A seção
para Transtornos do Humor é organizada da maneira abaixo.
Os itens em azul estão nesta
página e os demais nas páginas seguintes ou anteriores.
Episódios
de Humor
Episódio Depressivo Maior
Episódio Maníaco Episódio Misto
Episódio Hipomaníaco
Transtornos Depressivos
F32.x - 296.xx Transtorno Depressivo Maior
F34.1 - 300.4 Transtorno Distímico
F32.9 - 311 Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação
Transtornos Bipolares
F30.x/F31.x - 296.xx Transtorno Bipolar I
F31.8 - 296.89 Transtorno Bipolar
II
F34.0 - 301.13 Transtorno Ciclotímico
F06.xx - 296.80 Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação
Outros Transtornos do Humor
F06.xx - 293.83 Transtorno do Humor Devido a... [Indicar
a Condição Médica Geral]
Transtorno do Humor Induzido por Substância
F39 - 296.90 Transtorno do Humor Sem Outra Especificação
Volta ao Anterior
Volta à 1ª parte de Humor
|
Transtorno
Bipolar II |
|
DSM.IV |
Características do Episódio
A
característica essencial do Transtorno Bipolar II é um curso
clínico marcado pela ocorrência de um ou mais Episódios
Depressivos Maiores (Critério A), acompanhados por pelo
menos um Episódio Hipomaníaco (Critério B). Os Episódios
Hipomaníacos não devem ser confundidos com os vários dias
de eutimia que podem seguir-se à remissão de um Episódio
Depressivo Maior. A presença de um Episódio Maníaco ou Episódio
Misto exclui o diagnóstico de Transtorno Bipolar II (Critério
C). Episódios de Transtorno do Humor Induzido por Substância
(devido aos efeitos fisiológicos diretos de um medicamento,
outros tratamentos somáticos para a depressão, drogas de
abuso ou exposição a uma toxina) ou episódios de Transtorno
do Humor Devido a uma Condição Médica Geral não devem contar
a favor de um Transtorno Bipolar II. Além disso, os episódios
não devem ser melhor explicados por Transtorno Esquizoafetivo
nem estar sobrepostos a Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação
(Critério D). Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério
E). Em alguns casos, os Episódios Hipomaníacos em si não
causam prejuízo; no entanto, este pode decorrer dos Episódios
Depressivos Maiores ou de um padrão crônico de episódios
imprevisíveis de humor e de um funcionamento interpessoal
ou ocupacional flutuante e inconfiável. Os indivíduos com
Transtorno Bipolar II podem não ver os Episódios Hipomaníacos
como patológicos, embora outras pessoas possam sentir-se
perturbadas pelo comportamento errático do indivíduo. Muitas
vezes, particularmente quando em meio a um Episódio Depressivo
Maior, os indivíduos não se recordam dos períodos de hipomania
se não forem lembrados por amigos íntimos ou parentes. As
informações oferecidas por outras pessoas freqüentemente
são críticas para o estabelecimento do diagnóstico de Transtorno
Bipolar II.
Especificadores
Os
seguintes especificadores para o Transtorno Bipolar II podem
ser usados para indicar o episódio atual ou mais recente:
Hipomaníaco. Este especificador
é usado se o episódio atual (ou mais recente) é um Episódio
Hipomaníaco. Depressivo.
Este especificador é usado se o episódio atual (ou mais
recente) é um Episódio Depressivo Maior. Os especificadores
seguintes podem ser usados para a descrição do Episódio
Depressivo Maior atual no Transtorno Bipolar II (ou o Episódio
Depressivo Maior mais recente, se atualmente em remissão,
e apenas se este for o tipo mais recente de episódio de
humor):
Leve, Moderado, Severo Sem Aspectos Psicóticos, Severo Com
Aspectos Psicóticos, Em Remissão Parcial, Em Remissão Completa.
Crônico.
Com Características Catatônicas.
Com Características Melancólicas).
Com Características Atípicas).
Com Início no Pós-Parto).
Os especificadores a seguir podem ser usados para indicar
o padrão de freqüência dos episódios: Especificadores de
Curso Longitudinal (Com ou Sem Recuperação Entre Episódios).
Com Padrão Sazonal (aplica-se apenas ao padrão de Episódios
Depressivos Maiores). Com Ciclagem Rápida.
Procedimentos de Registro
O
código de diagnóstico para o Transtorno Bipolar II é 296.89;
nenhum dos especificadores é codificável. Ao registrar o
nome do diagnóstico, os termos devem ser relacionados na
seguinte ordem: Transtorno Bipolar II, especificadores indicando
o episódio atual ou mais recente (por ex., Hipomaníaco,
Depressivo), tantos especificadores quantos se aplicarem
ao Episódio Depressivo Maior atual ou mais recente (por
ex., Moderado, Com Características Melancólicas, Com Início
no Pós-Parto), e tantos especificadores quantos se aplicarem
ao curso dos episódios (por ex., Com Padrão Sazonal); por
exemplo, 296.89 Transtorno Bipolar II, Depressivo, Severo
com Aspectos Psicóticos, Com Características Melancólicas,
Com Padrão Sazonal.
Características e Transtornos Associados
Características
descritivas e transtornos mentais associados. O suicídio
completado (geralmente durante Episódios Depressivos Maiores)
é um risco significativo, ocorrendo em 10 a 15% das pessoas
com Transtorno Bipolar II. Gazeta à escola, fracasso escolar,
fracasso profissional ou divórcio podem estar associados
com o Transtorno Bipolar II. Os transtornos mentais associados
incluem Abuso ou Dependência de Substância, Anorexia Nervosa,
Bulimia Nervosa, Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade,
Transtorno de Pânico, Fobia Social e Transtorno da Personalidade
Borderline.
Achados laboratoriais associados.
Não
parece haver qualquer aspecto laboratorial diferenciando
os Episódios Depressivos Maiores encontrados no Transtorno
Depressivo Maior daqueles do Transtorno Bipolar II.
Características Específicas ao Gênero
O
Transtorno Bipolar II pode ser mais comum em mulheres do
que em homens. As mulheres com Transtorno Bipolar II podem
estar em risco aumentado para o desenvolvimento de episódios
subseqüentes no período pós-parto imediato.
Prevalência
Estudos
comunitários sugerem uma prevalência do Transtorno Bipolar
II durante a vida de aproximadamente 0,5%.
Curso
Aproximadamente
60 a 70% dos Episódios Hipomaníacos no Transtorno Bipolar
II ocorrem imediatamente antes ou após um Episódio Depressivo
Maior. Os Episódios Hipomaníacos freqüentemente precedem
ou se seguem aos Episódios Depressivos Maiores em um padrão
característico para cada pessoa determinada. O número de
episódios durante a vida (tanto Hipomaníacos quanto Depressivos
Maiores) tende a ser superior para Transtorno Bipolar II,
em comparação com o Transtorno Depressivo Maior, Recorrente.
O intervalo entre os episódios tende a diminuir com a idade.
Aproximadamente 5 a 15% dos indivíduos com Transtorno Bipolar
II têm múltiplos (quatro ou mais) episódios de humor (Hipomaníacos
ou Depressivos Maiores) que ocorrem dentro de um mesmo ano.
Se este padrão está presente, ele é anotado pelo especificador
Com Ciclagem Rápida. Um padrão de ciclagem rápida está associado
com um pior prognóstico. Embora a maioria dos indivíduos
com Transtorno Bipolar II retorne a um nível plenamente
funcional entre os episódios, aproximadamente 15% continuam
apresentando humor instável e dificuldades interpessoais
ou ocupacionais. Não ocorrem sintomas psicóticos nos Episódios
Hipomaníacos, e estes parecem ser menos freqüentes nos Episódios
Depressivos Maiores do Transtorno Bipolar II do que nos
do Transtorno Bipolar I. Algumas evidências são consistentes
com a noção de que alterações acentuadas no ciclo de sono/vigília,
tais como as que ocorrem durante mudanças de fuso horário
ou privação do sono, podem precipitar ou exacerbar Episódios
Hipomaníacos ou Episódios Depressivos Maiores. Caso um Episódio
Maníaco ou um Episódio Misto se desenvolva no curso de um
Transtorno Bipolar II, o diagnóstico é mudado para Transtorno
Bipolar I. Em 5 anos, cerca de 5 a 15% dos indivíduos com
Transtorno Bipolar II desenvolvem um Episódio Maníaco.
Padrão Familial
Alguns
estudos indicam que os parentes biológicos em primeiro grau
de indivíduos com Transtorno Bipolar II têm índices elevados
de Transtorno Bipolar II, Transtorno Bipolar I e Transtorno
Depressivo Maior, em comparação com a população geral.
Diagnóstico Diferencial
Os
episódios Hipomaníacos e Depressivos Maiores no Transtorno
Bipolar II devem ser diferenciados de episódios de um Transtorno
do Humor Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico
é de Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral
para episódios considerados a conseqüência fisiológica direta
de uma condição médica geral específica (por ex., esclerose
múltipla, acidente vascular encef'álico, hipotiroidismo).
Esta distinção fundamenta-se na história, achados laboratoriais
ou exame físico. Um Transtorno do Humor Induzido por Substância
é diferenciado de Episódios Hipomaníacos ou Episódios Depressivos
Maiores que ocorrem no Transtorno Bipolar II pelo fato de
que uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento
ou exposição a uma toxina) está etiologicamente relacionada
com a perturbação do humor. Sintomas como os que são vistos
em um Episódio Hipomaníaco podem fazer parte da intoxicação
ou abstinência de uma droga de abuso e devem ser diagnosticados
como Transtorno do Humor Induzido por Substância (por ex.,
um episódio tipo depressivo maior ocorrendo apenas no contexto
da abstinência de cocaína é diagnosticado como Transtorno
do Humor Induzido por Cocaína, Com Características Depressivas,
Com Início Durante Intoxicação). Sintomas como os que são
vistos em um Episódio Hipomaníaco podem também ser precipitados
pelo tratamento antidepressivo com medicamentos, terapia
eletroconvulsiva ou fototerapia. Estes episódios devem ser
diagnosticados como Transtorno do Humor Induzido por Substância
(por ex., Transtorno do Humor Induzido por Amitriptilina,
Com Características Maníacas; Transtorno do Humor Induzido
por Terapia Eletroconvulsiva, Com Características Maníacas)
e não contam para um diagnóstico de Transtorno Bipolar II.
Entretanto, quando o uso de uma substância ou medicamentos
não explica completamente o episódio (por ex., o episódio
continua de forma autônoma por um período considerável após
a substância ser descontinuada), o episódio conta para um
diagnóstico de Transtorno Bipolar II. O Transtorno Bipolar
II deve ser diferenciado de um Transtorno Depressivo Maior
e Transtorno Distímico pela história de pelo menos um Episódio
Hipomaníaco durante a vida. O Transtorno Bipolar II é distinguido
do Transtorno Bipolar I pela presença de um ou mais Episódios
Maníacos ou Mistos neste último. Quando um indivíduo com
diagnóstico anterior de Transtorno Bipolar II desenvolve
um Episódio Maníaco ou Episódio Misto, o diagnóstico é alterado
para Transtorno Bipolar I. No Transtorno Ciclotímico, existem
numerosos períodos de sintomas hipomaníacos e numerosos
períodos de sintomas depressivos que não satisfazem os critérios
de sintomas e duração para um Episódio Depressivo Maior.
O Transtorno Bipolar II é diferenciado do Transtorno Ciclotímico
pela presença de um ou mais Episódios Depressivos Maiores.
Se um Episódio Depressivo Maior ocorre após os 2 primeiros
anos de Transtorno Ciclotímico, aplica-se o diagnóstico
adicional de Transtorno Bipolar II. O Transtorno Bipolar
II deve ser diferenciado de Transtornos Psicóticos (por
ex., Transtorno Esquizoafetivo, Esquizofrenia e Transtorno
Delirante). A Esquizofrenia, o Transtorno Esquizoafetivo
e o Transtorno Delirante caracterizam-se por períodos de
sintomas psicóticos que ocorrem na ausência de sintomas
de humor proeminentes. Outras considerações úteis incluem
os sintomas que acompanham os transtornos, curso prévio
e história familiar .
|
Critérios Diagnósticos para
F31.8 - 296.89 Transtorno Bipolar II
|
| A.
Presença (ou história) de um ou mais Episódios
Depressivos Maiores |
| B.
Presença (ou história) de pelo menos um Episódio
Hipomaníaco. |
| C.
Jamais houve um Episódio Maníaco ou um Episódio
Misto. |
| D.
Os sintomas de humor nos Critérios A e B não são
melhor explicados por Transtorno Esquizoafetivo
nem estão sobrepostos a Esquizofrenia, Transtorno
Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou Transtorno
Psicótico Sem Outra Especificação. |
| E.
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
| Especificar
episódio atual ou mais recente:
Hipomaníaco: se atualmente (ou mais recentemente)
em um Episódio Hipomaníaco.
Depressivo: se atualmente (ou mais recentemente)
em um Episódio Depressivo Maior |
| Especificar
(para Episódio Depressivo Maior atual ou mais
recente apenas se este for o tipo mais recente
de episódio de humor): Especificadores de Gravidade/Psicótico/de
Remissão |
| Nota:
Os códigos do quinto dígito especificados em Critérios
para Especificadores de Gravidade / Psicótico
/ de Remissão para Episódio Depressivo Maior atual
não podem ser usados aqui, pois o código para
o Transtorno Bipolar II já usa o quinto dígito.
Crônico. Com Características Catatônicas. Com
Características Melancólicas. Com Características
Atípicas. Com Início no Pós-Parto |
| Especificar:
Especificadores de Curso Longitudinal (Com ou
Sem Recuperação Entre Episódios).
Com Padrão Sazonal (aplica-se apenas ao padrão
de Episódios Depressivos Maiores).
Com Ciclagem Rápida |
|
F34.0 - 301.13 Transtorno
Ciclotímico |
| DSM.IV |
|
Características
Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno Ciclotímico é
uma perturbação crônica e flutuante do humor, envolvendo
numerosos períodos de sintomas hipomaníacos e numerosos
períodos de sintomas depressivos (Critério A). Os sintomas
hipomaníacos têm número, gravidade, abrangência ou duração
insuficientes para a satisfação de todos os critérios
para um Episódio Maníaco, e os sintomas depressivos têm
número, gravidade, abrangência ou duração insuficientes
para a satisfação de todos os critérios para um Episódio
Depressivo Maior. Durante o período de 2 anos (1 ano para
crianças e adolescentes), quaisquer intervalos livres
de sintomas não duram mais de 2 meses (Critério B). O
diagnóstico de Transtorno Ciclotímico é feito apenas se
o período inicial de 2 anos de sintomas ciclotímicos está
livre de Episódios Depressivos Maiores, Maníacos e Mistos
(Critério C). Após o período inicial de 2 anos de Transtorno
Ciclotímico, Episódios Maníacos ou Mistos podem se sobrepor
ao Transtorno Ciclotímico, diagnosticando-se, neste caso,
tanto Transtorno Ciclotímico quanto Transtorno Bipolar
I. Da mesma forma, após o período inicial de 2 anos de
Transtorno Ciclotímico, Episódios Depressivos Maiores
podem se sobrepor ao Transtorno Ciclotímico, diagnosticando-se,
neste caso, tanto Transtorno Ciclotímico quanto Transtorno
Bipolar II. O diagnóstico não é feito se o padrão de alterações
do humor é melhor explicado por Transtorno Esquizoafetivo
ou está sobreposto a um Transtorno Psicótico, como Esquizofrenia,
Transtorno Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou
Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação (Critério
D), sendo que, neste caso, os sintomas de humor são considerados
aspectos associados do Transtorno Psicótico. A perturbação
do humor também não deve decorrer dos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento)
ou de uma condição médica geral (por ex., hipertiroidismo)
(Critério E). Embora algumas pessoas possam funcionar
particularmente bem durante alguns dos períodos de hipomania,
deve haver, de modo geral, um sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes, em conseqüência da perturbação
do humor (Critério F). O prejuízo pode desenvolver-se
como resultado de períodos prolongados de alterações cíclicas
e freqüentemente imprevisíveis de humor (por ex., a pessoa
pode ser considerada temperamental, "de lua",
imprevisível, inconsistente ou inconfiável).
Características e Transtornos Associados
Características descritivas e transtornos mentais associados.
Transtornos Relacionados a Substâncias e Transtornos do
Sono (isto é, dificuldade para conciliar e manter o sono)
podem estar presentes.
Características Específicas à Idade e ao Gênero
O Transtorno Ciclotímico freqüentemente começa cedo na
vida e às vezes é considerado um reflexo da predisposição
temperamental para outros Transtornos do Humor (especialmente
Transtornos Bipolares). Em amostras comunitárias, o Transtorno
Ciclotímico aparentemente ocorre na mesma proporção entre
homens e mulheres. Em contextos clínicos, as mulheres
com Transtorno Ciclotímico podem estar mais propensas
a buscar tratamento do que os homens.
Prevalência
Os estudos têm relatado uma prevalência de Transtorno
Ciclotímico durante a vida de 0,4 a 1%. A prevalência
em clínicas para transtornos do humor pode variar de 3
a 5%.
Curso
O Transtorno Ciclotímico em geral inicia na adolescência
ou começo da vida adulta. O início do Transtorno Ciclotímico
mais tarde na vida adulta sugere um Transtorno do Humor
Devido a uma Condição Médica Geral, como esclerose múltipla.
O Transtorno Ciclotímico em geral tem um início insidioso
e um curso crônico. Existe um risco de 15 a 50% de que
a pessoa desenvolva, subseqüentemente, um Transtorno Bipolar
I ou Transtorno Bipolar II.
Padrão Familial
O Transtorno Depressivo Maior e o Transtorno Bipolar II
parecem ser mais comuns entre os parentes biológicos em
primeiro grau de pessoas com Transtorno Ciclotímico do
que na população geral. Também pode haver um risco familial
aumentado de Transtornos Relacionados a Substâncias.
Diagnóstico Diferencial
O Transtorno Ciclotímico deve ser diferenciado de um Transtorno
do Humor Devido a uma Condição Médica Geral. O diagnóstico
de Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral,
Com Características Mistas, é feito quando a perturbação
do humor é considerada como a conseqüência fisiológica
direta de uma condição médica geral específica, geralmente
crônica (por ex., hipertiroidismo) (ver p. 349). Esta
distinção fundamenta-se na história, achados laboratoriais
ou exame físico. Se o clínico julgar que os sintomas depressivos
não são a conseqüência fisiológica direta da condição
médica geral, então o Transtorno de Humor primário é registrado
no Eixo I (por ex., Transtorno Ciclotímico) e a condição
médica geral é registrada no Eixo III. Isto ocorre, por
exemplo, se os sintomas de humor são considerados como
a conseqüência psicológica do fato de ter uma condição
médica geral crônica ou se não existe um relacionamento
etiológico entre os sintomas de humor e a condição médica
geral. Um Transtorno do Humor Induzido por Substância
é diferenciado do Transtorno Ciclotímico pelo fato de
que uma substância (em especial estimulantes) está etiologicamente
relacionada à perturbação do humor. As freqüentes alterações
do humor sugestivas de Transtorno Ciclotímico em geral
se dissipam após a cessação do uso da droga. Transtorno
Bipolar I, Com Ciclagem Rápida, e Transtorno Bipolar II,
Com Ciclagem Rápida, podem assemelhar-se ao Transtorno
Ciclotímico em virtude das freqüentes e acentuadas alterações
do humor. Por definição, os estados de humor no Transtorno
Ciclotímico não satisfazem todos os critérios para um
Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio
Misto, ao passo que o especificador Com Ciclagem Rápida
exige a presença de episódios de Maníaco ou Episódio Misto
ocorre durante o curso de um Transtorno Ciclotímico estabelecido,
aplica-se o diagnóstico de Transtorno Bipolar I (para
um Episódio Maníaco ou Episódio Misto) ou Transtorno Bipolar
II (para um Episódio Depressivo Maior), juntamente com
o diagnóstico de Transtorno Ciclotímico. O Transtorno
da Personalidade Borderline está associado com acentuadas
alterações do humor, que podem sugerir um Transtorno Ciclotímico.
Se os critérios são satisfeitos para cada um dos transtornos,
podem ser diagnosticados tanto Transtorno da Personalidade
Borderline quanto Transtorno Ciclotímico .
Critérios Diagnósticos para F34.0 - 301.13 Transtorno
Ciclotímico |
| A.
Por 2 anos, pelo menos, presença de numerosos
períodos com sintomas hipomaníacose numerosos
períodos com sintomas depressivos que não satisfazem
os critérios para um Episódio Depressivo Maior.
Nota: Em crianças e adolescentes, a duração deve
ser de pelo menos 1 ano. |
| B.
Durante o período de 2 anos estipulado acima (1
ano para crianças e adolescentes), a pessoa não
ficou sem os sintomas do Critério A por mais de
2 meses consecutivos. |
| C.
Nenhum Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco
ou Episódio Misto esteve presente durante os 2
primeiros anos da perturbação. |
| Nota:
Após os 2 anos iniciais (1 ano para crianças e
adolescentes) do Transtorno Ciclotímico, pode
haver sobreposição de Episódios Maníacos ou Mistos
(sendo que neste caso Transtorno Bipolar I e Transtorno
Ciclotímico podem ser diagnosticados concomitantemente)
ou de Episódios Depressivos Maiores (podendo-se,
neste caso, diagnosticar tanto Transtorno Bipolar
II quanto Transtorno Ciclotímico) |
| D.
Os sintomas no Critério A não são melhor explicados
por Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos
a Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem
Outra Especificação. |
| E.
Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por ex., droga de abuso,
medicamento) ou de uma condição médica geral (por
ex., hipertiroidismo). |
| F.
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
|
F31.9 -
296.80 Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação
|
|
DSM.IV |
A categoria Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação compreende
transtornos com características bipolares que não satisfazem
os critérios para qualquer Transtorno Bipolar específico.
Exemplos:
1. Alternância muito rápida (em questão de dias) entre sintomas
maníacos e sintomas depressivos que não satisfazem os critérios
de duração mínima para um Episódio Maníaco ou um Episódio
Depressivo Maior.
2. Episódios Maníacos recorrentes sem sintomas depressivos
intercorrentes.
3. Episódio Maníaco ou Episódio Misto sobreposto a Transtorno
Delirante, Esquizofrenia residual ou Transtorno Psicótico
Sem Outra Especificação.
4. Situações nas quais o clínico concluiu pela presença
de Transtorno Bipolar, mas é incapaz de determinar se este
é primário, devido a uma condição médica geral ou induzido
por uma substância. Outros Transtornos do Humor.
|
F06.xx -
293.83 Transt. do Humor por uma Condição Médica Geral
|
|
DSM.IV |
Características Diagnósticas
A
característica essencial do Transtorno do Humor Devido a
uma Condição Médica Geral é uma perturbação proeminente
e persistente do humor, considerada como sendo decorrente
dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica
geral. A perturbação do humor pode envolver humor depressivo,
interesse ou prazer acentuadamente diminuídos ou humor elevado,
expansivo ou irritável(Critério A). Embora a apresentação
clínica da perturbação do humor possa lembrar a de um Episódio
Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio Misto, não
são satisfeitos todos os critérios para qualquer um destes
episódios. A sintomatologia predominante pode ser indicada
pelo uso de um dos seguintes subtipos: Com Características
Depressivas, Com Episódio Tipo Depressivo Maior, Com Características
Maníacas ou Com Características Mistas. Deve haver evidências,
a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais,
de que a perturbação é a conseqüência fisiológica direta
de uma condição médica geral (Critério B). A perturbação
do humor não é melhor explicada por um outro transtorno
mental (por ex., Transtorno de Ajustamento Com Humor Depressivo,
ocorrendo em resposta ao estresse psicossocial de ter a
condição médica geral) (Critério C). O diagnóstico também
não é feito se a perturbação do humor ocorre apenas durante
o curso de um delirium (Critério D). A perturbação do humor
deve causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo
no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas
importantes (Critério E). Em alguns casos, o indivíduo ainda
pode ser capaz de funcionar, mas apenas com um esforço acentuadamente
aumentado. Ao determinar se a perturbação do humor se deve
a uma condição médica geral, o clínico deve, em primeiro
lugar, confirmar a presença da condição médica geral. Além
disso, deve estabelecer que a perturbação do humor está
etiologicamente relacionada à condição médica geral através
de um mecanismo fisiológico. Uma avaliação atenta e abrangente
de múltiplos fatores é necessária para este julgamento.
Embora não existam diretrizes infalíveis para determinar
se o relacionamento entre a perturbação do humor e a condição
médica geral é etiológico, diversas considerações oferecem
alguma orientação nesta área. Uma delas é a presença de
uma associação temporal entre início, exacerbação ou remissão
da condição médica geral e o mesmo em relação à perturbação
do Humor. Uma segunda consideração é a presença de aspectos
atípicos dos Transtornos do Humor primários (por ex., idade
de início ou curso atípico ou ausência de história familiar).
Evidências da literatura que sugerem a possível existência
de uma associação contexto útil para a avaliação de determinada
situação. Além disso, o clínico também deve julgar que a
perturbação não é melhor explicada por um Transtorno do
Humor primário, Transtorno do Humor Induzido por Substância
ou outros transtornos mentais primários (por ex., Transtorno
de Ajustamento). Esta determinação é explicada em maiores
detalhes na seção "Transtornos Mentais Devido a uma
Condição Médica Geral". Contrastando com Transtorno
Depressivo Maior, o Transtorno do Humor Devido a uma Condição
Médica Geral, Com Características Depressivas, parece ter
uma distribuição quase igual entre os gêneros. O Transtorno
do Humor Devido a uma Condição Médica Geral aumenta o risco
de suicídio tentado e completado. Os índices de suicídio
são variáveis, dependendo da condição médica geral específica,
sendo que as condições crônicas, incuráveis e dolorosas
(por ex., condições malignas, lesões da medula, úlcera péptica,
doença de Huntington, síndrome de imunodeficiência adquirida
[AIDS], doença renal em estágio terminal, traumatismo craniano)
acarretam maior risco de suicídio.
Subtipos
Um
dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar a apresentação
sintomática predominante:
F06.32 - Com Características
Depressivas. Este subtipo é usado se o humor predominante
é depressivo, mas não são satisfeitos todos os critérios
para um Episódio Depressivo Maior.
F06.32 - Com Episódio
Tipo-Depressivo. Este subtipo é usado se são satisfeitos
todos os critérios (exceto critério D) para Episódio Depressivo
Maior.
F06.30 - Com Características
Maníacas. Este subtipo é usado se o humor predominante é
elevado, eufórico ou irritável.
F06.33 - Com Características
Mistas. Este subtipo é usado se há presença de sintomas
tanto de mania quanto de depressão, sem predomínio de nenhum
deles.
Procedimentos de Registro
Ao
registrar o diagnóstico de Transtorno do Humor Devido a
uma Condição Médica Geral, o clínico deve anotar tanto a
fenomenologia específica da perturbação, incluindo o subtipo
apropriado, quanto a condição médica geral identificada,
considerada a causadora da perturbação no Eixo I (por ex.,
293.83 Transtorno do Humor Devido à Tirotoxicose, Com Características
Maníacas). O código da CID-9-MC para a condição médica geral
também deve ser anotado no Eixo III (por ex., 242.9 tirotoxicose)
(Ver Apêndice G para uma lista de códigos diagnósticos selecionados
da CID-9-MC para condições médicas gerais). Um diagnóstico
separado de Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica
Geral não é dado se os sintomas depressivos desenvolvem-se
exclusivamente durante o curso da Demência do Tipo Alzheimer
ou Demência Vascular. Neste caso, os sintomas depressivos
são indicados especificando-se o subtipo Com Humor Deprimido
(por ex., 290.21 Demência do Tipo Alzheimer, Com Início
Tardio, Com Humor Deprimido).
Condições Médicas Gerais Associadas
Uma
variedade de condições médicas gerais pode causar sintomas
de humor. Estas condições incluem condições neurológicas
degenerativas (por ex., doença de Parkinson, doença de Huntington),
doença vascular cerebral (por ex., acidente vascular encefálico),
condições metabólicas (por ex., deficiência de vitamina
B12), condições endócrinas (por ex., hiper e hipotiroidismo,
hiper e hipoparatiroidismo, lúpus eritematoso sistêmico),
infecções virais e outras (por ex., hepatite, mononucleose,
vírus de imunodeficiência humana [HIV]) e certos cânceres
(por ex., carcinoma de pâncreas). Os achados associados
do exame físico, achados laboratoriais e padrões de prevalência
e início refletem a condição médica geral etiológica.
Prevalência
As
estimativas de prevalência para Transtorno do Humor Devido
a uma Condição Médica Geral estão confinadas às apresentações
com características depressivas. Observou-se que 25 a 40%
dos indivíduos com certas condições neurológicas (incluindo
doença de Parkinson, doença de Huntington, esclerose múltipla,
acidente vascular encefálico, doença de Alzheimer) desenvolvem
uma perturbação depressiva acentuada em algum ponto durante
o curso da doença. Para condições médicas gerais sem envolvimento
direto do sistema nervoso central, os índices são bem mais
variáveis, variando de mais de 60% na síndrome de Cushing
a menos de 8%, na doença renal terminal.
Diagnóstico Diferencial
Um
diagnóstico separado de Transtorno do Humor Devido a uma
Condição Médica Geral não é dado se a perturbação do humor
ocorre exclusivamente durante o curso de um delirium. Quando
o clínico deseja indicar a presença de sintomas de humor
clinicamente significativos que ocorrem no contexto de uma
Demência Devido a uma Condição Médica Geral, um diagnóstico
separado de Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica
Geral pode ser indicado. Uma exceção a isto dá-se quando
os sintomas depressivos ocorrem exclusivamente durante o
curso de uma Demência do Tipo Alzheimer ou Demência Vascular.
Nestes casos, aplica-se apenas um diagnóstico de Demência
do Tipo Alzheimer ou de Demência Vascular, com o subtipo
Com Humor Deprimido, não sendo feito um diagnóstico separado
de Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral.
Se a apresentação inclui um misto de diferentes tipos de
sintomas (humor e ansiedade, por exemplo), o transtorno
mental devido a uma condição médica geral específico depende
dos sintomas predominantes no quadro clínico. Caso existam
evidências de uso recente ou prolongado de uma substância
(incluindo medicamentos com efeitos psicoativos), abstinência
de uma substância ou exposição a uma toxina, um Transtorno
do Humor Induzido por Substância deve ser considerado. Pode
ser útil obter uma avaliação toxicológica urinária ou sangüínea
ou outra avaliação laboratorial apropriada. Os sintomas
que ocorrem durante ou logo após (isto é, dentro de 4 semanas)
a Intoxicação ou Abstinência de Substância ou após o uso
de medicamentos podem ser especialmente indicadores de um
Transtorno Induzido por Substância, dependendo do caráter,
duração ou quantidade da substância usada. Caso o médico
tenha-se assegurado de que a perturbação se deve tanto a
uma condição médica geral quanto ao uso de uma substância,
aplicam-se ambos os diagnósticos (isto é, Transtorno do
Humor Devido a uma Condição Médica Geral e Transtorno de
Humor Induzido por Substância). O Transtorno do Humor Devido
a uma Condição Médica Geral deve ser diferenciado de um
Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Bipolar I, Transtorno
Bipolar II e Transtorno de Ajustamento Com Humor Depressivo
(por ex., uma resposta mal-adaptativa ao fato de ter uma
condição médica geral). Nos Transtornos Depressivo Maior,
Bipolar e de Ajustamento não existem mecanismos fisiológicos
específicos e diretamente causais associados a uma condição
médica geral. Freqüentemente, é difícil determinar se certos
sintomas (por ex., perda de peso, insônia e fadiga) representam
uma perturbação do humor ou uma manifestação direta de uma
condição médica geral (por ex., câncer, acidente vascular
encefálico, infarto do miocárdio, diabete). Esses sintomas
contam para um diagnóstico de Episódio Depressivo Maior,
exceto nos casos em que são clara e completamente explicados
por uma condição médica geral. Se o clínico não consegue
determinar se a perturbação do humor é primária, induzida
por substância ou devido a uma condição médica geral, pode-se
diagnosticar um Transtorno de Humor Sem Outra Especificação.
|
Critérios Diagnósticos para
F06.xx - 293.83 Transtorno do Humor Devido a...
[Indicar a Condição Médica Geral] |
| A.
Uma perturbação proeminente e persistente do humor
predomina no quadro clínico e se caracteriza por
um dos seguintes quesitos (ou ambos): (1) humor
depressivo, ou interesse ou prazer acentuadamente
diminuídos por todas ou quase todas as atividades
(2) humor elevado, expansivo ou irritável |
| B.
Existem evidências, a partir da história, exame
físico ou achados laboratoriais, de que a perturbação
é a conseqüência fisiológica direta de uma condição
médica geral. |
| C.
A perturbação não é melhor explicada por outro
transtorno mental (por ex., Transtorno de Ajustamento
Com Humor Depressivo, em resposta ao estresse
de ter uma condição médica geral). |
| D.
A perturbação não ocorre exclusivamente durante
o curso de um delirium. |
| E.
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou em outras área importantes da vida do indivíduo. |
| Especificar
tipo:
Com Características Depressivas: se o humor predominante
é depressivo, mas não são satisfeitos todos os
critérios para um Episódio Depressivo Maior.
Com Episódio Tipo Depressivo Maior: se são satisfeitos
todos os critérios (exceto Critério D) para um
Episódio Depressivo Maior. Com Características
Maníacas: se o humor predominante é elevado, eufórico
ou irritável. Com Características Mistas: se há
presença de sintomas tanto de mania quanto de
depressão, sem predomínio de nenhum deles. |
| Nota
para a codificação: Incluir o nome da condição
médica geral no Eixo I, por ex., 293.83 Transtorno
do Humor Devido a Hipotiroidismo, Com Características
Depressivas; codificar também a condição médica
geral no Eixo III (ver Apêndice G para códigos). |
| Nota
para a codificação: Se os sintomas depressivos
ocorrem como parte de uma demência preexistente,
indicar os sintomas depressivos codificando o
subtipo apropriado da demência se algum estiver
disponível, por ex., 290.21 Demência do Tipo Alzheimer,
Com Início Tardio, Com Humor Depressivo. |
|
Transtorno
do Humor Induzido por Substância |
|
DSM.IV |
Características Diagnósticas
A
característica essencial do Transtorno do Humor Induzido
por Substância é uma perturbação proeminente e persistente
do humor (Critério A), considerada como devido aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância (droga de abuso,
medicamento, outros tratamentos somáticos para a depressão
ou exposição a uma toxina) (Critério B). Dependendo da natureza
da substância e do contexto no qual os sintomas ocorrem
(isto é, durante intoxicação ou abstinência), a perturbação
pode envolver humor depressivo ou acentuada diminuição do
interesse ou prazer, ou humor elevado, expansivo ou irritável.
Embora a apresentação clínica da perturbação do humor possa
lembrar a de um Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco,
Misto ou Hipomaníaco, não são satisfeitos todos os critérios
para um desses episódios. O tipo de sintoma predominante
pode ser indicado pelo uso de um dos seguintes subtipos:
Com Características Depressivas, Com Características Maníacas,
Com Características Mistas. A perturbação não deve ser melhor
explicada por um Transtorno do Humor não induzido por substância
(Critério C). O diagnóstico não é feito se a perturbação
do humor ocorre apenas durante o curso de um delirium (Critério
D). Os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes da vida do indivíduo (Critério
E). Em alguns casos, o indivíduo pode ainda ser capaz de
funcionar, mas apenas com um esforço acentuadamente aumentado.
Este diagnóstico deve ser feito ao invés de um diagnóstico
de Intoxicação com Substância ou Abstinência de Substância
apenas quando os sintomas de humor excedem aqueles habitualmente
associados com a síndrome de intoxicação ou abstinência
e quando os sintomas de humor são suficientemente severos
para indicar uma atenção clínica independente. Um Transtorno
do Humor Induzido por Substância é diferenciado de um Transtorno
do Humor primário mediante a consideração do início, curso
e outros fatores. Para drogas de abuso, deve haver evidências
de intoxicação ou abstinência a partir da história, exame
físico ou achados laboratoriais. Os Transtornos do Humor
Induzidos por Substância surgem exclusivamente em associação
com estados de intoxicação ou abstinência, enquanto os Transtornos
do Humor primários podem preceder o início do uso da substância
ou ocorrer durante períodos de abstinência prolongada. Uma
vez que o estado de abstinência para algumas substâncias
pode ser relativamente retardado, o início dos sintomas
de humor pode ocorrer até 4 semanas após a cessação do uso
da substância. Outro aspecto a considerar é a presença de
características atípicas de Transtornos do Humor primários
(por ex., idade de início ou curso atípicos). Por exemplo,
o início de um Episódio Maníaco após os 45 anos pode sugerir
uma etiologia induzida por substância. Em contrapartida,
os fatores que sugerem que os sintomas de humor são melhor
explicados por um Transtorno do Humor primário incluem persistência
dos sintomas de humor por um período substancial de tempo
(isto é, cerca de 1 mês) após o término da Intoxicação com
Substância ou Abstinência aguda; desenvolvimento de sintomas
de humor substancialmente excedentes aos que seriam esperados,
dado o tipo ou a quantidade da substância usada ou a duração
do uso; ou uma história de episódios primários recorrentes
prévios de Transtorno do Humor. Alguns medicamentos (por
ex., estimulantes, esteróides, L-dopa, antidepressivos)
ou outros tratamentos somáticos para a depressão (por ex.,
terapia eletroconvulsiva ou fototerapia) podem induzir perturbações
tipo maníacas. O discernimento clínico é essencial para
determinar se o tratamento é o verdadeiro causador ou se
o Transtorno do Humor primário teve seu início por acaso,
enquanto a pessoa recebia o tratamento. Os sintomas maníacos
que se desenvolvem enquanto a pessoa está tomando lítio,
por exemplo, não são diagnosticados como Transtorno do Humor
Induzido por Substância, porque o lítio não tende a induzir
episódios tipo maníacos. Por outro lado, um episódio depressivo
que se desenvolveu dentro das primeiras semanas de tratamento
com alfa-metildopa (um agente anti-hipertensivo) em uma
pessoa sem história de Transtorno do Humor se qualificaria
para o diagnóstico de Transtorno do Humor Induzido por Alfa-metildopa,
Com Características Depressivas. Em alguns casos, uma condição
previamente estabelecida (por ex., Transtorno Depressivo
Maior, Recorrente) pode recorrer enquanto a pessoa está
coincidentemente tomando um medicamento capaz de causar
sintomas depressivos (por ex., L-dopa, anticoncepcionais).
O clínico deve julgar se o medicamento é o causador, nesta
situação particular.
Subtipos e Especificadores
Um
dos seguintes subtipos pode ser usado para indicar a apresentação
sintomática predominante:
Com Características Depressivas. Este subtipo é usado se
o humor predominante é depressivo.
Com Características Maníacas. Este subtipo é usado se o
humor predominante é elevado, eufórico ou irritável. Com
Características Mistas. Este subtipo é usado se há presença
de sintomas tanto de mania quanto de depressão, sem predomínio
de nenhum deles. O contexto de definição dos sintomas de
humor pode ser indicado pelo uso de um dos seguintes especificadores:
Com Início Durante Intoxicação. Este especificador deve
ser usado se são satisfeitos os critérios para intoxicação
com a substância e se os sintomas se desenvolvem durante
a síndrome de intoxicação.
Com Início Durante Abstinência. Este especificador deve
ser usado se são satisfeitos os critérios para abstinência
da substância e se os sintomas se desenvolvem durante ou
logo após uma síndrome de abstinência.
Procedimentos de Registro
O
nome do Transtorno do Humor Induzido por Substância inclui
a substância ou o tratamento somático específico (por ex.,
cocaína, amitriptilina, terapia eletroconvulsiva) que presumivelmente
está causando os sintomas de humor. O código diagnóstico
é selecionado a partir da listagem de classes de substâncias
oferecida no conjunto de critérios. Para substâncias que
não se enquadram em qualquer uma das classes (por ex., amitriptilina)
e para outros tratamentos somáticos (por ex., terapia eletroconvulsiva),
o código para "Outra Substância" deve ser usado.
Além disso, para medicamentos prescritos em doses terapêuticas,
o medicamento específico pode ser indicado listando-se o
Código E apropriado (ver Apêndice G). O nome do transtorno
(por ex., Transtorno do Humor Induzido por Cocaína) é seguido
pelo subtipo indicando a apresentação sintomática predominante
e pelo especificador indicando o contexto no qual os sintomas
se desenvolveram (por ex., 292.84 Transtorno do Humor Induzido
por Cocaína, Com Características Depressivas, Com Início
Durante Abstinência). Quando mais de uma substância presumivelmente
exerce um papel significativo no desenvolvimento de sintomas
de humor, cada uma deve ser listada em separado (por ex.,
292.84 Transtorno do Humor Induzido por Cocaína, Com Características
Maníacas, Com Início Durante Abstinência; 292.84 Transtorno
do Humor Induzido por Fototerapia, Com Características Maníacas).
Se uma substância é considerada como sendo o fator etiológico,
mas se desconhece a substância ou classe de substâncias
específica, pode-se usar a categoria 292.84 Transtorno do
Humor Induzido por Substância Desconhecida.
Substâncias Específicas
Os
Transtornos do Humor podem ocorrer em associação com a intoxicação
com as seguintes classes de substâncias: álcool; anfetamina
e substâncias correlatas; cocaína; alucinógenos; inalantes;
opióides; fenciclidina e substâncias correlatas; sedativos,
hipnóticos e ansiolíticos; outras substâncias ou substâncias
desconhecidas. Os Transtornos do Humor podem ocorrer em
associação com a abstinência das seguintes classes de substâncias:
álcool; anfetamina e substâncias correlatas; cocaína; sedativos,
hipnóticos e ansiolíticos; e outras substâncias ou substâncias
desconhecidas. Alguns dos medicamentos que, conforme relatos,
evocam sintomas de humor, incluem anestésicos, anticolinérgicos,
anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, medicamentos antiparkinsonianos,
medicamentos antiúlcera, medicamentos cardíacos, contraceptivos
orais, medicamentos psicotrópicos (por ex., antidepressivos,
benzodiazepínicos, antipsicóticos, dissulfiram), relaxantes
musculares, esteróides e sulfonamidas. Alguns medicamentos
têm especial propensão a produzir características depressivas
(por ex., altas doses de reserpina, corticosteróides, esteróides
anabólicos). Observe que esta não é uma lista exaustiva
de possíveis medicamentos e que muitas medicações podem
ocasionalmente produzir uma reação depressiva idiossincrática.
Metais pesados e toxinas (por ex., substâncias voláteis,
tais como gasolina e tintas, inseticidas organofosforados,
gases nervosos, monóxido de carbono, dióxido de carbono)
também podem causar sintomas de humor.
Diagnóstico Diferencial
Sintomas
de humor habitualmente ocorrem na Intoxicação com Substância
e Abstinência de Substância, e o diagnóstico de intoxicação
ou abstinência com a substância específica em geral será
suficiente para categorizar a apresentação sintomática.
Um diagnóstico de Transtorno do Humor Induzido por Substância
deve ser feito ao invés de Intoxicação ou Abstinência de
Substância apenas quando os sintomas de humor são considerados
excedentes aos habitualmente associados com a síndrome de
intoxicação ou abstinência e quando os sintomas de humor
são suficientemente severos para indicar uma atenção clínica
independente. O humor disfórico, por exemplo, é um aspecto
característico da Abstinência de Cocaína. O Transtorno do
Humor Induzido por Cocaína deve ser diagnosticado ao invés
de Abstinência de Cocaína apenas se a perturbação do humor
é substancialmente mais intensa do que se esperaria ser
habitualmente na Abstinência de Cocaína e se é suficientemente
severa para ser um foco separado de atenção e tratamento.
Se os sintomas de humor induzidos por substância ocorrem
exclusivamente durante o curso de um delirium, os sintomas
são considerados um aspecto associado do delirium e não
são diagnosticados separadamente. Nas apresentações induzidas
por substância com um misto de diferentes tipos de sintomas
(por ex., sintomas de humor, psicóticos e de ansiedade),
o tipo específico de Transtorno Induzido por Substância
a ser diagnosticado depende do tipo de sintomas predominantes
na apresentação clínica. O Transtorno do Humor Induzido
por Substância é distinguido de um Transtorno do Humor primário
pelo fato de que uma substância supostamente está de forma
etiológica relacionada aos sintomas (p. 353). Um Transtorno
do Humor Induzido por Substância devido a um tratamento
prescrito para um transtorno mental ou condição médica geral
deve ter seu início enquanto a pessoa está recebendo o medicamento
(por ex., medicamento anti-hipertensivo) (ou durante a abstinência,
se existe uma síndrome de abstinência associada ao medicamento).
Uma vez que o tratamento seja descontinuado, os sintomas
de humor geralmente apresentam remissão dentro de dias a
semanas (dependendo da meia-vida da substância e da presença
de uma síndrome de abstinência). Se os sintomas persistem
além de 4 semanas, outras causas de sintomas de humor devem
ser consideradas. Uma vez que os indivíduos com condições
médicas gerais freqüentemente tomam medicamentos para essas
condições, o clínico deve considerar a possibilidade de
que os sintomas de humor sejam causados pelas conseqüências
fisiológicas da condição médica geral, e não pelo medicamento,
sendo que neste caso se aplica um diagnóstico de Transtorno
do Humor Devido a uma Condição Médica Geral. A avaliação
da história do paciente freqüentemente oferece a base primária
para tal julgamento. Às vezes, uma mudança no tratamento
para a condição médica geral (por ex., substituição ou descontinuação
do medicamento) pode ser necessária para determinar empiricamente
se o medicamento é o agente causador. Se o clínico se assegurou
de que a perturbação se deve tanto a uma condição médica
geral quanto ao uso de uma substância, ambos os diagnósticos
(isto é, Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica
Geral e insuficientes para determinar se os sintomas de
humor se devem a uma substância (inclusive medicamentos)
ou a uma condição médica geral ou se são primários (isto
é, não devido a uma substância nem a uma condição médica
geral), indicam-se os diagnósticos de Transtorno Depressivo
Sem Outra Especificação ou Transtorno Bipolar Sem Outra
Especificação .
| Critérios Diagnósticos
para Transtorno do Humor Induzido por Substância
|
| A.
Uma perturbação proeminente e persistente do humor
predomina no quadro clínico e se caracteriza por
um dos seguintes sintomas (ou ambos): (1) humor
depressivo ou diminuição acentuada do interesse
ou prazer por todas ou quase todas as atividades
(2) humor elevado, expansivo ou irritável |
| B.
Existem evidências, a partir da história, exame
físico ou achados laboratoriais, de (1) ou (2):
(1) os sintomas no Critério A desenvolveram-se
durante ou no período de um mês após a Intoxicação
ou Abstinência de Substância |
| (2)
o uso de um medicamento está etiologicamente relacionado
com a perturbação |
| C.
A perturbação não é melhor explicada por um Transtorno
do Humor não induzido por substância. As evidências
de que os sintomas são melhor explicados por um
Transtorno do Humor não induzido por substância
podem incluir as seguintes: os sintomas precedem
o início do uso da substância (ou medicamento);
os sintomas persistem por um período substancial
(por ex., cerca de 1 mês) após a cessação da abstinência
aguda ou intoxicação severa ou são substancialmente
excedentes ao que seria de esperar, dado o tipo
ou a quantidade de substância usada ou a duração
do uso; ou existem outras evidências sugerindo
a existência de um Transtorno do Humor independente,
não induzido por substância (por ex., uma história
de Episódios Depressivos Maiores recorrentes). |
| D.
A perturbação não ocorre exclusivamente durante
o curso de um delirium. |
| E.
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional
ou outras áreas importantes da vida do indivíduo. |
| Nota:
Este diagnóstico deve ser feito ao invés de um
diagnóstico de Intoxicação com Substância ou Abstinência
de Substância apenas quando os sintomas de humor
excedem aqueles habitualmente associados com a
síndrome de intoxicação ou abstinência e quando
são suficientemente severos para indicar uma atenção
clínica independente. |
| Codificar
Transtorno do Humor Induzido por [Substância Específica]:
(F10.8 - 291.8 Álcool;
F15.8 - 292.84 Anfetamina [ou Substância Tipo
Anfetamina];
F14.8 - 292.84 Cocaína;
F16.8 - 292.84 Alucinógeno;
F18.8 - 292.84 Inalante;
F11.8 - 292.84 Opióide;
F19.8 - 292.84 Fenciclidina [ou Substância Tipo
Fenciclidina];
F13.8 - 292.84 Sedativos, Hipnóticos ou Ansiolíticos;
F19.08 - 292.84 Outra Substância [ou Substância
Desconhecida]). |
| Especificar
tipo:
Com Características Depressivas: se o humor predominante
é depressivo.
Com Características Maníacas: se o humor predominante
é elevado, eufórico ou irritável.
Com Características Mistas: se há presença de
sintomas tanto de mania quanto de depressão, sem
predomínio de nenhum deles. |
| Especificar
se ver tabela da seção Dependência de Substância
, localizada em Transtornos Relacionados a Substâncias
para aplicabilidade por substância):
Com Início Durante Intoxicação: se são satisfeitos
os critérios para Intoxicação com a substância
e se os sintomas se desenvolvem durante a síndrome
de intoxicação.
Com Início Durante Abstinência: se são satisfeitos
os critérios para Abstinência da substância e
se os sintomas se desenvolvem durante ou logo
após uma síndrome de abstinência. |
|
F39 - 296.90
Transtorno do Humor Sem Outra Especificação
|
|
DSM.IV |
Esta categoria inclui transtornos com sintomas de humor
que não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno
do Humor específico e nos quais é difícil escolher entre
Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação e Transtorno
Bipolar Sem Outra Especificação (por ex., agitação aguda).
Especificadores para a Descrição do Episódio Mais Recente
Diversos especificadores são oferecidos para os Transtornos
do Humor, com o intuito de aumentar a especificidade diagnóstica
e criar subgrupos mais homogêneos, auxiliar na seleção do
tratamento e melhorar a previsão do prognóstico. Os especificadores
seguintes envolvem o episódio de humor atual (ou mais recente):
Gravidade/Psicótico/de Remissão, Crônico, Com Características
Catatônicas, Com Características Melancólicas, Com Características
Atípicas, e Com Início no Pós-Parto. Os especificadores
que indicam gravidade, remissão e aspectos psicóticos podem
ser codificados no quinto dígito do código diagnóstico para
a maioria dos Transtornos do Humor. Os demais especificadores
não podem ser codificados.
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