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Estudo
de 63 casos
Gloria
M.A.S. Tedrus1, Lineu Corrêa Fonseca 1
RESUMO
- Foram estudadas as características clínico-eletrencefalográficas
de 63 crianças com crises epilépticas,
atividade epileptiforme occipital ao EEG e sem
elementos sugestivos de lesão cerebral.
As crises foram únicas em 16 casos e numerosas
em 16. A idade na primeira crise variou de 1-12
anos. As crises foram focais em 49 casos, com
manifestações autonômicas
em 25, versivas em 24, visuais em 10 e exclusivamente
tônico-clônicas generalizadas em 14
casos. Ocorreram durante o sono em 37 e foram
prolongadas em 15 crianças. O EEG evidenciou
pontas em 27 casos e complexos de ponta-onda lenta
em 36; houve bloqueio pela abertura dos olhos
em 15. Pontas evocadas foram observadas em 9,5%
dos casos. Os diagnósticos de epilepsias
idiopáticas foram: occipital precoce -
tipo-Panayiotopoulos (EIOP), 32 casos; occipital
tardia - tipo-Gastaut (EIOT), 8; rolândica
em 7. A EIOP foi mais freqüente que a EIOT
e em 63,4% dos casos foi possível a classificação
nas síndromes occipitais reconhecidas.
PALAVRAS-CHAVE:
crise focal, epilepsia idiopática, EEG,
atividade epileptiforme, epilepsia occipital.
Em
1982, Gastaut1 descreveu a epilepsia benigna da
infância com paroxismos occipitais (EBIO)
com crises caracterizadas por manifestações
visuais - a-maurose total ou parcial, alucinações
elementares ou complexas e ilusões em 65%
dos casos. Essas manifestações críticas
podem ser seguidas, em cerca de 40% dos casos,
por clonias hemigeneralizadas, em 20% por automatismos
e em 10% por generalização. Cefaléia
intensa difusa pode aparecer em metade dos casos
no pós-crise, e dor hemicraniana e pulsátil
com náuseas e vômitos em cerca de
10% dos pacientes. As crises iniciam-se entre
2 e 11 anos e são freqüentemente diurnas
e de curta duração. O prognóstico
é relativamente bom; geralmente ocorre
remissão dentro de 2-4 anos após
o início das crises e em 92% dos casos
os indivíduos estão livres das crises
antes dos 19 anos. No eletrencefalograma (EEG)
interictal a atividade de base é normal,
e aparecem paroxismos, com grande amplitude, de
pontas, ondas agudas e complexos de ponta-onda
lenta nas regiões occipitais de um ou de
ambos os hemisférios. Ocorre atenuação
ou desaparecimento desses paroxismos com a abertura
dos olhos. Contudo, em estudo posterior, Beaumanoir2
encontrou em pacientes com paroxismos occipitais
somente 44% com manifestações visuais
criticas. Dois anos após, Gastaut3 descreveu
a síndrome completa somente em 55% das
crianças e assinalou ausência de
sinais visuais ou de paroxismos occipitais em
25% dos casos.
 |
Pontas
na região occipital do hemisfério
cerebral esquerdo
Panayotopoulos4
descreveu a epilepsia occipital benigna da infância
de início precoce (EOIP) caracterizada
por uma tríade - crises de vômitos,
desvio lateral e tônico dos olhos, com comprometimento
da consciência e eventual evolução
para crise clônica hemigeneralizada ou generalizada.
Nessa forma de epilepsia as crises teriam início
entre 2 e 8 anos de idade. As crises são
prolongadas, esporádicas e únicas
em um terço dos casos e ocorrem durante
o sono em 60% dos pacientes. O EEG interictal
mostra paroxismos occipitais de pontas e complexos
de ponta-onda bloqueados ou atenuados com a abertura
dos olhos. A atividade de base é normal.
O prognostico dessa síndrome é bom,
com remissão das crises 1 a 2 anos após
o início das mesmas. Em trabalhos posteriores,
Panayatopoulos5,6 assinalou que o EEG nesta síndrome
é multifocal, com paraxismos occipitais
freqüentemente associados a paroxismos extra-occipitais.
Esses paroxismos freqüentemente desaparecem
na adolescência e são ativados pelo
sono em metade dos casos, mas podem persistir
após a remissão das crises clínicas.
Essa síndrome teve sua ocorrência
confirmada em estudos de vários autores7-10.
Em estudo internacional colaborativo, Ferri et
al.11 propõem para as síndromes
idiopáticas da infância a denominação
de "Síndrome de susceptibilidade a
crises da infância". Recentemente,
na Classificação Internacional de
Epilepsias12, as formas de epilepsias idiopáticas
ocicipitais da infância foram reconhecidas
como síndromes de início precoce
(tipo Panayiotopoulos) e de início tardio
(tipo Gastaut).
Este
estudo tem o objetivo de correlacionar as características
clinicas e eletrencefalográficas e avaliar
a ocorrência das síndromes epilépticas
idiopáticas occipitais em crianças
com crises epilépticas não febris,
atividade epileptiforme (AE) nas regiões
occipitais, atividade de base normal ao EEG, exame
neurológico e desenvolvimento neuropsicomotor
normais.
MÉTODO
Foram
selecionadas para este estudo retrospectivo as
fichas clínicas de 63 crianças,
com idade entre 2 e 14 anos, examinadas no Hospital
e Maternidade Celso Pierrô da PUC-Campinas
e consultório particular dos autores, que
apresentavam crises epilépticas não
febris, desenvolvimento neuropsicomotor e exame
neurológico normais e ausência de
dados de anamnese ou de exames laboratoriais sugestivos
de lesão do sistema nervoso central (5NC).
Ao EEG, tinham atividade epileptiforme (AE) na
região occipital e atividade de base normal.
Complexos
de ponta-onda lenta na região occipital
do hemisfério cerebral direito
Os
prontuários foram analisados quanto às
seguintes características: idade da criança
e do início das crises; o tipo, número
total e a duração das crises epilépticas;
antecedente familiar (AF) para crise não
febril e antecedente pessoal (AP) e AF para crise
febril (CF).
No EEG foram estudadas
a atividade de base e a AE de localização
occipital segundo o tipo - pontas (P) (Fig 1)
ou complexos de ponta-onda lenta (PÓ) (Fig
2) -, e a influência nesses paroxismos da
abertura e fechamento dos olhos. Foi estudada
também a presença de AE em outras
localizações e a presença
de pontas evocadas pela percussão dos pés
e mãos (PE) com martelo de reflexos, com
intensidade equivalente à pesquisa de reflexos
profundos.
Utilizando-se dos aspectos
clínicos, críticos e eletrencefalográficos,
os casos foram classificados, quando possível,
nas síndromes idiopáticas da infância,
de acordo com a Classificação Internacional
de Epilepsias (2001)12. Para o diagnóstico
de EIOP utilizamos como critério as manifestações
críticas referidas por Panayatopoulos":
crises de náusea/vômitos, desvio
lateral e tônico dos olhos e/ou cabeça
e comprometimento da consciência. A pesquisa
foi aprovada pelo Comitê de Ética
em Pesquisa em Seres Humanos da PUC-Campinas.
RESULTADOS
As
características clínicas e os aspectos
eletrencefalográficos das 63 crianças
estudadas, segundo o diagnóstico sindrômico,
estão na Tabela 1.
As crises foram focais em 49
crianças. As manifestações
autonômicas criticas ocorreram em 25 (51
%) casos; emética em 21 (42,8%). Manifestação
versiva foi referida em 24 (48,9%) casos: dos
olhos em 18 (36,7%) e da cabeça em 15 (30,6%)
casos. Manifestações visuais foram
relatadas em 10 (15,8%) casos. Houve alteração
da consciência durante a crise em 31 (20,4%)
crianças. A crise ocorreu durante sono
em 28 (57,1 %) crianças, sendo ao despertar
em 9 (14,2 %). Houve na evolução
da crise, em 6 (12,2%) casos, clonia hemigeneralizada.
Em 11 (22,4 %) casos houve generalização
tônico- clônica. Manifestações
pós-ictais foram referidas em 11 (22,4%)
crianças.
Tabela 1. Aspectos
clínicos e eletrencefalográficos
das 63 crianças com atividade epileptiforme
occipital, segundo a síndrome epiléptica.
| |
EIOP |
EIOT |
EBICT |
Não
determinada |
N
de casos |
32* |
8** |
7 |
16 |
Idade |
2-13 |
3-14 |
3-14 |
2-14 |
Sexo:
M/F |
17/15 |
5/3 |
4/3 |
11/5 |
Idade
da 1ª crise <
6 anos
>
6 anos |
25
7 |
3
5 |
4
3 |
14
2 |
N
de crises única
2-5
>
5 |
10
15
7 |
2
5
1 |
-
4
3 |
4
7
5 |
Manifestação
autonômica (náuseas/vômitos
ou outras) |
20 |
4 |
1 |
- |
Manifestação
versiva |
20 |
1 |
3 |
- |
Alteração
da consciência |
24 |
5 |
2 |
14 |
Crise
durante o sono |
20 |
4 |
4 |
9 |
Manifestação
visual |
2 |
8 |
- |
- |
Clonia
de rima bucal |
1 |
- |
5 |
- |
Clonia
hemigeneralizada |
3 |
- |
1 |
2 |
Crise
tonico-clonica generalizada |
7 |
3 |
1 |
14 |
Manifestação
pós-ictal |
8 |
2 |
1 |
- |
Duração
prolongada da crise (>30 min) |
9 |
3 |
1 |
2 |
AE
occipital ponta
complexos
de ponta-onda |
11
21 |
3
5 |
4
3 |
9
7 |
Bloqueio
da AE occipital |
9 |
2 |
2 |
2 |
AE
extra-occipital focal
generalizada |
5
4 |
2
2 |
3
- |
2
2 |
Outra
PE/fotoparoxismo |
3 |
1 |
2 |
- |
EOIP, epilepsia occipital benigna da infância
de início precoce; EIOT, de início
tardio; EBICT epilepsia benigna da infância
com pontas centrotemporais; N, número;
M, masculino; F, feminino; AE, atividade epileptiforme;
PE, ponta evocada; * em 2 casos há associação
de crises com características da EIOP e
EIOT, ** em 2 casos há concomitância
na mesma crise de característica das 2
síndromes occipitais.
Em 14 crianças,
as crises eram exclusivamente tônico-clônicas
generalizadas e estas ocorreram durante o sono
em 9 casos.
A atividade epileptiforme
occipital foi caracterizada por pontas em 29 casos
e por complexos de PÓ, associados ou não
a pontas, em 36; houve bloqueio ou atenuação
desses paroxismos pela abertura dos olhos, respectivamente,
em 1 e 14 casos. A AE extra-occipital focai ocorreu
em 12 casos e generalizada em 8 casos. PE foi
obtida pela percussão dos pés e
mãos em 4 casos (9,5% dos casos pesquisados)
e foram observados complexos de PÓ generalizados
com a fotoestimulação intermitente
em 2 casos.
Baseados nos aspectos
clínicos e eletrencefalo-gráficos,
foi feita a classificação nas síndromes
epilépticas atualmente reconhecidas (Tabela
2).
Epilepsia occipital
idiopática da infância de início
precoce, f O/P-A idade na primeira crise foi de
1-11 anos. As crises tiveram duração
superior a 30 minutos, constituindo estado de
mal epiléptico em 9 (28,1 %) casos. Observou-se
que em 3 destes casos havia também referência
de crises de curta duração. AF positivo
para crises epilépticas e para CF foram
observados em 4 casos e AP para CF em 2 casos.
Tabela 2. Classificação
dos casos segundo o diagnóstico de síndromes
epilépticas idiopáticas.
Síndrome
epiléptica |
n |
% |
Epilepsia
occipital benigna da infância de início
precoce |
32 |
50,7 |
Epilepsia
occipital da infância de início
tardio |
8 |
12,6 |
Epilepsia
benigna da infânica com pontas centrotemporais |
7 |
11,1 |
Síndrome
não determinada |
16 |
25,3 |
Total
|
63 |
100 |
Observamos manifestação
critica inicial de náusea e/ou vomito ou
dor abdominal em 20 (62,5%) casos. Versão
cefálica e/ou dos olhos foi relatada em
20 casos. As crises ocorreram durante sono em
20 casos, sendo em 7 ao despertar. Em 3 casos,
ao despertar, a criança chamava pela mãe,
referindo náuseas e "mal estar".
Às manifestações iniciais
seguiram-se clônias lateralizadas em 3 casos
e generalização tônico-clônica
em 7. Em 8 crianças havia referência
a sintomatologia pós-critica.
Observamos AE de
localização occipital caracterizada
por P em 11 casos e por complexos de PÓ
em 21 casos e havia bloqueio ou atenuação
com a abertura dos olhos em 9 casos. Foi observada
correlação entre a lateralização
da manifestação critica motora e
AE occipital contralateral no EEG em 57,1% dos
casos.
AE de localização
extra-occipital (parietal, central e temporal
média) foi observada em 5 casos. PE foi
obtida em 6,3% dos casos pesquisados. Uma criança
apresentava complexos de PÓ generalizados
durante repouso; outra, durante a fotoestimulação
intermitente.
Epilepsia occipital
idiopática da infância de início
tardio, EOIT- Foram incluídas nesta síndrome
8 crianças que apresentavam crises com
sintomatologia inicial visual. O numero total
de crises nestas crianças foi inferior
a 6 em todos os casos, a média de idade
da primeira crise foi de 6,7 anos.
Em dois casos com
seguimento clínico e eletrencefalográfico
prolongado, foi observado que essas crianças
apresentaram um período livre de crises,
mas, depois, voltaram a apresentá-las,
apesar do pequeno número total de crises.
Associação c/e manifestações
das síndromes EIOP e EIOT - Observamos
no acompanhamento clínico-eletrencefalográfico
que duas crianças apresentaram, no inicio
do seguimento, história de crise com manifestação
autonômica emética associada a alteração
da consciência com duração
prolongada e, aproximadamente um ano após,
apresentaram outro tipo de crise, caracterizada
por manifestação predominantemente
visual, com fenômenos negativos, de curta
duração, sem sintoma autonômico
associado. Desse modo, esses casos nos sugerem
o diagnóstico de associação
das duas síndromes epilépticas com
paroxismos occipitais (EIOP e EIOT).
Observamos, ainda,
que 2 crianças apresentavam crises caracterizadas
por manifestação visual (fenômeno
negativo) seguida por manifestação
autonômica, emética e alteração
da consciência de duração
prolongada, sugerindo a concomitância de
sintomatologia crítica, no mesmo episódio
ictal, das síndromes epilépticas
focais occipitais descritas por Panayiotopoulos
e por Gastaut.
Associação
de manifestações das síndromes
EIOP e EBICT- Uma criança apresentou numerosas
crises iniciadas com dor abdominal, seguida de
vômitos, cefaléia e, após,
versão tônica da cabeça para
o lado esquerdo, associados a clônias da
rima bucal, sialorréia e, na seqüência,
ainda clônias lateralizadas à esquerda,
com duração de até 6 horas.
Esta criança apresentava no período
pós ictal cefaléia, sonolência
e apatia. Esse quadro ictal sugere a concomitância,
na mesma crise, de manifestações
das duas síndromes epilépticas idiopáticas
da infância, a EIOP e a EBICT.
Casos c/e EBICT-
Sete crianças apresentavam crises com manifestação
exclusivamente orofaríngea em vigília
e/ou sono. Em 3 desses casos, além da AE
occipital, havia pontas nas regiões centrais
e temporais médias. Outros dois casos mostraram,
em EEG realizados anteriormente, pontas nestas
regiões. Nestes 7 casos, o contexto clínico-EEG
é sugestivo da EBICT, apesar da ocorrência
de AE occipital.
Casos com características
sindrômicas não típicas -
Crises exclusivamente tônico-clônicas
generalizadas foram observadas em 14 casos, e
em dois casos, crises hemigeneralizadas, sem outra
manifestação associada. Assim, nesses
16 casos, pelos aspectos clínicos críticos,
não foi possível a classificação
nas formas de epilepsias focais idiopáticas
da infância com paroxismos occipitais reconhecidas
na atual Classificação Internacional.
DISCUSSÃO
Vários autores
têm reafirmado o largo espectro de achados
clínicos, que distinguem as síndromes
epilépticas occipitais, atualmente reconhecidas8,13.
Neste estudo observamos
que, em 63,4 % dos casos, foi possível
a classificação nas síndromes
epilépticas idiopáticas occipitais.
A EOIP correspondeu a 50,7% dos casos. Em outro
estudo em nosso meio, Castilho14 observou EOIP
em 30% de 47 crianças e adolescentes, com
foco occipital, com ou sem lesão estrutural.
De modo semelhante ao verificado em outras pesquisas6'10,
EOIP ocorreu com maior freqüência que
a EOIT. A exata prevalência da EOIP não
é conhecida; é descrita na literatura
em aproximadamente 6% das crianças com
idade entre O e 15 anos e em aproximadamente 13%
no grupo de 3 a 6 anos6.
No presente trabalho,
nas crianças com EIOP, a idade, a idade
do início das crises, o predomínio
de crises durante o sono, o número total,
assim como os AF para crises epilépticas
e AP para CF estão em acordo com referidos
na literatura4-6,13,15.
De modo análogo
ao descrito por Ferri et al.16, observamos, em
71,8% dos casos de EIOP, número total de
crises até 3, e episódio único
em 31,2% dos casos. Também, de acordo com
Caraballlo et al.15, observamos número
de crises superior a 10 em 21,8% dos casos.
O achado de estado
de mal em 28,1 % dos casos com EIOP é similar
aos da literatura10,11. Três destas crianças
apresentavam também episódios críticos
de curta duração. Panayotopoulos6
referiu estado de mal epiléptico em 44%
das crianças e, este pode ocorrer em vigília
ou durante sono. Crises prolongadas e de curta
duração podem ocorrer na mesma criança;
a duração não interfere no
prognóstico, que é invariavelmente
bom nesta síndrome7.
A sintomatologia
clínica critica apresentada, em 29 casos
com EIOP, foi compatível com as características
descritas por Panayotopoulos4. Entretanto, em
2 (6,3%) casos de EIOP, observamos características
sugestivas das duas síndromes idiopáticas
occipitais da infância, como já referido
na literatura10,16. Panayiotopoulos aponta que
o relato de manifestações visuais
é compatível com o diagnóstico
de EIOP quando preenchidos os outros critérios
diagnósticos6.
Quanto ao EEG,
o achado de bloqueio ou atenuação
das descargas occipitais, muito valorizado inicialmente
no diagnóstico das epilepsias idiopáticas
occipitais1,2 e posteriormente questionado por
ser observado em outras síndromes epilépticas17,18,19,
não é uma constante10, como foi
observado no presente estudo. Em uma criança
com EIOP, encontramos associação
crítica de fenômenos sugestivos de
EBICT, achado esse também já relatado
por Carabalo7.
Desde a descrição
de Beaumanoir2, é também reconhecida
na literatura6,8 a ocorrência de casos de
EBICT com crises exclusivamente orofaríngeas
e AE de localização occipital ao
EEG, como observamos em 7 (11,1 %) casos. Em dois
destes casos havia também descargas centrotemporais
ao EEG. Por outro lado, alguns estudos7 mostraram
a ocorrência de crises com manifestação
exclusivamente orofaríngea, após
a remissão da epilepsia occipital.
Outros autores2,6,8,16
enfatizaram a estreita relação entre
a EOIP e a EBICT, podendo representar, provavelmente,
diferentes fenótipos da maturação
cerebral relacionada à susceptibilidade
a crises na infância, ocorrendo uma "evolução"
entre a EOIP e outras epilepsias idiopáticas
da infância, tanto nos aspectos clínicos
como eletrencefalográficos. Em alguns casos,
observamos a associação de AE de
localização occipital e centrotemporal,
com manifestação clínica
característica de EIOP. Alguns autores3,20
relatam alta incidência de migração
do foco ou focos de múltiplas localizações
devido a um fenômeno idade dependente e
visto no processo de maturação cerebral
da criança nas epilepsias idiopáticas.
Estes autores referem que a ocorrência de
paroxismos nas regiões occipitais é
um achado comum em crianças mais jovens.
Observamos que
em 11 (31,2%) casos com EIOP a AE occipital era
constituída por pontas e em apenas um era
reativa à abertura dos olhos, em concoidondo
com Carabalo et al.7 ao assinalar que na EIOP
a AE occipital tem características neurofisiológicas
semelhantes às das pontas rolândicas
da EBICT, como pequena reatividade à abertura
dos olhos e com ativação pelo sono.
Houve correlação estatisticamente
significativa entre a lateralização
da manifestação crítica (versão
da cabeça e dos olhos) e a AE contralateral,
no EEG. Não encontramos referência
a este dado na literatura.
A presença
de PE ao EEG observada em algumas crianças
pode ocorrer em várias síndromes
epilépticas, mas na maioria das vezes em
crianças com epilepsias focais benignas
da infância. Em proporção
significativa das crianças com PE, as crises
são versivas ou hemigeneralizadas, conforme
o descrito na epilepsia benigna da infância
com pontas evocadas21. Em trabalhos anteriores,
observamos a ocorrência de PE em crianças
sem manifestações epilépticas
e em crianças normais22,23.
Por outro lado,
de acordo com os dados clínicos, observamos
que em 25,3% dos casos não foi possível
a inclusão nas formas descritas por Gastaut
e Panayiotopoulos, o que sugere a existência
de formas intermediárias ou menos caracterizadas,
de modo semelhante à descrição
de outros autores8,15-16.
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