Os Transtornos Alimentares
caracterizam-se por severas perturbações no comportamento alimentar. Esta seção inclui
dois diagnósticos específicos, Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa. A Anorexia Nervosa
caracteriza-se por uma recusa a manter o peso corporal em uma faixa normal mínima. A
Bulimia Nervosa é caracterizada por episódios repetidos de compulsões alimentares
seguidas de comportamentos compensatórios inadequados, tais como vômitos auto-induzidos;
mau uso de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos; jejuns ou exercícios excessivos.
Uma perturbação na percepção da forma e do peso corporal é a característica
essencial tanto da Anorexia Nervosa quanto da Bulimia Nervosa. Uma categoria de Transtorno
Alimentar Sem Outra Especificação também é oferecida para a codificação de
transtornos que não satisfazem os critérios para um Transtorno Alimentar específico. A
obesidade simples é incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID) como uma
condição médica geral, não aparecendo no DSM-IV porque não foi estabelecida uma
associação consistente com uma síndrome psicológica ou comportamental. Entretanto,
quando existem evidências da participação de fatores psicológicos na etiologia ou
curso de determinado caso de obesidade, isto pode ser indicado anotando-se a presença de
Fatores Psicológicos que Afetam a Condição Médica. Os Transtornos de Alimentação
vistos pela primeira vez durante a infância (isto é, Pica, Transtorno de Ruminação e
Transtorno de Alimentação da Infância) são incluídos na seção "Transtornos de
Alimentação da Primeira Infância".
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ANOREXIA NERVOSA
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BULIMIA NERVOSA
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TRANSTORNOS ALIMENTARES DA 1a. INFÂNCIA
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Características Diagnósticas
As características essenciais da
Anorexia Nervosa são a recusa do indivíduo a manter um peso corporal na faixa normal
mínima, um temor intenso de ganhar peso e uma perturbação significativa na percepção
da forma ou tamanho do corpo. Além disso, as mulheres pós-menarca com este transtorno
são amenorréicas (o termo anorexia é uma designação incorreta, uma vez que a perda do
apetite é rara). O indivíduo mantém um peso corporal abaixo de um nível normal mínimo
para sua idade e altura (Critério A). Quando a Anorexia Nervosa se desenvolve em um
indivíduo durante a infância ou início da adolescência, pode haver fracasso em fazer
os ganhos de peso esperados (isto é, enquanto ganha altura), ao invés de uma perda de
peso. O Critério A oferece uma orientação para determinar quando um indivíduo alcança
o limiar para um peso abaixo do esperado. Ele sugere que o indivíduo pese menos que 85%
do peso considerado normal para sua idade e altura (geralmente computado pelo uso de uma
dentre as diversas versões publicadas das tabelas do Metropolitan Life Insurance ou de
acordo com tabelas de crescimento usadas em pediatria). Uma orientação alternativa e
algo mais rígida (usada nos Critérios de Diagnóstico para Pesquisas da CID-10) exige
que o indivíduo tenha um índice de massa corporal (IMC) (calculado como peso em
quilogramas/[altura em metros]2) igual ou inferior a 17,5 kg/m². Esses recursos são
oferecidos apenas como diretrizes sugeridas para o clínico, pois não é razoável
especificar um único padrão para um peso normal mínimo, que se aplique a todos os
indivíduos de determinada idade e altura. Ao determinar um peso normal mínimo, o
clínico deve considerar não apenas essas diretrizes, como também a constituição
corporal e a história ponderal do indivíduo. A perda de peso em geral é obtida,
principalmente, através da redução do consumo alimentar total. Embora os indivíduos
possam começar excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente
calóricos, a maioria termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas
alguns alimentos. Métodos adicionais de perda de peso incluem purgação (isto é,
auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes ou diuréticos) e exercícios
intensos ou excessivos. Os indivíduos com este transtorno têm muito medo de ganhar peso
ou ficar gordos (Critério B). Este medo intenso de engordar geralmente não é aliviado
pela perda de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal freqüentemente
aumenta à medida que o peso real diminui. A vivência e a importância do peso e da forma
corporal são distorcidas nesses indivíduos (Critério C). Alguns indivíduos acham que
têm um excesso de peso global. Outros percebem que estão magros, mas ainda assim se
preocupam com o fato de certas partes de seu corpo, particularmente abdômen, nádegas e
coxas, estarem "muito gordas". Eles podem empregar uma ampla variedade de
técnicas para estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de
partes do corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas
como "gordas". A auto-estima dos indivíduos com Anorexia Nervosa depende em
alto grau de sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista
notável e como um sinal de extraordinária autodisciplina, ao passo que o ganho de peso
é percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns indivíduos com
este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as sérias
implicações de seu estado de desnutrição. Em mulheres pós-menarca, a amenorréia
(devido a níveis anormalmente baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez,
devem-se a uma redução da secreção de hormônio folículo-estimulante [FSH] e
hormônio luteinizante [LH] pela pituitária) é um indicador de disfunção fisiológica
na Anorexia Nervosa (Critério D). A amenorréia em geral é uma conseqüência da perda
de peso mas, em uma minoria dos indivíduos, pode na verdade precedê-la. Em mulheres
pré-púberes, a menarca pode ser retardada pela doença. O indivíduo freqüentemente é
levado à atenção profissional por membros da família, após a ocorrência de uma
acentuada perda de peso (ou fracasso em fazer os ganhos de peso esperados). Quando o
indivíduo busca auxílio por conta própria, isto geralmente ocorre em razão do
sofrimento subjetivo acerca das seqüelas somáticas e psicológicas da inanição.
Raramente um indivíduo com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso em si. Essas
pessoas freqüentemente não possuem insight para o problema ou apresentam uma
considerável negação quanto a este, podendo não ser boas fontes de sua história.
Portanto, com freqüência se torna necessário obter informações a partir dos pais ou
outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e outros aspectos da
doença.
Subtipos
Os seguintes subtipos podem ser
usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou
purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa.
Tipo Restritivo. Este subtipo descreve apresentações
nas quais a perda de peso é conseguida principalmente através de dietas, jejuns ou
exercícios excessivos. Durante o episódio atual, esses indivíduos não se envolveram
com regularidades em compulsões periódicas ou purgações.
Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Este subtipo é
usado quando o indivíduo se envolveu regularmente em compulsões periódicas ou
purgações (ou ambas) durante o episódio atual. A maioria dos indivíduos com Anorexia
Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos
auto-induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Alguns indivíduos
incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva, mas fazem purgações
regularmente após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior
parte dos indivíduos com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo dedica-se a esses
comportamentos pelo menos 1 vez por semana, mas não há informações suficientes que
justifiquem a especificação de uma freqüência mínima.
Características e Transtornos Associados
Características descritivas e
transtornos mentais associados. Quando seriamente abaixo do peso, muitos indivíduos com
Anorexia Nervosa manifestam sintomas depressivos, tais como humor deprimido, retraimento
social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses indivíduos podem
ter apresentações sintomáticas que satisfazem os critérios para Transtorno Depressivo
Maior. Uma vez que esses aspectos também são observados em indivíduos sem Anorexia
Nervosa que estão restringindo severamente sua alimentação, muitos dos aspectos
depressivos podem ser secundários às seqüelas fisiológicas da semi-inanição. Os
sintomas de perturbação do humor devem, portanto, ser reavaliados após uma
recuperação completa ou parcial do peso. Características obsessivo-compulsivas, tanto
relacionadas quanto não relacionadas com comida, com freqüência são proeminentes. A
maioria dos indivíduos com Anorexia Nervosa preocupa-se excessivamente com alimentos.
Alguns colecionam receitas ou armazenam comida. Observações de comportamentos associados
com outras formas de restrição alimentar sugerem que as obsessões e compulsões
relacionadas a alimentos podem ser causadas ou exacerbadas pela desnutrição. Quando os
indivíduos com Anorexia Nervosa apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a
alimentos, forma corporal ou peso, um diagnóstico adicional de Transtorno
Obsessivo-Compulsivo pode ser indicado. Outras características ocasionalmente associadas
com a Anorexia Nervosa incluem preocupações acerca de comer em público, sentimento de
inutilidade, uma forte necessidade de controlar o próprio ambiente, pensamento
inflexível, espontaneidade social limitada e iniciativa e expressão emocional
demasiadamente refreadas. Comparados com indivíduos com Anorexia Nervosa, Tipo
Restritivo, aqueles com o Tipo Compulsão Periódica / Purgativo estão mais propensos a
ter outros problemas de controle dos impulsos, a abusarem de álcool ou outras drogas, a
exibirem maior instabilidade do humor e a serem sexualmente ativos.
Achados laboratoriais associados
Embora alguns indivíduos com
Anorexia Nervosa não apresentem anormalidades laboratoriais, a característica de
semi-inanição deste transtorno pode afetar sistemas orgânicos importantes e produzir
uma variedade de distúrbios. A indução de vômitos e o abuso de laxantes, diuréticos e
enemas podem também causar diversos distúrbios, produzindo achados laboratoriais
anormais. Hematologia: Leucopenia e leve anemia são comuns; trombocitopenia ocorre
raramente. Química: A desidratação pode ser refletida por um elevado nível de uréia
sangüínea. Hipercolesterolemia é comum. Os testes de função hepática podem estar
elevados. Hipomagnesemia, hipozinquemia, hipofosfatemia e hiperamilasemia são encontradas
ocasionalmente. A indução de vômitos pode provocar alcalose metabólica (elevado
bicarbonato sérico), hipocloremia e hipocalemia, e o abuso de laxantes pode causar
acidose metabólica. Os níveis de iroxina sérica (T4) estão diminuídos.
Hiperadrenocorticismo e resposta anormal a uma variedade de provocações neuroendócrinas
são comuns. Em mulheres, baixos níveis de estrógeno sérico estão presentes, enquanto
os homens têm baixos níveis de testosterona sérica. Existe uma regressão do eixo
hipotalâmico-pituitário-gonadal em ambos os sexos, no sentido de que o padrão de
secreção de hormônio luteinizante (LH) em 24 horas assemelha-se àquele normalmente
visto em indivíduos pré-púberes ou na puberdade. Eletrocardiografia: São observadas
bradicardia sinusal e, raramente, arritmias. Eletroencefalografia: Anormalidades difusas,
refletindo uma encefalopatia metabólica, podem decorrer de distúrbios
hidroeletrolíticos significativos. Imagens cerebrais: Um aumento na razão
ventricular-cerebral secundária à privação alimentar é vista com freqüência.
Dispêndio de energia em repouso: Freqüentemente está reduzido.
Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas
Muitos dos sinais e sintomas
físicos da Anorexia Nervosa são atribuíveis à inanição. Além da amenorréia, pode
haver queixas de constipação, dor abdominal, intolerância ao frio, letargia e excesso
de energia. O achado que mais chama a atenção no exame físico é a aparência emaciada.
Também pode haver hipotensão significativa, hipotermia e pele seca. Alguns indivíduos
desenvolvem lanugo (pêlos finos) no tronco. A maioria dos indivíduos com Anorexia
Nervosa apresenta bradicardia. Alguns desenvolvem edema periférico, especialmente durante
a restauração do peso ou na cessação do abuso de laxantes e diuréticos. Raramente,
petéquias, em geral nas extremidades, podem indicar uma diátese hemorrágica. Alguns
indivíduos evidenciam um amarelamento da pele, associado com hipercarotenemia. A
hipertrofia das glândulas salivares, particularmente das glândulas parótidas, pode
estar presente. Os indivíduos que induzem vômito podem ter erosão do esmalte dentário
e alguns têm cicatrizes ou calos no dorso das mãos, causados pelo contato com os dentes
quando utilizam as mãos para induzir o vômito. A inanição da Anorexia Nervosa e os
comportamentos purgativos às vezes associados a ela acarretam condições médicas gerais
significativas. Estas incluem o desenvolvimento de anemia normocítica normocrômica,
prejuízo da função renal (associado com desidratação crônica e hipocalemia),
problemas cardiovasculares (hipotensão severa, arritmias), problemas dentários e
osteoporose (conseqüência do baixo consumo e absorção de cálcio, secreção reduzida
de estrógeno e maior secreção de cortisol).
Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero
A Anorexia Nervosa parece ter uma
prevalência bem maior em sociedades industrializadas, nas quais existe abundância de
alimentos e onde, especialmente no tocante às mulheres, ser atraente está ligado à
magreza. O transtorno é provavelmente mais comum nos Estados Unidos, Canadá, Austrália,
Japão e África do Sul, mas poucos trabalhos sistemáticos examinaram a prevalência em
outras culturas. Os indivíduos que emigraram de culturas nas quais o transtorno é raro
para culturas nas quais o transtorno é mais prevalente podem desenvolver Anorexia
Nervosa, à medida que assimilam os ideais de elegância ligados à magreza. Fatores
culturais também podem influenciar as manifestações do transtorno. Por exemplo, em
algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, podendo a
motivação expressada para a restrição alimentar ter um conteúdo diferente, como
desconforto epigástrico ou antipatia por certos alimentos. A Anorexia Nervosa raramente
inicia antes da puberdade, mas existem indícios de que a gravidade das perturbações
mentais associadas pode ser maior entre os indivíduos pré-púberes que desenvolvem a
doença. Entretanto, também há dados que sugerem que quando a doença inicia durante os
primeiros anos da adolescência (entre 13 e 18 anos de idade), ela pode estar associada
com um melhor prognóstico. Mais de 90% dos casos de Anorexia Nervosa ocorrem em mulheres.
Prevalência
Estudos sobre a prevalência entre
mulheres na adolescência tardia e início da idade adulta verificam taxas de 0,5 a 1,0%,
para apresentações que satisfazem todos os critérios para Anorexia Nervosa. Indivíduos
que não atingem o limiar para o transtorno (isto é, com Transtorno Alimentar Sem Outra
Especificação) são encontrados com maior freqüência. Existem dados limitados
envolvendo a prevalência deste transtorno em homens. A incidência de Anorexia Nervosa
parece ter aumentado nas últimas décadas.
Curso
A idade média para o início da
Anorexia Nervosa é de 17 anos, com alguns dados sugerindo picos bimodais aos 14 e aos 18
anos. O início do transtorno raramente ocorre em mulheres com mais de 40 anos. O
aparecimento da doença freqüentemente está associado com um acontecimento vital
estressante, como sair de casa para cursar a universidade. O curso e o resultado da
Anorexia Nervosa são altamente variáveis. Alguns indivíduos com Anorexia Nervosa se
recuperam completamente após um episódio isolado, alguns exibem um padrão flutuante de
ganho de peso seguido de recaída, e outros vivenciam um curso crônico e deteriorante ao
longo de muitos anos. A hospitalização pode ser necessária para a restauração do peso
e para a correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos. Dos indivíduos baixados em
hospitais universitários, a mortalidade a longo prazo por Anorexia Nervosa é de mais de
10%. A morte ocorre, com maior freqüência, por inanição, suicídio ou desequilíbrio
eletrolítico.
Padrão Familial
Existe um risco aumentado de
Anorexia Nervosa entre os parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com o
transtorno. Um risco maior de Transtornos do Humor também foi constatado entre os
parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com Anorexia Nervosa, particularmente
parentes de indivíduos com o Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Os estudos de Anorexia
Nervosa em gêmeos descobriram taxas de concordância para gêmeos monozigóticos
significativamente maiores do que para gêmeos dizigóticos.
Diagnóstico Diferencial
Outras possíveis causas de perda
significativa de peso devem ser consideradas no diagnóstico diferencial de Anorexia
Nervosa, especialmente quando as características apresentadas são atípicas (tais como
início da doença após os 40 anos). Em condições médicas gerais (por ex., doença
gastrintestinal, tumores cerebrais, condições malignas ocultas e síndrome de
imunodeficiência adquirida [AIDS]) pode ocorrer séria perda de peso, mas os indivíduos
com esses transtornos em geral não têm uma imagem distorcida de seus corpos e um desejo
de perder ainda mais peso. A síndrome da artéria mesentérica superior (caracterizada
por vômitos pós-prandiais secundários à obstrução intermitente da saída gástrica)
deve ser diferenciada da Anorexia Nervosa, embora esta síndrome possa ocasionalmente se
desenvolver em indivíduos com Anorexia Nervosa, em razão de seu estado emaciado. No
Transtorno Depressivo Maior pode ocorrer uma severa perda de peso, mas a maioria dos
indivíduos com Transtorno Depressivo Maior não tem um desejo excessivo de perder peso ou
um medo excessivo de ganhar peso. Na Esquizofrenia, os indivíduos podem apresentar um
comportamento alimentar incomum e ocasionalmente experimentar uma perda de peso
significativa, mas raramente demonstram o medo de ganhar peso e a perturbação da imagem
corporal, necessários para um diagnóstico de Anorexia Nervosa. Algumas das
características da Anorexia Nervosa fazem parte dos conjuntos de critérios para Fobia
Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtorno Dismórfico Corporal.
Especificamente, os indivíduos podem sentir-se humilhados ou embaraçados por serem
vistos comendo em público, como na Fobia Social; podem apresentar obsessões e
compulsões relacionadas a alimentos, como no Transtorno Obsessivo-Compulsivo, ou
preocupar-se com um defeito imaginário em sua aparência física, como no Transtorno
Dismórfico Corporal. Se os temores de um indivíduo com Anorexia Nervosa se restringem
unicamente ao comportamento alimentar, o diagnóstico de Fobia Social não deve ser feito,
mas os temores sociais que não têm relação com o comportamento alimentar (por ex.,
medo excessivo de falar em público) podem justificar um diagnóstico adicional de Fobia
Social. Da mesma forma, um diagnóstico adicional de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve
ser considerado apenas se o indivíduo apresenta obsessões e compulsões não
relacionadas a alimentos (por ex., um medo excessivo de contaminação) e um diagnóstico
adicional de Transtorno Dismórfico Corporal deve ser considerado apenas se a distorção
não está relacionada à forma e ao tamanho do corpo (por ex., preocupação de que seu
nariz seja grande demais). Na Bulimia Nervosa, os indivíduos apresentam episódios
recorrentes de comer compulsivo, envolvem-se em comportamentos inadequados para evitarem
ganhar peso (por ex., vômito auto-induzido) e preocupam-se excessivamente com a forma e o
peso do corpo. Entretanto, à diferença dos indivíduos com Anorexia Nervosa, Tipo
Compulsão Periódica/Purgativo, os indivíduos com Bulimia Nervosa são capazes de manter
um peso corporal no nível normal mínimo ou acima deste.
Critérios Diagnósticos para F50.0 - 307.1 Anorexia Nervosa |
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A. Recusa
a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e
à altura (por ex., perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85%
do esperado; ou fracasso em ter o ganho de peso esperado durante o período de
crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).
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B. Medo
intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.
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C.
Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do
peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação, ou negação do baixo peso corporal
atual.
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D. Nas
mulheres pós-menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos três ciclos
menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tem amenorréia se seus períodos
ocorrem apenas após a administração de hormônio, por ex., estrógeno.)
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Especificar
tipo: Tipo Restritivo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o indivíduo não se
envolveu regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de purgação (isto
é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas). Tipo
Compulsão Periódica/Purgativo: durante o episódio atual de Anorexia Nervosa, o
indivíduo envolveu-se regularmente em um comportamento de comer compulsivamente ou de
purgação (isto é, auto-indução de vômito ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou
enemas).
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Características Diagnósticas
As características essenciais da
Bulimia Nervosa consistem de compulsões periódicas e métodos compensatórios
inadequados para evitar ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos indivíduos com
Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do corpo. Para qualificar
o transtorno, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados
devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana por 3 meses (Critério C). Uma
compulsão periódica é definida pela ingestão, em um período limitado de tempo, de uma
quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria dos indivíduos consumiria
sob circunstâncias similares (Critério A1). O clínico deve considerar o contexto no
qual a compulsão periódica ocorreu o que seria considerado um consumo excessivo
em uma refeição comum poderia ser considerado normal durante uma celebração ou uma
ceia festiva. Um "período limitado de tempo" refere-se a um período definido,
geralmente durando menos de 2 horas. Um episódio isolado de compulsão periódica não
precisa ser restrito a um contexto. Por exemplo, um indivíduo pode começar um episódio
em um restaurante e continuá-lo ao voltar para casa. O ato de ingerir continuamente
pequenas quantidades de comida durante o dia inteiro não seria considerado uma compulsão
periódica. Embora varie o tipo de alimento consumido durante os ataques de hiperfagia,
ele tipicamente inclui doces e alimentos com alto teor calórico, tais como sorvetes ou
bolos. Entretanto, as compulsões periódicas parecem caracterizar-se mais por uma
anormalidade na quantidade de alimentos consumidos do que por uma avidez por determinados
nutrientes, como carboidratos. Embora os indivíduos com Bulimia Nervosa, durante um
episódio de compulsão periódica, possam consumir mais calorias do que as pessoas sem
Bulimia Nervosa consomem durante uma refeição, a proporção de calorias derivadas de
proteínas, gorduras e carboidratos é similar. Os indivíduos com Bulimia Nervosa
tipicamente se envergonham de seus problemas alimentares e procuram ocultar seus sintomas.
As compulsões periódicas geralmente ocorrem em segredo, ou tão inconspicuamente quanto
possível. Um episódio pode, ou não, ser planejado de antemão e em geral (mas nem
sempre) é caracterizado por um consumo rápido. A compulsão periódica freqüentemente
prossegue até que o indivíduo se sinta desconfortável, ou mesmo dolorosamente repleto.
A compulsão periódica é tipicamente desencadeada por estados de humor disfóricos,
estressores interpessoais, intensa fome após restrição por dietas, ou sentimentos
relacionados a peso, forma do corpo e alimentos. A compulsão periódica pode reduzir
temporariamente a disforia, mas autocríticas e humor deprimido freqüentemente ocorrem
logo após. Um episódio de compulsão periódica também se acompanha de um sentimento de
falta de controle (Critério A2). Um indivíduo pode estar em um estado frenético
enquanto leva a efeito a compulsão, especialmente no curso inicial do transtorno. Alguns
indivíduos descrevem uma qualidade dissociativa durante ou após os episódios de
compulsão periódica. Após a Bulimia Nervosa ter persistido por algum tempo, os
indivíduos podem afirmar que seus episódios compulsivos não mais se caracterizam por um
sentimento agudo de perda do controle, mas sim por indicadores comportamentais de
prejuízo do controle, tais como dificuldade em resistir a comer em excesso ou dificuldade
para cessar um episódio compulsivo, uma vez iniciado. O prejuízo no controle associado
com a compulsão periódica da Bulimia Nervosa não é absoluto, já que, por exemplo, um
indivíduo pode continuar comendo enquanto o telefone toca, mas interromper o
comportamento se um colega ou o cônjuge ingressar inesperadamente no mesmo aposento.
Outra característica essencial da Bulimia Nervosa é o uso recorrente de comportamentos
compensatórios inadequados para prevenir o aumento de peso (Critério B). Muitos
indivíduos com Bulimia Nervosa empregam diversos métodos em suas tentativas de
compensarem a compulsão periódica. A técnica compensatória mais comum é a indução
de vômito após um episódio de compulsão periódica. Este método purgativo é
empregado por 80 a 90% dos indivíduos com Bulimia Nervosa que se apresentam para
tratamento em clínicas de transtornos alimentares. Os efeitos imediatos do vômito
incluem alívio do desconforto físico e redução do medo de ganhar peso. Em alguns
casos, o vômito torna-se um objetivo em si mesmo, de modo que a pessoa come em excesso
para vomitar ou vomita após ingerir uma pequena quantidade de alimento. Os indivíduos
com Bulimia Nervosa podem usar uma variedade de métodos para a indução de vômitos,
incluindo o uso dos dedos ou instrumentos para estimular o reflexo de vômito. Os
indivíduos em geral se tornam hábeis na indução de vômitos e por fim são capazes de
vomitar quando querem. Raramente, os indivíduos consomem xarope de ipeca para a indução
do vômito. Outros comportamentos purgativos incluem o uso indevido de laxantes e
diuréticos. Aproximadamente um terço dos indivíduos com Bulimia Nervosa utiliza
laxantes após um ataque de hiperfagia. Raramente, os indivíduos com este transtorno
utilizam enemas após os episódios compulsivos, mas este quase nunca é o único método
compensatório empregado. Os indivíduos com Bulimia Nervosa podem jejuar por um dia ou
mais ou exercitar-se excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo.
Exercícios podem ser considerados excessivos quando interferem significativamente em
atividades importantes, quando ocorrem em momentos ou contextos inadequados ou quando o
indivíduo continua se exercitando apesar de lesionado ou de outras complicações
médicas. Raramente, os indivíduos com este transtorno podem tomar hormônio da tiróide
na tentativa de prevenir o aumento de peso. Os indivíduos com diabete melito e Bulimia
Nervosa podem omitir ou reduzir as doses de insulina, para reduzir o metabolismo dos
alimentos consumidos durante os ataques de hiperfagia. Os indivíduos com Bulimia Nervosa
colocam uma ênfase excessiva na forma ou no peso do corpo em sua auto-avaliação, sendo
esses fatores, tipicamente, os mais importantes na determinação da auto-estima
(Critério D). As pessoas com o transtorno podem ter estreita semelhança com as que têm
Anorexia Nervosa, em seu medo de ganhar peso, em seu desejo de perder peso e no nível de
insatisfação com seu próprio corpo. Entretanto, um diagnóstico de Bulimia Nervosa não
deve ser dado quando a perturbação ocorre apenas durante episódios de Anorexia Nervosa
(Critério E).
Subtipos
Os seguintes subtipos podem ser
usados para especificar a presença ou ausência do uso regular de métodos purgativos
como meio de compensar uma compulsão periódica:
Tipo Purgativo. Este subtipo descreve apresentações
nas quais o indivíduo se envolveu regularmente na auto-indução de vômito ou no uso
indevido de laxantes, diuréticos ou enemas durante o episódio atual.
Tipo Sem Purgação. Este subtipo descreve
apresentações nas quais o indivíduo usou outros comportamentos compensatórios
inadequados, tais como jejuns ou exercícios excessivos, mas não se envolveu regularmente
na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas
durante o episódio atual.
Características e Transtornos Associados
Os indivíduos com Bulimia Nervosa
tipicamente estão dentro da faixa de peso normal, embora alguns possam estar com um peso
levemente acima ou abaixo do normal. O transtorno ocorre, mas é incomum, entre
indivíduos moderada e morbidamente obesos. Há indícios de que, antes do início do
Transtorno Alimentar, os indivíduos com Bulimia Nervosa estão mais propensos ao excesso
de peso do que seus pares. Entre os episódios compulsivos, os indivíduos com o
transtorno tipicamente restringem seu consumo calórico total e selecionam
preferencialmente alimentos com baixas calorias (diet) evitando alimentos que percebem
como engordantes ou que provavelmente ativarão um ataque de hiperfagia. Os indivíduos
com Bulimia Nervosa apresentam uma freqüência maior de sintomas depressivos (por ex.,
baixa auto-estima) ou Transtornos do Humor (particularmente Transtorno Distímico e
Transtorno Depressivo Maior). Em muitas ou na maior parte dessas pessoas, o distúrbio do
humor começa simultaneamente ou segue o desenvolvimento da Bulimia Nervosa, sendo que com
freqüência atribuem sua perturbação do humor à Bulimia Nervosa. Também pode haver
maior freqüência de sintomas de ansiedade (por ex., medo de situações sociais) ou
Transtornos de Ansiedade. Esses distúrbios do humor e de ansiedade comumente apresentam
remissão após o tratamento efetivo da Bulimia Nervosa. Em cerca de um terço dos
indivíduos com Bulbina Nervosa ocorre Abuso ou Dependência de Substâncias,
particularmente envolvendo álcool e estimulantes. O uso de estimulantes freqüentemente
começa na tentativa de controlar o apetite e o peso. É provável que 30 a 50% dos
indivíduos com Bulimia Nervosa também tenham características de personalidade que
satisfaçam os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade (mais
freqüentemente Transtorno da Personalidade Borderline). Evidências preliminares sugerem
que os indivíduos com Bulimia Nervosa, Tipo Purgativo, apresentam mais sintomas
depressivos e maior preocupação com a forma e o peso do que os indivíduos com Bulimia
Nervosa, Tipo Sem Purgação. Achados laboratoriais associados. O comportamento purgativo
freqüente de qualquer espécie pode produzir anormalidades hidroeletrolíticas, mais
comumente hipocalemia, hiponatremia e hipocloremia. A perda de ácido gástrico por meio
dos vômitos pode produzir uma alcalose metabólica (bicarbonato sérico elevado) e a
freqüente indução de diarréia pelo abuso de laxantes pode causar acidose metabólica.
Alguns indivíduos com Bulimia Nervosa apresentam níveis levemente elevados de amilase
sérica, provavelmente refletindo um aumento da isoenzima salivar.
Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas
O vômito recorrente acaba levando
a uma perda significativa e permanente do esmalte dentário, especialmente das
superfícies linguais dos dentes da frente. Esses dentes podem lascar e ter uma aparência
serrilhada e corroída. Também pode haver uma maior freqüência de cáries dentárias.
Em alguns indivíduos, as glândulas salivares, particularmente as glândulas parótidas,
podem tornar-se notavelmente hipertróficas. Os indivíduos que induzem vômitos pela
estimulação manual da glote podem desenvolver calos e cicatrizes na superfície dorsal
da mão, por traumas repetidos produzidos pelos dentes. Sérias miopatias cardíacas e
esqueléticas foram relatadas entre indivíduos que regularmente utilizam xarope de ipeca
para a indução de vômitos. Irregularidades menstruais ou amenorréia algumas vezes
ocorrem em mulheres com Bulimia Nervosa; ainda não foi definido com certeza se essas
perturbações estão relacionadas com as flutuações de peso, com deficiências
nutricionais ou com o estresse emocional. Os indivíduos que abusam cronicamente de
laxantes podem tornar-se dependentes deles para estimularem os movimentos intestinais. As
perturbações hidroeletrolíticas resultantes do comportamento purgativo algumas vezes
são suficientemente severas para constituírem problemas clinicamente sérios.
Complicações raras, porém fatais, incluem rupturas do esôfago, ruptura gástrica e
arritmias cardíacas. Comparados com indivíduos com Bulimia Nervosa, Tipo Sem Purgação,
os indivíduos com o Tipo Purgativo estão muito mais propensos a ter problemas físicos,
tais como distúrbios hidroeletrolíticos.
Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero
A Bulimia Nervosa ocorre, conforme
relatado, com freqüências aproximadamente similares na maioria dos países
industrializados, incluindo os Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Japão, Nova
Zelândia e África do Sul. Poucos estudos examinaram a prevalência da Bulimia Nervosa em
outras culturas. Em estudos clínicos da Bulimia Nervosa nos Estados Unidos, os
indivíduos com este transtorno eram principalmente brancos, mas o transtorno também foi
relatado entre outros grupos étnicos. Em amostras clínicas e populacionais, pelo menos
90% dos indivíduos com Bulimia Nervosa são mulheres. Alguns dados sugerem que os homens
com Bulimia Nervosa têm maior prevalência de obesidade pré-mórbida do que as mulheres
com o transtorno.
Prevalência
A prevalência da Bulimia Nervosa
entre mulheres adolescentes e adultas jovens é de aproximadamente 1-3%; a taxa de
ocorrência deste transtorno em homens é de aproximadamente um décimo da que ocorre em
mulheres.
Curso
A Bulimia Nervosa começa ao final
da adolescência ou início da idade adulta. A compulsão periódica freqüentemente
começa durante ou após um episódio de dieta. O comportamento alimentar perturbado
persiste por pelo menos vários anos, em uma alta porcentagem das amostras clínicas. O
curso pode ser crônico ou intermitente, com alternância de períodos de remissão e
recorrências de ataques de hiperfagia. O resultado da Bulimia Nervosa a longo prazo é
desconhecido.
Padrão Familial
Diversos estudos sugerem uma maior
freqüência de Bulimia Nervosa, de Transtornos do Humor e de Abuso e Dependência de
Substância em parentes biológicos em primeiro grau de indivíduos com Bulimia Nervosa.
Uma tendência familial para a obesidade pode existir, mas não foi definitivamente
comprovada.
Diagnóstico Diferencial
Os indivíduos cujo comportamento
de compulsão alimentar ocorre apenas durante a Anorexia Nervosa recebem o diagnóstico de
Anorexia Nervosa, Tipo Compulsão Periódica/Purgativo, e não devem receber o
diagnóstico adicional de Bulimia Nervosa. Para um indivíduo com episódios compulsivos e
purgações cuja apresentação, no entanto, não mais satisfaz todos os critérios para
Anorexia Nervosa, Tipo Compulsão Periódica/Purgativo (por ex., quando o peso se
normalizou ou a menstruação tornou-se regular), o julgamento clínico ditará se o
diagnóstico atual mais adequado é de Anorexia Nervosa/Tipo Compulsão
Periódica/Purgativo, Em Remissão Parcial, ou de Bulimia Nervosa. Em certas condições
neurológicas ou outras condições médicas gerais, tais como a síndrome de
Kleine-Levin, existe uma perturbação do comportamento alimentar, mas os aspectos
psicológicos característicos da Bulimia Nervosa, tais como preocupação exagerada com a
forma e o peso do corpo, não estão presentes. A hiperfagia é comum em um Transtorno
Depressivo Maior, Com Características Atípicas, mas esses indivíduos não se dedicam a
um comportamento compensatório inadequado nem demonstram a característica preocupação
exagerada com a forma e o peso do corpo. Se são satisfeitos os critérios para ambos os
transtornos, devem ser dados ambos os diagnósticos. O comportamento de compulsão
periódica é incluído no critério de comportamento impulsivo que faz parte da
definição do Transtorno da Personalidade Borderline. Se todos os critérios para os dois
transtornos são satisfeitos, podem ser dados ambos os diagnósticos.
Critérios Diagnósticos para F50.2 - 307.51 Bulimia Nervosa |
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A.
Episódios recorrentes de compulsão periódica. Um episódio de compulsão periódica é
caracterizado por ambos os seguintes aspectos: (1) ingestão, em um período limitado de
tempo (por ex., dentro de um período de 2 horas) de uma quantidade de alimentos
definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período similar
e sob circunstâncias similares (2) um sentimento de falta de controle sobre o
comportamento alimentar durante o episódio (por ex., um sentimento de incapacidade de
parar de comer ou de controlar o que ou quanto está comendo)
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B.
Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de
peso, como auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes, diuréticos, enemas ou
outros medicamentos, jejuns ou exercícios excessivos.
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C. A
compulsão periódica e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem, em média,
pelo menos duas vezes por semana, por 3 meses.
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D. A
auto-avaliação é indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo.
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E. O
distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de Anorexia Nervosa.
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Especificar
tipo:
Tipo Purgativo: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o indivíduo envolveu-se
regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso indevido de laxantes, diuréticos ou
enemas. Tipo Sem Purgação: durante o episódio atual de Bulimia Nervosa, o indivíduo
usou outros comportamentos compensatórios inadequados, tais como jejuns ou exercícios
excessivos, mas não se envolveu regularmente na auto-indução de vômitos ou no uso
indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.
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F50.9
- 307.50 Transtorno Alimentar Sem Outra Especificação |
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DSM.IV
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A categoria Transtorno Alimentar Sem Outra Especificação serve para transtornos da
alimentação que não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno Alimentar
específico. Exemplos: 1. Mulheres para as quais são satisfeitos todos os critérios para
Anorexia Nervosa, exceto que as menstruações são regulares. 2. São satisfeitos todos
os critérios para Anorexia Nervosa, exceto que, apesar de uma perda de peso
significativa, o peso atual do indivíduo está na faixa normal. 3. São satisfeitos todos
os critérios para Bulimia Nervosa, exceto que a compulsão periódica e os mecanismos
compensatórios inadequados ocorrem menos de duas vezes por semana ou por menos de 3
meses. 4. Uso regular de um comportamento compensatório inadequado por um indivíduo de
peso corporal normal, após consumir pequenas quantidades de alimento (por ex., vômito
auto-induzido após o consumo de dois biscoitos). 5. Mastigar e cuspir repetidamente, sem
engolir, grandes quantidades de alimentos. 6. Transtorno de compulsão periódica:
episódios recorrentes de compulsão periódica na ausência do uso regular de
comportamentos compensatórios inadequados, característico de Bulimia Nervosa. |