|
Interações
Medicamentosas
das Drogas Antiepilépticas
NOVARTIS
Carlos A. M. Guerreiro
Maria Augusta Montenegro
Introdução
O tratamento medicamentoso
das epilepsias passou por várias fases. O
desconhecimento da fisiopatologia das epilepsias
e da farmacologia das drogas antiepilépticas
fez com que a politerapia fosse considerada,
por várias décadas, como a melhor opção terapêutica.
Fenobarbital e fenitoína
foram, durante muitos anos, as únicas opções
terapêuticas disponíveis para o tratamento
das epilepsias, e o uso isolado ou associações
dessas duas drogas era à base do tratamento.
Havia, inclusive, apresentações comerciais
que já associavam essas duas medicações.
Com a introdução de
novas drogas no mercado, principalmente valproato
e carbamazepina, surgiu a possibilidade de
monoterapia eficaz, em que o uso de uma única
droga antiepiléptica até a máxima dose tolerada
era defendido com base na terapêutica antiepiléptica,
observando-se redução dos efeitos adversos,
pois, em geral, a incidência de efeitos colaterais
é proporcional ao número de drogas antiepilépticas
utilizadas.
Atualmente, novas drogas
com efeitos adversos menos freqüentes e maiores
índices terapêuticos estão disponíveis e acredita-se
que a combinação de drogas com diferentes
mecanismos de ação possam trazer benefício
para a parcela de pacientes (aproximadamente
10% a 20%) que não obtêm controle de suas
crises com monoterapia. Ainda conhece-se pouco
a respeito da fisiopatologia das epilepsias
e até mesmo sobre o mecanismo de ação das
drogas antiepilépticas: entretanto, vários
autores chamam essa nova fase de “politerapia
racional”, talvez para justificar a aprovação
dessas medicações apenas em adição e não em
monoterapia. O número crescente de novas drogas
antiepilépticas e a possibilidade de associá-las
fizeram com que fosse cada vez mais importante
conhecer as interações entre as diversas drogas.
Interações medicamentosas
ocorrem devido à alteração da farmacocinética
e da farmacodinâmica de uma determinada droga
provocada pela adição de um novo medicamento
ao tratamento. Como as drogas antiepilépticas
possuem uma janela terapêutica estreita, ou
seja, a dose terapêutica está muito próxima
da dose tóxica, o tratamento medicamentoso
do paciente epiléptico deve ser individualizado.
Farmacocinética refere-se
à maneira como o organismo absorve, metaboliza,
estabelece ligação da droga com proteínas
plasmáticas e elimina a droga. Interações
farmacocinéticas determinam mudanças no nível
sérico das drogas, decorrente de aceleração
ou lentificação na metabolização e/ou eliminação
da droga, ou do deslocamento da fração ligada
às proteínas plasmáticas (aumento da droga
livre). Devido às alterações no nível sérico
das drogas, pode ser necessário ajustar a
dose das medicações envolvidas ou até indicar
a interrupção de uma delas.
Farmacodinâmica refere-se
à ação da droga no organismo, seu efeito nos
receptores e interação com outras drogas.
As interações farmacodinâmicas
podem ser aditivas, supra-aditivas, ou infra-aditivas.
Nas interações farmacodinâmicas aditivas,
o efeito combinado de duas drogas administradas
é igual à soma de cada droga isoladamente.
Quando a interação é supra-aditiva, o efeito
da combinação de duas drogas é maior que a
soma dos efeitos individuais esperados (menos
da metade da concentração de cada droga será
necessária para conseguir o mesmo efeito).
Finalmente, nas interações intra-aditivas
ou antagonísticas, o efeito combinado das
drogas é menor que a soma dos efeitos individuais
esperados (mais da metade da concentração
de cada droga será necessária para conseguir
o mesmo efeito). Interações farmacodinâmicas
determinam mudanças no efeito farmacológico
das drogas e devem ser consideradas na escolha
da combinação ente duas drogas. É importante
observar que interações medicamentosas supra-aditivas
nem sempre são benéficas. Para que a combinação
entre duas drogas antiepilépticas seja benéfica,
o ideal é que haja uma maior proteção contra
crises epilépticas sem aumentar o nível de
toxicidade.
A dosagem sérica das
drogas antiepilépticas pode ser útil na monitorização
do paciente; entretanto, a relação entre dose
sérica, efeito adverso e eficácia é muito
variável. Pacientes com níveis séricos considerados
baixos podem apresentar sinais de intoxicação,
ao passo que alguns pacientes toleram doses
extremamente altas de medicação sem apresentar
nenhum efeito adverso.
Uma aplicação muito
importante da dosagem sérica é a comprovação
e a documentação do uso da medicação pelo
paciente. É incomum encontrar pacientes que
alegam estar utilizando a medicação adequadamente,
mas que apresentam dosagem sérica zero em
repetidas medidas.
Apesar de a monoterapia
ser o tratamento de escolha para a grande
maioria dos pacientes, cerca de 10% a 20%
não apresentarão controle das crises apenas
com uma droga e se beneficiarão com o uso
de politerapia.
Atualmente, o avanço
no conhecimento do mecanismo de ação das drogas
antiepilépticas permite a utilização de associações
de drogas com mecanismos de ação diversos,
ou seja, drogas que atuam em locais diferentes,
o que, teoricamente, produziria maior chance
de controle das crises. Entretanto, nem sempre
isso ocorre e, ocasionalmente, os efeitos
adversos podem ser maiores.
Assim, efeitos
adversos nem sempre são indesejáveis, e as
características individuais do paciente devem
ser consideradas. Perda de peso, aumento do
apetite e efeito ansiolítico podem ser benéficos
em situações especiais.
Outro ponto importante
é a interação entre drogas antiepilépticas
e medicações de uso clínico sem efeito anticonvulsivante.
A maioria dos pacientes em uso crônico de
medicação antiepilética apresentará necessidade
de utilizar outras medicações ao longo dos
anos. Alguns cuidados devem ser tomados, pois
algumas drogas antiepilépticas podem diminuir
a eficácia de medicamentos de uso muito freqüente,
como, por exemplo, os anticoncepcionais hormonais.
Dessa forma, o conhecimento
das propriedades farmacocinéticas, farmacodinâmicas
e das interações medicamentosas das drogas
antiepilépticas é importante para a conduta
ideal e adequada no tratamento das epilepsias.
Comentaremos apenas sobre as drogas antiepilépticas
disponíveis, hoje, no Brasil.
Absorção
A
absorção das drogas antiepilépticas pelo trato
gastrointestinal é, de modo geral, boa. Entretanto,
antiácidos e dietas administradas por sondas
nasogástricas podem comprometer a absorção de
fenitoína, com redução do nível sérico. A alimentação
pode lentificar a absorção de valproato, fenobarbital
e topiramato. Por outro lado, a taxa de absorção
de fenitoína pode ser aumentada com a alimentação.
Ligação
Protéica
Alterações na ligação protéica podem produzir
interações medicamentosas clinicamente significativas,
particularmente para drogas com altas ligações
protéicas (mais que 90%), principalmente a albumina
sérica. Quando uma droga desloca uma outra droga
da ligação protéica, a porção livre de uma delas
pode aumentar significativamente e levar à intoxicação.
Das medicações de que dispomos, a fenitoína
e o valproato são altamente ligadas à proteína.
A associação dessas medicações provoca uma interação
complexa, tanto por esse fator como pelo efeito
inibidor do metabolismo hepático do valproato.
Aspirina e naproxeno também podem causar toxicidade
intermitente por deslocar a ligação protéica
da fenitoína.
Metabolismo
Hepático
Das drogas antiepilépticas, a gabapentina e a
vigabatrina são completamente eliminadas pelos
rins sem serem metabolizadas. Para as demais
drogas antiepilépticas, o metabolismo hepático
é a principal via de eliminação para as drogas
antiepilépticas.
As vias metabólicas das drogas antiepilépticas
podem variar e levar à produção de metabólitos
ativos (por exemplo: carbamazepina: epóxido
da carbamazepina; oxcarbazepina: derivado monoidróxido)
e inativos.
O metabolismo hepático oxidativo ocorre primariamente
pelo sistema enzimático do citocromo P 450 (CYP).
Esse sistema é subdividido em três famílias
(CYP1, CYP2 e CYP3) e sete isoenzimas (CYP 1A2,
2A6, 2C9, 2C19, 2D6, 2E1 e 3A4), que estão envolvidas
na biotransformação das drogas. Dessas isoenzimas,
as mais importantes para as drogas antiepilépticas
são CYP 2C9, 2C19 e 3A4. Muitas outras substâncias
endógenas, tais como prostaglandinas, hormônios
esteróides e vitaminas, também utilizam essas
vias.
Outra
via hepática comum a alguns anticonvulsivantes,
tais como valproato, lamotrigina e lorazepam,
é o processo de conjugação com ácido glucurônico,
via glucuronosilfransferase uridina duosfato
(GUD). Outros sistemas, tais como hidroxilase
de epóxido, podem ser ativos. Qualquer droga
metabolizada pelos sistemas do CYP ou do GUD
estará sujeita a indução ou inibição por outras
drogas. O polimorfismo genético dos sistemas
metabolizadores de drogas pode contribuir para
a variação significativa de algumas drogas entre
os pacientes. Pacientes com mutações genéticas
no CYP 2C19 ou no CYP 2C9, principais isoenzimas
na metabolização da fenitoína, podem mostrar
resultados muito maiores nas dosagens séricas
utilizando “doses habituais”.
Indução
Hepática
Muitas drogas antiepilépticas, particularmente
fenitoína, carbamazepina e fenobarbital, são
potentes indutores das vias CYP. Essas drogas
aumentam a síntese protéica, que está associada
com a proliferação do retículo endoplasmático
liso e, em última análise, aumentam a capacidade
de metabolização.
Se a droga tem um metabólito ativo, a indução
pode aumentar a formação do metabólito enquanto
abaixa a concentração do composto original.
Exemplificando, a adição de fenitoína a carbamazepina,
apesar de diminuir o nível de carbamazepina,
aumenta a concentração de seu metabólito ativo,
o epóxido da carbamazepina. Assim, o efeito
colateral pode decorrer do aumento do metabólito
ativo, e não da droga original.
O número de tomadas pode ser afetado pela indução.
Algumas drogas, cuja meia-vida está ao redor
de 24 horas (por exemplo, a lamotrigina) e
que devem ser administradas uma ou duas vezes
ao dia, quando associadas às drogas indutoras,
têm flutuações importantes e necessitam ser
administradas três vezes ao dia.
Fenitoína, carbamazepina e fenobarbital são indutores
de amplo espectro das enzimas CYP e do GUD.
De modo geral, a eliminação da carbamazepina,
fenitoína, valproato, topiramato e lamotrigina
é marcadamente aumentada com essas medicações.
Quando comparada com a carbamazepina, a oxcarbazepina
tem um potencial reduzido para interações
farmacocinéticas. Conseqüentemente, pacientes
que tomavam fenitoína e carbamazepina, e passam
a tomar fenitoína e oxcarbazepina, apresentam
redução da indução hepática provocada pela
carbamazepina, o que leva a um aumento nos
níveis séricos de fenitoína. Oxcarbazepina
pode levar à diminuição da concentração sérica
de lamotrigina (sugerindo indução do GUD),
etinilestradiol e levonorgestrel. Topiramato
também é um fraco indutor do CYP 3A4. Isso
não altera o nível das drogas antiepilépticas,
porém reduz os níveis de etinilestradiol.
Lamotrigina pode ser um fraco indutor do GUD,
modificando assim o seu próprio metabolismo
e diminuindo levemente a concentração de valproato.
As
drogas listadas na tabela I podem ser induzidas
pelas drogas antiepiléticas e, assim, a retirada
destas pode levar à intoxicação. Acetaminofeno
aumenta em 15% a eliminação de lamotrigina.
Tabela
I - Drogas potencialmente
induzidas por drogas antiepiléticas
|
|
teofilina |
ciclosporina |
|
warfarina |
contraceptivos orais |
|
corticóides |
vitamina D |
|
digoxina |
vitamina K |
|
nifedipina |
rifampicina |
|
quinidina |
vimblastina |
|
propanolol |
cisplatina |
|
procainamida |
bleomicina |
|
antidepressivos tricíclicos |
adriamicina |
|
eritromicina |
propoxifeno |
|
cimetidina |
hormônios sexuais endógenos |
Interação
Entre Drogas Antiepilépticas
CARBAMAZEPINA
— comprimidos de 200 mg e 400 mg, simples e
na forma de liberação lenta (CR), solução de
5 ml = 100 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Valproato:
aumenta a concentração do metabólito
ativo da carbamazepina, epóxido, pela inibição
da sua hidrolisação pelo sistema microssomal:
-
Fenobarbital:
interação farmacodinâmica aditiva
tanto para o efeito antiepiléptico como
para a neurotoxicidade. Interação farmacocinética
diminui o nível sérico da carbamazepina:
-
Fenitoína:
interação farmacocinética diminui
o nível sérico da carbamazepina:
-
Clobazam:
interação farmacocinética aumenta
a concentração do metabólito ativo da carbamazepina,
epóxido, pela inibição da sua hidrosalização
pelo sistema microssomal. O aumento da concentração
do metabólito epóxido da carbamazepina pode
produzir efeitos adversos importantes e
de difícil comprovação diagnóstica. A monitorização
dos níveis séricos de carbamazepina não
inclui a dosagem da fração epóxido, e seu
aumento nem sempre é acompanhado de aumento
do nível sérico de carbamazepina.
CLOBAZAM
— comprimidos de 10 mg e 20 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Carbamazepina:
interação farmacocinética diminui o nível
sérico do clobazam;
-
Fenobarbital:
interação farmacocinética diminui o nível
sérico do clobazam;
-
Fenitoína:
interação farmacocinética diminui o nível
sérico do clobazam.
CLONAZEPAM
—
comprimidos de 2 mg, 1 mg e 0,5 mg, gota de
1 ml = 2,5 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Fenitoína: interação farmacocinética
diminui o nível sérico do clonazepam;
-
Fenobarbital: interação farmacocinética
diminui o nível sérico do clonazepam;
-
Valproato: relatos anedóticos
relacionaram a ocorrência de estado de ausência
em pacientes com síndrome de Lennox-Gastaut
à associação de clonazepam e valproato.
Entretanto, esse achado não foi confirmado
e não há nenhum estudo conclusivo que contra-indique
essa associação.
Obs: Não é usual a alteração do nível sérico
de outras drogas antiepilépticas pelo clonazepam.
ETOSSUXIMIDA
—
cápsulas de 250 mg, solução de 5 ml = 250 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Carbamazepina: interação farmacodinâmica
supra-aditiva tanto para o efeito antiepiléptico
como para a neurotoxicidade: interação farmacocinética
diminui o nível sérico da etossuximida;
-
Valproato: interação farmacocinética
aumenta o nível sérico da etossuximida.
FENITOÍNA
—
Comprimidos de 100 mg, solução de 1 ml = 20
mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Fenobarbital: interação farmacodinâmica
aditiva para o efeito antiepiléptico e infra-aditiva
para a neurotoxicidade:
-
Carbamazepina: interação farmacodinâmica
aditiva tanto para o efeito antiepiléptico
como para a neurotoxicidade;
-
Clobazam: interação farmacocinética
aumenta o nível sérico da fenitoína:
-
Vigabatrina: interação farmacocinética
diminui o nível sérico da fenitoína.
FENOBARBITAL
— comprimidos de 100 mg, solução pediátrica
em gotas: 1 gota = 1 mg.
Associação
com outras drogas antiepiléticas:
-
Carbamazepina:
interação farmacocinética diminui o nível
do fenobarbital:
-
Clobazam:
interação farmacocinética aumenta o nível
sérico do fenobarbital;
-
Fenitoína:
interação farmacocinética diminui o nível
do fenobarbital.
GABAPENTINA
— cápsulas de 300 mg e 400 mg.
Interações
medicamentosas com a gabapentina ainda não foram
descritas.
LAMOTRIGINA
— comprimidos de 25 mg, 50 mg e 100 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Valproato: interação farmacodinâmica
aumenta a toxicidade da lamotrigina, principalmente
a ocorrência de rash cutâneo. Interação
farmacocinética aumenta a meia-vida da lamotrigina
por diminuição do clearance. A associação
de valproato a lamotrigina pode ser uma
alternativa econômica, pois aumento a concentração
sérica da lamotrigina. Entretanto, essa
associação deve ser feita com cautela, pelo
risco aumentado de rash cutâneo;
-
Fenobarbital: interação farmacocinética
diminui o nível sérico de lamotrigina;
-
Fenitoína: interação farmacocinética
diminui o nível sérico de lamotrigina;
-
Carbamazepina: interação farmacocinética
diminui o nível sérico de lamotrigina.
OXCARBAZEPINA
— comprimidos de 300 mg e 600 mg, solução de
1 ml = 60 mg.
Não
interfere significativamente com carbamazepina,
fenitoína, fenobarbital e valproato.
TOPIRAMATO
— comprimidos de 25 mg, 50 mg e 100 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Carbamazepina: interação farmacocinética
diminui o nível sérico do topiramato;
-
Fenitoína: interação farmacocinética
diminui o nível sérico do topiramato;
-
Acetazolamida: interação farmacodinâmica
deve ser evitada pelo risco aumentado de
cálculo renal e acidose metabólica.
VALPROATO
DE SÓDIO
— comprimidos de 200 mg, 250 mg, 300 mg, 500
mg e 576 mg, solução de 1 ml = 57,6 mg e solução
de 1 ml = 200 mg.
Associação
com outras drogas antiepilépticas:
-
Clonazepam: relatos anedóticos
relacionaram a ocorrência de estado de mal
ausência em pacientes com síndrome de Lennox-Gastaut
á associação de clonazepam e valproato.
Entretanto, esse achado não foi confirmado
e não há nenhum estudo conclusivo que contra-indique
essa associação:
-
Fenobarbital: interação farmacodinâmica
aditiva tanto para o efeito antiepiléptico
como para a neurotoxicidade. Interação farmacocinética
diminui o nível sérico do valproato;
-
Etossuximida: interação farmacodinâmica
aditiva para o efeito antiepiléptico e infra-aditiva
para a neurotoxicidade;
-
Carbamazepina: interação farmacodinâmica
aditiva para o efeito antiepiléptico e infra-aditiva
para a neurotoxicidade, Interação farmacocinética
diminui o nível sérico do valproato;
-
Clobazam: interação farmacocinética
aumenta o nível sérico do valproato;
-
Fenitoína: interação farmacodinâmica
supra-aditiva para o efeito antiepiléptico
e aditiva para a neurotoxicidade. Interação
farmacocinética diminui o nível sérico do
valproato;
-
Clonazepam: interação farmacodinâmica
supra-aditiva tanto para o efeito antiepiléptico
como para neurotoxicidade;
-
Lamotrigina: interação farmacocinética
diminui o nível sérico do valproato. Dever
ser utilizada em doses baixas quando associada
com o valproato (até 5 mg/kg/dia) pelo risco
de rash cutâneo.
VIGABATRINA
— comprimidos de 500 mg.
Existem
poucos estudos que avaliaram as interações entre
vigabatrina e outras drogas antiepilépticas.
A vigabatrina diminui o nível sérico
de fenitoína por razões ainda desconhecidas.
Situações
Especiais
Anticoagulação
Fenobarbital
e carbamazepina podem diminuir o nível sérico
da warfarina e, conseqüentemente, comprometer
a sua eficácia. Pacientes em uso dessas medicações
devem ser cuidadosamente monitorizados.
Distúrbios
psiquiátricos
Os
antidepressivos podem aumentar a toxicidade
de algumas drogas antiepilépticas; portanto,
o paciente deve ser alertado sobre a possibilidade
da ocorrência de efeitos adversos da droga antiepiléptica
após o início da associação com antidepressivos.
Os inibidores da recaptação da serotonina podem,
ocasionalmente, inibir a metabolização da carbamazepina
e da fenitoína.
A
maioria dos antidepressivos e drogas antipsicóticas
pode diminuir o limiar convulsígeno, facilitando
a ocorrência de crises epilépticas; assim, devem
ser utilizados com cautela, com base nos possíveis
riscos e benefícios. Entre os antipsicóticos
disponíveis no mercado, a tioridazina parece
ser o que menos interfere no limiar convulsígeno.
Anticoncepção
A maioria
das drogas antiepilépticas aumenta a metabolização
do anticoncepcional hormonal, conseqüentemente
diminuindo o seu efeito. Pacientes em uso de
carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, oxcarbazepina
e topiramato que optarem por utilizar anticoncepcional
hormonal deverão tomar no mínimo 50 mg de estrógeno
por dia para que o anticoncepcional seja eficaz.
Também é importante lembrar que a suplementação
com ácido fólico (5 mg/dia) não interfere nas
medicações antiepilépticas e reduz o risco de
malformação fetal em caso de gravidez.
Antibióticos
Na maioria das vezes, as interações não passam
de pequenas modificações na concentração sérica
da droga antiepiléptica, sem grande relevância
clínica. Entretanto, os antibióticos devem ser
utilizados com cautela, pois em algumas situações
apresentam interações relevantes, principalmente
aumentando a toxicidade das drogas antiepilépticas.
A gravidade da interação varia com a duração
do tratamento antibacteriano e, no caso de uso
prolongado, a monitorização do nível sérico
da droga antiepiléptica deve ser realizada.
Dispepsia, esofagite, gastrite, úlcera
gástrica ou duodenal
A cimetidina inibe o metabolismo de várias drogas
antiepilépticas (com conseqüente aumento do
nível sérico), devendo-se utilizar preferencialmente
ranitidina ou famotidina. Os antiácidos reduzem a absorção da fenitoína.
Regras
prática
|
| De
forma geral:
-
Drogas
indutoras
do metabolismo
(fenobarbital,
carbamazepina e fenitoína)
diminuem
o nível sérico das outras drogas antiepilépticas.
- Drogas
inibidoras do metabolismo (valproato) aumentam o nível sérico das outras drogas antiepilépticas.
|
Monitorização
sérica das drogas antiepiléticas
|
|
DAE |
Valor
da monitorização do nível sérico |
Faixa
terapêutica |
|
clobazam |
Sem
relevância clínica |
- |
|
clonazepam |
Sem
relevância clínica |
- |
|
carbamazepina |
Útil |
4µg/ml
a 12µg/ml * |
|
etossuximida |
Útil |
40µg/ml
a 100µg/ml * |
|
fenitoína |
Útil |
10µg/ml
a 10µg/ml * |
|
fenobarbital |
Útil |
15µg/ml
a 40µg/ml * |
|
gabapentina |
Sem
relevância clínica |
- |
|
lamotrigina |
Sem
relevância clínica |
- |
|
oxcarbazepina |
Sem
relevância clínica |
- |
|
topiramato |
Sem
relevância clínica |
- |
|
valproato |
Sem
relevância clínica na maioria das vezes |
50µg/ml
a 100µg/ml * |
|
vigabatrina |
Sem
relevância clínica |
- |
*
Os valores podem variar
de acordo com a referência de cada laboratório
Características
farmacocinética e
farmacodinâmicas das drogas antiepiléticas
|
|
Droga |
Indicações |
Mecanismos
de ação |
Indução
enzimáticas |
|
clobazam |
Crises
parciais e generalizadas |
Agonista
GABAérgico (GABAA) e modulador
da condutância de canais de NA+ |
- |
|
clonazepam |
Crises
parciais e generalizadas |
Agonista
GABAérgico (GABAA) e modulador
da condutância de canais de NA+ |
- |
|
carbamazepina |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e tônicoclônicas
generalizadas |
Modulador
da condutância de canais de NA+ |
SIM |
|
etossuximida |
Ausências |
Modulador
da condutância de canais de CA+ |
- |
|
fenitoína |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e tônicoclônicas
generalizadas |
Modulador
da condutância de canais de NA+ |
SIM |
|
fenobarbital |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e tônicoclônicas
generalizadas |
Agonista
GABAérgico (GABAA) e modulador
da condutância de canais de NA+,
depressor da excitabilidade do glutamato |
SIM
|
|
gabapentina |
Crises
parciais e generalizadas |
Desconhecido |
- |
|
lamotrigina |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e crises
generalizadas |
|
- |
|
oxcarbazepina |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e tônicoclônicas
generalizadas |
|
Não
é um potente indutor enzimático, entretanto
induz a metabolização de anticoncepcionais
hormonais |
|
topiramato |
Crises
parciais, secundariamente generalizadas
e crises
generalizadas |
|
SIM |
|
valproato |
Crises
parciais e generalizadas |
|
Inibidor
do Sistema microssomal hepático |
|
vigabatrina |
Crises
parciais e espasmos infantis |
|
- |
*
Interações sem relevância
clínica importante
Referências
Consultadas
-
Levy
RH, Bourgeois BFD. Drug-Drug Interactions. In: Engel
J, Pedley TA (eds.). Epilepsy:
a Comprehensive Texbook.
Philadelphia : Lippincott-Raven Publishers,
1997.
-
French
JA, Gidal BE. Antiepileptic
Drug Interactions.
Epilepsia 2000; 41 (Suppl.8) : S30-36S.
-
Guerreiro
CAM, Guerreiro MM. Novas Drogas. In: Guerreiro
CAM, Guerreiro MM, Cendes-Lopes I
(eds.). Epilepsia.
3. ed. São Paulo : Lemos Editorial,
2000.
p. 339-50.
-
Levy
RH, Mattson RH, Meldrum BS (eds.). Antiepileptic
Drugs.
3. ed. New York:Raven Press, 1995.
-
Shorvon
S, Dreifuss F, Fish D, Thomas D (eds.). The treatment
of epilepsy.
Blackwell Science, 1996.
|