitadas
desta síndrome ( efeito do álcool
no feto).
. Por isso, é prudente aconselhar as mulheres
a não beberem álcool durante a gestação.
I.70. Reabilitação dos Alcoólatras
. Não
existe um modo único ou infalível de
reabilitar o alcoólatra, e as abordagens terapêuticas
concentram-se sobre as medidas de suporte
geral, que seguem, na verdade, as diretrizes de bom
senso.
. O melhor é tornar as intervenções
bem simples, seguras e mais baratas possíveis
. Após vários dias de desintoxicação,
sob supervisão médica, o paciente deve
ser encaminhado a um programa de reabilitação,
pois raramente o alcoolismo e o abuso de álcool
podem ser tratados apenas pelo médico.
. O paciente necessita de estímulos visando
desenvolver um alto nível de motivação
para deixar de beber e ajustar-se á sua
vida sem álcool.
. A seguir deve-se desenvolver manobras que ajudem
o paciente a reajustar-se á vida sem álcool
e a restabelecer um estilo de vida funcional,
mediante aconselhamento, orientação
vocacional, suporte familiar e aconselhamento sexual.
. O tratamento mais bem sucedido geralmente exige
a participação ativa de membros da família,
amigos e colegas, e o prognóstico
é melhor para aqueles alcoólatras que
ingressam no programa de tratamento antes do início
dos distúrbios médicos
associados.
. Muitos pacientes e suas famílias acham úteis
os grupos de suporte locais, como os Alcoólatras
Anônimos e Al-Anon.
. Cerca de 50 a 70% dos alcoólatras de classe
média, socialmente estáveis, conseguem
alcançar a abstinência.
I.71. Decisão de Hospitalizar um Paciente Alcoólatra
1.
O paciente apresenta problemas clínicos que
seriam de difícil tratamento como ambulatorial.
2. A existência de depressão, confusão
mental ou psicose interfere com a terapia ambulatorial.
3. O paciente está enfrentando uma crise de
tal gravidade em sua vida que torna-se difícil
obter sua colaboração fora do hospital.
4. Houve fracasso de terapia ambulatorial.
5. O paciente mora muito longe do centro de tratamento.
|