|
A Internação de Emergências
OBJETIVOS
Inclusão
para a unidade de internação adequada.
Comunicação
com o corpo de enfermagem para
planejar a ação imediata dos enfermeiros.
Planejar
investigações médicas e controles imediatos.
UNIDADE
APROPRIADA
DE INTERNAÇÃO
Uma
vez que você decidiu internar o paciente (veja capítulo
4), será de sua responsabilidade decidir que hospital
ou enfermaria é a mais apropriada, utilizando para isso
seu conhecimento das instalações existentes nas proximidades
para internações psiquiátricas.
Nos casos
psiquiátricos gerais de adultos, muitos hospitais
estão organizados de maneira a ter uma equipe
determinada responsável por atendimentos de uma área
geográfica ou setor (o hospital deve ter uma
escala de enfermarias para recebimento de pacientes
sem domicílio fixo ou fora da área de atuação do hospital).
PONTO
PRÁTICO
Tenha
sempre em mente se o hospital da área de residência
do paciente é o mais apropriado para o caso.
Você
deve levar em conta:
-
Problemas
médicos do paciente necessitam de admissão para uma
ala médica:
.
Estado de confusão agudo
.
Doença médica grave
.
Dose excessiva de drogas/remédios
.
Auto-injúria grave
.
Exames físicos urgentes ou sofisticados
-
Existem características pessoais do paciente
que tomam a internação em outro hospital desejável:
.
Membro da equipe
.
Parente de membro da equipe
-
Ou outra ala psiquiátrica:
.
Parente internado em estado agudo no mesmo local.
.
Relacionamento problemático com o companheiro de quarto.
.
Relacionamento problemático com a equipe da ala,
por exemplo, acontecimento anterior de agressão à enfermeira
.
-
A idade do paciente recomenda que uma unidade
para adolescentes ou psicogeriátrica seria mais adequada?
-
O paciente tem problemas específicos que seriam
mais bem tratados em uma unidade especializada?
.
Mãe e criança pequena
.
Álcool
.
Abuso de drogas
-
O paciente pode ser tratado apropriadamente na
ala de internação?
.
Comportamento violento ou indisciplinado
.
Alto risco de auto-injúria
.
Corpo de enfermagem de tamanho adequado para as suas
necessidades
COMUNICAÇÃO
COM O
CORPO DE
ENFERMAGEM
O
corpo de enfermagem da ala espera ter uma quantidade
adequada de informação a respeito do paciente.
-
Meios de comunicação.
-
Razões da internação.
-
Lista de problemas.
-
Plano imediato de tratamento.
-
Grau de observação necessário por parte dos enfermeiros.
-
Grau de risco de suicídio.
-
Quaisquer detalhes em especial, tais como dieta,
assistência para locomoção.
-
Riscos de infecção, tais como hepatite B, vírus
HPV.
-
Situação legal do paciente.
Risco
de suicídio
O
risco ou ameaça de suicídio pode causar muita ansiedade
entre a equipe da ala.
A internação não é uma garantia em si mesma.
A medida preventiva mais importante nestes casos
é manter um relacionamento pessoal com o paciente. Não
é surpreendente que a equipe esteja particularmente
preocupada com alguém que apenas acabara de ver ou que
não tenha oportunidade de conversar.
O corpo de enfermagem irá pedir ao médico que
solicitou a internação, que seja explícito com relação
ao grau de supervisão necessário. O médico deve deixar
as orientações por escrito.
PONTO
PRÁTICO
Descrições
escritas dos vários níveis de supervisão de pacientes
por enfermeiros devem estar disponíveis em todas as
alas de internação. Toda a equipe deve lê-las e concordar com o seu conteúdo.
Na
maioria dos hospitais existe uma hierarquia oficial
de supervisão
que vem das observações de rotina, desde não
deixar a ala sem ninguém da equipe até observações de
quando o paciente nunca deva ser deixado sozinho.
O
nível apropriado de supervisão da equipe de enfermagem
será um equilíbrio entre a manutenção de um ambiente
seguro para o paciente e a angústia causada por tal
intrusão. Um
problema adicional que pode ocorrer é a falta de uma
equipe de enfermagem treinada ou a já existência de
paciente similar na ala.
Situação
legal do paciente
A
maioria dos pacientes que entra num hospital psiquiátrico
o faz voluntária ou informalmente. Entretanto, há pacientes
voluntários para os quais a detenção compulsória é apropriada
se ele se recusar a permanecer no hospital. Ocasionalmente,
tais pacientes concordam com a internação, mas, por
causa de indecisão ou não gostando da ala de internação,
desejam sair logo. Conhecemos pacientes que permaneceram
como "voluntários",
porém foram ameaçados de que se tentassem sair
seriam colocados sob as normas compulsórias. De fato
isso é utilizar os poderes compulsórios legais sem a
supervisão que a lei exige.
PONTO
PRÁTICO
Não
tente evitar que o paciente saia da ala de internação
utilizando-se de ameaças de detenção compulsória.
O uso adequado da legislação de Saúde Mental
prevê proteção tanto para o paciente quanto para a equipe.
Algumas
enfermeiras de determinadas categorias têm autoridade,
pela legislação de saúde, de reter pacientes no hospital
até a chegada de um médico.
PLANO
DE CONTROLE
INICIAL
A
contribuição do médico que solicitou a internação ao
plano de controle inicial deverá incluir:
-
Comunicação com o corpo de enfermagem.
-
Exame físico.
-
Instruções
para observações físicas que devem ser feitas pela enfermagem:
.
Temperatura /pulsação/respiração
.
Pressão sangüínea
.
Equilíbrio de líquidos
.
Alimentação
.
Análise de urina
-
Investigação
física.
-
Prescrição
de medicamentos.
Exame
físico
Alguns
pacientes serão fisicamente examinados como parte das
informações iniciais (veja capítulo 3).
PONTO
PRÁTICO
Qualquer
paciente que necessitar ser internado deve passar por
um exame físico. Registre e descreva a presença de machucaduras
ou qualquer outro tipo de ferimento visíveis na ocasião
da internação.
Pacientes
irrequietos
Alguns
pacientes não serão cooperativos por ocasião da internação
e apenas um exame limitado será possível.
O exame físico deverá ser repetido quando o paciente
estiver mais cooperativo.
Vítimas
de violência
Pacientes
suspeitos de ser vítimas de abusos físicos ou sexuais
não devem ser examinados de maneira a prejudicar o exame
legal adequado (corpo de delito), que deverá ser feito
por médico do departamento de polícia legal.
Investigações
físicas
Lembre-se
de que um paciente necessitando de exames urgentes ou
sofisticados será mais bem atendido numa ala de atendimento
clínico. As
investigações urgentes que podem ser indicadas na internação
de uma ala de psiquiatria geral incluem:
-
Uréia e sais:
.
Desidratação
.
Retirada do álcool
-
Nível de glicose no sangue:
.
Diabetes
.
Alcoolismo
-
Monitoramento
de concentração de drogas no plasma de pacientes com
possibilidade de efeitos colaterais ou exacerbação do
problema:
.
Lítio - deve ser colocado em um tubo de coleta de sangue
com uma estimativa da hora da última dose.
.
Carbamazepina
.
Fenobarbitona.
.
Fenitoina
-
Concentração
no sangue de analgésicos em auto-injúria deliberada
disfarçada;
.
Salicilato
.
Paracetamol
Seria
de bom alvitre em determinadas internações de emergência
coletar material para análise posterior durante o período
normal de trabalho, como:
-
Urina para um teste de detecção de drogas.
-
Sangue para a determinação de etanol.
Prescrição
de medicamentos
PONTO
PRÁTICO
A
prescrição de medicamentos deve ser mantida no menor
nível possível.
Todos
os médicos devem analisar as vantagens da utilização
de medicamentos com as desvantagens dos efeitos colaterais.
A influência mais importante neste equilíbrio
é a necessidade do paciente e esta pode mudar drasticamente
com a internação.
Por outro lado, o ambiente da ala de internação,
a equipe e outros pacientes necessitam de proteção contra
comportamentos inconvenientes. A remoção das fontes
de tensão do mundo exterior e a provisão de um ambiente
acolhedor são, decididamente, terapêuticos.
PONTO
PRÁTICO
Antes
de receitar para um paciente de emergência pergunte-se
se é por causa de real necessidade ou apenas para acalmar
as tensões daqueles que estão lidando com ele.
Como
regra geral sugerimos:
-
Para pacientes que vêm pela primeira vez, não
receite a não ser que existam indicações claras e que
possam ser registradas nas anotações do caso.
-
Quando se tratar de suspeita de uma psicose induzida
por drogas não receite até ter certeza.
-
Para um paciente que já tenha histórico em atendimento
psiquiátrico é razoável manter a medicação que ele estava
tomando se estiver sendo bem tolerada.
-
Em pacientes com histórico psiquiátrico bem documentado
e sofrendo de reincidência da doença você poderá prescrever
ao internar.
-
Um paciente com risco ou sofrendo de síndrome
significativa de retirada de álcool deve passar por
profilaxia apropriada ao ser internado.
COMPORTAMENTO
PERTURBADO
Comportamento
violento ou ameaçador não são doenças psiquiátricas
em si mesmos.
O comportamento perturbado que seja causado por
problemas psiquiátricos deve ser tratado em áreas com
grande número de pessoal e meios não farmacológicos.
Em muitos casos, entretanto, uma terapia com remédios
seria apropriada para aliviar os receios do paciente
e protegê-lo, assim como a equipe. Apesar de a legislação
de saúde mental, na parte que trata de emergências,
não permitir tratamento compulsório de pacientes retidos,
os médicos têm o dever legal de preservar a vida e evitar
ferimentos sérios no paciente ou em outros.
PONTO
PRÁTICO
Nunca
force terapia com medicamentos em um paciente informal
se existir tempo suficiente para recorrer a uma sessão
apropriada de emergência da Lei de Saúde Mental.
Tal tipo de ação pode mais tarde ser considerado
como agressão.
Como
regra geral, sugerimos:
-
Sempre considere a via oral como a mais desejável.
-
Injeções parenterais podem ser necessárias se:
.
O paciente não colaborar.
.
Necessitar de efeito rápido.
-
Tenha sempre presente pessoal médico e de enfermagem
em número suficiente para evitar ferimentos no paciente
ou em outros membros da equipe.
-
Se o comportamento perturbado é o resultado de
uma psicose maior, como esquizofrenia, prescreva um
neuroléptico:
.
Até 200 mg de clorpromazina por via oral.
.
Até 150 mg de clorpromazina por via intramuscular.
.
10 mg de
droperidol
por via
intramuscular
ou intravenosa
pode ser
menos sedativo, se não der
resultado, mais 10 mg podem ser ministrados.
-
Se o comportamento perturbado é o resultado de
uma psicose efetiva, a estratégia acima pode ser necessária,
particularmente se o paciente não estiver recebendo
outra terapia com medicamentos concomitantemente.
-
Para pacientes apresentando problemas de ordem
afetiva, poderão ser ministrados calmantes, sendo suficiente
usar:
.
Até l0 mg de diazepam por via oral ou por via intravenosa
lentamente.
.
2 mg de lorazepam por via intramuscular.
-
Poderá ser conveniente evitar drogas neurolépticas
usando o descrito acima, utilizando-se drogas baseadas
em benzodiazepínicos, quando:
.
O diagnóstico não está claro.
.
Psicose induzida por drogas.
.
Houver presença de doença médica para a qual o lorazepam
é preferível por ter menor probabilidade de causar depressão
da respiração.
Efeitos
colaterais de drogas
Todos
os regimes propostos acima podem causar sedação excessiva,
andar cambaleante e hipotensão.
Drogas neurolépticas podem produzir outros efeitos
colaterais pronunciados, como:
.
Rigidez muscular súbita (reação distônica súbita)
.
Rigidez muscular
.
Tremores
.
Incontinência motora, particularmente nas pernas (acatisia)
PONTO
PRÁTICO
Não
confunda eleitos colaterais de drogas com sintomas motores
de psicoses. Se
efeitos colaterais são confundidos
como sendo sinais de psicose, então é possível
que a droga que esteja causando o problema seja aumentada.
Reações
graves às drogas
Raramente
são observadas reações graves em pacientes recebendo
drogas neurolépticas altamente potentes que usualmente
são ministradas em combinação. Esta síndrome maligna
neuroléptica consiste de rigidez muscular marcante,
acompanhada de febre e acentuadas flutuações da pulsação
e pressão sangüínea.
É mais provável que venham a ocorrer em pacientes
que tenham concomitantemente doenças físicas e necessitem
parar de receber toda a medicação neuroléptica.
|