URGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS

 

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31.  Quando o médico da urgência deve iniciar a terapia antidepressiva?

O lítio e os inibidores da MAO não devem ser prescritos, a não ser para repor medicamentos anteriormente prescritos pelo psiquiatra. Os antidepressivos cíclicos podem levar de 3 a 4 semanas para apresentar efeitos e necessitam de supervisão constante, já que a dose pode necessitar de aumentos, durante a fase inicial da terapia. Na maioria dos casos, portanto, estes agentes não devem ser prescritos pelo médico do serviço de urgência. Uma exceção pode existir quando, após consultoria direta, o médico do serviço de urgência e o psiquiatra concordam em iniciar o tratamento com um estoque de medicação para 2 a 4 dias e imediato seguimento psiquiátrico.

32.   Quais são as complicações da depressão?

A principal e mais séria complicação da depressão é o suicídio. Estima-se que 15% dos pacientes com depressão primária venham a, eventualmente, cometer suicídio.

 

33.   Que pacientes devem ser hospitalizados por depressão?

Na maioria dos casos, pacientes deprimidos que expressam a intenção de cometer suicídio requerem consultoria psiquiátrica e internação. A ideação suicida persistente e um plano factível e letal são aspectos perigosos dos pensamentos do paciente. Precauções contra o suicídio devem ser instituídas enquanto o paciente está no serviço de urgência. Pacientes deprimidos que apresentam sinais e sintomas de psicose necessitam de avaliação psiquiátrica, internação e, geralmente, tratamento com agentes antipsicóticos.

 


SUICÍDIO

 

34. Qual é a abordagem adequada de um paciente que tentou cometer suicídio?

O manejo médico de qualquer condição com risco de vida precede a avaliação psiquiátrica. É importante, no entanto, que enquanto o tratamento seja realizado, a equipe do serviço de urgência mantenha uma abordagem não crítica, sem julgar o paciente.  Punição e ridicularização não são terapêuticas, nem se constituem em condutas adequadas para profissionais médicos. Quase todos os pacientes que tentam o suicídio estão, no mínimo, um pouco ambivalentes sobre o desejo de viver ou morrer.  O tratamento rude ou distante a estes pacientes, especialmente por profissionais da saúde, que são símbolos de autoridade médica, piora a já baixa auto-estima e torna mais difícil o tratamento psiquiátrico subseqüente.

 

35.   Quais são precauções contra o suicídio?

Como alguns pacientes podem repetir a tentativa de suicídio, enquanto estão no serviço de urgência, são necessárias precauções para evitá-la.  Estas precauções incluem: revistar o paciente e recolher armas, comprimidos e outras causas potenciais de autolesão; manter o paciente sob observação cuidadosa; recolher quaisquer objetos potencialmente perigosos da área próxima ao paciente (agulhas, lâminas, vidro); não deixar o paciente ir a qualquer lugar (por exemplo: o banheiro) desacompanhado. Quando a observação constante pela equipe não é possível, pode ser necessária a contenção física para proteger o paciente suicida de causar a si mesmo novo dano.

 

36.   Os "acidentes" podem ser tentativas de suicídio?

É importante lembrar que as vítimas de trauma podem ter tentado suicídio.  Acidentes com uma única vítima, como um carro em alta velocidade colidir com uma estrutura de concreto, um pedestre atingido por um veículo em alta velocidade ou uma queda, são exemplos clássicos de tentativas de suicídio que se apresentam como trauma.  O manejo médico deve ser seguido de uma avaliação da intenção suicida, incluindo discussão com familiares e, talvez, consultoria psiquiátrica.

 

37.   Que distúrbios psiquiátricos estão associados com a tentativa de suicídio?

Além da depressão maior, os distúrbios associados mais comuns presentes em pacientes com incidência mais alta de suicídio são: esquizofrenia, doença do pânico, distúrbios de ajustamento, alcoolismo e abuso de drogas.
 

38.   Como é avaliado o risco de nova tentativa de suicídio?

Os seguintes elementos são parte de uma avaliação de urgência dos riscos de suicídio: idade, sexo, estado civil, apoio social, doença orgânica, tentativas prévias, história familiar de suicídio, risco da tentativa vs. probabilidade de salvamento, ganho secundário, natureza de qualquer doença psiquiátrica, abuso de álcool ou drogas e atitude, afeto e planos futuros do paciente que tentou o suicídio.

 

39.   Como a idade se relaciona com o risco de suicídio?

Indivíduos mais velhos, especialmente acima dos 45 anos, têm, estatisticamente mais probabilidade de completar o suicídio do que pacientes mais jovens.  Estes pacientes podem estar vivenciando a perda de um cônjuge, solidão, doença orgânica e dificuldades financeiras, assim como depressão. No entanto, um aumento preocupante do suicídio em pessoas mais jovens tem surgido, nos últimos 20 anos.   O suicídio é, atualmente, a terceira principal causa de morte em crianças de 5 a 14.anos e a segunda em adolescentes e adultos jovens de 14 a 24 anos.

 

40.   Qual é a influência do sexo do paciente?

As taxas de suicídio efetivo em homens são maiores do que em mulheres, enquanto as taxas de tentativas de suicídio são maiores em mulheres.