Os Transtornos
Relacionados a Substâncias incluem desde transtornos relacionados
ao consumo de uma droga de abuso (inclusive álcool), aos efeitos
colaterais de um medicamento e à exposição a toxinas. Neste
manual, o termo substância pode referir-se a uma droga de abuso,
um medicamento ou uma toxina. As substâncias discutidas nesta
seção são agrupadas em 11 classes:
| álcool |
| anfetamina
ou simpaticomiméticos de ação similar |
| cafeína |
| canabinóides |
| cocaína |
| alucinógenos |
| inalantes |
| nicotina |
| opióides |
| fenciclidina
(PCP) ou arilciclo-hexilaminas de ação similar e sedativos |
| hipnóticos
ou ansiolíticos |
As seguintes
classes compartilham aspectos similares, embora sejam apresentadas
em separado: o álcool compartilha características dos sedativos,
hipnóticos e ansiolíticos, e a cocaína compartilha características
das anfetaminas ou simpaticomiméticos de ação similar. Esta
seção também inclui Dependência de Múltiplas Substâncias e Transtornos
Relacionados a Outras Substâncias ou Substâncias Desconhecidas
(incluindo a maior parte dos transtornos relacionados a medicamentos
ou toxinas). Muitos medicamentos vendidos com ou sem prescrição
médica também podem causar Transtornos Relacionados a Substâncias.
Os sintomas com freqüência estão relacionados à dosagem do medicamento
e habitualmente desaparecem com a redução da dosagem ou suspensão
do medicamento. Entretanto, às vezes pode haver uma reação idiossincrática
a uma única dose. Os medicamentos capazes de causar Transtornos
Relacionados a Substâncias incluem (mas não se limitam a) anestésicos
e analgésicos, agentes anticolinérgicos, anticonvulsivantes,
anti-histamínicos, medicamentos anti-hipertensivos e cardiovasculares,
antimicrobianos, antiparkinsonianos, agentes quimioterápicos,
corticosteróides, medicamentos gastrintestinais, relaxantes
musculares, antiinflamatórios não-esteróides, outros medicamentos
vendidos sem prescrição, antidepressivos e dissulfiram. A exposição
a uma ampla faixa de outras substâncias químicas também pode
levar ao desenvolvimento de um Transtorno Relacionado a Substância.
As substâncias tóxicas capazes de causar Transtornos Relacionados
a Substâncias incluem (mas não se limitam a) metais pesados
(por ex., chumbo ou alumínio), raticidas contendo estricnina,
pesticidas contendo inibidores da acetilcolinesterase, gases
nervosos, etileno glicol (anticongelante), monóxido e dióxido
de carbono. As substâncias voláteis (por ex., combustíveis,
tintas) são classificadas como "inalantes" (ver p.
228), quando usadas com fins de intoxicação e são consideradas
"toxinas", se a exposição é acidental ou faz parte
de um envenenamento intencional. Prejuízos na cognição ou no
humor são os sintomas mais comuns associados com substâncias
tóxicas, embora ansiedade, alucinações, delírios ou convulsões
também possam ocorrer. Os sintomas em geral desaparecem quando
o indivíduo deixa de expor-se à substância, mas sua resolução
pode levar de semanas a meses e exigir tratamento.
|
Transtorno por uso de Substância
|
| Dependência
de Substância |
| Abuso
de Substância |
|
Transtorno induzido por Substância
|
| Intoxicação
com Substância |
| Abstinência
de Substância |
| Delirium
Induzido por Substância |
| Demência
Persistente Induzida por Substância |
| Transtorno
Amnéstico Persistente Induzido por Substância |
| Transtorno
Psicótico Induzido por Substância |
| Transtorno
do Humor Induzido por Substância |
| Transtorno
de Ansiedade Induzido por Substância |
| Disfunção
Sexual Induzida por Substância |
| Transtorno
do Sono Induzido por Substância |
A seção inicia com o texto e os conjuntos de critérios para
Dependência, Abuso, Intoxicação e Abstinência de Substância
aplicáveis às classes de substâncias. A seguir, apresentamos
comentários gerais envolvendo características associadas, características
específicas à cultura, idade e gênero; curso; prejuízo e complicações;
padrão familial, diagnóstico diferencial e procedimentos de
registro que se aplicam a todas as classes de substâncias. O
restante da seção está organizado por classes de substâncias
e descreve os aspectos específicos de Dependência, Abuso, Intoxicação
e Abstinência para cada uma das 11 classes de substâncias. Para
facilitar o diagnóstico diferencial, o texto e os critérios
para os restantes Transtornos Relacionados a Substâncias são
incluídos nas seções do manual, juntos aos transtornos cuja
fenomenologia compartilham (por ex., o Transtorno do Humor Relacionado
a Substância é incluído na seção "Transtornos do Humor").
Os diagnósticos associados a cada grupo específico de substâncias
são mostrados na Tabela 1.
|
Transtornos Mentais por Uso
de Substâncias - Dependência de Substância |
| DSM.IV |
|
Características
A característica
essencial da Dependência de Substância é a presença de um agrupamento
de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando
que o indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de
problemas significativos relacionados a ela. Existe um padrão
de auto-administração repetida que geralmente resulta em tolerância,
abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga.
Um diagnóstico de Dependência de Substância pode ser aplicado
a qualquer classe de substâncias, exceto cafeína. Os sintomas
de Dependência são similares entre as várias categorias de substâncias,
mas, para certas classes, alguns sintomas são menos salientes
e, em uns poucos casos, nem todos os sintomas se manifestam
(por ex., sintomas de abstinência não são especificados para
Dependência de Alucinógenos). Embora não seja especificamente
relacionada como um critério, a "fissura" (um forte
impulso subjetivo para usar a substância) tende a ser experimentada
pela maioria dos indivíduos com Dependência de Substância (se
não por todos). A Dependência é definida como um agrupamento
de três ou mais dos sintomas relacionados adiante, ocorrendo
a qualquer momento, no mesmo período de 12 meses. Tolerância
(Critério 1) é a necessidade de crescentes quantidades da substância
para atingir a intoxicação (ou o efeito desejado) ou um efeito
acentuadamente diminuído com o uso continuado da mesma quantidade
da substância. O grau em que a tolerância se desenvolve varia
imensamente entre as substâncias. Os indivíduos com uso pesado
de opióides e estimulantes podem desenvolver níveis substanciais
(por ex., multiplicados por dez) de tolerância, freqüentemente
em uma dosagem que seria letal para um não-usuário. A tolerância
ao álcool também pode ser pronunciada, mas em geral é muito
menos extrema do que no caso das anfetaminas. Muitos tabagistas
consomem mais de 20 cigarros por dia, uma quantidade que teria
produzido sintomas de toxicidade quando começaram a fumar. Os
indivíduos com uso pesado de maconha em geral não têm consciência
de que desenvolveram tolerância (embora esta tenha sido demonstrada
em estudos com animais e em alguns indivíduos). Ainda não há
certeza quanto ao desenvolvimento de tolerância com fenciclidina
(PCP). A tolerância pode ser difícil de determinar apenas com
base na história oferecida, quando se trata de uma substância
ilícita, talvez misturada com vários diluentes ou com outras
substâncias. Nessas situações, testes laboratoriais podem ser
úteis (por ex., altos níveis sangüíneos da substância, juntamente
com poucas evidências de intoxicação, sugerem uma provável tolerância).
A tolerância também deve ser diferenciada da variabilidade individual
na sensibilidade inicial aos efeitos de determinadas substâncias.
Por exemplo, alguns indivíduos que ingerem álcool pela primeira
vez apresentam muito poucas evidências de intoxicação com três
ou quatro doses, ao passo que outros, com peso e história de
consumo semelhantes exibem fala arrastada e fraca coordenação.
A Abstinência (Critério 2a) é uma alteração comportamental mal-adaptativa,
com elementos fisiológicos e cognitivos, que ocorre quando as
concentrações de uma substância no sangue e tecidos declinam
em um indivíduo que manteve um uso pesado e prolongado da substância.
Após o desenvolvimento dos sintomas desagradáveis de abstinência,
a pessoa tende a consumir a substância para aliviar ou para
evitar estes sintomas (Critério 2b), tipicamente utilizando
a substância durante o dia inteiro, começando logo após o despertar.
Os sintomas de abstinência variam imensamente entre as classes
de substâncias, de modo que são oferecidos conjuntos separados
de critérios de Abstinência para a maioria das classes. Sinais
acentuados e, com freqüência, facilmente mensuráveis de abstinência
são comuns com álcool, opióides e sedativos, hipnóticos e ansiolíticos.
Os sinais e sintomas de abstinência freqüentemente estão presentes,
mas podem ser menos visíveis, no caso de estimulantes tais como
anfetaminas, cocaína e nicotina. Nenhuma abstinência significativa
é vista mesmo após o uso repetido de alucinógenos. A abstinência
de fenciclidina e substâncias correlatas ainda não foi descrita
em humanos (embora tenha sido demonstrada em animais). Nem tolerância
nem abstinência são critérios necessários ou suficientes para
um diagnóstico de Dependência de Substância. Alguns indivíduos
(por ex., com Dependência de Canabinóides) apresentam um padrão
de uso compulsivo sem quaisquer sinais de tolerância ou abstinência.
Em contrapartida, alguns pacientes pós-cirúrgicos sem Dependência
de Opióide podem desenvolver tolerância aos opióides prescritos
e experimentar sintomas de abstinência sem mostrar quaisquer
sinais de uso compulsivo. Os especificadores Com Dependência
Fisiológica e Sem Dependência Fisiológica são oferecidos para
indicar presença ou ausência de tolerância ou abstinência. Os
aspectos a seguir descrevem o padrão de uso compulsivo de substância
característico da Dependência. O indivíduo pode consumir a substância
em maiores quantidades ou por um período mais longo do que de
início pretendia (por ex., continuar a beber até estar severamente
intoxicado, apesar de ter estabelecido o limite de apenas uma
dose) (Critério 3). O indivíduo pode expressar um desejo persistente
de reduzir ou regular o uso da substância. Com freqüência, já
houve muitas tentativas frustradas de diminuir ou interromper
o uso (Critério 4). O indivíduo pode dispender muito tempo obtendo
a substância, usando-a ou recuperando-se de seus efeitos (Critério
5). Em alguns casos de Dependência de Substância, virtualmente
todas as atividades da pessoa giram em torno da substância.
As atividades sociais, ocupacionais ou recreativas podem ser
abandonadas ou reduzidas em virtude do seu uso (Critério 6),
e o indivíduo pode afastar-se de atividades familiares e passatempos
a fim de usá-la em segredo ou para passar mais tempo com amigos
usuários da substância. Apesar de admitir a sua contribuição
para um problema psicológico ou físico (por ex., severos sintomas
depressivos ou danos aos sistemas orgânicos), a pessoa continua
usando a substância (Critério 7). A questão essencial, ao avaliar
este critério, não é a existência do problema, mas o fracasso
do indivíduo em abster-se da utilização da substância, apesar
de dispor de evidências das dificuldades que esta lhe causa.
Especificadores
A tolerância
e a abstinência podem estar associadas com um maior risco para
problemas médicos gerais imediatos e com uma taxa superior de
recaídas. Os especificadores seguintes são oferecidos para a
anotação de sua presença ou ausência: Com Dependência Fisiológica.
Este especificador deve ser usado quando a Dependência de Substância
é acompanhada por evidências de tolerância (Critério 1) ou abstinência
(Critério 2). Sem Dependência Fisiológica. Este especificador
deve ser usado quando não existem evidências de tolerância (Critério
1) ou abstinência (Critério 2). Nesses indivíduos, a Dependência
de Substância é caracterizada por um padrão de uso compulsivo
(pelo menos três dos Critérios de 3 a 7).
Especificadores de Curso
Seis
especificadores de curso estão disponíveis para a Dependência
de Substância. Os quatro especificadores de Remissão podem ser
aplicados apenas depois que todos os critérios para Dependência
de Substância ou Abuso de Substância estiveram ausentes por
pelo menos 1 mês. A definição desses quatro tipos de Remissão
está baseada no intervalo de tempo passado desde a cessação
da Dependência (Remissão Inicial versus Mantida) e na persistência
de um ou mais dos itens incluídos nos conjuntos de critérios
para Dependência ou Abuso (Remissão Parcial versus Remissão
Completa). Uma vez que os 12 primeiros meses após a Dependência
são um período de risco particularmente alto para a recaída,
este período é chamado de Remissão Inicial. Decorridos 12 meses
de Remissão Inicial sem recaída para a Dependência, a pessoa
ingressa na Remissão Mantida. Tanto para a Remissão Inicial
quanto para a Remissão Mantida, uma designação adicional de
Completa é dada, se nenhum critério para Dependência ou Abuso
foi satisfeito durante o período de remissão; uma designação
de Parcial é dada se pelo menos um dos critérios para Dependência
ou Abuso foi satisfeito, intermitente ou continuamente, durante
o período de remissão. A diferenciação entre Remissão Completa
Mantida e recuperado (ausência atual de Transtorno por Uso de
Substância) exige a consideração da extensão de tempo desde
o último período da perturbação, a duração total da mesma e
a necessidade de continuidade da avaliação. Se, após um período
de remissão ou recuperação, o indivíduo novamente se torna dependente,
a aplicação do especificador Remissão Inicial exige que novamente
haja pelo menos 1 mês no qual os critérios para Dependência
ou Abuso não são satisfeitos. Dois especificadores adicionais
são oferecidos: Em Terapia com Agonista e Em Ambiente Controlado.
Para que um indivíduo qualifique-se para a Remissão Inicial
após a cessação de uma terapia com agonista ou alta de um ambiente
controlado, deve haver um período de 1 mês no qual nenhum dos
critérios para Dependência ou Abuso foi satisfeito. Os seguintes
especificadores de Remissão podem ser aplicados apenas depois
que nenhum critério para Dependência ou Abuso foi satisfeito
por pelo menos 1 mês. Observe que esses especificadores não
se aplicam se o indivíduo está em terapia com agonista ou em
um ambiente controlado (ver adiante). Remissão Completa Inicial.
Este especificador é usado se, por pelo menos 1 mês, mas por
menos de 12 meses, nenhum critério para Dependência ou Abuso
foi satisfeito.
Remissão Parcial Inicial.
Este
especificador é usado se, por pelo menos 1 mês, mas menos de
12 meses, um ou mais critérios para Dependência ou Abuso foram
satisfeitos (mas os critérios completos para Dependência não
foram satisfeitos).
Remissão Completa Mantida.
Este
especificador é usado se nenhum dos critérios para Dependência
ou Abuso foi satisfeito em qualquer época durante um período
de 12 meses ou mais.
Remissão Parcial Mantida.
Este
especificador é usado se não foram satisfeitos todos os critérios
para Dependência por um período de 12 meses ou mais; entretanto,
um ou mais critérios para Dependência ou Abuso foram atendidos.
Os seguintes especificadores aplicam-se se o indivíduo está
em terapia com agonista ou em um ambiente controlado: Em Terapia
com Agonista. Este especificador é usado se o indivíduo está
usando um medicamento agonista prescrito, e nenhum critério
para Dependência ou Abuso foi satisfeito para esta classe de
medicamento pelo menos durante o último mês (exceto tolerância
ou abstinência do agonista). Esta categoria também se aplica
aos indivíduos que estão sendo tratados para Dependência com
um agonista parcial ou um agonista / antagonista.
Em Ambiente Controlado.
Este
especificador é usado se o indivíduo está em um ambiente onde
o acesso ao álcool e substâncias controladas é restrito, e se
nenhum critério para Dependência ou Abuso foi satisfeito pelo
menos no último mês. Exemplos desses ambientes são prisões atentamente
vigiadas e livres de substâncias, comunidades terapêuticas ou
unidades hospitalares com portas trancadas.
| Critérios para
Dependência de Substância |
| Um
padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando
a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo,
manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios,
ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12
meses: |
| (1)
tolerância, definida por qualquer um dos seguintes
aspectos:
(a) uma necessidade de quantidades progressivamente
maiores da substância para adquirir a intoxicação
ou efeito desejado
(b) acentuada redução do efeito com o uso continuado
da mesma quantidade de substância. |
| 2)
abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes
aspectos:
(a) síndrome de abstinência característica para a
substância (consultar os Critérios A e B dos conjuntos
de critérios para Abstinência das substâncias específicas)
(b) a mesma substância (ou uma substância estreitamente
relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas
de abstinência |
| (3)
a substância é freqüentemente consumida em maiores
quantidades ou por um período mais longo do que o
pretendido |
| (4)
existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos
no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância |
| (5)
muito tempo é gasto em atividades necessárias para
a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos
médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na
utilização da substância (por ex., fumar em grupo)
ou na recuperação de seus efeitos |
| (6)
importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas
são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da
substância |
| (7)
o uso da substância continua, apesar da consciência
de ter um problema físico ou psicológico persistente
ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado
pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora
o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida
por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas,
embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou
pelo consumo do álcool) |
| Especificar
se:
Com Dependência Fisiológica: evidências de tolerância
ou abstinência (isto é, presença de Item 1 ou 2).
Sem Dependência Fisiológica: não existem evidências
de tolerância ou abstinência (isto é, nem Item 1 nem
Item 2 estão presentes). |
| Especificadores
de curso (ver texto para definições):
Remissão Completa Inicial
Remissão Parcial Inicial
Remissão Completa Mantida
Remissão Parcial Mantida
Em Terapia com Agonista
Em Ambiente Controlado |
|
Abuso de Substância
|
| DSM.IV |
|
Características
A característica
essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo
de uso de substância, manifestado por conseqüências adversas
recorrentes e significativas relacionadas ao uso repetido da
substância. Pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações
importantes relativas a seu papel, uso repetido em situações
nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas
legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes (Critério
A). Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente, durante
o mesmo período de 12 meses. À diferença dos critérios para
Dependência de Substância, os critérios para Abuso de Substância
não incluem tolerância, abstinência ou um padrão de uso compulsivo,
incluindo, ao invés disso, apenas as conseqüências prejudiciais
do uso repetido. Um diagnóstico de Abuso de Substância é cancelado
pelo diagnóstico de Dependência de Substância, se o padrão de
uso da substância pelo indivíduo alguma vez já satisfez os critérios
para Dependência para esta classe de substâncias (Critério B).
Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável
em indivíduos que apenas recentemente começaram a consumi-la,
alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo
as conseqüências sociais adversas relacionadas à substância,
sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A
categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.
O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros
sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações
importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou
em casa (Critério A1). Pode haver repetidas ausências ou fraco
desempenho no trabalho, relacionados a "ressacas"
recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou
expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado,
o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos.
A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações
nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir
um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos
arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo) (Critério
A2). Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados
à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão
e espancamento, direção sob influência da substância) (Critério
A3). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar
de uma história de conseqüências sociais ou interpessoais indesejáveis,
persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge
ou divórcio, lutas corporais ou verbais) (Critério A4).
|
Critérios para Abuso de Substância
|
| A.
Um padrão mal-adaptativo de uso de substância levando
a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo,
manifestado por um (ou mais) dos seguintes aspectos,
ocorrendo dentro de um período de 12 meses: |
| (1)
uso recorrente da substância resultando em um fracasso
em cumprir obrigações importantes relativas a seu
papel no trabalho, na escola ou em casa (por ex.,
repetidas ausências ou fraco desempenho ocupacional
relacionados ao uso de substância; ausências, suspensões
ou expulsões da escola relacionadas a substância;
negligência dos filhos ou dos afazeres domésticos). |
| (2)
uso recorrente da substância em situações nas quais
isto representa perigo físico (por ex., dirigir um
veículo ou operar uma máquina quando prejudicado pelo
uso da substância). |
| (4)
uso continuado da substância, apesar de problemas
sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes
causados ou exacerbados pelos efeitos da substância
(por ex., discussões com o cônjuge acerca das conseqüências
da intoxicação, lutas corporais). |
| B.
Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para
Dependência de Substância para esta classe de substância. |
|
Transtornos Induzidos por
uso de Substâncias - Intoxicação com Substância
|
|
DSM.IV |
Características Diagnósticas
A característica
essencial da Intoxicação com Substância é o desenvolvimento
de uma síndrome reversível e específica de uma substância devido
à sua ingestão recente (ou exposição a esta) (Critério A). As
alterações comportamentais ou psicológicas mal-adaptativas e
clinicamente significativas associadas à intoxicação (por ex.,
beligerância, instabilidade do humor, prejuízo cognitivo, juízo
comprometido, funcionamento social ou ocupacional prejudicado)
devem-se aos efeitos fisiológicos diretos da substância sobre
o sistema nervoso central e se desenvolvem durante ou logo após
o uso da substância (Critério B). Os sintomas não se devem a
uma condição médica geral nem são melhor explicados por outro
transtorno mental (Critério C). A Intoxicação com Substância
freqüentemente está associada com Abuso de Substância ou Dependência
de Substância. Esta categoria não se aplica à nicotina. Evidências
do consumo recente da substância podem ser obtidas a partir
da história, exame físico (por ex., hálito alcoólico) ou análise
toxicológica de líquidos corporais (por ex., urina ou sangue).
As alterações mais comuns envolvem perturbações da percepção,
vigília, atenção, pensamento, julgamento, comportamento psicomotor
e comportamento interpessoal. O quadro clínico específico na
Intoxicação com Substância varia drasticamente entre os indivíduos,
dependendo também da substância envolvida, da dose, da duração
ou cronicidade da dosagem, da tolerância da pessoa à substância,
do período de tempo decorrido desde a última dose, das expectativas
da pessoa quanto aos efeitos da substância e do contexto ou
ambiente no qual ela é consumida. As intoxicações de curto prazo
ou "agudas" podem ter sinais e sintomas diferentes
daqueles apresentados nas intoxicações prolongadas ou "crônicas".
Por exemplo, doses moderadas de cocaína podem, inicialmente,
produzir sociabilidade, mas um retraimento social pode desenvolver-se,
caso essas doses sejam freqüentemente repetidas por dias ou
semanas. Diferentes substâncias (às vezes até mesmo diferentes
classes de substâncias) podem produzir sintomas idênticos. A
Intoxicação com Cocaína e a Intoxicação com Anfetamina, por
exemplo, podem apresentar um quadro de grandiosidade e hiperatividade,
acompanhado de taquicardia, dilatação das pupilas, pressão sangüínea
elevada e perspiração ou calafrios. Quando usado no sentido
fisiológico, o termo intoxicação é mais amplo do que Intoxicação
com Substância como definido aqui. Muitas substâncias podem
produzir alterações fisiológicas ou psicológicas que não são,
necessariamente, mal-adaptativas. Por exemplo, um indivíduo
com taquicardia por uso excessivo de cafeína tem uma intoxicação
fisiológica, mas sendo esse o único sintoma na ausência de comportamento
mal-adaptativo, o diagnóstico de Intoxicação com Cafeína não
se aplica. A natureza mal-adaptativa da alteração comportamental
induzida pela substância depende do contexto social e ambiental.
O comportamento mal-adaptativo em geral coloca o indivíduo em
risco significativo de efeitos adversos (por ex., acidentes,
complicações médicas em geral, perturbação dos relacionamentos
sociais e familiares, dificuldades ocupacionais ou financeiras,
problemas legais). Os sinais e sintomas de intoxicação podem
às vezes persistir por horas ou dias além do período em que
a substância é detectável nos líquidos corporais. Isto pode
ser devido à permanência de baixas concentrações da substância
em certas áreas do cérebro ou a um efeito de "bater e correr",
no qual uma substância altera um processo fisiológico cuja recuperação
toma mais tempo do que o necessário para a eliminação da substância.
Esses efeitos mais prolongados da intoxicação devem ser diferenciados
da abstinência (isto é, sintomas iniciados por um declínio nas
concentrações de uma substância no sangue e tecidos).
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Critérios para Intoxicação
com Substância |
| A.
Desenvolvimento de uma síndrome reversível específica
à substância devido à recente ingestão de uma substância
(ou exposição a ela). Obs.: Diferentes substâncias
podem produzir síndromes similares ou idênticas. |
| B.
Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente
significativas e mal-adaptativas devido ao efeito
da substância sobre o sistema nervoso central (por
ex., beligerância, instabilidade do humor, prejuízo
cognitivo, comprometimento da memória, prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional), que se desenvolvem
durante ou logo após o uso da substância. |
| C.
Os sintomas não se devem a uma condição médica geral
nem são melhor explicados por um outro transtorno
mental. |
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