| Breve
Discurso sobre Valores, Moral, Eticidade e Ética
Revista
Bioética Vol.2 n°1- 1994
*
Claudio Cohen
** Marco Segre
*
Professor Assistente Doutor, Departamento de Medicina
Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho(FMUSP),
São Paulo - SP.
** Professor Titular, Departamento de Medicina Legal,
Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho, Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São
Paulo - SP
| Os
autores propõem uma conceituação de moral,
eticidade e ética. Trata-se, segundo eles,de
conceitos diferentes, que procuram caracterizar,
utilizando para isso, também, a doutrina psicanalítica.
Basicamente, colocam a eticidade como a condição
do ser humano de poder vir a ser ético, e
a ética como algo que emerge das emoções e
da razão de cada pessoa, tendo-se como pressuposto
a autonomia na escolha do posicionamento no
percurso que unido coração à razão. Já a moral
é encarada como um conjunto de direitos e
de deveres, impostos durante a estruturação
da personalidade, com relação a cada um dos
quais, aparentemente,a pessoa não tem condições
de opção e, portanto, de autonomia. Valendo-se
da teoria psicanalítica, os autores definam
a moral como superegóica, trazendo em seu
bojo a marca da proibição, comparável à de
um
código, e do conseqüente castigo. A ética,
por sua vez, resulta do amadurecimento do
ego, autônomo, mas num enfoque mais abrangente
do que o kantiano, lesando em conta também
as emoções (fundamento das crenças).
Concluem o trabalho enfatizando dever passar,
a ética, basicamente, pelo RESPEITO AO SER
HUMANO,após terem feito considerações sobre
o fato de quanto mais desenvolvido for o sentir
ético dos membros de uma sociedade, menos
ela necessitará de uma codificação repressiva,
e, portanto, moralista.
UNITERMOS
- Ética, moral, juízo de valores. |
Introdução
Propomos,
no presente trabalho, uma revisão dos conceitos de valores,
moral e ética, apenas aparentemente cristalinos para
cada um de nós.
Consideramos
que esses termos são frequentemente utilizados, carecendo
de maior precisão quanto ao seu significado.
A
pessoa não nasce ética; sua estruturação ética vai correndo
juntamente com o seu desenvolvimento. De outra forma,
a humanização traz a ética no seu bojo.
Muitos
crêem que a eticidade, ou condição de vir a ser ético,
significa apenas a competência para ouvir o que o coração
diz. Acreditamos que essa seja apenas uma característica
de sensibilidade emocional, reservando-se o ser ético
para os que tiveram a capacidade de percepção dos conflitos
entre o que o coração diz e o que a cabeça pensa, podendo-se
percorrer o caminho entre a emoção e a razão posicionando-se
na parte desse percurso que se considere mais adequada.
Podemos
avaliar esse conflito a partir da ótica proposta por
Clande Lévi-Strauss, que alega ser o homem um ser biológico
(isto é, produto da natureza) e ao mesmo tempo um ser
social (isto é, produto da cultura), resultando portanto
um ser ambíguo, produto da natureza e da cultura. Portanto,
ele está sujeito às leis naturais e culturais (1), que
muitas vezes são conflitantes, como por exemplo no caso
dos desejos incestuosos (natural) e da sua proibição
(cultural).
Para
exemplificar essa passagem do ser biológico para o psicossocial
podemos observar a instituição familiar. O ser humano
não nasce com o conceito de família (2), pois esta implica
em um modelo de significação e organização desse parentesco
não obrigatoriamente natural, tendo portanto característica
cultural (ainda que esteja apoiado no modelo biológico,
como ocorre quando o pai biológico é também o pai social).
Sabemos que a descoberta da paternidade, estruturante
do nosso modelo atual de família, é um dado que se funda
na observação, pois a descoberta da relação entre sexo
e procriação não é um dado imediato da consciência.
Da
mesma maneira que não se nasce com a consciência do
significado de família, o mesmo ocorre com os conceitos
de valores, de moral e de ética, sendo eles introjetados
a partir da experiência de vida.
Muitas
vezes, pela sua proximidade, esses conceitos são confundidos,
outras vezes eles se fundem. Tentaremos mostrar, aqui,
como na realidade eles são distintos, trazendo à tona
algumas de suas diferenças, citando exemplos que nos
pareçam demonstrativos.
1)
0 conceito capitalista de que tempo é dinheiro reduz
a vida a um valor, podendo-se chegar à noção de quanto
custa uma vida, o que pode ser de enorme interesse para
a medicina securitário, carecendo, entretanto, freqüentemente,
de um enfoque ético.
2)
0 movimento hippie, que tinha como lema paz e amor,
aproximou-se de uma ética universal. Esse movimento
foi, porém, inviável na vida prática: muitos de seus
membros foram presas durante a guerra dos Estados Unidos
com o Vietnã por terem se negado a participar dos combates,
passando a ser considerados como desrespeitadores da
moral americana daquele momento; eles foram entretanto
coerentes com os próprios princí0pios.
Quem
sabe, no mito Robin Hood, possamos observar um modelo
dessa coerência, mas não de moral, sendo ele porém bastante
aceito socialmente, pois o herói roubava dos ricos para
dar aos pobres.
3)
Um monge franciscano faz voto de pobreza, e dedica toda
sua vida ao próximo; socorre seus semelhantes com abnegação
e realiza um grande número de conversões ao cristianismo.
Existe crença nessa postura (servir a Deus e ao próximo),
embora a situação de obediência e servidão contrarie
o que denominamos autonomia. O caráter ético desse posicionamento
é questionável, conforme se verá mais adiante, podendo-se
pelo menos insinuar a situação de uma renúncia autônoma
à autonomia.
4)
0 pastor Jimmy Swaggart, que pregava aos seus fiéis
os princípios da moral cristã, foi encontrado em um
motel com uma prostituta: desta pessoa podemos dizer
ter sido extremamente moralista, mas nada coerente com
os seus alegados princípios.
Valor
Etimologicamente
valor provém do latim valere, ou seja, que tem valor,
custo. As palavras desvalorização, inválido, valente
ou válido têm a mesma origem.
O
conceito de, valor freqüentemente está vinculado à noção
de preferência ou de seleção. Não devemos, porém, considerar
que alguma coisa tem valor apenas porque foi escolhida
ou é preferível, podendo ela ter sido escolhida ou preferida
por algum motivo específico.
Rokeach
(3) define valor como uma crença duradoura em um modelo
específico de conduta ou estado de existência, que é
pessoalmente ou socialmente adotado, e que está embasado
em uma conduta preexistente. Os valores podem expressar
os sentimentos e o propósito de nossas vidas, tornando-se
muitas vezes a base de nossas lutas e dos nossos compromissos.
Para esse autor, a cultura, a sociedade e a personalidade
antecedem os nossos valores e as nossas atitudes, sendo
nosso comportamento a sua maior conseqüência.
Como
exemplos de valores culturais, cite-se o fato de ser
o dinheiro, para os americanos, o maior valor, que tem
seu equivalente na cultura para os europeus, e na honra
para os orientas. Exemplos de valores individuais são
a escolha profissional, a opção pela autonomia ou pelo
paternalismo, e, como exemplo de valores universais,
registrem-se a religião, o crime, a proibição ao incesto
etc.
Moral
Para
Barton e Barton (4) o estudo da filosofia moral consiste
em questionar-se o que é correto ou incorreto, o que
é uma virtude ou uma maldade nas condutas humanas. A
moralidade é um sistema de valores do qual resultam
normas que são consideradas corretas por uma determinada
sociedade, como, por exemplo, os Dez Mandamentos, os
Códigos Civil e Penal etc.
A
lei moral ou os seus códigos caracterizam-se (2) por
uma ou mais normas, que usualmente têm por finalidade
ordenar um conjunto de direitos ou deveres do indivíduo
e da sociedade. Para que sejam exeqüíveis, porém, torna-se
necessário que uma autoridade (Deus, Juiz, Superego)
as imponha, sendo que, em caso de desobediência, esta
autoridade terá o direito de castigar o infrator. Gert
(5) propõe cinco normas básicas de moral:
1)
Não matar
2)
Não causar dor
3)
Não inabilitar
4)
Não privar da liberdade ou de oportunidades
5)
Não privar do prazer.
Assim
como ocorre com todos os códigos de moral, as proibições
vêm sempre precedidas de um não, ficando implícito que
todos possuem esses desejos, e que eles devem ser reprimidos,
caso contrário haverá castigo.
Novamente
tentando relacionar a idéia de moral com um conceito
psicanalítico, poderíamos comparála (a moral) como Superego.
Para
Laplanche e Portails (é) o Superego é uma das instâncias
da personalidade e tem uma função comparável a de um
Juiz ou censor em relação ao Ego. O Superego é o herdeiro
do complexo de Edipo, sendo que ele se forma por meio
de introjeção das exigências e das proibições paternas.
Freud fez questão de salientar que o Superego é composto
essencialmente pelas representações de palavras, sendo
que os seus conteúdos provam das percepções auditivas,
das normas, das ordens e das leituras, ou seja, do mundo
externo ao indivíduo.
A
moral pressupõe três características: 1) seus valores
não são questionados; 2) eles são impostos; 3) a desobediência
às regras pressupõe um castigo.
Numa
abordagem psicanalítica, podemos afirmar, hierarquizando
as pulsões, que a religião é a pulsão que mais se afasta
do desejo humano de liberdade "ao perturbar o livre
jogo de eleição e adaptação, ao impor a todos um igual
caminho único para alcançar a felicidade e evitar o
sofrimento, reduzindo a vida a um único valor (Deus)
deformando intencionalmente a imagem do mundo real e
estimulando o mundo de fantasias catastróficas, medidas
que têm como condição prévia a intimidação da inteligência
e levando a que só reste o sofrimento, a submissão incondicional
como último consolo e fonte de gozo"(7). Portanto,
a ÉTICA que desejamos conceituar não pode ser religiosa,
ou moralista, se a quisermos autônoma.
Igualmente,
a ciência é muitas vezes usada para justificar um posicionamento
moralista, atribuindo-se-lhe um valor inquestionável.
Tome-se como exemplo a certeza científica de que o início
da vida ocorre no instante da união do gamela masculino
com o feminino,"racionalizando-se uma crença",
quando, na verdade, a ciência apenas demonstra que nesse
momento misturam-se os DNAs (lembrar que o cristianismo
já considerou o início da vida - animação do embrião
- 40 dias após a fecundação, para o homem, e 80 dias
para a mulher).
Ética
Para
Barton e Barton (4) a ética está representada por um
conjunto de normas que regulamentam o comportamento
de um grupo particular de pessoas, como, por exemplo,
advogados, médicos, psicólogos, psicanalistas etc. Pois
é comum que esses grupos tenham o seu próprio código
de ética, normatizando suas ações espeíficas.
Nesta
interpretação da ética, ela não se diferencia em nada
da moral, com a exceção de que a ética serviria de norma
para um grupo determinado de pessoas, enquanto que a
moral seria mais geral, representando a cultura de uma
nação, uma religião ou época. Não nos associamos a esse
enfoque.
nossa
compreensão de ÉTICA é a seguinte:
Conforme
já dissemos, a eticidade está na percepção dos conflitos
da vida psíquica (emoção x razão) e na condição, que
podemos adquirir, de nos posicionarmos, de forma coerente,
face a esses conflitos. Consideramos, portanto, que
a ética se fundamenta em três pré-requisitos: 1) percepção
dos conflitos (consciência); 2) autonomia (condição
de posicionar-se entre a emoção e a razão, sendo que
essa escolha de posição é ativa e autônoma); e 3) coerência.
Assim,
fica caracterizado o nosso conceito de ética, reservando-se
o termo eticidade para a aptidão de exercer a função
ética.
Kant
estabeleceu como pressuposto de sua moral a condição
de livre escolha, fundamentando essa escolha na razão.
Mas a razão também é um pressuposto, passível de avaliação
de fora. O que é razoável (ou racional) para uns pode
não ser para outros. Entendemos que nossa conceituação
de ética, que não se atém apenas à racionalidade, é
mais dinâmica e abrangente do que a kantiana.
Admitimos,
entretanto, que, mesmo pretendendo pluralizar ao máximo
o conceito de ética, distinguindo-o do de moral, não
há como estabelecê-lo sem amarrá-lo a alguns valores
preestabelecidos.
Fica
então claro que o nosso conceito de ÉTICA está vinculado
a: 1) percepção dos conflitos; 2) autonomia; e 3) coerência.
Torna-se evidente, por exemplo, que, para nós, a postura
religiosa não é autônoma, pois ela não se embasa nesses
pré-requisitos, sendo na prática equivalente a um posicionamento
moralista.
Entretanto,
coerentemente com o enfoque dado mais acima à moral
e à religião, mas, em função do pluralismo necessário
para a aceitação de toda crença que não seja a nossa
(8), haveremos de considerar autônomo também aquele
que aparentemente opta pela obediência a determinadas
regras, não lhe negando (a esse indivíduo) a condição
de eticidade (situação do terceiro exemplo, por nós
citado em capítulo anterior).
trabalhar.
Freqüentemente, as pessoas encarregadas da elaboração
dos códigos são extremamente moralistas, podendo, ainda,
os códigos passarem a ser utilizados apenas para o exercício
do poder institucional. Por outro lado, não é a punição
normalmente prevista para os infratores desses códigos
que modificará o indivíduo e o transformará em um ser
ético: provavelmente ele não voltará a infringir o código
por temor, não se tratando de experiência de um aprendizado
ético. À nosso ver, o que mais se aproxima de um "Código
de Ética" é a Declaração Universal dos Direitos
do Homem.
Entendemos
que um indivíduo se tornará ético quando puder compreender
e interpretar o código de ética, além de atuar de acordo
com os princípios por ele propostas. Caberá, entretanto,
também ao indivíduo a possibilidade de discordar do
posicionamento ético, devendo responsabilizar-se frente
ao Conselho, justificando uma atuação diferente da proposta
pelo código.
É
justamente esse tipo de exercício que propiciará modificações
nos códigos, não obstaculizando a evolução da sociedade.
E a resolução do conflito ético permitindo o desenvolvimento.
Portanto,
para ser ético não basta Ter-se o conhecimento do código
de ética, pois a pessoa poderá atuar apenas de um modo
moralista; são necessárias a assimilação e o amadurecimento
de certos conceitos do que é ser um "ser humano",
para que a pessoa evolua e se humanize.
Somente
os indivíduos que elaboraram a proibição da atuação
dos desejos edípicos, ou seja, aqueles que introjetaram
o "não" como um ordenador mental (afetivo-cognitivo),
podem estruturar o seu superego e desenvolver o seu
ego. Por esse motivo, o seu ego, agora mais desenvolvido,
poderá obter satisfações mais eficientes para suas necessidades,
como também ter uma noção mais realista de suas fronteiras
(noção de limites).
Gaylin
(citado em 4) avalia que o interesse na ética se desenvolve
quando não estamos seguros de qual a direção correta
a ser seguida. Por esse motivo, quando os valores estão
em conflito, existe uma necessidade de esclarecimento
dos enfoques opostos, pois pode haver mais de uma resposta
adequada para a mesma situação.
Como
exemplo, poderíamos analisar a questão da operação para
a mudança de sexo de um transsexual.
Algumas
pessoas valorizam o pênis como a questão central da
sexualidade, outras valorizam a representação mental
que o indivíduo tem sobre a sua sexualidade, e outras
ainda podem enfatizar a questão da autonomia do ser
humano, sobrevindo então enormes conflitos éticos quanto
à atuação do médico no que tange ao tratamento cirúrgico
desses indivíduos. Na primeira hipótese, a presença
de um pênis caracteriza indelevelmente a sexualidade
masculina, excluindo-se todo tipo de intervenção (conduta
paternalista). Nas outras hipóteses, já levando-se em
conta o subjetivismo do paciente, a cirurgia seria,
respectivamente, indicada ou aceita (autonomia).
Esse
tipo de problema, trazido para uma abordagem ética,
mostrando-se um leque enorme de respostas, vem corroborar
as diferenças, já mencionadas, entre moral e ética,
pois a moral apenas indica como deveríamos agir, apresentando-nos
uma direção aprioristicamente tomada.
Sob
outro ângulo, podemos avaliar a situação de termos uma
norma moral muito arraigada, como por exemplo a de não
matar. Pode sobrevir um conflito ético quando estivermos
frente a um indivíduo com morte cerebral, trazendo dúvidas
quanto à nossa atuação, desligando, ou não, os equipamentos
que o estão assistindo. Conflito semelhante pode surgir
frente às questões de suicídio assistido ou de suicídio.
Por
outro lado, quando nos deixamos levar por nossas pulsões,
também surgem problemas éticos; por exemplo, quando
nos sentimos atraídos sexualmente por uma paciente e
temos necessidade de atuar nesse desejo. Qual será a
atitude ética correta: reprimir esses desejos e prosseguir
o tratamento; reprimir o desejo mas encaminhar a paciente
para um colega; ou, então, atuar nesse desejo? A questão
não se resume exclusivamente ao desejo sexual, ela também
ocorre quando sentimos medo de um paciente, ou quando
não nos sentimos confortáveis para tratar alguém, ou
ainda, quando temos raiva de uma pessoa a quem estamos
prestando assistência.
Face
a todas as reflexões, que são poucas diante da complexa
problemática da eticidade, cremos que o princípio fundamental
da ética deva passar basicamente pelo RESPEITO AO SER
HUMANO, como sujeito atuante e autônomo.
Por
essa razão, os Códigos de Ética das diferentes categorias
de profissionais de saúde-médicos, psicólogos, assistentes
sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, odontólogos etc
– fincam-se, todos eles, nas mesmas bases conceituais.
Condições como a de respeito à privacidade, à livre
escolha do profissional por parte do paciente, do consentimento
informado, permeiam todos esses estatutos legais. Eles
devem ajustar-se, continuamente, às situações novas
que a evolução científica e tecnológica nos apresenta,
como ocorre com a engenharia genética, a reprodução
assistida, os transplantes de órgãos e a manutenção
artificial de certas funções vitais.
Nas
sociedades democráticas os códigos de ética representam
a consolidação dos princípios éticos assumidos por uma
sociedade. Considerando, entretanto, que os principios
são mutáveis, temos que os códigos são habitualmente
retrógrados com relacão ao pensar ético, pois eles se
referem a experiências passadas, recomendando-se, conseqüentemente,
sua análise crítica e revisão periódica face à necessidade
de se "olhar" para o presente.
Esses
aspectos, pragmáticos e extremamente importantes na
aplicação da ética, não cabem neste breve discurso,
podendo vir a ser objeto de outro trabalho.
Abstract
- A Short Speech
on Values, Moral, Ethicity and Ethics
The
authors propose a conception of moral, ethicity and
ethics. According to them, these are different concepts
that they try to define, using the psychoanalytic doctrine.
Ethicity is the human being capability of becoming ethic
and ethics is something emerging from the emotions and
the rationality of each person, on the basis of the
autonomy to choose the right attitude between heart
and reason. On the other hand, moral is defined as a
set of rights and obligations imposed during the personality
formation, which a person is not apparently able to
choose; so, there is no autonomy in this case. Based
on the psychoanalytic theory, the authors define moral
as superegoic, marked by prohibition, compared to a
code, and the consequent punishment. In its turn, ethics
results from the maturity of an autonomous ego, but
in a viewpoint broader than Kant's, by considering the
emotions as well (fundament of faith). Finally, they
emphasize that ethics must be based on the RESPECT TO
HUMAN BEING. They also consider that the more the ethical
feeling of a society's members is developed, the less
it will need a repressed, moralistic codification.
Referências
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