Todo
ano ocorrem milhares de casos fatais de glioblastoma,
tumor maligno que acomete o cérebro: em algum
lugar do tecido de sustentação cerebral
(neuroglia) as células gliais começam
a se dividir descontroladamente. Contra esse tipo de
câncer os médicos são impotentes,
e suas causas permanecem desconhecidas.
Muitos pesquisadores seguiram a pista das células-tronco
que ativavam células pré-cancerígenas.
O vilão da historia, na verdade, trouxe a cura,
como descobriram cientistas do Centro Max-Delbrück
para Medicina Molecular de Berlim. O grupo, organizado
por Rainer Glass, implantou células neurológicas
precursoras - uma variante de célula-tronco do
tecido nervoso - no cérebro de ratos de laboratório
portadores de tumor.
Essas células migraram rapidamente para o tecido
canceroso e impediram seu crescimento. Não se
sabe ainda quais substâncias inibidoras foram
liberadas contra o tumor, tampouco qual mecanismo freia
seu crescimento. Também se percebeu que a defesa
contra o câncer funciona melhor no cérebro
de ratos jovens que no de animais mais velhos. Possivelmente,
a chance de uma autocura celular também diminua
nos homens com o avançar da idade, já
que os mais perigosos tipos de glioblastoma acometem
majoritariamente pessoas com mais de 50 anos.
(Journal
of Neuroscience 25(10), 2005, S. 2637;
DOI:10.1523/
JNEUROSCI. 5118-04.2005)
|