ROLE
- PLAYING
É
imprescindível mencionar os Grupos
Balint, nome que homenageia o psicanalista
inglês, já falecido, Michael Balint
que, nos anos 50-60, desenvolveu
um importante trabalho junto a médicos,
utilizando uma técnica grupal que
deixou registrada em seu clássico
livro (I). Sua técnica consistia,
basicamente, em discutir a dinâmica
das relações humanas contidas no
bojo das situações clínicas trazidas
pelos médicos participantes do grupo,
na medida em que os mesmos experimentavam
e reconheciam em si próprios os
dinamismos inconscientes inerentes
a todos os indivíduos e grupos.
Luiz
Carlos Osório (1986) tem empregado
essa técnica nos programas de educação
médica continuada; prefere a designação
de "Grupo de Reflexão",
baseado em Dellarossa, psicanalista
argentino, muito ligado à prática
da psicoterapia analítica de grupo.
Trata-se de uma técnica grupal que,
como o próprio nome indica, visa
a induzir que os integrantes do
grupo desenvolvam a capacidade de
refletir acerca dos fenômenos relacionais
inconscientes. A capacidade para
a reflexão implica simultânea desenvoltura
das capacidades para perceber, sentir,
pensar, agir e, especialmente, aprender
a aprender.
Ainda
Tubert-Oklander: "Nos grupos
operativos, a tarefa interna exige
que os membros realizem uma permanente
indagação das operações que se realizam
no seio do grupo, em função da relação
com a tarefa externa, vista como
organizadora do processo grupal".
A
atitude de "refletir (se)"
sobre a experiência do próprio grupo
enquanto grupo é o ponto de partida
dos assim chamados grupos de reflexão,
contribuição da teoria da técnica
dos grupos operativos à aprendizagem
supervisionada em grupos. Esses
grupos, onde os supervisionados
utilizam a própria experiência de
participar como membros de um grupo
de ensino-aprendizagem como parte
de seu treinamento, derivam-se dos
chamados grupos T (training groups),
introduzidos a partir de 1949 nos
laboratórios sociais de dinâmica
de grupo inspirados nas idéias de
Lewin.
Resumidamente,
os grupos de reflexão oportunizam
a aprendizagem das técnicas grupais
por intermédio do próprio grupo
de aprendizado involucrado na experiência
de treinamento, de tal forma que
a práxis supervisora inclua as vivências
do supervisor com seus supervisionados,
e destes entre si, como elemento
nuclear do processo de aprendizagem.
Os
grupos de reflexão têm por finalidade
precípua desenvolver as habilidades
dos participantes de "pensar"
o próprio grupo a partir de uma
experiência compartilhada de aprendizagem,
mantendo-se, contudo, uma cuidadosa
discriminação entre a proposta de
utilizar os sentimentos emergentes
do grupo para compreender os fenômenos
grupais e qualquer outra intenção
de índole psicoterápica dirigida
a seus membros.
Por
esta pálida amostragem podemos perceber
o quanto denominações diferentes
podem se estar referindo a uma mesma
finalidade grupal e, da mesma forma,
um mesmo nome pode estar designando
atividades que, em sua essência
são diferentes.
Assim,
muitos
autores
costumam catalogar os grupos
de acordo com a técnica empregada
pelo coordenador do grupo e com
o tipo de vínculo que ele estabeleceu
com os indivíduos integrantes. Exemplo
disso e o conhecido critério de
classificar os quatro tipos seguintes:
a)
Pelo grupo (o qual, segundo
um modelo exortativo, funciona
gravitando em torno do líder,
através do recurso da sugestão
ou de uma identificação com ele,
como nos grupos “Pratt”, ou no
dos Alcoolistas Anônimos, etc).
b)
Em grupo (as interpretações
são dirigidas ao indivíduo).De
certa forma é um tratamento individual
de cada membro na presença dos
demais
c)
Do grupo (o enfoque
interpretativo está sempre dirigido
ao grupo como uma totalidade gestáltica).
d)
De grupo (a atividade
interpretativa parte das individualidades
para a generalidade e desta para
os indivíduos).
A
classificação que aqui será adotada
baseia-se no critério das finalidades
a que se propõe o grupo e parte
da divisão nos seguintes dois grandes
ramos genéricos: Operativos e Terapêuticos.
É
claro que na prática essas distintas
ramificações não são perfeitamente
delimitadas: antes, elas, muitas
vezes, se interpõem, se completam
e se confundem.
Não
é demais repetirmos que o fundamental
é que o terapeuta tenha bem claras
as respostas às seguintes questões:
que espécie de mudanças ele pretende?
Que tipos de técnicas? Aplicado
para qual tipo de pacientes, por
qual tipo de terapeuta e sob quais
condições?
GRUPOS
OPERATIVOS
1.
Grupos Operativos voltados ao
Ensino-Aprendizagem(*).
A ideologia fundamental deste
tipo de grupo é de que o essencial
é “aprender a aprender”, e que
"mais importante do que encher
a cabeça de conhecimentos é formar
cabeças". Incontáveis são
as modalidades de aplicação dos
grupos operativos, sendo que muitas
vezes, sob múltiplas denominações
distintas, designam um funcionamento
assemelhado. Assim, especificamente
em relação à tarefa de ensino
e treinamento são conhecidos os
grupos "T" (training-groups):
os grupos "F" (a letra
e a inicial de free e de
formation, o que diz tudo
da característica de tais grupos);
os grupos "Balint" (nome
de um renomado psicanalista inglês
que realizava uma atividade sistemática
com grupos de médicos não psiquiatras
visando dar-lhes condições de
desenvolverem uma atitude emocional
empática e para uma ação psicoterápica,
clinica): e os "grupos de
reflexão".
2.
Grupos Institucionais. Cada
vez mais a atividade está sendo
utilizada nas instituições em
geral. Assim, as escolas estão
promovendo reuniões que congregam
pais, mestres e alunos com vistas
a debaterem e a encontrarem uma
ideologia comum de formação humanística.
O mesmo se passa nas diversas
associações de classe, como, por
exemplo, nos sindicatos, na igreja,
no exército e nas empresas. Especialmente
essas últimas estão montando serviços
dirigidos por psicólogos organizacionais
- que se destinam a aumentar o
rendimento de produção da empresa
através de grupos operativos centrados
na tarefa de obtenção de um clima
de harmonia entre os seus diversos
subgrupos.
3.
Grupos Comunitários. O melhor exemplo deste tipo de grupo e o de sua,
crescente, aplicação no campo
da saúde mental.
Partindo
da definição que a OMS deu à saúde
como sendo a de "um completo
bem-estar físico, psíquico e social",
é fácil entendermos que as técnicas
grupais encontram (ou deveriam
encontrar) uma larga área de utilização,
sobretudo em comunidades.
Esses
grupos comunitários são utilizados
na prestação tanto de cuidados
primários de saúde (prevenção),
como secundários (tratamento)
e terciários (reabilitação).
Assim,
são de comprovada utilidade a
realização de grupos, por exemplo,
com gestantes, adolescentes sadios,
líderes naturais da comunidade,
pais, e assim por diante. Um bom
exemplo da utilização prática
de grupos comunitários é o excelente
trabalho com adolescentes, desenvolvido
em Florianópolis pelo psiquiatra
Francisco Batista Neto.
Técnicos
de distintas áreas de especialização
(além de psiquiatras, outros médicos
não-psiquiatras, psicólogos, assistentes
sociais, enfermeiros, sanitarista,
etc.) podem, com relativa facilidade,
ser bem treinados para essa importante
tarefa de integração e de incentivo
às capacidades positivas desde
que fiquem unicamente centrados
na tarefa proposta e conheçam
os seus limites.
GRUPOS
TERAPÊUTICOS
A corrente psicodramática vem ganhando espaço em nosso meio.
Criado por J. Moreno, na década
de 30, o psicodrama ainda conserva
o mesmo eixo fundamental constituído
pelos seguintes seis elementos:
cenário, protagonista, diretor,
ego auxiliar, público e a cena a
ser apresentada.
A
dramatização pode possibilitar a
reconstituição dos primitivos estágios
evolutivos do indivíduo. Assim,
uma primeira etapa da dramatização
(técnica da dupla) visa ao reconhecimento
do indiferenciado "eu"
x "outro". Numa segunda
etapa (técnica do espelho), o protagonista
sai do palco e, a partir do público,
assiste à representação que uma
outra pessoa, no papel de ego auxiliar,
faz dele, o que possibilita que
se reconheça, a si próprio, assim
como na infância ele reconheceu
a sua imagem no espelho. A terceira
etapa (técnica da inversão dos papéis)
vai permitir que possa colocar-se
no lugar do outro, assim desenvolvendo
o sentimento de consideração pelos
demais. É claro que, no curso do
tratamento, essas etapas não são
estanques.
A
grupoterapia analítica é também
referida, segundo vimos, como grupo-análise,
psicoterapia analítica de grupo,
psicanálise de grupo ou psicoterapia
grupal de orientação analítica.
Se
nos ocupamos dela inicialmente é
porque cronologicamente a psicanálise
foi o primeiro marco referencial
teórico para o estudo e a compreensão
dos agrupamentos humanos, com o
objetivo de instrumentar seu atendimento.
Embora, a rigor, o psicodrama a
tenha antecedido como método de
abordagem grupal, não a precedeu
como estrutura teórica a partir
da qual se pudesse entender os mecanismos
e
pressupor uma ação psicoterápica
sobre os indivíduos que compõem
um grupo.
Introduzida
em nosso meio em meados da década
de 50, apresenta um acentuado declínio
nos anos 70.
Atualmente, a grupoterapia analítica vem incorporando à sua
prática e se deixando fecundar em
sua sustentação teórica por elementos
oriundos de outras vertentes, tais
como a dinâmica de grupo, a teoria
dos grupos operativos, a teoria
da comunicação humana, a teoria
sistêmica, o psicodrama e outras
mais. Isso, ao que tudo indica,
deverá
afetar singularmente a práxis
das novas gerações de grupoterapeutas
de linhagem psicanalítica e, conseqüentemente,
a prática da supervisão, agora,
já não mais calcada apenas no clássico
modelo do relato verbal das sessões,
mas enriquecendo-se com a utilização
do role-playing (contribuição
das técnicas psicodramáticas), do
emprego do espelho unidirecional
e do vídeo (de uso corrente nas
supervisões das terapias familiares
sistêmicas) e da utilização do próprio
grupo em supervisão como matriz
do aprendizado (como nos grupos
de reflexão sobre a tarefa, oriundos
da prática com grupos operativos).
A
primeira geração de grupoterapeutas
analiticamente orientados (décadas
de 50-6O), como só aconteceu com
os pioneiros, foi de formação basicamente
autodidática, embora alguns tenham
recebido treinamento não-sistematizado
em outros centros, conforme Cyro
Martins. A segunda geração (décadas
de 60-70), ainda que na aquisição
de conhecimentos teóricos continuasse
em moldes autodidáticos, pôde enriquecer
suas vivências grupais, seja como
pacientes de grupos analíticos de
colegas da geração precedente, seja
como seus supervisionados.
A terceira geração que ora surge (a partir da década de 80),
além dos elementos de aprendizagem
já mencionados, passa a contar com
a possibilidade de sistematizar
seus conhecimentos teóricos e enriquecer
a prática supervisionada com outras
modalidades oriundas de distintos
referenciais teóricos.
A
supervisão em grupoterapia analítica
pressupõe que se inicie já com a
seleção e o agrupamento dos pacientes,
uma vez que a constituição
do grupo é momento crucial para
sua futura viabilização como adequado
continente psicoterápico. É fundamental,
então, selecionar e agrupar convenientemente
seus membros, respeitando não só
a compatibilidade dos indivíduos
que devem compô-lo como as idiossincrasias
contratransferências do terapeuta.
PSICODRAMA
Moreno
legou-nos uma didática e completa
exposição de suas idéias no livro
cujo titulo leva o nome do método
que criou: Psicodrama. Preocupou-se
de tal forma em resenhar a trajetória
de seu pensamento que não titubeou
em assinalar o dia e a hora do nascimento
do psicodrama: 1º de abril de 1921,
entre as 19 e às 22 horas.
Apesar
do aparente fracasso da representação
nascia aí uma nova modalidade de
expressão catártica que, instrumentada
pelo exercício da espontaneidade
e sustentada na teoria dos papéis,
viria a se constituir no método
psicodramático de abordagem dos
conflitos interpessoais, cujo âmbito
natural era o grupo.
A
descoberta do psicodrama como método
de valor terapêutico ocorreu durante
o trabalho com Bárbara e os conflitos
com Jorge, seu marido. Em 1922,
Moreno fazia parte de um grupo de
teatro que tinha como objetivo representar
espontaneamente temas do cotidiano.
As notícias diárias eram redramatizadas
no teatro. Bárbara era uma das atrizes
do grupo. Ela representava rotineiramente,
com bom desempenho, papéis "ingênuos,
heróicos e românticos".
Apaixonou-se
por um homem da platéia, que a assistia
rotineiramente, na primeira fila,
com grande entusiasmo. Jorge a admirava,
surgindo daí um romance e logo casamento.
Não demorou muito o marido veio
a Moreno e lhe disse: "Aquele
ser suave, angélico, que vocês todos
admiram, age como criatura endemoninhada
quando está a sós comigo".
Numa noite, Moreno interrompeu Bárbara
em seu desempenho naqueles papéis
suaves e propôs que ela representasse
o papel de uma prostituta que, segundo
a notícia que acabara de chegar,
havia sido assassinada por um de
seus homens num bairro pobre de
Viena. Para surpresa geral, ela
teve um grande desempenho no personagem
da prostituta, dando aos presentes
a sensação de realidade. O passo
seguinte, na descoberta do teatro
terapêutico, foi a subida de Jorge
para o palco, passando de espectador
para ator, contracenando com sua
esposa nos temas do cotidiano, no
qual estavam também representadas
cenas do cotidiano deles como casal.
Aos
poucos se acrescentou, na representação,
aspecto da família de ambos determinando
nos espectadores uma repercussão
e mobilização mais significativa
segundo diziam os espectadores a
Moreno, após o espetáculo.
Vemos
aqui como o script dá lugar ao espontâneo
para que ele determine-o na representação
dramática. Assim ficam personificados
e encenados os conteúdos humanos
significativos do indivíduo na relação
com o mundo.
Método
psicoterápico de grupo por excelência,
o psicodrama desde seus primórdios
estabeleceu um setting basicamente
grupal, com a presença
do terapeuta (diretor de
cena), seus egos auxiliares e os
pacientes (tanto como protagonistas
como público). Aliás, a expressão
"psicoterapia de grupo"
foi pela primeira vez utilizada
por Moreno.
O
psicodrama, como instrumento psicoterápico,
desenvolveu-se a partir do "teatro
da espontaneidade" e do sociodrama
morenianos. Alicerça-se na "teoria
dos papéis", ou seja, no conjunto
de posições imaginárias assumidas
pelo indivíduo desde seus primórdios
na relação com os demais.
O
método psicodramático usa a representação
dramática (a cena) como centro de
sua abordagem dos conflitos humanos;
essa representação une a ação à
palavra, privilegiando o contato
corporal, motor e tátil, ao lado
da comunicação verbal. Daí decorre
que o método de supervisão, por
excelência utilizado na formação
e treinamento dos que o empregam
-role playing- consiste em
procedimentos em que o relato real
da supervisão analítica é substituído
pela experiência revivenciada do
processo psicoterápico através do
"jogo de papéis".
EM
QUE CONSISTE O ROLE-PLAYING?
O
role-playing é um "como-se"
da sessão psicoterápica, no qual,
por exemplo, supervisor e supervisionando,
assumindo alternadamente os papéis
de terapeuta e paciente, possam
juntos compor as várias alternativas
do processo psicoterápico pelo revivenciar
psicodramático de situações ocorridas
na(s) sessão(ões) prévia(s) ou ensaiar
os passos futuros de sessões vindouras.
Assim, não só o role-playing
serviria
para preencher as lacunas compreensivas
do material de sessões já ocorridas,
como possibilitaria a antecipação
imaginária dos eventos possíveis
ou prováveis no devir grupal, ensejando
ao supervisionando o domínio das
ansiedades frente ao novo e desconhecido,
que tantas vezes o paralisa em sua
função psicoterápica.
Ao
dramatizar uma sessão já ocorrida,
o role-playing permite ao
supervisionado
revivenciá-la, experimentando
distintos ângulos de (auto) observação
do papel que desempenhou, bem como
ampliar o enfoque compreensivo do
material aportado pelo grupo, por
meio de sua observação especular,
pela rotatividade de papéis inerente
à própria natureza dessa técnica
de aprendizado.
Por
outro lado, a representação, por
meio do "como-se" dramático
de uma sessão futura oferece-lhe
a oportunidade de testar previamente
suas atitudes e reações frente a
eventuais emergentes grupais, assim
como lhe permite o confronto com
as suas vicissitudes na tarefa,
sem a sobrecarga ansiogênica
da realidade factual.
O
role-playing mostra-se de
extremo valor no treinamento prévio,
ao início do trabalho psicoterápico
com grupos; em uma comparação quiçá
um tanto inadequada, diríamos que
equivale à realização de condições
simuladas de práticas cirúrgicas
antes de efetivá-las em determinado
paciente.
A
interpretação de papéis traz dados
que não podem ser obtidos pelos
modelos mais tradicionais. Ajudará
os alunos a adquirirem uma percepção
de sua própria pessoa, de seus problemas
e dos problemas relacionados à direção
de grupos.
Para
Moreno o psicodrama é o veículo
por excelência para o desenvolvimento
da espontaneidade do adulto ou a
recuperação da espontaneidade infantil
vigente na sua atividade lúdica.
Teoria
dos papéis:
O termo "papel" em psicodrama
foi tomado de empréstimo da arte
cênica e, portanto, não tem originalmente
conotações psicológicas ou sociológicas,
mas gradualmente ao longo do desenvolvimento
da experiência psicodramática afastou-se
de seus significados originais para
definir-se, no plural, como um conjunto
caleidoscópico de expressão das
várias possibilidades identificatórias
do ser humano. Os papéis psicodramáticos
expressariam, portanto, as
distintas dimensões psicológicas
do eu (self) e a versatilidade potencial
de nossas representações mentais.
Segundo
Moreno é o papel a forma de funcionamento
que assume o indivíduo no momento
específico em que reage ante a uma
situação específica na qual estão
involucradas outras pessoas ou objetos
e sua função é entrar no inconsciente,
a partir do mundo social, para dar-lhe
forma e ordem.
Embora
seja esperado que cada um de nós
desempenhe os papéis que nos estão
designados na sociedade (familiares,
profissionais, de cidadania), na
verdade cada um de nós pode e deseja
encarnar muitos outros papéis distintos
ou além dos que nos estão permitidos
desempenhar na vida. Esse desejo
seria fonte permanente de ansiedade
pela pressão que exerce sobre os
papéis oficiais ou manifestos que
nos tocam desempenhar.
Afirma
ainda ser o papel a unidade da cultura
e haver uma interação contínua entre
o eu (self) e a variedade de papéis
que representa ou poderia vir a
representar.
Tele:
Palavra que Moreno tomou do grego
significando "influência à
distância” para identificar a percepção
interna mútua dos indivíduos e que
seria distinta da noção psicanalítica
de transferência por não
considerar a projeção das fantasias
inconscientes do indivíduo sobre
o outro, mas apenas o que, segundo
Moreno, corresponde à intuição não
auto-sugestiva que cada um de nós
tem sobre seu próximo. Para seu
autor, tele é uma estrutura
primária e que geneticamente surge
antes da transferência, que seria
então uma estrutura secundária.
A tele seria ainda "o
cimento que mantém unidos os grupos".
TÉCNICA
O
método psicodramático consiste no
emprego da representação dramática
como veículo de expressão dos conflitos,
unindo a ação à palavra. A sessão
psicodramática desenvolve-se ao
longo de três momentos sucessivos:
o aquecimento , a representação
propriamente dita e o
compartilhamento.
Entre
as técnicas incluídas no processo
psicodramático destacaríamos:
Inversão
dos papéis-
Considerada a técnica básica do
psicodrama, na qual o protagonista
é "convidado" a trocar
de lugar com o personagem que com
ele contracena e assumir seu papel
na situação interativa que está
sendo representada. Visaria proporcionar
uma quebra do hábito ou estereótipo
e de visualizar o conflito sempre
do mesmo ponto de vista, qual seja,
o do paciente.
Espelho
- Técnica em que o protagonista
sai de cena e passa a ser espectador
da representação que um ego auxiliar
faz de sua intervenção anterior,
para que possa identificar como
próprios aspetos ou condutas que
não está podendo reconhecer como
suas.
Duplo
-
Técnica na qual o coordenador ou
um ego auxiliar põe-se ao lado do
protagonista e expressa gestual
ou verbalmente o que lhe parece
que esse não está conseguindo transmitir,
por inibições ou repressão.
Alter-ego
-
Técnica em que o coordenador ou
um ego auxiliar diz ao ouvido do
protagonista o que acha que está
oculto em sua mente para que esse
"tome consciência" do
material reprimido ou escotomizado,
com o que geralmente ocorre uma
quebra na comunicação estereotipada
do protagonista. Esta técnica, bem
como a anterior, é de particular
valia em psicoterapias de casais
com o método psicodramático.
Solilóquio
- Técnica na qual o protagonista
é estimulado a dizer em voz alta
como se falasse consigo mesmo, sentimentos
e pensamentos evocados durante cena
dramática.
Prospecção
ao futuro
- Técnica em que se convida o protagonista
a imaginar-se em um tempo futuro
e visualizar os conteúdos da situação
conflitiva trabalhada neste momento
vindouro.
Escultura
–
Técnica em que se convida o grupo
a expressar sob a forma de uma escultura,
utilizando seu próprio corpo, o
estado relacional do grupo em um
dado momento de sua vivência psicodramática.
Independentemente
da modalidade de atendimento grupal
que se queira ensinar, as técnicas
de supervisão mencionadas (role-playing,
grupo de reflexão, acompanhamento
de sessões ao vivo no espelho unidirecional,
discussão do registro em videoteipes)
enriquecem sobremaneira o treinamento
dos supervisionados,
e por isso as preconizamos
como indispensáveis a qualquer programa
contemporâneo de formação de grupoterapeutas.
A
evolução da grupoterapia
pelas modalidades técnicas
resenhadas ensejou profundas mudanças
na concepção e metodologia do trabalho
supervisionado.
A
função do supervisor é basicamente
oferecer-se como modelo de identificação
profissional e, para tanto, deve
permitir que o supervisionando tenha
acesso, na própria experiência grupal
de ensino-aprendizado compartilhada,
à observação direta de seu modo
de sentir, pensar e agir.