URGÊNCIAS PSIQUIÁTRICAS

 

Perguntas e esclarecimentos das situações mais freqüentes e realizadas pelo Dr. Eugene E. Kercher, Dr. Douglas A. Rund  e Dr.  Jonathan   Wasserberber. 

                                                                                          

PSICOSE  AGUDA

1.     O que é psicose aguda?

A psicose é uma disfunção da capacidade de pensamento e processamento de informações.  Há uma incapacidade de ser coerente em perceber, reter, processar, relembrar ou agir sobre informações de uma maneira consensualmente validada.  Há uma diminuição da habilidade de mobilizar, deslocar, manter ou dirigir a atenção de acordo com a própria vontade. Uma das características principais do estado psicótico é a falha em quantificar e classificar a prioridade dos estímulos. A capacidade de agir sobre a realidade é imprevisível e diminuída, porque o paciente é incapaz de distinguir os estímulos externos os internos.  

2.     Defina psicose orgânica e psicose funcional.

A psicose orgânica refere-se a uma condição reversível ou não de disfunção mental, que pode ser identificada como um distúrbio da anatomia, fisiologia ou bioquímica do cérebro.  A psicose funcional refere-se a uma condição de disfunção mental, identificada como esquizofrenia, uma doença afetiva maior, ou outros distúrbios mentais com características psicóticas.

 3.    Quais são os tipos de psicoses?

A classificação das psicoses é encontrada no DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), e é, apropriadamente, dividida nas variedades funcional e orgânica. A maioria das psicoses agudas de causa orgânica resulta de demência, síndromes de retirada e intoxicações. A esquizofrenia e as doenças afetivas são as principais categorias  de psicoses agudas funcionais.

4.     Como é a apresentação típica de um paciente em estado psicótico no serviço de urgência?

Os pacientes que estão em um estado psicótico, em geral, agem de modo estranho (por exemplo: maneirismos, postura), vestem-se bizarramente, respondem a alucinações, têm crenças falsas e delirantes e, consistentemente, confundem a realidade dos eventos.   Eles são, freqüentemente, impulsivos e em perigo constante de agir, baseados em percepções distorcidas ou idéias delirantes, resultando em lesão ou morte não-intencionais.   A consciência de si mesmo e do ambiente é, consistentemente, velada.   O paciente é incapaz de discriminar os estímulos que percebe.  O pensamento é desorganizado e incoerente, o que se evidencia na fala do paciente. A memória é prejudicada no registro, retenção e recuperação das lembranças.   A orientação, especialmente quanto ao tempo, pode estar prejudicada. O comportamento psicomotor pode ser hipo ou hiperativo em relação aos movimentos e à fala.  As emoções podem variar de apatia e depressão a medo e raiva.

5.     Por que o paciente psicótico vem ao serviço de urgência?

Os pacientes psicóticos são freqüentemente trazidos ao serviço de urgência por familiares ou amigos que já não conseguem controlar o seu comportamento com segurança. Freqüentemente, o paciente psicótico é trazido pela polícia ou paramédicos, porque a condição psicótica em que se encontra é potencialmente perigosa para si mesmo ou para os outros.  Alguns pacientes vêm ao hospital em busca de refúgio para seus temores esmagadores.

6.     Por que é importante controlar imediatamente o comportamento psicótico?

Os pacientes que se apresentam em um estado psicótico são impulsivos e incapazes de priorizar os estímulos e suas reações a estes.  Por causa desta disfunção, devem sempre ser considerados como um perigo para si mesmos, um perigo para os outros e, severamente, incapazes.

7.     Como o potencial para comportamento violento pode ser detectado no paciente psicótico?

Claramente, a melhor maneira de lidar com o comportamento violento é preveni-lo. A maioria dos médicos de urgência reconhece pacientes que estão obviamente confusos, irracionais, paranóicos ou excitados. O médico de urgência deve desenvolver uma vigilância intuitiva com o objetivo de detectar a possibilidade de violência naqueles pacientes que se apresentam mais racionalmente e têm um quadro psicótico menos florido.  Qualquer história ou comentário que sugira violência deve ser levado a sério.  O potencial para violência é, em  geral, diretamente relacionado ao tom, volume e tipo de voz e à tensão corporal.

8.   Existem controladores de comportamento que possam ser utilizados imediatamente com o paciente psicótico?

Sim. Reconhecendo a chance de violência e danos físicos, o médico de urgência é obrigado a tomar passos definitivos que evitem o confronto. (l) Ambientais - mantenha o ambiente simples e livre de estímulos e minimize as mudanças na equipe. (2) Interpessoais – assuma o papel de advogado do paciente e envolva-o com uma voz calma e segura.

9.     Que posição pode ser adotada  se o paciente torna-se progressivamente desorganizado e agitado?

Institua um plano formalizado e previamente ensaiado de contenção física, que só deve ser realizado após as devidas precauções legais e por quem de direito está autorizado para tal. Nestas circunstâncias a um sinal do médico, os guardas de segurança devem aparecer à porta para que o paciente veja e sinta a presença dele.  Esta "demonstração de força" indica que qualquer mostra de violência não será tolerada e, freqüentemente, ajuda o paciente a organizar e retomar o controle de seus pensamentos e comportamento. Após a contenção física do paciente, reviste-o cuidadosamente em busca de armas ou objetos agudos.

10.   Há outros métodos de controle se o paciente continua em confusão psicótica?

A medicação, freqüentemente, complica em vez de acelerar a avaliação de um paciente em estado psicótico. A principal indicação para tranqüilização é a persistência de um comportamento tão desorganizado e não-cooperativo que impossibilite o prosseguimento da avaliação.  Um regime inicial e efetivo é a administração intramuscular de 5 a 10 mg de haloperidol. Se o efeito desejado não for atingido em 30 a 40 minutos, trate com doses repetidas de haloperidol  5 a 10 mg.   As doses adicionais podem ser ajustadas com as devidas precauções, até que a sedação seja satisfatória.