O
século XX foi marcado por significativas
transformações políticas e grandes
experimentações sociais. Com a Revolução
Russa, um modelo socialista de desenvolvimento
surgiu, tencionando resolver questões
como a pobreza e a desigualdade, por
intermédio de um sistema econômico
de planejamento central e da erradicação
da propriedade privada, promovendo
a afirmação política de novos sujeitos
e movimentos sociais.
Porém,
com a permanência de antigos problemas
e agravamento de questões como a violência,
o desemprego, a estagnação política,
entre outras, emerge a importância
da relação entre a “questão social”
e a prevalência das leis do mercado
e da economia sobre a discussão político-ética
a respeito dos direitos, deveres e
justiça, uma vez que, movimentos ecológicos,
indígenas, de mulheres, assim como
o próprio drama da realidade contemporânea
desafia os valores estabelecidos e
elege a questão ética como ponto central
de discussão.
Nos
anos 50-70, grandes transformações
ocorreram em função do planejamento
estatal e da economia e de estratégias
de desenvolvimento - promovendo a
urbanização e a industrialização -
produzindo mesmo que às custas da
degradação ambiental, um crescimento
econômico inusitado que permitiu ao
Estado administrar a modernização
econômica, a industrialização, a garantia
de emprego e procurando ainda eliminar
a desigualdade social com políticas
de seguridade e previdência social.
Essa época é marcada também pelo aumento
da inserção da população dos países
em desenvolvimento nos mercados nacionais.
Além
de salientar a diferença entre pobres
e ricos, essas décadas geraram problemas
a partir da própria ideologia da época,
que tinha no crescente domínio da
natureza pelo homem, o avanço certo
da humanidade. Assim, surgiram problemas
ecológicos como poluição excessiva
e desgaste de fontes não renováveis
de energia como o petróleo
e conseqüentemente na crise
dos anos de crescimento.
A
crise dos anos 80 atingiu a todos
os países.Para aqueles em desenvolvimento
as conseqüências foram estagnantes,
caracterizando essa como a “década
perdida”, na qual o crescente aumento
do endividamento externo agravou a
qualidade de vida e elevou os índices
de pobreza.
Houve
assim, uma redução no papel do Estado,
o que dificultou a reordenação do
mercado e das atividades produtivas
indispensáveis na administração da
crise, e no enfrentamento da pobreza
e da violência, caracterizando indiferença
ou evidenciando a incapacidade dos
governos diante da questão social.
No
início dos anos 90, os organismos
financeiros exigiram inúmeros compromissos
que garantissem as renegociações das
condições de pagamento. Dessa forma,
a questão social foi substituída por
políticas de contenção de inflação,
fazendo com que a lógica contábil
prevalecesse às exigências da vida.
Como
parte da filosofia que estuda os fundamentos
da ação humana, a ética pode propor
a reformulação de valores, a reflexão
sobre condutas, enfim, novas formas
de atuação em relação a questões sociais.