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- Docente Enfª Mara Lúcia Silvestre
- COREN 37547
- Universidade Norte do Paraná
- mara.silvestre@unopar.br
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- A agressividade é a “tendência ou o conjunto de tendências que se
refletem em atuações reais ou fantasiosas, estas visando a prejudicar
outrem, destruí-lo, constrangê-lo, humilhá-lo, etc.” (Laplanche e
Pontalis, 1976 apud Kapczinski, 2001). O comportamento agressivo pode
ser definido como aquele que inflige dano físico a pessoas (auto ou
heteroagressão) ou a objetos. Tal comportamento é determinado por
múltiplas causas, em que interagem fatores psiquiátricos, sociais e
biológicos. Responde por cerca de 19% das consultas em emergências
psiquiátricas norte-americanas, ficando somente atrás das consultas por
tentativa de suicídio (cerca de 45%) (Walker, 1983; Ried, 1988 apud
Kapczinski, 2001).
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- A violência, muitas vezes, pode estar presente em pacientes com diversos
transtornos psiquiátricos. Os quadros psiquiátricos que mais comumente
apresentam agressividade são:
- transtornos psicóticos: esquizofrenia (especialmente paranóide ou
catatônica), transtorno afetivo bipolar (fase maníaca ou misto),
transtornos delirantes paranóides e psicose pós-parto;
- transtornos mentais orgânicos: delirium e intoxicação/abstinência de
drogas;
- transtornos de personalidade: anti-social, paranóide, borderline;
- transtornos cerebrais: epilepsia, alterações dos lobos frontal e
temporal.
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- A equipe de atendimento deve estar especialmente atenta aos pacientes
que apresentem fatores de risco para expressar comportamento violento:
- demográficos: homem, jovem (15 a 24 anos), baixo nível socioeducacional,
desempregado, membro de minorias sociais, sem suporte social adequado;
- história prévia: história de atos violentos, atos homicidas, assalto,
prisões, vítima de violência na infância;
- psicológicos: baixa tolerância a frustrações, baixa auto-estima, baixa
tolerância a relações próximas, tendência ao uso de mecanismos de
dissociação e projeção;
- comportamento durante a entrevista: preditor mais importante de
violência iminente. Deve-se dar atenção à fisionomia do paciente, às
mãos, à tensão muscular, à inquietude, ao tom de voz, ao conteúdo do
discurso, à irritação do humor, ao seu posicionamento na cadeira, à
situação de intoxicação por álcool ou drogas (e abstinência).
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- O principal objetivo durante a avaliação de um paciente potencialmente
violento é a proteção dos outros pacientes e da equipe assistencial, bem
como a estabilização da situação. Por vezes, pode ser necessário o uso
de mecanismos de contenção mecânica ou química. A segunda prioridade
passa a ser a adequada avaliação do paciente e de seu quadro clínico. Se
o paciente vem trazido por policiais ou seguranças, estes devem
permanecer durante a avaliação preliminar até que o paciente esteja
estável ou contido. Se chega à emergência já em contenção mecânica, esta
não deve ser removida até que se complete a avaliação. Durante a
entrevista de um paciente potencialmente agressivo, alguns passos devem
ser seguidos para diminuir ao máximo a chance de que se consume uma
agressão física.
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- Entre estes, destaca-se:
- Setting: o setting deve propiciar privacidade, mas não isolamento. A
sala de entrevista deve conter somente dois assentos (se possível, o
paciente deve sentar em uma poltrona para que não possa jogá-la). Não
deve conter mais cadeiras ou outros móveis leves (cestas de lixo, por
exemplo). A porta deve estar aberta.
- Postura do entrevistador: o profissional de saúde deve deixar o paciente
falar abertamente, sem pressioná-lo com muitas perguntas. Deve ser claro
e conciso nas suas intervenções, mover-se calmamente e manter suas mãos
em local visível pelo paciente.
- O profissional de saúde não deve negar a gravidade da situação, nem ser
confrontativo, e sim claro e firme. Não deve tampouco tocar o paciente
ou realizar movimentos bruscos.
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- Durante a entrevista, o profissional de saúde deve investigar o
histórico de agressividade recente e passado. É importante esclarecer o
ambiente, a motivação e o objetivo do comportamento agressivo, uma vez
que este é diretamente dependente do contexto em que se expressou.
Sempre que possível, a coleta de dados deve ser feita com mais de uma
fonte de informação (anamnese subjetiva e objetiva), sendo mais
importante a valorização de dados objetivos do que interpretações
pessoais sobre a agressividade. Os fatores psicodinâmicos, tais como
ferida narcisista, humilhação, desafio à masculinidade ou
ego-distonicidade, devem ser buscados durante a entrevista, pois indicam
diretrizes de manejo do paciente.
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- A história pregressa tem vital importância na avaliação de pacientes com
comportamento agressivo, uma vez que este pode ser a manifestação de uma
série de patologias orgânicas. Deve-se prestar atenção especial a sinais
que indicam a presença de intoxicação por drogas (como disartria,
ataxia, nistagmo e alterações pupilares). Alguns outros sinais
associados a patologias orgânicas são desorientação, alteração de
consciência, exoftalmia, paralisia ocular, incontinência,
linfadenopatia, tremores, movimentos involuntários, fácies cushingóide e
odores característicos (como alcoólico ou cetônico).
- Se o paciente não se tranqüilizar com a conduta inicial, o médico deverá
indicar outro manejo (contenção mecânica e tranqüilização rápida).
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- KAPCZINSKI, Flávio. Emergências psiquiátricas. Porto Alegre; Artmed
Editora, 2001.
- DANIEL, Liliana Felcher. Atitudes interpessoais em enfermagem. São
Paulo; E.P.U Editora Pedagógica e Universitária, 1983.
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