Esta seção
contém as Disfunções Sexuais, as Parafilias e os Transtornos
da Identidade de Gênero. As Disfunções Sexuais caracterizam-se
por uma perturbação no desejo sexual e nas alterações psicofisiológicas
que caracterizam o ciclo de resposta sexual, causando sofrimento
acentuado e dificuldade interpessoal. As Disfunções Sexuais
incluem (em azul os títulos desta página, os demais estão
nas outras):
Disfunções
Sexuais
Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo
Transtorno de Aversão Sexual
Transtorno da Excitação Sexual
Transtorno da Excitação Sexual Feminina
Transtorno Erétil Masculino
Transtornos Orgásmicos
Transtorno Orgásmico Feminino
Transtorno Orgásmico Masculino
Ejaculação Precoce
Transtornos de dor Sexual
Dispareunia
Vaginismo
Disfunção Sexual Devido a uma Condição Médica Geral
Disfunção Sexual Induzida por Substância
PARAFILIAS
Exibicionismo
Fetichismo
Frotteurismo
Pedofilia
Masoquismo
Sadismo
Fetichismo Transvéstico
Voyeurismo
Parafilia Sem Outra Especificação:
....escatologia telefônica, necrofilia, parcialismo,
....zoofilia, coprofilia, clismafilia e urofilia
Transtornos da Identidade de Gênero
As Parafilias são caracterizadas por anseios, fantasias
ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem
objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento
social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da
vida do indivíduo.
Os Transtornos da Identidade de Gênero caracterizam-se por
uma forte identificação sexual com o gênero oposto, acompanhada
por desconforto persistente com o próprio sexo atribuído.
O Transtorno Sexual Sem Outra Especificação é incluído para
a codificação de transtornos do funcionamento sexual não
classificáveis em qualquer das categorias específicas. Cabe
notar que as noções de desvio, padrões de desempenho sexual
e conceitos de papel apropriado para o gênero podem variar
entre as culturas.
Características Diagnósticas
As
características essenciais de uma parafilia consistem de
fantasias, anseios sexuais ou comportamentos recorrentes,
intensos e sexualmente excitantes, em geral envolvendo
1) objetos não-humanos;
2) sofrimento ou humilhação, próprios
ou do parceiro, ou
3) crianças ou outras pessoas sem
o seu consentimento, tudo isso ocorrendo durante
um período mínimo de 6 meses (Critério A). Em alguns indivíduos,
as fantasias ou estímulos parafílicos são obrigatórios para
a excitação erótica e sempre incluídos na atividade sexual.
Em outros casos, as preferências parafílicas ocorrem apenas
episodicamente (por ex., talvez durante períodos de estresse),
ao passo que em outros momentos o indivíduo é capaz de funcionar
sexualmente sem fantasias ou estímulos parafílicos. O comportamento,
os anseios sexuais ou as fantasias causam sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério
B). A imaginação parafílica pode ser posta em ação com um
parceiro sem o seu consentimento de modo a causar-lhe danos
(como no Sadismo Sexual ou na Pedofilia), podendo o indivíduo
estar sujeito à detenção ou prisão. As ofensas sexuais contra
crianças constituem uma parcela significativa dos atos sexuais
criminosos, sendo que os indivíduos com Exibicionismo, Pedofilia
e Voyeurismo perfazem a maioria dos agressores sexuais presos.
Em algumas situações, a ação sob a influência da imaginação
parafílica pode acarretar ferimentos auto-infligidos (como
no Masoquismo Sexual). Os relacionamentos sociais e sexuais
podem ser prejudicados se as outras pessoas consideram vergonhoso
ou repugnante o comportamento sexual incomum ou se o parceiro
sexual do indivíduo recusa-se a cooperar com suas preferências
sexuais incomuns. Em alguns casos, o comportamento incomum
(por ex., atos exibicionistas ou coleção de fetiches) pode
tornar-se a principal atividade sexual na vida do indivíduo.
Esses indivíduos raramente buscam auxílio por sua própria
conta, geralmente chegando à atenção dos profissionais de
saúde mental apenas quando seu comportamento provocou conflitos
com parceiros sexuais ou com a sociedade. As Parafilias
aqui descritas são condições especificamente identificadas
por classificações anteriores. Elas incluem Exibicionismo
(exposição dos genitais), Fetichismo (uso de objetos inanimados),
Frotteurismo (tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu
consentimento), Pedofilia (foco em crianças pré-púberes),
Masoquismo Sexual (ser humilhado ou sofrer), Sadismo Sexual
(infligir humilhação ou sofrimento), Fetichismo Transvéstico
(vestir-se com roupas do sexo oposto) e Voyeurismo (observar
atividades sexuais). Uma categoria residual, Parafilia Sem
Outra Especificação, inclui outras Parafilias encontradas
com menor freqüência. Não raro, os indivíduos têm mais de
uma Parafilia.
Procedimentos de Registro
As
Parafilias são diferenciadas com base no foco parafílico
característico. Entretanto, se as preferências sexuais do
indivíduo satisfazem os critérios para mais de uma Parafilia,
todas devem ser diagnosticadas. Os códigos e termos diagnósticos
são os seguintes: 302.4 Exibicionismo, 302.81 Fetichismo,
302.89 Frotteurismo, 302.2 Pedofilia, 302.83 Masoquismo
Sexual, 302.84 Sadismo Sexual, 302.82 Voyeurismo, 302.3
Fetichismo Transvéstico e 302.9 Parafilia Sem Outra Especificação.
Características e Transtornos Associados
Características
descritivas e transtornos mentais associados. O estímulo
preferido, mesmo dentro de determinada Parafilia, pode ser
altamente específico. Os indivíduos que não dispõem de um
parceiro consensual com quem possam atuar suas fantasias
podem recorrer aos serviços da prostituição ou atuar suas
fantasias contra a vontade de suas vítimas. Os indivíduos
com uma Parafilia podem escolher uma profissão ou desenvolver
um passatempo ou trabalho voluntário que os coloque em contato
com o estímulo desejado (por ex., vender sapatos ou roupas
íntimas femininas [Fetichismo], trabalhar com crianças [Pedofilia]
ou dirigir uma ambulância [Sadismo Sexual]. Eles podem ver,
ler, comprar ou colecionar seletivamente fotografias, filmes
e textos que enfocam seu tipo preferido de estímulo parafílico.
Muitos indivíduos com esses transtornos afirmam que o comportamento
não lhes causa sofrimento e que seu único problema é a disfunção
sexual resultante da reação de outras pessoas a seu comportamento.
Outros relatam extrema culpa, vergonha e depressão pela
necessidade de se envolverem em uma atividade sexual incomum
que é socialmente inaceitável ou que eles próprios consideram
imoral. Existe, freqüentemente, um prejuízo da capacidade
de ter uma atividade sexual recíproca e afetuosa, podendo
ocorrer Disfunções Sexuais. Distúrbios da personalidade
também são freqüentes, podendo ser suficientemente severos
para indicar um diagnóstico de Transtorno da Personalidade.
Sintomas depressivos podem desenvolver-se em indivíduos
com Parafilias, podendo acompanhar-se de um aumento da freqüência
e intensidade do comportamento parafílico.
Achados laboratoriais associados
A
pletismografia peniana tem sido usada no contexto de pesquisas
para avaliar várias Parafilias, medindo a excitação sexual
de um indivíduo em resposta a estímulos visuais e auditivos.
A confiabilidade e a validade deste procedimento na avaliação
clínica não foram bem estabelecidas, e a experiência clínica
sugere que os sujeitos podem simular uma resposta, manipulando
imagens mentais.
Condições médicas gerais associadas
O
sexo freqüente e desprotegido pode acarretar infecções ou
a transmissão de uma doença sexualmente transmissível. Comportamentos
sádicos ou masoquistas podem provocar ferimentos, que variam
desde leves até ameaçadores à vida.
Características Específicas à Cultura e ao Gênero
O
diagnóstico de Parafilias entre as várias culturas ou religiões
é complicado pelo fato de que aquilo que é considerado um
desvio em um contexto cultural pode ser mais aceitável em
outro. Exceto pelo Masoquismo Sexual, em que a proporção
entre os sexos está estimada em 20 homens para cada mulher,
as demais Parafilias quase nunca são diagnosticadas em mulheres,
embora alguns casos tenham sido relatados.
Prevalência
Embora
as Parafilias raramente sejam diagnosticadas em contextos
clínicos gerais, o amplo mercado da pornografia e da parafernália
parafílica sugere que sua prevalência na comunidade tende
a ser maior. Os problemas apresentados com maior freqüência
em clínicas especializadas no tratamento de Parafilias são
Pedofilia, Voyeurismo e Exibicionismo. O Masoquismo Sexual
e o Sadismo Sexual são vistos com uma freqüência muito menor.
Aproximadamente metade dos indivíduos com Parafilias vistos
em clínicas é casada.
Curso
Certas
fantasias e comportamentos associados com Parafilias podem
iniciar na infância ou nos primeiros anos da adolescência,
mas tornam-se mais definidos e elaborados durante a adolescência
e início da idade adulta. A elaboração e revisão das fantasias
parafílicas pode continuar ao longo de toda a vida do indivíduo.
Por definição, as fantasias e os anseios associados com
esses transtornos são recorrentes. Muitos indivíduos relatam
que as fantasias estão sempre presentes, mas que existem
períodos em que a freqüência das fantasias e a intensidade
dos anseios variam substancialmente. Os transtornos tendem
a ser crônicos e vitalícios, mas tanto as fantasias quanto
os comportamentos freqüentemente diminuem com o avanço da
idade em adultos. Os comportamentos podem aumentar em resposta
a estressores psicossociais, em relação a outros transtornos
mentais ou com o aumento das oportunidades de envolvimento
na Parafilia.
Diagnóstico Diferencial
Uma
Parafilia deve ser diferenciada do uso não-patológico de
fantasias sexuais, comportamentos ou objetos como estímulo
para a excitação sexual em indivíduos sem Parafilia. Fantasias,
comportamentos ou objetos são parafílicos apenas quando
levam a sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos
(por ex., são obrigatórios, acarretam disfunção sexual,
exigem a participação de indivíduos sem seu consentimento,
trazem complicações legais, interferem nos relacionamentos
sociais). Em casos de Retardo Mental, Demência, Alteração
da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, Intoxicação
com Substância, Episódio Maníaco ou Esquizofrenia, pode
haver uma redução do julgamento, habilidades sociais ou
controle dos impulsos que, em casos raros, leva a um comportamento
sexual incomum. Isto pode ser diferenciado de uma Parafilia
pelo fato de que o comportamento sexual incomum não é o
padrão preferido ou obrigatório do indivíduo, os sintomas
sexuais ocorrem exclusivamente durante o curso desses transtornos
mentais, e os atos sexuais incomuns tendem a ser isolados,
ao invés de recorrentes, geralmente iniciando em uma idade
mais tardia. As Parafilias individuais podem ser distinguidas
com base nas diferenças entre o foco parafílico característico.
Entretanto, se as preferências sexuais do indivíduo satisfazem
os critérios para mais de uma Parafilia, todas podem ser
diagnosticadas. O Exibicionismo deve ser distinguido da
micção em local público, que ocasionalmente é oferecida
como explicação para o comportamento. O Fetichismo e o Fetichismo
Transvéstico freqüentemente envolvem artigos do vestuário
feminino. No Fetichismo, o foco da excitação sexual situa-se
na própria peça de vestuário (por ex., calcinhas), enquanto
no Fetichismo Transvéstico a excitação sexual vem do ato
de vestir as roupas do sexo oposto. O uso de roupas do sexo
oposto, que está presente no Fetichismo Transvéstico, pode
também ocorrer no Masoquismo Sexual. No Masoquismo Sexual,
é a humilhação de ser forçado a vestir roupas do sexo oposto,
não as roupas em si, o foco da excitação sexual. O transvestismo
pode estar associado com disforia quanto ao gênero. Se alguma
disforia quanto ao gênero está presente, mas não são satisfeitos
todos os critérios para Transtorno da Identidade de Gênero,
o diagnóstico é de Fetichismo Transvéstico, Com Disforia
Quanto ao Gênero. Os indivíduos devem receber o diagnóstico
adicional de Transtorno da Identidade de Gênero se sua apresentação
satisfaz todos os critérios para Transtorno da Identidade
de Gênero .
|
Parafilia: Exibicionismo
- F65.2-302.4 |
| DSM.IV |
|
O foco parafílico no Exibicionismo envolve a exposição dos
próprios genitais a um estranho. Às vezes o indivíduo se
masturba durante a exposição (ou enquanto fantasia que se
expõe). Se o indivíduo age sob a influência desses anseios,
geralmente não existe qualquer tentativa de uma atividade
sexual adicional com o estranho. Em alguns casos, o indivíduo
está consciente de um desejo de surpreender ou chocar o
observador; em outros, o indivíduo tem a fantasia sexualmente
excitante de que o observador ficará sexualmente excitado.
O início em geral ocorre antes dos 18 anos, embora possa
começar mais tarde. Poucos indivíduos de grupos etários
mais velhos são detidos, o que pode sugerir que a condição
se torna menos severa após os 40 anos de idade.
|
Critérios Diagnósticos para
F65.2 - 302.4 Exibicionismo |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias,
anseios sexuais e comportamentos sexualmente excitantes
recorrentes e intensos, envolvendo a exposição
dos próprios genitais a um estranho insuspeito. |
| B.
As fantasias, anseios ou comportamentos sexuais
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
|
Parafilia: Fetichismo - F65.0-302.81
|
|
DSM.IV |
|
O foco parafílico no Fetichismo envolve o uso de objetos
inanimados ("fetiches"). Entre os objetos de fetiche
mais comuns estão calcinhas, soutiens, meias, sapatos, botas
ou outras peças do vestuário feminino. O indivíduo com Fetichismo
freqüentemente se masturba enquanto segura, esfrega ou cheira
o objeto do fetiche ou pode pedir que o parceiro sexual
use o objeto durante seus encontros sexuais. Em geral o
fetiche é exigido ou enfaticamente preferido para a excitação
sexual, podendo os homens, em sua ausência, apresentar disfunção
erétil. Esta Parafilia não é diagnosticada quando os fetiches
se restringem a artigos do vestuário feminino usados no
transvestismo, como no Fetichismo Transvéstico, ou quando
o objeto é genitalmente estimulante porque foi concebido
com esta finalidade (por ex., vibrador). Em geral, a Parafilia
inicia na adolescência, embora o fetiche possa ter sido
investido de uma importância especial na infância. Uma vez
estabelecido, o Fetichismo tende a ser crônico.
|
Critérios Diagnósticos para
F65.0 - 302.81 Fetichismo |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias
sexualmente excitantes, recorrentes e intensas,
impulsos sexuais e anseios ou comportamentos envolvendo
o uso de objetos inanimados (por ex., roupas íntimas
femininas). |
| B.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
| C.
Os objetos de fetiche não se restringem a artigos
de vestuário feminino usados no transvestismo
(como no Fetichismo Transvéstico) ou a dispositivos
desenvolvidos com a finalidade de estimulação
tátil da genitália (por ex., vibrador). |
|
Parafilia:
Frotteurismo - F65.8 -302.89 |
|
DSM.IV |
O foco parafílico do Frotteurismo envolve tocar e esfregar-se
em uma pessoa sem seu consentimento. O comportamento geralmente
ocorre em locais com grande concentração de pessoas, dos
quais o indivíduo pode escapar mais facilmente de uma detenção
(por ex., calçadas movimentadas ou veículos de transporte
coletivo). Ele esfrega seus genitais contra as coxas e nádegas
ou acaricia com as mãos a genitália ou os seios da vítima.
Ao fazê-lo, o indivíduo geralmente fantasia um relacionamento
exclusivo e carinhos com a vítima. Entretanto, ele reconhece
que, para evitar um possível processo legal, deve escapar
à detecção após tocar sua vítima. Geralmente, a parafilia
inicia na adolescência. A maior parte dos atos deste transtorno
ocorre quando a pessoa está entre os 15 e os 25 anos de
idade, após o que se observa um declínio gradual em sua
freqüência.
|
Critérios Diagnósticos para
F65.8 - 302.89 Frotteurismo |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias
sexualmente excitantes, recorrentes e intensas,
impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo
tocar e esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento. |
| B.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
|
Parafilia:
Pedofilia - F65.4 - 302.2 |
|
DSM.IV |
O foco parafílico da Pedofilia envolve atividade sexual
com uma criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos).
O indivíduo com Pedofilia deve ter 16 anos ou mais e ser
pelo menos 5 anos mais velho que a criança. Para indivíduos
com Pedofilia no final da adolescência, não se especifica
uma diferença etária precisa, cabendo exercer o julgamento
clínico, pois é preciso levar em conta tanto a maturidade
sexual da criança quanto a diferença de idade. Os indivíduos
com Pedofilia geralmente relatam uma atração por crianças
de uma determinada faixa etária. Alguns preferem meninos,
outros sentem maior atração por meninas, e outros são excitados
tanto por meninos quanto por meninas. Os indivíduos que
sentem atração pelo sexo feminino geralmente preferem crianças
de 10 anos, enquanto aqueles atraídos por meninos preferem,
habitualmente, crianças um pouco mais velhas. A Pedofilia
envolvendo vítimas femininas é relatada com maior freqüência
do que a Pedofilia envolvendo meninos. Alguns indivíduos
com Pedofilia sentem atração sexual exclusivamente por crianças
(Tipo Exclusivo), enquanto outros às vezes sentem atração
por adultos (Tipo Não-Exclusivo). Os indivíduos com Pedofilia
que atuam segundo seus anseios podem limitar sua atividade
a despir e observar a criança, exibir-se, masturbar-se na
presença dela, ou tocá-la e afagá-la. Outros, entretanto,
realizam felação ou cunilíngua ou penetram a vagina, boca
ou ânus da criança com seus dedos, objetos estranhos ou
pênis, utilizando variados graus de força para tal. Essas
atividades são geralmente explicadas com desculpas ou racionalizações
de que possuem "valor educativo" para a criança,
de que esta obtém "prazer sexual" com os atos
praticados, ou de que a criança foi "sexualmente provocante"
temas comuns também na pornografia pedófila. Os indivíduos
podem limitar suas atividades a seus próprios filhos, filhos
adotivos ou parentes, ou vitimar crianças de fora de suas
famílias. Alguns indivíduos com Pedofilia ameaçam a criança
para evitar a revelação de seus atos. Outros, particularmente
aqueles que vitimam crianças com freqüência, desenvolvem
técnicas complicadas para obterem acesso às crianças, que
podem incluir a obtenção da confiança da mãe, casar-se com
uma mulher que tenha uma criança atraente, traficar crianças
com outros indivíduos com Pedofilia ou, em casos raros,
adotar crianças de países não-industrializados ou raptar
crianças. Exceto em casos nos quais o transtorno está associado
com Sadismo Sexual, o indivíduo pode atender às necessidades
da criança para obter seu afeto, interesse e lealdade e
evitar que esta denuncie a atividade sexual. O transtorno
geralmente começa na adolescência, embora alguns indivíduos
com Pedofilia relatem não terem sentido atração por crianças
até a meia-idade. A freqüência do comportamento pedófilo
costuma flutuar de acordo com o estresse psicossocial. O
curso em geral é crônico, especialmente nos indivíduos atraídos
por meninos. A taxa de recidiva para indivíduos com Pedofilia
envolvendo uma preferência pelo sexo masculino é aproximadamente
o dobro daquela para a preferência pelo sexo feminino.
|
Critérios Diagnósticos para
F65.4 - 302.2 Pedofilia |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias
sexualmente excitantes recorrentes e intensas,
impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo
atividade sexual com uma (ou mais de uma) criança
pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos). |
| B.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
| C.
O indivíduo tem no mínimo 16 anos e é pelo menos
5 anos mais velho que a criança ou crianças no
Critério A.
Nota para a codificação: Não incluir um indivíduo
no final da adolescência envolvido em um relacionamento
sexual contínuo com uma criança com 12 ou 13 anos
de idade. |
| Especificar
se:
Atração Sexual por Homens
Atração Sexual por Mulheres
Atração Sexual por Ambos os Sexos |
| Especificar
se:
Limitada ao Incesto |
| Especificar
tipo:
Tipo Exclusivo (atração apenas por crianças)
Tipo Não-Exclusivo |
|
Parafilia:
Masoquismo - F65.5 - 302.83 |
|
DSM.IV |
O foco parafílico do Masoquismo Sexual envolve o ato (real,
não simulado) de ser humilhado, espancado, atado ou de outra
forma submetido a sofrimento. Alguns indivíduos se sentem
perturbados por suas fantasias masoquistas, que podem ser
invocadas durante o intercurso sexual ou a masturbação,
mas não atuadas de outro modo. Nesses casos, as fantasias
masoquistas em geral envolvem ser estuprado estando preso
ou atado por outros, sem possibilidade de fuga. Outros agem
de acordo com seus desejos sexuais masoquistas por conta
própria (por ex., atando a si mesmos, picando-se com alfinetes
ou agulhas, auto-administrando choques elétricos ou automutilando-se)
ou com um parceiro. Os atos masoquistas que podem ser buscados
com um parceiro incluem contenções (sujeição), colocação
de vendas (sujeição sensorial), palmadas, espancamento,
açoitamento, choques elétricos, ser cortado, "perfurado
e atravessado" (infibulação) e humilhado (por ex.,
receber sobre si a urina ou as fezes do parceiro, ser forçado
a rastejar e latir como um cão, ou ser submetido a abuso
verbal). O transvestismo forçado pode ser buscado por sua
associação com a humilhação. O indivíduo pode ter um desejo
de ser tratado como um bebê indefeso e de usar fraldas ("infantilismo").
Uma forma particularmente perigosa de Masoquismo Sexual,
chamada "hipoxifilia", envolve a excitação sexual
pela privação de oxigênio, obtida por meio de compressão
torácica, garrotes, ataduras, sufocação com saco plástico,
máscara ou substância química (freqüentemente um nitrito
volátil que produz uma redução temporária da oxigenação
cerebral pela vasodilatação periférica). As atividades de
privação de oxigênio podem ser executadas a sós ou com um
parceiro. Mortes acidentais podem ocorrer devido a mau funcionamento
do equipamento, erros na colocação da forca ou da atadura
em torno do pescoço ou outros deslizes. Dados dos Estados
Unidos, Inglaterra, Austrália e Canadá indicam que uma a
duas mortes causadas por hipoxifilia por milhão são detectadas
a cada ano. Alguns homens com Masoquismo Sexual também têm
Fetichismo, Fetichismo Transvéstico ou Sadismo Sexual. As
fantasias sexuais masoquistas tendem a ter estado presentes
na infância. A idade na qual iniciam as atividades masoquistas
com parceiros é variável, mas geralmente se situa nos primeiros
anos da vida adulta. O Masoquismo Sexual geralmente é crônico,
com tendência a repetir o mesmo ato masoquista. Alguns indivíduos
com Masoquismo Sexual podem dedicar-se a atos masoquistas
por muitos anos sem um aumento na sua potencial periculosidade.
Outros, entretanto, aumentam a gravidade dos atos masoquistas
ao longo do tempo ou durante períodos de estresse, podendo
acabar em ferimentos ou até mesmo em morte.
|
Critérios Diagnósticos para
F65.5 - 302.83 Masoquismo Sexual |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias
sexualmente excitantes, recorrentes e intensas,
impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo
o ato (real, não simulado) de ser humilhado, espancado,
atado ou de outra forma submetido a sofrimento. |
| B.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
|
Parafilia:
Sadismo - F65.5-302.84 |
|
DSM.IV |
O foco parafílico do Sadismo Sexual envolve atos (reais,
não simulados) nos quais o indivíduo deriva excitação sexual
do sofrimento psicológico ou físico (incluindo humilhação)
da vítima. Alguns indivíduos com esta Parafilia se sentem
perturbados por suas fantasias sádicas, que podem ser invocadas
durante a atividade sexual mas não são atuadas de outro
modo; nesses casos, as fantasias sádicas envolvem, habitualmente,
o completo controle sobre a vítima, que se sente aterrorizada
ante o ato sádico iminente. Outros atuam segundo seus anseios
sádicos com um parceiro que consente em sofrer dor ou humilhação
(e que pode ter Masoquismo Sexual). Outros, ainda, colocam
em prática seus anseios sexuais sádicos com vítimas que
não dão consentimento. Em todos esses casos, o que causa
excitação sexual é o sofrimento da vítima. As fantasias
ou atos sádicos podem envolver atividades que indicam o
domínio do indivíduo sobre a vítima (por ex., forçar a vítima
a rastejar ou mantê-la em uma jaula). Os indivíduos também
podem atar, vendar, dar palmadas, espancar, chicotear, beliscar,
bater, queimar, administrar choques elétricos, estuprar,
cortar, esfaquear, estrangular, torturar, mutilar ou matar
a vítima. As fantasias sexuais sádicas tendem a ter estado
presentes na infância. A idade de início das atividades
sádicas é variável, mas habitualmente ocorre nos primeiros
anos da vida adulta. O Sadismo Sexual geralmente é crônico.
Quando o Sadismo Sexual é praticado com parceiros que não
consentem com a prática, a atividade tende a ser repetida
até que o indivíduo com Sadismo Sexual seja preso. Alguns
indivíduos com Sadismo Sexual podem dedicar-se a atos sádicos
por muitos anos, sem necessidade de aumentar o potencial
de infligir sérios danos físicos. Geralmente, entretanto,
a gravidade dos atos sádicos aumenta com o tempo. Quando
o Sadismo Sexual é severo, e especialmente quando está associado
com Transtorno da Personalidade Anti-Social, os indivíduos
podem ferir gravemente ou matar suas vítimas.
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Critérios Diagnósticos para
F65.5 - 302.84 Sadismo Sexual |
| A.
Ao longo de um período mínimo de 6 meses, fantasias
sexualmente excitantes, recorrentes e intensas,
impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo
atos (reais, não simulados) nos quais o sofrimento
psicológico ou físico (incluindo humilhação) da
vítima é sexualmente excitante para o indivíduo. |
| B.
As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos
causam sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
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