Transtornos da comunicação - Transtornos da expressão e linguagem

     DSM.IV

          Os seguintes Transtornos da Comunicação estão incluídos nesta seção:

Transtorno da Linguagem Expressiva,
Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva,
Transtorno Fonológico, Tartamudez (Gagueira) e
Transtorno da Comunicação Sem Outra Especificação.

Esses transtornos são incluídos nesta classificação para que os clínicos se familiarizem com as diversas apresentações dos Transtornos da Comunicação e para facilitar seu diagnóstico diferencial.

F80.1 - 315.31 Transtorno da Linguagem Expressiva

Características Diagnósticas
          A característica essencial do Transtorno da Linguagem Expressiva é um prejuízo no desenvolvimento da linguagem expressiva, demonstrado por escores em medições padronizadas, individualmente administradas, do desenvolvimento da linguagem expressiva, acentuadamente abaixo dos escores obtidos de medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal e do desenvolvimento da linguagem receptiva (Critério A). As dificuldades podem ocorrer na comunicação que envolve a linguagem tanto verbal quanto de sinais. As dificuldades de linguagem interferem significativamente no desempenho escolar ou profissional ou na comunicação social (Critério B). Os sintomas não satisfazem os critérios para Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva ou Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (Critério C). Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala, déficit sensorial ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem aquelas geralmente associadas a esses problemas (Critério D). Caso esteja presente um déficit motor da fala, déficit sensorial ou condição neurológica, isto é codificado no Eixo III. As características lingüísticas do transtorno variam de acordo com sua gravidade e a idade da criança. Essas características incluem uma fala de quantidade limitada, vocabulário restrito, dificuldade em adquirir novas palavras, erros na busca da palavra correta ou de vocabulário, frases abreviadas, estruturas gramaticais simplificadas, variedades limitadas de estruturas gramaticais (por ex., formas verbais), variedades limitadas de tipos de frases (por ex., imperativas, interrogativas), omissões de partes críticas das frases, uso de uma ordem inusitada das palavras e desenvolvimento lento da linguagem. O funcionamento não-lingüístico (medido por testes de inteligência de execução) e as habilidades de compreensão da linguagem em geral estão dentro dos limites normais. O Transtorno da Linguagem Expressiva pode ser adquirido ou evolutivo. No tipo adquirido, um prejuízo na linguagem expressiva ocorre após um período de desenvolvimento normal, em conseqüência de uma condição neurológica ou outra condição médica geral (por ex., encefalite, traumatismo craniano, irradiação). No tipo evolutivo, existe um prejuízo na linguagem expressiva que não está associado com um agravo neurológico de origem conhecida. As crianças com esta espécie de prejuízo freqüentemente começam a falar tarde e atravessam mais lentamente do que o habitual os vários estágios do desenvolvimento da linguagem expressiva.

Características e Transtornos Associados
          A característica associada com maior freqüência ao Transtorno da Linguagem Expressiva em crianças pequenas é o Transtorno Fonológico. Também pode haver uma perturbação na fluência e formulação da linguagem, envolvendo uma fala anormalmente rápida e um ritmo errático e perturbações na estrutura da linguagem ("taquifemia"). Em casos de Transtorno da Linguagem Expressiva adquirido, dificuldades adicionais da fala também são comuns, podendo incluir problemas de articulação, erros fonológicos, fala lenta, repetição de sílabas e entonação e padrões de ênfase monótonos. Entre as crianças em idade escolar, os problemas escolares e de aprendizagem (por ex., escrever ditados, copiar frases e soletrar) que por vezes satisfazem os critérios para Transtornos da Aprendizagem freqüentemente estão associados com o Transtorno da Linguagem Expressiva. Também pode haver algum prejuízo leve nas habilidades da linguagem receptiva, mas, quando este é significativo, aplica-se um diagnóstico de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva. Uma história de atraso em alcançar alguns marcos motores, e a presença de Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação e Enurese não são incomuns. O retraimento social e alguns transtornos mentais, como Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, também estão freqüentemente associados. O Transtorno da Linguagem Expressiva pode ser acompanhado de anormalidades ao EEG, achados anormais em neuroimagem, comportamentos com disartria ou apraxia ou outros sinais neurológicos.

Características Específicas à Cultura e ao Gênero
          As avaliações do desenvolvimento das capacidades de comunicação devem levar em consideração o contexto cultural e lingüístico do indivíduo, particularmente no caso daqueles que cresceram em ambientes bilíngües. As medições padronizadas do desenvolvimento da linguagem e da capacidade intelectual não-verbal devem ser relevantes para o grupo cultural e lingüístico. O tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva é mais comum em pessoas do sexo masculino.

Prevalência
          Estimativas sugerem que 3-5% das crianças podem ser afetadas pelo tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva. O tipo adquirido é menos comum.

Curso
          O tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva geralmente é identificado por volta dos 3 anos de idade, embora formas mais leves do transtorno possam não se tornar visíveis até o início da adolescência, quando a linguagem habitualmente se torna mais complexa. O tipo adquirido de Transtorno da Linguagem Expressiva, devido a lesões cerebrais, traumatismo craniano ou acidente [57]cérebro-vascular, pode ocorrer em qualquer idade, e o início é súbito. O resultado do tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva é variável. Aproximadamente metade das crianças com este transtorno parece superá-lo, enquanto a outra metade parece apresentar dificuldades mais persistentes. A maioria das crianças acaba adquirindo capacidades de linguagem mais ou menos normais ao final da adolescência, embora déficits sutis possam persistir. No tipo adquirido de Transtorno da Linguagem Expressiva o curso e o prognóstico estão relacionados à gravidade e localização da patologia cerebral, bem como à idade da criança e extensão do desenvolvimento da linguagem à época em que o transtorno foi adquirido. A melhora clínica nas capacidades de linguagem às vezes é rápida e completa, enquanto em outros casos pode ser incompleta ou haver um déficit progressivo. Padrão Familial Aparentemente, o tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva está mais propenso a ocorrer em indivíduos com uma história familiar de Transtornos da Comunicação ou da Aprendizagem. Não existem evidências de agregação familial no tipo adquirido.

Diagnóstico Diferencial
          O Transtorno da Linguagem Expressiva distingue-se do Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva pela presença, neste último, de um prejuízo significativo na linguagem receptiva. O Transtorno da Linguagem Expressiva não é diagnosticado se são satisfeitos os critérios para Transtorno Autista ou outro Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. O Transtorno Autista também envolve prejuízo na linguagem expressiva, mas pode ser diferenciado dos Transtornos da Linguagem Expressiva e Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva pelas características de prejuízo na comunicação (por ex., uso estereotipado da linguagem) e pela presença de um prejuízo qualitativo na interação social e de padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento. O desenvolvimento da linguagem expressiva e receptiva pode apresentar prejuízo devido a Retardo Mental, um prejuízo auditivo ou outro déficit sensorial, um déficit motor da fala ou severa privação ambiental. A presença desses problemas pode ser estabelecida por testes de inteligência, testagem audiométrica, testagem neurológica e anamnese. Se as dificuldades de linguagem excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas, aplica-se um diagnóstico concomitante de Transtorno da Linguagem Expressiva ou Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva. As crianças com atrasos na linguagem expressiva devido à privação ambiental podem apresentar rápidos progressos, se melhorados os problemas ambientais. No Transtorno da Expressão Escrita, existe uma perturbação nas habilidades de escrita. Caso déficits na expressão oral também estejam presentes, poderá aplicar-se um diagnóstico adicional de Transtorno da Linguagem Expressiva. O Mutismo Seletivo envolve uma produção restrita de linguagem expressiva que pode imitar o Transtorno da Linguagem Expressiva ou o Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva; anamnese e observação detalhadas podem ser necessárias para determinar a presença de uma linguagem normal, em alguns contextos. A afasia adquirida associada com uma condição médica geral na infância geralmente é transitória. Um diagnóstico de Transtorno da Linguagem Expressiva aplica-se apenas se a perturbação na linguagem persiste além do período de recuperação aguda para a condição médica geral etiológica (por ex., traumatismo craniano, infecção viral).

Critérios Diagnósticos para F80.1 - 315.31 Transtorno da Linguagem Expressiva

A. Os escores obtidos em medições padronizadas e individualmente administradas do desenvolvimento da linguagem expressiva estão acentuadamente abaixo daqueles obtidos em medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal e do desenvolvimento da linguagem receptiva. A perturbação pode manifestar-se clinicamente por sintomas que incluem um vocabulário acentuadamente limitado, erros nos tempos verbais ou dificuldades com a evocação de palavras ou com a produção de frases de extensão ou complexidade apropriadas em termos evolutivos.

B. As dificuldades com a linguagem expressiva interferem no desempenho escolar ou profissional ou na comunicação social.

C. Não são satisfeitos os critérios para Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva ou Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.

D. Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala ou sensorial ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas.

Nota para a codificação: Caso esteja presente um déficit motor da fala ou sensorial ou uma condição neurológica, codificar a condição no Eixo III.

 

F80.2 - 315.31 Transt. da Linguagem Receptivo-Expressiva

     DSM.IV

Características e Aspectos Associados
          A característica essencial do Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva é um prejuízo no desenvolvimento das linguagens receptiva e expressiva, demonstrado por escores em medições padronizadas, administradas individualmente, do desenvolvimento da linguagem tanto receptiva quanto expressiva, que estão acentuadamente abaixo daqueles obtidos a partir de medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal (Critério A). Pode haver dificuldades na comunicação envolvendo tanto a linguagem falada quanto a linguagem por sinais. As dificuldades de linguagem interferem no desempenho escolar ou profissional ou na comunicação social (Critério B) e os sintomas não satisfazem os critérios para um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (Critério C). Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala ou sensorial, ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas (Critério D). Caso um déficit motor da fala ou sensorial ou uma condição neurológica esteja presente, isto deve ser codificado no Eixo III. Um indivíduo com este transtorno apresenta as dificuldades associadas com o Transtorno da Linguagem Expressiva (por ex., um vocabulário acentuadamente limitado, erros nos tempos verbais, dificuldade para evocar palavras ou produzir frases com a extensão ou complexidade apropriadas em termos evolutivos, e dificuldade geral para expressar idéias), juntamente com um prejuízo no desenvolvimento da linguagem receptiva (por ex., dificuldade para compreender palavras, frases ou tipos específicos de palavras). Em casos leves, a dificuldade pode restringir-se à compreensão de determinados tipos de palavras (por ex., termos espaciais) ou enunciados (por ex., orações complexas do tipo "se-então"). Em casos mais severos, pode haver múltiplas deficiências, incluindo uma incapacidade de compreender o vocabulário básico ou frases simples, além de déficits em várias áreas do processamento auditivo (por ex., discriminação de sons, associação, armazenagem, recordação e seqüenciamento de sons e símbolos). Uma vez que o desenvolvimento da linguagem expressiva na infância se baseia na aquisição das habilidades receptivas, um transtorno puramente da linguagem receptiva (análogo à afasia de Wernicke em adultos) praticamente jamais é visto. O Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva pode ser adquirido ou evolutivo. No tipo adquirido, ocorre um prejuízo na linguagem receptiva e expressiva após um período de desenvolvimento normal, em conseqüência de uma condição neurológica ou outra condição médica geral (por ex., encefalite, traumatismo craniano, irradiação). No tipo evolutivo, existe um prejuízo na linguagem receptiva e expressiva não associado com um agravo neurológico de origem conhecida. Este tipo caracteriza-se por um desenvolvimento lento da linguagem, no qual a fala pode começar tarde e atravessar vagarosamente os estágios de desenvolvimento da linguagem.

Características e Transtornos Associados
          As características lingüísticas do prejuízo de produção no Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva são similares àquelas que acompanham o Transtorno da Linguagem Expressiva. O déficit na compreensão é a característica primária que diferencia este transtorno do Transtorno da Linguagem Expressiva, podendo variar dependendo da gravidade do transtorno e da idade da criança. Os prejuízos da compreensão da linguagem podem ser menos óbvios do que os da produção da linguagem, por não serem tão facilmente visíveis ao observador, podendo aparecer apenas em uma avaliação formal. A criança, por sua vez, pode parecer não ouvir ou estar confusa ou não estar prestando atenção quando lhe falam. Ela pode seguir comandos incorretamente ou não lhes obedecer em absoluto e responder a perguntas de modo tangencial ou inapropriado. A criança pode ser excepcionalmente quieta ou, inversamente, muito loquaz. As habilidades de conversação (por ex., revezar-se na fala, manter um assunto) freqüentemente são bastante insatisfatórias ou inapropriadas. Déficits em várias áreas do processamento de informações sensoriais são comuns, especialmente no processamento auditivo temporal (por ex., taxa de processamento, associação de sons e símbolos, seqüência de sons e memória, atenção e discriminação para sons). A dificuldade para a produção de seqüências motoras com harmonia e rapidez também é característica. Transtorno Fonológico, Transtornos da Aprendizagem e déficits na percepção da fala freqüentemente estão presentes e são acompanhados por prejuízos de memória. Outros transtornos associados: Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação e Enurese. O Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva pode ser acompanhado por anormalidades ao EEG, achados anormais em neuroimagem e outros sinais neurológicos. A síndrome de Landau-Kleffner é uma forma de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva, com início por volta dos 3 aos 9 anos de idade e acompanhada por convulsões.

Aspectos Específicos à Cultura e ao Gênero
          As avaliações do desenvolvimento das capacidades de comunicação devem levar em consideração os contextos cultural e lingüístico do indivíduo, particularmente no caso de pessoas que cresceram em ambientes bilíngües. As medições padronizadas do desenvolvimento da linguagem e da capacidade intelectual não-verbal devem ser relevantes para os grupos cultural e lingüístico. O tipo evolutivo é mais prevalente entre os indivíduos do sexo masculino.

Prevalência
          Estima-se que o tipo evolutivo do Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva pode ocorrer em até 3% das crianças em idade escolar, mas provavelmente este transtorno é menos comum do que o Transtorno da Linguagem Expressiva. A síndrome de Landau-Kleffner e outras formas do tipo adquirido do transtorno são mais raras.

Curso
          O tipo evolutivo de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva geralmente é detectável antes dos 4 anos. As formas severas do transtorno podem ser visíveis já aos 2 anos. Formas mais leves podem não ser reconhecidas até o ingresso da criança nas primeiras séries escolares, quando então os déficits na compreensão se tornam mais evidentes. O tipo de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva adquirido devido a lesões cerebrais, traumatismo craniano ou acidente cérebro-vascular pode ocorrer em qualquer idade. O tipo adquirido devido a síndrome de Landau-Kleffner (afasia epilética adquirida) geralmente ocorre entre os 3 e os 9 anos de idade. Muitas crianças com Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva acabam adquirindo habilidades normais de linguagem, mas o prognóstico é pior do que para aquelas com Transtorno da Linguagem Expressiva. No tipo adquirido de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva o curso e o prognóstico estão relacionados à gravidade e à localização da patologia cerebral, bem como à idade da criança e grau de desenvolvimento da linguagem à época de aquisição do transtorno. A melhora clínica nas capacidades de linguagem por vezes é completa, enquanto em outros casos pode haver uma recuperação incompleta ou déficit progressivo. As crianças com as formas mais severas tendem a desenvolver Transtornos da Aprendizagem.

Padrão Familial
          O tipo evolutivo de Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva é mais comum entre os parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com o transtorno do que na população em geral. Não existem evidências de agregação familial no tipo adquirido do transtorno.

Diagnóstico Diferencial
          Consultar a seção "Diagnóstico Diferencial" referente ao Transtorno da Linguagem Expressiva.

Critérios Diagnósticos para F80.2 - 315.31 Transtorno Misto da Linguagem
Receptivo-Expressiva

A. Os escores obtidos em uma bateria de testes padronizados, individualmente administrados, do desenvolvimento da linguagem tanto receptiva quanto expressiva estão acentuadamente abaixo daqueles obtidos a partir de medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal. Os sintomas incluem os do Transtorno da Linguagem Expressiva, acrescidos de dificuldade para compreender palavras, frases ou tipos específicos de palavras, tais como termos espaciais.

B. As dificuldades com as linguagens receptiva e expressiva interferem significativamente no rendimento escolar ou profissional ou na comunicação social.

C. Não são satisfeitos os critérios para Transtorno Invasivo do Desenvolvimento.

D. Em presença Retardo Mental, déficit motor da fala ou outro déficit sensorial ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas.D. Em presença Retardo Mental, déficit motor da fala ou outro déficit sensorial ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas.

Nota para a codificação:
Caso esteja presente um déficit motor da fala ou sensorial ou uma condição neurológica, codificar a condição no Eixo III..

 

F80.0 - 315.39 Transtorno Fonológico

     DSM.IV

 

(anteriormente Transtorno do Desenvolvimento da Articulação)

Características Diagnósticas
          A característica essencial do Transtorno Fonológico é um fracasso em utilizar os sons da fala esperados para o estágio de desenvolvimento e apropriados para a idade e dialeto do indivíduo (Critério A). Isto pode envolver erros na produção, uso, representação ou organização dos sons, tais como, mas não limitados a, substituições de um som por outro (uso de /t/ ao invés de /k/) ou omissões de sons (por ex., consoantes finais). As dificuldades na produção dos sons da fala interferem no rendimento escolar ou profissional ou na comunicação social (Critério B). Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala, déficit sensorial ou a privação ambiental, as dificuldades da fala excedem aquelas geralmente associadas com esses problemas (Critério C). Caso um déficit motor da fala, déficit sensorial ou condição neurológica esteja presente, este deve ser codificado no Eixo III. O Transtorno Fonológico inclui erros de produção fonológica (isto é, de articulação) que envolvem o fracasso em formar corretamente os sons da fala e problemas fonológicos de base cognitiva que envolvem um déficit na categorização lingüística dos sons da fala (por ex., uma dificuldade para selecionar os sons da linguagem que fazem uma diferença no significado). A gravidade varia de pouco ou nenhum efeito sobre a inteligibilidade da fala até uma fala completamente ininteligível. As omissões sonoras são tipicamente vistas como mais severas do que as substituições de sons, que por sua vez são mais severas do que as distorções sonoras. Os sons mais freqüentemente mal-articulados são aqueles adquiridos mais tarde na seqüência do desenvolvimento, mas em indivíduos mais jovens ou mais severamente afetados as consoantes e vogais de desenvolvimento mais precoce podem também ser afetadas. O sigmatismo (isto é, perturbação na articulação das sibilantes) é particularmente comum. O Transtorno Fonológico também pode envolver erros de seleção e organização dos sons dentro das sílabas e palavras (por ex., preguntar ao invés de perguntar).

Características e Transtornos Associados
          Embora possa haver uma associação com claros fatores causais, tais como prejuízo auditivo, déficits estruturais do mecanismo periférico oral da fala (por ex., fenda palatina), condições neurológicas (por ex., paralisia cerebral), limitações cognitivas (por ex., Retardo Mental) ou problemas psicossociais, pelo menos 2,5% das crianças pré-escolares apresentam transtornos fonológicos de origem desconhecida ou suspeita freqüentemente chamados de funcionais ou evolutivos. Pode haver um atraso no início da fala.

Características Específicas à Cultura e ao Gênero
          As avaliações do desenvolvimento das capacidades de comunicação devem levar em conta os contextos cultural e lingüístico do indivíduo, particularmente no caso dos indivíduos que cresceram em ambientes bilíngües. O Transtorno Fonológico é mais prevalente no sexo masculino.

Prevalência
          Aproximadamente 2 a 3% das crianças de 6 e 7 anos apresentam um Transtorno Fonológico de moderado a severo, embora a prevalência de formas mais leves deste transtorno seja superior. A prevalência cai para 0,5% por volta dos 17 anos.

Curso
          No Transtorno Fonológico severo, a fala da criança pode ser relativamente ininteligível até mesmo para os membros de sua família. Formas menos severas do transtorno podem não ser percebidas até que a criança ingresse na pré-escola ou nas primeiras séries escolares, onde provavelmente terá dificuldade para ser entendida por pessoas fora de sua família. O curso do transtorno é variável, dependendo das causas associadas e da gravidade. Nas apresentações leves com causas desconhecidas freqüentemente ocorre uma recuperação espontânea.

Padrão Familial
Um padrão familial foi demonstrado para algumas formas de Transtorno Fonológico.

Diagnóstico Diferencial
          As dificuldades da fala podem estar associadas com Retardo Mental, um prejuízo auditivo ou outro déficit sensorial, um déficit motor da fala ou severa privação ambiental. A presença desses problemas pode ser estabelecida por testes de inteligência, testagem audiométrica, testagem neurológica e anamnese. Se as dificuldades da fala excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas, aplica-se um diagnóstico concomitante de Transtorno Fonológico. Os problemas limitados ao ritmo da fala ou à voz não são incluídos como parte do Transtorno Fonológico, sendo diagnosticados, em vez disso, como Tartamudez (gagueira) ou Transtorno da Comunicação Sem Outra Especificação. As crianças com dificuldades da fala devido à privação ambiental podem apresentar progressos rápidos, se melhorados os problemas ambientais.

Critérios Diagnósticos para F80.0 - 315.39 Transtorno Fonológico

A. Fracasso em usar os sons da fala esperados para o estágio do desenvolvimento, apropriados para a idade e dialeto do indivíduo (por ex., erros na produção, uso ou organização dos sons, tais como, mas não limitados a, substituições de um som por outro [uso de /t/ ao invés de /k/] ou omissões de sons, tais como consoantes finais).

B. As dificuldades na produção dos sons da fala interferem no desempenho escolar ou profissional ou na comunicação social.

C. Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala, déficit sensorial ou privação ambiental, as dificuldades da fala excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas.

Nota para a codificação: Caso esteja presente um déficit motor da fala ou sensorial ou uma condição neurológica, codificar a condição no Eixo III.

 

F98.5 - 307.0 Tartamudez (Gagueira)

     DSM.IV

 

Características Diagnósticas
          A característica essencial da Tartamudez é uma perturbação na fluência e padrão temporal normais da fala, inapropriado à idade do indivíduo (Critério A). Esta perturbação caracteriza-se por repetições ou prolongamentos freqüentes de sons ou sílabas (Critérios A1 e A2). Vários outros tipos de disfluências da fala também podem estar envolvidos, incluindo interjeições (Critério A3), palavras partidas (por ex., pausas dentro de uma palavra) (Critério A4), bloqueio audível ou silencioso (pausas preenchidas ou não preenchidas na fala) (Critério A5), circunlocuções (isto é, substituições de palavras para evitar as problemáticas) (Critério A6), palavras produzidas com um excesso de tensão física (Critério A7) e repetições de palavras monossilábicas completas (por ex., "Eu-eu-eu vou") (Critério A8). A perturbação na fluência interfere no rendimento escolar ou profissional ou na comunicação social (Critério B). Em presença de um déficit motor da fala ou déficit sensorial, as dificuldades na fala excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas (Critério C). Caso um déficit motor da fala, déficit sensorial ou transtorno neurológico esteja presente, esta condição também deve ser codificada no Eixo III. O grau de perturbação varia de situação para situação e freqüentemente é mais severo quando existe uma pressão especial para se comunicar (por ex., relatar algo na escola, ser entrevistado para um emprego). A Tartamudez em geral está ausente durante a leitura oral, canto ou fala com objetos inanimados ou animais.

Características e Transtornos Associados
          No início da Tartamudez, o indivíduo pode não estar consciente do problema, embora a sua conscientização e até mesmo a sua antecipação temerosa possam desenvolver-se mais tarde. O indivíduo pode tentar evitar o problema por mecanismos lingüísticos (por ex., alterando a velocidade da fala, evitando certas situações tais como telefonar ou falar em público, ou evitando certas palavras ou sons). A Tartamudez pode ser acompanhada por movimentos motores (por [64]ex., piscar de olhos, tiques, tremor labial ou facial, abalos da cabeça, movimentos respiratórios ou cerrar os punhos). O estresse ou a ansiedade exacerbam a Tartamudez. O prejuízo no funcionamento social pode resultar da ansiedade, frustração ou baixa auto-estima associadas. Em adultos, a Tartamudez pode limitar a escolha ou progresso profissional. O Transtorno Fonológico e o Transtorno da Linguagem Expressiva ocorrem em uma freqüência maior em indivíduos com Tartamudez do que na população em geral.

Prevalência
          A prevalência da Tartamudez em crianças pré-puberais é de 1% e cai para 0,8% na adolescência. A proporção entre homens e mulheres é de aproximadamente 3:1.

Curso
          Os estudos retrospectivos de indivíduos com Tartamudez relatam o aparecimento do transtorno tipicamente entre os 2 e os 7 anos (com um pico em torno dos 5 anos de idade). O início ocorre antes dos 10 anos em 98% dos casos, sendo geralmente insidioso, cobrindo muitos meses durante os quais disfluências episódicas e despercebidas da fala tornam-se um problema crônico. A perturbação começa tipicamente de uma forma gradual, com a repetição das consoantes iniciais, palavras (habitualmente as primeiras de uma frase) ou palavras longas. A criança em geral não está consciente da perturbação. À medida que o transtorno progride, ocorre um curso de exacerbações e remissões. As disfluências tornam-se mais freqüentes, e a Tartamudez ocorre em palavras ou frases mais significativas. Na medida em que a criança conscientiza-se de sua dificuldade na fala, podem ocorrer mecanismos para evitar disfluências e respostas emocionais. Algumas pesquisas sugerem que até 80% dos indivíduos com Tartamudez se recuperam, e em 60% dos casos a recuperação é espontânea. A recuperação tipicamente ocorre antes dos 16 anos de idade.

Padrão Familial
          Estudos de famílias e de gêmeos oferecem fortes evidências de um fator genético na etiologia da Tartamudez. A presença de um Transtorno Fonológico ou do tipo evolutivo de Transtorno da Linguagem Expressiva, bem como uma história familiar destes transtornos aumentam a probabilidade de Tartamudez. O risco entre os parentes biológicos em primeiro grau é mais de 3 vezes o da população em geral. Cerca de 10% das filhas e 20% dos filhos de homens com história de Tartamudez também apresentarão o transtorno.

Diagnóstico Diferencial
          As dificuldades na fala podem estar associadas com um prejuízo auditivo, outro déficit sensorial ou um déficit motor da fala. Nos casos em que as dificuldades da fala excedem aquelas habitualmente associadas com esses problemas, um diagnóstico concomitante de Tartamudez pode ser feito. Ela deve ser diferenciada das disfluências normais, freqüentes em crianças pequenas, que incluem repetições de palavras ou frases inteiras (por ex., "Eu quero-eu quero sorvete"), frases incompletas, interjeições, pausas sem preenchimento e observações parentéticas.

Critérios Diagnósticos para F98.5 - 307.0 Tartamudez (Gagueira)

A. Perturbação na fluência e padrão de tempo normais da fala (inapropriado para a idade do indivíduo), caracterizada por ocorrências freqüentes de um ou mais dos seguintes aspectos:

(1) repetições de sons e sílabas
(2) prolongamentos de sons
(3) interjeições
(4) palavras partidas (por ex., pausas dentro de uma palavra)
(5) bloqueio audível ou silencioso (por ex., pausas preenchidas ou não preenchidas na fala)
(6) circunlocuções (substituições de palavras para evitar as que são problemáticas)
(7) palavras produzidas com um excesso de tensão física
(8) repetições de palavras monossilábicas completas (por ex., "Eu-eu-eu vou").

B. A perturbação na fluência interfere no rendimento escolar e profissional ou na comunicação social.

C. Em presença de um déficit motor da fala, déficit sensorial, as dificuldades na fala excedem aquelas habitualmente associadas com estes problemas.

Nota para a codificação: Caso esteja presente um déficit motor da fala ou sensorial ou uma condição neurológica, codificar a condição no Eixo III.

 

F80.9 - 307.9 Transtorno da Comunicação Sem Outra Especificaçãoo

     DSM.IV

          Esta categoria é usada para transtornos na comunicação que não satisfazem os critérios para qualquer transtorno específico da comunicação; por ex., um transtorno da voz (isto é, uma anormalidade de timbre, volume, qualidade, tom ou ressonância da voz).