Transtorno
da Personalidade INTRODUÇÃO
Transtorno da Personalidade Paranóide
Transtorno da Personalidade Esquizóide
Transtorno da Personalidade Esquizotípica
Transtorno da Personalidade Anti-Social
Transtorno da Personalidade Borderline
Transtorno da Personalidade Histriônica
Transtorno da Personalidade Narcisista
Transtorno da Personalidade Esquiva
Transtorno da Personalidade Dependente
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
Transtorno da Personalidade Sem Outra Especificação
F60.5 - 301.4 - Personalidade Obsessivo-Compulsiva |
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DSM.IV
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Características Diagnósticas
A característica essencial do
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva é uma preocupação com organização,
perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e
eficiência. Este padrão começa no início da idade adulta e está presente em uma
variedade de contextos. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade
Obsessivo-Compulsiva tentam manter um sentimento de controle através de uma atenção
extenuante a regras, detalhes triviais, procedimentos, listas, horários ou formalidades,
chegando a perder o ponto mais importante da atividade (Critério 1). Eles são
excessivamente cuidadosos e propensos à repetição, dando extraordinária atenção a
detalhes e verificando repetidamente, em busca de possíveis erros. Estas pessoas não
percebem que os outros tendem a ficar muito aborrecidos com os atrasos e inconveniências
que resultam de seu comportamento. Por exemplo, quando extraviam uma lista de coisas a
fazer, passam um período de tempo incomum procurando-a, ao invés de dispenderem alguns
momentos recriando-a de memória e seguirem com a realização das tarefas. O seu tempo é
mal distribuído, sendo as tarefas mais importantes deixadas para a última hora. O
perfeccionismo e os altos padrões auto-impostos de desempenho causam disfunção e
sofrimento significativos nesses indivíduos, que podem envolver-se tanto na tarefa de
tornar cada detalhe de um projeto absolutamente perfeito, a ponto de jamais terminá-lo
(Critério 2). Por exemplo, a redação de um relatório é atrasada por numerosas
revisões demoradas que jamais estão "perfeitas". Prazos são perdidos, e os
aspectos da vida do indivíduo que não são o foco de atividade atual podem ser deixados
de lado. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva demonstram
excessiva dedicação ao trabalho e à produtividade, chegando à exclusão de atividades
de lazer e amizades (Critério 3). Este comportamento não é explicado por necessidades
econômicas. Eles freqüentemente julgam que não têm tempo para tirar uma noite ou um
fim-de-semana de folga para sair ou simplesmente relaxar. Eles podem adiar indefinidamente
uma atividade recreativa, como as férias, de modo que esta pode jamais ocorrer. Quando
chegam a fazê-lo, sentem muito desconforto, a menos que tenham levado consigo algo em que
trabalhar, de modo a não "perderem tempo". Pode haver muita concentração em
tarefas domésticas (por ex., limpeza excessiva e repetida, de modo que "se poderia
comer do chão"). Quando passam algum tempo com amigos, isto tende a ocorrer em
alguma atividade formalmente organizada (por ex., um evento esportivo). Passatempos ou
atividades recreativas são abordados como tarefas sérias, que exigem meticulosa
organização e trabalho árduo. A ênfase está em um desempenho perfeito. Estes
indivíduos transformam brincadeiras em uma tarefa estruturada (por ex., corrigir um bebê
por não encaixar argolas em um pino na ordem correta; ensinar uma criança pequena a
andar em linha reta em seu triciclo; transformar um jogo de futebol em uma penosa
"aula"). Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
podem ser excessivamente conscienciosos, escrupulosos e inflexíveis acerca de questões
relativas à moralidade, ética ou valores (Critério 4). Eles podem forçar a si mesmos e
a outros a seguirem princípios morais rígidos e padrões muito estritos de desempenho.
Essas pessoas também podem ser implacáveis na autocrítica dos próprios erros. Os
indivíduos com este transtorno têm um respeito rígido para com autoridades e regras e
insistem em uma obediência ao pé da letra, sem qualquer flexibilidade de regras sob
circunstâncias atenuantes. Um indivíduo, por exemplo, pode não emprestar uma ficha para
um amigo que necessita utilizar o telefone público, porque "deve-se aprender a andar
com as próprias pernas" ou porque isto seria "mau" para o caráter dessa
pessoa. Essas qualidades não devem ser explicadas pela identificação cultural ou
religiosa do indivíduo. Os indivíduos com este transtorno podem ser incapazes de jogar
fora objetos usados ou inúteis, mesmo quando não possuem valor sentimental (Critério
5), freqüentemente admitindo ser "guardadores de entulho". Eles consideram um
desperdício desfazer-se de coisas porque "nunca se sabe quando algo pode ser
útil" e ficam aborrecidos se alguém tenta se livrar das coisas que guardaram. Seus
companheiros ou colegas podem queixar-se da quantidade de espaço tomado por velharias,
revistas, aparelhos quebrados e assim por diante. Os indivíduos com Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva são avessos a delegar tarefas ou a trabalhar com
outras pessoas (Critério 6). Eles insistem, de maneira teimosa e irracional, que tudo
seja feito à sua maneira e que as pessoas se amoldem a seu jeito de fazer as coisas.
Estas pessoas freqüentemente dão instruções muito detalhadas acerca de como tudo deve
ser feito (por ex., existe um, e somente um, modo de aparar o gramado, lavar os pratos,
construir uma casinha de cachorro) e ficam surpresas e irritadas se outros sugerem
alternativas criativas. Em outros momentos, podem rejeitar ofertas de auxílio, mesmo
quando estão com prazos vencidos, por acreditarem que ninguém mais poderá fazer as
coisas corretamente. Os indivíduos com este transtorno podem ser miseráveis e mesquinhos
e manter um padrão de vida bem abaixo daquele que seria possível, acreditando que os
gastos devem ser rigidamente controlados, a fim de se precaverem de futuras catástrofes
(Critério 7). Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
caracterizam-se por rigidez e teimosia (Critério 8). Eles preocupam-se tanto acerca de
que as coisas sejam feitas do modo "correto", que têm dificuldade em concordar
com as idéias de qualquer outra pessoa. Esses indivíduos fazem planos minuciosamente
detalhados e são avessos a mudanças. Totalmente envoltos em sua própria perspectiva,
eles têm dificuldade em ceder aos pontos-de-vista de outros. Amigos e colegas podem
frustrar-se com sua constante rigidez. Ainda que os indivíduos com Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva reconheçam que seria melhor para eles próprios se
aceitassem opiniões, eles podem recusar-se teimosamente a fazê-lo, argumentando que se
trata do "espírito da coisa".
Características e Transtornos Associados
Quando as regras e procedimentos
estabelecidos não ditam a resposta correta, a tomada de decisões pode tornar-se um
processo demorado e freqüentemente árduo. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade
Obsessivo-Compulsiva podem ter tamanha dificuldade em decidir que tarefas assumem
prioridade ou qual é o melhor meio de realizar determinada tarefa, que podem jamais
sequer iniciar qualquer coisa. Eles tendem a ficar desconcertados ou irados em situações
nas quais não conseguem manter o controle de seu ambiente físico ou interpessoal, embora
a raiva tipicamente não seja expressada de maneira direta. Uma pessoa, por exemplo, pode
ficar zangada com o mau atendimento em um restaurante, mas ao invés de se queixar à
gerência, rumina acerca da quantia a ser dada como gorjeta. Em outras ocasiões, a raiva
pode ser expressada por indignação acerca de algo aparentemente sem importância. As
pessoas com este transtorno podem dar especial atenção à sua posição nos
relacionamentos de domínio-submissão, podendo demonstrar excessiva deferência a uma
autoridade que respeitam e excessiva resistência à autoridade que não respeitam. Os
indivíduos com este transtorno em geral expressam afeição de uma forma altamente
controlada ou contida e podem sentir grande desconforto na presença de outros com maior
expressão emocional. Seus relacionamentos cotidianos têm uma qualidade formal e séria,
podendo mostrar-se rígidos em situações nas quais outras pessoas sorririam e se
mostrariam alegres (por ex., ao receber uma pessoa querida no aeroporto). Eles têm o
cuidado de se conterem até estarem certos de que o que disserem estará perfeito. Estas
pessoas podem preocupar-se com a lógica e o intelecto, e mostrar-se intolerantes para com
o comportamento afetivo dos outros. Muitas vezes têm dificuldade em expressar sentimentos
de ternura, raramente fazendo elogios. Os indivíduos com este transtorno podem
experimentar sofrimento e dificuldades no trabalho, particularmente quando se defrontam
com novas situações que exigem flexibilidade e colaboração. Embora alguns estudos
sugiram uma associação com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, parece que a maioria dos
indivíduos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo não possui um padrão de comportamento
que satisfaça os critérios para o Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.
Muitas características do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva sobrepõem-se
às características de personalidade do "tipo A" (por ex., hostilidade,
competitividade e urgência de tempo), e estas características podem estar presentes em
pessoas em risco para infarto do miocárdio. Pode haver uma associação entre Transtorno
da Personalidade Obsessivo-Compulsiva e Transtornos do Humor e de Ansiedade.
Características Específicas à Cultura e ao Gênero
Ao avaliar um indivíduo para a
presença de um Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, o clínico não deve
incluir os comportamentos que refletem hábitos, costumes ou estilos interpessoais
culturalmente sancionados pelo grupo de referência do indivíduo. Certas culturas colocam
uma ênfase substancial no trabalho e na produtividade; os comportamentos resultantes em
membros destas sociedades não precisam ser considerados indícios de Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Em estudos sistemáticos, o transtorno parece ser
diagnosticado duas vezes mais entre os homens.
Prevalência
Estudos que utilizaram uma
avaliação sistemática sugerem estimativas de que a prevalência do Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva seja de cerca de 1% em amostras comunitárias e de
cerca de 3-10% entre os indivíduos que procuram clínicas de saúde mental.
Diagnóstico Diferencial
Apesar das semelhança de nomes, o
Transtorno Obsessivo-Compulsivo em geral é facilmente distinguido do Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva pela presença de verdadeiras obsessões e compulsões.
Um diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve ser considerado especialmente
quando o hábito de armazenar é extremo (por ex., pilhas de objetos inúteis que
representam perigo de incêndio e dificultam a passagem). Quando são satisfeitos os
critérios para ambos os transtornos, os dois diagnósticos devem ser registrados. Outros
Transtornos da Personalidade podem ser confundidos com o Transtorno da Personalidade
Obsessivo-Compulsiva por terem certos aspectos em comum, de modo que é importante fazer a
distinção entre esses transtornos com base nas diferenças em seus aspectos
característicos. Entretanto, se um indivíduo tem características de personalidade que
satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade além do Transtorno
da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, todos podem ser diagnosticados. Os indivíduos com
Transtorno da Personalidade Narcisista também podem professar um compromisso com o
perfeccionismo e crer que os outros não conseguem realizar as tarefas tão bem quanto
eles, porém tendem mais a acreditar que já atingiram a perfeição, ao passo que no
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva em geral existe autocrítica. Os
indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social ou Narcisista não têm
generosidade, mas são auto-indulgentes, ao passo que aqueles com Transtorno da
Personalidade Obsessivo-Compulsiva adotam um estilo miserável em relação aos gastos
consigo mesmos e com outros. Tanto o Transtorno da Personalidade Esquizóide quanto o
Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva podem caracterizar-se por formalidade e
distanciamento social; no Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, isto deriva de
um desconforto com as emoções e de uma excessiva dedicação ao trabalho, ao passo que
no Transtorno da Personalidade Esquizóide existe uma falta básica da capacidade para a
intimidade. O Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva deve ser distinguido de uma
Alteração da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, na qual os traços
emergem devido aos efeitos diretos de uma condição médica geral sobre o sistema nervoso
central. Ele também deve ser distinguido de sintomas que podem desenvolver-se em
associação com o uso crônico de substâncias (por ex., Transtorno Relacionado à
Cocaína Sem Outra Especificação). Traços moderados de personalidade
obsessivo-compulsiva podem ser especialmente adaptativos, particularmente em situações
que gratificam um alto desempenho. Apenas quando são inflexíveis, mal-adaptativos,
persistentes e causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjetivo, esses
traços constituem um Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.
Critérios Diagnósticos para F60.5 - 301.4 Transtorno da Personalidade
Obsessivo-Compulsiva |
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Um padrão
invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e
interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência, que começa no início
da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos
quatro dos seguintes critérios: (1) preocupação tão
extensa, com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o ponto
principal da atividade é perdido
(2) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (por ex., é incapaz de
completar um projeto porque não consegue atingir seus próprios padrões demasiadamente
rígidos)
(3) devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de
lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica)
(4) excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em assuntos de moralidade,
ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa)
(5) incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm
valor sentimental
(6) relutância em delegar tarefas ou ao trabalho em conjunto com outras pessoas, a menos
que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas
(7) adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o
dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras
(8) rigidez e teimosia. |
F60.9 - 301.9 Transtorno da Personalidade Sem Outra Especificação
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DSM.IV
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Esta categoria serve para
transtornos do funcionamento da personalidade que não satisfazem os critérios para
qualquer Transtorno da Personalidade específico. Um exemplo disto é a presença de
características de mais de um Transtorno da Personalidade específico que não satisfazem
todos os critérios para qualquer Transtorno da Personalidade ("personalidade
mista"), mas que, juntas, causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo
em uma ou mais áreas importantes de funcionamento (por ex., social ou ocupacional). Esta
categoria também pode ser usada quando o clínico julga que seria apropriado diagnosticar
um Transtorno da Personalidade específico não incluído na Classificação, como, por
exemplo, transtorno da personalidade depressiva e transtorno da personalidade
passivo-agressiva (ver pp. 690-692, para critérios sugeridos para pesquisas).
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