CONSULTAS
DE EMERGÊNCIA POR TELEFONE
OBJETIVO
Reunir
informações essenciais e decidir a ação inicial
INTRODUÇÃO
Apesar
do aumento do número de clínicas psiquiátricas, muitas
chamadas de emergência são feitas por clínicos gerais
ou outras fontes que telefonarão para discutir sobre
algum paciente. Lembre-se de que eles podem ter informações
valiosas que o ajudarão a compreender o paciente,
o seu problema e as condições disponíveis.
PONTO
PRÁTICO
Neste
ponto você deve ter controle sobre onde e quando o
paciente está sendo atendido.
INFORMAÇÕES
ESSENCIAIS
SOBRE
QUALQUER
CONSULTA
Consultante
-
Nome
da pessoa que está telefonando
-
Instituição (hospital, etc.)
-
Número de telefone para contato
Paciente
-
Nome completo do paciente
-
Data de nascimento
-
Endereço
Problema
-
Problema
apresentado, duração e tratamento até o momento.
-
Solicitação do consultante, por exemplo, informação,
consulta ou sugestão telefônica.
-
Qualquer
questão específica, como, por exemplo, suspeita de
risco de suicídio.
Logística
-
Grau de urgência
-
Localização
do paciente no momento
-
Situação legal
Contatos
prévios e expectativas
-
Contato prévio com psiquiatra.
-
Contato
prévio com este serviço:
.
Em caso positivo, aproximadamente quando?
.
De que endereço?
.
Teve nome alterado desde então?
.
Número de registro.
-
Expectativa
do consultante, como, por exemplo, visita domiciliar,
internação hospitalar.
-
Nome
do clínico geral, bem como endereço e telefone.
PONTO
PRÁTICO
Em
caso de dúvida peça algum tempo para pensar.
Diga que você voltará a ligar após consultar
anotações dos casos ou algum colega.
DECISÕES
IMEDIATAS
-
Este é o serviço mais adequado para o endereço
e idade do paciente? Muitos serviços de atendimento
operam com políticas de áreas de atuação e
os pacientes mais idosos ou os jovens podem ter serviços
de atendimento diferenciados.
-
Você
é capaz de orientar, pelo telefone, sobre como proceder,
ou seria melhor solicitar auxílio de um colega mais
experiente?
-
A
solicitação deve ser passada para alguém mais?
Isso vai depender das condições locais para:
.
Visitas domiciliares.
.
Atendimento de pessoa sob custódia policial.
.
Horário para consultas urgentes de pacientes em ambulatório.
-
Você
tem certeza sobre com o que o consultante está preocupado
e o que está solicitando a você?
CONFIDENCIALIDADE
PONTO
PRÁTICO
Nunca
dê informações pelo telefone a não ser que você conheça
quem está falando e que, além disso, esta pessoa tenha
condições de receber tais informações.
Você
sabe quem está chamando?
Se
você não conhece ou não reconhece a voz da pessoa
ao telefone, como pode ter certeza de que se trata
de quem se diz ser? Alguns pacientes têm o costume
de telefonar dizendo-se médicos, assistentes sociais
ou qualquer outra pessoa de forma a verificar informações
que receberam. Em situações mais críticas, a pessoa
que se diz um médico pode ser alguém tentando reunir
informações para usar contra o paciente, por exemplo,
em um processo de divórcio. Nunca dê informações para
terceiros sem o consentimento expresso do paciente.
Divulgando
informações pessoais ou médicas
-
Você só deve fornecer informações
médicas privilegiadas para um outro médico,
e este médico deve ter responsabilidade clínica pelo
paciente, por exemplo, para um clínico geral de plantão.
-
Em situações de emergência, deve-se limitar
a passagem de informações para outros profissionais
apenas quando for essencial para a saúde ou segurança
do paciente, como, por exemplo, confirmar para a polícia
que uma pessoa em custódia tem algum antecedente psiquiátrico
e necessita de acompanhamento nesta especialidade.
-
Antes de dar qualquer informação solicite o
nome de quem está chamando, número de telefone, instituição,
profissão e razão para a informação.
-
Peça para que a telefonista do PABX verifique
o número da instituição.
-
Se o número for correto, volte a telefonar
e procure a pessoa pelo seu nome.
-
Se o número não for correto, você pode ligar
para a instituição
e perguntar se aquela pessoa trabalha efetivamente
lá e conseguir um número para contato.
-
Em caso de dúvida, não libere nenhuma informação.
Informe um colega mais experiente sobre o problema.
CHAMADAS
TELEFÔNICAS DE PACIENTES OU PARENTES
Os
serviços de psiquiatria dos hospitais variam na maneira
pela qual as chamadas e consultas telefônicas são
toleradas ou encorajadas.
Pessoas
que ligam podem estar querendo saber:
-
Informações
sobre serviços psiquiátricos.
-
Conseguir suporte.
-
Informar alguém sobre alguma angústia ou ameaça.
Informações
sobre serviços psiquiátricos
A
não ser que você trabalhe numa clínica de atendimento
de emergência, ou num serviço especializado de tratamento
ambulatorial que aceite consultas pessoais, você deverá:
-
Reforçar o papel do clínico geral como fonte
de primeira orientação:
.
O c1ínico
geral
poderá
detectar
a necessidade
ou não
de consulta psiquiátrica.
.
O clínico geral julgará a urgência desta consulta.
Suporte
Apesar
de ser útil apenas ouvir os pacientes angustiados,
os seguintes pontos devem ser mantidos em mente:
-
Esta é a função do psiquiatra de plantão?
-
Não seria interessante informar aos que estão
ligando nestas condições que existem instituições
voluntárias que fazem este tipo de trabalho, como,
por exemplo, os samaritanos?
-
Este tipo de suporte aumenta a dependência
do hospital?
-
Estes problemas não seriam adequadamente discutidos
com um clínico geral?
-
Estes problemas não deveriam ser discutidos
com o terapeuta do paciente - se já se encontrar em
tratamento?
Pacientes
que fazem ameaças
As
pessoas que ligam podem dizer que vão ou já
tomaram uma grande quantidade de remédios ou
que vão causar ferimentos em si próprios. Isso coloca o psiquiatra de plantão numa situação embaraçosa.
Provavelmente ele não conhece o paciente ou
a seriedade com a qual a ameaça está sendo feita.
Em qualquer situação, é muito pouco provável
que o médico possa sair do hospital.
-
Pergunte ao paciente seu nome, endereço e número
de telefone.
-
Aconselhe o paciente para que procure seu clínico
geral.
-
Se isso falhar, recomende ao paciente que se
dirija ao departamento de emergências ou acidentes
mais próximo.
-
Se ele se recusar a fazer isso, informe a polícia.
-
Se quem está ligando se recusar a dar qualquer
informação pessoal, não há nada que você possa fazer.