Esta seção contém as
Disfunções Sexuais, as Parafilias e os Transtornos da Identidade de Gênero. As
Disfunções Sexuais caracterizam-se por uma perturbação no desejo sexual e nas
alterações psicofisiológicas que caracterizam o ciclo de resposta sexual, causando
sofrimento acentuado e dificuldade interpessoal. As Disfunções Sexuais incluem (em azul
os títulos desta página, os demais estão nas outras):
Disfunções
Sexuais
Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo
Transtorno de Aversão Sexual
Transtorno da Excitação Sexual
Transtorno da Excitação Sexual Feminina
Transtorno Erétil Masculino
Transtornos Orgásmicos
Transtorno Orgásmico Feminino
Transtorno Orgásmico Masculino
Ejaculação Precoce
Transtornos de dor Sexual
Dispareunia
Vaginismo
Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral
Disfunção Sexual Induzida por Substância
PARAFILIAS
Exibicionismo
Fetichismo
Frotteurismo
Pedofilia
Masoquismo
Sadismo
Fetichismo Transvéstico
Voyeurismo
Parafilia Sem Outra Especificação:
....escatologia telefônica, necrofilia, parcialismo,
....zoofilia, coprofilia, clismafilia e urofilia
Transtornos da Identidade de Gênero
As Parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias ou comportamentos sexuais
recorrentes e intensos que envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam
sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Os Transtornos da Identidade de Gênero caracterizam-se por uma forte identificação
sexual com o gênero oposto, acompanhada por desconforto persistente com o próprio sexo
atribuído. O Transtorno Sexual Sem Outra Especificação é incluído para a
codificação de transtornos do funcionamento sexual não classificáveis em qualquer das
categorias específicas. Cabe notar que as noções de desvio, padrões de desempenho
sexual e conceitos de papel apropriado para o gênero podem variar entre as culturas.
F65.1 - 302.3 - Fetichismo Transvéstico |
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DSM.IV
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Características Diagnósticas
O foco parafílico do Fetichismo
Transvéstico envolve vestir-se com roupas do sexo oposto. Geralmente, o homem com
Fetichismo Transvéstico mantém uma coleção de roupas femininas, que usa
intermitentemente. Enquanto usa roupas femininas, ele em geral se masturba, imaginando-se
tanto como o sujeito masculino quanto como o objeto feminino de sua fantasia sexual. Este
transtorno tem sido descrito apenas em homens heterossexuais. O Fetichismo Transvéstico
não é diagnosticado quando o se vestir com roupas do sexo oposto ocorre exclusivamente
durante o curso de um Transtorno da Identidade de Gênero. Os fenômenos transvésticos
variam desde o uso ocasional e solitário de roupas femininas até o extenso envolvimento
em uma subcultura transvéstica. Alguns homens usam um único item de vestuário feminino
(por ex., roupa íntima ou cinta-liga) sob suas roupas masculinas. Outros homens com o
transtorno vestem-se inteiramente como mulheres e usam maquiagem. O grau de semelhança de
um indivíduo vestido desta forma com uma mulher varia, dependendo de maneirismos, postura
corporal e habilidades de transvestir-se. Quando não está transvestido, o homem com
Fetichismo Transvéstico em geral é irreparavelmente masculino. Embora sua preferência
básica seja heterossexual, ele tende a ter poucas parceiras sexuais e pode ter-se
envolvido em atos homossexuais ocasionais. Um aspecto associado pode ser a presença de
Masoquismo Sexual. O transtorno tipicamente começa com o uso de roupas femininas na
infância ou início da adolescência. Em muitos casos, o transvestismo não é realizado
em público até a idade adulta. A experiência inicial pode envolver o uso parcial ou
completo de roupas femininas, sendo que o primeiro freqüentemente progride para o uso de
um vestuário feminino completo. Uma peça favorita do vestuário pode tornar-se erótica
em si mesma e ser usada habitualmente, primeiro na masturbação e, posteriormente, no
intercurso. Em alguns indivíduos, a motivação para vestir roupas femininas pode mudar
ao longo do tempo, temporária ou permanentemente, com a excitação sexual em resposta ao
transvestismo diminuindo ou desaparecendo. Nesses casos, o uso de roupas femininas
torna-se um antídoto para a ansiedade e depressão ou contribui para um sentimento de paz
e tranqüilidade. Em outros indivíduos, uma disforia quanto ao gênero pode emergir,
especialmente sob estresse situacional, com ou sem sintomas de depressão. Para um pequeno
número de indivíduos, a disforia quanto ao gênero torna-se uma parte fixa do quadro
clínico, sendo acompanhada pelo desejo de se vestir e viver permanentemente como uma
mulher e de buscar reatribuição sexual, por meio de hormônios ou cirurgia. Os
indivíduos com Fetichismo Transvéstico freqüentemente buscam tratamento quando emerge
disforia quanto ao gênero. O subtipo Com Disforia Quanto ao Gênero é oferecido para
permitir que o clínico anote a presença de disforia quanto ao gênero como parte do
Fetichismo Transvéstico.
Critérios Diagnósticos para F65.1 - 302.3 Fetichismo Transvéstico
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A. Ao
longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias, anseios sexuais e comportamentos
sexualmente excitantes recorrentes e intensos, envolvendo a exposição dos próprios
genitais a um estranho insuspeito.
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B. As
fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da
vida do indivíduo.
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Especificar
se:
Com Disforia Quanto ao Gênero: se o indivíduo sente um desconforto persistente com o
papel ou a identidade de gênero.
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F65.3 - 302.82 Voyerismo |
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DSM.IV
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O foco parafílico do Voyeurismo envolve o ato de observar indivíduos, geralmente
estranhos, sem suspeitar que estão sendo observados, que estão nus, a se despirem ou em
atividade sexual. O ato de observar ("espiar") serve à finalidade de obter
excitação sexual, e geralmente não é tentada qualquer atividade sexual com a pessoa
observada. O orgasmo, em geral produzido pela masturbação, pode ocorrer durante o
Voyeurismo ou mais tarde, em resposta à recordação do que o indivíduo testemunhou.
Freqüentemente, esses indivíduos fantasiam uma experiência sexual com a pessoa
observada, mas isto raramente ocorre na realidade. Em sua forma severa, o ato de espiar
constitui a forma exclusiva de atividade sexual. O início do comportamento voyeurista
geralmente ocorre antes dos 15 anos. O curso tende a ser crônico.
Critérios Diagnósticos para F65.3 - 302.82 Voyeurismo |
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A. Durante
um período mínimo de 6 meses, fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas,
impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo o ato de observar uma pessoa que está nua,
a se despir ou em atividade sexual, sem suspeitar que está sendo observada.
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B. As
fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da
vida do indivíduo.
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F65.9 - 302.9 - Parafilia Sem Outra Especificação |
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DSM.IV
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Esta categoria é incluída para a codificação de Parafilias que não satisfazem os
critérios para qualquer das categorias específicas. Os exemplos incluem a escatologia
telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia (cadáveres), parcialismo (foco exclusivo
em uma parte do corpo), zoofilia (animais), coprofilia (fezes), clismafilia (enemas) e
urofilia (urina), entre outras.
F64.x
- Transtorno da Identidade de Gênero |
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DSM.IV
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Características Diagnósticas
Há dois componentes no Transtorno
da Identidade de Gênero, sendo que ambos devem estar presentes para fazer o diagnóstico.
Deve haver evidências de uma forte e persistente identificação com o gênero oposto,
que consiste do desejo de ser, ou a insistência do indivíduo de que ele é do sexo
oposto (Critério A). Esta identificação com o gênero oposto não deve refletir um mero
desejo de quaisquer vantagens culturais percebidas por ser do outro sexo. Também deve
haver evidências de um desconforto persistente com o próprio sexo atribuído ou uma
sensação de inadequação no papel de gênero deste sexo (Critério B). O diagnóstico
não é feito se o indivíduo tem uma condição intersexual física concomitante (por
ex., síndrome de insensibilidade aos andrógenos ou hiperplasia adrenal congênita)
(Critério C). Para que este diagnóstico seja feito, deve haver evidências de sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério D). Em meninos, a
identificação com o gênero oposto é manifestada por uma acentuada preocupação com
atividades tradicionalmente femininas. Eles podem manifestar uma preferência por
vestir-se com roupas de meninas ou mulheres ou improvisar esses itens a partir de
materiais disponíveis, quando os artigos genuínos não estão à sua disposição.
Toalhas, aventais e lenços freqüentemente são usados para representar cabelos longos ou
saias. Existe uma forte atração pelos jogos e passatempos estereotípicos de meninas.
Pode ser observada uma preferência particular por brincar de casinha, desenhar meninas
bonitas e princesas e assistir televisão ou vídeos de suas personagens femininas
favoritas. Bonecas estereotipicamente femininas, tais como Barbie, com freqüência são
seus brinquedos favoritos, e as meninas são suas companhias preferidas. Quando brincam de
casinha, esses meninos encenam figuras femininas, mais comumente "papéis de
mãe", e habitualmente ocupam sua fantasia com figuras femininas. Esses meninos
evitam brincadeiras rudes e esportes competitivos e demonstram pouco interesse por
carrinhos ou caminhões ou outros brinquedos não-agressivos, porém estereotipicamente
masculinos. Eles podem expressar um desejo de ser meninas e declarar que, quando
crescerem, serão mulheres. Pode haver, também, uma insistência em urinar sentados e em
fingir que não possuem pênis, escondendo-o entre as pernas. Mais raramente, os meninos
com Transtorno da Identidade de Gênero podem afirmar que têm aversão por seu pênis ou
testículos, que desejam removê-los ou que têm, ou desejam ter, uma vagina. As meninas
com Transtorno da Identidade de Gênero apresentam reações negativas intensas às
expectativas ou tentativas dos pais de que se vistam com roupas femininas. Algumas podem
recusar-se a comparecer à escola ou a eventos sociais em que essas roupas são exigidas.
Elas preferem roupas de menino e cabelos curtos e com freqüência são erroneamente
identificadas por estranhos como meninos; elas também podem pedir aos outros que as
chamem por nomes masculinos. Seus heróis de fantasia são, com maior freqüência,
figuras masculinas poderosas, tais como Batman ou Super-Homem. Essas meninas preferem
brincar com meninos, e com eles compartilham interesses em esportes de contato,
brincadeiras rudes e jogos tradicionalmente masculinos. Elas demonstram pouco interesse em
bonecas ou em qualquer forma de roupas ou atividades femininas de faz-de-conta. Uma menina
com este transtorno pode recusar-se, ocasionalmente, a urinar sentada. Ela pode afirmar
que tem ou terá um pênis e não desejar desenvolver seios ou menstruar. Ela pode
declarar que quando crescer será um homem. Essas meninas tipicamente revelam acentuada
identificação com o gênero oposto em brincadeiras, sonhos e fantasias. Os adultos com
Transtorno da Identidade de Gênero preocupam-se com seu desejo de viver como um membro do
sexo oposto. Esta preocupação pode manifestar-se como um intenso desejo de adotar o
papel social do sexo oposto ou adquirir a aparência física do sexo oposto através de
manipulação hormonal ou cirúrgica. Os adultos com este transtorno sentem desconforto ao
serem considerados ou funcionarem, na sociedade, como um membro de seu sexo designado.
Eles adotam, em variados graus, o comportamento, roupas e maneirismos do sexo oposto. Em
sua vida privada, esses indivíduos podem passar muito tempo vestidos como o sexo oposto e
trabalhando para que sua aparência seja a do outro sexo. Com roupas do sexo oposto e
tratamento hormonal (e, para homens, eletrólise), muitos indivíduos com este transtorno
podem passar-se convincentemente por pessoas do sexo oposto. A atividade sexual desses
indivíduos com parceiros do mesmo sexo geralmente é limitada pelo fato de preferirem que
os parceiros não vejam nem toquem seus genitais. Para alguns homens que apresentam o
transtorno em uma idade mais tardia (freqüentemente após o casamento), a atividade
sexual com uma mulher é acompanhada pela fantasia de serem amantes lésbicas ou de que
sua parceira é um homem e ele é uma mulher. Em adolescentes, as características
clínicas podem assemelhar-se àqueles de crianças ou de adultos, dependendo do nível de
desenvolvimento do indivíduo, devendo os critérios ser aplicados de acordo com o quadro
clínico. Em um adolescente mais jovem, pode ser difícil chegar a um diagnóstico
correto, em vista de sua reserva, que pode aumentar se ele sentir-se ambivalente acerca da
sua identificação com o sexo oposto ou achar que isto é inaceitável para sua família.
O adolescente pode ser encaminhado para avaliação porque os pais ou professores
demonstram preocupação com o isolamento social ou com zombaria ou rejeição por parte
dos seus pares. Nessas circunstâncias, o diagnóstico deve ser reservado para aqueles
adolescentes que se mostram bastante identificados com o sexo oposto em seu vestuário ou
que se envolvem em comportamentos que sugerem uma significativa identificação com o
gênero oposto (por ex., depilar as pernas, em homens). O esclarecimento do diagnóstico
em crianças e adolescentes pode exigir um extenso período de monitoramento. O sofrimento
ou prejuízo em indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero tem diferentes
manifestações ao longo do ciclo vital. Em crianças pequenas, o sofrimento é
manifestado pela infelicidade declarada acerca de seu sexo atribuído, sendo que a
preocupação com desejos do sexo oposto freqüentemente interfere em atividades
corriqueiras. Em crianças mais velhas, o fracasso em desenvolver relacionamentos e
habilidades apropriados à idade com seus pares do mesmo sexo freqüentemente provoca
isolamento e sofrimento, podendo algumas se recusar a comparecer à escola, em razão de
zombaria ou pressões no sentido de vestirem-se de acordo com o estereótipo de seu sexo.
Em adolescentes e adultos, a preocupação com desejos do sexo oposto freqüentemente
interfere em atividades corriqueiras. Dificuldades de relacionamento são comuns, podendo
comprometer o funcionamento na escola ou no trabalho.
Especificadores
Para indivíduos sexualmente
maduros, os seguintes especificadores podem ser anotados, com base na orientação sexual
do indivíduo: Atração Sexual por Homens, Atração Sexual por Mulheres, Atração
Sexual por Ambos os Sexos, Ausência de Atração por Quaisquer dos Sexos. Os homens com
Transtorno da Identidade de Gênero incluem proporções substanciais com todos os quatro
especificadores. Virtualmente todas as mulheres com Transtorno da Identidade de Gênero
recebem o mesmo especificador Atração Sexual por Mulheres -, embora existam casos
excepcionais envolvendo mulheres com Atração Sexual por Homens.
Procedimentos de Registro
O código diagnóstico depende da
idade atual do indivíduo: se o transtorno ocorre na infância, utiliza-se o código
302.6; para um adolescente ou adulto, usa-se 302.85.
Características e Transtornos Associados
Características descritivas e
transtornos mentais associados. Muitos indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero
tornam-se socialmente isolados. O isolamento e o ostracismo contribuem para a baixa
auto-estima e podem levar à aversão e abandono da escola. O ostracismo e a zombaria por
parte dos seus pares são seqüelas especialmente comuns para meninos com o transtorno. Os
meninos com Transtorno da Identidade de Gênero em geral exibem maneirismos e padrão de
fala acentuadamente femininos. A perturbação pode ser tão invasiva, que a vida mental
de alguns indivíduos gira unicamente em torno de atividades que diminuem o sofrimento
quanto ao gênero. Eles preocupam-se freqüentemente com a aparência, em especial no
início da transição para uma vida no papel do sexo oposto. Os relacionamentos com um ou
ambos os pais também pode ser seriamente prejudicados. Alguns homens com Transtorno da
Identidade de Gênero recorrem à automedicação com hormônios e podem, muito raramente,
executar sua própria castração ou penectomia. Especialmente em centros urbanos, alguns
homens com o transtorno podem envolver-se em prostituição, o que os coloca em alto risco
de infecção com o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Tentativas de suicídio e
Transtornos Relacionados a Substâncias estão habitualmente associados. As crianças com
Transtorno da Identidade de Gênero podem manifestar Transtorno de Ansiedade de
Separação, Transtorno de Ansiedade Generalizada e sintomas depressivos coexistentes. Os
adolescentes estão particularmente em risco de depressão e ideação suicida. Em
adultos, ansiedade e sintomas depressivos podem estar presentes. Alguns adultos podem ter
uma história de Fetichismo Transvéstico, bem com outras Parafilias. A associação com
Transtornos da Personalidade é mais comum em homens do que em mulheres avaliados em
clínicas expecializadas para adultos.
Achados laboratoriais associados
Não existe qualquer teste
diagnóstico específico para o Transtorno da Identidade de Gênero. Na presença de um
exame físico normal, geralmente não se indica o cariótipo de cromossomas sexuais e
avaliações de hormônios sexuais. A testagem psicológica pode revelar identificação
ou padrões de comportamento do gênero oposto. Achados ao exame físico e condições
médicas gerais associadas. Os indivíduos com Transtorno da Identidade de Gênero têm
genitália normal (contrastando com a genitália ambígua ou hipogonadismo encontrados nas
condições intersexuais físicas). Homens adolescentes e adultos com Transtorno da
Identidade de Gênero podem apresentar um aumento das mamas resultante da ingestão de
hormônios, ausência de pêlos por depilação temporária ou permanente e outras
alterações físicas em conseqüência de procedimentos tais como rinoplastia ou
desbastamento da cartilagem tireóide (redução cirúrgica do pomo de Adão). Mamas
distorcidas ou com escoriações podem ser observadas em mulheres que usam faixas para
ocultá-las. As complicações pós-cirúrgicas em indivíduos geneticamente femininos
incluem cicatrizes proeminentes na parede torácica e, em indivíduos geneticamente
masculinos, constrições vaginais, fístulas retovaginais, estenoses da uretra e jato
urinário mal-direcionado. As mulheres adultas com Transtorno da Identidade de Gênero
podem ter uma probabilidade maior do que a esperada de doença ovariana policística.
Características Específica à Idade ao Gênero
As mulheres com Transtorno da
Identidade de Gênero em geral experimentam menor ostracismo em razão de interesses
relacionados ao sexo oposto e podem sofrer menos rejeição por parte de seus pares, pelo
menos até a adolescência. Em amostras de clínicas infantis, existem aproximadamente
cinco meninos para cada menina encaminhada com este transtorno. Em amostras clínicas
adultas, os homens superam em número as mulheres, em cerca de duas a três vezes. Em
crianças, a tendência para o encaminhamento de meninos pode refletir, em parte, o maior
estigma associado com o comportamento do gênero oposto em meninos do que em meninas.
Prevalência
Não existem estudos
epidemiológicos recentes que ofereçam dados sobre a prevalência do Transtorno da
Identidade de Gênero. Os dados de países menores da Europa, com acesso a estatísticas
da população total e encaminhamentos, sugerem que aproximadamente 1 em 30.000 homens
adultos e 1 em 100.000 mulheres adultas buscam cirurgia de reatribuição sexual.
Curso
Para crianças encaminhadas a
clínicas, o início de interesses e atividades relativos ao sexo oposto habitualmente se
situa entre 2 e 4 anos de idade, sendo que alguns pais afirmam que seus filhos sempre
manifestaram interesses do gênero oposto. Apenas um pequeno número de crianças com
Transtorno da Identidade de Gênero continua apresentando sintomas que satisfazem os
critérios para Transtorno da Identidade de Gênero na adolescência tardia ou na idade
adulta. Tipicamente, as crianças são encaminhadas por ocasião de seu ingresso na
escola, em vista da preocupação dos pais de que aquilo que consideravam uma
"fase" parece não estar sendo superado. A maioria das crianças com Transtorno
da Identidade de Gênero exibe comportamentos menos manifestos do gênero oposto com o
passar do tempo, intervenção parental ou resposta de seus pares. Ao final da
adolescência ou na idade adulta, cerca de três quartos dos meninos que apresentavam uma
história infantil de Transtorno da Identidade de Gênero relatam uma orientação
homossexual ou bissexual, mas sem um Transtorno da Identidade de Gênero concomitante. A
maior parte dos restantes declara uma orientação heterossexual, também sem um
Transtorno da Identidade de Gênero concomitante. As porcentagens correspondentes para a
orientação sexual em meninas não são conhecidas. Algumas adolescentes podem
desenvolver uma identificação mais clara com o sexo oposto e solicitar cirurgia de
reatribuição sexual ou continuar em um curso crônico de confusão de gênero ou
disforia quanto a este. Em homens adultos, existem dois cursos diferentes para o
desenvolvimento do Transtorno da Identidade de Gênero. O primeiro consiste de uma
continuação do Transtorno da Identidade de Gênero que teve seu início na infância ou
começo da adolescência. Esses indivíduos tipicamente se apresentam ao final da
adolescência ou na idade adulta. No outro curso, os sinais mais manifestos de
identificação com o gênero oposto aparecem mais tardia e gradualmente, com uma
apresentação clínica no início ou na metade da idade adulta, em geral se seguindo, mas
às vezes concomitante com o Fetichismo Transvéstico. O grupo de início mais tardio pode
ter um grau mais flutuante de identificação com o gênero oposto, maior ambivalência
acerca de uma cirurgia de reatribuição sexual, maior propensão a sentir atração por
mulheres e menor tendência a sentirem-se satisfeitos após uma cirurgia de reatribuição
sexual. Os homens com Transtorno da Identidade de Gênero que sentem atração sexual por
homens tendem a apresentar-se, na adolescência ou início da idade adulta, com uma
história de disforia ao longo da vida quanto ao gênero. Em comparação, aqueles que
sentem atração sexual ou por mulheres, ou tanto por homens quanto por mulheres ou por
nenhum sexo, tendem a apresentar-se mais tarde e têm tipicamente uma história de
Fetichismo Transvéstico. Se o Transtorno da Identidade de Gênero está presente na idade
adulta, ele tende a um curso crônico, mas há relatos de remissão espontânea.
Diagnóstico Diferencial
O Transtorno da Identidade de
Gênero pode ser diferenciado do simples inconformismo com o comportamento sexual
estereotípico pela extensão e caráter invasivo dos desejos, interesses e atividades
relativos ao gênero oposto. Este transtorno não pretende descrever o inconformismo de
uma criança com o comportamento estereotípico de papel sexual como, por exemplo, em
meninas "masculinas" ou no comportamento "maricas" de meninos. Ele
representa, outrossim, uma profunda perturbação do sentimento de identidade do
indivíduo com relação à masculinidade ou feminilidade. O comportamento infantil que
meramente não se ajusta ao estereótipo cultural de masculinidade ou feminilidade não
deve receber este diagnóstico, a menos que a síndrome completa esteja presente,
incluindo acentuado sofrimento ou prejuízo. O Fetichismo Transvéstico ocorre em homens
heterossexuais (ou bissexuais), cujo comportamento transvéstico serve a finalidades de
excitação sexual. Além do transvestismo, a maior parte dos indivíduos com Fetichismo
Transvéstico não possui uma história de comportamentos do gênero oposto na infância.
Os homens com uma apresentação que satisfaça todos os critérios para Transtorno da
Identidade de Gênero, bem como para Fetichismo Transvéstico, devem receber ambos os
diagnósticos. Se a disforia quanto ao gênero está presente em um indivíduo com
Fetichismo Transvéstico, mas não são satisfeitos todos os critérios para Transtorno da
Identidade de Gênero, o especificador Com Disforia Quanto ao Gênero pode ser usado. A
categoria Transtorno da Identidade de Gênero Sem Outra Especificação pode ser usada
para indivíduos com um problema de identidade de gênero com uma condição intersexual
congênita concomitante (por ex., síndrome de insensibilidade a andrógenos ou
hiperplasia adrenal congênita). Na Esquizofrenia pode haver, raramente, delírios de
pertencer ao sexo oposto. A insistência de uma pessoa com Transtorno da Identidade de
Gênero quanto a ser do sexo oposto não é considerada um delírio, porque significa,
invariavelmente, que a pessoa se sente como um membro do outro sexo, ao invés de uma
crença de ser do sexo oposto. Em casos muito raros, entretanto, podem coexistir a
Esquizofrenia e um severo Transtorno da Identidade de Gênero.
Critérios Diagnósticos para Transtorno da Identidade de Gênero
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A. Uma
forte e persistente identificação com o gênero oposto (não meramente um desejo de
obter quaisquer vantagens culturais percebidas pelo fato de ser do sexo oposto). Em
crianças, a perturbação é manifestada por quatro (ou mais) dos seguintes quesitos:
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(1)
declarou repetidamente o desejo de ser, ou insistência de que é, do sexo oposto
(2) em meninos, preferência pelo uso de roupas do gênero oposto ou simulação de trajes
femininos; em meninas, insistência em usar apenas roupas estereotipadamente masculinas
(3) preferências intensas e persistentes por papéis do sexo oposto em brincadeiras de
faz-de-conta, ou fantasias persistentes acerca de ser do sexo oposto
(4) intenso desejo de participar em jogos e passatempos estereotípicos do sexo oposto
(5) forte preferência por companheiros do sexo oposto.
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Em
adolescentes e adultos, o distúrbio se manifesta por sintomas tais como desejo declarado
de ser do sexo oposto, passar-se freqüentemente por alguém do sexo posto, desejo de
viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto, ou a convicção de ter os sentimentos e
reações típicos do sexo oposto.
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B.
Desconforto persistente com seu sexo ou sentimento de inadequação no papel de gênero
deste sexo.
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Em
crianças, a perturbação manifesta-se por qualquer das seguintes formas: em meninos,
afirmação de que seu pênis ou testículos são repulsivos ou desaparecerão,
declaração de que seria melhor não ter um pênis ou aversão a brincadeiras rudes e
rejeição a brinquedos, jogos e atividades estereotipadamente masculinos; em meninas,
rejeição a urinar sentada, afirmação de que desenvolverá um pênis, afirmação de
que não deseja desenvolver seios ou menstruar ou acentuada aversão a roupas
caracteristicamente femininas.
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Em
adolescentes e adultos, o distúrbio manifesta-se por sintomas tais como preocupação em
ver-se livre de características sexuais primárias ou secundárias (por ex.,
solicitação de hormônios, cirurgia ou outros procedimentos para alterar fisicamente as
características sexuais, com o objetivo de simular o sexo oposto) ou crença de ter
nascido com o sexo errado.
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C. A
perturbação não é concomitante a uma condição intersexual física.
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D. A
perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento
social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
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Codificar
com base na idade atual: 302.6 Transtorno da Identidade de Gênero em Crianças 302.85
Transtorno da Identidade de Gênero em Adolescentes ou Adultos
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Especificar
se (para indivíduos sexualmente maduros): Atração Sexual por Homens Atração Sexual
por Mulheres Atração Sexual por Ambos os Sexos Ausência de Atração Sexual por
Quaisquer dos Sexos F64
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F64.9
- 302.6 - Transtorno da Identidade de Gênero Sem Outra Especificação |
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DSM.IV
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Esta categoria é incluída para a codificação de transtornos da identidade de gênero
não classificáveis como um Transtorno da Identidade de Gênero específico. Exemplos: 1.
Condições intersexuais (por ex., síndrome de insensibilidade a andrógenos ou
hiperplasia adrenal congênita) e disforia concomitante quanto ao gênero. 2.
Comportamento transvéstico transitório, relacionado ao estresse. 3. Preocupação
persistente com castração ou penectomia, sem um desejo de adquirir as características
sexuais do gênero oposto.
F52.9
- 302.9 - Transtorno Sexual Sem Outra Especificação |
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DSM.IV
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Esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não
satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma
Disfunção Sexual ou uma Parafilia. Exemplos: 1. Acentuados sentimentos de inadequação
envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de
masculinidade ou feminilidade. 2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos
sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como
coisas a serem usadas. 3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação
sexual.
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