A
convite da diretoria da APBr, familiares dos doentes
mentais também se fizeram presentes no III Simpósio
Internacional sobre Depressão e Transtorno de
Humor Bipolar, por meio dos presidentes das Associações
dos Familiares de Doentes Mentais da Bahia, Gilson Irênio
Magalhães e do Rio de Janeiro, Lydia Nogueira
Moreno. Eles participaram do Fórum: “ Ética
e Políticas Públicas de Saúde Mental”.
Em depoimentos, os dois falaram da dor, das dificuldades
que enfrentam e do descaso das autoridades que enfrentam
e do descanso das autoridades com a saúde pública
do país.
Gilson
Irênio Magalhães
Presidente da Associação de Familiares
de Doentes Mentais/BA
|
Gilson
Irênio disse que, só em Salvador, três
hospitais que atendiam pacientes com doenças
mentais pediram descredenciamento do SUS. Segundo ele,
de 2003 para cá, 450 leitos já foram desativados.
“Como esperar três meses para uma consulta
a um paciente depressivo em vias de suicídio?”
, pergunta o presidente da Associação
que tem uma filha de 40 anos com a doença. Ele
criticou a dos CAPs (Centro de Atenção
Psicosocial) que sugiram para suprir a falta de leitos
dos hospitais. Segundo ele, na Bahia são 16 CAPs
para atender 417 municípios. Para todo o Brasil
são 882 CAPs criados para 5,6 mil municípios.
“A
nossa sugestão é que os segmentos organizados
da sociedade, como a APBr, pressionem o Ministério
da Saúde para que cumpram o artigo 12 da Lei
n.10.216, que prevê a criação de
uma comissão para acompanhar a implantação
da lei”. Nem a lei está sendo cumprida,
nem CNS/MS criou a comissão.
“Hoje,
no Brasil poucas famílias têm acesso à
assistência à saúde mental”.
A constatação é de Lydia Nogueira
Moreno, presidente da Associação dos Familiares
de Doentes Mentais do Rio de Janeiro. Em um emocionado
depoimento ela disse que “os direitos humanos
não servem para os doentes” e que a internação
de doentes em estado crítico só é
possível por meio da Justiça. “Todo
mundo acho que gostamos de abandonar os doentes nos
hospitais, mas só quem tem um doente em casa
sabe como é difícil conviver com eles,
principalmente se não lhes é proporcionado
a medicação adequada”, disse a presidente.
Lydia
Nogueira Moreno
Presidente da Associação de Familiares
de Doentes Mentais /RJ |
Como
os hospitais não possuem psiquiatras em seus
plantões, os médicos de outras especialidades
não estão preparados para receber um paciente
doente mental na emergência. “Os médicos
são contratados para não internar e as
famílias só conseguem solução
com os juízes de plantão”. Segundo
a presidente da Associação do Rio de Janeiro.
“o Judiciário não entende o problema
dos doentes mentais e os médicos de outras especialidades
não sabem como proceder nos hospitais”.
Essa é a dura realidade do Brasil.
|