Os
transtornos do sono são organizados em quatro seções principais,
de acordo com a suposta etiologia. Nesta página constam
as patologias em azul, as demais
estão nas páginas seguintes.
1 - Transtornos Primários do Sono
1.1 - Dissonias
Insônia Primária
Hipersonia Primária
Narcolepsia
Transtorno do Sono Relacionado à Respiração
Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono
Dissonia Sem Outra Especificação
Transtorno de Pesadelo
Transtorno de Terror Noturno
Dissonia Sem Outra Especificação
Transtorno de Sonambulismo
Parassonia Sem Outra Especificação
1.2 - Parassonias
2 - Transtorno do Sono Relacionado a Outro Transtorno Mental
Hipersonia Relacionada a Outro Transtorno Mental
Insônia Relacionada a Outro Transtorno Mental
3 - Transtorno do Sono Devido a uma Condição Médica Geral
4 - Transtorno do Sono Induzido por Substância.
Transtornos
Primários do Sono são aqueles pelos quais não é responsável
nenhuma das etiologias listadas adiante (isto é, um outro
transtorno mental, uma condição médica geral ou uma substância).
Os Transtornos Primários do Sono supostamente decorrem de
anormalidades endógenas nos mecanismos de geração ou nos
horários de sono/vigília e freqüentemente são complicados
por fatores de condicionamento. Esses transtornos, por sua
vez, são subdivididos em Dissonias (caracterizadas por anormalidades
na quantidade, qualidade ou tempo de sono) e Parassonias
(caracterizadas por eventos comportamentais ou fisiológicos
anormais ocorrendo em associação com o sono, estágios específicos
do sono ou transições de sono/vigília). O Transtorno do
Sono Relacionado a Outro Transtorno Mental envolve uma queixa
proeminente de distúrbio do sono resultante de um transtorno
mental diagnosticável (freqüentemente Transtorno do Humor
ou Transtorno de Ansiedade), que, no entanto, é suficientemente
severa para indicar uma atenção clínica independente. Presumivelmente,
os mecanismos fisiopatológicos responsáveis pelo transtorno
mental também afetam a regulação do ciclo de sono-vigília.
O Transtorno do Sono Devido a uma Condição Médica Geral
envolve uma queixa proeminente de distúrbio do sono resultante
dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica
geral sobre o sistema de sono-vigília. O Transtorno do Sono
Induzido por Substância envolve queixas proeminentes de
distúrbio do sono resultantes do uso atual ou descontinuação
recente do uso de uma substância (inclusive medicamentos).
A avaliação sistemática dos indivíduos que se apresentam
com queixas proeminentes de distúrbios do sono incluem uma
determinação do tipo específico de queixa relativa ao sono
e uma consideração de transtornos mentais concomitantes,
condições médicas gerais e uso de substâncias (inclusive
medicamentos) possivelmente responsáveis pelo distúrbio
do sono. Cinco estágios de sono distintos podem ser medidos
pela polissonografia: o sono dos movimentos oculares rápidos
(REM) e quatro estágios de sono de movimentos oculares não-rápidos
(NREM) (estágios 1, 2, 3 e 4). O estágio 1 do sono NREM
representa uma transição da vigília para o sono e ocupa
cerca de 5% do tempo gasto dormindo, em adultos saudáveis.
O estágio 2 do sono NREM, caracterizado por formatos de
ondas de EEG específicos (fusos de sono e complexos K),
ocupa cerca de 50% do tempo de sono. Os estágios 3 e 4 do
sono NREM (também conhecidos coletivamente como sono de
ondas lentas) são os níveis mais profundos de sono e ocupam
cerca de 10-20% do tempo de sono. O sono REM, durante o
qual ocorre a maior parte de sonhos típicos, na forma de
estórias, ocupa cerca de 20-25% do sono total. Esses estágios
do sono têm uma organização temporal característica ao longo
da noite. Os estágios NREM 3 e 4 tendem a ocorrer da primeira
terça-parte à metade da noite e sua duração aumenta em resposta
à privação do sono. O sono REM ocorre ciclicamente durante
a noite, alternando-se com sono NREM a cada 80-100 minutos,
aproximadamente. A duração dos períodos de sono REM aumenta
pela manhã. O sono humano também varia caracteristicamente
ao longo da vida. Após uma relativa estabilidade, com grandes
quantidades de sono de ondas lentas na infância e início
da adolescência, a continuidade e a profundidade do sono
deterioram-se ao longo da faixa de idade adulta. Esta deterioração
é refletida por maior vigília e sono do estágio 1 e redução
dos estágios 3 e 4. Em vista disso, a idade deve ser considerada
no diagnóstico de um Transtorno do Sono em qualquer indivíduo.
A polissonografia é o monitoramento de múltiplos parâmetros
eletrofisiológicos durante o sono e geralmente inclui medição
da atividade EEG, atividade eletro-oculográfica e atividade
eletromiográfica. Medições polissonográficas adicionais
podem incluir fluxo aéreo oral ou nasal, esforço respiratório,
movimentos da parede torácica e abdominal, saturação de
oxi-hemoglobina ou concentração de dióxido de carbono exalado;
essas medições são usadas para o monitoramento da respiração
durante o sono e para a detecção da presença e gravidade
da apnéia do sono. A medição da atividade eletromiográfica
periférica pode ser usada para detectar movimentos anormais
durante o sono. A maior parte dos estudos polissonográficos
é realizada durante as horas habituais de sono da pessoa
isto é, à noite. Entretanto, estudos polissonográficos
diurnos também são usados para quantificar a sonolência
diurna. O procedimento diurno mais comum é o Teste Múltiplo
de Latência do Sono (em inglês, MSLT), no qual o indivíduo
é instruído a deitar-se em uma sala escura e não resistir
à sonolência; este protocolo é repetido cinco vezes durante
o dia. A latência do sono (a quantidade de tempo necessária
para adormecer) é medida em cada tentativa e usada como
um índice de sonolência fisiológica. O inverso do MSLT também
é usado. No Teste Repetido de Vigília Mantida (em inglês,
RTSW), o indivíduo é colocado em uma sala silenciosa com
iluminação suave e instruído a permanecer desperto; este
protocolo é repetido várias vezes durante o dia. Novamente,
a latência do sono é medida, mas ela é usada aqui como um
índice da capacidade do indivíduo de manter-se desperto.
Uma terminologia padronizada para as medições polissonográficas
é usada em todo o texto desta seção. Continuidade do sono
refere-se ao equilíbrio geral de sono e vigília durante
uma noite de sono. Uma "melhor" continuidade do
sono indica um sono consolidado, com poucos despertares;
uma "pior" continuidade do sono indica sono perturbado,
com mais despertares. Medições específicas da continuidade
do sono incluem latência do sono a quantidade de
tempo necessária para adormecer (expressada em minutos);
vigília intermitente quantidade de tempo desperto
após o aparecimento inicial do sono (expressada em minutos);
e eficiência do sono a proporção de tempo real passado
dormindo para o tempo passado na cama (expressado como uma
porcentagem, com números maiores indicando melhor continuidade
do sono). A arquitetura do sono refere-se à quantidade e
distribuição de estágios específicos do sono. As medições
da arquitetura do sono incluem as quantidades absolutas
de sono REM e de cada estágio de sono NREM (em minutos),
a quantidade relativa de sono REM e dos estágios de sono
NREM (expressada como uma porcentagem do tempo de sono total)
e a latência entre o início do sono e o primeiro sono REM
(latência REM). O texto para cada um dos Transtornos do
Sono contém uma seção descrevendo seu relacionamento com
transtornos correspondentes citados na Classificação Internacional
dos Distúrbios do Sono (CIDS): Manual de Diagnóstico e Codificação,
texto publicado em 1990 pela American Sleep Disorders Association.
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Transtornos
Primários do Sono - Dissonias |
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DSM.IV |
As
dissonias são transtornos primários da iniciação ou manutenção
do sono ou de sonolência excessiva, caracterizados por um
distúrbio na quantidade, qualidade ou regulação de ritmo
do sono. Esta seção compreende Insônia Primária, Hipersonia
Primária, Narcolepsia, Transtorno do Sono Relacionado à
Respiração, Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono e Dissonia
Sem Outra Especificação.
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F51.0 -
307.42 - Insônia Primária |
|
DSM.IV |
Características Diagnósticas
A
característica essencial da Insônia Primária é uma queixa
de dificuldade para iniciar ou manter o sono ou de um sono
não reparador, que dura no mínimo 1 mês (Critério A) e causa
sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento
social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da
vida do indivíduo (Critério B). O distúrbio do sono não
ocorre exclusivamente durante o curso de outro transtorno
do sono (Critério C) ou de outro transtorno mental, (Critério
D) nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância
ou de uma condição médica geral (Critério E). Os indivíduos
com Insônia Primária relatam, mais comumente, uma combinação
de dificuldade em conciliar o sono e despertares intermitentes.
Com menor freqüência, esses indivíduos podem queixar-se
apenas de terem um sono não reparador, isto é, uma sensação
de que seu sono foi inquieto, leve ou de má qualidade. A
Insônia Primária está associada, freqüentemente, com maior
excitação fisiológica ou psicológica à hora de dormir, em
combinação com um condicionamento negativo para o sono.
Uma acentuada preocupação e sofrimento devido à incapacidade
de dormir podem contribuir para o desenvolvimento de um
círculo vicioso: quanto mais o indivíduo luta para conciliar
o sono, mais fica frustrado e aflito, e menos é capaz de
adormecer. Permanecer deitado em uma cama onde o indivíduo
já passou freqüentes noites insones pode causar frustração
e vigília condicionada. Inversamente, o indivíduo pode adormecer
com maior facilidade quando não tenta fazê-lo (por ex.,
enquanto assiste televisão, lê ou anda de carro). Alguns
indivíduos com maior excitabilidade e condicionamento negativo
relatam que dormem melhor quando afastados de seus próprios
quartos e de suas rotinas habituais. A insônia crônica pode
levar a uma redução das sensações de bem-estar durante o
dia (por ex., deterioração do humor e motivação; menor atenção,
energia e concentração e um aumento da fadiga e mal-estar).
Embora os indivíduos muitas vezes tenham a queixa subjetiva
de fadiga diurna, os estudos polissonográficos geralmente
não demonstram um aumento dos sinais fisiológicos de sonolência.
Características
e Transtornos Associados
Aspectos descritivos e transtornos mentais associados.
Muitos indivíduos com Insônia Primária têm uma história
de sono "leve" ou facilmente perturbado antes
do desenvolvimento de problemas de sono mais persistentes.
Outros fatores associados podem incluir preocupação excessiva
e ansiosa com a saúde geral e maior sensibilidade aos
efeitos diurnos de uma ligeira perda de sono. Sintomas
de ansiedade e depressão que não satisfazem os critérios
para um transtorno mental específico podem estar presentes.
Problemas interpessoais, sociais e ocupacionais podem
desenvolver-se em decorrência da preocupação excessiva
com o sono, de uma maior irritabilidade diurna e fraca
concentração. Problemas com desatenção e concentração
também podem provocar acidentes. Os indivíduos com Insônia
Primária podem ter uma história de transtornos mentais,
particularmente Transtornos do Humor e Transtornos de
Ansiedade. Inversamente, o distúrbio crônico de sono que
caracteriza a Insônia Primária constitui um fator de risco
(ou talvez um sintoma inicial) de Transtornos do Humor
ou de Ansiedade subseqüentes. Os indivíduos com Insônia
Primária às vezes utilizam medicamentos de maneira inadequada:
hipnóticos ou álcool para ajudar com o sono noturno, ansiolíticos
para combater a tensão ou ansiedade, cafeína e outros
estimulantes para combater a fadiga excessiva. Em alguns
casos, este tipo de uso de substância pode progredir para
Abuso de Substância ou Dependência de Substância.
Achados laboratoriais associados
A polissonografia pode demonstrar uma fraca continuidade
do sono (por ex., latência de sono aumentada, maior vigília
intermitente e menor eficiência do sono), maior quantidade
de sono do estágio 1, redução do sono dos estágios 3 e
4, maior tensão muscular ou maiores quantidades de atividade
alfa durante o sono. Esses aspectos devem ser interpretados
dentro do contexto das normas adequadas à idade. Alguns
indivíduos podem referir um sono melhor no laboratório
do que em casa, sugerindo uma base condicionada para as
queixas relativas ao sono. Outros testes psicofisiológicos
também podem demonstrar uma alta excitabilidade (por ex.,
maior tensão muscular ou excessiva reatividade fisiológica
ao estresse). Os indivíduos com Insônia Primária também
podem ter escores elevados em inventários psicológicos
ou de personalidade autodescritivos (por ex., perfis indicando
depressão e ansiedade crônicas e leves; um estilo "internalizante"
de resolução de conflitos, e um foco somático).
Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas
Os indivíduos com Insônia Primária podem parecer cansados
ou tresnoitados, mas não apresentam outras anormalidades
características ao exame físico. Pode haver uma incidência
aumentada de problemas psicofisiológicos relacionados
ao estresse (por ex., cefaléias tensionais, maior tensão
muscular, indisposição gástrica).
Características Específicas à Idade e ao Gênero
Os dados das pesquisas demonstram consistentemente que
a prevalência das queixas de insônia aumenta com a idade
e é maior entre as mulheres. Os adultos jovens queixam-se
com maior freqüência de dificuldades em conciliar o sono,
ao passo que os adultos da meia-idade ou idosos estão
mais propensos a dificuldades com a manutenção do sono
e despertares precoces nas primeiras horas da manhã. Paradoxalmente,
apesar da maior prevalência das queixas de insônia entre
as mulheres idosas, os estudos polissonográficos indicam,
geralmente, melhor sono de ondas lentas e preservação
da continuidade do sono em mulheres idosas do que em homens
idosos. A razão para esta discrepância entre a autodescrição
e os dados laboratoriais é desconhecida.
Prevalência
A verdadeira taxa de prevalência da Insônia Primária na
população geral é desconhecida. Os estudos populacionais
indicam uma prevalência anual de 30 a 40% para as queixas
de insônia em adultos (embora a porcentagem dos indivíduos
com distúrbios do sono que poderiam satisfazer os critérios
para Insônia Primária não tenha sido estudada). Em clínicas
especializadas em transtornos do sono, aproximadamente
15 a 25% dos indivíduos com insônia crônica recebem o
diagnóstico de Insônia Primária.
Curso
Os fatores que precipitam a Insônia Primária podem diferir
daqueles que a perpetuam. A maioria dos casos tem um início
relativamente súbito, em um momento de estresse psicológico,
social ou médico. A Insônia Primária freqüentemente persiste
por muito tempo após a resolução dos fatores que a causaram,
devido ao desenvolvimento de maior excitabilidade e condicionamento
negativo. Por exemplo, um indivíduo com uma lesão dolorosa
que passa muito tempo acamado e tem dificuldade em conciliar
o sono pode, depois, desenvolver associações negativas
com o sono. As associações negativas, a maior excitabilidade
e os despertares condicionados podem, então, persistir
além do período de convalescença, levando à Insônia Primária.
Um cenário similar pode desenvolver-se em associação à
insônia que ocorre no contexto de um estresse psicológico
agudo ou um transtorno mental. Por exemplo, a insônia
que ocorre durante um episódio de Transtorno Depressivo
Maior pode tornar-se um foco de atenção com conseqüente
condicionamento negativo, e a insônia pode persistir por
muito tempo após a resolução do episódio depressivo. Em
alguns casos, a Insônia Primária pode desenvolver-se aos
poucos, sem um estressor claramente definido. A Insônia
Primária tipicamente começa na idade adulta jovem ou na
meia-idade, sendo rara na infância ou adolescência. Em
casos excepcionais, a existência de insônia pode ser datada
retrospectivamente até a infância. O curso da Insônia
Primária é variável. Ele pode ser limitado a um período
de alguns meses, particularmente se precipitado por um
estressor psicossocial ou médico que se resolve posteriormente.
O curso mais típico consiste de uma fase inicial de piora
progressiva ao longo de semanas a meses, seguida de uma
fase crônica de dificuldade estável para dormir, que pode
perdurar por muitos anos. Alguns indivíduos vivenciam
um curso episódico, com alternância de períodos de sono
melhor ou pior ocorrendo em resposta a acontecimentos
vitais como férias ou estresse.
Padrão Familial
A predisposição para um sono leve e perturbado tem uma
associação familial. Estudos formais, genéticos e/ou familiares,
não foram realizados.
Diagnóstico Diferencial
A duração do sono "normal" varia consideravelmente
na população geral. Alguns indivíduos com pouca necessidade
de sono ("dormidores breves") podem preocupar-se
com a duração de seu sono. Eles são diferenciados daqueles
com Insônia Primária por sua falta de dificuldade em conciliar
o sono e pela ausência de sintomas característicos de
Insônia Primária (por ex., vigília intermitente, fadiga,
problemas de concentração ou irritabilidade). A sonolência
diurna, um aspecto característico da Hipersonia Primária,
também pode ocorrer na Insônia Primária, mas não é tão
severa quanto nesta última. Quando a sonolência diurna
é considerada decorrente da insônia, um diagnóstico adicional
de Hipersonia Primária não é dado. Os Tipos Mudança de
Fuso Horário e Mudanças Freqüentes de Turno de Trabalho
do Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono são distinguidos
da Insônia Primária pela história de recentes viagens
com mudança de fuso horário ou mudança de turno de trabalho.
Os indivíduos com o Tipo Fase de Sono Atrasada do Transtorno
do Ritmo Circadiano do Sono relatam insônia de iniciação
do sono apenas quando tentam dormir em horários socialmente
normais, mas não relatam dificuldade em conciliar e manter
o sono quando dormem em seus horários preferidos. A Narcolepsia
pode causar queixas de insônia, particularmente em adultos
mais velhos. Entretanto, a Narcolepsia raramente envolve
uma queixa importante de insônia, distinguindo-se da Insônia
Primária por sintomas de sonolência diurna proeminente,
cataplexia, paralisia do sono e alucinações relacionadas
ao sono. Um Transtorno do Sono Relacionado à Respiração,
particularmente apnéia central do sono, pode envolver
uma queixa de insônia crônica e prejuízo no desempenho
diurno. Uma anamnese atenta pode revelar pausas respiratórias
periódicas durante o sono ou respiração do tipo "crescendo-decrescendo"
(respiração de Cheyne-Stokes). Uma história de lesão ou
doença do sistema nervoso central pode sugerir, mais ainda,
um Transtorno do Sono Relacionado à Respiração. A polissonografia
pode confirmar a presença de eventos apnéicos. A maioria
dos indivíduos com Transtorno do Sono Relacionado à Respiração
tem apnéia obstrutiva, que pode ser distinguida da Insônia
Primária por uma história de roncos altos, pausas respiratórias
durante o sono e sonolência excessiva durante o dia. As
Parassonias caracterizam-se por uma queixa de comportamento
ou eventos incomuns durante o sono, que ocasionalmente
podem levar a despertares intermitentes. Entretanto, em
uma parassonia são esses eventos comportamentais que dominam
o quadro clínico, e não a insônia. A Insônia Primária
deve ser diferenciada de transtornos mentais que incluem
a insônia como característica essencial ou associada (por
ex., Transtorno Depressivo Maior, Transtorno de Ansiedade
Generalizada, Esquizofrenia). O diagnóstico de Insônia
Primária não é dado se a insônia ocorre exclusivamente
durante o curso de outro transtorno mental. Uma completa
investigação para a presença de outros transtornos mentais
é essencial, antes da consideração do diagnóstico de Insônia
Primária. Um diagnóstico de Insônia Primária pode ser
feito na presença de um outro transtorno mental, atual
ou passado, se o transtorno mental não explica a insônia
ou se esta e o transtorno mental têm um curso independente.
Em contraste, quando a insônia ocorre como uma manifestação
de outro transtorno mental ou exclusivamente durante o
curso deste (por ex., em um Transtorno do Humor, de Ansiedade,
Somatoforme ou Psicótico), o diagnóstico de Insônia Relacionada
a Outro Transtorno Mental pode ser mais apropriado. Este
diagnóstico apenas deve ser considerado quando a insônia
é a queixa predominante e se for suficientemente severa
para indicar uma atenção clínica independente; de outro
modo, não é necessário um diagnóstico separado. A Insônia
Primária deve ser diferenciada de um Transtorno do Sono
Devido a uma Condição Médica Geral, Tipo Insônia. O diagnóstico
deve ser de Transtorno do Sono Devido a uma Condição Médica
Geral quando a insônia é considerada conseqüência fisiológica
direta de uma condição médica geral específica (feocromocitoma,
hipertiroidismo). Esta determinação fundamenta-se na história,
achados laboratoriais ou exame físico. O Transtorno do
Sono Induzido por Substância, Tipo Insônia, é diferenciado
da Insônia Primária porque se supõe que uma substância
(isto é, uma droga de abuso, um medicamento ou exposição
a uma toxina) está etiologicamente relacionada com a insônia.
Por exemplo, a insônia que ocorre apenas no contexto de
um consumo pesado de café seria diagnosticada como Transtorno
do Sono Induzido por Cafeína, Tipo Insônia, Com Início
Durante Intoxicação. Relacionamento com a Classificação
Internacional dos Distúrbios do Sono A Insônia Primária
compreende diversos diagnósticos de insônia na Classificação
Internacional dos Distúrbios do Sono (CIDS), incluindo
Insônia Psicofisiológica, Erro de Percepção quanto ao
Estado de Sono, Insônia Idiopática e alguns casos de Higiene
do Sono Inadequada. A Insônia Psicofisiológica assemelha-se
mais estreitamente à Insônia Primária, particularmente
em termos de fatores de excitabilidade e condicionamento.
O Erro de Percepção quanto ao Estado de Sono é uma condição
caracterizada por queixas de insônia com uma discrepância
acentuada entre as estimativas subjetivas e objetivas
acerca do sono. A Insônia Idiopática inclui aqueles casos
com início na infância e um curso vitalício presumivelmente
devido a uma anormalidade no controle neurológico do sistema
de sono/vigília. A Higiene do Sono Inadequada refere-se
à insônia resultante de práticas comportamentais que aumentam
a excitabilidade ou perturbam a organização do sono (por
ex., trabalhar até tarde, da noite, tirar cochilos excessivos
durante o dia, ou manter horários de sono irregulares).
|
Critérios Diagnósticos para
F51.0 - 307.42 Insônia Primária |
| A.
A queixa predominante é de dificuldade em iniciar
ou manter o sono, ou de sono não reparador,
por pelo menos 1 mês. |
| B.
O distúrbio do sono (ou fadiga diurna associada)
causa sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
| C.
O distúrbio do sono não ocorre exclusivamente
durante o curso de Narcolepsia, Transtorno do
Sono Relacionado à Respiração, Transtorno do
Ritmo Circadiano do Sono ou de uma Parassonia. |
| D.
O distúrbio não ocorre exclusivamente durante
o curso de outro transtorno mental (por ex.,
Transtorno Depressivo Maior, Transtorno de Ansiedade
Generalizada, delirium). |
| E.
O distúrbio não é devido aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por ex., droga de
abuso, medicamento) ou de uma condição médica
geral. |
|
F51.1
- 307.44 - Hipersonia Primária |
|
DSM.IV |
Características Diagnósticas
A característica essencial da Hipersonia Primária consiste
de sonolência excessiva por um período mínimo de 1 mês,
evidenciada por episódios prolongados de sono ou por episódios
de sono diurno ocorrendo quase que diariamente (Critério
A). A sonolência excessiva deve ser suficientemente severa
para causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo
no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas
importantes da vida do indivíduo (Critério B). A sonolência
excessiva não ocorre exclusivamente durante o curso de
outro Transtorno do Sono (Critério C) ou transtorno mental
(Critério D), nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos
de uma substância ou de uma condição médica geral (Critério
E). Em indivíduos com Hipersonia Primária, a duração do
principal episódio de sono (para a maioria dos indivíduos,
sono noturno) pode variar de 8 a 12 horas, sendo freqüentemente
seguido por dificuldade de despertar pela manhã. A qualidade
do sono noturno é normal. A sonolência excessiva durante
as horas normais de vigília assume a forma de cochilos
intencionais ou episódios inadvertidos de sono. As medições
objetivas demonstram sonolência fisiológica aumentada.
Os cochilos diurnos tendem a ser relativamente prolongados
(em geral de uma hora ou mais), são vivenciados como não
reparadores e com freqüência não levam a um melhor estado
de vigília. Os indivíduos tipicamente sentem o desenvolvimento
da sonolência ao longo de um certo período de tempo, ao
invés de sentirem um súbito "ataque" de sono.
Episódios de sono não intencionais ocorrem em situações
de baixa estimulação e baixa atividade (por ex., durante
palestras, leitura, assistir à televisão ou dirigir por
longas distâncias). A Hipersonia pode levar a um sofrimento
significativo e disfunção nos relacionamentos profissionais
e sociais. O sono noturno prolongado e a dificuldade em
despertar podem acarretar dificuldades no cumprimento
de obrigações matinais. Os episódios de sono involuntário
durante o dia podem ser embaraçosos e até mesmo perigosos
se, por exemplo, o indivíduo está dirigindo ou operando
máquinas quando ocorre o episódio. O baixo nível de alerta
que ocorre enquanto um indivíduo combate o sono pode levar
a uma redução da eficiência, da concentração e da memória
durante atividades diurnas. A sonolência, em geral atribuída
erroneamente ao tédio ou à preguiça, também pode perturbar
relacionamentos sociais e familiares.
Especificador
Recorrente. Este especificador é usado se existem períodos
de sonolência excessiva com duração mínima de 3 dias,
ocorrendo várias vezes ao ano, por pelo menos 2 anos.
A maioria dos indivíduos com Hipersonia Primária tem sintomas
consistentes e persistentes. Em contrapartida, a forma
Recorrente deve ser anotada se os sintomas ocorrem periodicamente,
durando vários dias ou várias semanas, com os períodos
sintomáticos recorrendo várias vezes durante o ano. Entre
os períodos de sonolência excessiva, a duração do sono
e da vigília diurna são normais. Na forma recorrente da
Hipersonia Primária conhecida como síndrome de Kleine-Levin,
os indivíduos podem passar de 18 a 20 horas dormindo ou
na cama. Os períodos recorrentes de sonolência estão associados
com outros aspectos clínicos característicos indicando
desinibição. Hipersexualidade indiscriminada, incluindo
investidas sexuais inadequadas e masturbação excessiva,
pode ser vista em homens (e, menos freqüentemente, em
mulheres). Um consumo alimentar excessivo e compulsivo
pode ocorrer, com aumento agudo de peso, além de irritabilidade,
despersonalização, depressão, confusão e alucinações ocasionais.
Outras formas recorrentes de hipersonia podem ser vistas
na ausência desses aspectos. Algumas mulheres, por exemplo,
afirmam ter períodos de hipersonia que ocorrem regularmente,
em momentos específicos do ciclo menstrual.
Características e Transtornos Associados
Características descritivas e transtornos mentais associados.
Na Hipersonia Primária, o sono tende a ser contínuo mas
não reparador. Os indivíduos com este transtorno adormecem
rapidamente e têm uma boa eficiência do sono, mas podem
ter dificuldade em despertar pela manhã, às vezes parecendo
confusos, hostis ou atáxicos. Este prejuízo prolongado
do estado de alerta na transição entre o sono e a vigília
freqüentemente é chamado de "embriaguez do sono".
A sonolência diurna persistente pode levar a um comportamento
automático (geralmente de um tipo muito rotineiro, de
baixa complexidade), que o indivíduo executa com pouca
ou nenhuma recordação subseqüente. Por exemplo, os indivíduos
podem verificar que dirigiram muito além do ponto onde
pretendiam chegar, sem terem consciência da condução "automática"
do veículo durante os últimos minutos. Embora não se disponha
de dados precisos em relação à co-morbidade com transtornos
mentais, muitos indivíduos com Hipersonia Primária têm
sintomas depressivos que podem satisfazer os critérios
para Transtorno Depressivo Maior. Este pode estar relacionado
com as conseqüências psicossociais da sonolência excessiva.
Os indivíduos com hipersonia também podem estar em risco
para Transtornos Relacionados a Substâncias, particularmente
envolvendo a automedicação com estimulantes.
Achados laboratoriais associados
Na Hipersonia Primária, a polissonografia noturna demonstra
uma duração do sono de normal a prolongada, curta latência
do sono, continuidade de normal a aumentada e distribuições
normais do sono de movimentos oculares rápidos (REM) e
de movimentos oculares não-rápidos (NREM). Alguns indivíduos
com este transtorno podem ter uma quantidade maior de
sono de ondas lentas. Períodos REM no início do sono (ocorrência
de REM 20 minutos após o início do sono), perturbações
do sono relacionadas à respiração e freqüentes movimentos
dos membros perturbando o sono não estão presentes. O
Teste Múltiplo de Latência do Sono documenta uma sonolência
fisiológica excessiva durante o dia, tipicamente indicada
por valores médios de latência do sono de 5-10 minutos.
O sono REM não ocorre durante os episódios de sono diurnos.
A polissonografia noturna e o Teste Múltiplo de Latência
do Sono não revelam achados característicos de outras
causas de hipersonia. Na forma Recorrente de Kleine-Levin
de Hipersonia Primária, os estudos de EEG de rotina realizados
durante os períodos de hipersonia mostram uma lentificação
geral do ritmo de fundo e surtos paroxísticos de atividade
teta. A polissonografia noturna mostra um aumento do tempo
total de sono e curta latência de sono REM. Os estudos
com o Teste Múltiplo de Latência do Sono confirmam a existência
de maior sonolência fisiológica, com latências de sono
geralmente inferiores a 10 minutos. Períodos de REM no
início do sono podem ser vistos durante os períodos sintomáticos.
Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas.
Os indivíduos com Hipersonia Primária freqüentemente parecem
sonolentos e podem até mesmo adormecer na sala de espera
do consultório médico. Um subconjunto de indivíduos com
Hipersonia Primária tem uma história familiar de hipersonia
e também pode ter sintomas de disfunção do sistema nervoso
autônomo, incluindo cefaléias recorrentes do tipo vascular,
reatividade do sistema vascular (fenômeno de Raynaud)
e desmaios. Os indivíduos com a forma Recorrente de Kleine-Levin
podem ter achados inespecíficos ao exame neurológico,
incluindo reflexos tendinosos profundos deprimidos, disartria
e nistagmo. Características Específicas à Idade e ao Gênero
Os cochilos voluntários aumentam com a idade, mas este
fenômeno normal é distinto da Hipersonia Primária. A síndrome
de Kleine-Levin afeta os homens com uma freqüência três
vezes maior do que as mulheres.
Prevalência
A verdadeira prevalência de Hipersonia Primária na população
geral é desconhecida. Aproximadamente 5 a 10% dos indivíduos
que se apresentam em clínicas para transtornos do sono
com queixas de sonolência diurna recebem o diagnóstico
de Hipersonia Primária. A forma Recorrente de Hipersonia
Primária conhecida como síndrome de Kleine-Levin é rara.
Levantamentos populacionais revelam uma queixa de sonolência
diurna em 0,5 a 5,0% dos adultos, independentemente das
causas ou diagnósticos específicos.
Curso
A Hipersonia Primária tipicamente começa entre os 15 e
os 30 anos, com uma progressão gradual ao longo de semanas
a meses. Para a maioria dos indivíduos, então, o curso
passa a ser crônico e estável, a menos que um tratamento
seja iniciado. A síndrome de Kleine-Levin também começa
durante a adolescência e pode continuar seu curso periódico
por décadas, embora freqüentemente se resolva durante
a meia-idade.
Padrão Familial
O subgrupo de indivíduos com disfunção autonômica está
mais propenso do que os outros indivíduos com Hipersonia
Primária a ter membros de suas famílias com Hipersonia
Primária. A síndrome de Kleine-Levin não demonstra uma
agregação familial.
Diagnóstico Diferencial
A duração "normal" do sono varia consideravelmente,
na população geral. Os "grandes dormidores"
(isto é, indivíduos com uma necessidade de sono maior
do que a média) não têm sonolência excessiva durante o
dia, embriaguez do sono ou comportamento automático quando
obtêm seu tempo normal de sono noturno. Se as exigências
sociais ou profissionais levam a um sono noturno mais
curto, sintomas diurnos podem aparecer. Na Hipersonia
Primária, em contrapartida, ocorrem sintomas de sonolência
excessiva, independentemente da duração do sono noturno.
Uma quantidade inadequada de sono noturno pode produzir
sintomas de sonolência diurna muito similares àqueles
da Hipersonia Primária. Uma média de sono inferior a 7
horas por noite sugere fortemente um sono noturno inadequado,
ao passo que uma média de mais de 9 horas de sono por
período de 24 horas sugere Hipersonia Primária. Os indivíduos
com sono noturno inadequado tipicamente "recuperam"
com um sono mais prolongado nos dias em que estão livres
de exigências sociais ou profissionais ou nas férias.
Diferentemente da Hipersonia Primária, o sono noturno
insuficiente não tende a persistir inalterado por décadas.
Um diagnóstico de Hipersonia Primária não deve ser feito
quando existem dúvidas envolvendo a adequação da duração
do sono noturno. Um ensaio diagnóstico e terapêutico de
prolongamento do sono durante 10 a 14 dias freqüentemente
pode elucidar o diagnóstico. A sonolência diurna, um aspecto
característico da Hipersonia Primária, também pode ocorrer
na insônia primária, mas nestes casos a sonolência é menos
severa. Quando a sonolência diurna supostamente se deve
à insônia, não é feito um diagnóstico adicional de Hipersonia
Primária. A Hipersonia Primária e a Narcolepsia assemelham-se
quanto ao grau de sonolência diurna, idade de início e
curso estável ao longo do tempo, mas podem ser diferenciadas
com base em aspectos clínicos e laboratoriais distintos.
Os indivíduos com Hipersonia Primária têm um sono tipicamente
mais longo e menos perturbado, maior dificuldade para
despertar, sonolência diurna mais persistente (opostamente
aos "ataques de sono" mais nítidos na Narcolepsia),
episódios de sono diurno mais prolongados e menos reparadores,
e poucos ou nenhum sonho durante os cochilos diurnos.
Em contrapartida, os indivíduos com Narcolepsia têm cataplexia
e intrusões recorrentes de elementos do sono REM na transição
entre o sono e o estado desperto (por ex., alucinações
relacionadas ao sono e paralisia do sono). O Teste Múltiplo
de Latência do Sono (MSLT), na Narcolepsia, tipicamente
demonstra latências de sono mais curtas (isto é, maior
sonolência fisiológica), bem como a presença de múltiplos
períodos REM no início do sono. Indivíduos com Hipersonia
Primária e os com Transtorno do Sono Relacionado à Respiração
podem ter padrões similares de sonolência excessiva. O
Transtorno do Sono Relacionado à Respiração é sugerido
por uma história de roncos altos, pausas respiratórias
durante o sono, lesão cerebral ou doença cardiovascular
e pela presença, ao exame físico, de obesidade, anormalidades
na anatomia da orofaringe, hipertensão ou insuficiência
cardíaca. Estudos polissonográficos podem confirmar a
presença de eventos apnéicos no Transtorno do Sono Relacionado
à Respiração (bem como sua ausência na Hipersonia Primária).
O Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono freqüentemente
se caracteriza por sonolência diurna. Uma história de
horários anormais para dormir e despertar (com horários
freqüentemente alterados ou irregulares) está presente
em indivíduos com Transtorno do Ritmo Circadiano do Sono.
As Parassonias raramente produzem o tipo de sono noturno
prolongado e sem perturbações ou a sonolência diurna da
Hipersonia Primária. A Hipersonia Primária deve ser diferenciada
de transtornos mentais que incluem hipersonia como característica
essencial ou associada. Em particular, queixas de sonolência
diurna podem ocorrer em um Episódio Depressivo Maior,
Com Características Atípicas, e na fase depressiva do
Transtorno Bipolar. O diagnóstico de Hipersonia Primária
não é dado se a hipersonia ocorre exclusivamente durante
o curso de outro transtorno mental. Uma completa investigação
da possível presença de outros transtornos mentais é essencial,
antes de considerar o diagnóstico de Hipersonia Primária.
Um diagnóstico de Hipersonia Primária pode ser feito na
presença de um outro transtorno mental atual ou passado
se este, no entender do clínico, não explica a hipersonia
ou se esta e o transtorno mental têm um curso independente
(por ex., um indivíduo com hipersonia crônica que posteriormente
desenvolve um Transtorno Depressivo Maior). Em contrapartida,
quando a hipersonia ocorre como manifestação de outro
transtorno mental ou exclusivamente durante o curso deste,
o diagnóstico de Hipersonia Relacionada a Outro Transtorno
Mental pode ser mais apropriado. Este diagnóstico apenas
deve ser considerado quando a hipersonia é a queixa predominante
e se é suficientemente severa para indicar uma atenção
clínica independente; de outro modo, nenhum diagnóstico
separado é necessário. A Hipersonia Primária deve ser
distinguida do Transtorno do Sono Devido a uma Condição
Médica Geral, Tipo Hipersonia. O diagnóstico é de Transtorno
do Sono Devido a uma Condição Médica Geral quando a hipersonia
é considerada uma conseqüência fisiológica direta de uma
condição médica geral específica (por ex., tumor cerebral).
Esta determinação fundamenta-se na história, achados laboratoriais
ou exame físico. O Transtorno do Sono Induzido por Substância,
Tipo Hipersonia, é diferenciado da Hipersonia Primária
porque se supõe uma substância (droga de abuso, medicamento
ou exposição a uma toxina) está etiologicamente relacionada
à hipersonia. Por exemplo, uma hipersonia que ocorre apenas
no contexto da abstinência de cocaína seria diagnosticada
como Transtorno do Sono Induzido por Cocaína, Tipo Hipersonia,
Com Início Durante Abstinência. Relacionamento com a Classificação
Internacional de Distúrbios do Sono O diagnóstico de Hipersonia
Primária é análogo ao diagnóstico de Hipersonia Idiopática
na Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono
(CIDS). Além disso, a CIDS inclui uma categoria distinta
para Hipersonia Recorrente, que é análoga à forma Recorrente
de Hipersonia Primária.
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Critérios Diagnósticos para
F51.1 - 307.44 Hipersonia Primária
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| A.
A queixa predominante é de sonolência excessiva
por pelo menos 1 mês (ou menos, se recorrente),
evidenciada por episódios de sono prolongados
ou episódios de sono diurno que ocorrem quase
que diariamente. |
| B.
A sonolência excessiva causa sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social
ou ocupacional ou em outras áreas importantes
da vida do indivíduo. |
| C.
A sonolência excessiva não é melhor explicada
por insônia e não ocorre exclusivamente durante
o curso de outro Transtorno do Sono (por ex.,
Narcolepsia, Transtorno do Sono Relacionado
à Respiração, Transtorno do Ritmo Circadiano
do Sono ou uma Parassonia), nem pode ser explicada
por uma quantidade inadequada de sono. |
| D.
O distúrbio não ocorre exclusivamente durante
o curso de outro transtorno mental. |
| E.
O distúrbio não é devido aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por ex., droga de
abuso, medicamento) ou de uma condição médica
geral. |
| Especificar
se:
Recorrente: se existem períodos de sonolência
excessiva com duração mínima de 3 dias, ocorrendo
várias vezes por ano, por pelo menos 2 anos. |
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