Projeto
e Relatório de Pesquisa
Noções Preliminares
O
projeto é uma das etapas componentes do processo
de elaboração, execução
e apresentação da pesquisa. Esta necessita
ser planejada com extremo rigor, caso contrário
o investidor, em determinada altura, encontrar-se-á
perdido num emaranhado de dados colhidos, sem saber
como dispor dos mesmos ou até desconhecendo seu
significado e importância.
Em
uma pesquisa, nada se faz ao acaso. Desde a escolha
do tema, fixação dos objetivos, determinação
da metodologia, coleta dos dados, sua análise
e interpretação para a elaboração
do relatório final, tudo é previsto no
projeto pesquisa. Este, portanto, deve responder às
clássicas questões: o quê? , por
quê? para quê e para quem?onde? como, com
quê, quanto e quando? quem? com quanto?
Entretanto,
antes de dirigir um projeto de pesquisa, alguns passos
devem ser dados. Em primeiro lugar, exigem-se estudos
preliminares que permitirão verificar o estado
da questão que se pretende desenvolver sob teórico
e de outros estudos e pesquisas já elaborados.
Tal esforço não será desperdiçado,
pois qualquer tema de pesquisa necessita de adequada
integração na teoria existente e a análise
do material já disponível será
incluída no sob o título de “revisão
da bibliografia”. A seguir, elabora-se um anteprojeto
de pesquisa, cuja finalidade é a integração
dos diferentes elementos em quadros teóricos
e aspectos metodológicos adequados, permitindo
também ampliar e especificar os quesitos do projeto,
a “definição dos termos”.
Finalmente, prepara-se o projeto definitivo, mais detalhado
e apresentando rigor e precisão metodológicos.
Estrutura
do Projeto
A)
Apresentação (quem?)
a) Capa
entidade
título ( e subtítulo, se houver)
coordenador (es)
local e data
b) Relação do Pessoal Técnico
entidade (nome, endereço, telefone)
coordenador(es) (nome, endereço, telefone)
pessoal técnico (cargo, endereço, telefone)
B)
Objetivo (para quê? para quem?)
a) Tema
b) Delimitação do Tema
especificação
limitação geográfica e temporal
c) Objetivo Geral
d) Objetivos Específicos
C) Justificativa (por quê ?)
D) Objeto (O quê?)
a) Problema
b) Hipótese Básica
c) Hipóteses Secundárias
d) Variáveis
e) Relação entre variáveis
E) Metodologia (como? com quê, onde?
quanto?)
a) Método de Abordagem
b) Métodos de Procedimento
c) Técnicas
descrição
como será aplicado
codificação
d) Delimitação do Universo (descrição
da população)
e) Tipo de Amostragem
caracterização
seleção
f) Tratamento Estatístico
modelo de experimento
nível de significância
variáveis controladas
medidas
testes de hipóteses
F) Embasamento Teórico (como?)
a) Teoria de Base
b) Revisão da Bibliografia
c) Definição dos Termos
d) Conceitos Operacionais e Indicadores
G) Cronograma (quando?)
H) Orçamento (com quanto?)
I) Instrumento(s) de Pesquisa (como?)
J) Bibliografia
Apresentação
A
apresentação do projeto de pesquisa, respondendo
à questão quem?, inicia-se com a capa,
onde são indicados os elementos essenciais à
compreensão do estudo que se pretende realizar,
sob os auspícios de quem ou para quem e ao conhecimento
do responsável pelo trabalho. O nome da entidade
(instituição, organização,
empresa, escola) pode corresponder àquela à
qual está de algum modo ligado o coordenador
e que oferece a pesquisa para ser financiada ou “comprada”
por pessoa(s) e/ou entidades, ou a que custeia a realização
da mesma.
O título,
acompanhado ou não por subtítulo, difere
do tema. Enquanto este último sofre um processo
de delimitação e especificação,
para toma-lo viável à realização
da pesquisa, o título sintetiza o conteúdo
da mesma.
Portanto,
o título de uma pesquisa não corresponde
ao tema, nem à delimitação do tema,
mas emana dos objetivos geral e específicos,
quase como uma “síntese” dos mesmos.
Pode comportar um subtítulo: neste caso, o título
será mais abrangente, ficando a caracterização
para o subtítulo.
Toda
pesquisa deve ter um responsável, que se denomina
coordenador. Em raros casos, mais de uma pessoa partilha
essa posição. O nome do coordenador deve
vir em destaque, e freqüentemente é o único
que aparece, seguido da indicação “coord.”,
quando uma pesquisa já realizada é publicada.
Portanto, seu âmbito de responsabilidade é
muito amplo.
O local
independe daquele em que se pretende coletar os dados.
Refere-se à cidade em que se encontra sediada
a entidade ou a equipe de pesquisa, tendo precedência
sobre a mesma o coordenador. A data refere-se apenas
ao ano em que o projeto é apresentado; é
supérflua a indicação do mês.
A primeira
página do projeto é dedicada à
relação do pessoal técnico. Inicia-se
com a repetição do nome da entidade, seguido
do endereço completo, incluindo o(s) telefone(s),
precedido(s) do prefixo da cidade para contatos pelo
sistema de DDD, quando necessário. O mesmo cuidado
deve ser seguido na indicação do endereço
do coordenador, que é o responsável direto
por contatos com entidades às quais ou à
qual o projeto é dirigido. A seguir, vem a relação
completa do pessoal técnico, discriminando os
cargos, seguidos do nome, endereço e telefone
de cada um. São dispensáveis os elementos
identificadores quando a equipe de pesquisadores de
campo for numerosa. Entretanto, se pertencerem a uma
entidade, por exemplo, alunos de uma escola, pode-se
indicar “alunos do... ano (diurno e/ou noturno)
da Faculdade...”.
Objetivo
A especificação
do objetivo de uma pesquisa responde às questões
para quê? e para quem? Apresenta:
TEMA
É
o assunto que se deseja provar ou desenvolver. Pode
surgir de uma dificuldade prática enfrentada
pelo coordenador, da sua curiosidade científica,
de desafios encontrados na leitura de outros trabalhos
ou da própria teoria. Pode ter sido sugerido
pela entidade responsável pela parte financeira,
portanto, “encomendado”, o que não
lhe tira o caráter científico, desde que
não se interfira no desenrolar da pesquisa; ou
se “encaixar” em temas muito amplos, determinados
por um entidade que se dispõe a financiar pesquisas
e que promove uma concorrência entre pesquisadores,
distribuindo a verba de que dispõe entre os que
apresentam os melhores projetos. Independente de sua
origem, o tema é, nessa fase, necessariamente
amplo, precisando bem o assunto geral sobre o qual se
deseja realizar a pesquisa.
DELIMITAÇÃO
DO TEMA
Dotado
necessariamente de um sujeito e de um objeto, o tema
passa por um processo de especificação,
tal como foi descrito no Capítulo 2, item 2.2.1.
O processo de delimitação do tema só
é dado por concluído quando se faz a limitação
geográfica e espacial do mesmo, com vistas na
realização da pesquisa. Muitas vezes as
verbas disponíveis determinam uma limitação
maior do que o desejado pelo coordenador, mas, se pretende
um trabalho científico, é preferível
o aprofundamento à extensão.
OBJETIVO GERAL
Está
ligado a uma visão global e abrangente do tema.
Relaciona-se com um conteúdo intrínseco,
quer dos fenômenos e eventos, quer das idéias
estudadas. Vincula-se diretamente à própria
significação da tese proposta pelo projeto.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
Apresentam
caráter mais concreto. Têm função
intermediária e instrumental, permitindo, de
uma lado, atingir o objetivo geral e, de outro, aplicar
este a situações particulares.
Justificativa
É
o único item do projeto que se apresenta respostas
à questão por quê? De suma importância,
geralmente é o elemento que contribui mais diretamente
na aceitação da pesquisa pela(s) pessoa(s)
ou entidade(s) que vai(ão) financia-la. Consiste
numa exposição sucinta, porém completa,
das razões de ordem teórica e dos motivos
de ordem prática que tornam importante a realização
da pesquisa. Deve enfatizar:
1. o
estágio em que se encontra a teoria respeitante
ao tema;
2. as contribuições teóricas que
a pesquisa pode trazer:
• confirmação geral
• confirmação na sociedade particular
em que se insere a pesquisa
• especificação para casos particulares
• clarificação da teoria
• resolução de pontos obscuros etc.
3. importância do tema do ponto de vista geral;
4. importância do tema para os casos particulares
em questão;
5. possibilidade de sugerir modificações
no âmbito da realidade abarcada pelo tema proposto.
6. Descoberta de soluções para casos gerais
e/ou particulares etc.
A justificativa difere
da revisão da bibliografia e, por este motivo,
não apresenta citações de outros
autores. Difere, também, da teoria de base, que
vai servir de elemento unificador entre o concreto da
pesquisa e o conhecimento teórico da ciência
na qual se insere. Portanto, quando se trata de analisar
as razões de ordem teórica ou se referir
ao estágio de desenvolvimento da teoria, não
se pretende explicitar o referencial teórico
que irá adotar, mas apenas ressaltar a importância
da pesquisa no campo da teoria.
Deduz-se,
dessas características, que ao conhecimento científico
do pesquisador soma-se parte de criatividade e capacidade
de convencer, para a redação da justificativa.
Objeto
Respondendo
à pergunta o quê?, o objeto da pesquisa
engloba:
PROBLEMA
A
formulação do problema prende-se ao tema
proposto: ela esclarece a dificuldade específica
com a qual se defronta e que se pretende resolver por
intermédio da pesquisa. Para ser cientificamente
válido, um problema deve passar pelo crivo das
seguintes questões:
• pode o problema ser enunciado em forma de pergunta?
• corresponde a interesses pessoais (capacidade),
sociais e científicos, isto é, de conteúdo
e metodológicos? Esses interesses estão
harmonizados?
• constitui-se o problema em questão científica,
ou seja, relacionam-se entre si pelo menos duas variáveis?
• pode ser objeto de investigação
sistemática, controlada e crítica?
• pode ser empiricamente verificado em suas conseqüências?
( Schrader, 1974:20).
HIPÓTESE BÁSICA
O
ponto básico do tema, individualizado e especificado
na formulação do problema, sendo uma dificuldade
sentida, compreendida e definida, necessita de uma resposta,
“provável, suposta e provisória”,
isto é, uma hipótese. A principal resposta
é denominada hipótese básica, podendo
ser complementada por outras, que recebem a denominação
de secundárias. Há diferentes formas de
hipóteses; entre elas:
• as que afirmam, em dada situação,
a presença ou ausência de certos fenômenos;
• as que referem à natureza ou características
de dados fenômenos, em uma situação
específica.
• as que apontam a existência ou não
de determinadas relações entre fenômenos;
• as que prevêem variação
concomitante, direta ou inversa, entre certos fenômenos
etc.
HIPÓTESES
SECUNDÁRIAS
São
afirmações (toda hipótese é
uma afirmação) complementares da básica,
podendo:
• abarcar em detalhes o que a hipótese
básica afirma em geral;
• englobar aspectos não especificados na
básica;
• indicar relações deduzidas da
primeira;
• decompor em pormenores a afirmação
geral;
• apontar outras relações possíveis
de serem encontradas etc.
VARIÁVEIS
Toda
hipótese é o enunciado geral de relação
entre, pelo menos, duas variáveis. Por sua vez,
variável é um conceito que contém
ou apresenta valores, tais como:quantidades, qualidades,
características, magnitudes, traços etc.,
sendo o conceito um objeto, processo, agente fenômeno,
problema etc.
Na
indicação das variáveis, deve-se
especificar se são independentes, dependentes,
moderadoras, antecedentes, intervenientes etc.
RELAÇÃO ENTRE VARIÁVEIS
Os
principais tipos de relação entre variáveis
são: simétrica, em que nenhuma das variáveis
exerce influência sobre a outra, quando então
pouco interesse tem para a ciência; recíproca
onde cada uma das variáveis é, alternadamente,
causa e efeito, exercendo contínuo efeito uma
sobre a outra, condição até certo
ponto freqüente em ciências sociais; assimétrica,
onde variável (independente) exerce efeito sobre
a outra (dependente). A relação assimétrica
é o cerne da análise nas ciências
sociais: deve-se sempre procurar pelo menos uma relação
assimétrica, mesmo que a maioria das hipóteses
prediga relações de reciprocidade. Em
outras palavras, deve-se buscar uma relação
causal entre vaiáveis independentes e dependentes,
que pode ser:
determinista – “se X (independente)
ocorre, sempre correrá Y (dependente)”;
suficiente – “a ocorrência
de X é suficiente, independente de qualquer outra
coisa, para a subseqüente de Y”;
coextensiva – “se X ocorre, então
ocorrerá Y”;
reversível – “se X ocorre,
então Y ocorrerá; e se Y ocorre, então
X ocorrerá”;
necessária – “se X ocorre,
e somente X, então ocorrerá Y”;
substituível – “se X ocorre,
então Y ocorre, mas se H ocorre, então
também Y ocorrerá”;
irreversível – “se X ocorre,
então Y ocorrerá, mas se Y ocorre, então
nenhuma ocorrência se produzirá”;
seqüencial – “ se X ocorre,
então ocorrerá mais tarde Y”;
contingente – “se X ocorre, então
ocorrerá Y somente se M estiver presente”;
probabilista ou estocástica – “dada
a ocorrência de X, então provavelmente
ocorrerá Y ( a mais comum das relações
em ciências sociais)”.
Metodologia
A
especificação da metodologia da pesquisa
é a que abrange maior número de itens,
pois responde, a um só tempo, às questões
como?, com quê?, onde?, quanto? Corresponde aos
seguintes componentes:
Método de Abordagem
A
maioria dos especialistas faz, hoje, uma distinção
entre método e métodos, por se situarem
em níveis claramente distintos, no que se refere
à inspiração filosófica,
ao seu grau de abstração, à sua
finalidade mais ou menos explicativa, à sua ação
nas etapas mais ou menos concretas da investigação
e ao momento em que se situam.
Partindo
do pressuposto dessa diferença, o método
se caracteriza por uma abordagem mais ampla, em nível
de abstração mais elevado, dos fenômenos
da natureza e da sociedade. É portanto, denominado
método de abordagem, que engloba:
• método indutivo – cuja aproximação
dos fenômenos caminha geralmente para planos cada
vez mais abrangentes, indo das constatações
mais particulares às leis e teorias (conexões
ascendente);
• método dedutivo – que, partindo
das teorias e leis, na maioria das vezes prediz a ocorrência
dos fenômenos particulares (conexão descendente);
• método hipotético-dedutivo –
que se inicia pela percepção de uma lacuna
nos conhecimentos acerca da qual formula hipótese
e, pelo processo de inferência dedutiva, testa
a predição da ocorrência de fenômenos
abrangidos pela hipótese;
• método dialético – que penetra
o mundo dos fenômenos através de sua ação
recíproca, da contradição inerente
ao fenômeno e da mudança dialética
que na natureza e na sociedade.
Métodos
de Procedimento
Constituem
etapas mais concretas da investigação,
com finalidade mais restrita em termos da explicação
geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem
uma atitude concreta em relação ao fenômeno
e estão limitadas a um domínio particular.
Nas ciências sociais, os principais métodos
de procedimento são:
• histórico
• comparativo
• monográfico ou estudo de caso
• estatístico
• tipológico
• funcionalista
• estruturalista
• etnográfico
Geralmente,
em uma pesquisa, ao lado do método de procedimento
estatístico, utiliza-se outro ou outros, que
deve ser assinalados.
Técnicas
São
consideradas um conjunto de preceitos ou processos de
que se serve uma ciência; são, também,
a habilidade para usar esses preceitos ou normas, na
obtenção de seus propósitos. Correspondem,
portanto, à parte prática de coleta de
dados. Apresentam duas grandes divisões: documentação
indireta, abrangendo a pesquisa documental e a bibliográfica
e documentação direta. Esta última
subdivide-se em:
- observação direta intensiva, com as
técnicas da:
• observação – utiliza os
sentidos na obtenção de determinados aspectos
da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir,
mas também em examinar fatos ou fenômenos
que se deseja estudar. Pode ser: Sistemática,
Assistemática; Participante, Não participante;
Individual, em Equipe; na Vida Real, em Laboratório;
• entrevista – é uma conversação
efetuada face a face, de maneira metódica; proporciona
ao entrevistador, verbalmente, a informação
necessária. Tipos: Padronizada ou Estruturada,
Despadronizada ou Não Estruturada, Painel.
- observação direta extensiva, apresentando
as técnicas:
• questionário – constituído
por uma série de perguntas que devem ser respondidas
por escrito e sem a presença do pesquisador;
• formulário – roteiro de perguntas
enunciadas pelo entrevistador e preenchidas por ele
com as respostas do pesquisado;
• medidas de opinião e de atitudes –
instrumento de “padronização”,
por meio do qual se pode assegurar a equivalência
de diferentes opiniões e atitudes, com a finalidade
de compará-las;
• testes – instrumentos utilizados com a
finalidade de obter dados que permitam medir o rendimento,
a freqüência, a capacidade ou a conduta de
indivíduos, de forma quantitativa;
• sociometria – técnica quantitativa
que procura explicar as relações pessoais
entre indivíduos de um grupo;
• análise de conteúdo – permite
a descrição sistemática, objetiva
e quantitativa do conteúdo da comunicação;
• história de vida – tenta obter
dados relativos à “experiência íntima”
de alguém que tenha significado importante para
o conhecimento do objeto em estudo;
• pesquisa de mercado – é a obtenção
de informações sobre o mercado, de maneira
organizada e sistemática, tendo em vista ajudar
o processo decisivo nas empresas, minimizando a margem
de erros.
Independentemente
da(s) técnica(s) escolhida(s), deve-se descrever
tanto a característica quanto a forma de sua
aplicação, indicando, inclusive, como
se pensa codificar e tabular os dados obtidos.
DELIMITAÇÃO
DO UNIVERSO (DESCRIÇÃO DA POPULAÇÃO)
Conceituando,
universo ou população é o conjunto
de seres animados ou inanimados que apresentam pelo
menos uma características em comum. Sendo N o
número total de elementos do universo ou população,
o mesmo pode ser representado pela letra latina maiúscula
X, tal que Xn = X1; X2; X3,...; Xn . A delimitação
do universo consiste em explicitar que pessoas ou coisas,
fenômenos etc. serão pesquisadas, enumerando
suas características comuns, como, por exemplo,
sexo, faixa etária, organização
a que pertencem, comunidade onde vivem etc.
TIPOS DE AMOSTRAGEM
Só
ocorre quando a pesquisa não é censitária,
isto é, não abrange a totalidade dos componentes
do universo, surgindo a necessidade de investigar apenas
uma parte dessa população. O problema
da amostragem é, portanto, escolher uma parte
(ou amostra), de tal forma que ela seja a mais representativa
possível do todo, e, a partir dos resultados
obtidos, relativos a essa parte. Pode inferir, o mais
legitimamente possível, os resultados da população
total, se esta fosse verificada. O conceito de amostra
é que a mesma constitui uma porção
ou parcela, convenientemente selecionada do universo
(população); é um subconjunto do
universo. Sendo n o número de elementos da amostra,
a mesma pode ser representada pela letra latina minúscula
x, tal que x = x1; x2; x3;...;xn onde Xn < XN e n
? N. Há duas grandes divisões no processo
de amostragem: a não probabilista e a probabilista.
A primeira, não fazendo uso de uma forma aleatória
de seleção, não pode ser objeto
de certos tipos de tratamento estatístico, o
que diminui a possibilidade de inferir para todo os
resultados obtidos para a amostra. É por este
motivo que a amostragem não-probabilista é
pouco utilizada. Apresenta os tipos: internacional,
por júris, por tipicidade e por quotas. A segunda
baseia-se na escolha aleatória dos pesquisados,
significando o aleatório que a seleção
se faz de forma que cada membro da população
tinha a mesma probabilidade de ser escolhido. Esta maneira
permite a utilização de tratamento estatístico,
que possibilita compensar erros amostrais e outros aspectos
relevantes para a representatividade e significância
da amostra. Divide-se em: aleatória simples,
sistemática, aleatória de múltiplo
estágio, por área, por conglomerados ou
grupos, de vários degraus ou estágios
múltiplos, de fases múltiplas (multifásica
ou em várias etapas), estratificada e amostra-tipo
(amostra principal, amostra a priori ou amostra-padrão).
Finalmente, se a pesquisa necessitar, podem-se selecionar
grupos rigorosamente iguais pela técnica de comparação
de freqüência e randomização.
Além
de caracterizar o tipo de amostragem utilizando, devem-se
descrever as etapas concretas de seleção
da amostra.
TRATAMENTO
ESTATÍSTICO
Os
dados colhidos pela pesquisa apresentar-se-ão
“em bruto”, necessitando da utilização
da estatística para seu arranjo, análise
e compreensão. Outra parte importante é
a tentativa de determinação da fidedignidade
dos dados, por intermédio do grau de certeza
que se pode ter acerca dos mesmos. A estatística
não é um fim em si mesma, mas instrumento
poderoso para a análise e interpretação
de um grande número de dados, cuja visão
global, pela complexidade, torna-se difícil.
Nesta etapa do projeto de pesquisa deve-se explicitar:
• se se pretende realizar um experimento, e de
que tipo. O pesquisador pode optar pelo método
da concordância positiva ou negativa; pelo método
da diferença ou plano clássico de prova,
ou uma de suas numerosas variantes como: projeto antes-depois,
projeto antes-depois com grupo de controle, projeto
quatro grupos-seis estudos, projeto depois somente com
grupo de controle, projeto ex post facto e projeto de
painel; pelo método conjunto de concordância
e diferença; pelo método dos resíduos;
e pelo método da variação concomitante;
• se se exercerá controle sobre determinadas
variáveis e quais. Variável de controle
é aquele fator, fenômeno ou propriedade
que o investigador neutraliza ou anula propositadamente
em uma pesquisa, com a finalidade de impedir que interfira
na análise da relação entre as
variáveis independente e dependente.
• qual o nível de significância que
se exigirá. Geralmente, para estudos exploratórios,
admite-se um nível de significância de
90%, calculando-se o erro das estimativas segundo as
freqüências amostrais. Qualquer manual de
estatística pode fornecer elementos para este
item;
• que medidas estatísticas utilizará.
As principais medidas da estatística descritiva
são:
- medidas de posição: média, mediana,
moda, quartis, pertencis etc.;
- medidas de dispersão: amplitude, desvio-padrão
etc.
- comparação de freqüências:
razão, proporção, percentagem,
taxas etc.;
- apresentação dos dados: série
estatística, tabelas ou quadros, gráficos
etc.
• que testes de hipóteses empregará.
Trata-se, aqui, de estatística inferencial. Os
mais importantes, para aplicação em pesquisas
sociais, são t de Student, para comparação
entre médias e x2 , para discernir diferenças
entre as proporções observadas.
Para
o aprofundamento do estudioso nos aspectos metodológicos
da pesquisa os livros Metodologia científica
e Técnicas de pesquisa, das mesmas autoras (Atlas,
1982). O primeiro apresenta, em detalhes e com exemplos,
métodos de abordagem, métodos de procedimento
e plano de prova (experimento). O segundo, as técnicas
de pesquisa, os processos e tipos de amostragem, estatísticas
descritiva e estatística inferencial.
Embasamento Teórico
Respondendo
ainda à questão como?, aparecem aqui os
elementos de fundamentação teórica
da pesquisa e, também, a definição
dos conceitos empregados.
Teoria
de Base
A
finalidade da pesquisa científica não
é apenas um relatório ou descrição
de fatos levantados empiricamente, mas o desenvolvimento
de um caráter interpretativo, no que se refere
aos dados obtidos. Para tal, é imprescindível
correlacionar a pesquisa com o universo teórico,
optando-se por um modelo teórico que sirva de
embasamento à interpretação do
significado dos dados e fatos colhidos ou levantados.
Todo
projeto de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos
teóricos sobre os quais o pesquisador (o coordenador
e os principais elementos de sua equipe) fundamentará
sua interpretação.
Pode-se
tornar como exemplo um estudo que correlaciona atitudes
individuais e grupais de autoridade e subordinação
na organização da empresa, tendo como
finalidade discernir comportamentos rotulados como de
“chefia” e “liderança”,
relacionando-os com a maior ou menor eficiência
no cumprimento dos objetivos da organização.
Uma das possíveis teorias que se aplicam às
atitudes dos componentes da empresa é a do tipo
de autoridade legítima, descrita por Weber.
Para
o autor, a autoridade tradicional fundamenta-se na crença
da “santidade” das tradições
e na legitimidade do status dos que derivam sua autoridade
da tradição; a autoridade em base racional,
legal, burocrática repousa na crença em
normas ou regras impessoais e no direito de comandar
dos indivíduos que adquirem autoridade à
“santidade” especifica e excepcional, ao
heroísmo, ou no caráter exemplar (sendo
o “exemplar” determinado pelas circunstâncias
e necessidades especificas do grupo) de um individuo
e nos modelos normativos por ele revelados ou determinados.
O modelo teórico da autoridade legítima
não exclui sistemas concretos de autoridade que
incorporam dois ou mais elementos por três tipos.
Revisão Bibliográfica
Pesquisa
alguma parte hoje da estaca zero. Mesmo que exploratória,
isto é, de avaliação de uma situação
concreta, em um dados local, alguém ou um grupo,
em lugar, já deve ter feito pesquisas iguais
ou semelhantes, ou mesmo complementares de certos aspectos
da pesquisa pretendida. Uma procura de tais fontes,
documentais ou bibliográficas, torna-se imprescindível
para a não-duplicação de esforços,
a não “descoberta” de idéias
já expressas, a não-inclusão de
“lugares-comuns” no trabalho.
A citação
das principais conclusões a que outros autores
chegaram permite salientar a contribuição
da pesquisa realizada, demonstrar contradições
ou reafirmar comportamentos e atitudes. Tanto a confirmação,
em dada comunidade, de resultados obtidos em outra sociedade
quanto a enumeração das discrepâncias
são de grande importância.
Definição dos
Termos
A
ciência lida com conceitos, isto é, termos
que sintetizam as coisas e os fenômenos perceptíveis
na natureza, no mundo psíquico do homem ou na
sociedade, de forma direta ou indireta. Para que se
possa esclarecer o fato ou fenômeno que se está
investigando e ter possibilidade de comunicá-lo,
de forma não ambígua, é necessário
defini-lo com precisão.
Termos
como temperatura, QI, classe social, precisam ser especificados
para a compreensão de todos: o que significa
“temperatura elevada”? Acima de 30º
C ou 100º C? A representação do QI
compreende os conceitos de capacidade mental, criatividade,
discernimento etc., portanto, devem ser esclarecidos.
E a classe social? Entende-se por ela a inserção
do individuo no sistema de produção ou
sua distribuição em camadas segundo a
renda? Até termos como “pessoa idosa”
requerem definição: a partir de que idade
o individuo é considerado “idoso”
para fins de pesquisa? 60,65,70 ou mais?
Outro
fato que deve ser levado em consideração
é que os conceitos podem ser significados diferentes
de acordo com o quadro de referência ou a ciência
que os emprega; por exemplo, “ cultura”
pode ser entendida como conhecimento literário
(popular), conjunto dos aspectos materiais, espirituais
e psicológicos que caracteriza um grupo (Sociologia
e Antropologia) e cultivo de bactérias (Biologia).
Além disso, uma mesma palavra, por exemplo, “função”,
pode ter vários significados dentro da própria
ciência que a utiliza. Dessa forma, a definição
dos termos esclarece e indica o emprego dos conceitos
a pesquisa.
Conceitos
Operacionais e Indicadores
A
especificação dos conceitos operacionais,
assim como dos indicadores do conceito, é uma
continuação da definição
dos termos, caráter mais concreto, respeitante
a um conjunto de “instruções”
para a manipulação ou observação
dos fatos ou fenômenos. Em outras palavras, a
definição operacional de um conceito ou
de um termo consiste na indicação das
operações necessárias para produzir,
medir, analisar etc. um fenômeno. Os indicadores
são as etapas concretas dessas operações.
Por
exemplo, falando de temperatura, especificamos que será
medida pela altura coluna de mercúrio de um termômetro
com uma escala de graus centígrados. Referindo-nos
ao QI, precisaremos todos os detalhes dos testes que
deverão “medir” a capacidade mental,
a criatividade, o discernimento etc. e que fatores tomaremos
como indicadores da pontuação obtida pelos
indivíduos nesses testes. Finalmente, em relação
à classe social, se na definição
dos termos optou-se pelo conceito de Max Weber, no conceito
operacional especifica-se que as mesmas se diferenciam
pelo tipo de propriedade (posses), pelo modo de aquisição
e pela situação geral (social, política,
cultura etc.), sendo que, em relação aos
indicadores, determina-se o uso de pontuação
baseada em renda: renda, escolaridade, profissão,
itens de conforto doméstico, posse de carro etc.
Portanto, os indicadores são os fatores que serão
medidos, com suas pontuações especificadas,
indicando o número mínimo e/ou máximo
de pontos para cada classe, de acordo com as diferenças
que devem apresentar, segundo nosso conceito operacional.
É evidente que a classificação
dos indivíduos, segundo as classes, terá
outros indicadores, fundamentados em outro conceito
operacional, se, na definição de termos,
a opção tivesse sido pelo conceito de
classe de Marx, por exemplo.
A definição
dos termos, assim como a especificação
dos conceitos operacionais e dos indicadores, é
uma tarefa que permeia todo o desenvolvimento do projeto
de pesquisa, desde os estudos preliminares até
a construção dos instrumentos de pesquisa.
Muitas vezes, depois de elaborado um questionário
ou formulário, há necessidade de definir
conceitos, termos indicadores e utilizados no mesmo.
Cronograma
A
elaboração do cronograma responde à
pergunta quando? A pesquisa deve ser dividida em partes,
fazendo-se previsão do tempo necessário
para passar de uma fase a outra. Não esquecer
que, se determinadas partes podem ser executadas simultaneamente,
pelos vários membros da equipe, existem outras
que dependem das anteriores, como é o caso da
análise e interpretação, cuja realização
depende da codificação e tabulação,
só possíveis depois de colhidos os dados.
Orçamento
Respondendo
à questão com quanto?, o orçamento
distribui os gastos por vários itens, que devem
necessariamente ser separados, Inclui:
pessoal:
do coordenador aos pesquisadores de campo, todos os
elementos devem ter computadores os seus ganhos, quer
globais, mensais, semanais ou por hora/atividade, incluindo
os programadores de computador;
material,
subdividido em:
• elementos consumidos no processo de realização
da pesquisa, como papel, canetas, lápis, cartões
ou plaquetas de identificação dos pesquisadores
de campo, hora/computador, datilografia, xerox, encadernação
etc.;
• elementos permanentes, cuja posse pode retornar
à entidade financiadora, ou serem alugados, como
máquinas de escrever, calculadoras etc.
Instrumento(s) de Pesquisa
Ainda
indicando como a pesquisa será realizada, devem-se
anexar ao projeto os instrumentos referentes às
técnicas selecionadas para a coleta de dados.
Desde os tópicos da entrevista, passando pelo
questionário e formulário, até
os testes ou escalas de medida de opiniões e
atitudes, a apresentação dos instrumentos
de pesquisa deve ser feita, dispensando-se tal quesito
apenas no caso em que a técnica escolhida for
a de observação.
Bibliografia
A
bibliografia final, apresentada no projeto de pesquisa,
abrange os livros, artigos, publicações
e documentos utilizados, nas diferentes fases:
• metodologia da pesquisa
• instrumental teórico
• revisão da bibliografia
Outra
importante finalidade da pesquisa-piloto é verificar
a adequação do tipo de amostragem escolhido.
O pré-teste é sempre aplicado para uma
amostra reduzida, cujo processo de seleção
é idêntico ao previsto para a execução
da pesquisa, mas os elementos entrevistados não
poderão figurar na amostra final (para evitar
“contaminação”). Muitas vezes
descobre-se que a seleção é por
demais onerosa ou “viciada”. Em suma, inadequada,
necessitando ser modificada. A aplicação
da pesquisa-piloto é também um bom teste
para os pesquisadores.
Finalmente,
o pré-teste permite também a obtenção
de uma estimativa sobre os futuros resultados, podendo,
inclusive, alterar hipóteses, modificar variáveis
e a relação entre elas. Dessa forma, haverá
maior segurança e precisão para a execução
da pesquisa.
Estrutura
do Relatório
Após
a coleta de dados, sua codificação e tabulação,
tratamento estatístico, análise e interpretação,
os resultados estão prontos para ser redigidos:
é o relatório de pesquisa. Este compreende
as seguintes partes:
A)
Apresentação
a) Capa
entidade
título (e subtítulo, se houver)
coordenador(es)
local e data
b) Página de Rosto
entidade
título (e subtítulo, se houver)
coordenador(es)
equipe técnica
local e data
B) Sinopse (abstract)
C) Sumário
D) Introdução
a) Objetivo
tema
delimitação do tema
objetivo geral
objetivos específicos
b) Justificativa
c) Objeto
problema
hipótese básica
hipóteses secundárias
variáveis
relação entre variáveis
E) Revisão da Bibliografia
F) Metodologia
a) Método de Abordagem
b) Métodos de Procedimento
c) Técnicas
d) Delimitação do Universo
e) Tipo de Amostragem
f) Tratamento Estatístico
G)
Embasamento Teórico
a)Teoria de Base
b) Definição dos Termos
c)Conceitos Operacionais e Indicadores
H) Apresentação dos Dados e sua
Análise (dividido em capítulos)
I) Interpretação dos Resultados (dividido
em capítulos)
J) Conclusões
K) Recomendações e Sugestões
L) Apêndices
a) Tabelas
b) Quadros
c) Gráficos
d) Outras Ilustrações
e) Instrumento(s) de Pesquisa
M) Anexos
N) Bibliografia
Apresentação
Poucas
diferenças há entre a apresentação
do projeto e a do relatório. Apenas a folha com
a relação do pessoal técnico é
substituída pela página de rosto, que
repete os dizeres da capa, acrescentando somente ao
nome do coordenador, em seqüência, os nomes
e respectivos cargos da equipe técnica.
Sinopse
(Abstract)
Consiste
num resumo de, no máximo, uma página do
conteúdo do relatório. Não é
uma relação de partes ou capítulos,
nem a enumeração das conclusões,
e sim a natureza da pesquisa realizada. Deve ser redigida
por último.
Sumário
Relação
das partes, capítulos, itens e subitens do trabalho,
com a respectiva indicação do número
de páginas iniciais.
Introdução
A
introdução abrange três itens do
relatório: Objetivo, Justificativa e Objeto,
incorporando as modificações realizadas
depois de aplicada a pesquisa-piloto.
Revisão
Bibliográfica
Igual
à do projeto, com os acréscimos de novas
obras ou trabalhos que tenham chegado ao conhecimento
da equipe, já que a pesquisa bibliográfica
não se encerra com a elaboração
do projeto.
Metodologia
Igual
à do projeto, exceto as alterações
determinadas pelo pré-teste.
Embasamento Teórico
O
que não foi alterado pela pesquisa-piloto deve
ser repetido na relatório.
Apresentação
dos Dados e sua Análise
A
quantidade e a natureza dos dados a serem apresentados
irão determinar a divisão dessa parte
em capítulos, tanto no que se refere ao número
quanto à extensão dos mesmos. A ordem
da divisão deve estar relacionada com a colocação
das hipóteses, isto é, das sucessivas
afirmações nelas contidas.
Os
dados serão apresentados de acordo com a sua
análise estatística, incorporando no texto
apenas as tabelas, os quadros, os gráficos e
outras ilustrações estritamente necessárias
à compreensão do desenrolar do raciocínio;
os demais deverão vir em apêndice.
É
importante lembrar que a função de um
relatório não é aliciar o leitor,
mas demonstrar as evidências a que se chegou através
da pesquisa. Portanto, na seleção do material
ser apresentado (e terá de haver uma seleção),
o pesquisador não pode ser dirigido pelo desejo
natural de ver confirmadas suas previsões à
custa de dados que as refutam. Todos os dados pertinentes
e significativos devem ser apresentados, e se algum
resultado for inconclusivo tem de ser apontado.
As
relações entre os dados obtidos constituem
o cerne dessa parte do relatório; aqui são
oferecidas evidências à verificação
das hipóteses, que se processa no item seguinte.
Interpretação
dos resultados
Corresponde
à parte mais importante do relatório.
É aqui são traduzidos os resultados, agora
sob forma de evidências para a confirmação
ou a refutação das hipóteses. Estas
se dão segundo a relevância dos dados,
demonstrados na parte anterior. Quando os dados são
irrelevantes, inconclusivos, insuficientes, não
se pode nem confirmar nem refutar a hipótese,
e tal fato deve ser apontado agora não apenas
sob ângulo da análise estatística,
mas também correlacionado com a hipótese
enunciada.
Novamente
aconselha-se a divisão em capítulos, segundo
o conteúdo das diferentes hipóteses, indo
da mais geral (básica) às particulares
ou vice-versa.
É
necessário assinalar:
•
as discrepâncias entre os fatos obtidos e os previstos
nas hipóteses;
• a comprovação ou a refutação
da hipótese, ou, ainda, a impossibilidade de
realiza-la;
• especificação da maneira pela
qual foi feita a validação das hipóteses
na que concerne aos dados;
• qual é o valor da generalização
dos resultados para o universo, no que se fere aos objetivos
determinados;
• maneiras pelas quais se pode maximizar o grau
de verdade das generalizações;
• a medida em que a convalidação
empírica permite atingir o estágio de
enunciado de leis;
• como as provas obtidas mantêm a sustentabilidade
da teoria, determinam sua limitação ou,
até, a sua rejeição.
Conclusões
A
apresentação e a análise dos dados,
assim como a interpretação dos resultados,
encaminham naturalmente às conclusões.
Estas devem:
• evidenciar as conquistas alcançadas com
o estudo;
• indicar as limitações e as reconsiderações;
• apontar a relação entre os fatos
verificados e a teoria;
• representar “a súmula em que os
argumentos, conceitos, fatos, hipóteses, teorias,
modelos se unem e se completam” (Trujilo Ferrari,
1982:295).
A
maneira de redigir as conclusões deve ser precisa
e categórica, sendo as mesmas pertinentes e ligadas
às diferentes partes do trabalho. Dessa forma,
não podem perder-se em argumentações,
mas, ao contrário, têm de refletir a relação
entre os dados obtidos e as hipóteses enunciadas.
Recomendações
e Sugestões
As
recomendações consistem em indicações,
de ordem prática, de intervenções
na natureza ou na sociedade, de acordo com as conclusões
da pesquisa.
Por
sua vez, as sugestões são importantes
para o desenvolvimento da ciência: apresentam
novas temáticas de pesquisa, inclusive levantando
novas hipóteses, abrindo a outros pesquisadores.
Apêndices
Apresentando
tabelas, quadros, gráficos e outras ilustrações
que não figuram no texto; assim como o(s) instrumento(s)
de pesquisa, o apêndice é composto de material
trabalhado pelo próprio pesquisador.
Anexos
Constituídos
de elementos esclarecedores de outra autoria, devem
ser limitados, incluindo apenas o estritamente necessário
à compreensão de partes do relatório.
Bibliografia
Inclui
todos os obras já apresentadas no projeto, acrescidas
das que foram sendo sucessivamente utilizadas durante
a execução da pesquisa e a redação
do relatório.
LITERATURA
RECOMENDADA
ANDER-EGG,
Ezequiel. Instroducción a las técnicas
de investigación social: para trabajadores sociales.
7 ed. Buenos Aires: Humanitas, 1978. Segunda Pate, Capítulos
6, e Quarta Parte, Capítulo 26.
CASTRO, Cláudio de Moura. Estrutura e
apresentação de publicações
científicas. São Paulo: McGraw-Hill
do Grasil, 1978a. Capítulos 1,2 e 3.
.A
prática da pesquisa. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, 1978b. Capítulos 1,2 e
3.
GOODE, William J., HATT, Paul K. Métodos
em pesquisa social. 2 ed. São Paulo:
Nacional, 1968. Capítulo 21.
HIRANO, Sedi. (Org.). Pesquisa social: projeto
e planejamento. São Paulo: T. A. Queiroz,
1979. Primeira Parte, Capítulo 3.
MARINHO, Pedro. A pesquisa em ciências
humanas. Petrópolis: Vozes, 1980. Capítulo
2.
REHFELDT, Gládis Knak. Monográfia
e tese: guia prático. Porto Alegre:
Sulina, 1980. Segunda Parte, Capítulos 11 e 13.
RUDIO, Franz Victor. Introdução
ao projeto de pesquisa científica. 3,
ed Petrópolis: Vozes, 1980. Capítulos
4 e 8.
RUMMEL, J. Francis. Introdução
aos procedimentos de pesquisa em educação.
3 ed. Porto Alegre: Globo, 1977.
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma
monografia: elementos de metodologia do trabalho científico.
3 ed. Belo Horizonte: Interlivros, 1972. Segunda Parte,
Capítulo 4.
SCHRADER, Achim. Introdução à
pesquisa social empírica: um guia para o planejamento,
a execução e a avaliação
de projetos de pesquisa não experimentais.
Porto Alegre: Globo, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, 1974. Capítulos 2 a 15.
SELLTIZ, C. et al. Métodos de pesquisa
nas relações sociais. 2 ed. São
Paulo: Herder, Edusp,1967. Capítulos 2,3,12 a
14.
SIQUEIRA, L. Mesquita. Pesquisa bibliográfica
em tecnologia. São José dos Campos:
ITA, 1969. (mimeogr.). Capítulo 15.
TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da pesquisa
científica. São Paulo: McGraw-Hill
do Brasil, 1982. Capítulo 10.
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