Os transtornos da seção
"Transtornos Amnésticos" caracterizam-se por uma perturbação da memória
devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral ou devido a
efeitos persistentes de uma substância (isto é, droga de abuso, medicamento ou
exposição a toxinas). Os transtornos desta seção compartilham a apresentação
sintomática comum de comprometimento da memória, mas são diferenciados com base em sua
etiologia. As características diagnósticas relacionadas adiante envolvem o seguinte:
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1 -
Transtorno Amnéstico Devido a uma Condição Médica Geral
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2 -
Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Substância
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- Transtorno Amnéstico Sem Outra Especificação
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Características Diagnósticas
Os indivíduos com um transtorno
amnéstico apresentam comprometimento em sua capacidade de aprender novas informações ou
são incapazes de recordar informações aprendidas anteriormente ou eventos passados
(Critério A). A perturbação da memória deve ser suficientemente severa para causar
prejuízo acentuado no funcionamento social ou ocupacional e deve representar um declínio
significativo a partir de um nível anterior de funcionamento (Critério B). A
perturbação da memória não deve ocorrer exclusivamente durante o curso de um delirium
ou de uma demência (Critério C). A capacidade de aprender e recordar novas informações
está sempre afetada em um transtorno amnéstico, ao passo que os problemas para recordar
informações anteriormente aprendidas se manifestam de forma mais variada, dependendo da
localização e gravidade do dano cerebral. O déficit de memória é mais perceptível em
tarefas que exigem a recordação espontânea e pode também ser evidenciado quando o
examinador oferece estímulos que devem ser recordados pela pessoa, em um momento
posterior. Dependendo da área cerebral específica afetada, os déficits podem estar
relacionados, predominantemente, a estímulos verbais ou visuais. Em algumas formas de
transtorno amnéstico, o indivíduo pode recordar coisas de um passado muito remoto melhor
do que eventos mais recentes (por ex., pode recordar em detalhes vívidos um período de
hospitalização que ocorreu há dez anos, mas pode não ter idéia de estar em um
hospital no momento). O diagnóstico não é feito se o comprometimento da memória ocorre
exclusivamente durante o curso de um delirium (isto é, ocorre apenas no contexto de uma
capacidade reduzida de manter e deslocar a atenção). A capacidade de repetir
imediatamente uma cadeia seqüencial de informações (por ex., memória para números)
tipicamente não se mostra comprometida em um transtorno amnéstico. Quando este prejuízo
é evidente, ele sugere a presença de uma perturbação da atenção que pode indicar um
delirium. O diagnóstico também não é feito na presença de outros déficits cognitivos
(por ex., afasia, apraxia, agnosia, perturbação no funcionamento executivo)
característicos de uma demência. Os indivíduos com um transtorno amnéstico podem
experimentar prejuízos importantes em seu funcionamento social e ocupacional em
conseqüência de seus déficits de memória, que, em seu extremo, podem exigir
supervisão, para a garantia de alimentação e cuidados apropriados.
Características e Transtornos Associados
Um transtorno amnéstico é
freqüentemente precedido por um quadro clínico progressivo que inclui confusão e
desorientação, às vezes com problemas de atenção que sugerem um delirium (por ex.,
Transtorno Amnéstico Devido à Deficiência de Tiamina). A confabulação,
freqüentemente evidenciada pela narração de acontecimentos imaginários para preencher
lacunas da memória, pode ser notada durante os estágios iniciais de um transtorno
amnéstico, mas tende a desaparecer com o tempo. Portanto, pode ser importante obter
informações corroboradoras a partir de membros da família ou outros informantes. Uma
amnésia profunda pode acarretar uma desorientação espacial e temporal, mas raramente
uma desorientação autopsíquica. A desorientação quanto a si mesmo pode ser encontrada
em indivíduos com demência, mas é incomum em um transtorno amnéstico. A maioria dos
indivíduos com Transtorno Amnéstico severo não possui insight para seus déficits de
memória, podendo negar explicitamente a presença de um prejuízo de memória severo,
apesar de evidências em contrário. Esta falta de insight pode provocar acusações
contra outros ou, em casos raros, agitação. Alguns indivíduos podem reconhecer que têm
um problema, mas este parece não lhes preocupar. Apatia, falta de iniciativa, falta de
expressividade emocional ou outras mudanças sugestivas de função alterada da
personalidade podem ser encontradas. Os indivíduos podem ser superficialmente amistosos
ou cordiais, mas ter uma faixa superficial ou diminuída de expressão afetiva. Os
indivíduos com amnésia global transitória freqüentemente se mostram perplexos ou
confusos. Déficits sutis em outras funções cognitivas podem ser notados, mas, por
definição, não são suficientemente severos para causarem um comprometimento
clinicamente significativo. A testagem neuropsicológica quantitativa em geral demonstra
déficits específicos de memória na ausência de outras perturbações cognitivas. O
desempenho em testes padronizados que avaliam a recordação de eventos históricos ou
figuras públicas bem conhecidas pode ser variável entre os indivíduos com um Transtorno
Amnéstico, dependendo da natureza e da extensão do déficit.
Características Específicas à Cultura
As bagagens cultural e educacional
devem ser levadas em conta na avaliação da memória. Os indivíduos provenientes de
certos contextos podem não estar familiarizados com as informações usadas em
determinados testes de memória (por ex., data de nascimento, em culturas que não têm o
costume de celebrar aniversários).
Curso
A idade de início e o curso
subseqüente dos transtornos amnésticos podem ser bastante variáveis, dependendo do
processo patológico primário que os causa. Traumatismo craniano, acidente vascular
encefálico ou outros eventos cerebrovasculares, ou tipos específicos de exposição
neurotóxica (por ex., envenenamento por monóxido de carbono) podem levar ao aparecimento
agudo de um transtorno amnéstico. Outras condições, tais como abuso prolongado de
substâncias, exposição neurotóxica crônica ou deficiência nutricional prolongada,
podem levar a um início insidioso. A amnésia transitória devido a uma etiologia
cerebrovascular pode ser recorrente, e os episódios podem durar de algumas horas a
vários dias. Os Transtornos Amnésticos Devido a Traumatismo Craniano podem durar por
variados períodos de tempo, com um padrão característico de maior déficit
imediatamente após a lesão e melhora durante os 2 anos seguintes (uma melhora adicional
além de 24 meses já foi observada, mas é menos comum). Os transtornos devido à
destruição das estruturas do lobo temporal médio (por ex., por infarto, ablação
cirúrgica ou desnutrição ocorrida no contexto de Dependência de Álcool) podem causar
prejuízos persistentes.
Diagnóstico Diferencial
O comprometimento da memória
também é uma característica do delirium e da demência. No delirium, a disfunção de
memória ocorre em associação com prejuízo da consciência e com uma capacidade
reduzida de focalizar, manter ou deslocar a atenção. Na demência, o comprometimento da
memória deve ser acompanhado por múltiplos déficits cognitivos (isto é, afasia,
apraxia, agnosia ou uma perturbação no funcionamento executivo) que levam a um prejuízo
clinicamente significativo. Um transtorno amnéstico deve ser diferenciado da Amnésia
Dissociativa e da amnésia que ocorre no contexto de outros Transtornos Dissociativos (por
ex., Transtorno Dissociativo de Identidade). Por definição, um transtorno amnéstico é
devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral ou do uso de uma
substância. Além disso, a amnésia dos transtornos dissociativos tipicamente não
envolve déficits na aprendizagem e recordação de novas informações; ao invés disso,
os indivíduos apresentam uma incapacidade circunscrita de recordar lembranças prévias,
em geral de natureza traumática ou estressante. Para perturbações da memória (por ex.,
blackouts) que ocorrem apenas durante intoxicação ou abstinência de uma droga de abuso,
a Intoxicação com Substância ou Abstinência de Substância apropriada deve ser
diagnosticada, não se fazendo um diagnóstico de transtorno amnéstico em separado. Para
perturbações da memória associadas com o uso de medicamentos, Efeitos Adversos de
Medicamentos Sem Outra Especificação pode ser anotado, indicando o medicamento através
de um código E (ver Apêndice G). A suposta etiologia do transtorno amnéstico determina
o diagnóstico (o texto e os critérios para cada diagnóstico de transtorno amnéstico
são oferecidos separadamente em outro local desta seção). Caso o clínico considere o
prejuízo de memória uma conseqüência dos efeitos fisiológicos diretos de uma
condição médica geral (incluindo traumatismo craniano), aplica-se o diagnóstico de
Transtorno Amnéstico Devido a Uma Condição Médica Geral. Se o prejuízo de memória
resulta de efeitos persistentes de uma substância (isto é, droga de abuso, medicamento
ou exposição a toxina), diagnostica-se então Transtorno Amnéstico Persistente Induzido
por Substância. O transtorno amnéstico deve ser diferenciado da Simulação e do
Transtorno Factício. Esta difícil tarefa pode ser facilitada pela testagem sistemática
da memória (que freqüentemente cede resultados inconsistentes no Transtorno Factício e
na Simulação) e pela ausência de uma condição médica geral ou uso de substância
etiologicamente relacionados ao comprometimento da memória. O transtorno amnéstico deve
ser diferenciado da menor eficácia da memória, característica do Declínio Cognitivo
Relacionado à Idade, que se situa dentro da faixa normal esperada para a idade do
indivíduo.
Transtornos Amnésicos devido à condição médica |
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DSM.IV
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Características Diagnósticas e Associadas
O diagnóstico exige que existam
evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a
perturbação da memória é uma conseqüência fisiológica direta de uma condição
médica geral (incluindo trauma físico) (Critério D). Ao determinar se a perturbação
amnéstica é devido a uma condição médica geral, o clínico deve, em primeiro lugar,
estabelecer a presença desta condição. Além disso, ele deve determinar que a
perturbação amnéstica está etiologicamente relacionada à condição médica geral
através de um mecanismo fisiológico, para o que se faz necessária uma avaliação
criteriosa e abrangente de múltiplos fatores. Embora não existam diretrizes infalíveis
para determinar se o relacionamento entre a perturbação amnéstica e a condição
médica geral é etiológico, diversos elementos oferecem alguma orientação nesta área.
Um deles é a presença de uma associação temporal entre início, exacerbação ou
remissão da condição médica geral e da perturbação amnéstica. Um segundo elemento a
ser considerado é a presença de aspectos atípicos de prejuízo de memória no contexto
de um transtorno dissociativo ou de outro transtorno mental (por ex., idade de início ou
curso atípicos). Evidências da literatura, sugerindo a possível existência de uma
associação direta entre a condição médica geral em questão e o desenvolvimento de
prejuízo de memória, podem oferecer um contexto útil na avaliação de determinada
situação. Além disso, o clínico deve também julgar que a perturbação não é melhor
explicada por um Transtorno Dissociativo, Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por
Substância ou um outro transtorno mental primário (por ex., Transtorno Depressivo
Maior). Essas determinações são explicadas em maiores detalhes na seção
"Transtornos Mentais Devido a uma Condição Médica Geral". Os indivíduos com
Transtorno Amnéstico Devido a uma Condição Médica Geral freqüentemente apresentam
outras características da doença sistêmica ou cerebral primária que causou o prejuízo
de memória. Entretanto, uma perturbação do estado mental pode ser a única
característica apresentada. Não existem aspectos específicos ou diagnósticos
detectáveis por procedimentos tais como imagem por ressonância magnética (IRM) ou
tomografia computadorizada (TC). Entretanto, um dano das estruturas do lobo temporal
medial é comum e pode ser refletido por um aumento do terceiro ventrículo ou dos cornos
temporais, ou por atrofia estrutural detectada na IRM.
Especificadores
Os seguintes especificadores podem
ser anotados, indicando a duração da perturbação. Transitório. Este especificador é
usado para indicar perturbações que em geral duram de algumas horas a alguns dias, não
passando de 1 mês. Quando o diagnóstico é feito dentro do primeiro mês sem esperar
pela recuperação, o termo "provisório" pode ser acrescentado. "Amnésia
global transitória" é uma forma específica de transtorno amnéstico transitório,
caracterizada por incapacidade densa e temporária de aprender novas informações e uma
capacidade comprometida em graus variáveis de recordar acontecimentos que ocorreram
exatamente antes, ou em meio ao problema cerebrovascular etiológico. Crônico. Este
especificador é usado para perturbações que duram mais de 1 mês.
Procedimentos
de Registro
Ao registrar o diagnóstico de
Transtorno Amnéstico Devido a uma Condição Médica Geral, o clínico deve anotar a
condição médica geral identificada, presumivelmente causadora da perturbação no Eixo
I (por ex., 294.0 Transtorno Amnéstico Devido a Acidente Vascular Cerebral). O código da
CID-9-MC para a condição médica geral também deve ser anotado no Eixo III (por ex.,
436 Acidente Vascular Encefálico) (ver Apêndice G para uma lista dos códigos
diagnósticos selecionados da CID-9-MC, para condições médicas gerais). Condições
Médicas Gerais Associadas Um transtorno amnéstico muitas vezes ocorre em conseqüência
de processos patológicos (por ex., traumatismo craniano fechado, feridas por projéteis
penetrantes, intervenção cirúrgica, hipóxia, infarto da distribuição da artéria
cerebral posterior e encefalite por herpes simples) que causam dano a estruturas
específicas do diencéfalo e do lobo mediotemporal (por ex., corpos mamilares, hipocampo,
fórnice). A patologia é, mais comumente, bilateral, mas déficits de "amnésia
global transitória" estão tipicamente associadas à doença cerebrovascular e à
patologia no sistema verterobasilar. O Transtorno Amnéstico Transitório também pode
decorrer de condições médicas gerais episódicas (por ex., condições metabólicas ou
convulsivas).
Critérios Diagnósticos para F04 - 294.0 Transtorno Amnésico Devido
a... [Indicar a Condição Médica Geral] |
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A.
Desenvolvimento de prejuízo de memória, manifestado por uma incapacidade de aprender
novas informações ou incapacidade de recordar informações aprendidas anteriormente.
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B. A
perturbação da memória causa prejuízo significativo no funcionamento social ou
ocupacional e representa um declínio significativo a partir de um nível anterior de
funcionamento.
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C. A
perturbação de memória não ocorre exclusivamente durante o curso de delirium ou
demência.
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D. Existem
evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a
perturbação é conseqüência fisiológica direta de uma condição médica geral
(incluindo trauma físico).
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Especificar
se:
Transitório: se o prejuízo de memória tem a duração de 1 mês ou menos.
Crônico: se o prejuízo de memória dura mais de 1 mês.
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Nota para
a codificação: Incluir o nome da condição médica geral no Eixo I, por ex., 294.0
Transtorno Amnéstico Devido a Traumatismo Craniano; codificar também a condição
médica geral no Eixo III (ver Apêndice G para códigos).
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Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Substância |
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DSM.IV
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Diagnóstico e Características Associadas
A perturbação de memória não
ocorre exclusivamente durante o curso de delirium ou demência e persiste além da
duração habitual da Intoxicação ou Abstinência de Substância (Critério C). Além
disso, para o diagnóstico de Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Substância,
deve haver evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de
que a perturbação da memória está etiologicamente relacionada com os efeitos
persistentes do uso de substância (por ex., droga de abuso, medicamento, exposição a
toxina) (Critério D). Este transtorno é chamado de "persistente" porque a
perturbação da memória persiste por muito tempo após a cessação dos efeitos da
Intoxicação ou Abstinência de Substância. As características associadas com o
Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Substância são as mesmas associadas aos
transtornos amnésticos em geral. Mesmo que no momento esteja abstinente do uso de
substância, a maioria dos indivíduos com este transtorno teve, anteriormente, um padrão
de uso prolongado e pesado da substância que satisfazia os critérios para Dependência
de Substância. Uma vez que esses transtornos persistem por muito tempo após a cessação
do uso da substância, exames de sangue e urina podem ser negativos para a substância
etiológica. O início da condição raramente ocorre antes dos 20 anos de idade. O
prejuízo resultante pode permanecer estável ou piorar, apesar da interrupção do uso da
substância.
Procedimentos de Registro
O nome do diagnóstico inclui a
substância específica (por ex., álcool, secobarbital) presumivelmente causadora da
perturbação de memória. O código diagnóstico é selecionado a partir da lista de
classes de substâncias oferecida no conjunto de critérios. Para substâncias que não se
enquadram em qualquer das classes, o código para "Outra Substância" deve ser
usado. Além disso, no caso de medicamentos prescritos em doses terapêuticas, o
medicamento específico pode ser indicado listando o código E apropriado (ver Apêndice
G). Quando o clínico julga que mais de uma substância exerce um papel significativo no
desenvolvimento da perturbação da memória, cada uma delas deve ser listada
separadamente (por ex., 291.1 Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool;
292.83 Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Secobarbital). Se uma substância é
considerada um fator etiológico mas esta substância ou classe de substâncias
específica é desconhecida, o diagnóstico é 292.83 Transtorno Amnéstico Persistente
Induzido por Substância Desconhecida.
Substâncias Específicas
O Transtorno Amnéstico Persistente
Induzido por Substância pode ocorrer em associação com as seguintes classes de
substâncias: álcool; sedativos, hipnóticos e ansiolíticos e outras substâncias ou
substâncias desconhecidas. O Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool
aparentemente é devido à deficiência vitamínica associada com a ingestão prolongada e
pesada de álcool. Perturbações neurológicas tais como neuropatia periférica, ataxia
cerebelar e miopatia estão entre as características associadas. O Transtorno Amnéstico
Persistente Induzido por Álcool provocado pela deficiência de tiamina (síndrome de
Korsakoff) freqüentemente se segue a um episódio agudo de encefalopatia de Wernicke, uma
condição neurológica manifestada por confusão, ataxia, anormalidades nos movimentos
oculares (paralisias oculares, nistagmo) e outros sinais neurológicos. Essas
manifestações cedem gradualmente, mas permanece um importante comprometimento da
memória. Nos casos em que a encefalopatia de Wernicke é tratada cedo com amplas doses de
tiamina, o Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool pode não se
desenvolver. Embora a idade não seja um fator etiológico específico na condição, os
indivíduos que desenvolvem o Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool
geralmente apresentam uma história de muitos anos de uso pesado de álcool e estão, com
maior freqüência, com mais de 40 anos. Embora o modo de início seja tipicamente
abrupto, alguns indivíduos podem desenvolver déficits insidiosamente ao longo de muitos
anos, devido a repetidos agravos tóxicos e nutricionais, antes do surgimento de um
episódio final e bem mais prejudicial, aparentemente relacionado à deficiência de
tiamina. Uma vez estabelecido, o Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool em
geral persiste indefinidamente, embora possa haver uma leve melhora com o tempo e, em uns
poucos casos, a condição possa apresentar remissão. O comprometimento em geral é
bastante severo, podendo exigir assistência pelo resto da vida. O Transtorno Amnéstico
Persistente Induzido por Sedativos, Hipnóticos ou Ansiolíticos pode seguir-se ao uso
prolongado e pesado de drogas desta classe. O curso é variável e, diferentemente do
Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por Álcool, pode ocorrer uma recuperação
plena. Os medicamentos que, conforme relatos, causam transtornos amnésticos incluem
anticonvulsivantes e metotrexato intratecal. As toxinas que provocam sintomas de amnésia,
conforme relatos, incluem chumbo, mercúrio, monóxido de carbono, inseticidas
organofosforados e solventes industriais.
Critérios Diagnósticos para Transtorno Amnéstico Persistente Induzido
por Substância |
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A.
Desenvolvimento de prejuízo de memória manifestado por comprometimento da capacidade de
aprender novas informações ou incapacidade de recordar informações aprendidas
anteriormente.
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B. A
perturbação de memória causa prejuízo significativo no funcionamento social ou
ocupacional e representa um declínio significativo a partir de um nível anterior de
funcionamento.
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C. A
perturbação de memória não ocorre exclusivamente durante o curso de delirium ou
demência e persiste além da duração habitual da Intoxicação ou Abstinência de
Substância.
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D. Existem
evidências, a partir da história, exame físico ou achados laboratoriais, de que a
perturbação de memória está etiologicamente relacionada aos efeitos persistentes do
uso de substância (por ex., droga de abuso, medicamento).
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Codificar
Transtorno Amnéstico Persistente Induzido por [Substância Específica]:
F10.6 - 291.1 Álcool;
F13.6 - 292.83 Sedativo, Hipnótico ou Ansiolítico;
F19.6 - 292.83 Outra Substância (ou Substância Desconhecida).
R41.3 - 294.8 Transtorno Amnéstico Sem Outra Especificação
Esta categoria deve ser usada para o diagnóstico de um transtorno amnéstico que não
satisfaça os critérios para qualquer um dos tipos específicos descritos nesta seção.
Um exemplo seria uma apresentação clínica de amnésia para a qual existem evidências
insuficientes para o estabelecimento de uma etiologia específica (isto é, dissociativa,
induzida por substância ou devido a uma condição médica geral).
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Outros Transtornos Cognitivos F06.9 - 294.9 Transtorno Cognitivo Sem Outra
Especificação |
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DSM.IV
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Esta categoria aplica-se a
transtornos caracterizados por disfunção cognitiva presumivelmente devido ao efeito
fisiológico direto de uma condição médica geral que não satisfazem os critérios para
qualquer dos tipos de delirium, demência ou transtornos amnésticos específicos listados
nesta seção e que não são melhor classificados como Delirium Sem Outra
Especificação, Demência Sem Outra Especificação ou Transtorno Amnéstico Sem Outra
Especificação. Para uma disfunção cognitiva devido a uma substância específica ou
substância desconhecida, aplica-se a categoria específica de Transtorno Relacionado a
Substância Sem Outra Especificação. Exemplos: 1. Transtorno neurocognitivo leve:
prejuízo no funcionamento cognitivo evidenciado por testagem neuropsicológica ou
avaliação clínica quantificada, acompanhado por evidências objetivas de uma condição
médica geral sistêmica ou disfunção do sistema nervoso central. 2. Transtorno
pós-concussão: após um traumatismo craniano, comprometimento da memória ou da
atenção com sintomas associados. |